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A semana nos arXivs…

sexta-feira, 6 mar 2009; \10\UTC\UTC\k 10 Deixe um comentário Go to comments



Quero fazer uns comentários sobre o artigo/entrevista (“Is There a Higgs”) do Brain Cox acima… continue lendo…😉

Esse burburinho todo em volta o “Higgs” já está cansando minha beleza: não porque a notícia não tem mérito científico próprio e intrínseco, mas porque fazer sensacionalismo com notícias científicas… é o fundo do poço.🙄😥

Isso não é pra ser uma reclamação, nem muito menos uma crítica, ao artigo do B. Cox — pelo contrário: esse artigo dele nada tem a ver com o Higgs propriamente dito, mas sim com o fomento de Ciência, e o título é uma alusão ao fato do que aconteceria caso o Higgs não fosse encontrado (depois de tanto investimento, não só financeiro mas humano também).

Bom, antes de tudo, isso me lembra uma frase do Feynman (os grifos são meus),

There are 10^{11} stars in the galaxy. That used to be a huge number. But it’s only a hundred billion. It’s less than the national deficit! We used to call them astronomical numbers. Now we should call them economical numbers.

Pois bem, num mundo onde os “planos de estímulo econômico” (perante a atual crise — cuja cobertura jornalística é rizível; mas essa é outra estória😛 ) estão emprestando (“bailout”) somas nos valores de 10^{12}, i.e., trilhões, tera-dólares,❗ , por que é que há sempre tanta mixaria quando o assunto é fomento científico? E isso posto que Ciência e Tecnologia são os maiores e mais eficientes multiplicadores da economia (ou seja, pra cada moeda gasta com Ciência e Tecnologia, é possível se gerar de 2 a 8 moedas)!

Esse é o tom do artigo/vídeo do B. Cox e, portanto, uma contribuição bastante relevante.

Mas, não é por isso que eu estou escrevendo… apesar de que essa já é razão mais-do-que-suficiente…👿

A razão é o sensacionalismo ao redor do assunto do Higgs e, mais ainda (e, IMHO, pior), os erros técnicos e científicos que estão sendo propagados, não só pela mídia, mas por boa parte da comunidade científica também.😥

Pra já sair atirando da cintura, digo logo de cara: “Sim, é possível que o Mecanismo de Quebra Espontânea de Simetria seja realizado na Natureza sem que exista uma partícula escalar fundamental (aquilo que, atualmente, se convencionou chamar de “bóson de Higgs”).”

Pois bem, é completamente possível que o mecanismo de quebra de simetria exista, gere as massas dos bósons fundamentais (Z^{0},\, W^{\pm}), e não faça uso duma interação via um bóson fundamental escalar. (É importante notar que não estou falando, aqui, nem de Technicolor nem de “Little Higg”, mas duma Quebra Espontânea de Simetria genuína.) Demonstrar isso matematicamente não é tão complicado quanto pode soar, mas involve alguns conceitos que já ficaram esquecidos na história da Física sobre esse assunto. Portanto, vou me resignar a dizer que é possível se quebrar uma simetria e se escolher (superseleção) um vácuo [quântico] tal que os bósons acima adquiram massa (sem interação via uma partícula escalar fundamental) — apenas escolhendo-se as condições de contorno apropriadas para as equações de movimento [quânticas] (que podem muito bem ser do tipo Robin ou Mistas e sobre um domínio Complexo).

Momento anti-climático: o mecanismo de quebra espontânea de simetria pode muito bem ser realizado na Natureza e uma partícula escalar fundamental nunca ser encontrada.😯

Ou seja, não há garantias em Ciência… e isso é o bom e o ruim dessa empreitada: claro que há muitas tentativas e pesquisas que não dão certo; porém, há tantas outras que dão muito certo, prova disso é o nosso desenvolvimento tecnológico atual (telefone, rádio, televisão, computadores, carros, aviões, semicondutores, etc, etc, etc) — e não podemos nos esquecer do tal “fator multiplicativo” já mencionado acima, que mostra claramente como toda a economia é afetada por coisas tão “pequenas” quanto Termodinâmica, Eletromagnetismo, Mecânica Quântica e Relatividade!

Assim é a vida… e a grande ironia nisso tudo é que um dos maiores, mais fortes e mais robustos motores da economia é um dos que possuem menos investimento.

“Navigare necesse; vivere non est necesse.”, Pompeu.

Esse é o impasse em que nos encontramos… é preciso haver um diálogo muito honesto, sincero e genuíno entre os diversos setores da sociedade, de modo que seja possível se dizer que “não há segunraças” nem “garantias” no empreendimento científico — e, ao contrário disso ser “ruim”, é muito bom, porque os resultados são tão mais proveitosos e saborosos; a criatividade humana é um bixo muito interessante e não deve ser podado, mas sim alimentado pra poder dar frutos cada vez mais ricos. É só assim que deixaremos de caminhar “a passos de formiga e sem vontade” e passaremos a caminhar a passos largos, porém fortes e firmes!😈

[]’s!

  1. Leonardo
    sábado, 7 mar 2009; \10\UTC\UTC\k 10 às 01:42:07 EST

    Ah, fui direto no artigo do Weinberg. Muito bom pela história. Mas a visão pessoal que ele se refere no resumo é aquela de sempre, dos livros de QFT, mas não é só dele, é de quase todo físico de partícula com menos de 50.

    Sobre o Higgs, não acho que seja ruim falar que precisa de uma partícula escalar, porque está implícito que se deseja uma dinâmica que permita aplicar teoria da perturbação. Ficaria demais dar ênfase nisso numa matéria jornalística. Você sabe que essa é a tradição atual, a visão paradigmática como diria o saudoso Silvio Salinas… é pedir demais que fiquem justificando-a contra a possibilidade do efeito não ser perturbativo, é como um físico analisando um experimento pela interpretação de Copenhague tivesse que refazer a análise na interpretação de Bohm só porque essa também caberia, em princípio. Resigna-te. Assim como eu resignei-me que todo mundo diz que a Relatividade Geral não serve como teoria quântica da gravitação — e veja ai, o Weinberg, nem ele consegue mudar a situação, embora ele sempre lembra que a RG pode ser a TQC da gravitação toda vez que lhe deixam. Quero dizer: tu tens razão, mas o poder da força da maioria sobrepuja-te, e a nós todos.

    • sábado, 7 mar 2009; \10\UTC\UTC\k 10 às 06:32:30 EST

      @ Leo,

      Só pra ficar claro, eu não estava me referindo ao artigo do Weinberg, apesar de que vc fez uns comentários muito pertinentes relacionando o artigo dele com o meu comentário.🙂

      Eu entendo o fato da mídia não divulgar esse tipo de detalhe e, nesse sentido “popular” da questão, isso não me incomoda.

      O que me “cutuca” é que eu não vejo mais *Físicos* discutindo isso, principalmente agora que o assunto está ficando cada vez mais quente: Todo mundo simplesmente “assimilou” a visão “perturbativa” da coisa e estão deixando tudo por isso mesmo.

      Eu, pessoalmente, se tivesse que apostar, diria que as possibilidades são maiores do efeito ser realizado de modo perturbativo do que ‘otherwise’. Mas, isso posto, seria *irresponsável* da minha parte, cientificamente falando, não alertar pra esse tipo de detalhe em situações tão “high profile” quanto o LHC tem sido pra mídia!

      Num certo sentido, eu acho que o nível de responsabilidade e cuidado tem que aumentar proporcionalmente ao de sensacionalismo. Senão, que tipo de informação está efetivamente sendo propagada? Qual a qualidade efetiva da divulgação sendo feita?

      E se concluirem que a coisa toda “falhou”, porque não acharam uma partícula?! O quanto isso pode afetar o modo como a sociedade vê a Ciência ou como a verba para a fomentação é alocada ou distribuída?

      Esses são problemas bem concretos e bastante “realistas” como “cenário futuro”… e, nesse sentido, me assustam e preocupam, pois, como vc bem disse, a “tirania da maioria” é uma força compicada de se opor.

      []’s.

  2. sábado, 7 mar 2009; \10\UTC\UTC\k 10 às 06:59:18 EST

    Meu, isso tudo é o que acontece quando os experimentos ainda não deram a palavra final. Basta lembrar que, na virada do século 19 para o século 20, mesmo com os trabalhos de Boltzmann e Gibbs em mecânica estatística, boa parte da comunidade acadêmica era adamantina com respeito a idéia atomística – gente de peso como Ostwald, Nernst e Planck.

    A diferença e – não sei, será? – o perigo hoje em dia (acho… Convido qualquer historiador da ciência a me desmentir) é que essa assimetria (sic) no debate de idéias parece ser muito maior, e com muito mais grana envolvida (também com a inflação corrigida?). De qualquer forma, isso só torna a sondagem a ser feita pelo LHC e outros experimentos futuros (ILC, etc.) ainda mais necessária. Talvez a “crise” que possa advir de um eventual “grande deserto” nos achados desses experimentos também o seja, quem sabe?

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