Satélite Planck foi lançado com sucesso
O satélite Planck da Agência Espacial Européia (ESA) foi lançado hoje com sucesso da base em Kourou na Guiana Francesa. Cerca de 25 minutos depois do lançamento do foguete, o satélite foi ejetado em órbita preliminar e agora encontra-se em comunicação com a base da ESA em Darmstadt na Alemanha. Estão programadas para amanhã as primeiras manobras do satélite para entrar em sua órbita definitiva, procedimento que é estimado durar cerca de dois meses. Quando Planck estiver em sua órbita definitiva, os dados começarão a ser tomados.
Junto com Planck, a missão também colocou em órbita o satélite Herschel, que fará astronomia no infravermelho da Via Láctea e outras galáxias, fornecendo dados sobre a formação das estrelas.

Satélite Planck, sala de limpeza da base de lançamento na Guiana Francesa, 26 de fevereiro de 2009.
O satélite Planck estudará a radiação cósmica de fundo (CMB) de microondas, a relíquia do Big Bang formada quando o universo tinha cerca de 400 mil anos de idade. O principal objetivo é medir as anisotropias da CMB — i.e. temperatura da radiação em função da posição no céu — com uma precisão de uma parte em um milhão, dez vezes mais preciso que o antecessor, WMAP, e também no limite de precisão atual dada a contaminação não-cosmológica de microondas no céu. Estas anisotropias contém informação sobre a semente que deu origem as galáxias no universo. Um dos modelos mais debatidos atualmente para a origem dessas anisotropias é a inflação (eu falei sobre esse mecanismo no blog aqui), e Planck permitirá investigar estes modelos com melhor precisão. As anisotropias da CMB também fornecem informação detalhada sobre o conteúdo do universo antes da formação da CMB permitindo excluir modelos de matéria escura.
Além das anisotropias, Planck medirá a polarização da CMB. Há um certo modo de polarização destes fótons que só pode ser produzido por ondas gravitacionais. Antes da formação da CMB, os fótons no universo eram absorvidos e re-emitidos tão rapidamente entre elétrons e prótons que a probabilidade de um fóton produzido por um processo físico antes da formação da CMB chegar até nós hoje é quase nula. Ao contrário dos fótons, as ondas gravitacionais tem poder de penetração muito maior trazendo detalhes do conteúdo do universo até a escala de Planck. As medidas de polarização da CMB podem refutar ou validar modelos da inflação que ocorre nesta escala.
Os primeiros dados do satélite talvez torna-se-ão públicos em 2011.
Este curto vídeo educacional da ESA fala sobre os satélites Planck e Herschel (em inglês).
- Press release da ESA sobre o lançamento. (em inglês)
- Website oficial da missão. (em inglês)




Excelente post!