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Prevendo o prêmio Nobel de 2008

quinta-feira, 2 out 2008; \40\UTC\UTC\k 40 6 comentários

Semana que vem o Comitê Nobel iniciará os anúncios dos laureados de 2008. Em um artigo recente (disponível publicamente através do arxiv), Yves Gingras e Matthew L. Wallace da Universidade de Montreal mostraram que havia uma forte correlação entre pessoas com o mais alto índice de citação na comunidade científica — i.e., cujos trabalhos publicados aparecem citados mais vezes em outros trabalhos publicados — e os ganhadores do Prêmio Nobel de Física e Química até mais ou menos a década de 50. Ao longo do século contudo essa correlação foi se deteriorando.

Porém, isso não nos impede de continuar tentando avaliar que trabalhos de maior importância na Física da história ainda não receberam o Prêmio Nobel e deveriam! :)

A Reuters Thomson, uma empresa que mede números de citações e outros parâmetros de impacto científico, lançou na web uma lista prevendo os potenciais ganhadores do Nobel deste ano. As sugestões foram: Andre Geim e Kostya Novoselov, pela descoberta do grafeno; Vera Rubin, por estudos em matéria escura; e Roger Penrose e Dan Shechtman, respectivamente pela descoberta dos cristais de Penrose e quasicristais. No final da página, eles também mencionam outros possíveis ganhadores.

Além destes nomes, eu também apostaria ficha alta no Supernova Cosmology Project, uma colaboração experimental que utilizou o Telescópio Espacial Hubble e outros telescópios para medir o desvio para o vermelho das galáxias mais distantes já vistas, o que resultou em 1998 na descoberta de que a expansão do universo é acelerada. Esse projeto é quase certo que ganhará o Nobel, mais cedo ou mais tarde. Pessoalmente, também gostaria de ver o trabalho do Arthur Ashkin reconhecido. Ashkin inventou a pinça ótica nos anos 80, uma técnica experimental que revolucionou os estudos da biologia molecular e a manipulação ótica de micropartículas, átomos e moléculas. Há um bom artigo de revisão (um pouco técnico) sobre pinças óticas publicado na Nature que dá uma noção da importância da técnica. Infelizmente, o Comitê Nobel de Física possui critérios obsoletos, agraciando apenas estudos diretamente ligados a física de partículas e nuclear, propriedades físicas da matéria condensada e astronomia. Logo, trabalhos de enorme importância científica para áreas que emergiram apenas nos últimos 40 anos, como biofísica e caos, nunca foram laureados, o que torna o trabalho do Ashkin um candidato pouco provável na prática.

Da lista de 2008 da Thomson, a descoberta do grafeno é, na minha opinião, a menos provável de receber o Nobel ainda este ano, porque ocorreu em 2004. Se isso acontecer seria provavelmente um dos prêmios Nobel mais rápidos da história, perdendo para a descoberta do bóson Z (menos de 1 ano) e empatando com o efeito Mössbauer (4 anos). Uma curiosidade sobre o Geim, co-descobridor do grafeno em 2004: em 2000, ele recebeu o Prêmio IgNobel por ter feito um experimento sobre levitação de sapos com imãs! Nada mal, de IgNobel para potencial futuro Prêmio Nobel!

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