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Pergunte a um físico

quarta-feira, 1 out 2008; \40\America/New_York\America/New_York\k 40 2 comentários

Quem nunca viu o adesivo com a mensagem ‘Pergunte a um advogado’ ? Pois então, um grupo de físicos resolveu criar o ‘Pergunte a um físico’ ! 🙂

Se ao ler alguma matéria de divulgação científica nos jornais ou revistas, até mesmo aquelas voltadas apenas para divulgação, você é uma daqueles pessoas que ficam com um pé atrás, vai atrás de referências, não se satisfaz apenas com analogias, muitas vezes um tanto simplistas ou mal dadas, e quer saber mais sobre o assunto, caiu no lugar certo! No post do Rafael, Quem somos nós?, ele explica um pouco a história de alguns estudantes de física que se conheceram através do orkut, um site de relacionamento que ficou bastante popular no Brasil. Nesse blog coletivo, voltado à divulgação científica, criado e mantido por esse grupo, a interação com os leitores interessados ocorrerá através dos comentários disponíveis em cada um dos textos aqui criados.

Como enviar sua pergunta

E se eu tiver dúvidas relacionadas a física, como é que faço?

Há 3 maneiras de você enviar suas perguntas:

  1. A forma mais simples de sua pergunta chegar até nós é enviar um email para

    brasilciencia (arroba) googlegroups.com

    Sua mensagem chegará até algum dos moderadores e, se aprovada, aparecerá no fórum de discussões do Grupo Brasil Ciência.

  2. Se você já possui uma conta do google, é só acessar a página groups.google.com/group/brasilciencia/post
  3. Acesse a página do Grupo Brasil Ciência e clique no botão ‘+ new post’. Se não estiver logado na sua conta do google, é só digitar seu login e senha antes de enviar sua pergunta.

Importante: Tente ser claro na sua pergunta, colocando o assunto da forma mais clara possível, e, antes de enviá-la, sempre procure (note que há um mecanismo de busca) por palavras-chave do seus assunto no forum de discussões, evitando assim tópicos repetidos. Veja também as regras do fórum, se você é novo por aqui. Todas as dúvidas, de qualquer nível, relacionadas à física são bem-vindas!

O que não é aceito nos tópicos do fórum Brasil Ciência?

  1. Assuntos relacionados a religião ou política são expressamente proibidos. Tópicos relacionados a política científica são permitidos.
  2. Pedidos de resoluções de exercícios escolares não serão aceitos, a menos que o autor especifique, em detalhes, a dúvida no exercício e/ou o que tentou fazer.

Gostaria de participar das discussões no fórum, o que faço?

Para acessar o Grupo Brasil Ciência e participar do fórum, é preciso ter uma conta do google e se inscrever nele. Se você é físico(a), estudante de física ou interessado(a) em ciência e assuntos relacionados, sinta-se bem-vindo(a) a juntar-se à nós!

Esse post foi criado para divulgação do ‘Pergunte a um físico‘ no blog do Ars Physica. No menu lateral, logo abaixo dos nomes dos integrantes do grupo, há uma página fixa com esse mesmo conteúdo.

Avaliando cientistas: índices bibliométricos e numerocracia

quarta-feira, 1 out 2008; \40\America/New_York\America/New_York\k 40 Deixe um comentário

Por Alexandre Abdo

Ni!

Recentemente a revista “Ethics in Science and Environmental Politics” criou uma Sessão Temática para discutir “The use and misuse of bibliometric indices in evaluating scholarly performance”.

Traduzindo: o uso e mal uso de índices bibliométricos na avaliação da performance acadêmica.

Os artigos publicados, disponíveis a todos, cobrem diversos aspectos dessa questão:

http://www.int-res.com/abstracts/esep/v8/n1/

Escrevo este post pois esse é um tema fundamental para toda a comunidade científica, mas ainda mais para a brasileira, que tem muito a ganhar com essa discussão – ou perder com a falta dela.

A questão dos índices bibliométricos surge ancorada em duas outras questões: a da incompetência administrativa e a do isolamento entre o meio científico e a sociedade.

E uma vez que ambas são fatos gritantes em nosso país, é imprescindível termos um diálogo aberto a esse respeito.

O uso indiscriminado de índices bibliométricos, que vem substituindo a consulta de representantes da comunidade científica, troca uma avaliação imprecisa porém direta do valor científico, por uma medida precisa de algo cuja relação com o valor científico não é nem direta, nem completa e, muito menos, universal.

Que não se negue que, quando bem interpretados, esses índices podem ser úteis como parte de uma avaliação. Mas seu uso mais comum, como fator predominante na distribuição de recursos, adotado com avidez no Brasil para escamotear a incompetência dos administradores, sob a alegação de uma objetividade fictícia, é inequivocamente nocivo e está desfigurando a prática científica, afastando-a dos seus objetivos de solidez, criatividade e inovação.

As tentativas de focar a discussão na “melhoria” dos índices (necessária é claro) é também equivocada, pois evita lidar com o problema real, dificultando ainda mais sua solução.

E qual esse problema? Pois é fácil identificá-lo: o isolamento entre academia e sociedade e a incompetência dos administradores públicos.

É um mecanismo simples: administradores incompetentes acham mais fácil criar um sistema que os exima de responsabilidade e garanta bons slogans de campanha a estreitar os laços com a academia e sociedade e trilhar o caminho difícil, de entender profundamente as necessidades e competências da comunidade científica e os projetos relevantes para a nação.

Por outro lado, cientistas reclamam, mas não conseguem se organizar por estarem acomodados pela facilidade de gerar esses números (publicar em “revistas de impacto” é estupidamente fácil, basta não tentar nada ousado ou inovador demais que possa dar errado, e não contrariar as tendências internacionais) e por estarem totalmente desconectados da sociedade que poderia pressionar o governo.

Além disso, que não se negue a existência de um grande grupo de pesquisadores nas universidades públicas que se maravilha na possibilidade de escamotear sua incompetência gerando “miríades de papers” sem relevância nenhuma mas que ganham espaço nas “revistas de impacto”, que na verdade só querem vender papel.

Mais lamentavelmente, este último grupo, também absolvido de suas responsabilidades pela numerocracia, se aproveita do tempo livre para mineirar cargos políticos nas universidades e iniciar relações espúrias com os administradores que os trataram tão bem.

Bom, como consequência dessa lógica, que também se aplica a outros setores regidos pela numerocracia, acompanhamos diariamente o governo brasileiro sucatear os serviços prestados à população, valendo-se de múltiplos índices para se vangloriar e afastar os “perigosos fantasmas” da transparência administrativa e participação popular.

Educação, saúde, ciência, estão todos “melhorando” segundo “dados oficiais” ao mesmo tempo em que a realidade de quem trabalha continua a mesma (desgraça), e enquanto o terceiro setor e governos paralelos organizam-se como reação à ausência completa de estado.

Nesta eleição vamos políticos fazendo comíssios em acordo com traficantes, vemos avaliações internacionais escancarar o desastre do ensino brasileiro, mas os índices do governo só sobem. Cada um, como dizem, vê o que quer.

A numerocracia é uma mágica que permite aos administradores parecerem objetivos, se isentando de responsabilidade, ao mesmo tempo em que fazem o que bem entendem com o dinheiro público.

Na ciência, o que vemos é priorização arbitrária e desestruturada de projetos, ao mesmo tempo em que continuam os apadrinhamentos, em algumas áreas até reinam os incompetentes, e fragiliza-se nossos interesses diante do projeto internacional.

Para nós da comunidade universitária, será lamentável se permitirmos a continuidade desse processo, e falharemos se não levarmos esse debate, mais amplo, à sociedade.

Abs!

abdo

~~

Fonte: http://stoa.usp.br/abdo/weblog/29473.html

Que formatos de arquivos as revistas científicas andam exigindo aos autores?

quarta-feira, 1 out 2008; \40\America/New_York\America/New_York\k 40 2 comentários

Num post recente de um estudante de pós-graduação da Faculdade de Educação da USP, foi relatado um pouco sobre suas vãs tentativas de ter seus textos lidos por outras pessoas (seus pares de periódicos, orientador etc.), o que o levou a optar a usar um sistema operacional e software pagos. Como já fui bolsista, sei que, se tivesse que lidar com os valores da bolsa para gastos além de moradia, comida, livros e outras coisas para sobrevivência, isso só aumentaria as dificuldades financeiras que um pós-graduando já possui (não que seria impossível). Como exemplo, foi mencionada a Revista da Faculdade de Educação (USP), um períodico que ele encontrou problemas para enviar seus arquivos. Consta, nas instruções aos autores, o seguinte:

1. The presentation of papers should observe the following standards:

  • works should be prepared using Word for Windows, and sent in floppy disk and two printed copies.

Como disse recentemente, está aí uma prova sobre a falta de liberdade de escolha, por causa da imposição do uso de formatos fechados, pagos e dependentes da plataforma (sistema operacional), escolhida por alguns. Não vou nem comentar sobre o floppy. Isso existe ainda? Imagino que o site deve estar desatualizado.

Vamos ver quanto custaria essa brincadeira (em prazo imediato)? Se eu, que rodo GNU/Linux, quisesse adquirir o Windows Vista, obteria pela bagatala de aproximadamente R$ 300. Já o pacote Office, que inclui o processador de textos Word exigido pela revista, sairia por aproximadamente R$ 200. Esse preço foi de uma loja das que consegui verificar o preço, sugerida na página da Microsoft, na seção de compras. Ou seja, R$ 500, mais da metade da bolsa de um estudante de mestrado (do CNPq ou CAPES). Fora as futuras atualizações que a pessoa terá que arcar.

Recentemente, o professor Jean-Claude Guédon veio à USP [1] e falou um pouco, entre outras coisas, sobre algumas modificações que estão ocorrendo na produção e comunicação científica em nossa era digital.  Entre elas, mencionou algumas iniciativas que visam tornar o acesso ao material científico cada vez mais aberto e acessível a qualquer um (veja, por exemplo, a Budapest Open Access Initiative).

Muitos elogios foram feitos a iniciativas como a SciELO (The Scientific Electronic Library Online), sistema brasileiro onde ficam várias revistas em que o acesso a todos seus artigos é aberto. Ao mesmo tempo, vemos no exemplo citado logo acima uma revista brasileira, sob o domínio do SciELO, que obriga seus autores a usarem sistemas caros e fechados (esse para mim é o principal obstáculo) para poder submeter seus artigos.

Alguém vê algum sentido e concorda com isso? Caso concorde, gostaria de saber o porquê, sendo que existem diversas formas de contornar esse problema, sem ter que obrigar autores a usar determinado sabor em seu computador. Se uma pessoa quer e pode usar um sistema operacional e programas caros e de qualidade ruins (pelo menos para mim, muitos discordarão, mas esse não é meu foco aqui), tudo bem. As pessoas devem mesmo ter sua liberdade de escolha. Mas obrigar aqueles que optam por outros sistemas (e. g., o GNU/Linux, aberto e gratuito) e softwares (e. g., editores de texto Vim e Emacs, processador de textos Open Office, que possibilita salvar em formatos abertos etc.), devem aceitar situações como essa? A comunicação, o mais importante aqui, deve ser dificultada por esses detalhes? Você já se deparou com situações como a vivida por nosso colega? Conte-nos como foi. Quais revistas ou situações lhe ofereceram esse tipo de obstáculo?

[1] Resumos do professor Ewout ter Haar das aulas do Professor Guédon: aula 1, aula 2, aula 3, aula 4, aula 5, aula 7 e aula 9.

Alguns vídeos dessas aulas podem ser vistos aqui.

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