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Abre, O ‘Simsim…!

sábado, 27 set 2008; \39\UTC\UTC\k 39 Deixe um comentário Go to comments

Para abrir a temporada de trabalhos do Ars Physica, eu decidi escolher um tema um tanto árido pra alguns de nós aqui do AP : o mercado de trabalho.

No final de agosto, foi divulgado o resultado dum estudo sobre o mercado de trabalho em Física Teórica de Partículas, Cosmologia e Teoria de Cordas (e/ou Gravitação Quântica) nos últimos 15 anos (1994–presente) nos USA. Ele está disponível aqui, em PDF: Jobs 94–08.

Esses resultados mal saíram e já estão causando um certo furor: Survivor: theoretical physics e Survivor — os comentários e links em ambos esses posts são elucidativos também.

O resumo da ópera é claro: entre completar o Ph.D. e conseguir uma posição fixa, a média é de 5-6 anos (aprochutadamente, 2 postdocs (de 2-3 anos cada), ou 1 superpostdoc (3-5 anos) e um troco), o que significa que a idade média para um professor (numa posição fixa) é de 40 anos.

Há alguns comentários pertinentes:

  1. Esses números são bem diferentes daqueles de 2 ou 3 gerações atrás — não é tão longe assim o tempo em que os jovens professores, em início de carreira, tinham cerca de 25-30 anos! O número atual representa um aumento de 30%-60% com respeito a essas gerações.
  2. Algumas pessoas tendem a criticar a estabilidade de emprego necessário para todo jovem pesquisador, a tal “posição fixa” acima. Uma das razões mais importantes para essa estabilidade é a famigerada liberdade acadêmica: sem um certo grau de estabilidade, uma linha de pesquisa mais inovativa, menos ortodoxa, pode ser tolhida facilmente. E esse é o tipo de coisa que estaguina o progresso científico. Principalmente pra quem leva a sério a idéia de que pessoas mais jovens tendem a fazer trabalhos mais criativos… fica fácil de ver a necessidade de se proteger as pessoas que podem causar os maiores “danos”.😉
  3. A situação não é das melhores…

O mercado americano e canadense é o mais receptivo para estrangeiros e, portanto, o mais acirradamente competitivo. Depois, eu diria que vêm Inglaterra, Alemanha e França. Esse é o paradigma clássico, eu diria. Porém, atualmente, alguns detalhes não-tão-pequenos têm alterado o cenário (em aspectos diferentes): China, Índia, países do Sudeste Asiático, Rússia, nessa ordem, têm investido mais intensamente em recuperar seus cérebros — incluindo infra-estrutura e equipamentos de alta qualidade. Existem também algumas “ilhas” no mercado internacional: México (Loop Quantum Gravity), Chile (String Theory), Argentina e Uruguai. Lugares como Itália, Portugal e Espanha possuem núcleos de excelente qualidade… porém, seus mercados são praticamente impenetráveis (e as filas de espera para as poucas posições disponíveis são de 5-10 anos!). Japão e Coréia do Sul tem aumentado sua participação, mas essencialmente na forma dos “Institutos de Estudos Avançados”; então, ao invés de oferecerem posições permanentes, eles oferecem excelentes oportunidades para uma temporada de verão (3 meses) ou de inverno (1 mês).

O grande pulo-do-gato nisso tudo é que, com esses dados, dá pra se estimar que entre 60%-90% dos Ph.D.’s em Física Teórica (altas energias; o grupo descrito acima) acaba não exercendo a profissão! Na imensa maioria dos casos, esse pessoal costuma acabar no mercado financeiro, na forma de Analista Quantitativo (em alguns círculos, o nome usado é engenharia financeira).

Então, o resumo da ópera é: Antes de tomar a decisão de seguir uma carreira como essa, saiba muito bem quais são os prós e os contra!


Do lado mais leve da coisa, vou fechar esse post com algumas “pesquisas”😉 :

Pois é… é isso aí: Divirtam-se!😈

Categorias:Ars Physica
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