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Eu sou ateu, e a ATEA não fala por mim.

sexta-feira, 10 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 Deixe um comentário Go to comments

Com uma certa preocupação que eu vi hoje a notícia de que uma associação brasileira de ateus, a ATEA, pretende vincular em algumas cidades do país uma campanha publicitária sobre ateismo. A campanha mostra um cartaz com Hitler e Chaplin lado ao lado e Hitler identificado como crente e Chaplin como ateu, e um cartaz com uma imagem do ataque de 11 de setembro nos EUA com a mensagem “Se Deus existe, tudo é permitido.”

Essa campanha é ruim em diversos níveis.

Primeiro, ela não serve de momento de reflexão para ninguém. Ora, se uma pessoa estiver caminhando na rua e vê um outdoor como estes ou o cartaz no fundo de um ônibus, sendo um cristão — como quase 80% dos brasileiros devem ser —, a última coisa que vai passar na cabeça dessa pessoa é “Nossa, realmente, eu acho que posso me permitir pensar pelos próximos dias que Deus não existe para ver onde isso me leva.” Muito mais provável essa pessoa vai ser inundada de uma cólera contra a insinuação de que sua fé é a mesma de Hitler ou dos terroristas, ou que ela seria capaz de atos similares por crer em Deus. Se há algo que se aprende em Debate I na escola é o seguinte: no momento que você compara seu opositor a Hitler, você perdeu automaticamente. Mensagens como estas são exageradas, e foram assim deliberadamente com o intuito de ser inflamatórias.

Além de não fazer a população religiosa refletir sobre religião, a campanha é negativa para ateus como eu. Ela associa a ateismo agressividade — porque a campanha é claramente agressiva contra a religião. Vocês já viram algum anúncio da Coca-Cola que associa a empresa ou a seus concorrentes uma enorme agressividade? A Coca-Cola é uma empresa de sucesso com uma marca muito bem vista no mundo inteiro e deveria ser usada como exemplo de publicidade. Ao invés de mostrar Hitler tomando Pepsi, a Coca-Cola prefere anúncios onde ela mostra um modo de vida desejável a população associado a bebida. Na América do Sul, a empresa mantém uma campanha publicitária recorrente mostrando crianças jogando futebol na rua, alegres, felizes. No Nordeste do Brasil, a empresa tem uma campanha recorrente mostrando jovens diferentes sorridentes na praia dançando. Ao invés de mostrar um cartaz negativo sobre religião, que tal mostrar exemplos positivos do ateísmo? Em primeiro lugar, assim você não assusta de imediato o seu consumidor para ele ter repulsa por você — e com razão, se você chamar ele de Hitler e terrorista. Se alguma coisa essa campanha pode fazer pelos ateus, é criar ainda mais preconceito, desconfiança e raiva contra a falta de crença em Deus.

Eis aqui um exemplo muito melhor de campanha publicitária. Mostrem Humberto Teixeira, o compositor de Asa Branca, e uma roda de forró tradicional do Ceará para ser vinculada no nordeste, como em Salvador. Teixeira era ateu. E a frase, ao invés de dizer “Quem acredita em Deus mata a mãe”, pode ser algo como: “Ateus também fazem arte. Diga não ao preconceito religioso” (algo do tipo, não fiz um brainstorm pô). Mostrem John Lennon em São Paulo com os dizeres “Mesmo sem crer em Deus, ele falava de paz aos homens.” Mostrem Angelina Jolie e Brad Pitt com crianças africanas e falem sobre os milhões que o casal doa para ações sociais e de saúde pública em países pobres pelo bem dos outros, e cite de passagem que eles não acreditam em Deus. Mostrem Chico Buarque compondo uma poesia. Mostrem grandes médicos e biólogos como Crick e Watson e as maravilhas da medicina que salvam vidas e surgiram de suas pesquisas, e associem esse modo de vida de busca pela melhoria de vida humana com pessoas que não tem religião.

Mas por favor, não chamem os religiosos de Hitler.

Mais sobre isso na Folha de S. Paulo.

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  1. Diego Floor
    sexta-feira, 10 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 19:12:28 EDT

    Concordo que não foi muito feliz e a tua sugestão seria mais eficaz. Mas a idéia não é fazer as pessoas refletirem sobre as próprias crenças, e sim contra preconceito a ateus. De uma forma meio desajeitada, a mensagem parece estar presente.

    O engraçado é que eu nunca sofri qualquer tipo de preconceito (que eu tenha percebido, pelo menos)

    • sexta-feira, 10 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 19:43:40 EDT

      Olá Diego,

      Eu acho que é difícil uma campanha que já começa tentando ser agressiva contra a religião ser vista como uma campanha contra o preconceito. O discurso “I Have a Dream” de Martin Luther King Jr. não se tornou um ícone da luta de liberdades civis por inflamar corações de negros contra brancos; mas sim por enfocar no problema de direitos civis, igualdade, apelo aos valores morais da constituição daquele país:

      “I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: ‘We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal.”

      É essa mensagem que é memorável. Não duvido que não faltaram mensagens de outras pessoas da comunidade negra, um pouco mais emocionadas para o lado errado, chamando todos os brancos de membros do Klux Klux Klan. Não foram essas mensagens que permitiram mudança.

      • Nathaniel Anielewsky
        sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 13:37:52 EDT

        Sejamos realistas e pragmáticos. A lute pelos Direitos Civis nos EUA não foi vencida ainda. E o que foi conseguido não teve nada a ver com o discursos de Luther King. Teve a ver, sim, com a necessidade da Social Democracia de absorver as lutas sociais para anulá-los. Aquele era o momento dos Panteras Negras, por exemplo, que com seu terrorismo racial apavoravam as elites WASP dos EUA.

        Há também um outro ponto a considerar. A integração (Equal Housing Act – Equal School Act) criou um maior mercado consumidor para os bens de consumo produzidos pela indústria americana. Permitir que os negros ganhem melhor faz com que eles consumam mais. E as notas de dólar são verdes, não são nem brancas nem pretas. Os capitalistas não têm qualquer preconceito contra a cor verde!

        É rpeciso olhar a História um pouco menos a partir do ponto de vista de “heróis” e um pouco mais a partir de suas motivações econômicas. Marx não estava errado em tudo, afinal de contas.

  2. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 06:58:24 EDT

    Parabéns Leonardo,

    Ótimo post e concordo plenamente com sua opinião!

  3. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:49:35 EDT

    Eu concordo plenamente.

  4. rodrigo
    sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:57:36 EDT

    realmente, hitler católico e chaplin ateu, lado a lado, foi meio tosco.

  5. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:08:00 EDT

    Poxa, ótima abordagem do tema! Eu ainda não tive muito tempo para pesquisar sobre isso, mas gostei muito da sua visão voltada pela publicidade sugestiva e positiva.

    Eu acredito que o ateísmo é o símbolo de uma tolerância que não encontramos em muitas (ou talvez todas) religiões, e um ‘marketing’ agressivo como esse realmente tem muito a prejudicar.

    Deveríamos nos preocupar e passar uma imagem de tolerância, e não exibir bandeiras para o jihad.

  6. Francisco Boni Neto
    sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:15:01 EDT

    Vou colar o que eu escrevi sobre as agressividades da campanha enquanto conversava com amigos da LiHS (Liga Humanista Secular)do Bule Voador:

    A frase “A fé não responde nada, apenas esconde perguntas” e as outras frases e comparações agressivas são péssimas. A frase “Religião não define caráter” é uma ótima frase.

    O problema é que na cabeça dos religosos a fé dá respostas sim e expor isso numa única frase, desse jeito agressivo, é péssimo na minha opnião. Epistemológicamente, a fé dá respostas num sistema de crenças específico dos crentes. Confrontar e plantar a dúvida epistemológica nos crentes, para que eles tentem perceber como realmente estão “sabendo que estão sabendo” (ou como estão tendo a fé), não envolveria simplesmente dizer que a fé não dá resposta para eles. A fé só é destruída em suas bases epistêmicas mais fundamentais e esse processo de destruição não cabe em uma só frase, muito menos numa campanha agressiva.

    Há toda uma engenharia do pensamento, uma arte de argumentação. O sistema de crenças baseado na fé é motivo de consolo e orgulho (e união) entre todos os crentes. Para ele a fé responde muita coisa. Não envolve só argumentos racionais. Cristãos já me falaram textualmente na cara que quanto maior o sacrifício (do corpo, da razão, do intelecto), maior a fé, maior a catarse, maior a entrega a Deus. Para maioria dos cristãos, a fé se legitimiza na medida em que ela se torna cada vez mais absurda e racionalmente insuportável. Pelo contrário, às vezes não há nada mais satisfatório para quem tem fé do que a contradição, a perseguição e a cruz.

    • Nathaniel Anielewsky
      sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 13:12:04 EDT

      O Humanismo nada mais é do que uma forma de Cristianismo sem Cristo. De certa forma, é até pior porque parte de pessoas racionais, que não estão com a mente perturbada pelas fantasias religiosas e que, portanto, não têm nem mesmo a desculpa da insanidade que os religiosos possuem.

      O Humanismo se fundamenta em princípios éticos muito semelhantes aos do Crsitianismo. Princípios voltados para o ‘amor’ e ‘respeito’ pelos fracos, voltados para a tentativa (absolutamente vã) de agradar a todos.

      Nosso Satanismo se fundamenta filosoficamente do sarwinismo social. Acreditamos na sobrevivência dos mais fortes e melhor adaptados, o que definitivamente não inclui pessoas com problemas mentais graves como as manias religiosas.

      No entanto, defendemos a ampla liberdade de culto. A existência dos religiososo não nos incomoda nem um pouco, embora a nossa existência pareça incomodar muito a eles. Numa sociedade satânica os religiosos poderiam viver livremente suas fantasias.

      Uma das razões de não termos a intenção de convertê-los ao Satanismo (e por tabela ao ateísmo, posto que nosso Satanismo é ateísta) é justamente a consciência de que não queremos essas pessoas distrocidas e fracas ao nosso lado.

      Daí acharmos a campanha da ATEA (pela qual dou parabéns ao amigo Daniel Sottomayor) mujito apropriada, justamente por suscitar debates e causar impacto. Impacto é sempre melhor que estagnação, mesmo que seja um impacto negativo.

      • domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 05:35:24 EDT

        Tá bom Satanista, depois de você terminar de pintar as bonecas da sua irmã de vermelho, de escutar Black Metal e finalmente arranjar uma mulher, você pode falar de darwinismo social.

        Depois de ler esse livro: http://mitpress.mit.edu/catalog/item/default.asp?ttype=2&tid=11864 sobre mutualismo e altruismo presente no comportamento humano, delineado por análises econômicas, teoria bayesiana sobre escolhas racionais, e evolucionariamente esculpida no aparato neurocognitivo humano e largamente presente em toda sociedade humana, desde os períodos de coletores-caçadores, ai sim você pode deixar de falar merda. Ou quem sabe algo mais acessível e conciso: http://jusvi.com/artigos/27397

        Depois de você ganhar 42cm de braço, de finalmente parecer atraente e poderoso para seus pares, depois de você sair da frente do computador e ir para a rua chamando os outros de fracos, rindo do humanismo, ai sim você pode falar sobre pseudociências eugênicas atreladas ao darwinismo social. Por questão de encontro probabilístico, você seria morto por alguém mais forte e mais esperto que você, já que, como Petrill (2006) comenta que, em geral, a herdabilidade da inteligência aumenta de cerca de 20% na infância para 60% na idade adulta. Invariavelmente, direta ou indiretamente, você foi beneficiado por alguém mais fraco ou mais forte que você em qualquer atributo cognitivo ou físico, independente do seu esforço consciente e racional para se educar e tornar-se inteligente ou até mesmo forte. Pelo jeito, nos atributos cognitivos, você não foi probabilísiticamente laureado na genética. Dessas inequalidades e interações complexas, surge o mutualismo, a noção de democracia e direitos fundamentais e princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, dai surge nucleos extra-familiares de cooperação. Sociobiologia básica. Ainda, se por um acaso não ocorrese o mutualismo economicamente vericável e as estratégias ‘tit for tat’ da teoria de jogos e seleção de parentesco, como por exemplo aquela verificada em comunidades de morcegos por Wilkinson, ajudando aqueles que estão temporariamente em risco e podem vir a compartilhar uma quantidade de genes em comum, muitas espécies sequer existiram como conhecemos: formigas, vespas, abelhas, térmitas, camarões parasitas das esponjas dos mares de coral, ratos-toupeira pelados, os primatas, etc. A seleção dos genes egoístas pressupõe mais do que nunca o controle de algumas caracteristicas marcantes pelo domínio daqueles que podem ser mais fracos, para que se evitem cheaters muito abusivos que atrapalhem a existência do próprio pool gênico disponível num período de crise. No caso das diversas células que compõem um organismo multicelular, elas precisam abdicar de sua individualidade, não podendo se proliferar descontroladamente, do contrário seríamos massas de cancer amorfas. Como as bactérias se reproduzem clonalmente, partilhando quase os mesmos genes, na perspectiva de seleção de parentesco surge a necessidade interdependencias como solução estável de longo prazo em detrimento da maior individualidade ou “força maior” de uma celula. Estes genes teriam se originado de genes que suprimem as atividades metabólicas e replicativas em condições de escassez de recursos, para qualquer organismo. Assim, certas mutações neste gene – principalmente, aquelas que tenham feito ele ser ativado por certos sinais químicos associadas a presença de outros indivíduos da mesma espécie – devem ter colaborado para a emergência da diferenciação de tecidos e evolução da multicelularidade e, cada vez maior, interdependência entre diferentes estados celulares representados nas colônias. De forma análoga, o altruísmo em animais, especialmente as formas mais típicas existentes em nossa espécie e em outros primatas, poderiam ter surgido da modificação de sistemas neuronais mais antigos que controlavam anteriormente determinados comportamentos, mas que passaram a ser ativados em contextos diferentes. Por exemplo, ao invés de serem ativados apenas na presença de um estimulo ambiental qualquer, estes circuitos, passaram também a ser ativados em um dado contexto social, como na presença de um semelhante em perigo. Provavelmente, estes sistemas deveriam envolver respostas emocionais e motivacionais já que são os sentimentos que estão por trás de nossa preocupação com os outros e de nossos atos de altruísmo. Este seria mais um caso de co-optação funcional de uma estrutura, sistema ou comportamento utilizado anteriormente em contexto diferente para uma nova função. É possível também que este processo tenha sido ainda mais indireto e envolvido a co-optação de sistemas de aprendizado emocional, nos tornando mais propensos, ao interagir com nossos semelhantes, aprender valores como o mutualismo e o altruísmo.

        Na sociedade humana, para além das porcarias deformadas que você lê, você, provavelmente um macho omega (porque, sinceramente, só virgens estranhos de 15 ou 40 anos falam de Satanismo), ficaria sem qualquer fêmea, pois a monogamia não seria protegida e nem sequer (indiretamente) incluída como direito individual. Um macho alpha teria todo o direito de amassar a sua cara e roubar a sua mulher, nem que seja para colocá-la para lavar a roupa, fazendo com que você não se reproduza.

        Eu concordo que religiosidade extremada está frequentemente associada à problemas mentais. Mas a religião é o fenomeno cultural que mais eficientemente coopta o sistema cognitivo (http://criticanarede.com/html/antropologia.html). Chame isso de meme ou de coevolução gene-cultura (http://en.wikipedia.org/wiki/Dual_inheritance_theory). É tão culturalmente e genéticamente adaptado que é até majoritáriamente presente em todas as culturas, desde 300.000 anos atrás e há suposições de que até pré-Homo sapiens possuiam experiencias subjetivas religiosas ou espirituais (animismo). Obviamente, para o contexto evolucionário, é uma coevolução “forte” e de sucesso, ao contrário do você alucina. Pode ser que agora possa vir-a-ser vestigial, saindo do pool de “memes” ou idéias, por motivos óbvios aduzidos pelo avanços (necessário) das sociedades seculares e da ciência. Novamente, a noção de adaptação e o julgamento raso sobre um fenótipo ‘fraco’ ou ‘forte’ passa longe do que se entende por sucesso evolucionário de um dos ramos da árvore filogenética. Religiosidade não seria uma característica fraca per se, nem mesmo agora. Por exemplo, só o altruismo e a empatia (para quem não tem uma deformação neurológica visível e não é um psicopata ou um mero adolescente revoltado) e, mais importante, o mutuliasmo, previnem que bilhões de pessoas religiosas não entrem na sua casa e te transformem em um escravo porque, pelos mecanismos evolucionários genéticos e culturais, você é um fraco e não faz parte da unidade sociocultural e do reino moral estrito sustentado pelo meme do ‘cristianismo’. Que motivos eles possuem para te respeitar? Os milhares de virgens de 40 anos da Igreja Satanista que tem uma noção deformada sobre sociobiologia contra os bilhões de cristãos bilhonários e em posições de poder? Faz-me rir. Na competição totalmente livre, você não estaria vivo. Você é defendido porque ainda existe humanidade ou noção de dignidade intrínsica, aliada à cooperação. Você não veste a mesma cor de flecha na cabeça, você não reza e portanto, pela possível interação cultural, comportamental e gênica, você merece ser alvo de ódio ou merecer morrer, se assim afluíssem cooperativamente os memes cristãos. A única coisa que impede que a igreja toda desça na sua casa é justamente a interação entre todos os componentes sociobiológicos presentes na nossa cultura ocidental. No oriente médio, o sucesso do Islam mataria você junto com os cristãos que estão sendo assassinados lá (o cristianismo, apesar de também ter raízes abraâmicas, é fraco lá). Na maior parte da história humana, o “meme” ou coevolução cultural-genética religiosa ou idéia religiosa, permeou e se espalhou porque teve sucesso até agora. Seria “mais forte”. É tão forte que, se você não estiver cheirando porcaria, você precisa aceitar que você é uma minoria. Um mero Satanista, sustentado e vivo por causa dos propósitos sociais teleonômicos da nossa história civilizatória – que são de cooperação, altruismo e momentos de empatia -, falando sobre como é ‘forte’ (como uma adolescente escrevendo num diário) por não agradar os outros… Qual idéia famosa deveríamos usar para justificar a sua permanência vivo, qual deveria ter mais importância? O ideal democratico teria mais força? Ou seria a religião? Se depender da religião, se depender de uma teocracia que ainda não foi dominada pelos ideários culturais democraticos humanistas seculares, você, um satanista, já estaria queimando na fogueira, por ser, justamente, mais fraco do que um religioso no mercado livre das idéias (que foi provavelmente aberto há cerca de 300.000 anos atrás). Ou você realmente acha que, ideológicamente, do ponto de vista coevolucionário biológico, genético e cultural, que o satanismo tem mais sucesso que o cristianismo, por exemplo? Se fosse, todos seriam satanistas, por obviedade corolária. O princípio evolucionário básico, da variação específica e da ascentralidade de idéias, culturas ou memes, fariam do cristianismo imbatível por pelo menos 2.000 anos. É só pelo ideário democrático secular que você não foi queimado ainda, senão algum cristão já estaria na sua frente afirmando que não podem usar a organização da sociedade do ‘reino de deus’ com o intuito de mantê-lo vivo, porque sua vida não os beneficia (no caso não beneficia os memes).

        Então você precisa sair do quarto com pôsters do LaVey e sua cuequinha do Baphomet e ir estudar. Estudar matemática, economia, teoria dos jogos e sociobiologia.

        Fico impressionado, pensava que essa merda de ficar ouvindo black metal, lendo sobre Satanismo já tinha acabado. Só pode ser trollagem.

        Sobre sua afirmação de que “(…) Impacto é sempre melhor que estagnação, mesmo que seja um impacto negativo.”, repito o que eu disse:

        Epistemológicamente, a fé dá respostas num sistema de crenças específico dos crentes. Confrontar e plantar a dúvida epistemológica nos crentes, para que eles tentem perceber como realmente estão “sabendo que estão sabendo” (ou como estão tendo a fé), não envolveria simplesmente dizer que a fé não dá resposta para eles. A fé só é destruída em suas bases epistêmicas mais fundamentais e esse processo de destruição não cabe em uma só frase, muito menos numa campanha agressiva. Para maioria dos cristãos, a fé se legitimiza na medida em que ela se torna cada vez mais absurda e racionalmente insuportável. Pelo contrário, às vezes não há nada mais satisfatório para quem tem fé do que a contradição, a perseguição e a cruz.

        O único impacto que argumentos exclusivamente arracionais e agressivos tem é inflar a própria fé dos crentes. Esse é o único impacto: negativo e estagnação. Não existe “impacto” positivo quando um crente não vê sentido na idéia de que a fé não serve para nada. Para ele serve. Por isso a argumentação deve ser sistemática. A propaganda, escolhida democráticamente pelos membros da ATEA, só mostra o nível sub-ginasial da preferencia dos mesmos, porque se colocam no mesmo nível dos interlocutores que supostamente discordam.

        • Nathaniel Anielewsky
          domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:04:37 EDT

          Quando os argumentos acabam, vem as ofensas pessoais. Não argumento com quem usa esse tipo de ataque como se estivesse fazendo algo inteligente. Ataque meus argumentos, não a mim. Atacar a mim é fácil, dessa distância.

        • Nathaniel Anielewsky
          domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:12:48 EDT

          “Tá bom Satanista, depois de você terminar de pintar as bonecas da sua irmã de vermelho, de escutar Black Metal e finalmente arranjar uma mulher, você pode falar de darwinismo social.”

          Para sua informação, tenho 44 anos. Minha irmã não brinca de bonecas faz muito tempo. Sou matemático, com um Doutorado em Sistemas Dinâmicos.

          Suas afirmações, além de desnecessariamente ofensivas e pessoais (não estávamos discutindo minha vida aqui, mas sim a campanha da ATEA), demonstram sua total ignorañcia das nossas convicções.

          É tradição das pessoas estúpidas tratar de coisas que não conhecem.

          Só para citar, o Satanismo não aprova o Rock em geral e o Heavy Metal em especial. Muitas bandas desses gêneros fazem questão de ligar suas imagens ao movimento Satanista, mas não tem aprovação.

          Eu sugiro fortemente que tente mostrar mais educação (se puder) nos próximos debates de que participar. Argumentos atacando pessoas e não idéias só mostram que você é mal educado, não que é culto.

      • Rafael Calsaverini
        domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 10:22:20 EDT

        Como se a idéia básica Darwinismo fosse a sobrevivência do mais forte…

        • Nathaniel Anielewsky
          domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:05:31 EDT

          Não é a idéia básica, mas é uma idéia do Darwinismo. Se você leu Darwin, sabe disso.

          • Rafael Calsaverini
            domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:52:55 EDT

            Não! Não é a idéia do darwinismo. A idéia do Darwinismo é da “sobrevivência” de características herdáveis que aumentem o diferencial reprodutivo.

            Isso não significa sobrevivência do mais forte, pelo contrário. As vezes ser mais fraco, menos egoísta e menos fisicamente apto pode AUMENTAR o seu potencial reprodutivo. Basta olhar para coisas como seleção sexual nos pavões, ou para o frágil corpo das borboletas, com suas cores pirotécnicas que não trazem nenhuma vantagem física, mas aumentam seu fitness reprodutivo grandemente.

      • Victor Gorski
        quinta-feira, 16 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 13:42:32 EDT

        “que não estão com a mente perturbada pelas fantasias religiosas e que, portanto, não têm nem mesmo a desculpa da insanidade que os religiosos possuem”

        meu… reveja seus conceitos.. o cara posto um post mt legal sobre tolerancia e talz, e vem vc animal, fala que q cristianismo é insanidade??

        se for assim, esqueça tudo o que você aprendeu em sua aula de física. Newton era estudante assíduo da bíblia, DaVinci também era cristão…

        “Uma das razões de não termos a intenção de convertê-los ao Satanismo (e por tabela ao ateísmo, posto que nosso Satanismo é ateísta)”

        meu, como você pode ser satanista se você é ateu… satanismo é acreditar em satanáz, com vcê é ateu e acredita no diabo??

  7. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:17:06 EDT

    Sabendo disso, concordando com tudo que você escreveu.

  8. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:17:41 EDT

    Caramba, achava que só crente não entendesse o que é ironia. Eles (Papa) nos compararam com nazistas primeiro, quando qualquer pesquisa no google mostra o lado “ateu”(<—SARCASMO) que o papa diz que Hilter tinha.

    Os endoutrinados de longas datas não vão perceber isso, mas as crianças não estão nesse patamar ainda. Acho sim que uma mensagem direta vai mostrar a hiprocrisia deles.

    E que se foda quem quer usar luvas de pelica numa guerra de idéias. Ainda mais numa guerra que eles começaram.

    • sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:33:35 EDT

      Claudio, a sua resposta mostra dois pesos e duas medidas.

      Você critica os religiosos porque eles fizeram uma comparação de ateus a nazistas, para depois apoiar a comparação de religiosos a nazistas como um troco na mesma moeda.

      Eu sustento que os valores éticos e morais devem ser consistentes. Se você é cético, talvez tenha lido Richard Dawkins, que falou muito sobre isso. Você não pode repreender a falta de liberdade civil e de imprensa de países teocráticos como a Arábia Saudita e o Irã e depois responder dentro do seu próprio país dizendo que os mulçumanos não devem ter o direito de construir um templo ou centro de estudos religioso e usar as leis da Arábia Saudita como justificativa. Ou você adere os aos princípios de liberdade religiosa, ou não adere. Ao considerar correta a hipérbole de que para um religioso “tudo é permitido”, até mesmo um ataque terrorista, então você passa a agir da forma que você disse não ser louvável. Você passa a ser igual aos religiosos que andam por ai com cartazes contra ateus chamando ateus de nazistas, colocando Hitler como ícone de descrente, e dizendo que “quem não tem Deus no coração pode tudo”. Diga-me, qual a diferença de valor moral entre o Datena dizer aquela frase infeliz e esses cartazes da ATEA?

      • sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 13:30:09 EDT

        Eles não estão comparando só, eles estão DEMONSTRANDO que usar esse tipo de comparação é ridícula e que não prova nada.
        Mas foi o que os crentes fizeram!

  9. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:22:45 EDT

    E quantos corações e mentes de crianças você acha que dá para ganhar com uma campanha igualmente irracional Cláudio?

    Acredito que nenhuma.

    O papel nosso, dentro do secularismo, é evitar que a religião tome conta da vida pública, de maneira racional. Os crentes serão crentes dentro de casa, independente de quantas crianças vão ler o anúncio dentro de um ônibus.

  10. Nathaniel Anielewsky
    sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:25:22 EDT

    Você fez bons pontos, concordo plenamente. O problema é que esqueceu que estamos lidando com religiosos, não com pessoas normais. Eles já t~em todo o ódio de nós que precisam ter. Nada do que façamos poderá aumentar isso. Afinal, nos desejam uma eternidade de sofrimento e tortura no inferno! Que pode ser pior que isso?

    Eu, particularmente, não estou interessado em converter nenhum crente ao ateísmo. Que fiquem onde estão. É o lugar certo para gente sem muitos miolos, que gosta de ser “ovelha”… Animal bem escolhido para representar os crentes, pois qualquer criador de ovelhas vai te dizer que se trata de um bicho essencialmetne estúpido.

    Também não estou interessado em fazer com que gostem de mim. A afeição de certas pessoas me seria ofensiva, diga-se de passagem.

    Portanto a campanha da ATEA vem mesmo a calhar, no meu entender. É uma oportunidade de revidar em pequena medida todas as agressões feitas em milênios.

    Estou farto do ateísmo contido, escondido… dos ateus de armário que vão à missa nos domingos para não chocar as pessoas dizendo que são ateus. Que se curvem estes diante dos altares e lá permaneçam. Quem sabe lhes seja permitido viver apenas metade da vida de joelhos e a outra metade de pé!

    Sou ateu e Satanista (da corrente de Anton LaVey), responsável pela Primeira Igreja Satânica de São Paulo.

    • sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:44:27 EDT

      Eu tenho vários familiares e amigos que tem religião, e nenhum deles tem ódio de mim por eu não ter religião. Pelo contrário, eles até tem uma certa curiosidade de saber o que eu penso sobre diversas coisas, como eu lido com questões como morte ou solidão. Então, para mim, é difícil compreender porque alguém acha que religiosos não são pessoas normais ou que a grande parte seja cheia de ódio contra ateus. Na minha experiência social, parece mais uma construção fantasiosa de uma perseguição que não existe de forma generalizada. Existem sim individuos isolados, extremos, hiperbólicos, preconceituosos contra descrentes, mas eu acho difícil que as evidências sociais sustentem que isso é a posição da maioria hoje em dia em países do ocidente.

      • Nathaniel Anielewsky
        sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 13:28:57 EDT

        você não consegue mesmo ver o ódio contido na condenação ao inferno? Não percebe quanto ódio é necessário para desejar que pessoas sejam torturadas pela eternidade?

        E quanto a esse argumento de que os religiosos na sua família e entre seus amigos não te odeiam por ser ateu… bem, tudo o que posso dizer é que mamãe me achava lindo!

        • domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:24:47 EDT

          Nathaniel,

          Você deixou vários comentários, mas eu só quero deixar uma reposta. Não é bem uma resposta, é mais uma “eu paro por aqui” justificativa.

          Eu acho que você pinta o comportamento humano de uma forma muito preta & branca, incapaz de perceber a gradação das complexidades do comportamento. Eu discordo de você quando você generaliza que todo religioso quer seus pares sofrendo no inferno. Eu conheci várias pessoas religiosas que não tem esse tipo de pensamento. Você ignora a complexidade que permite pessoas como Freeman Dyson serem ao mesmo tempo religiosas, tentarem manter um equilíbrio de compaixão para seus pares baseado na idéia de Deus, e ainda serem profundamente racionais com os seus valores morais. Você, por outro lado, não me parece ter muita racionalidade na sua visão de mundo. Para mim você parece mais um exemplo de voz extremista, sensacionalista, hiperbólica, que exagera comportamentos e idéias, que deseja apenas causar choque, que tem falta enorme de respeito por outros seres humanos ao chamá-los até de doentes mentais. No dia que nós estivermos controlados por pessoas como você, e pessoas como Dyson tiverem que ser enviadas a hospitais psiquiátricos, esse dia não será de uma sociedade democrática. E ai você pode montar a sua sociedade com esse perfil; eu, Dyson, Einstein e outros humanistas, vamos sair de lá e deixar você em paz. Você pode não se importar com o que acham os religiosos de você, mas eu, como ateu, me importo sim em viver em estado de paz com pessoas de visões diferentes, é um dos produtos da racionalidade científica na qual eu sou imersmo: todos os meus colegas concordam com os princípios da mecânica quântica e da relatividade, mas nós discordamos em vários detalhes sobre mecanismos físicos, e ninguém fica ateando fogo no outro por causa disso.

          Encerro aqui meu debate com você.

          • Nathaniel Anielewsky
            domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:41:14 EDT

            Não me causa estranheza essa atitude.

            Do mesmo modo que o outro lá em cima resolveu ofender-me pessoalemtne no lugar de atacar meus argumentos, não acho estranho que você decida ignorar-me.

            O franco e brusco realismo com o qual nós Satanistas tratamos a realidade, enxergando a natureza humana como ela é, não agrada as pessoas que preferem atitudes de “pôr panos quentes”.

            Não vou mais incomodar com meus argumentos por aqui, uma vez que percebi que o objetivo do debate não é discutir opiniões, mas impor as que já estão na sua mente e na mente dos frequentadores.

            Só para finalizar, nós teremos prazer em ver pessoas assim fora da nossa sociedade.

            Grato pela atenção.

  11. Camila Porto
    sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:25:27 EDT

    Concordo com você que as campanhas demonstraram uma certa agressividade. O que me incomodou não foi a propaganda do Hitler, e sim a das Torres Gêmeas. Poderia ter sido veiculado de uma outra forma? Poderia, mas a própria ATEA disse que eles não querem converter ninguém com essas propagandas, e sim ter algum espaço pra expressar o ateísmo e fazer com que os ateus que tem medo de represálias “saíssem do armário”.
    Acho que a parte da Coca-Cola foi um pouco desnecessária, mas mesmo assim, ótimo texto.

    • sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:48:06 EDT

      Olá Camila,

      Certamente a ATEA não expressa a opinião de ateus e céticos quando ela coloca o ataque as torres gêmeas como exemplo do que os ateus pensam que os religiosos são. Se os ateus pensam que os religiosos são todos terroristas, então a ATEA só está transmitindo a seguinte mensagem: ateus são preconceituosos, e cegos, porque grandes ícones da paz mundial, como Gandhi, ou Martin Luther King Jr., eram também religiosos. Essas mensagens da ATEA não expressam o meu entendimento de ceticismo. Não são um espaço para minhas idéias de descrença.

      • Nathaniel Anielewsky
        sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 13:01:09 EDT

        Para cada Gandhi ou Luther King que vc me mostrar, eu te mostro um milhão de seres fanáticos, intolerante e desagradáveis para com os ateus.

        Argumentos baseados em uns poucos casos particulares não provam nada. Aliás, essas pessoas que você citou são justamente as exceções que provam a regra de que os crentes são intolerantes para conosco e que, por isso mesmo, não temos qualquer razão para “pegar leve” com eles.

    • Nathaniel Anielewsky
      sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:55:35 EDT

      Eu, por minha vez, acho difícil considerar normais pessoas que negam seus mais básicos instintos e emoções em nome de uma fantasia espiritual.

      Qualquer pessoa que fale em “dar a outra face”, “amar os inimigos” ou coisas semelhantes, tem um sério problema mental e precisa de tratamento. Mesmo que ela no final das contas não faça essas coisas (pois nós sabemos que os religiosos nunca tiveram dificuldade em endossar o ódio ou em matar… vide as guerras religiosas e a Inquisição), o simples fato de considerarem esses padrões absurdos de comportamento como corretos já mostra que não raciocinam de forma adequada à conservação da espécie.

      E nem vou entrar no mérito da questão de adultos que acreditam em (e falam com) criaturas invisíveis, uma coisa comum entre crianças e entre lunáticos. Os hospícios estão abarrotados de pessoas que falam com seres invisíveis. Só que quando isso é feito em nome da “fé”, passa a ser algo socialemnte aceitável e até mesmo desejável…

      Se vocÊ consegue achar pessoas assim normais, eu dou meus parabéns. Isso porque talvez eu não consiga por alguma deficiência da minha própria perceptividade, razão pela qual dou à sua opinião o benefício da dúvida.

  12. Tiago Lorenzo
    sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:36:29 EDT

    Sobre a comparação com Hitler, concordo. Desnecessária e agressiva. A do “com religião tudo é permitido” também.

    Mas tiveram outras que ficaram legais.

  13. Abigail Pereira
    sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:43:00 EDT

    Meu querido Leonardo, não dá pra ficar pisando em ovos. Esses cristãos ignorantes não acham que Hitler era ateu? Os católicos não apedrejavam igrejas de evangélicos não faz muito tempo? Eles não criam uma igreja nova só por causa de um costume ou de um líder?
    Temos que dar bons exemplos de ateus? Sem dúvida. Mas as bestas fanáticas vão achar que se a gente pode dar um, eles podem dar 100. A gente precisa, sim senhor, falar mal dos maus exemplos. Eles não vão gostar? Não vão. Mas eles não debatem nem os evangélicos tradicionais com os pentecostais.
    Beijos
    Abigail

    • Nathaniel Anielewsky
      sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 13:14:26 EDT

      Muito bem colocado, Abigail!

  14. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 21:13:59 EDT

    Como se não bastasse o ridículo argumentum ad Hitlertum, deixando a Lei de Godwin eternamente correta, essa história de dizer que Hitler era religioso é uma bazófia tirada de onde, senão da própria invencionice dessa turma? Nessas horas dá vontade de enforcar quem proibiu o Mein Kampf por essas bandas.

    Quando você se rebaixa ao nível do “adversário”, invariavelmente se põe abaixo dele, e não no mesmo nível. Pior do que um carola é um ateu militante. Um ateu crente. Um ateu que acredita no ateísmo. Um ateu com ismo.

    Belo texto e belos argumentos, by the way.

    • Vinícius E.
      terça-feira, 14 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 06:58:09 EDT

      Novamente achei um comentário desse troll na internet, rs.

      Vamos aos fatos, meu caro. Não precisa querer enforcar quem proibiu Mein Kampf, basta fazer uma simples busca na internet para achar o livro completo para ser lido, como aqui: http://bit.ly/KJs3 – Agora mostre suas evidências?

      Ah, eu já te mandei esta mensagem pelo Twitter e a sua resposta patética foi “leia isso, isso ou aquilo para entender sobre nazismo”. Sério, eu vou tentar ser o mais educado possível, mas sua resposta é patética!

      – Primeiro porque você refuta a religiosidade de Hitler usando Mein Kampf como evidência, mas no momento de ser confrontado você quer usar outras coisas? É o mesmo que acusar alguém de ter matado uma pessoa e dizer que as digitais estão na faca, mas quando mostram que não existem digitais lá você diz “não era a faca, veja aquela pistola”
      – Segundo porque na resposta que você me enviou pelo Twitter ainda disse “aí sim vai poder falar sobre nazismo”. E quem aqui está falando sobre nazismo?! Você sabe interpretar um texto? Estou falando sobre Hitler e as crenças dele e em momento algum citei nazismo. É o típico exemplo de Ignoratio Elenchi.

      Agora seja honesto e mostre em MEIN KAMPF (afinal foi esse o pedaço de evidência que você usou para fazer sua afirmação) o fato de Hitler não ser religioso? Basta ler a página 335 de Mein Kampf e verá uma das CENTENAS de outras referências religiosas que Hitler faz em sua biografia. Entre elas a famosa parte em que ele diz que está em uma “missão dada a ele por deus”.

      Tirando a “trollice” desse Flávio, para mim não interessa se Hitler era religioso ou não. O meu objetivo, como deveria ser o da campanha nos ônibus, é levantar a reflexão sobre o ateísmo e diminuir o preconceito, etc e não ficar fazendo comparações entre Hitler, terrorismo e religião.

      Gostei do texto do Leonardo, e as idéias que ele apresentou são muito melhores que as propostas pela ATEA.

  15. Aurelio
    domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 04:43:29 EDT

    Não gosto da ATEA. Sottomaior parece um pastor, cobra dízimo e tudo. Já vi gente que participou dessa “ong” e que achou a divulgação do balanço financeiro deles muito estranho. O Sottomaior também acha que ateus devem ser vegetarianos. Acho essa campanha dos ônibus uma grande perda de tempo. Faria muito melhor a imagem dos ateus fazer uma campanha de arrecadação de alimentos no país todo, arrecadação de roupas, enfim, algo útil. Assim, mostraria que os ateus (em geral, não todos, claro) se preocupam com os menos afortunados.

    Vi uma vez na comunidade da ATEA que o Sottomaior ficava cobrando dinheiro de todos os foristas, para darem dinheiro para essa tal campanha dos ônibus. Quem não doava, isso era criticado. Qual a diferença disso para os crentes que cobram dízimo? Nenhuma. Isso em 2009.

    http://aureliojornalismo.blogspot.com/2010/12/ateismo-e-delirio.html

    O Sottomaior só quer ganhar dinheiro e fama com isso tudo.

    • Nathaniel Anielewsky
      domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:08:32 EDT

      Não sou mais membro da ATEA justamente porque o Daniel saiu com essa campanha de vegetarianismo. Lutamos muito para estar no topo da cadeia alimentar. Não há porque retroceder agora.

  16. domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 11:12:26 EDT

    Oi Danielle,

    Não conhecia a campanha britânica. De uma foto de uma flor com a mensagem “aproveite a vida” para Hitler vs Chaplin realmente é uma grande diferença.

  17. Rafael Calsaverini
    domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 16:10:59 EDT

    Nossa… onde eu disse “diferencial” eu quis dizer “potencial reprodutivo”. Minha cabeça tava em outro lugar.

    Rafael Calsaverini :

    Não! Não é a idéia do darwinismo. A idéia do Darwinismo é da “sobrevivência” de características herdáveis que aumentem o diferencial.
    Isso não significa sobrevivência do mais forte, pelo contrário. As vezes ser mais fraco, menos egoísta e menos fisicamente apto pode AUMENTAR o seu potencial reprodutivo. Basta olhar para coisas como seleção sexual nos pavões, ou para o frágil corpo das borboletas, com suas cores pirotécnicas que não trazem nenhuma vantagem física, mas aumentam seu fitness reprodutivo grandemente.

  18. Lennon Carvalho
    domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 18:10:56 EDT

    Bom, postarei algo aqui, mas infelizmente não tive muita oportunidade de ler muita coisa, apesar de saber como esta a tendencia geral.
    Eu, acho que ao contrario do que muitos daqui, achei favoravel a iniciativa, principalmente nesses tempos onde há chuvas de ataque contra ateus diretas de pessoas publicas de importancia a nivel nacional e mundial.
    Acho que alem de amenizar os conflitos ateus/religiosos, acho que é logico que as pessoas devem saber mais sobre as carateristicas gerais do ateismo, e isso não tem muito paliativo…
    Alem disso, como ja foi dito, barraram a iniciativa a primeiro prazo… E isso que acho bem mais ofensivo do que a mensagem em sí, pois mostra essa opressão por parte dos religiosos em sua forma mais “crua” (eles não estão dispostos a nos açeitar, ou açeitar nossas ideias)…
    Em suma há, pelo menos da minha parte, concordância com o atea.

  19. domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 22:46:28 EDT

    Nem precisa ser brilhante para chegar às suas conclusões.

    Basta não ser um perfeito idiota.

    Parabéns pelas observações inteligentes.

    Também escrevi um texto chapuletando essa palhaçada dessa campanha burra pra dedéu:

    http://www.polimatico.com.br/2010/12/o-onibus-ateu-brasileiro-mais-um-ato.html

    Com um agravante que você não mencionou: Chaplin não era ateu, rs..

    Henrique

  20. segunda-feira, 13 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 11:18:56 EDT

    Concordo totalmente com a opinião do Leonardo nesse post.
    Mas a ATEA é do Sottomaior, e não dos seus integrantes… ponto.

    E eu acho um desrespeito da parte dele, fazer uma campanha dessa sem uma consulta prévia aos membros da ATEA. Eu sou um e não concordo com essa agressividade. Acho uma mídia negativa aos ateus. Além de ser um mal uso dos recursos da associação, que também vem de doações.

    O Daniel tem muita disposição para brigar por direitos laicos, e eu apóio e ajudo em todas as boas campanhas pelo laicismo. Independente de uma luta ateísta, agnosticista, materialista e etc… Mas não se pode achar que um ateu apoiará qualquer coisa, ainda mais sendo agressiva dessa forma.

    Não podemos bater na cara dos religiosos… NÓS temos que fazer diferente.

  21. terça-feira, 14 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 21:33:01 EDT

    Sobre Hitler acreditar em Deus, ler:

    http://defesabiblica.wordpress.com/2010/08/08/o-cristao-hitler/

    Além disso, o silogismo:

    Religião define caráter
    Hitler matou pencas de gente
    ————————-
    Logo, religião NÃO define caráter

    É falácia de negação do antecedente.

    Daniel Sottomaior deveria ter dito, para ser coerente, algo como:

    Religião define caráter? Não só ela.

    E aí, sim, colocar as fotos de Hitler e Chaplin.

    Fora o Reductio ad Nazi.

    Além disso, com Deus tudo é permitido? Seria fácil usar o Comunismo para dizer o mesmo do ateísmo, e jogar isso na conta de TODOS os ateus (o que é falácia).

    Daniel Sottomaior dá pena, não nojo. :P

    Não se combate preconceito contra ateus com preconceito contra cristãos.

    Por isso, as peças da propaganda são mais marketing do que racionalidade mesmo.

  22. ...
    terça-feira, 14 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 22:50:39 EDT

    Hoje eu escrevi um post sobre essa campanha.
    http://watafaque.wordpress.com/2010/12/14/a-consciencia-atea

  23. Pedro
    quarta-feira, 15 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 10:02:32 EDT

    Nem li inteiro, mas você entendeu errado o propósito da campanha. Ninguém quer fazer nenhum religioso virar ateu, querem apenas que os ateus sejam respeitados e não sejam vitimas de preconceito.

    • quarta-feira, 15 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 10:50:23 EDT

      Caro Pedro,

      Como eu expliquei no post, parece-me muito difiícil esse propósito ser alcançado quando a mensagem contra o preconceito coloca uma imagem do ataque de 11 de setembro com a mensagem que a acompanha. A campanha iguala religião a terrorismo, e isso dificilmente pode ser interpretado como uma atitude de tolerância e contra o preconceito. Como eu falei em outro comentário, qual a diferença dessa campanha para o episódio em que o Datena falou que “quem não tem Deus no coração” é capaz de todo e qualquer crime?

      O objetivo dessa campanha é resumir-se a frases rasas de efeito de choque ou é para ser racional, objetivo e bem elaborado?

    • ...
      quarta-feira, 15 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 10:52:05 EDT

      Sua resposta deveria ter parado no “nem li inteiro”.
      Então leia e faça um comentário coerente.

  24. sapientiamusical
    quinta-feira, 16 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 10:32:25 EDT

    Só uma resalva: essa frase “Se Deus existe, tudo é possivel” é uma resposta a famosa frase pronunciada por varios religiosos “Se Deus não existe, tudo é possivel”. Porém eu creio que poucas pessoas entenderão o real significado da frase; tornando, assim, totalmente ineficaz.

    • ...
      quinta-feira, 16 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 15:57:20 EDT

      Foi exatamente o que eu falei no meu post.
      http://watafaque.wordpress.com/2010/12/14/a-consciencia-atea

    • Jacinto
      quinta-feira, 28 jun 2012; \26\UTC\UTC\k 26 às 17:52:55 EDT

      Esta frase “se deus não existe tudo é possível” e a sintetização de uma passagem de “Irmãos Karamazov”, de Fiódor Dostoiévski.

  25. segunda-feira, 3 jan 2011; \01\UTC\UTC\k 01 às 08:44:58 EDT

    Leonardo, sou cristão protestante e acredito que o respeito deve sempre existir entre os homens. Achei interessante seu post, um ponto real é que se você cita Hitler, você perde, acho difícil que o Hitler tenha sido um cara religioso, conforme as próprias citações dele linkadas mais acima.

    Mas gostaria de focar no respeito, sim, nós devemos nos respeitar, não odeio ninguém por ser ateu, na verdade acho a palavra ódio muito forte e posso dizer sinceramente que não odeio ninguém. O respeito deve sempre existir, nessa questão de ódio, sempre gosto de lembrar do Mandela ao falar que não odiava os responsáveis por sua prisão.

    Outro ponto claro é que caráter tem a ver com a formação do indivíduo e não com sua religião, se ele for criado por pessoas de caráter íntegro, já basta. Mas também acredito que se alguém for criado dentro dos princípios cristãos dificilmente será um mal-caráter, a não ser que escolha seguir justamente o contrário do que lhe é ensinado.

    Enfim, concordo com você, se for criar uma campanha para falar sobre o respeito, o que é algo justo, afinal nenhum ser-humano é melhor e/ou superior a outro, não se deve começar de uma forma desrespeitosa.

    PS: Fez bem em não alimentar o troll.

  26. Wawa
    domingo, 30 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 às 22:06:56 EDT

    Estranho… os ateus tem uma associação. Para falar que Deus não existe?

    • domingo, 30 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 às 23:35:46 EDT

      São associações civis enfocadas em monitorar o Estado para garantir a laicismo.

    • terça-feira, 1 fev 2011; \05\UTC\UTC\k 05 às 18:22:58 EDT

      Como se toda a filosofia do ateísmo se limitasse simplesmente a dizer que deus não existe.

  27. quinta-feira, 21 fev 2013; \08\UTC\UTC\k 08 às 15:50:41 EDT

    assim como os crentes, loguinho os Ateus vão criar suas denominações…tipo..Associação dos Ateus do Séitmo Dia….Ateus Renovados….Ateus Universais…Associação Mundial do Ateu sem Deus…hahaha…vocês não perceberam ainda que todos nós somos loucos…hahahaha…

  28. sábado, 2 mar 2013; \09\UTC\UTC\k 09 às 22:17:43 EDT

    Sou cristão e fico feliz em ver que há pessoas de bom senso,que demonstram coerência e juizo,que mesmo não acreditando,respeitam a fé alheia.
    abraço.

  1. sábado, 11 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 às 12:30:01 EDT
  2. terça-feira, 14 dez 2010; \50\UTC\UTC\k 50 às 13:13:45 EDT

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