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Pensando o quê…?!

terça-feira, 18 nov 2008; \47\UTC\UTC\k 47 3 comentários

A edição de novembro/dezembro (2008) da Seed Magazine está fantástica! :mrgreen: Eu sei que alguns acham que meu estilo de fala ou de escrita é meio hiperbólico, talvez uma herança italiana, de falar com as mãos, alto, festivamente (deixando tudo isso bem claro através do uso de diversos pontos-de-exclamação, “!”)… mas, no caso em questão, essa é realmente uma observação concreta de fato: A Seed está completando seu primeiro ano de existência com o moto Ciência é Cultura, :!: , e não poderia ter escolhido fazê-lo de modo melhor:

Eu recomendo a todos que quiserem e puderem, que comprem a revista: vale a pena (até o papel em que a revista foi impressa é especial — realmente, está uma edição excelente)! E, quem não puder, espere um pouco, porque o conteúdo da revista deve ficar disponível na rede em breve. ;-)

Em particular, na seção Emergent Science City 2008, apareceu o IINN. A reportagem é de Maywa Montenegro e traduzo-a abaixo.

Natal, Brasil

Natal é a capital do estado nordestino do Rio Grande do Norte, um dos mais pobres do Brasil. O estado contribui com menos de 1% para o PIB do país, e a taxa de analfabetismo é quase o dobro do resto da média nacional.

Mas essa cidade acabou de se tornar o local dum novo e robusto experimento que vai testar a possibilidade de se usar a Ciência para alavancar transformações econômicas e sociais para a região. O Instituto Internacional de Neurociência de Natal (IINN), construído numa fazenda montanhosa a 20 quilômetros da cidade, incorpora um prédio de pesquisa com 25 laboratórios, uma clínica de saúde gratuita e uma escola para crianças entre 11 e 15 anos. O chamado “campus do cérebro” é visto como o primeiro duma série de institutos (análogo aos Max Planck) espalhados pelo Brasil, o começo duma Renascença para a pesquisa científica do país.

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Duke University, concebeu os primeiros planos do IINN em 2003 como uma forma de reverter o vazamento de cérebros da sua terra natal. Em 2007, Nicolelis juntamente com mais dois cientistas brasileiros da Duke, haviam levantado US$ 25 milhões para o projeto, quantia essa que foi equiparada pelo presidente Inácio Lula da Silva depois de visitar o campus em agosto passado. (O presidente “Lula” ficou tão impressionado com os esforços de Nicolelis que recentemente ele incumbiu o neurocientista a criar um currículo de ciência para quase 354 novos colégios técnicos.)

Planos para escalar o IINN para uma escola de 5.000 alunos e construção de mais laboratórios, uma clínica maior, um complexo desportivo, e um parque ecológico sublinham uma dimensão importante do desenvolvimento de Natal: a idéia de que ciência avança somente através do fomento do envolvimento social, extendendo-se da torre de marfim para dentro da comunidade. Esses planos também seguem a tendência de “parques científicos”: em última instância, o IINN formará o cerne dum parque biotecnológico de 1.000 a 2.000 hectares para energia, TI, e negócios farmacêuticos. Como Nicolélis e Lula disseram num editorial de fevereiro, “O gigante dos trópicos finalmente acordou”.

N.B.: os links/URLs não estão no original; eu os coloquei para melhor contextualizar o texto praqueles que não conhecem o MPI nem o editorial de fevereiro/08 da SciAm.

A comparação com os MPI me deixou, honestamente, de queixo caído: faço muito gosto que isso seja a mais pura verdade! :cool:

Minha pergunta, claro, é a seguinte: “Quando é que vem o bloco da Física?!” :twisted:

Ainda nessa mesma de reportagens de qualidade excelente, a revista The Atlantic lançou um projeto novo, que merece uma visita:

É isso aí: a diversão está garantidíssima! :cool:

Atualizado (2008-Nov-25 @ 09:57h): Aqui vai o link oficial:

[]’s.

Simulações em Cromodinâmica Quântica…

terça-feira, 18 nov 2008; \47\UTC\UTC\k 47 6 comentários

A edição desse mês da revista American Scientist (uma publicação da Sigma Xi) tem um artigo [de divulgação] muito interessante sobre Lattice QCD:

A idéia por detrás desse artigo (de divulgação) é clara: usar computadores pra fazer os cálculos pesados, que a gente não consegue fazer “no braço”. Historicamente, isso tudo surgiu na segunda metada dos anos 70, com o estabelecimento da Cromodinâmica Quântica (QCD) e com um melhor acesso aos computadores (apesar de que a programação era feita com cartões-perfurados! :wink: ).

O problema que motivou essa empreitada é dado pelo fato de que é muito difícil de se obter qualquer tipo de resultado analítico em QCD — a razão mestra disso é um fato conhecido como “acoplamento forte” — até então, o único método analítico disponível era o chamado expansão 1/N (aliás, o artigo Path Integral Formulation of Mean Field Perturbation Theory foi um dos primeiros a definir essa expansão em Teorias Quânticas de Campo). Traduzindo em miúdos, o que acontece é que quarks têm um comportamento muito exótico: chamado de confinamento, o que acontece é que quarks nunca são vistos isoladamente, i.e., “livres”, na natureza. Isso se deve ao fato de que quanto mais vc tenta separar 2 quarks, mais forte é fica a força que os une, i.e., a força entre 2 quarks aumenta com a distância! Notem como isso é completamente contra-intuitivo: todas as forças que a gente conhece (fraca, gravitação, eletromagnética) têm o comportamento exatamente oposto, ou seja, a intensidade delas diminui quando a distância aumenta (i.e., fica sempre cada vez mais fácil de se separar os 2 corpos quanto mais longe eles estiverem). Por causa desse comportamento, não é possível fazermos o mesmo tipo de “aproximações” que usamos em outras áreas da Física (e que funcionam perfeitamente bem, com até 12 casas decimais de precisão experimental!); e é pra resolver essa enrascada que a tal “aproximação 1/N” (mencionada acima) foi inventada.

Bom, o resumo dessa ópera é que uma das melhores armas pra se atacar essas questões todas é via simulações computacionais. O “truque” é que mesmo nesse caso, que já tem vários resultados positivos, é preciso se dispor de supercomputadores, como o Blue Gene ou o QCDOC — muitas das arquiteturas do Cray e da IBM foram desenvolvidas em colaboração com Físicos trabalhando em problemas de “Lattice QCD”, especialmente por causa desse necessidade monstruosa de poder de processamento que o problema demanda.

N.B.: Quem quiser se aprofundar mais, pode ler os seguintes artigos: Lattice QCD for Novices, Advanced Lattice QCD e Nonperturbative Quantum Field Theory on the Lattice. Existe um website que tenta agregar essa comunidade, The Lattice Web. Em termos de livros, os que eu recomendo são os seguintes: Introduction to Quantum Fields on a Lattice, Quantum Fields on a Lattice, Lattice Gauge Theories, Quarks, Gluons and Lattices (o autor desse livro, M. Creutz, foi um dos fundadores desse ramo da Física). Um pouco fore do “mainstream” (princpalmente por serem publicações mais antigas), mas também interessantes, são os livros de Lattice Gauge Theories and Monte Carlo Simulations e Gauge Field Theories. No Brasil, eu aprendi parte do que conheço desse assunto no grupo Lattice Quantum Field Theory (em particular, os resultados mostrados em Older Work são interessantíssimos!), e o único outro grupo que eu conheço que trabalha nessa área é Física de Partículas Computacional (IFSC-USP). (Se vc trabalha nessa área e eu não conheço a sua existência, por favor, deixe um comentário, com os links apropriados, que eu terei o maior prazer em corrigir a minha ignorância, atualizando esse artigo. :oops: )

[]’s.

Atualizado (2008-Dez-02 @ 20:12h): Há uma continuação dessa notícia, com um pouco mais de informações, nos links abaixo (que saíram ontem):

Ambos são excelentes artigos… somados ao primeiro acima… diversão garantida!

:twisted:

[]’s.

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