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Archive for janeiro \29\UTC 2009

Forca Tarefa para Tool Kit sobre Recursos Educacionais Abertos

quinta-feira, 29 jan 2009; \05\UTC\UTC\k 05 Deixe um comentário

Já divulguei aqui o workshop sobre Recursos Educacionais Abertos, ocorrido na USP no final do ano passado. Estou repassando aqui para o Ars Physica esse email da Carolina Rossini sobre Recursos Educacionais Abertos (REA) no Brasil.

A Carolina organizou o primeiro workshop sobre REA na USP
<http://wiki.stoa.usp.br/OER-Workshop>, junto com o professor Ewout ter Haar, do IFUSP. Ela também estuda questões sobre propriedade intelectual e tem bastante contato com o pessoal da Creative Commons.

Quem quiser entrar na lista de emails de lá, visite

http://groups.google.com/group/rea-lista

ou mande um email direto para rea-lista-subscribe@googlegroups.com.

Também os convido a assinar a  Declaração de Cidade do Cabo para a Educação Aberta:

http://www.capetowndeclaration.org/translations/portuguese-translation

e visitar a página (em inglês) sobre Open Educational Resources:

http://oerwiki.iiep-unesco.org/

Abraços!

Tom

———- Forwarded message ———-
From: Carolina Rossini
Date: 2009/1/26
Subject: Forca Tarefa para Tool Kit sobre Recursos Educacionais Abertos
Estimados colegas,

Vocês encontram-se copiados neste e-mail por terem, de uma forma ou de outra, expressado interesse sobre a discussão relativa a recursos educacionais abertos no Brasil.

Estas discussões iniciaram-se em dezembro de 2008 por meio de uma série de reuniões e workshop com o Open Society Institute – um dos lideres do movimento internacionalmente e co-autor da Declaração sobre Educação Aberta de Cape Town. (ver aqui:
http://www.capetowndeclaration.org/translations/portuguese-translation)
Um dos workshops realizados foi na USP e seus resultados podem ser vistos aqui, inclusive apresentações:

http://wiki.stoa.usp.br/OER-Workshop

Uma força tarefa internacional esta sendo organizada ao redor das discussões para o desenvolvimento de um Tool-Kit sobre recursos educacionais abertos a ser elaborado colaborativamente para posterior distribuição em escolas e universidades Brasileiras e pelo mundo.

O trabalho aproveitará trabalhos já realizados, mas tem como intenção melhorá-los e adaptá-los as necessidades Brasileiras. Além de tornar a linguagem mais acessível e apelativa a professores, educadores, e alunos.

Alguns trabalhos internacionais de referência de base são OER Handbook (produzido pelo COSL) – http://www.wikieducator.org/OER_Handbook –  e o rascunho produzido pela comunidade OER coordenada pela UNESCO – http://oerwiki.iiep-unesco.org/index.php?title=UNESCO_OER_Toolkit.

O objetivo deste Tool-Kit é aproximar a população brasileira,
principalmente políticos, professores, educadores, acadêmicos e
estudantes das discussões relativas a recursos educacionais abertos e seus benefícios, como acesso ao conhecimento e a uma ampla gama de materiais e metodologias de ensino que podem ser compartilhadas e desenvolvidas de forma colaborativa. O Tool-Kit trabalhará com conceitos básicos, estratégias de desenvolvimento de Recursos Educacionais Abertos, questões sobre propriedade intelectual a serem enfrentadas, além de trazer exemplos de REA que podem ser utilizados, no intento de divulgar o que já existe no Brazil e exterior.

Desta forma, venho, por meio deste email, perguntar-lhes se querem fazer parte desta força tarefa contribuindo com sugestões, duvidas e conteúdo. Por favor, responder em e-mail individual para Carolina Rossini.  Peço também, que enviem este email a colegas, alunos e instituições possivelmente interessadas em participar desta discussão.

Uma lista de debate será organizada e acesso a plataforma wiki para trabalho no Tool-Kit será autorizado.

Abraço e obrigada,

Carolina Rossini
Coordenadora
Projeto Recursos Educacionais Abertos Brasil: Perspectivas e Desafios
Apoio: Open Society Institute e Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas e
Fellow – Cooperation Project
Berkman Center for Internet and Society
Harvard University

e

Mônica Steffen Guise Rosina
Coordenadora Regional
Pesquisadora – Escola de Direito de São Paulo
Fundação Getulio Vargas
e
Pesquisadora – A2K Project
Yale University

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Se você fez uma descoberta, coloque no título.

quarta-feira, 28 jan 2009; \05\UTC\UTC\k 05 1 comentário

Okay, já estou ficando entristecido com a colaboração CDF. O que aconteceu com a tradição de escrever artigos como o do E. Segré “Observation of antiprotons”? Com mais de 100 artigos no arxiv todos os dias, o CDF realmente espera que quem não faz física de precisão vai ler o conteúdo de um artigo com título Search for High-Mass e+e Resonances in pp̅ Collisions at sqrt[s] =1.96  TeV? 😡

O artigo saiu dia 23, e a principal conclusão, além da óbvia de que nenhum Higgs foi encontrado na busca, é que há um pequeno excesso ao Modelo Padrão na seção de choque para q^2 = - (240\; \text{GeV})^2. É só uma flutuação estatística, no entanto. (Se fosse estatisticamente significativo, será que o título melhoraria? :p)

Atualização: o artigo saiu no arxiv em 2 de outubro, 23 de janeiro na Phys Rev.

Relatividade: ainda válida.

sábado, 24 jan 2009; \04\UTC\UTC\k 04 4 comentários

O princípio de relatividade é um dos mais fundamentais da física, portanto é obrigação dos físicos testá-lo até o extremo 🙂 Uma forma simples de fazer isso é escrever todas as interações imagináveis das partículas conhecidas que possam violar a Relatividade. Análise dimensional ajuda nessas horas, porque em unidades da constante de Planck e da velocidade da luz, as energias de interação tem unidade de massa a quarta potência: [m]4. Então, por exemplo, análise dimensional diz que a interação de dois fótons com um escalar constante é [m]5, logo essa interação (que viola a Relatividade) tem que ser acompanhada de um coeficiente 1/M onde M é alguma escala de massa. Como a relatividade é observada a primeira vista como uma boa simetria da Natureza, nós podemos adicionar uma série de termos em potências de 1/M, suprimindo as violações da relatividade pela escala de massa M. Se M for grande, as violações da relatividade são pequenas.

Alan Kostelecky da Universidade Indiana e outros fizeram uma lista sistemática de todos os acoplamentos imagináveis do Modelo Padrão que poderiam violar a Relatividade. Na última quinta-feira, ele apresentou uma tabela atualizada com o resumo dos dados experimentais que tentaram medir essas interações. A maioria são medidas de alta precisão em física atômica e matéria condensada.

A situação presente dos testes é que se há interações que violam a Relatividade dentro desse formalismo, elas estão suprimidas por fatores que vão de 1020 GeV até 1040 GeV. Para uma idéia, a massa de Planck, a escala de massa a partir da qual a gravidade se torna importante, é 1019 GeV… Parece que podemos confiar na validade da Relatividade até a teoria de cordas entrar em ação. 😉

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Quando o universo está expandindo, ele pode fazer você chegar atrasado no trabalho

sexta-feira, 23 jan 2009; \04\UTC\UTC\k 04 7 comentários

Já é uma piada velha, mas para quem ainda não conhece, é de um ensaio do Woody Allen:

Eu acordei na sexta-feira e porque o universo está em expansão levou-me mais tempo que o de costume para alcançar meu roupão. Isso me fez sair atrasado para o trabalho … Por favor, tenha em mente que um homem em uma nave espacial próximo da velocidade da luz aparentaria estar na hora certa ao trabalho — ou talvez até um pouco adiantado, certamente melhor vestido. Quando eu finalmente cheguei ao escritório e aproximei-me do meu chefe, Sr. Muchnick, para explicar o atraso, minha massa aumentava a medida que me aproximava dele, o que ele interpretou como um sinal de insubordinação.

E já que hoje é sexta-feira e estamos mais atrasados que de costume para o trabalho por causa da expansão do universo, outro pedaço de humor na física: The Crackpot Index (tradução do Prof. João Carlos O índice de birutice) 🙂 Veja, por exemplo, alguns dos itens:

  • 1 ponto para cada declaração sobre a qual a maioria concorde que é falsa.
  • 5 pontos para cada uma dessas declarações que, após uma correção cuidadosa, o autor insista em teimar.
  • 5 pontos para o emprego de uma experiência teórica que contradiga os resultados de uma experiência real largamente acreditada.
  • 10 pontos para cada afirmação de que a mecânica quântica é fundamentalmente errônea (sem provas concretas)
  • 10 pontos por argumentar que, embora uma teoria corrente, bem estabelecida, preveja os fenômenos corretamente, ela não explica “por que” eles ocorrem, ou não consiga explicar um “mecanismo”.
  • 10 pontos para cada comparação favorável de você com Einstein, ou qualquer argumento de que a as Teorias da Relatividade, Especial e/ou Geral, são fundamentalmente erradas (sem provas concretas).

Já identificou algum biruta? 🙂 tsc tsc 😛

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Enquanto isso, no brasil… Corte de verbas para Ciência

quinta-feira, 22 jan 2009; \04\UTC\UTC\k 04 14 comentários

Enquanto o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, está a caminho de um maior estímulo a pesquisas científicas em seu país, tendência mundial, como na Índia, Coréia do Sul, China (alguém acha um link?) e possivelmente muitos outros países, o Brasil está cortando 18% das verbas destinadas para ciência e tecnologia.

Aqui você é o palhaçoO ministro da ciência e tecnologia, Sérgio Resende, considera o corte de R$ 1,1 bilhão como irresponsável. Segundo a matéria da Folha, o responsável pelo corte é o deputado senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Me pergunto, o que o minstro fez para evitar esse corte absurdo?  O que podemos fazer na prática como forma de protesto? Não sei se é reversível, mas os responsáveis devem pagar. Que tal algum leitor daqui adotar o deputado senador Delcídio? (Melhor estender mais ainda a campanha Adote um Vereador, como já sugerido pelo Névio.)

Atualizando (22/01/08 às 14h):

Notícias relacionadas (entendendo a crise):

Veja também

[Tradução] O plano de estímulo de Obama deve incluir ciência

quarta-feira, 21 jan 2009; \04\UTC\UTC\k 04 7 comentários

Recentemente, no Financial Times, foi publicada uma carta escrita por David Gross e Eric Kandel, dois grandes cientistas e laureados com o prêmio Nobel em física teórica e neurociências, sobre investimento em ciência.

Obama’s stimulus plan must include science

Ela por si só é interessante, mas há uma resposta que torna a discussão mais interessante ainda.

No stimulus if highly trained scientists are sent home

Com o intuito de começar uma discussão aqui no Ars Physica, vou traduzir as duas carta para o português. Desculpem qualquer erro, mas meu inglês e meu português são péssimos.

Em 1933, nas profundezas da Grande Depressão, o economista John Maynard Keynes escreveu uma carta aberta ao Presidente Franklin Roosevelt. Nela, ele descreveu em termos que ressonam até hoje, os requesitos para um pacote de recuperação econômica: “Velocidade e resultados rápidos são essenciais… eu ponho em primeiro plano… um grande volume de … gastos sob o auspício governametal… preferência deve ser dada àqueles que podem amadurecer rapidamente numa grande escala.”

Enquanto a equipe do presidente-eleito Barack Obama planeja um programa de estímulo econômico envolvendo grandes gastos, deve parecer aos outros que prioridades de administração, tal como um forte aumento no investimento federal em ciências, deve esperar por melhores tempos. Nós acreditamos, juntamente com o Sr. Obama, no contrário. O estímulo provê uma grande oportunidade de começar a reconstruir a ciência dos EUA, já que um aumento do financiamento para a ciência é um estímulo ideal: cria bons trabalhos em toda a economia; há uma grande demanda de tal forma que o dinheiro pode ser gastado imediatamente; e ele representa um investimento em infraestruturas de pesquisa científica e educação superior que são vitais para o futuro.

Pesquisa em ciência básica nos EUA é amplamente financiada por apoios a pesquisadores ou laboratórios nacionais concedidos pelo National Institutes of Health, National Science Foundation, o Departamento de Energia e outras agências. O dinheiro federal que as agências de fomento investem em apoios, infraestrutura científica ou laboratórios nacionais pode ser gasto imediatamente em programas de pesquisa já aprovados, salários para os cientistas em laboratórios, compra de suprimentos e equipamentos (a maioria de pequenos comércios americanos) e despesas institucionais de faculdades, universidades e escolas de medicina onde os pesquisadores trabalham.

Financiamento em ciência também cria bons empregos. Por exemplo, Families USA estimou que para cada um bilhão de dólares (€742m, £660m) de apoios à pesquisa financiados pelo NIH, mais de 15000 empregos com uma renda média de U$52000 por anos são criados, e 2,21 bilhões de dólares são gerados em novas atividades comerciais, um “multiplicador” consideravelmente melhor que os muitos propostos nas partes do pacote de estímulo.

O financiamento federal para pesquisas não-militares em ciências da saúde foi cortada em grandes cifras a cada ano desde 2004 e por muito mais nas ciências físicas. Como um resultado, a saúde da empreitada científica dos EUA está seriamente ameaçada. As taxas de sucesso para apoios a pesquisadores é perigosamente baixa, uma situação que não somente ameaça pesquisadores produtivos já establecidos como torna as carreiras emergentes de jovens investigadores, das quais nossa pesquisa no futuro depende, mais perigosas.

O dinheiro poderia ser gasto dentro de semanas após a aprovação de um estímulo para financiar várias aplicações altamentamente cotadas que estiveram esperando apoio em 2008 e repôr dólares cortados dos apoios financiados em anos recentes. A NIH sozinha poderia gastar 5 bilhões de dólares imediatamente em apoios a esses projetos e uma quantidade similar no próximo ano. A NSF, o Departamento de Ciências da DOE e o NIST podem ser igualmente eficientes na aplicação de fundos a propostas de pesquisas já aprovadas e arquivadas e a infraestruturas de pesquisa. Muitos laboratórios nacionais estiveram operando com orçamento inadequado, com projetos atrasados, equipe cortada ou forçada a trabalhar horas reduzidas; projetos estão em perigo de serem terminados e infraestruturas desmontadas sem financiamento adicional.

Investir em pesquisa científica serve a um propósito duplo: é um estímulo imediato à economia e um investimento na liderança americana em pesquisa, engenharia, tecnologia e educação. Essa liderança é vital para a economia e prestígio dos EUA, tal como para o bom sucesso das diretrizes para alcançar independência energética, mitigar o aquecimento global e tratar e curar doenças. Além do efeito multiplicativo imediato do gasto em pesquisa, a propriedade intelectual criada por pesquisas com financiamento público leva a criação de inumeráveis pequenas empresas e, consequentemente, muitas grandes empresas de biotecnologia, energia, tecnologia de computadores e outros campos de ciência e engenharia. O dinheiro seminal federal é multiplicado pela entrada de capital privado. Fundos federais também apoiam virtualmente todos os treinamentos de pesquisa e quase todos os treinamentos acadêmicos daqueles obtendo seus PhDs em ciência e engenharia nas intituições americanas e então treina a equipe de pessoal, tal como a equipe de criação, de companhias americanas de ciência e engenharia.

Gastos em ciência, engenharia e tecnologia deveriam ser apenas uma parte relativamente pequena de uma pacote de estímulo maior, mas ainda assim eles poderiam fazer uma contribuição vital ao futuro dos EUA. O aumento em gastos com ciência provê um excelente estímulo nos tempos em que a economia precisa de um. Mas para reconstruir a ciência dos EUA, os gastos devem ser mantidos mesmo quando a economia voltar a ser saudável. O Sr Obama fez um compromisso de restaurar o financiamento científico a níveis suficientes para manter a vitalidade e liderança da pesquisa científica americana. Nós acreditamos que o pacote de estímulo econômico iminente provê uma oportunidade considerável para iniciar esse esforço imediatamente, com força e produtividade.

Vocês acham que o artigo do Gross e Kendel tem razão? Ciência é mesmo um bom lugar para se jogar um monte de dinheiro e revitalizar uma economia ou isso é brio ferido de cientista que teve seus projetos cortados?

A resposta em questão:

Caros, em resposta ao “Obama’s stimulus plan must include science” por David Gross e Eric Kandel (13 de Janeiro): De acordo com estatísticas do NSF, os estrangeiros compreendem aproximadamente 30% da população de alunos de pós-graduação nas universidades americanas (NT: Na que eu estudo, esse número é 2 a 3 vezes maior, mas tudo bem).

Embora eu concorde com a recomendação dos autores que o financiamento de apoios a pesquisa é crítico para a saúde econômica dos EUA a longo prazo, eu tenho sérias dúvidas sobre sua eficiência sem uma reforma nas leis de imigração.

Por muito tempo, o debate sobre a imigração para os EUA foi concentrado na imigração ilegal. Enquanto isso, estudantes de pós-graduação em situação legal, que (normalmente) são treinados por cinco anos para impulsionar a tecnologia a novas fronteiras ao custo de impostos dos contribuintes, são forçados a se virar com artifícios ridículos se desejarem ficar no país depois desse período. De fato, muitos não são capazes.

Eu não consigo pensar num estímulo pior que mandar engenheiros e cientistas altamente treinados para casa.

O argumento da resposta é bom ou novamente é brio ferido de algumas pessoas em particular?

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Para quem quer ir a pós-graduação no exterior

terça-feira, 20 jan 2009; \04\UTC\UTC\k 04 2 comentários

Atente para esses links interessantes do interior dos comitês de admissão para pós-graduação nos Estados Unidos:

  1. Letters of Recommendation – Assorted Observations
  2. Things the Grad Admissions Committee Does Not Wish to See

Ah, e já que o post é sobre esse assunto, quem não tem a menor idéia de como fazer, eu sempre recomendo ir buscar o informativo dos sites das instituições, que explicam passo-a-passo. Um guia útil é da UC Berkeley. E na hora de fazer a decisão dos locais, vejam algumas dicas do Sean Carroll.

Categorias:Ars Physica
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