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Archive for abril \30\America/New_York 2009

Realejo do dia…

quinta-feira, 30 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 3 comentários

The tricky part is calculating the Lagrangian

The tricky part is calculating the Lagrangian

Revolução do grafeno dá mais um passo

quinta-feira, 30 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 1 comentário

Fotografia obtida por microscópico eletrônico de varredura do circuito integrado nanométrico construido a base de grafeno. As barras amarelas são eletrodos de cromo e ouro e sobre a superfície azul ligando os eletrodos há uma fina camada de grafeno.

Fotografia obtida por microscópico eletrônico de varredura do circuito integrado nanométrico construido a base de grafeno. As barras amarelas são eletrodos de cromo e ouro e sobre a superfície azul ligando os eletrodos há uma fina camada de grafeno. Figura do artigo original de R. Sordan et al.

Físicos na Itália desenvolveram o primeiro circuito integrado de grafeno, o relatório foi publicado semana passada no arxiv.

O grafeno é um nanomaterial descoberto em 2004 que consiste em uma folha bidimensional de átomos de carbono de apenas um único átomo de espessura (uma fatia atômica de grafite). Ele difere dos demais materiais semicondutores — que são os materiais com as propriedades eletrônicas adequadas para construção de diodos e transitores — por manter alta mobilidade dos elétrons mesmo quando dopado com alta densidade de impurezas. Isso reflete em uma resistência a corrente elétrica que está entre as mais baixas já encontradas em um material a temperatura e pressão atmosférica, tornando o grafeno uma potencial matéria-prima para construção de circuitos integrados de alta freqüência (acima de GHz) em escalas micrométricas de tamanho, o que pode vir a substituir a presente tecnologia dos semicondutores de silício utilizados nos computadores e eletrônicos modernos. O trabalho do grupo italiano é um passo importante nessa direção porque demonstra que estes circuitos são factíveis. Em 2007, um grupo de Harvard já havia construído o primeiro transistor de grafeno.

Para saber mais:

  1. Fledgling graphene circuit performs basic logic, Physics World.
  2. Graphene na Wikipedia.

Sobre meu afastamento do Stoa por causa de uma brincadeira de 1º de abril até a exclusão da minha conta

quarta-feira, 29 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 11 comentários

Logo do Stoa invertidoToda história do meu – Tom falando – afastamento do projeto Stoa, assim como a exclusão de minha conta do Stoa e todos meus textos, começou com a publicação no Stoa de uma brincadeira no contexto de primeiro de abril, que vocês podem checar aqui, Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora.

Publiquei esse texto no final da tarde do dia 1º de abril, por volta das 18h, e logo na madrugada do dia 2 coloquei um aviso de que tratava-se de uma brincadeira, aviso que parece não ter sido suficiente para as pessoas que sentiram-se incomodadas com a brincadeira.

No dia 14 de abril fico sabendo que a consultoria jurídica da USP entra em contato com o diretor do CTI USP, Gil da Costa Marques,  e que haveria um possível processo contra ele por parte da reitoria, por causa dessa brincadeira minha. Vale lembrar que o Stoa é um projeto do CTI.

Poucos dias depois fico sabendo que as medidas tomadas serão: 1. meu desligamento do projeto Stoa e 2. um pedido de desculpas de minha parte e do coordenador do projeto Stoa, o professor Ewout ter Haar, por causa do ocorrido.

O pedido de desculpas foi publicado por mim dia 23 de abril, que pode ser lido aqui, Esclarecimento sobre inoportuno texto que simulava desestatização da USP (não está mais disponível no link original, pois todos meus textos foram apagados do Stoa). Pedi desculpas por algo que não achei errado e até agora não entendo todo estardalhaço criado e nem imaginava as dimensões que isso resultaria, pois não queria também prejudicar meus amigos colaboradores do projeto Stoa, nem que o projeto fosse por água a baixo por minha causa. Antes eu do que todo o projeto, pois sei que continuaria em boas mãos.

Os ânimos das pessoas incomodadas com o ocorrido pareciam ter acalmados após meu pedido de desculpas e as coisas ficariam assim. Entretanto, dia 27 de abril, foi publicada uma matéria no UOL sobre um bolão para acertar o dia que a greve na USP começaria, que fiz há meses usando meu blog no Stoa, veja Ex-aluno da USP faz bolão e premia quem acerta dia de início da greve na universidade. A jornalista Simone Harnik entrou em contato comigo na tarde do dia 24 de abril, uma sexta-feira, pois queria entender melhor sobre o bolão. Deixei claro para ela que eu não tinha mais nenhum vínculo com a USP, muito menos com o Stoa, apesar de eu ter ajudado a criar o projeto.

A publicação dessa matéria no UOL Educação parece ter sido a gota d’água para a reitora da USP, Suely  Vilela, pois, segundo fui informado por email na noite do dia 27 de abril, ela ligou para o diretor do CTI dizendo algo do tipo “Como é que vocês afastaram o Everton do projeto e aparece essa matéria com ele na capa do UOL?”. Pressões da reitoria sobre Gil da Costa Marques surgiram, que entrou em contato com o coordenador do projeto Stoa, que entrou em contato comigo.

Fui informado que minha conta seria excluída, a pedido do diretor do CTI (pressionado pela reitora ou alguém da reitoria, imagino), o que foi feito ontem, dia 28 de abril. Eles deram um tempo para eu fazer backup dos meus textos do meu blog e fóruns de discussão, que eu já fazia assinando os feeds RSS no Google Reader (depois vou ter que publicar um a um nesse novo blog e infelizmente perdi todos comentários).

O pedido de desculpas acabou sendo publicado pela equipe Stoa na noite do dia 28 de abril, veja Sobre uma falsa notícia veiculada no Stoa, o que acabou repercutindo muito mal de imediato e gerou protestos por parte de usuários do Stoa (atualização: os textos publicados no Stoa foram alterados para ficarem visíveis apenas para usuários online, portanto coloquei links para locais externos onde foram publicados):

Após terrível repercusão, o Stoa foi colocado em estado de manutenção, me parece que a pedido do diretor do CTI, de modo que ninguém pode ver textos na página principal, nem logar-se no sistema.

Salvei os textos acima no meu computador, pois temo que o sistema Stoa será desligado da tomada, assim, sem mais nem menos, pois parece que o sistema hierárquico da Universidade de São Paulo funciona assim: alguém com mais poder político pode fazer e desfazer o que quiser, sem precisar dar satisfação ou justificativas racionais alguma a todos envolvidos (afinal, são quase 9 mil usuários cadastrados no Stoa!).

Nesse texto quis apenas relatar o que ocorreu e a cronologia dos fatos, tentando ser o mais imparcial possível. Depois escrevo mais sobre o ocorrido e a sucessão dos fatos, iniciados por uma fatídica brincadeira de 1º de abril.

Posts relacionados

Esse texto foi originalmente publicado num novo blog que criei (http://blogdotom.wordpress.com), após meu blog do Stoa ter sido apagado:  Sobre meu afastamento do Stoa por causa de uma brincadeira de 1º de abril até a exclusão da minha conta

A semana nos arXivs…

quarta-feira, 29 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 1 comentário


O guia do astronomo amador, parte I

quarta-feira, 29 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 7 comentários

”Quero comprar um telescópio! Será que esse aqui é bom??”

Essa é uma pergunta feita dezenas e dezenas de vezes em fóruns de internet e comunidades do Orkut sobre astronomia. Muitas pessoas se interessam por astronomia e a indústria fornece equipamentos das mais variadas qualidades e preços por aí. Existem dezenas de guias na internet de como se escolher um telescópio, mas como eu escrevi recentemente sobre isso na comunidade de física do orkut, resolvi fazer um refactoring do resultado e colocar aqui no blog, para ficar mais acessível.

Também notei uma falta muito grande de novos textos sobre o assunto. O Atlas Celeste[1] do Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (que tinha um prefácio do Drummond!!) e programas como o ”Olhando para o Céu” da TV Cultura, e os livros do Isaac Asimov (Alpha Centauri, principalmente) eram meu deleite na infância e adolescência. Infelizmente não vejo mais textos novos de divulgação de astronomia, que estimulem esse hobby maravilhoso da astronomia amadora.

Por isso decidi escrever uma série longa de posts sobre o assunto (dessa vez eu vou cumprir a promessa) e tentar resgatar isso.

Para começar no espírito do que a astronomia amadora pode proporcionar de emoção e desse sentimento de maravilhamento com o mundo que eu acho tão essencial para se engajar na ciência, ou pelo menos para apreciá-la, minha epígrafe para esse post (que chique!) é do Olavo Bilac:

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


Lição 1 – Não compre um telescópio ainda!!!

A primeira informação que você precisa saber é que um telescópio que custe em torno de 200 reais ou menos (em 2009) em uma loja não-especializada certamente é ruim. Telescópios são objetos caros, de manufatura complicada. Se você deseja um bom equipamento amador, vai ter que fazer um pequeno investimento. Há muitos telescópios baratos por aí, mas a maioria deles são para uso terrestre – para olhar paisagens à distância.  Para uso astronômico, talvez sirvam para ver mais ou menos a lua e nada mais. Não têm qualidade ótica nem abertura suficiente para que olhar para objetos astronômicos seja uma experiência de fato agradável.

Para entender porque, é necessário perceber que os objetos celestes, apesar de serem enormes e emitirem vastíssimas quantidades de energia luminosa, são pontos de luz muito tênues quando vistos no nosso céu. Estão muito distantes, fazendo com que a quantidade de luz proveniente desses objetos que atinge os nossos olhos muito pequena. Para se ter uma idéia, imagine brilho de uma lampadinha daquelas que usamos para enfeitar árvores de natal. Elas tipicamente emitem uma potência em torno de 1W cada uma. Se você ficar a dois metros de distância de uma dessas lâmpadinhas e olhar em sua direção, a potência luminosa que vai entrar no seu olho proveniente dela será da ordem de 2 milionésimos de um watt.

Toda a luz que entra no seu olho quando você olha para Sirius, a estrela  mais brilhante do nosso céu,  uma estrela gigantesca e bastante próxima da Terra para os padrões astronômicos, equivale a 5 \times 10^{-13} watts, ou 0.0000000000005 W. Ou seja: uma lampadinha de natal a 2 metros de distância é, aparentemente, 4 milhões de vezes mais brilhante que a estrela mais brilhante do céu !!

Isso ocorre por causa da tremenda distância que nos separa dessa estrela. Na realidade, a totalidade da luz emitida por Sirius equivale a um número tão grande de lampadinhas de natal que é difícil até de imaginar. Sirius emite pouco mais de 25 vezes mais luz que o nosso Sol, e equivale a 10^{28} lampadinhas – isso é 1 seguido de 28 zeros. O problema é que a nossa distância a essa estrela é tão grande, que a fração da área total para onde essa luz está se dispersando que corresponde ao nosso olho é ínfima.

Essa quantidade pequena de luz que recebemos é o grande fator limitante para a observação. O fator mais importante em toda construção de muitos equipamentos astronomicos é que a quantidade de radiação (luz, ou qualquer outro tipo) que nos atinge proveniente dessas fontes é muito menor do que a quantidade de radiação emitida por fontes mais próximas: principalmente o Sol e as fontes localizadas na Terra.

Por isso a variável mais importante a se observar em um telescópio é o que chamamos de abertura – qual é o diâmetro em milímetros da abertura por onde a luz entra no seu telescópio para ser manipulada. Quanto maior a abertura, mais luz o seu telescópio é capaz de captar e projetar no seu olho, tornando melhores dois aspectos: a resolução da imagem e a capacidade de observar objetos cada vez mais tênues. A nossa pupila tem em torno de 1cm² de área. Portanto, se temos um telescópio com 250mm de abertura, teremos uma área de captação  quase 4000 vezes maior, aumentando nessa mesma proporção a quantidade de luz que nosso olho recebe.

Essa é a principal causa de frustração com telescópios mal escolhidos. Um telescópio com abertura incompatível com o aumento que você deseja usar não vai mostrar nada além de borrões. E é o que acontece com esses equipamentos de baixo custo vendidos em lojas não-especializadas, com raríssimas exceções.

O que pode ser ainda frustrante, mesmo que você tenha um equipamento de primeira linha, é tentar usar um telescópio sem uma experiência prévia com astronomia. Não são equipamentos fáceis de manejar no começo. Leva um certo tempo a se acostumar com o campo de visão diminuto que um telescópio razoável possui e bastante treino até conseguir achar mesmo os objetos mais fáceis.

Por causa dessas duas coisas, comprar um telescópio antes da hora pode ser um tiro fatal no seu gosto por astronomia amadora. Mas não fique desanimado. Astronomia amadora é muito mais do que telescópios. Aqui eu pretendo ter um pequeno guia de como se tornar um astronomo amador bem sucedido e como se preparar para em pouco tempo poder aproveitar bem o que bons equipamentos astronômicos amadores podem oferecer.


Lição 2 – Como começar?

O primeiro passo para se tornar um astronomo amador é familiarizar-se com o céu. Escolha uma noite sem lua de céu bem limpo para olhar para o alto e observar por um tempo. Ao longo do tempo você vai perceber um lento movimento do céu, como se a esfera celeste girasse  constantemente do leste para o oeste – do nascente para o poente. No leste novas estrelas surgem, no oeste as que estão no céu somem. Esse movimento diário é conhecido de todos nós e é meramente devido à rotação da Terra em torno do seu eixo.

Outro movimento é um pouco mais sutil e exige mais do que apenas uma noite de observação. Se você marcar mentalmente a posição de alguns grupos de estrelas e observá-los seguidamente por várias noites no mesmo horário, perceberá que a cada dia que passa eles estão cada vez mais à oeste naquele mesmo horário. Se você olhar por um ano inteiro, verá que depois de um ano (sideral) aquele grupo de estrelas estará de novo na mesma posição naquele horário marcado. Aos que já conhecem isso, surpreendam-se com o fato de que muita gente ignora esse movimento do céu resultante da translação da Terra em torno do Sol. É fácil não perceber esse movimento sutil  com tantas luzes na cidade e tão pouco tempo para olhar para o céu. Aos que desconheciam esse efeito note no que ele implica: existem épocas certas do ano para observar certos objetos astronômicos!!

É fundamental que se entenda isso – esse fato básico levou ao início do interesse prático do homem pelo céu. Ao observar o movimento anual das estrelas as antigas civilizações podiam prever com muita precisão quando a estação das cheias chegaria e quando começaria a estiagem. As estrelas eram para eles um calendário natural – você pode dizer em que época está do ano sabendo que grupo de estrelas está  em certa porção do céu em um certo horário naquele dia.

Enquanto estiver procurando no céu as pegadas dos movimentos da Terra no sistema solar, procure observar que os grupos de estrelas são fixos – elas não se movem perceptivelmente umas com relação às outras. Formam figuras estáticas, sempre deslocando-se rigidamente para o oeste. Asterismo é o nome que se dá a um certo grupo de estrelas e certas figuras são associadas a esses grupos para facilitar sua identificação. Não confunda asterismos e constelações – originalmente ambos eram nomes para grupos de estrelas, hoje os astronomos usam o termo constelação não para identificar uma figura formada por um grupo de estrelas, mas uma certa região do céu. Apesar da distinção você vai provavelmente me ver usar os dois termos de forma intercambiável por vício pessoal. Mas mantenha na cabeça a distinção.

Agora que você está familiar com o céu, procure identificar as constelações mais notáveis. As três mais fáceis são o Cruzeiro do Sul, o Órion e o Escorpião. Suas estrelas formam figuras bem fáceis de acompanhar e são bem brilhantes. É muito útil ter uma carta celeste para saber quais constelações estarão no céu nesse dia e qual é a figura que você deve procurar. Quais estrelas estarão no céu em uma certa data depende da sua longitude, do dia do ano e do horário. Por isso um programa de computador ajuda nessas horas. Alguns sites de internet fornecem cartas celestes gratuitamente também. Na final do post vou comentar alguns sites e programas de computador que tornam a astronomia amadora muito mais fácil hoje do que no tempo dos anuários astronômicos e listas de efemérides.


Lição 3 – Cartas celestes

Carta celeste para o dia 1º de Maio as 22:00 na cidade de São Paulo

Carta celeste para o dia 1º de maio as 22:00 na cidade de São Paulo. Figure reproduced from http://www.heavens-above.com

Uma carta celeste é uma representação dos objetos astronômicos que estarão no céu em um certo horário de um certo dia do ano, em uma certa localização. É o objeto mais útil para se aprender a localizar estrelas, constelações e outros objetos. Apesar da carta ser exata apenas para o dia e horário em que foi feita, não é difícil usá-la para dias próximos – o movimento anual do céu é lento o bastante para que uma carta seja útil por vários dias.

Na figura ao lado vemos uma carta celeste para a cidade de São Paulo no dia 1º de maio de 2009, as 22:00. Os pontinhos escuros são as estrelas, que estão conectadas por tracinhos para facilitar o reconhecimento das constelações. A posição do  planeta Saturno e da Lua também estão marcados.

Usar a carta é bem fácil – coloque-a em posição horizontal, paralela à linha do horizonte, alinhando as marcações N, E, S e W com o Norte, Leste, Sul e Oeste respectivamente. Agora o que você vê no papel deve ser o exato reflexo do que está no céu nesse momento. Comparando o papel com o céu você pode identificar as constelações. Em breve, com um pouco de prática, você não vai precisar mais dela para constelações mais comuns e brilhantes.

Para obter uma carta como essa registre-se no site http://www.heavens-above.com, coloque a latitude e longitude de sua cidade (provavelmente já existe no banco de dados deles) e clique em ”whole sky chart”. Coloque a data e hora e pronto. Eis a sua carta celeste. Outra forma de obter uma é através do programa gratuito e open-source chamado Stellarium (http://www.stellarium.org/ – versões para windows, linux e mac). Esse programa realmente mostra uma simulação bem realista do céu noturno com muitos detalhes. Realmente vale a pena dar uma fuçada, mas eu acho que na hora de procurar mesmo um objeto uma carta celeste bem feita da região desejada no heavens-above ajuda muito mais.

Outro lugar para encontrar cartas celestes é o site da revista Astronomy (www.astronomy.com), onde também há muitos artigos e dicas sobre astronomia. Infelizmente ainda é difícil achar links em português. O site do CDA – Centro de Divulgação de Astronomia, um mini-observatório de divulgação de astronomia da USP de São Carlos [2]é  bom. O site da revista eletrônica Café Orbital, produzida pelo Observatório Nacional, também é muito bom e costuma ter bons cursos online gratuitos de astronomia (http://www.on.br/revista/).

Para terminar esse primieiro post, a lição número 4 será bem destacada:

Lição 4 – PROCURE UM GRUPO OU CLUBE DE ASTRONOMIA!!!!

Muitas cidades possuem clubes de astronomia, grupos de astronomos amadores e até mesmo observatórios de divulgação científica. Nesses lugares você vai encontrar a coisa que você mais precisa – pessoas experientes que podem te dar dicas e ajudar, e vai encontrar o que você mais quer – telescópios apontados para o céu

Fecho o primeiro post dessa série com uma pequena lista de lugares a visitar para os que moram no estado de São Paulo. Eu não conheço muita coisa fora do estado, então exigiria um pouco mais de pesquisa. Mas eu prometo que no próximo post vou tentar colocar mais contatos sobre o assunto pelo Brasil.

Grupos, clubes e centros de divulgação de astronomia no estado de São Paulo

CDA/CDCC – Centro de Divulgação de Astronomia – Centro de Divulgação Científica e Cultural
O CDA possui um pequeno observatório no campus da USP em São Carlos. O observatório abre durante os fins de semana para o público de forma totalmente gratuita. É só chegar e entrar. Monitores estão disponíveis para mostrar os telescópios e responder perguntas. Procure saber sobre as palestras de sábado a noite.

CASP – Clube de Astronomia São Paulo – http://www.astrocasp.com/home
Provavelmente o maior clube de astronomia do Brasil. Realiza cursos e eventos com frequencia na cidade de São Paulo e fora dela. Têm listas grandes de discussão por e-mail e seus membros chegam até a fazer pesquisa acadêmica séria!! (sim! A astronomia é uma ciência que ainda é muito beneficiada pelos amadores).

Grupo de astronomia Sputnik – http://sputnikers.blogspot.com/
Um grupo ainda pequeno criado por amigos estudantes da USP mas que frequentemente levam telescópios para a praça do relógio, no campus Butantã da Universidade de São Paulo na capital.

CEU – Centro de Estudos do Universo  – http://www.fundacaoceu.org.br
Uma fundação privada de divulgação científica localizada em Brotas-SP. Recebe turmas de estudantes e excursões. Possui telescópios, um planetário e monitores treinados para receber todo tipo de visitantes.

Mini-observatório INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – http://www.das.inpe.br/miniobservatorio/
Em São José dos campos há um observatório de divulgação científica com um belo telescópio Schmidt-Cassegrain de 280mm de abertura. Para agendar visitas com turmas telefone para o Departamento de Astronomia – (12) 3945-7200 falar com Valéria.

Notas

[1] Era um livro muito querido do meu pai, e ele me deu o exemplar dele quando eu era adolescente. Talvez tenha sido o melhor presente que eu já ganhei, pelo valor que tinha para ele e pela ânsia com o qual eu o queria.

Mulheres na Ciência – Grant ABC-L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência

terça-feira, 28 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 Deixe um comentário

(divulgado aqui graças ao post do Brain no Orkut que eu reproduzo aqui integralmente)

Prezados(as),

Encontram-se abertas até 8 de maio as inscrições para o Programa de Bolsa Auxílio
Grant ABC-L’Oréal-Unesco Para Mulheres na Ciência. O Programa visa apoiar projetos
científicos de alto mérito a serem desenvolvidos durante 12 meses por pesquisadoras
brasileiras em instituições nacionais e destina-se a quem tenha concluído o
doutorado a partir de 1º de janeiro de 2005.

As candidatas selecionadas – nas áreas de Ciências Físicas (1 bolsa), Ciências
Biomédicas, Biológicas e da Saúde (4 bolsas), Ciências Matemáticas (1 bolsa) e
Ciências Químicas (1 bolsa) – receberão uma bolsa auxílio grant no valor equivalente
a US$ 20.000 (vinte mil dólares) cada.

IMPORTANTE:

Pesquisadoras que já tenham se candidatado anteriormente e não tenham sido
contempladas com a bolsa podem inscrever-se novamente.

Mais informações e inscrições em: http://www.abc.org.br/loreal

Categorias:Ars Physica

Filhos de uma flutuação quântica

segunda-feira, 27 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 6 comentários

Post de divulgação 😉

Edição 23/02/10: corrigido uns problemas de erros conceituais na parte das anisotropias e adicionado um comentário técnico para deixar mais claro para quem possa entendê-lo. Da época de quando escrevi esse post para hoje eu deixei de saber apenas algo superficial para entender todos os detalhes da astrofísica do problema, e agora deve estar um pouco mais preciso, espero eu.

A teoria da inflação cosmológica foi originalmente introduzida para resolver certos problemas da teoria do Big Bang que os físicos teóricos chamam de naturalidade. Não são obstáculos a validade do Big Bang, mas características estranhas do modelo que servem de guia para onde talvez exista alguma explicação faltando. Contudo, as razões originais para a inflação hoje são pouco importantes em face ao que a maioria dos cosmólogos entende como o verdadeiro triunfo da inflação: a origem da galáxias como produto de um mecanismo físico da mecânica quântica. Não apenas somos poeira das estrelas, somos também relíquias do princípio da incerteza de Heisenberg.

Leia mais…

Dirac: Férmions e Vínculos (e outras coisas)

domingo, 26 abr 2009; \17\America/New_York\America/New_York\k 17 1 comentário

Uma das coisas interessantes sobre a história da mecânica quântica é que Schroedinger escreveu a equação de Klein-Gordon, perfeitament relativística, antes de escrever a equação que leva seu nome, que na mecânica quântica é sua versão não relativística. Ele não levou muito a sério a equação relativística porque, na sua interpretação, ela descrevia estados com probabilidade negativa.

Obviamente, em teoria quântica de campos não há problema, pois ela não descreve a evolução de um estado quântico mas sim a evolução de um operador que age sobre um estado. No entando, a interpretação errada levou Dirac a desenvolver uma nova teoria para “consertar” a equação de Klein-Gordon. Em teoria quântica de campos, a teoria de Dirac é tão boa quanto a de Klein-Gordon, só que falam de campos diferentes.

A teoria de Dirac é baseada numa ação:

S=-i\int d^4x\,\psi_A^*\gamma^0\gamma^{\mu}\partial_{\mu}\psi^A = i\int d^4x\,\psi_A^*\frac{\partial}{\partial t}\psi^A - \psi_A^*\gamma^0\gamma^k\frac{\partial}{\partial x^k}\psi^A

onde \psi^A e \psi_A^* são campos independentes. Essa ação é bem diferente do que normalmente se você porque ela é uma ação de primeira ordem em derivadas. Esse problema, junto com o problema das quantização de teorias de gauge, levou Dirac a considerar a quantização de sistemas vinculados. Vamos ver como isso funciona. Os momentos associados a \psi^A e \psi_A^* são:

p_A=-i\psi_A^*
p^{A*}=0

Note que não é possível inverter essa relação para escrever uma hamiltoniana, pois não tem “velocidade” nenhuma nessa relação. Dirac então chamou essas relações de vínculos primários

Bem, podemos então tentar formar uma hamiltoniana com o que temos. Dirac chamou isso de (densidade) hamiltoniana canônica:

\mathcal{H}_C=i\psi_A^*\gamma^0\gamma^k\frac{\partial}{\partial x^k}\psi^A

Por causa do vínculo, essa hamiltoniana não gera evoluções temporais. A argumentação não é complicada, a idéia é introduzir multiplicadores de lagrange para suprir o déficit de variáveis que seriam necessárias para inverter das velocidades para os momentos.

Numa visão mais geométrica que será necessário para minha conclusão posterior, isso quer dizer que precisamos introduzir mais variáveis para tornar o mapa entre o espaço tangente e cotangente um-para-um. A hamitoniana que gera evoluções temporais foi chamada de hamiltonana total por Dirac:

\mathcal{H}_T=i\psi_A^*\gamma^0\gamma^k\frac{\partial}{\partial x^k}\psi^A-\lambda^{A*}(p_A+i\psi_A^*)-\lambda_Ap^{A*}

onde \lambda^{A*} e \lambda_A são os multiplicadores de lagrange. A evolução temporal dos vínculos, usando os parênteses de Poisson canônicos \{p_A,\psi^B\}=-\delta_A^B e \{p^{A*},\psi_B^*\}=-\delta_B^A:

i\lambda_A=-i\frac{\partial}{\partial x^k}\psi_A^*\gamma^0\gamma^k
\lambda^{A*}=0

Por serem condições de consistência, Dirac chamou esses vínculos de secundários. Em princípio, poderíamos continuar com as condições de consistência, mas quero seguir em frente.

Uma coisa interessante de se notar é que o sistema de vínculos primários tem parênteses de Poisson não nulo. Dirac classificou esse tipo de vínculo como de segunda classe e ele deu uma prescrição completa para tratar esses casos, que consiste na substituição dos parênteses de Poisson por parênteses de Dirac. Há inclusive uma história engraçada aqui: Dirac reconhece o trabalho onde introduziu esses parênteses (brackets, em inglês) como sua maior criação. Muitas pessoas confundem essa declaração com o formalismo de “bras” e “kets” da mecânica quântica, que não tem nada a ver.

Geometricamente, vínculos de segunda classe definem superfícies que são por si só simpléticas e logo, admitem uma estrutura de espaço de fase. O parêntese de Dirac nada mais é que a forma simplética induzida na superfície. Sua expressão é:

\{F,G\}_D=\{F,G\}_P-\{F,\phi_A\}(C^{-1})^A_B\{\phi^B,G\}

onde C=\{\phi_A,\phi^B\}_P e \phi=0 representa os vínculos. Depois de subsitutir os parênteses de Poisson por parênteses de Dirac podemos tornar os vínculos fortes, ie, subsitutir sua expressão inclusive na ação.

Para o conjunto de vínculos primários isso implica:

\{\psi^A,\psi^B\}_D=0
\{\psi_A^*,\psi^B\}_D=-i\delta_A^B
\{\psi_A^*,\psi_B^*\}_D=0

O resto pode ser determinado mas não importa, porque ao tornar o vínculo forte, o resto pode ser resolvido trivialmente com p^{A*}=0 e \lambda^{A*}=0. Daí podemos proceder com a quantização, subsituindo os parênteses de Dirac por \{\cdot,\cdot\}\rightarrow \frac{[\cdot,\cdot]}{i} de forma que:

[\psi^{\dagger},\psi]_+=\mathbf{1}
\mathcal{H}=\psi^{\dagger}\gamma^0\gamma^k\frac{\partial}{\partial x^k}\psi

Esse é o procedimento padrão para ações de primeira ordem, que sempre é o caso para campos de spin semi-inteiro. Mas… nesse caso, ele não é tão necessário assim. Se você olhar a ação de Dirac como uma ação já no espaço de fase, esse resultado é trivial.

Uma ação no formalismo hamiltoniano é normalmente escrita como:

\int \mathbf{p}\, d\mathbf{q} - H\,dt

mas isso é uma expressão local quando a estrutura simplética é dada por \mathbf{\omega}=d(\mathbf{p}\, d\mathbf{q})=d\mathbf{p}\wedge d\mathbf{q}. Essa é a forma usual da estrutura canônica dado pelo teorema de Darboux. Mas olhe a ação de Dirac como uma ação no espaço de fase com uma estrutura canônica diferente, dito:

\mathbf{\theta}=i\int d^3x\,\psi^*_A\, d\psi^A\Rightarrow \mathbf{\omega}=d\mathbf{\theta}=i\int d^3x\, d\psi_A^*\wedge d\psi^A

que é perfeitamente equivalente aos parênteses de Dirac determinados acima. Isso é o que termos topológicos na ação costumam fazer: como eles não dependem da métrica, não influenciam no tensor momento-energia, e logo não alteram a hamiltoniana. Contudo, eles mudam a estrutura canônica.

Não estou dizendo que a prescrição de Dirac seja inútil, às vezes é complicado ver a estrutura canônica, mas às vezes é fácil como na ação do campo de Dirac. Um outro caso interessante é a ação de Wess-Zumino-Witten. Em 0+1D, ela é particularmente simples se escrita em termos de ângulos esféricos:

S=-s\int\,(1-\cos\theta) d\phi

Você vê que ela é uma ação de primeira ordem, tal como a de Dirac que trabalhamos acima. Ela também muda a relação simplética entre as variáveis e faz com que elas passem a obedecer uma álgebra de spin para as variáveis \mathbf{S}=s(\sin\theta\cos\phi,\sin\theta\sin\phi,\cos\theta), o que é bem interessante para aplicações em matéria condensada.

Dirac também deu uma prescrição para os vínculos de primeira classe, isto é, aqueles que não definem superfícies com estrutura simplética. Em todos os casos úteis que se conhece, esse tipo de vínculo gera simetrias de gauge. Apesar de correta, ela é simplista demais para ser útil nos casos mais complicados. Hoje em dia, as pessoas entendem a prescrição de Dirac como uma versão infantil do formalismo BRST hamiltoniano, que consiste em introduzir novas variáveis, chamadas fantasmas, e reescrever a ação na forma:

S = \int P_i\, dQ^i - H_{BRST}dt - \{\Psi,Q_{BRST}\}

onde as variáveis canônicas (Q,P) consistem nas variáveis canônicas originais (q,p) mais os fantasmas e seus momentos conjugados (c,p(c)) e (b,p(b)). \Psi é conhecido como férmion fixador de gauge e H_{BRST} e Q_{BRST} são a hamiltoniana BRST e a carga BRST para as quais existem prescrições de como serem construídas. Em casos simples, como YM, dá para encontrar suas expressões de forma explícita. Em casos mais complicados, como em alguns modelos de teoria de cordas, elas são uma expressão infinita.


Mudando um pouco bastante de assunto… vocês se lembram de um avião que caiu aqui perto em Buffalo (NY) em fevereiro desse ano? Achei a explicação (não-oficial) para o ocorrido é muito interessante: gelo!

Todo mundo aprende na escola que a água congela a 0^oC, mas a história é um pouco mais complicada. Essa é a temperatura que fica termodinamicamente mais favorável estar no estado de gelo que água líquida, mas isso não basta para que a água congele. Se não houver nucleação, isto é, a criação de uma interface entre diferentes fases, o cristal não vai se formar. O problema é que para água pura, a temperatura de nucleação homogênea é em torno de -42^oC. Diz-se então que a água está em sobrefusão. Um colega que estuda física do clima me disse que há muitas nuvens, cujas gotículas de água são muito puras, nesse estado.

O que parece que ocorreu no caso desse acidente, é que o avião passou pela nuvem nesse estado meta-estável e serviu de ponto de perturbação para que os cristais de gelo se formassem. Com a asa completamente coberta de gelo, a aerodinâmica foi comprometida e o avião caiu.

Não sei até que ponto a explicação é verdadeira, mas é bem bacana. Não que o acidente seja bacana, não me interpretem mal. Foi muito triste: quase 50 pessoas morreram. Mas a explicação física é.


Você sabe como calculadoras representam números negativos? Assim:


Para ler mais:

A semana nos arXivs…

quinta-feira, 23 abr 2009; \17\America/New_York\America/New_York\k 17 2 comentários

Biblioteca digital da Unesco abre nesta terça

segunda-feira, 20 abr 2009; \17\America/New_York\America/New_York\k 17 1 comentário

Pensei em compartilhar com vocês esta notícia: Unesco lança biblioteca digital mundial nesta terça. O site da biblioteca é www.wdl.org.

Na redação da Folha, também menciona-se a Europeana, um portal que eu já havia esquecido faz tempo! Há obras em texto, vídeo e imagem.

De iniciativa muito parecida, é o site Domínio Público do governo brasileiro, que disponibiliza obras que não são mais protegidas por direitos autorais, a maioria literatura brasileira com mais de cem anos da morte do autor. Este site me foi muito útil quando fiz vestibular 🙂

Ginástica lógica

domingo, 19 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 3 comentários

Neste momento várias pessoas já estão a par do novo escândalo político do Brasil, a farra das passagens aéreas. Permitam-me usar esse episódio só como um pretexto para uma pergunta meio alerta sobre a forma como pensamos politicamente, e quero ouvir suas idéias.

Eu tenho a impressão que a maioria das pessoas trata a política como se fosse futebol. É assim: a pessoa nasce e descobre que é a favor do político Fulano — no Brasil tem sido assim por muito tempo, embora mais recentemente o debate está se tornando torcida por um partido. Daí elege-se Fulano, e mantém-se uma paixão inesgotável, mesmo em face de novas informações que demonstram cabalmente que Fulano não passava de um interesseiro sem real ideologia política. A pessoa insiste em como as políticas do Fulano estão corretas, ou porque se deve votar no Fulano, até chegar o ponto do ridículo em que é necessária toda uma ginástica lógica para defender a política que se sustentava inicialmente.

A ginástica lógica tem algumas características básicas. Duas delas são i) omitir deliberadamente fatos que contradigam a sua conclusão, isso inclui não apresentar nenhuma racionalidade de como a conclusão pode ser válida em face a pontos contraditórios que são amplamente conhecidos; e ii) ter que buscar uma racionalização obscura para conectar fatos que podem ser mais naturalmente explicados por uma idéia que contradiga a sua conclusão, muitas vezes apelando para elementos não observáveis, p.ex. como o que Fulano pensava ou idéias não declaradas por nenhum dos indivíduos envolvidos todavia que, supostamente, era o que eles tinham em mente.

Vê-se como nem mesmo escândalos de proporção nacional como os que envolveram Collor, Barbalho e ACM, impediram que estes se reinserissem na política. A revelação de que verba do Congresso foi legalmente desviada para comprar passagens de avião para parentes não irá abalar a imagem dos políticos envolvidos. Alguns dos envolvidos eram pessoas que eu tinha uma boa imagem, mas eu não tenho mais, porque eu adapto minha opinião política em face a novas informações, e não tenho absolutamente nenhum amor ou paixão secreta por nenhum político, ideologia política e economica, ou o que for. Se a idéia não dá certo, não corresponde a realidade, eu jogo-a fora.

Então, pensemos nisso: a política é um debate entre torcidas de nossos times do coração, que defendemos mesmo sabendo que estão sendo derrotados e rebaixados, ou é assunto em que é salutar admitir equívocos e mudar de idéia?

Isso transcende a política do Congresso ou do gabinete do governador: se aplica a política dentro da universidade, algo mais próximo talvez da maioria dos leitores deste blog.

Realejo do dia…

domingo, 19 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 2 comentários

It has long been an axiom of mine that the little things are infinitely the most important. Sir Arthur Conan Doyle, “A Case of Identity“.

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Pensamentos não tão aleatórios sobre teoria quântica de campos

sexta-feira, 17 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 15 comentários

Edição: corrigida a referência de quem calculou as correções 1-loop para a RG.

Uma das coisas que tira o meu sono é uma característica da teoria quântica de campos de que apenas certas Lagrangeanas fazem sentido. Por exemplo, essa aqui faz pleno sentido como uma teoria clássica:

\mathscr{L}_f + \mathscr{L}_s + g \bar{\psi}\psi \phi (1)

onde o primeiro termo é a Lagrangeana de um campo fermiônico livre \psi e o segundo é a mesma coisa para um campo escalar livre \phi. Essa Lagrangeana não faz sentido físico como uma teoria quântica, porque ela prevê que a taxa de reação do espalhamento de dois bósons \phi é infinita (observe que esse espalhamento a 1 loop contém um loop de férmions que é uma integral imprópria sem limite). É um bom exemplo de como apenas requerer que todos os termos de uma Lagrangeana sejam renormalizáveis não é suficiente para que a teoria quântica só contenha observáveis físicos finitos. A teoria pode ter sentido se adicionarmos um novo termo na Lagrangeana: \lambda \phi^4 .

Em princípio esse fenômeno deve estar relacionado com o fato de que a Hamiltoneana na teoria quântica é escrita na forma

H = H_0 + V (2)

onde tanto H0 como H devem ser um elemento da álgebra de Lie do grupo de Poincaré. Isso impõe condições não-triviais sobre V. O problema é que, se você quer ser bem superficial, pode convencer-se que essas condições são satisfeitas supondo algum tipo de “suavidade” para V — que é a palavra mágica dos físicos que não querem falar de matemática –, e que V pode ser escrito como uma integral de um escalar de Lorentz

\int d^3 x \mathscr{H}(\mathbf{x},t) (3).

Porém só isso não pode ser toda a história, porque (1) satisfaz (3), e no entanto não é uma teoria física.

Então, a pergunta que não me faz dormir é a seguinte: como a teoria quântica de campos já sabia que toda interação (1) requer \phi^4? Em outras palavras, onde está essa informação na formulação relativística e quântica da teoria? Ou ainda: há alguma forma de saber que apenas a Lagrangeana com Yukawa + \lambda \phi^4 faz sentido físico, que não seja através da análise das divergências dos diagramas de Feynman da teoria?

Algo que já é sabido algum tempo é que todas teorias quânticas de campos podem ser feitas finitas, basta escrever a Lagrangeana certa. Por exemplo, a Relatividade Geral (RG) quantizada por si só prevê efeitos infinitos a primeira ordem de perturbação. Mas não a seguinte Lagrangeana, onde apenas o primeiro termo corresponde a teoria clássica da RG:

-\frac{M_P^2}{16\pi} R - \alpha_1 R^2 - \alpha_2 R_{\mu\nu} R^{\mu\nu}

que foi computada pela primeira vez por De Witt [Phys Rev 162 1967]. Essa Lagrangeana permite calcular observáveis finitos na teoria quântica da gravitação em primeira ordem em qualquer escala de energia menor que M_P.

Eu me pergunto se essa informação, sobre a existência dos dois últimos termos, já não estava de alguma forma contida na teoria quântica de campos. Talvez toda a série de potências já esteja. Se toda essa série de potências tem alguma simetria que permite determinar cada um dos termos possíveis, parece-me natural perguntar se essa mesma simetria não permite fixar relações entre os coeficientes. Por exemplo, ao escrever a Hamiltoneana de Dirac com coeficientes arbitrários, podemos relacionar os coeficientes impondo a simetria de Lorentz. É análogo a escrever

\alpha_1 \nabla^2 + \alpha_2 \partial_t^2

e deduzir que, no caso desta expressão ser invariante de Lorentz, então \alpha_1/\alpha_2 = -1.

Eu sonho…. 🙂

Realejo do dia…

sexta-feira, 17 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 2 comentários

  1. Alexander the Great was a great general.
  2. Great generals are forewarned.
  3. Forewarned is forearmed.
  4. Four is an even number.
  5. Four is certainly an odd number of arms for a man to have.
  6. The only number that is both even and odd is infinity.

Therefore, all horses are black.

😆

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Realejo do dia…

quinta-feira, 16 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 Deixe um comentário

O realejo de hoje vai no espírito dos antigos, com música, 😎

[]’s!

A semana nos arXivs…

quinta-feira, 16 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 Deixe um comentário

O Cisne Negro e a Criatividade…

quarta-feira, 15 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 9 comentários

Faz algum tempo que eu venho mastigando e ruminando sobre esse tema da criatividade, ainda mais durantes esses tempos de ‘publish or perish’ em que vivemos atualmente.

Todos os tipos de índice bibliométricos são usados numa tentativa de se “classificar” o conhecimento sendo produzido. Infelizmente, enquanto bibliometria, os índices são úteis, porém, quando se tenta usá-los pra se qualificar a pesquisa sendo feita… aí a ‘porca torce o rabo’… feio. Mas, hoje em dia, todas as agências de fomento usam esses índices — aliás, no exterior, eles são usados pra tudo, desde classificação da lista dos candidatos a contratação, …, até o salário do pesquisador!

O problema, de fato, não é a tentativa de se medir a produção dos pesquisadores e, assim, tentar se inferir a qualdiade de seus trabalhos. O problema é que esses índices bibliométricos são altamente “sociológicos” (por falta dum termo melhor): o que eles medem mesmo é a rede social dum determinado pesquisador! E, aí… aí as coisas começam a ficar complicadíssimas… porque há muito poucos estudos nas linhas do que já foi amplamente sugerido por Pierre Bourdieu no livro Homo academicus (também recomendo o livro Distinction: A Social Critique of the Judgement of Taste do mesmo autor). Aí também iria acabar sendo necessário se levar em consideração os livros Against Method e Science in a Free Society… e a coisa complicaria demais…

Ainda numa das primeiras encarnações do meu blog, eu fiz uma experiência sobre isso… e, de fato, a correlação entre “rede social” e “índice bibliométrico” é alta. Donde se pode concluir que há “nichos ecológicos” na comunidade científica, i.e., se a gente considera a comunidade científica (e.g., de Físicos, só pra fixar o exemplo de modo mais concreto) como um “organismo vivo”, então é possível se falar na ecologia da mesma (ou melhor, em termos de ecologia de sistemas, ou ecologia teórica), e, a partir daí, fica fácil de se entender o que os tais “nichos” significam (há mais detalhes… mas, vamos deixar pros comentários 😉 ).

O fato é que enquanto o sistema está num estado estacionário de equilíbrio dinâmico, tudo funciona de modo “ótimo”. Porém, quando processos irreversíveis são introduzidos no sistema… tudo muda. Em particular, processos irreversíveis podem ir se acumulando… até criar um ponto crítico, a partir do qual o sistema vai se “fracionando”, i.e., diferentes “fases” vão se formando. E, assim, nascem “cismas” na comunidade… alguns chamariam de “classes” (como em “classe social”). E assim os nichos ficam cada vez mais divididos.

Bom, agora não é preciso nenhum grande oráculo pra concluir que esse tipo de ambiente não é nada proveitoso pra nutrir a formação criativa dum indivíduo. Aliás, pelo contrário, o ambiente onde a criatividade é mais organicamente nutrida é exatamente num estado de equilíbrio, onde há todo tipo de mobilidade e possibilidades de se navegar por todos os lados (satisfazendo todos os tipos de curiosidades, além de fomentar a multi- e inter-disciplinaridade, dando uma visão mais “global”, mais “holística” e mais “orgânica” do processo todo)!

As referências abaixo aprofundam um pouco essa discussão, mostrando como, por exemplo, o quão semelhantes as grandes descobertas científicas são quando comparadas a transições de fase, algo que me soa muito como as idéias de Kuhn (expostas no livro The Structure of Scientific Revolutions) — mas isso fica pros comentários também 😉 .

O fato é que existem diferentes tipos de cientistas, como bem diz o Dyson abaixo, e existem os tais “cisnes negros”, aquelas pérolas raras, que aparecem muito de vez em quando, e mudam o caminho que todos vinham seguindo até então. (Apesar de soar meio “mártir messiânico”, a coisa não é bem assim… 😛 ) O resto cabe a sociedade, passando a entender e aceitar cada vez mais o trabalho dos Cientistas e os benefícios da Ciência — incluindo o quão diversificado e longo são os tentáculos da dita cuja.

Então, sem mais, eu recomendo que vcs se divirtam com os textos abaixo… 😎

Referências…

Atualizado (2009-Apr-16 @ 10:18h EDT): Na ânsia de acabar o texto e postá-lo aqui no blog, acabei me esquecendo de alguns vídeos que gostaria de ter posto ao longo do texto. Ei-los aqui, porém sem os comentários que eu gostaria de ter feito (esses ficam pros comentários desse post 😉 ),

Agora sim, a diversão está ainda mais garantida!

😈

John Maddox (1925-2009)

quarta-feira, 15 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 2 comentários

Sir John Maddox

Sir John Maddox


Embora possa ser notícia um pouco atrasada, eu só fiquei sabendo agora. John Maddox faleceu em 12 de abril. Ele foi editor-chefe da Nature durante décadas. Talvez você o conheça pelo notório caso da homeopatia em 1988, quando Maddox e James Randi organizaram uma investigação que derrubou declarações de um médico, após este publicar na Nature supostas evidências de que água possuia memória, o que seria a base química da homeopatia. O relatório da Nature de Maddox e Randi concluiu que as alegações eram falsas e erros no procedimento científico foram cometidos, mas até hoje a idéia de “memória da água” persiste como um meme.

Esta semana a Nature publicou um edital especial em memória a Sir John Maddox e semana que vem publicará outros ensaios em sua homenagem.

Maddox estudou química e física na Universidade de Oxford e no King’s College de Londres, e após breve período como professor de física na Universidade de Manchester, seguiu sua brilhante carreira no jornalismo científico, até tornar-se editor da Nature em 1966.

Ele foi autor do livro O que falta descobrir, escrito em resposta ao sucesso de O Fim da ciência do jornalista John Horgan.

Outras fontes: The Times, Scientific American.

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Calvin e a crise

terça-feira, 14 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 3 comentários

Já que o Daniel postou uma citação do Calvin ontem, então aqui vai o Calvin explicando porque há crises econômicas na mundo. 😀

calvin_crisis

A tira ainda parece atual, mesmo tendo mais de 10 anos de existência.

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Realejo do dia…

segunda-feira, 13 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 Deixe um comentário

“People think it must be fun to be a super genius, but they don’t realize how hard it is to put up with all the idiots in the world.” Calvin.

🙄

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Fraude eletrônica no Net Virtua – cuidado ao acessar sites bancários no Net Virtua

domingo, 12 abr 2009; \15\America/New_York\America/New_York\k 15 3 comentários

Um dos endereços de DNS do Net Virtua sofreu um ataque de DNS Cache Poisoning e está fazendo com que os usuários desse DNS sejam redirecionados a sites fraudulentos quando tentam acessar suas contas bancárias do Bradesco.

O problema foi reportado por  Walrus no seu blog do Stoa – http://stoa.usp.br/walrus/weblog/47454.html e eu confirmei aqui que de fato está ocorrendo esse problema com um dos DNS da Net. O problema não é com todos os DNS no entanto.

Para entender o que está acontecendo é preciso entender como funciona o sistema de endereçamento na WWW. Cada site na internet está armazenado em um computador e cada computador possuí um endereço que permite identificá-lo na rede. Esse endereço é chamado ”Endereço IP” e é uma sequência de quatro números. Por exemplo, o site  de busca do Google está localizado no endereço IP 64.233.163.103 (entre outros).

Entretanto, para fazer uma boa interface com usuários humanos que não querem decorar números, foi criada a URL – Universal Resource Locator – que é esse endereço que você escreve no seu navegador favorito (internet explorer ou firefox). Por exemplo, o URL do site de busca do Google é http://www.google.com .

Você já deve ter percebido que é preciso alguém que diga para o seu navegador qual é o endereço IP  que está associado com o URL que você digitou. Esse cara é o servidor DNS – Domain Name System. O DNS é um computador que tem um banco de dados onde ele associa URL’s e endereços IP de forma a informar o seu navegador em qual computador ele deve apontar para abrir o site que você pediu. Quando você conecta na internet normalmente se conecta automaticamente a um DNS do seu provedor de internet para resolver essas URL’s.

O que aconteceu é que alguém alterou definições de um dos servidores DNS do provedor Net Virtua e associou a URL que costumava apontar para o site do Bradesco (www.bradesco.com.br) para um IP de um computador que contém uma cópia do site do Bradesco. Nesse site eles requisitam uma série de dados e provavelmente salvam em seu banco de dados para usar depois de forma maliciosa.

A recomendação é que não seja usado nenhum site bancário se você usa o Net Virtua. Por enquanto só estamos sabendo de um DNS que foi atacado e apenas um banco que foi alvo desse ataque. Mas não se pode saber como a coisa está de verdade e é melhor esperar que essas instituições se manifestem dizendo que está tudo bem.

Enfim. De forma geral, tome cuidado com o tipo de informação que você compartilha em sites na internet. Se tiver duvidas sobre as informações que o site do seu banco está requisitando, não continue. Pare imediatamente e ligue para o SAC do seu internet banking perguntanto se é normal que site exija essas informações.

Em breve eu vou colocar um post com mais detalhes técnicos  e imagens do site fraudulento no meu blog  do Stoa e coloco um edit com o link aqui.

EDIT:

Mais detalhes sobre o problema e o site falso  http://stoa.usp.br/calsaverini/weblog/47466.html

Até esse momento (meia-noite e cinco, 13/abril/2009) 0 DNS que está envenenado continua de pé  e servindo o IP errado para o site do Bradesco.

Tentamos ligar na NET e no Bradesco, mas nenhum dos dois possuem serviços de atendimento adequados para receber esse tipo de report e nada parece ter sido feito até o momento pela NET.

Espalhem a notícia.

EDIT 2:

Aparentemente o problema foi corrigido no DNS afetado. Entretanto o Walrus, que reportou o problema em primeiro lugar encontrou relatos anteriores de poisoning nos servidores do Virtua. Isso significa que não é seguro usar o DNS do Virtua. O melhor é apelar para um servidor seguro e bem feito de DNS como o Open DNS (www.opendns.com). Isso resolve a coisa definitivamente.

Um gostinho amargo fica por duas razões:

1 – A NET não tem um sistema adequado de segurança para o serviço que presta e parece que ninguém está preocupado.

2 – Não há um canal decente de comunicação entre usuários mais avançados e o departamento técnico dos provedores de internet para que esse tipo de problema seja passado. Os atendentes do SAC não estão preparados para receber esse tipo de relatório de falha de segurança que precisa ser imediatamente passado para a área técnica.

No fim das contas: use o Open DNS, não importa qual seja o seu provedor. A verdade é que nenhum serviço desses presta.

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Realejo do dia…

sábado, 11 abr 2009; \15\America/New_York\America/New_York\k 15 Deixe um comentário

Sigmund’s wife wore Freudian slips.

😆

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Lies, damned lies, and statistics…

sexta-feira, 10 abr 2009; \15\America/New_York\America/New_York\k 15 5 comentários

Pra quem não conhece a frase que dá título a esse post, eis a história, Lies, damned lies, and statistics.

O objetivo é ilustrar o infâme fato de que correlação não implica causação. Pra quem está na corda bamba, correlação é uma medida da força e direção duma relação linear entre duas variáveis aleatórias; enquanto que causalidade é uma relação de causa-efeito entre dois eventos distintos (um sendo conseqüência do outro) — e, em geral, a falácia lógica associada a esse fato é chamada de non sequitur, que acontece quando uma determinada conclusão não segue logicamente das hipóteses do argumento.

Os artigos a seguir, Department of awful statistics e Mexican Lemons To the Rescue, comentam sobre esse assunto de modo bastante claro, contextualizando com alguns fatos políticos…

Em particular, o gráfico abaixo costuma deixar esses “detalhes” bem claros,

Quanto mais limões, menos acidentes automotivos…

Quanto mais limões, menos acidentes automotivos…

Do lado mais humorístico da coisa…

Correlação não implica causação, mas dá-lhe um belo dum chacoalhão sugestivo e furtivo, enquanto sussura olhe ali.

Correlação não implica causação, mas dá-lhe um belo dum chacoalhão sugestivo e furtivo, enquanto sussura "olhe ali".

E pra quem gosta de “piratas” e de “aquecimento global”, é muito importante entender como um influencia o outro, Pirates and global warming.

😈

Pra fechar, eu recomendo o vídeo abaixo, extremamente informativo,

[]’s.

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