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Parágrafo 175

sábado, 8 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 Deixe um comentário Go to comments

Aproximadamente 7-8% dos homens na Alemanha são homossexuais. Se as coisas permanecerem assim, nossa nação irá despedaçar-se por causa desta praga. Aqueles que praticam a homossexualidade privam a Alemanha das crianças que eles devem a ela.

Heinrich Himmler

Conheça a tua história para evitares os erros do passado.

Assisti hoje um belíssimo filme, o documentário Parágrafo 175, que conta um pouco da história da perseguição nazista aos homossexuais. No código criminal da Alemanha de 1871, constava:

§ 175. Ato sexual não-natural.
Ato sexual não-natural, seja entre homens do mesmo sexo ou homens com animais, deve ser punido por cárcere; uma sentença de perda dos direitos civis também pode ser aplicada.

No regime nazista, o parágrafo 175 foi estendido para incluir qualquer tipo de suspeita homossexual. Segundo o jovem historiador Klaus Müller, estimados 100 mil homens foram presos durante o regime nazista acusados de homossexualidade, dos quais apenas 4 mil sobreviveram. Para quem tem preocupações como a dúvida de no feriado ficar trabalhando ou viajar, é impossível mentalizar o sofrimento dessas pessoas. Não temos o aparato de experiências sociais adequado. Todavia, uma coisa entendemos: não gostaríamos de ser tratados daquela forma, de viver sob o constante medo de ser enviado para um campo de concentração de onde só se sabe os rumores das cenas de terror que lá passam. Não gostaríamos de viver constantemente sob o pavor de poder morrer nas mãos de um membro uniformizado da SS.

O filme captura a memória de alguns sobreviventes. Entre os momentos mais fortes estão o relato da ordem inesperada de prisão sob suspeita de homossexualidade de Heinz F., e a revolta do francês Pierre Seel, preso na ocupada Alsácea, ao relembrar algumas das sessões de tortura e o assassinato de seu companheiro.

Deus odeia bichas.

Ativista da Igreja Batista segura cartaz com os dizeres: "Deus odeia as bichas".

Na sociedade do ocidente, os homossexuais não vivem mais sob ameaça de morte. Mas não podem manifestar seu afeto, não tem seus direitos civis garantidos pelas constituições, e ainda vivem sob a perseguição constante de religiosos. O mesmo tipo de sermões que hoje os padres católicos dão em favor da sua posição homófoba era dado até o início da segunda guerra contra os judeus. E se isso pode fazer alguns deles refletir um pouco, observe a identidade de conteúdo, embora apenas as vezes com leve diferença na escolha de palavras, entre os sermões e os excertos de discursos de Himmler e Hitler.

O amplo reconhecimento do Holocausto foi a razão pela qual a Igreja Católica subitamente abandonou a demonização dos judeus, basta comparar a diferença do tom dos registros de As Origens do Totalitarismo de Arendt com o que se vê hoje em dia. Ou apontar que o líder da Igreja Martin Luther (Martinho Lutero) era um público e notório radical que pregava a exterminação dos judeus. Também foi o amplo reconhecimento do significado da escravidão que acabou com qualquer idéia próxima a ideologia dos Jesuítas. Eu só espero que não seja necessária uma nova catástrofe para que fotos como a dessa garota, ou o caso da festa da Veterinária na USP, virem apenas assunto de aulas de história, de uma época de irracionalidade e intolerância deixada para trás. Como bem pergunta Bill Maher, quando é que os cristãos vão começar a agir como Cristo?

Atualização 1 Depois de escrever esse post ontem, hoje tomei conhecimento que a Prop 8 provavelmente passou na Califórnia. Este foi um referendo para alterar a constituição do estado para incluir explicitamente que apenas casais heterossexuais tem direito a união civil. A alteração derruba a decisão anterior de maio deste ano da Suprema Corte da Califórnia que legalizava a união gay. Com isso, os casais homossexuais não poderão reivindicar os mesmos direitos de herança, pensão, ou adoção de crianças. Não adiantou os milhões para campanha pró-igualdade de direitos civis, que recebeu apoio de artistas de Hollywood e empresas de tecnologia. Conheçamos os principais responsáveis pela Prop. 8. Eu também gostaria de notar o seguinte: mesmo alguns daqueles que disseram ser “contra” a Prop. 8, o fizeram com uma ressalva que caracteriza bem o preconceito moderno: disseram que acreditam que o casamento deve ser apenas entre um homem e uma mulher — totalmente contraditório.

Categorias:Ars Physica
  1. sábado, 8 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 22:49:42 EST

    Belo post Leonardo.

    Qualquer pessoa que preze a liberdade, que tenha as liberdades civis como valor fundamental, e que tenha um mínimo de honestidade e respeito pela razão, não pode se conformar enquanto uma parcela da população tem direitos fundamentais negados.

    Eu acho fundamental que os cientistas, pessoas que são capazes de saber quão pouco sentido faz essa discriminação à luz da razão e do a ciência nos proporciona de entendimento, estejam envolvidos em esclarecer o público sobre isso.

  2. sábado, 8 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 23:08:25 EST

    Comentário sobre o cartaz da manifestante: Deus deve adorar os iditoas… fez uma enorme quantidade deles…

  3. domingo, 9 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 10:14:39 EST

    Longe de mim ser contra qualquer tipo de violação civil à qualquer outro indivíduo (independentemente de credo, opção sexual, etc)… porém, nesse diálogo entre “religião x razão”, eu acho muito importante que a postura de quem se predispõem a “iluminar” seja fundamentalmente diferente daquela adotada por quem é o alvo dessa “iluminação”.

    Minha postura é a seguinte: algumas pessoas não tem “flexibilidade” suficiente pra incluir “diferenças” em seus “paradigmas sociais” — é daí que nascem as diversas formas distintas de intolerâncias. Portanto, o objetivo de quem se predispõem a atacar essas questões deve ser o de mostrar esse “arcaboço” e, por ventura, mostrar como uma maior flexibilidade é uma escolha “melhor” pra sociedade (como um todo).

    Dessa forma, usar de “radicalismo” ou “fanatismo” é empregar as mesmas armas que as “religiões” usam — o que é um erro fundamental.

    Fora isso, eu também acho muito importante que não se confunda “religiosidade” com “religião”: uma é de foro íntimo e pessoal, enquanto a outra é uma instituição social. Senão, está se cometendo o mesmo erro.

    Isso tudo posto, eu acho o seguinte: apesar da “necessidade social” da existência de alguém como o Dawkins (no sentido de combater a institucionalidade do preconceito), eu não acho que a postura dele (nem posturas como a dele) é positiva nem proveitosa.

    Por isso, eu acho muito perigoso quando se “generaliza” esse assunto, ou quando se lida com ele em termos de “slogans” ou coisa que o valha. Por exemplo, quando se usa o slogan “cristão x evolucionismo”: até onde eu sei, isso só era verdade aqui nos USA; o Brasil, por exemplo, importou essa problemática. Na verdade, é ainda pior: essa questão foi inicialmente levantada pelos diversos sectos protestantes que existem aqui nos USA, e só muito tempo depois foi que o atual Papa decidiu transformar essa questão numa problemática da Igreja Católica Romana — e, diga-se de passagem, o tipo de indivíduo produzido pela religião cristã do tipo “católica romana” é fundamentalmente diferente daquele produzido pelas vertentes “reformistas” que se classificam como “cristãs”.

    Pra citar ainda outro exemplo, é importante lembrar que o Papa João Paulo II foi um dos mais liberais e progressistas que a Igreja Católica já viu; entre suas encíclicas papais, encontra-se uma que apoia o “evolucionismo” e, essencialmente, diz que a Bíblia não passa duma alegoria para o que vem sendo explicado pela Ciência (c.f., Veritatis Splendor, Fides et Ratio).

    Portanto, se generalizar isso tudo colocando todos os ingredientes numa única bacia e chamando todo mundo de “cristão” é um erro tão grosseiro que mal merece ser discutido. Principalmente quando esse assunto é tratado em termos de Brasil: o sincretismo [religioso] que ainda (quiçá até mais fortemente que no passado!) acontece no nosso país é fundamentalmente diferente de tudo que já aconteceu nas histórias Européias e Norte-Americanas (incluindo a Canadense)! Mas, isso ainda não está nos livros de história, isso ainda não é contado nos livros que a ‘inteligentsia’ do resto do mundo lê — na verdade, as pessoas mal sabem que a sopa cultural e racial brasileira é tão mais apimentada do que a americana; isso pra não falar do resto!

    Então, tentar simplificar essa questão, por meio de generalizações rizíveis, é um erro tão grosseiro quanto aquele que está se tentando combater: A idéia é que ambos os lados sejam TOLERANTES! Portanto, da mesma forma que não é possível se criar a paz através da guerra, também não é possível se criar tolerância através duma postura inflexível e intolerante (como é a do Dawkins).

    Claro, pra se lidar com essa questão no nível das instituições democráticas do país, é realmente necessário algo um pouco mais “seco”, talvez até mais ríspido… mas, certamente, não menos tolerante.

    Até porque, no Brasil, os Jesuítas foram caçados (juntamente com índios e negros) pelos portugueses, devido a uma encíclica papal usada tortuosamente: na encíclica Sicut Dudum, o Papa dizia que todas as pessoas tinham “alma” desde o momento do nascimento (logo, era impossível se justificar a escravidão — porém, os Espanhóis rapidamente violaram essa encíclica); porém, o papa seguinte, no Concílio de Trento, revoca essa decisão e diz que a “alma” é algo que só acontece no momento em que uma pessoa se declara “cristã” (i.e., católica apostólica romana — uma vez que o Concílio de Trento foi a primeira reação à Reforma Luterana); portanto, a partir desse momento, tanto portugueses quanto espanhóis, começam a perseguir os jesuítas, uma vez que o papel desses era o de converter os pagãos da época, inviabilizando-os de serem escravos (c.f., Sicut Dudum, Concílio de Trento). Isso foi algo tão forte que o Padre Anchieta escreveu para seus discípulos [jesuítas] portugueses contando das “aberrações do comportamento cristão” que ele assistia diariamente os portugueses cometerem! (Essa carta começa com o Padre Anchieta contando notícias da família dele, mulher e filhos, e depois se dizendo completamente perplexo com as posições do Rei [de Portugal] contra a Fé Cristã e o trabalho de Catequização — que havia sido um dos compromissos do Rei para com o Papa.)

    Eu não estou dizendo isso pra justificar nem desculpar religião “A” nem “B”, assim como também não estou dizendo que mudanças de ordem social não sejam necessárias — muito pelo contrário! Porém, preconceito (raça, cor, religião, sexo, deficiência física ou mental, etc) é algo humano e, portanto, aparece de todas as formas, em todas as religiões, em todos os povos do mundo! Limitar essa discussão com uma generalização banal é um dos erros mais graves que se pode cometer.

    []’s!

  4. domingo, 9 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 10:29:10 EST

    Um artigo que vem bem a calhar nessa discussão é:

    Why Is a Raven Like a Writing Desk? Musing on the power of convention.

    Aliás, eu recomendo a American Scientist: excelente publicação de divulgação científica — uma das melhores que eu conheço; muitas vezes melhor que a Science e a Scientific American!

    []’s.

  5. domingo, 9 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 11:19:45 EST

    Leo,

    Eu não estou discutindo a natureza da realidade: essa é clara e eu a conheço bem — tanto que a deixei explícita no meu longo comentário acima.

    O ponto, porém, é outro: “Como vc pretede fazer ou catalizar essa mudança social?”

    Novamente, eu repito: a lógica combativa (e, muitas vezes, agressiva e hostil) do Dawkins é, mutatis mutandis, a mesma que diz que se pretende atingir a paz usando-se instrumentos de guerra.

    E, se vc fizer uma procura no Google sobre um debate público que o Dawkins se predispôs a fazer, vc vai ver que ele não foi tão bem sucedido quanto o esperado… pelo contrário.

    Ou seja, não vai ser essa retórica “carregada” dele que vai melhor abordar essa questão. Aliás, se retórica carregada funcionasse, eu não precisava ter que discutir e argumentar tanto quando falo de Física e me deparo com gente que abre mão desse tipo de comportamento: pra conseguir fazer essas pessoas entenderem afirmações matemáticas que eu considero “triviais” (uma vez que podem ser encontradas e lidas em livros — ao invés de publicações mais especializadas), é preciso, antes de tudo, se desconstruir a retórica e, só depois, argumentar racionalmente.

    Portanto, a retórica tem poder, e é preciso usá-lo com sabedoria… senão, estamos apenas nos tornando mais combustível para esse fogaréu…😦

    []’s.

  6. domingo, 9 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 11:21:42 EST

    Leo,

    Vc apagou seu comentário acima?

    Eu vou deixar meu comentário-resposta aqui só por uma questão de deixar a bola contigo: se vc achar melhor, pode simplesmente apagá-lo.

    []’s.

  7. Leonardo
    domingo, 9 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 14:03:42 EST

    Rafael: obrigado pelo comentário🙂

    Daniel: no seu primeiro comentário você pareceu reclamar que eu estava associando o preconceito contra homossexuais apenas a uma minoria radical que não faz parte do mainstream religioso. Se foi isso: eu não acho que seja o caso. Na primeira entrevista do atual arcebispo de S. Paulo para a Folha ele falou de três coisas: que o celibato ia continuar, que a oposição a união gay é parte dos ensinamentos da Bíblia, e por último, a Campanha da Fraternidade. A Igreja Católica na California defendeu nas missas, arrecadou dinheiro e foi aos jornais em apoio a Prop. 8. Em uma dessas ilhas (São Tomé e Principe se não me falha a memória) não lembro se no ano passado ou neste, o bispo mais alto da Igreja Católica pediu oficialmente a revogação do visto de Elton John porque ele não queria que o cantor entrasse para fazer um concerto no país pois “o modo de vida de Sir Elton John não condiz com os ensinametos da bíblia”; a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil disse sobre a união homossexual que esta “não é normal“. O senador do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, disse em discurso no senado que homossexualidade é “errado” e “anti-natural”. Se isso não é idêntico ao discurso nazista, então eu não sei o que mais pode ser.

    Na minha opinião, todos esses pontos de vista são radicais, inclusive o da Igreja Católica, dos evangélicos e dos batistas — que praticamente definem o que é ser cristão mainstream. Então não acho que seja generalização grosseira como você falou, e sim parte da religião da maioria.

    É inevitável mencionar a religião moderna quando ela parece ser o maior ponto de apoio ao preconceito aos gays de hoje. Se eu entendi a última parte do seu comentário, eu concordo que as pessoas são naturalmente homofobas, ou racistas, ou pacíficas ou violentas. No entanto, não há um único o argumento racional que se poderia dar contra o casamento gay. A religião fornece um arcabouço ideológico para qual qualquer coisa pode ser justificada. Tome o seu preconceito preferido, escreva-o no livro sagrado, ou diga que recebeu uma revelação divina a respeito dele e pronto, já não se requer nenhuma extra argumentação a favor dele. Por isso que nem todo o preconceito é motivado pela religião, vide ai o caso da Veterinária da USP onde a situação foi mais ou menos assim: “nós estamos OK com os gays, o tanto que eles não façam aquilo que gays fazem na nossa frente!”. É mais ou menos assim: “Eu não tenho preconceito contra metaleiro… Quer ouvir metal na privacidade do seu quarto tudo bem. Mas aparecer de cabelo comprido, roupa preta, é demais.” A pessoa não pode nem se expressar.

  8. domingo, 9 nov 2008; \45\UTC\UTC\k 45 às 16:17:42 EST

    Leo,

    Só pra deixar cristalinamente claro: eu não sou a favor de preconceitos muito menos da manutenção dos mesmos, assim como também repudio a idéia de que “democracia” seja equivalente a “tirania da maioria”. Eu só quis apontar o seguinte: não vai ser com uma retórica intolerante que vamos motivar a tolerância alheia.

    Quanto a sua pergunta, (…) no seu primeiro comentário você pareceu reclamar que eu estava associando o preconceito contra homossexuais apenas a uma minoria radical que não faz parte do mainstream religioso: Não, não foi bem isso. É verdade que eu acho que essas questões são “moldadas” por uma facção radical dentro de suas respectivas religiões; porém, o fato delas serem “minoria” ou não é algo que muda com o tempo. E é aqui que o “discurso de tolerância” é importantíssimo.

    Foi por isso que eu citei as referências que escolhi citar: elas mostram claramente não só como alguns tempos foram muito mais tolerantes que outros, assim como também mostram como as pessoas transformam o que bem entendem em “lei divina” (como vc bem disse no seu comentário).

    É por essa razão que eu acho importantíssimo se distinguir “religiosidade” de “religião”, i.e., se distinguir a escolha pessoal e íntima de cada um, da instituição criada ao redor disso. Eu não acho que essa seja uma noção complicada de ser assimilada…

    Por alguma razão, estamos vivendo em tempos de intolerância, não só pelo exemplo que vc trata aqui nesse seu post, mas vc pode ir mais longe e falar das crises raciais na Europa (o exemplo mais recente sendo as demonstrações violentas na França, apesar de existirem exemplos na Grécia, sul da Itália, Espanha e Inglaterra); presidentes de diferentes países dizendo que vão se engajar em “cruzadas”; e assim por diante. A coisa é ainda pior: quanta discussão já não ouvimos sobre “células tronco”, “pena de morte”, “eutanásia”, etc… TODAS essas são questões de direitos civis, tanto quanto essa problemática dos direitos civis dos homosexuais.

    O meu ponto de discordância é do mesmo modo que a guerra não traz a paz, não vai ser um discurso descontextualizado e hostil que vai trazer tolerância. Mas, não me entenda mal: meu sangue ferve assim como o de muitos quando confrontado com esse tipo de situação. Mas, eu um discurso que demoniza “A” ou “B” certamente não é a solução… pelo contrário: do mesmo jeito que o fanatismo religioso usa duma retórica que demoniza os lados mais “[socialmente] progressistas” e “liberais” da sociedade, se esses grupos sociais adotarem o mesmo tipo de discurso… aí é absolutamente certo de que nunca vamos encontrar uma solução para o problema.

    Eu gostaria muito que intolerâncias e preconceitos de diversas formas e naturezas não existissem… mas, infelizmente, me parece que isso é parte da Natureza Humana… então, temos que lidar com essa questão quer gostemos dela ou não. E usar “violência” ou “agressividade” nunca ajudou a resolver problema nenhum…

    []’s.

  9. quinta-feira, 13 nov 2008; \46\UTC\UTC\k 46 às 08:36:47 EST

    Leo,

    Achei que essa matéria aqui seria interessante pra esse seu tópico,

    Agnostic Machinery.
    🙂

    []’s!

  10. Leonardo
    quinta-feira, 13 nov 2008; \46\UTC\UTC\k 46 às 10:54:24 EST

    acho que essa matéria era mais para aquele post sobre o filme do Bill Maher.

    Infelizmente há muita má compreensão do que os ateus militantes, como chamaria o Dawkins, fazem. Esse artigo desse Seed Magazine é mais um exemplo. Pelo menos eu não sai do cinema com essa interpretação de que o Maher estava colocando a religião como um distúrbio neurológico, até porque durante todo o filme a única vez que isso aparece é durante uma curta conversa na Grand Central, e numa frase jocosa. E mesmo que Maher estivesse falando sério, não é um trecho de 5s do filme que o define.

    Isso me lembrou agora a polêmica que ocorreu com o livro “Tábula rasa” do Pinker, como ele conta numa das palastras TED dele: o livro tem 600 páginas, fala sobre diversos aspectos do determinismo genético no comportamento, mas praticamente todas as resenhas se focaram na questão do gosto inato pela arte defendido pelo Pinker.

    Quando as pessoas se sentem pessoalmente ofendidas é isso que sai.

    É quase inevitável, dado o tópico. Por isso que o Sam Harris está certo quando introduz toda palestra sua do jeito que ele faz.

  11. quinta-feira, 13 nov 2008; \46\UTC\UTC\k 46 às 10:57:03 EST

    Desculpa, mas não resisti: ateu militante = fanático sem religião!

    Quer dizer que, além de fanático, o cara é herege!
    😈

    []’s!

  12. Leonardo
    quinta-feira, 13 nov 2008; \46\UTC\UTC\k 46 às 11:04:18 EST

    Se trocássemos a religião por política, e eu estivesse criticando sistematicamente um determinado partido político, ou conjuntura social política, ninguém estaria me chamando de fanático,

  13. quinta-feira, 13 nov 2008; \46\UTC\UTC\k 46 às 11:26:24 EST

    Leo,

    Eu não estou chamando ninguém de nada… deixei claro, acima, que era brincadeira.

    Agora, radicalismo, quer seja religioso, político ou sociológico, nunca dá bons resultados — esse é um dos pilares da democracia: a diversidade de opiniões e visões!

    Portanto, acho que, agora, fica mais-do-que-completamente claro qual é o meu ‘senão’ com essa questão: não adianta nada trocar um tipo de radicalismo por outro… no final das contas, continua sendo tudo radicalismo, fanatismo! Para haver uma mudança real, sólida e robusta, é preciso se mudar o arcaboço, o “sistema”, o “framework” em questão — e, nesse sentido, o trabalho deve ser feito pra se eliminar os “radicalismos” e “fanatismos”… e não simplesmente trocar as cores com que eles aparecem hoje em dia.

    É como ter um grafo onde vc simplesmente troca o nome de cada nó, mas mantém a estrutura da árvore [original]. O importante pra se avançar qualquer coisa (quer seja condição social, estrutura política, pervasividade religiosa, física, matemática, biologia, química, etc) é mudar a estrutura do grafo, trocar a posição dos galhos dessa árvore! Isso é que mede mudança “real”, uma nova estrutura informacional (no sentido de teoria da informação) no seu sistema.

    Então, nesse sentido absolutamente claro que eu acabei de expor acima, enquanto eu continuar a ver as pessoas apenas a lutar pra trocar as cores dos balõezinhos dos grafos, eu vou continuar reclamando tão forte (ou mais!) quanto todo mundo — só vou sossegar quando a mudança for fundamental, for na estrutura das questões envolvidas.

    []’s.

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