CMS e ATLAS esperam descobrir o Higgs até 2012
Hoje a Physics World publicou uma entrevista com Guido Tonelli, porta-voz do experimento CMS, e Pippa Wells, porta-voz do ATLAS. Ambos afirmam que CMS e ATLAS darão uma resposta definitiva para a existência do bóson de Higgs até final de 2012. A expectativa é que os dados do LHC de 2011 e de 2012 serão necessários para poder vasculhar o Higgs em toda a janela de massa que ele pode existir, que é atualmente de 115 a 600 GeV (para uma comparação, a massa do próton é aproximadamente 1 GeV). O Higgs é a única partícula do Modelo Padrão que ainda não foi positivamente detectada.
onde é um número puro, mas ao agir não-linearmente
onde é um número que tem a mesma dimensão de
, que é uma quantidade com unidades de massa. Explorando essa idéia, Steven Weinberg e Abdus Salam construiram uma realização desse tipo para a maior simetria que poderia existir agrupando os léptons em duplas que sempre interagem juntos radioativamente (por exemplo, o elétron e o neutrino do elétron formam uma tal dupla). Com a possibilidade de introduzir massas nas leis de transformação, o modelo permite que os bósons da força nuclear fraca sejam massivos, ao invés de ter massa zero. A massa desses bósons e seus decaimentos são o mecanismo da teoria que dá a eles um alcance subatômico, o que permite a força radioativa agir só em escalas pequenas como o núcleo dos átomos. A realização não-linear completa exigiu a introdução de um novo observável físico que se transforma algo como o
do meu exemplo, que é o bóson de Higgs. Weinberg, Salam e Nambu receberam o Prêmio Nobel pelos seus trabalhos ligados a aplicação desse tipo de simetria na física de partículas. Essas simetrias são chamadas de espontaneamente quebradas. Mais sobre isso você pode ler aqui.
As buscas por essa partícula no LEP, acelerador do CERN que foi a base do LHC, e principalmente no Tevatron do Fermilab, demonstraram que o Higgs deve ter massa acima de 115 GeV.
Devido ao problema da hierarquia os físicos de partículas esperam que o Higgs seja parte de um fenômeno mais complicado do que o modelo originalmente proposto por Weinberg e Salam. Uma das missões do LHC é determinar se isso é verdade e que tipo de nova física jaz acima de 200 GeV.




@Leonardo,
A massa atômica do isótopo mais estável do urânio é aproximadamente 238 GeV. O número 92 se refere ao número atômico (i.e., no. de prótons). Afirmação similar
vale para o plutônio.
Pedro, putz, besteira minha, obrigado. Corrigi o texto.
Em tempo: refiz as contas com as unidades corretas, e a massa atômica do U-238 é de aproximadamente 222 GeV (=0.93146 GeV/amu x 238.0289 amu)
Eu acho que essa apresentação que teve agora em Moriond, apesar dos slides serem de doer os olhos, coloca a frase política em perspectiva científica:
http://indico.in2p3.fr/getFile.py/access?contribId=108&sessionId=2&resId=1&materialId=slides&confId=4403