Início > Ars Physica, Brazilian Politics, Politics, Scientific Politics > Regulamentação da profissão de físico

Regulamentação da profissão de físico

sexta-feira, 10 abr 2009; \15\UTC\UTC\k 15 Deixe um comentário Go to comments

Disclaimer: Como sempre, nesses artigos mais polêmicos, prefiro começar deixando claro que as opiniões que se seguem são minhas e podem não corresponder às opiniões dos colegas editores do blog. Além disso, não quero ofender ninguém com o texto escrito e estou criando esse artigo justamente para promover a discussão entre pessoas com opiniões divergentes.

Curta história da regulamentação e o projeto de lei.

Já tem bastante tempo que uma parcela dos físicos brasileiros discute uma possível regulamentação da profissão de físico no pais. Esse boletim da SBF conta um pouco da história:

Regulamentação da Profissão de Físico

Não me é claro a necessidade nem os benefícios de uma regulamentação da profissão de físico. Na verdade, vejo isso como um passo para trás e, pelos motivos que tentarei mostrar aqui e por outros que possam ficar para futuras discussões, vou tentar argumentar porque sou contra esse projeto de lei. Eis o projeto:

Projeto de Lei 159 – 2005

O projeto foi incialmente apresentado pelo senador Crivella do Rio de Janeiro após ter sido contactado por Luiz Cesar Barçante. Mesmo depois de muito tempo e de muitas discussões acaloradas com o Barçante, até hoje não me é claro qual foi sua motivação inicial para levar esse projeto adiante. A SBF, que sob uma certa lógica seria um órgão adequeado através do qual propôr esse projeto, abraçou o projeto de lei inclusive modificando-o levemente com um pré-projeto que já tramitava internamente a alguns anos.

Objetivo de uma regulamentação.

A primeira coisa a se perguntar é: qual é o objetivo de uma regulamentação de uma profissão e o que ela representa. Toda profissão tem sua importância social, mas algumas profissões influenciam diretamente a vida de indivíduos. Nesse caso, o governo regulamenta a profissão criando um órgão que garante a reponsabilidade social e legal no exercício da profissão para que ninguém sofra diretamente com más condutas. Por exemplo, é esperado que o governo regulamente quem pode exercer a profissão de cirurgião, já que é óbvio que uma má conduta pode levar a morte de um indivíduo. Da mesma forma, é entendido que a pessoa que vai projetar um arranha-céu seja um engenheiro com conhecimento para tal. Assim, na minha forma de ver, a regulamentação de uma profissão tem por objetivo a proteção da sociedade e não do profissional. Eu concordo que em alguns casos, principalmente os mais antigos, a regulamentação da profissão tenha sido criada para defender o profissional, mas com esse objetivo não faz sentido discriminar cada profissão e é para isso que temos a consolidação das leis do trabalho.

Nesse ponto já temos que começar a nos perguntar se isso se aplica a física. Sinceramente, não vejo como. É claro que física tem um impacto social, mas pela forma como é exercida ela tende a ser auto-regulatória. Não há ninguém que precisa ser protegido diretamente e somente quem é de fato competente consegue ter impacto na sociedade. Novamente, não quer dizer que não haja físicos incompetentes atuando profissionalmente, claro que há e sempre terá. Mas isso é um problema local que não justifica uma regulamentação. Na verdade, não é óbvio que uma regulamentação faria com que eles deixassem de existir. Usando novamente o exemplo da medicina e da engenharia, que são profissões regulamentadas, não é difícil encontrar profissionais incompetentes exercendo suas funções e que não são repreendidos nem pelo próprio conselho criado na regulamentação. Minha impressão é a oposta, que esses conselhos criam um corporativismo que torna difícil avaliar esses profissionais.

O ponto principal é que a física é uma profissão essencialmente de pesquisa, mesmo que essa não seja exercida no meio acadêmico. É uma inverdade que apenas o curso de física habilita a pessoa a desenvolver tal pesquisa, mesmo em áreas reconhecidas como “físicas”. O curso de física é um facilitador, é um lugar onde as pessoas adiquirem conhecimentos básicos para desenvolver tais pesquisas, mas de longe não é um curso profissionalizante. E mais uma vez é latente a incompatibilidade de uma regulamentação com a profissão de físico. É ridículo de imaginar que uma pessoa formada, por exemplo, em engenharia não poderia ser empregada numa indústria de semicondutores para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias em estado sólido. E isso é só um exemplo. O desenvolvimento de novos conhecimento e o acesso a eles deve ser livre a qualquer pessoa, não somente àqueles que portam um pedaço de papel.

Físico é profissão? Desvantagens imediatas e vantagens duvidosas.

Um argumento usado muitas vezes em defesa da regulamentação é que ela “criaria” oficialmente a profissão de físico no aspecto legal. Isso é mentira, inclusive ofensiva! A profissão de físico é reconhecida como ocupação trabalhista pelo governo como pode ser facilmente verificado numa leitura rápida:

Classificação Brasileira de Ocupações – Físico

Repito: físico é profissão. Regulamentar não é sinônimo de reconhecer.

Uma regulamentação vem imediatamente com um ônus: burocracia. É previsto a criação de conselhos federais e estaduais para controlar e legislar sobre o exercício da profissão. Isso também implica em dinheiro para manter essa estrutura, ou seja, teríamos que começar a pagar para exercer a profissão de físico no país. Burocracia tem que ser muito bem pensada e justificada, porque uma vez criada nunca mais se destrói. Essa burocracia, como venho tentando mostrar, não trás nenhum benefício.

Não estou dizendo que a organização de uma classe de trabalhadores não pode trazer vantagens. Claro que pode. E esse, no meu entender, é o papel da Sociedade Brasileira de Física. Se a SBF não funciona conforme os profissionais almejam (e não estou dizendo que este seja o caso), o que se deve fazer é mudar a SBF e não criar uma estrutura burocrática maior ainda.

Uma pretensa vantagem que uma regulamentação traria é a reserva de mercado e a garantia de um salário mínimo honesto para a profissão. Vou comentar mais sobre isso a seguir, mas a pergunta aqui é: reserva de mercado para que mercado? Regulamentar uma profissão e reservar o exercício aos portadores de um diploma não vão fazer vagas aparecerem de um dia para o outro. Isso é uma ilusão.

Engessamento das atribuições profissionais e empregos fora da academia.

A física tem mais uma característica que torna uma regulamentação complicada. Sua área de atuação é incrivelmente diversa e continua crescendo. O projeto de lei em questão justifica a regulamentação citando exemplos de aplicações modernas que não existiam 50 anos atrás. Por exemplo: econofísica, física médica, entre outros. Mas pela própria forma como ciência é feita, é provável que em 50 anos físicos atuem profissionalmente em áreas que nem existem hoje em dia. E então o que faremos? Físicos brasileiros não poderão trabalhar nessa área? Ou teremos que rever todas as leis num processo lento, engessado que só traria prejuízos? Minha impressão é que é nenhum dos dois, e que essa lei seria simplesmente ignorada. Novamente, gastos e nenhuma vantagem.

Engessamento profissional rapidamente se reflitiria nos cursos universitários que seriam também engessados para formar cada vez mais resolvedores de problemas daquelas áreas previstas na lei. Isso é ortogonal ao que eu entendo por ciência. Fazer ciência, fazer física é criar coisas novas. Novas idéias, novas teorias, novos experimentos, novas tecnologias, novas aplicações. Como que um projeto de lei pode determinar o que é novo?

Isso tem conexão imediata com outra argumentação em defesa da regulamentação: a inserção do profissional da física nas indústrias, ou mais geralmente, fora da academia. Várias vezes já ouvi dizer que no Brasil não há físicos fora da academia porque a profissão não é regulamentada. Antes de argumentar logicamente contra, deixa eu dar um contra exemplo. Essas mesmas pessoas concordam que em países de “primeiro-mundo”, como aqui nos EUA, essa inserção existe. De fato, eu vejo que muitos formandos do bacharelado em física vão para o mercado e não para academia (se você não acredita em mim, veja a estatística da AIP abaixo). E não há uma regulamentação da profissão de físico para garantir isso.

Trends in initial outcomes of physics bachelor’s 1995-2006

O que há é emprego e profissionais capacitados. A formação de um profissional da física para academia é muito diferente da formação de um profissional para o mercado. Se queremos realmente que físicos tenham mais empregos em indústrias, por exemplo, a primeira coisa que temos que fazer é ter cursos com esse objetivo em foco. Os cursos de física no Brasil, salvo poucas excessões, são extremamente acadêmicos (me parece, embora não conheça de perto, que os cursos da USP-São Carlos e da UNICAMP tem um carácter não-acadêmico). E isso é algo que vem de longa data, nossos professores foram formados assim e estão apenas repassando sua forma de ver física. Se queremos mudar isso, precisamos de uma política específica para mudar o perfil da formação profissional. Não de uma regulamentação.

Além disso, claro, precisamos de empregos. Não adiante nada ter profissionais capacitados se não há onde trabalhar. Nada que uma regulamentação vá criar. Uma regulamentação não vai criar empresas de tecnologia de ponta onde físicos podem trabalhar desenvolvendo novas tecnologia. Uma regulamentação também não vai criar novos centros médicos onde físicos pode trabalhar desenvolvendo técnicas de medical imaging. Física aplicada, no estágio do desenvolvimento atual da física, exige a criação de um tipo de mercado que ainda é muito pequeno no Brasil. Mais vale lutar pela criação de uma política pública de incentivo de criação desse mercado do que por uma regulamentação. Quando esse mercado existir, esses empregos serão naturalmente preenchidos pelo profissional mais capacitado. Essas atividades são muito caras e ninguém quer jogar dinheiro fora. Se o físico for o profissional mais capacitado, não há necessidade de uma regulamentação. Tal como não há em nenhum outro lugar do mundo onde esses empregos existem e onde físicos são empregados neles.

Responsabilidade social: o caso da física médica e da física nuclear.

Outro argumento dado pelas pessoas que defendem a regulamentação é que existem áreas de atuação do profissional da física que têm impacto em indivíduos tão direto quanto um cirurgião ou um engenheiro, para usar os mesmos exemplos de antes. Esses são casos muito pontuais, mas para manter a honestidade da argumentação vou discutir alguns dos casos mais comuns: primeiramente o do físico médico e do físico nuclear e depois do professor de física.

O físico médico tem um papel cada vez mais preponderante no sistema de saúde moderno. Não só em medical imaging, como já citei, que são cada vez mais importante para diagnósticos mais precisos mas também em tratamento com radioterapia e feixes de aceladores de partículas. Já com essas atribuições e com as novas que certamente surgirão no futuro, a responsabilidade social desse profissional é similar à de qualquer outro profissional da saúde. É natural então que essa atividade seja regulamentada. Pode ser uma surpresa, mas ela já é: uma pesquisa rápida no site da ANVISA retorna legislações como essa e outras que tornam obrigatório por lei a presença de um profissional com especialização em física médica nessas atividades de saúde.

Também foi natural a criação de cursos de bacharelado em física médica. Isso é o exemplo prático do que argumentei na seção anterior. É necessário que haja profissionais capacitados e é isso que esses cursos treinam. Perfeitamente válido. O que não é válido é regulamentar toda a profissão de físico, prejudicando uma série de outros profissionais para algo que já existe.

O mesmo vale para as diversas aplicações da física nuclear. O governo mantém inclusive registro dos profissionais credenciados a exercer essas funções que são regulamentadas pelo CNEN:

CNEN – Profissionais Credenciados

É provável que existam outras sub-áreas da física, muito bem determinadas, que necessitem regulamentação. E como cidadão, não como físico, luto por elas. Mas isso não tem nada a ver com a regulamentação da profissão de físico como um todo.

O caso da licencitura em física: LDB e falta de professores.

Para finalizar, gostaria de comentar sobre a questão dos professores de física. Esse é um assunto que merece certamente um artigo só para ele (na verdade, eu já fiz algo nessa linha aqui no blog quando comparei o sistema americano com o brasileiro). Acredito que o exercício da profissão de professor de física para o ensino médio e fundamental tem uma responsabilidade social tão grande quanto um físico médico ou um físico nuclear. Basta abrir os olhos para ver o desastre que é uma geração inteira mal educada cientificamente.

Algumas pessoas dizem que uma regulamentação poderia melhorar essa situação ao exigir por força de lei que apenas licenciados em física pudessem exercer o cargo de professor dessa disciplina . Novamente, isso é falacioso. Primeiro, o problema não é só com professores de física. O problema é com os professores de ensino médio e fundamental. Então é inútil buscar uma solução dentro desse subconjunto. Além disso, já foi previsto desde a Leis de Diretrizes e Bases de 1996 que apenas licenciados em cada discplinas poderiam atuar como professor.

Lei de Diretrizes e Bases – 1996
Decreto No 3.276 – 1999

No entanto, o início da aplicação dessa lei vem sendo postergado devido a imensa falta de professores. Eu acho que a solução desses problemas vem através de melhores salários. E eu também acredito que a união dos profissionais em organizações de classe torna a reinvidação mais forte. Só não vejo porque tem que regulamentar toda a profissão de física para fazer isso.

Responsabilidade legal: indústrias e geração de tecnologia (update: 11/04/2009).

O primeiro feedback desse ensaio foi no orkut:

Pois se não há um conselho para físicos, como ele pode ser responsabilizado por possíveis erros? É exatamente por isso que físicos não podem ir para indústrias!

Em uníssono com a resposta do Daniel (no link), insisto que físicos não vão para o mercado, ou especificamente para indústrias, porque ou não são o profissional mais competente ou não há vagas no tipo de indústria que temos. A idéia de promover mais parcerias escolas-indústrias no curso de física, algo que existe até certo ponto em outros cursos, é muito mais eficiente do que regulamentar a profissão. Na verdade, isso é uma rua de duas mãos: as indústrias ganham com bom profissionais e as universidades ganham porque as indústrias vão investir na infraestrutura de ensino e pesquisa. Uma regulamentação não vai fazer isso acontecer. Um norte na política científica e, principalmente, uma mudança de visão das pessoas que administram os centros de ensino e pesquisa, sim.

Sobre a questão de responsabilidade legal, pouco posso comentar. Mas posso comentar um pouco como eu vejo a dinâmica da produção industrial. Gerar tecnologia é diferente de produzir tecnologia. O objetivo de uma pesquisa numa indústria, onde vejo os empregos para físicos, é gerar tecnologias, criar algo novo. Toda a responsabilidade e risco dessa atividade é interna ao empreendimento. Produzir a tecnologia gerada é outra atividade, que é uma das grandes atribuições da engenharia. A tecnologia produzida chega ao indivíduo fora do empreendimento industrial e isso implica em responsabilidades legais que inclusive justificam apropriadamente a regulamentação da engenharia.

O caminho de qualquer grande projeto moderno é a multidisciplinaridade. Para dar um exemplo, nesse post sobre estatística (no vídeo), o palestrante comenta sobre a necessidade de ter pessoas com formação de estatístico analisando os dados do projeto genoma. Se você quer fazer algo realmente complexo, é improvável que apenas uma pessoa, no tempo limitado de vida que temos, consiga dominar com perfeição todas as proficiencias necessárias para o projeto.

É verdade, contudo, que há físicos querendo trabalhar com engenharia, querendo produzir tecnologia. Alguns inclusives devem possuir o conhecimento para tal. Como venho insistindo, não é um pedaço de papel que define o que você sabe ou é capaz de fazer profissionalmente. Essas pessoas têm impedimento legal de fazer isso pois o CONFEA/CREA só reconhece como engenheiro aquele formado numa graduação em engenharia. Isso é uma limitação deles, um erro eu diria. Mas não se conserta um erro criando outro.

Conclusão.

A conclusão é que esse projeto de lei é, no mínimo, despropositado. Eu iria além dizendo que ele é potencialmente danoso. Para a maioria das coisas já temos leis suficientes e não há necessidade de qualquer burocracia extra. Das coisas que precisam ser mudadas, a maioria não exige a adoção de novas leis pelo legislativo mas sim a adoção de novas políticas públicas pelo executivo. O máximo que essa regulamentação irá criar são novos orgãos públicos que servirão de mais cabides de emprego e ferramenta de manobras políticas.

É impensável imaginar que só a pessoa que fez um curso superior de física possa fazer física. Sou contra.

  1. sexta-feira, 10 abr 2009; \15\UTC\UTC\k 15 às 15:53:40 EST

    Um pedacinho de discussão sobre esse post apareceu no Orkut,

    alguns comentários sobre esse tema no Orkut.

    Com sorte o pessoal irá trazer a discussão pra cá.😉

    []’s.

  2. sexta-feira, 10 abr 2009; \15\UTC\UTC\k 15 às 20:17:36 EST

    Escuto essas discussões a alguns anos (bota ano!). Cheguei a participar de debates, mesas-redondas (ehehhhh, viu como sou um dinossauro. Mas fico contente que uma nova geração de físico, competentes, encarem essa enorme batata quente. Quando estava na ativa ( se é que um físico se aposenta ) a discussão acabava girando, girando e só sobrava egos e mais egos arranhados. A maioria das reuniões terminava com um: somos pensadores, não precisamos de nenhuma autorização oficial para espalhar o saber. Como vocês dizem: assim caminhava a humanidade naquele tempo.
    Descupem o desabafo do tiozinho aqui.

  3. osvald25
    sábado, 11 abr 2009; \15\UTC\UTC\k 15 às 07:48:16 EST

    Rafael,

    Gostei muito do seu texto, claro, bem escrito, concatenado e discriminou os principais pontos a serem discutidos sobre o assunto. Entretanto, no final você cometeu o “pior dos pecados”, deixou transparecer a polarização da sua opinião.

    Ok, concordo, estamos em um Blog, e todo post de certa forma (ou exatamente desta forma) é uma opinião pessoal (perdão, sou novo na Blogsfera, então desconheço as regras e costumes), mas no final do seu texto você foi passional, e isso comprometeu um pouco a discussão (não seu texto), pois isso assusta quem tem uma opinião divergente de entrar no debate.

    Eu sou bem tranquilo (mas defendo minhas idéias com unhas e dentes) em debates e sempre procuro conhecer pessoas talentosas que possam me influenciar positivamente e me apresentar uma visão que eu não possuia.

    Vou tentar ser neutro neste debate e apresentar os pontos os quais encaro de uma forma diferente. Farei isso em uma outra oportunidade, entretanto. Preciso organizar minhas idéias.

    []’s

    O.

  4. osvald25
    sábado, 11 abr 2009; \15\UTC\UTC\k 15 às 08:14:01 EST

    Primeiro ponto:

    No seu texto você expõe de maneira muito clara a necessidade de uma regulamentação, quando li esse trecho fiquei encantado e a expectativa foi grande, mas o que se sucedeu foi contido com um pouco de preconceito.

    Veja, eu concordo que o mais importante é a competência da pessoa, e não seu diploma, e concordo que o curso de física é basicamente (se não, puramente) acadêmico.

    Mas o que eu acho estranho é que algumas pessoas usam os EUA como base para definir o que seria o ideal no Brasil com certa arbitrariedade. Por exemplo, você cita no texto que físicos nos EUA vão em grande número para outras áreas que não a acadêmica, ok, muito bem, mas eles são um país desenvolvido, nós estamos em um país em desenvolvimento, não temos nem de longe a estrutura de incentivo à criação de tecnologia que eles possuem.

    Eu explicito isso, pois como você mesmo citou em seu texto, a necessidade de uma regulamentação é justamente ser árbitro do impacto social da profissao em questão. Perfeito!

    Mas o que me pareceu incongruente, foi você utilizar como argumento o fato de que um dos principais motivos para a regulamentação, a necessidade de um órgão responsável pela imersão dos físicos na indústria, seja uma rgumento furado!

    Isso para mim é claro, sem um órgão, um conselho, o físico não pode ser responsabilizado diretamente por suas ações, a não ser por processos de outra natureza.

    O CRM, o CREA e a OAB são órgãos que funcionam muito bem, e tomam decisões muito importantes, para o curso de suas profissões. Cito como exemplo a proibição da criação de novos cursos de medicina pelo CRM, e o mesmo partindo da OAB, e logicamente o exame da ordem.

    Na minha visão isso se faz necessário hoje em dia na física. Lembro que em um post sobre educação você cita um exame nos EUA que serve como funil para quem quer ensinar no ensino médio e fundamental. Você falou muito bem desse programa.

    Mas nesse texto de agora parece divergir de opinião. Você focou demais no que pode dar errado ao invés de tentar construir, e ver atitudes que podem ser tomadas em prol de nossa profissão.

    Outra coisa, você cita a criação de novas modalidades em física que não existiam tempos atrás, e mostrou um receio sobre o futuro de nossa profissão quando surgissem novas modalidades.

    Veja bem, esse não é um privilégio de nossa profissão, isso acontece também na Engenharia, no Direito, em Arquitetura, em Medicina. Eu cito para você exemplos: Direito do Petróleo, Direito Ambiental, Direito Aeroespacial. Na Medicina, hoje em dia a acupuntura foi reconhecida como prática médica, e pode ser exercida apenas por ortopedistas com treinamento básico nessa área! Temos também a medicina ocupacional (medicina do trabalho) que aliada à engenharia de segurança são peça chave no bem-estar dos funcionários de uma empresa.

    Hoje em dia com o desenvolvimento tecnológico, e o desenvolvimento de métodos de diagnósticos, descobrimos doenças e malefícios relacionados ao trabalho, de tempos em tempos. Por exemplo, o uso excessivo de computadores, a má postura no trabalho. Tudo isso já foi teoretizado, e é levado muito a sério pelos médicos, engenheiros e advogados, pois uma empresa pode receber penas graves se não cumprir as normas gerais de segurança! Vou citar (apenas) mais alguns, a engenharia de automação e controle, engenharia de produção, engenharia de alimentos, e a Geofísica!

    Agora temos a engenharia física, um híbrido entre essas áreas que pareciam tão distintas. Como já existe o CREA é óbvio que quem vai regulamentar essa nova profissão será quem? Mesmo que os IF tenham participação (e terão) fundamental nessa modalidade!

    Perceba que cada vez mais o físico está sendo levado para a marginalidade em nosso país. Hoje em dia somos reconhecidos apenas como um profissional que pode trabalhar em TI, nem podemos mais prestar concursos públicos para a petrobrás na área de geologia e/ou geofísica, mesmo tendo um doutorado em área correlacionada!

    Vou guardar a física médica para um comentário posterior…

  5. osvald25
    sábado, 11 abr 2009; \15\UTC\UTC\k 15 às 08:32:48 EST

    Uma errata, quando falei do exemplo da acupuntura e da medicina ocupacional, citei o Conselho Regional de Medicina (CRM), na verdade o órgão que queria citar era o Conselho Federal de Medicina (CFM) que como o nome indica é um órgão até mais relevante que o CRM…

  6. domingo, 12 abr 2009; \15\UTC\UTC\k 15 às 17:04:48 EST

    Concordo com o Rafael. Até agora não vi nenhuma vantagem em regulamentar a profissão, mais burocracia a toa.

    Engraçado que os que querem a profissão regulamentada são os mesmo que reclamam tanto da burocracia no Brasil. Isso sim é incoerência!

  7. osvald25
    segunda-feira, 13 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 16:57:46 EST

    Pô, eu gastei um tempão tentando analisar ponto a ponto o post do Rafael, critiquei, dei minha opinião, tentei ser imparcial. Não sabia que era Lado A vs Lado B…

    Ser contra a regulamentação eu também sou (mas tenho mixed feelings ainda), mas eu tento ser racional, e analisar friamente todos os pontos de vista e aspectos.

    Me pediram para expor aqui o que eu achava, eu já era contra, pois esse tipo de assunto sempre termina engrossando o caldo.

    Se for pra fazer enquete de quem é contra e quem é a favor, eu me retiro do debate…

  8. Leonardo
    segunda-feira, 13 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 22:18:36 EST

    Osvaldo,

    Eu acho que o exemplo da acupuntura um pouco ruim, porque na realidade foi uma medida corporativa dos médicos, e não devido a uma atualização da Medicina. Do ponto de vista da Medicina, acupuntura é um placebo, e todos os resultados ou são negativos ou inconclusivos. Tem que ter muita esperança de vida para encontrar nos inconclusivos uma ponta de viabilidade na acupuntura. A técnica nem se quer faz sentido fisiologicamente, não tem nada na fisiologia que diz que se você furar aqui e ali nos tecidos que vai ajudar a tensão muscular, ou o que for.

    O que aconteceu com a acupuntura foi uma espécie de “vamos trazer essa alternativa que não funciona para baixo da nossa asa para garantir o mercado”.

    De resto, não invalida o seu argumento de que, de fato, não é um privilégio da Física sofrer atualizações🙂 — Quis no momento só fazer um comentário pontual sobre acupuntura.

    1o ponto do O.: um órgão como CRM ou CREA para a Física per se não seria útil para imersão dos Físicos na indústria, tanto assim o é que a maioria das profissões não são regulamentadas e tem sua participação no mercado. Não existe regulamentação de Cientista da Computação, Analista de Sistemas/Segurança/Redes. Flaneliha é uma profissão regulamentada, e nem por isso a regulamentação organizou a categoria ou trouxe qualquer melhoria🙂

    Uma avaliação dos formados não precisa vir de um órgão regulamentador. Na verdade, deveria vir da própria universidade, de uma exigência de qualidade mínima do que a universidade faz.

    • osvald25
      quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 08:51:36 EST

      Leo,

      Para que uma prática médica seja considerada legal, é necessário que o Conselho Mundial de Medicina a reconheça, reconheço que ainda não se conhece o mecanismo deste tratamento, mas a dizer que é placebo acho derrogatório, pois esta prática já foi aceita em Conselho Médico, e acho mais infeliz ainda tratar decisões desta natureza como “atitude de caráter dúbio”.

      Os médicos são mais céticos ainda do que nós físicos, e os conselho médico age de maneira responsável e punindo quem atua com má fé, portanto se um conselho federal e um mundial aceitaram tal prática, ela deve ter seu valor.

      Já conversei com profissionais da área, e a acupuntura tem sim oferecido resultados positivos (pelo menos não fere) em tratamentos de doenças ocupacionais, cefaléia, má postura, pressão alta, etc.

      Em relação à profissão de flanelinha: Se a regulamentação não ajudou ou se ainda não ajudou, isso é um caso pontual, pois temos tantos conselhos de outras profissões que atuam com integridade e competência.

      Um contra-exemplo, o caso dos estivadores, no século passado, quando a atividade portuária teve seu ápice no Brasil, os estivadores trabalhavam em regime de “dunping-social” (exatamente como os workshops chineses), eles se uniram e formaram sindicato regularizador, e com muito empenho conseguiram benefícios para profissionais da área.

      Veja bem, fazemos parte de um país em desenvolvimento, somos república a tão pouco tempo, não faz muito mais que vinte anos tivemos até plebiscito para adoção do tipo de regência! Estamos caminhando a passos lentos, mas estamos caminhando.

      Eu tenho uma visão otimista das coisas (talvez seja um defeito ou inocência), mas eu tenho paciência para esperar bons resultados.

      E perceba, a atuação do flanelinha não apenas começou como atividade não regulamentada, mas como atividade marginalizada e ilegal!

      Então vamos procurar ser objetivos e analíticos em nossos julgamentos, pois pelo meu ponto de vista, o ato de regulamentar algo que antes era ilegal, é um grande passo!

      O fracasso de um não exclui o sucesso de outrem!

      • quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 09:22:24 EST

        @ Oz,

        Sem querer me preender ao debate de acupunturas, flanelinhas ou estivadores — até porque já pratiquei muito kung-fu com flanelinhas e estivadores e já peguei muito ‘pressure point’ pra desconfiar da acupuntura😉 —, tem uma coisa nesse discurso todo da “regulamentação” que me incomoda pessoalmente: Divisão classicista! Muita hora nessa calma…

        Eu acho que colocar esse problema no âmbito de “luta de classes” é um dos piores erros que podem acontecer: esse é um conceito atrasado e superado há anos! (Eu poderia citar livro em cima de livro, mas tenho certeza que vc pode encontrá-los todos sem eu precisar ficar aqui ensinando o vigário a rezar.😉 )

        Veja, falando num contexto histórico: luta de classes só existe quando as diferenças entre as diversas camadas sócio-culturais são tão demarcadas que chegam a formar vincos no tecido social, impedindo a movimentação social (quer seja horizontal, quer seja vertical). Comparando com um “gás ideal” (assumindo que o “potencial esfera-dura” seja uma boa definição para “indivíduo”, i.e., “unidade social”), é como dizer que não há um “equilibrium steady state”, onde todo tipo de movimentação existe; seguindo a metáfora, “classes” seriam análogas a “fases”, e esse “impedimento a mudança social” seriam as “transições de fase” (porém, no quesito “classe social” — como ele é usualmente definido —, essas transições de fase teriam “capacidade térmica infinita“, ou seja, é simplesmente impossível de se movimentar entre uma fase e outra, o “thermal buffer” é intransponível).

        E, pessoalmente, eu acho isso um absurdo: não existem mais sistemas rígidos assim — nem no Brasil. Aliás, tamanha rigidez só é conseguida através de mecanismos totalitários — daí a razão pro que aconteceu com a revolução soviética.

        No Brasil, por pior ou mais difícil ou mais complicada ou intrincada que seja a situação, eu acho que “regimentar” sobre ela é um passo pra trás. Veja, como o Rafa já falou e já linkou no texto, JÁ existe uma DEFINIÇÃO da PROFISSÃO de Físico — o que anda impedindo o progresso nessa direção é, portanto, IGNORÂNCIA de diversos setores da sociedade e MOTIVAÇÃO governamental (i.e., vontade política) pra se mudar essa situação.

        Não é uma regulamentação (à la Barçante-Crivella ou SBF) que vai mudar esse cenário, infelizmente.

        Por outro lado, uma expressão cívica, uma organização cívica de Físicos, poderia muito bem mudar essa visão limitada e pobre que a sociedade tem. E há diversos meios e instrumentos pra isso: DIVULGAÇÃO científica, parcerias escola-indústria, artigos de opinião em jornais (conhecidos como “Op-Ed”), etc, etc, etc… ou seja, uma organização cívica ASSUME sua RESPONSABILIDADE SOCIAL!

        Mas isso é estupidamente diferente de “regulamentação” (aquém do que já existe na legislação) ou de reserva de mercado ou de qualquer outra proposta que seja tacanha suficiente pra querer promover uma volta a algo que já não existe mais. Soluções atrasadas não podem consertar o futuro, muito menos dar flexibilidade à modernidade.

        Nesse sentido, vc vê que minha retórica (i.e., a lógica que eu expus pra conectar os fatos acima) se aplica a todos os pontos que vc levantou no seu comentário acima.😉 Portanto, eu a considero suficientemente robusta.😎

        []’s.

    • osvald25
      quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 08:59:41 EST

      “Uma avaliação dos formados não precisa vir de um órgão regulamentador. Na verdade, deveria vir da própria universidade, de uma exigência de qualidade mínima do que a universidade faz.”

      Esse seria o ideal, concordo com seu ponto. Mas vivemos em um país no qual o idealismo não faz parte. Ainda somos um país em desenvolvimento, e não temos uma cultura própria, adotamos as culturas alheias.

      Em parte essa “origa cultural” tem seu valor, pois a diversidade pode parecer deveras atrativa aos olhos de turistas, artistas, antropólogos, etc. Mas nos falta no meio disso tudo os costumes da educação, ainda estamos caminhando em direção a isso. Veja, ainda discutimos coisas como cotas para faculdades, agora que estamos dando os primeiros passos que países (recentes porém desenvolvidos) como os EUA deram a um ou dois séculos atrás!

      A diversidade geopolítica em nosso país é tanta, que cobrar essa competência à Universidades é infactível! Deixe-me explicar, isso até seria possível na região Sudeste, mas o que falar de regiões como o Nordeste e Norte?

      Na minha opinião essa atitude deveria vir da SBF, e legislar realmente nossa profissão. Exigindo testes de proficiência para recém-formados e para quem quisesse lecionar no ensino médio e pré-vestibulares. Algo análogo ao Exame da Ordem no Direito. Um alvará para exercer a profissão de Professor, pelo menos.

      Outro ponto que considero de ampla importância, é a separação da atividade de pesquisador em ciência básica e professor universitário, já está mais do que claro que estas duas atividades são distintas (e muitas vezes ortogonais, e infelizmente por limitações pessoais, pois temos muitos pesquisadores de renome mundial que são exímios educadores!).

      • quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 09:36:09 EST

        @ Oz,

        Ihhh… antes de falar na distinção entre pesquisador e professor… é melhor nos concentrarmos na SBF: essa idéia de agir em semelhança ao que é feito pela OAB é algo que me ressoa comigo.

        Aliás, IMNSHO, eu acho que o Exame de Qualificação poderia muito bem ser usado pra esse fim: é um exame cujo conteúdo se restringe aquele coberto na graduação e, atualmente, já está até unificado em algumas instituições (USP-IFT-UNESP).

        Vc tem razão com respeito as diferenças geopolíticas do nosso país… mas, tanto a Rússia quanto a China quanto a Índia são países que também lidam com esse tipo de problema [geopolítico], não?! (Pra usar apenas exemplos comparáveis ao nosso — senão, chutava logo o Canadá… mas aí é sacanagem😉 ) Portanto, eu acho que a gente pode lidar com isso sim… claro, não de modo totalitário e anti-democrático como ainda é feito (mesmo que sob um véu rosado) em alguns lugares, mas duma maneira que, apesar de não ideal, pode muito bem nos encaminha em direção ao futuro.

        Uma sugestão nessa direção seria alguma forma de descentralização da autoridade federal, dando aos Estados uma maior autonomia. (Claro, essa “cascata de descentralização” não precisa parar na organização do Estado, pode ser algo Municipal ou até Distrital… como, e.g., é feito nos USA: um país grande, com diversidade geopolítica tão vasta quanto o Brasil, e que descentraliza o poder para flexibilizar a administração.)

        Mas… agora já tá chegando na minha hora de trabalhar…😉

        []’s.

  9. Paulo
    terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 00:12:33 EST

    Achei o post do Rafael interessante, porém extremamente parcial e sem estar de acordo com a realidade.
    É óbvio que físicos não são contratados pela industria porque não existe uma regulamentação. No modo como as coisas estão, existe a necessidade de reserva de mercado para profissionais como físicos sim.
    Basta observamos certos cargos de Estatais em certos editais ou até mesmo seleções de estagios, alguns adimitem matematicos e engenheiros, mas não físicos. Não consigo imaginar uma area em que um engenheiro e um matemático possam trabalhar, mas não um físico?!
    É óbvio que uma regulamentação iria definir esses limites. Eu me formei em física e tenha certeza de que tenho plena capacidade para trabalhar com Engenharia.
    A questão é, vcs já viram alguns anuncio de estágio ou contratação de profissionais com graduação em física para cargos que não sejam de professor ou programador?!
    Bem, eu e os físicos que conheço realmente raramente encontramos isso. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro.
    Eu não fiz faculdade de informática ou programação, fiz Física, e tenho plena ciência que minhas capacidades e do que se formaram comigo vão bem além disso.

    PS.: Achei o post do Osvald mais coerente com a realidade do Brasil.

    • terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 05:13:57 EST

      @ Paulo,

      Eu tenho uma única pergunta: “Por que é ‘óbvio’ que Físicos não são contratados por causa da falta de regulamentação?”

      Confesso que esse ponto sempre me pega, é meu ‘mata-burro’ (sabe aquelas valetas que o pessoal põem pra limitar o caminho que os burros andam? — burro não pula, então, fica fácil).

      Eu explico: essa coisa de “reserva de mercado via legislação” não acontece em nenhum dos lugares que eu conheço, do Japão à Inglaterra, da China á Grécia. Eu até convido vc (e quem mais quiser) a pesquisar e verificar minha afirmações — já linkei pra muito disso em algumas discussões no Orkut.

      O que eu, pessoalmente, vejo acontecer (inclusive, e mais pertinentemente, nos países do BRIC) é criar-se uma necessidade estratégica para o país, e.g., parcerias escola-empresa, geração de tecnologia, e daí pra frente. Um Intel, AMD, IBM, Bell Labs, essas companhias não podem ficar sem gente treinada pra trabalhar! Esse é o real significado de “importar tecnologia” — não as besteiras que aparecem na Globo.😛

      Então, enquanto não houver uma necessidade nacional, interessa nacional, PLANO de NAÇÃO (!), isso não vai mudar… ou vc realmente acredita que se cria empregos via legislação? Os únicos empregos criados por lei são empregos públicos, que não são o caso sendo discutido aqui.

      Quanto aos editais públicos que vc mencionou, de fato, eles não implicam na regulamentação da profissão de Físico… até porque, pelo que me consta, matemático também não é profissão regulamentada (vc já foi verificar isso?) — apesar de “estatístico” o ser.

      Então, se vc pudesse me mostrar o porquê da situação ser assim tão “óbvia” — a ponto de me cegar e por um mata-burros no meu caminho — eu agradeceria bastante.

      • Paulo
        terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 19:02:06 EST

        Respondendo a sua pergunta, um dos motivos porque a regulamentação é necessário, é o exemplo do Engenheiro de Botequim que eu dei mais abaixo.

        Outro exemplo, é que existem profissionais trabalhando em areas que físicos deveriam estar trabalhando.
        Há um tempo atrás li uma reportagem em um jornal virtual interno da UFRJ, chamado de Boletim Virtual, nesta reportagem um funcionário da Eletronuclear dizia que atualmente existem muitos profissionais mistos trabalhando na Empresa na area nuclear, como físicos por exemplo. Pois segundo esse funcionário, que certamente ocupava cargos de chefia, quem deveria estar trabalhando em cargos da area nuclear eram engenheiros nucleares e não fisicos ou outros profissionais.
        Realmente me senti ofendido ao ler isso!

        A UFRJ inclusive planeja criar o curso de Engenharia Nuclear para atender a essa demanda.
        Não sou contra engenheiros nucleares trabalharem com a area nuclear, mas sou contra apenas engenheiros trabalharem com essa area.

        Outro exemplo que uso para ilustrar isso, vem de cunho pessoal, tenho um amigo engenheiro. Quando pergunto sobre o que ele faz no emprego dele, vejo muitas vezes que qualquer fisico poderia fazer aquilo, e pq não faz, na mesma empresa que ele trabalha? Não sei!!!!

        Mas uma idéia me veio e me vem a mente: Quem contrata esse profissionais para essas empresas? Geralmente agentes ou profissionais de recursos humanos, que com certeza devem ter feito faculdade de administração ou recusos humanos ou até mesmo engenharia… ah tá, a questão é: Será que os responsaveis pelas contratações de profissionais em empresas sabem o que um físico pode fazer?!
        Em empresas grandes como petroquimicas esses serviços geralmente são terceirizados para empresas de recursos humanos!
        Voltando a questão… Onde está escrito o que um fisico pode fazer?
        Quem sabe o que um físico pode fazer, se não os próprios fisicos! Ou será que profissionais de outras areas sabem o que físicos podem fazer? Realmente não acredito nisso!

        Em um stand para inscrição em estagios numa feira da UFRJ, uma chefe de recursos humanos de uma empresa de petroleo, se não me engano, me informou que não sabia o que um físico podia fazer.
        Num stand ao lado desse, da marinha, um capitão (ou tenente, sei lá) responsável pela inscrição de estagiarios, me informou que não sabia onde físicos poderiam trabalhar na Marinha a não ser em educação. Mais tarde em uma pesquisa pessoal, descobri pela internet que a Marinha possui um centro de pesquisas cuja uma das pesquisas é em Física de Materiais, para trabalhos com guerra eletronica.

        Agora a conclusão: Será q uma lei definindo publicamente qual a area de competencias dos físicos não iria evitar essas ignorancias de profissionais de RH (recursos humanos) cujas responsabilidades são justamente a de contratações?
        Acredito que sim, pois com certeza esses profissionais de RH teriam um local base para definir os perfis dos profissionais que deveriam contratar!

        Espero ter esclarecido um pouco as coisas com argumentos práticos!

        Paulo.

        • quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 04:19:04 EST

          @ Paulo,

          Começando de trás pra frente: Se a mera existência duma lei servisse pra coibir ou motivar qualquer coisa, por exemplo, nunca haveria ladrões, ou estelionatários ou nada que violasse a lei! Logo, essa idéia de que a mera existência duma lei vai, de alguma forma, resolver o problema, é furada. Fora isso, vc está cometendo o mesmo erro que muitas pessoas cometem nessa discussão — portanto, eu recomendo que vc realmente LEIA o que o Rafael escreveu: existe isso que vc quer, i.e., uma LEI que DEFINE a PROFISSÃO de Físico! A tal regulamentação tem outro tipo de papel legislativo — e me parece que POUCAS pessoas têm notado essa distinção. Então, pra vc poder participar dessa discussão com conhecimento do que realmente está acontecendo, eu recomendo que vc releia o post, seguindo as referências — não essa leiturinha diagonal que parece estar sendo exibida pela sua linha de argumentação.

          Quanto a minha pergunta, eu sinto muito, mas vc não respondeu absolutamente nada: casos (isolados ou não) de ignorância como esses que vc citou, eu conheço aos montes, assim como também conheço casos onde isso não acontece — portanto, isso não prova absolutamente nada (a menos, claro, do fato que vc parece não conhecer casos bem sucedidos, o que é uma pena), e certamente não torna nada “óbvio”.

          Como vc vê, não tem nada esclarecido, aliás, como poderia, se vc parece nem conhecer as leis atualmente vigentes (que, digasse de passagem, estão linkadas no texto principal)? E é absolutamente impossível de se lidar com uma situação se nem os fatos concretos são conhecidos…

        • Edvan Sousa
          domingo, 4 jul 2010; \26\UTC\UTC\k 26 às 10:08:35 EST

          Olá Paulo,
          Devo admitir que seus exemplos são, de fato, o que ocorrem na prática no mundo do trabalho. Nos somos um belo exemplo de “ilustres desconhecidos” capacitados a trabalhar em áreas distintas, somos negligenciados por não entenderem a dimensão de nossa formação. A maior culpa, em minha visão, é a não existência de um conselho de classe, e aí retomo suas falas, áreas sem regulamentação são nichos abertos e mal remunerados no mercado de trabalho. A Petrobrás, deu um bom passo ao contratar físicos, mas esse “movimento” não vingou por parte de outras empresas. Devemos sim nos regulamentar e assegurar nossa fatia do mercado, pois o que eu tenho visto em demasia é a migração de jovens físicos talentosos para as áreas jurídica e engenharias, atraídos pelos bons salários e possibilidades de emprego bem definidas. Resido no Nordeste do país, especificamente em Sergipe, se a situação está ruim no Sul ,Sudeste e Centro Oeste, quiçá em outras regiões do país. É quase um crime orientar um jovem a cursar física bacharelado – desculpem esse desabafo. Outro crime é a omissão da SBF e órgãos competentes nessa briga que é da classe.Por fim, maior omissão dá-se localmente, pois nosso “mestres” desconhecem e evitam , na maior parte dos casos, discutir tão importante tema. Por outro lado, se há a discussão, esta não avança para a tomada de decisões e movimentos organizados com este fim.
          Termino expressando meu descontentamento e decepção quanto a formação que adquiri, as custas de muita transpiração – sou físico Bacharel. Desde minha formatura, nunca lecionei disciplinas de física, sempre em áreas correlatas, o que me fez cursar outra graduação, pois área sem regulamentação é assim: baixos salários e poucas vagas de trabalho.
          Se me perguntassem que curso indicaria para um jovem promissor, ficaria em dúvida, mas garanto que não seria física.
          Desculpem-me por meu desabafo.
          Att,
          Edvan Sousa

    • Leonardo
      terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 11:39:55 EST

      “É óbvio que físicos não são contratados pela industria porque não existe uma regulamentação.”

      É óbvio por quê?

      Os físicos são contratados na indústria, pelo menos o que tem algo a contribuir. Eu tive professores no IFUSP que já tinham trabalhado na indústria, e também há gente até famosa no IFGW com participação na indústria.

      A regulamentação não tem nada a ver com edital de concursos públicos, isso é uma falácia. A maioria dos cargos públicos são para profissões não regulamentadas.

      • Paulo
        terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 19:52:22 EST

        A questão de ser óbvio, respondi acima para o Daniel.

        Quanto a questão levantada por mim, e talvez eu tenha me expressado mal, não é o fato de que os Físicos não são contratados pela indústria, mas o fato de que não são contratados em quantidades que deveriam ser.
        Pois o trabalho para o físicos existe!
        Mas outros profissionais ocupam seus lugares, e muitas vezes por causa da definição de competencias regulamentadas por lei desses outros profissionais, e que se assemelham com o que os físicos podem fazer.

        Eu também já tive professores que trabalharam em indústrias, mas a quantidade é tão desprezível, que nem pode ser considerada. Isso quando os que trabalharam, não foram chamados para trabalhar em algo que era exatamente uma extensão do seu trabalho de doutorado.

        Não acredito que Físicos possam somente trabalhar com pesquisa. Isso é um “pré-conceito”. Acredito que físicos possam trabalhar em areas aplicadas, assim como matematicos.

        Quanto a questão de editais, vamos falar da petrobras, porque físicos não podem trabalhar com geofisica? geofisica é tão diferente assim de física?!

        No edital de 2007 da Petrobras (sugiram que vejam na propria pagina da Petrobras no link: http://www2.petrobras.com.br/Petrobras/portugues/empregos/pdf/ED_1_2007_PETROBRAS.pdf), tinhamos o cargo de Analista de Comércio e Suprimento em que Administradores, Economistas, Estatisticos, Engenheiros (qualquer especialidade) e até Químicos podiam exercem, mas não Físicos ou Matemáticos! Qual a semelhança de Administração com Química ou até mesmo com qualquer especialidade da Engenharia, visto que este cargo admitia tanto engenheiros elétricos quanto engenheiros navais!

        É o óbvio que o que este cargo necessita é de profissões com uma boa base matemática, até porque existirá depois o curso de formação da própria Petrobras durante a contratação que ensinará como a pessoas deverão executar seu cargos!

        Outro pensamento é o que esse cargo exige uma pequena base de administração, mas qual a base de administração que um bacharel em química possui?
        Mas eu pergunto, porque profissionais tão distintos são aceitáveis (com certeza devido a sua base matematica) e Físicos e Matemáticos não o são?

        Novamente levanto a questão da regulamentação e a explicação dada na resposta dada por mim ao Daniel.

        Nesse mesmo edital, existe o cargo de Analista de Pesquisa Operacional, que pertence a area de Engenharia de Produção. Neste sim, admitem Físicos, assim como tambem admitem físicos nos cargos de Informática!

        Oras, qual o critério adotado por eles para a definição desses cargos?

        Mais uma vez levanto a bandeira que a regulamentação da profissão, não só de físicos, mas de matemáticos e analista de sistemas, etc, iria fornecer mais empregos a profissionais que possuem competencia e habilidade para exerce-los!

        Esse exemplo da Petrobras foi apenas um dos que vejo no vários editais de estatais em que pesquiso!!

        Complemente isso ao que eu postei ao Daniel acima!

        PS.: Por ironia ou não do destino, os cargos em que admitem Físicos, tirando os de Informática (em que os analistas de sistemas levarão vantagem visto o grau de conhecimento para a realização da prova de tais cargos) são os que menos pessoas são convocadas!

        Paulo.

        • quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 04:28:54 EST

          @ Paulo,

          O fato de haver esse viés, e das agências regulamentadores de algumas profissões fazerem um lobby feroz, não implica em dizer que a única solução possível pra essa situação é a criação de outra agência regulamentadora que vá fazer outro lobby pra ser tão feroz quanto o anterior!

          Portanto, esse assunto, assim como tantos outros, é puramente político: as leis e, portanto, os instrumentos legais necessários, JÁ existem (e estão linkados no texto, basta vc ler), a regulamentação é sobre a criação duma agência que, com sorte, fará esse lobby — ao invés de ser apenas mais um reduto de outro sindicato disfuncional.

          Mais uma vez: esses instrumentos políticos não existem em DIVERSOS países desenvolvidos ou em desenvolvimento. E eles empregam Físicos numa boa: Rússia, Índia, China, USA, Canadá, Japão, etc, etc, etc… Querer esconder a real função dessa tal “regulamentação” por detrás de algo que a atual legislação já faz, é uma tática sórdida e imoral.

          • Paulo
            quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 23:05:25 EST

            Daniel,

            Respondendo a esse e os posts acima, a questão da lei que eu abordo, sim com certeza é a do papel, mas também muito além disso. Quem conhece essas definições do Ministério do Trabalho? Devo confessar que eu não as conhecia! Mas também não quero ser arrogante a ponto de afirmar que ninguém a conhecia.

            Porém, quando falo em lei, quero ir mais além, quero também abordar a criação de um Conselho Regional ou Federal. Alguém que faça um lobby dos Físicos da forma mais feroz possível sim!!
            O Brasil é assim! As coisas aqui funcionam assim!
            E não adianta esperarmos vontade política dos governantes ou esperar a mudança de atitude do empresários e mudanças de pensamento, etc…

            Enquanto a gente espera isso, quantos Físicos vão ficando ao “léu” ou até mesmo desempregados… sim porque não podemos só pensar somente naqueles que querem fazer pesquisa ou dar aula, o que para esses o mercado é amplo!

            Lembrando que quando falo nesse paragrafo ai em cima, não quero ser ofensivo, mas quero falar que físicos podem e tem a capacidade além de salas de ensino e institutos de pesquisa.

            Você tem citado muito outros países, mas eu queria frisar que aqui é Brasil, a realidade é outra…
            Aqui a coisa só funciona no grito, no mandado judicial, etc. Sim, há casos em que não é assim, mas se você quiser ser ouvido de forma concreta, esse é o único caminho!

            Aqui se você não for pra rua gritar, pintar a cara e levantar bandeira, ninguem vai tirar o Presidente.
            Se você não dormir em porta de Reitoria, o Reitor não vai se movimentar pra abrir o bandejão.
            Se você não fizer greve de ferroviarios pra evitar que trens velhos e sucateados matem trabalhadores voltando pra casa, a Supervia não vai se comever e trocar os trens (me refiro a greve de ferroviarios que está acontecendo no Rio de Janeiro).
            Ou seja, a realidade aqui é essa, infelizmente, e isso não precisa ser provado, porque é o que vemos no dia-a-dia.

            Uma coisa é eu, o Paulo ir abrir um processo contra a Petrobras reivindicando que físicos podem trabalhar lá sim e etc. Outra coisa é o Conselho Regional (ou Federal) de Física abrir um processo contra a Petrobras reivindicando que físicos podem trabalhar lá sim e etc.!

            Se o Conselho Regional de Física tiver que fazer lobby e ser feroz, se ele tiver que funcionar como um sindicato que defenda os físicos, que assim o seja!
            Mas o que não pode é a situação continuar como está pros Físicos. A gente rala pra caramba pra fazer uma faculdade dificil e extremamente trabalhosa, pra no final das contas outro profissional tomar um vaga que nós físicos também poderiamos executar.

            Se o Ministério do Trabalho tiver que fiscalizar a Esso ou um Hospital, (em conjunto, ou baseado no Conselho Regional de Fisica), pra perguntar porque tem outros profissionais ocupando lugares que eram pra ser de fisicos, então que assim o façam.

            Ou então a gente pode esperar casos como o da Petrobras (que serve apenas como um exemplo dentre inumeros outros que não citei aqui) se repetirem mais e mais vezes e simplesmente os tratarmos com “vies” enquanto os politicos e empresarios vão mudando suas mentes em relação aos Físicos e o fisicos irem ficando cada vez mais “marginalizados” dentro do mundo profissional brasileiro!!!!

            Sim, porque a SBF atualmente é um ponto morto nessa questão, tá mais pra clube de Físicos do que pra Sociedade Brasileira de Física.
            Pessoalmente, e isso é uma opnião minha, a SBF tinha era que ser extinta ou então virar um clube ou algo do tipo.

            Não sou sindicalista e nem politico, nem socialista ou algo do tipo, inclusive acho q nunca me envolvi com politica (não que eu me lembre…), mas a questão é q se nós não brigarmos pelo que acreditamos e queremos com as armas que são eficazes dentro da realidade em q nos encontramos. Então muito pouco das coisas que lutamos, surtirá algum resultado.

            Por isso continuo defendendo a regulamentação!
            Com a criação de um Conselho, como deveria de ser!

            Paulo.

            • quinta-feira, 16 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 05:58:11 EST

              @ Paulo,

              Se vc honesta, real e genuinamente acredita que foram os “cara pintada” que tiraram o Collor do poder… então, definitivamente, não tenho como continuar esse debate.

              Vc não precisa querer me ensinar história do Brasil, eu a conheço muito bem. Também não quero aprender essa sua noção de “civismo”, que vaza das entrelinhas do seus comentários: se a população é composta duma turba de bárbaros, lutar com as mesmas armas é se tornar tão bárbaro quanto eles — e esse certa e definitivamente não é o caminho para o futuro. Isso é usar as idéias do passado pra “se garantir”, pra “tirar vantagem”, deixando o problema original ainda aí, pra ser resolvido depois. Ou seja, não passa da mesma coisa que vem sendo feita no Brasil desde a sua descoberta: todo mundo empurra co ma barriga, com uma retórica como essa sua — aliás, freqüentemente as vozes mais altas no meio da multidão, aquelas que reclamam mais sobre o “estado do Brasil”, são essas como a sua, que não querem trabalhar pra mudar o país, mas apenas se livrar da “batata quente”, do problema, o mais rápido possível.

              Eu, pessoalmente, me nego a me livrar do problema, assim como me nego a aprender “civismo” dessas suas linhas, assim como me nego a ser mais um “carregador de bandeira”, outro “cara pintada”, achando que vou “salvar a comunidade dos Físicos através da libertação messiânica dessa regulamentação” e, ainda por cima, como subproduto, colocar os proponentes dessas regulamentações como “mártirs” dessa saga toda!

              Eu sou um cientista, portanto eu procuro por caminhos racionais e lógicos pra resolver um problema. Eu não quero “livrar a minha pele” e “garantir minha fatia no mercado de trabalho”, eu quero resolver um problema sistêmico no Brasil! Aliás, é por isso que eu dou exemplos de lugares que não só já resolveram essas questões, mas que o fizeram de modo muito superior e mais avançado do que essa discussão tem sido feita.

              Apesar de vc ter todo o direito a sua opinião, a fraqueza da sua retórica e dos seus argumentos é absolutamente patente. O que é uma pena, dado o grau de vocalidade que vc parece ter. Infelizmente, uma boa parcela das opiniões que tem se ouvido por aí são como essas suas, e deixam muito a desejar.😥

              • Paulo
                quinta-feira, 16 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 12:12:45 EST

                Daniel,

                A questão do Collor foi apenas um exemplo ilustrativo, assim como o pedido do povo Brasileiro para que o Brasil fosse a Segunda Guerra. Estavam embutidos interesses até mais fortes por trás, interesses politicos, economicos, de midia e até estrangeiros, claro.

                Mas o que quero ressaltar é a atitude das pessoas frente aquela situação… não importa se foram manipuladas ou não. Cada um é livre pra pensar e pensa se quiser… mas poucos tomarão alguma atitude.

                O que eu quero levantar aqui, é o que já disse e reafirmo: Se em uma questão, só um lado apanha (ou só um lado levanta um lobby), então não há solução!
                Se só um lado tem a espada, então ainda não há solução!
                Quando os dois lados tiverem a espada ou o lobby feroz, ai sim poderão conversar e evoluir para uma coisa melhor.
                Enquanto há desigualdade, não tem conversa. Ninguem espera a cabeça dos outros mudarem enquanto tá apanhando. Enquanto se está apanhando quer é sair dessa situação. Você pode chamar isso de ser barbaro, mas é a realidade.

                Se as pessoas responsaveis por esse livramento serão martires eu não sei, mas pelo menos troxeram uma solução ainda que temporaria para que se pudesse posteriormente evoluir para algo melhor.

                As coisas se constroem assim, com erros e acertos, primeiro se parte pra um caminho que resolve aquele problema, mas cria outros, depois se resolve aquele novos problemas e por ai vai. Em física, em quimica, engenharia nós fazemos assim não é mesmo?!

                Mas se eu for querer ir pro certo direto, e pra isso eu ter que esperar a cabeça dos outros mudarem, então a gente vai demorar muito tempo até resolver tudo.

                Novamente afirmo, e não quero ser ofensivo, mas a realidade aqui no Brasil, atualmente é essa! Se você quiser se cavalheiro quando se trata de questões economicas e até politicas, então vai se sempre ficar pra trás.

                Espero e tenho muita fé que num futuro isso mude. Mas enquanto não muda, temos que lutar com as armas que temos.

                Esse pensamento de ser cientista e tratar as coisas de modo logico e racional, existe enquanto não cortam a bolsa da nossa pesquisa ou cancelam nosso projeto e nos despedem. Porque depois que fazem isso ai a historia com certeza muda, embora nós afirmemos de pés juntos que não muda.

                Paulo.

      • osvald25
        quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 08:16:24 EST

        A questão é que os físicos sempre contribuem de maneira subestimada! Eles não podem de fato ter “hands on”, por que não possuimos uma regulamentação.

        Se um engenheiro age de maneira irresponsável, ou um médico age com má conduta, ou um advogado, ou um contador, etc. Eles são responsáveis legalmente, eles como profissionais individualmente, e são julgados tanto no âmbito legal (jurídico) como dentro de seus respectivos conselhos.

        A GRANDE diferença é que, se um desses profissionais age fora do seue statuto, eles podem perder a licença para exercer a profissão!

        Isso não acontece com a profissão de físico, se um físico age de maneira irresponsável, se não pegar nada para ele juridicamente, ele está livre pra agir de novo de maneira impune! Esse é o grande problema!

        A SBF deveria ter uma maior representatividade, e passar a legislar nossa profissão, fazer provas para demonstrar proficiência, e expurgar quem é charlatão, incompetente.

        Da forma que está, se uma profissão não é regulamentada e o profissional não possui um conselho sempre legislando sua competência, a responsável legalmente por atos de má conduta ou incompetência ou negligência é a própria empresa, que tomou para si tal responsabilidade no ato de contratação deste profissional.

        Não tem nada a ver com “reserva de mercado”, infelizmente esse é um mito propagado de maneira irresponsável nos corredores acadêmicos, talvez por ignorância, ou talvez deliberadamente para inibir jovens futuros pesquisadores de procurar outras áreas que não a academica, nada posso afirmar, mas posso dizer que já tive contato com profissionais de outras áreas, e assim como em qualquer lugar, há um grande espectro de caráter tanto pessoal como ético, mas esses profissionais trabalham de maneira correta e eu considero injusto de nossa parte tecer comentários preconceituosos e não fundamentados como este da “reserva de mercado”.

        • quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 09:18:02 EST

          @ Oz,

          Com respeito aos seus 3–4 primeiros parágrafos acima, eu tenho a seguinte questão: Vc sabe como é que outros países lidam com situação semelhantes?

          Por exemplo, aqui nos USA, eu sei que quando algo da natureza que vc exemplifica nesses parágrafos acontece, a coisa vai pra juri mesmo — é processo (quer seja civil ou criminal ou qualquer outro pertinente). E os órgãos análogos aos CFM/CRM, OAB, CREA, etc, são algo secundário, i.e., depois do processo primário, aí sim, essas organizações têm o direito de agir.

          Pelo que eu sei (e posso muito bem estar errado), países como Canadá, Japão e Inglaterra operam de modo semelhante. Seria interessante saber como funciona na China, Índia e Rússia pra comparar com os outros países do BRIC. Também Chile, Alemanha, Grécia e França são comparações úteis, assim como os países nórdicos.

          Porém, de maneira geral, nos países desenvolvidos, associações como a SBF têm uma representatividade muito maior, exatamente por terem uma unidade cívica muito mais forte, um senso de responsabilidade civil muito mais desenvolvido.

          Do modo como as coisas são atualmente, eu não acho que o Barçante-Crivella me representa profissionalmente. E, a menos que a SBF tenha algumas reuniões públicas ou votações sobre esse assunto, eu também não acho que eles me representem.

          Veja só a diferença: tanto a Sigma Xi quanto a AMS (American Mathematical Society) quanto a APS (American Physical Society) quanto a AAAS (American Association for the Advancement of Science) realizam eleições e votações anuais, e além de ser notificado por email, eu recebo uma cédula e um envelope pré-selado pra votar pelo correio (caso eu prefira em lugar de votar eletronicamente, via email ou website)! Por que esse tipo de comportamento não é espelhado pela SBF ou pelo Barçante-Crivella ou por qualquer outra organização de representatividade brasileira?!!!

          Sem esses mínimos direitos democráticos, eu não me sinto confortável em ser representado por ninguém! Como é que vc se sente (independentemente da sua posição perante a regulamentação — só pensando em termos de “representatividade democrática”)?!

          Pra mim, esses preceitos básicos já são mais-do-que-suficientes pra por tudo por água abaixo… antes mesmo de qualquer argumento sobre a regulamentação propriamente dita. Fora isso, por exemplo, quando vc olha a proposta Barçante-Crivella, a coisa realmente me deprime, não só porque eu vou ser inviabilizado de exercer a minha profissão, como também pelo fato de que o viés da proposta deles me é estupidamente claro, e eu tenho nojo de quem manobra a população como essa proposta deles pretende fazer (arguindo não-tão-sutilmente em favor duma reserva de mercado sim — tá lá, é só ler tudo direitinho, e preencher as lacunas deixadas nas entrelinhas).

          Eu não sou uma pessoa que acredita que todo mundo que faz Física deva ser acadêmico, muito pelo contrário: “Eu quero dominar o mundo, Pinky“, e pra isso os Físicos e Cientistas em geral têm que ter uma penetração social muito maior do que a de hoje!🙂

          Mas eu não quero ver isso acontecer dum modo tacanho ou de pouca representatividade democrática… apesar que, pelo andar da carruagem…😥

          []’s.

          • osvald25
            quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 13:13:58 EST

            Daniel,

            Ainda estou processando seus textos, vou organizar as idéias e depois comentar algo. Mas já adianto que você levantou algumas questões interessantes, que eu ainda não havia cogitado.

            Realmente China, Coréia e Indía são países que cada vez mais produzem pensadores, cientistas, e investem em educação. Mas qual a diferença real entre esses três países e o Brasil, e digo mais ainda, vamos nos ate à América do Sul, casos como a Argentina, onde a educação é muito superior à brasileira. Eu sinceramente não entendo como o Brasil não é uma potência em todos os quesitos!

            Nosso território nacional além de gigantesco é muito rico e vasto. Temos apoio de diversos países desenvolvidos, e relações estáveis com todo o mundo. O que falta realmente é cultura! Somos um “país sem pátria” (whatever that means), somos república, temos governantes, toda uma estrutura, mas culturalmente somos pobres, compramos idéias dos EUA, e herdamos culturas européias da época do ciclo da Borracha…Até hoje ainda temos Oligarquias em alguns Estados do Norte e Nordeste.

            Eu só fiz essa digressão mais como um desabafo mesmo, foi totalmente aleatório, mas faz coro ao que vou falar agora.

            Antes de mais nada, também me sinto ofendido com a ação do Barçante e do Crivella, realmente foi algo nada democrático o que eles fizeram. E sinceramente não acredito que nenhum dos dois possua competência (no sentido de possuir proficiência) para criar um Projeto de Lei que teria um peso tão grande.

            Mas se faz necessário uma maior representatividade da SBF em legislar nossa profissão. E o que falei sobre cultura acho que soma ao que você falou sobre penetração social. O problema seria, como fazer isso? Qual o papel do cientista na sociedade (pergunta retórica)?

            Em relação ao quesito: pesquisador x professor

            O que eu quis dizer é que é um fato, que existem pessoas interessadas apenas em pesquisar, outras que se interessam apenas por educar, e pessoas que gostam de fazer os dois. Ninguém está errado, agora o que eu acho errado é colocar pessoas claramente sem motivação para fazer algo de profunda importância, e de relevância extrema, que seria formar novos profissionais (não apenas cientistas, pois engenheiros, biólogos, economistas, etc. tem alguns aulas de cálculo, física, computação, etc.).

            Quando falo em discernir essas ocupações, não quero implicar em uma luta de classe ou segregação, mas puramente tentar solucionar algo que é fato e patológico em nosso sistema educacional, desde o sistema de base (lá no fundamental) até o superior…

            • quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 16:20:18 EST

              @ Oz,

              Só pra deixar claro, pra gente não cair noutra arapuca de “communication breakdown“: quando eu falei do quesito “prof x pesquisador”, não era a isso que eu estava dizendo que era “classicista”. Aliás, sobre essa questão eu só disse que era melhor deixar fora dessa discussão da Regulamentação. (E eu concordo em grande parte com o que vc disse nesse aspecto.😉 )

              O que eu chamei de “classicista” foi essa estória da regulamentação como ela vem sendo feita até então, principamente pela retórica do projeto Barçante-Crivella. (Me soa muito como “dividir pra conquistar”: vc polariza a comunidade de Físicos, cria um cisma, e pronto, faz o que bem entender a partir daí.) Eu tenho visto muitos discursos “divisivos”, o que sempre tem um fundo “classicista”, e que, portanto, são passíveis das críticas que eu já fiz. Portanto, tem algo cheirando nesse Reino dessa Dinamarca aí… Espero que agora a coisa tenha ficado mais clara — releia a coisa lá e me diz se ainda estou sendo prolixo.😉

              Agora, eu concordo com sua análise de comparação com outros países… mas foi por isso mesmo que eu me restringi aos BRIC — afinal, não é a toa que eles estão agrupados num mesmo conjunto.😉

              Mas também considero que comparações com Chile e Argentina sejam válidas.

              O problema é o seguinte: ninguém entende essa questão de “escala” quando o assunto é economia ou sociologia (ou até mesmo cultura). A diferença entre um país como a Coréia do Sul ou Portugal e o Brasil… não dá pra começar a explicar… o pior que o mesmo vale pra Alemanha ou França e o Brasil! Nesse sentido, os BRIC são uma boa opção pra serem comparados entre si.

              Esse papo de economias de escala, só funciona pra empresas ou ambientes bem controlados… quando o assunto é um país, a coisa muda completamente de figura: ninguém tem a menor noção do tipo de homogeneidade ou scaling de forma mais geral. Ainda mais com respeito aos índices sócio-econômico-culturais: não existe nada que eu conheça que faça esse tipo de “comparação de escala” de modo ‘bem feito’ — mesmo que não seja “rigoroso” (pra qualquer definição de “rigoroso”), mesma que seja uma idéia bem ‘leve’ de “scaling”… eu não conheço mesmo.

              Mas, ces’t la vie…

              []’s.

        • Paulo
          quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 23:15:26 EST

          Osvald,

          Eu continuo levantando a questão da reserva de mercado, embora eu tenha falado sobre isso ai acima ao daniel, no post do dia 16!

          Outro ponto dentre os que eu abordo e defendo quanto a regulamentação é o que você disse acima, quanto a responsabilidade legal, etc., e tem o exemplo do Engenheiro de Botequim que eu dei outro dia que complementa o que você disse.

          Paulo.

          • Paulo
            quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 23:17:02 EST

            Desculpe, post do dia 15, a hora no site tá diferente da minha.

  10. Paulo
    terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 00:50:42 EST

    Não consigo entender os que são contra a regulamentação. É uma coisa tão simples! Se a regulamentação fosse uma coisa ruim, nenhuma profissão seria regulamentada ou então apenas algumas seriam regulamentadas! Mas não é o que se observa.
    Quanto a questão do Analista de Sistemas, e este serve como um exemplo, o que tenho observado é uma maior procura pelo Engenheiros de Computação ou Engenheiros de Sistemas em vez dos Cientistas da Computação.
    Não sou contra Engenheiros e Físicos trabalharem em uma industria de semicondutores, mas sou contra APENAS Engenheiros trabalharem nessa industria. E é o que ocorre se realmente olharmos a realidade. Embora esse exemplo possa ser estendido para outras areas mais diversas em que só empregam engenheiros.

    Quanto a questão do curso ser altamente academico, cursos como o de bacharelado em matematica também costumam ser bem acadêmicos, e nota-se a inserção desses profissionais tanto em bancos ou outras empresas como a OI, onde conheci gente que fazia bacharelado em matemática e trabalhava lá.

    Do jeito como as coisas andam, daqui a pouco vão criar o curso de Engenharia de Botequim, serão aqueles profissionais que saberão o local certo de armazenamento das cervejas, a temperatura correta do ovo cozido, em qual oleo devemos fritar a coxinha, etc, etc, etc. Claro, rapidamente o CREA irá definir as competências da profissão e só poderá trabalhar em botequim quem tiver a graduação em Engenharia de Botequim, até mesmo porque seria contra a lei se assim não fosse e poxa, eu, o dono do botequim, não iria contratar que não pudesse responder administrativamente caso o cliente fosse mal atendido, afinal de contas, tanto o Engenheiro de Botequim quanto o balconista de botequim iriam ganhar o mesmo salário. Desse modo, eu fico com o que me dá mais segurança em termos legais.

    Acho que os que são contra a regulamentação da profissão de físico, são apenas três tipos:
    1- Os que não são Físicos.
    2- Os que são professores.
    3- Os que se enfurnaram em meios acadêmicos e decidiram ficar restringidos as suas pesquisas.

    Paulo.

    • terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 05:27:45 EST

      @ Paulo,

      Deixa eu citar um pedaço desse seu comentário e fazer algumas colocações logo em seguida,

      “Não consigo entender os que são contra a regulamentação. É uma coisa tão simples! Se a regulamentação fosse uma coisa ruim, nenhuma profissão seria regulamentada ou então apenas algumas seriam regulamentadas! Mas não é o que se observa.”

      Se vc me permite, vou construir um argumento exatamente igual ao seu: “Não consigo entender quem é a favor da regulamentação. É uma coisa tão simples! Se a regulamentação fosse uma coisa boa, todo país desenvolvido teria suas profissões regulamentadas! Mas, não é o que se observa.”

      Como vc vê pelo exemplo trivial acima, a coisa não é tão simples: esse sistema axiomático que estamos construindo (chamado “sociedade”, ou melhor, “legislação”) não pode contar duas afirmações que se contradizem… ou será que pode?!

      Mais ainda, agora falando na qualidade de editor desse blog, eu peço que vc evite emitir opiniões de caráter pessoal, i.e., ad hominens disfarçados, como esses seus ítens aí no final — basta ler a Política de Comentários daqui do AP pra saber indubitavelmente o que é ou não poribido por aqui (como o caso de ad hominens, mesmo que disfarçados). Eu, por exemplo, sou formado no Curso de Ciências Moleculares (portanto, não sou Físico no bacharelado) mas tenho Sc.M e Ph.D. em Física, no exterior — casos que a regulamentação não cobre.E, sim, pelo que eu vi até agora (os projetos da SBF e do Barçante-Crivella), eu sou contra a regulamentação.

      • osvald25
        quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 08:25:47 EST

        Daniel,

        Falando também como editor deste blog, se você se refere a esta passagem do texto do Paulo:

        “Acho que os que são contra a regulamentação da profissão de físico, são apenas três tipos:
        1- Os que não são Físicos.
        2- Os que são professores.
        3- Os que se enfurnaram em meios acadêmicos e decidiram ficar restringidos as suas pesquisas.”

        Eu também concordo com ele, e não creio que seja ad hominem, veja bem, o que ele falou é a pura realidade, só faltou elaborar mais. Lógico que regulando a profissão, um monte de engenheiro, biólogo, etc, que estaria dando aula de físico ia perder emprego, em relação aos professores isso acarretaria em provas de proficiência, e uma legislação mais árdua em relação a competência (e como sabemos, tem muito incompetente por ai atuando de maneira impune), em relação aos pesquisadores, isto é mais óbvio ainda, veja bem, se funciona para nós pesquisadores da maneira que está, para quê mudar?

        Estou falando isso não para defender o Paulo, mas tentei entender a posição dele, e o que ele falou, mas pelo simples motivo que da maneira que você se posicionou nesse post, pareceu um argumento de autoridade.

        Obviamente que eu que conheço sua atitude a mais de 4 anos, sei que você não faria isso deliberadamente, pois você possui acima de muito talento no que faz, muita ética, mas foi o que transpareceu.

        Você abre o post como moderador do Blog, e depois dá sua opinião pessoal (tanto que você citou um “facts of life” seu).

        Esse tipo de atitude pode parecer coerção, ou censura. Desculpe se pareci agressivo nesse post, não foi minha intenção, mas estou tentando deixar o debate o mais imparcial possível.

        • quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 08:59:11 EST

          @ OZ,

          Vc não tem do quê se decsulpar — pelo contrário, sua observação foi “na medalhinha”.

          De fato, não tive a intenção de fazer um argumento de autoridade, mas sim de dizer o seguinte: “Olha, meu bacharelado não é em Física, mas meu mestrado e doutorado o são. E aí, agora eu não vou poder ser Físico por causa das propostas de regulamentação feitas até agora?” Foi só isso que eu quis dizer.

          Mas, vc tem razão, eu escrevi dum jeito estranho, onde isso não ficou claro como deveria. Se fosse um dos comentários que eu escrevo de madrugada, eu já tinha uma desculpa pronta.😉 Mas, como não foi, está explicado aí, sem “desculpa” nenhuma; apenas lamento não ter tido mais clareza quando escrevi da primeira vez, pois realmente, pode ter passado essa impressão que vc disse e essa jamais foi minha intenção.😳

          [N.B.: Agora, cá entre nós, já faz algum tempo que eu venho observando que meu “attention span” está um lixo: eu foco numa coisa, me imerso no negócio, e as coisas acabam passando batido… sabe quando vc junta o começo duma frase com o final da outra e coisas assim? Pois é… têm acontecido um monte dessas ultimamente… Eu tenho tentado me policiar… mas, às vezes, passa mesmo. Ainda bem que foi aqui e que vc pegou… se fosse num artigo ou coisa que o valha… tava na roça já… Valeu, Oz!]

          []’s.

        • Paulo
          quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 23:26:45 EST

          Osvald,

          Faço das suas palavras as minhas, a questão está aqui:

          …se funciona para nós pesquisadores da maneira que está, para quê mudar?…(Osvald)

          Digo isso, porque é o que transparece no meio academico!

          Ninguem analisa o lado do fisico-da-industria, somente o lado do fisico-professor ou fisico-pesquisador.

          Tambem não analisam o lado do Empresário, foi o que vc disse ai em cima quanto a responsabilidade legal.

          Eu se fosse um empresario não iria contratar alguem que faz besteira e continua normalmente exercendo sua profissão como se nada tivesse acontecido.
          Se tiver que ir preso, ainda vai ficar em cela especial. Depois é solto e continua tudo na mesma.

          Paulo.

          • quinta-feira, 16 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 05:40:17 EST

            @ Paulo,

            Se vc realmente pensa isso, então eu só posso lamentar, pois vc demonstra que não conhece nem as leis já atualmente vigentes, nem o que essa regulamenteação pode fazer ou não.😥

            Essas suas críticas com respeito à responsabilidade legal dum Físico simplesmente não são tratadas na tal regulamentação (nem no projeto Barçante-Crivella, nem no da SBF — vc já os leu alguma vez?). Aliás, esse negócio de cela especial… é só enquanto vc aguarda julgamento (e olhe lá!): depois de julgado, vc vai pro saco como todo mundo.

            Te convido a ir LER e SE informar melhor, fazer seu dever-de-casa… tanto sobre as duas propostas atuais da regulamentação, quanto a legislação já vigente no Brasil; pois essas suas críticas são têm demonstrado cada vez mais cabalmente o quanto vc não conhece de ambos.

            • Paulo
              quinta-feira, 16 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 12:22:07 EST

              Daniel,

              Já li os projetos deles sim, e ao meu ver eles são apenas um convite.
              Acho q no fundo o que o Barçante-Crivella fez e até mesmo a SBF é dar um pontapé inicial e até mesmo lançar a pergunta no ar: “Físicos, vocês querem ser regulamentados? Se sim, ta ai o inicio. Se não, deixa isso pra lá, a gente arquiva ou julga depois como negativo e pronto.”

              A projeto inicial com certeza não fala em responsabilidade legal, mas tá implicito (ou até explicito) que com a criação de um Conselho, isso será uma consequencia natural posterior.

              Mais uma vez ressalto que não falo só da lei do papel, mas principalmente da criação de um Conselho, ou “Sindicato”, se esse termo lhe soar melhor.

      • Edvan Sousa
        domingo, 4 jul 2010; \26\UTC\UTC\k 26 às 10:40:13 EST

        Olá Daniel,

        Está deixando de lado, se me permite dizer, importantes situações que são vividas em regiões diferentes do país – Brasil. Enquanto não houver regulamentação para a profissão não seremos de fato, na letra da lei e para as outras profissões, “físicos”, pois para todos exceto nós, o físico é uma figura estereotipada e caricata, inclusive para o mercado de trabalho. Tomando seu último parágrafo do comentário acima, lembrou-me algo: “Eu, por exemplo, sou formado no Curso de Ciências Moleculares (portanto, não sou Físico no bacharelado) mas tenho Sc.M e Ph.D. em Física, no exterior — casos que a regulamentação não cobre”. Desculpe-me dizer, mas me parece que advoga em causa própria, não pensando na coletividade. De fato, com sua atual formação você não cumpriria requisitos mínimos para concorrer a vagas para docência nas universidades brasileiras. O que está em foco, é a regulamentação da classe, não casos singulares, estes devem ser tratados como são: excessões a regra que podem ser agregados, contemplando-os ou não. Se pensarmos em legislar em causa própria, nunca saíremos da condição de “reunião de indivíduos com uma característica comum”. Desejo ser classe e ter minha profissão regulamentada. Isso pode causar transtornos, mas estes parecem ser menores, haja vista a configuração atual das coisas, com o que temos vivido no mercado de trabalho “brasileiro”.

        Att,
        Edvan

        • domingo, 4 jul 2010; \26\UTC\UTC\k 26 às 11:31:49 EST

          Caro Edvan,

          De fato, depois de tudo que já foi falado, tanto no post quanto nos comentários, vc tentar “resumir” meus argumentos ao que vc colocou acima é no mínimo patético. Esse tipo de comentário “fast food—twitter” realmente são pobres.

          Mas, ao invés de fazer o “fisking” apropriado do que vc escreveu acima, vou me resumir a fazer uma pergunta básica sobre o que vc colocou:

          Quais são as características duma possível regulamentação (se possível, no contexto tanto da proposta Barçante-Crivella quanto da SBF) que seriam assim tão beneficiais pra vc?

          Mais ainda, como essas características se comparam à legislação já vigente?

          Eu não me importo em conversar, argumentar e discutir a exaustão. Entretanto, ficar repetindo tudo que já foi colocado aqui é um tanto cansativo.

    • osvald25
      quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 08:32:03 EST

      “Não consigo entender os que são contra a regulamentação. É uma coisa tão simples! Se a regulamentação fosse uma coisa ruim, nenhuma profissão seria regulamentada ou então apenas algumas seriam regulamentadas! Mas não é o que se observa.”

      Paulo,

      Falando como editor deste Blog: Sinta-se livre para discutir e expor suas idéias, mas evite fazer comentários deste tipo, pois podem parecer ofensivos.

      Entretanto, é possível tecer críticas duras e sólidas, refutando argumentos sem tecer comentários intrapessoais. E assim todos ganhamos, pois o debate tende a nos ensinar muito, mostrando diversos pontos de vista.

      Eu concordo que muitas vezes nos vemos numa posição em que ACREDITAMOS que algo nos é claro, e que como se estivéssemos ensinando “2 + 2 = 4” a outrem, mas veja, em um debate devemos tratar os outros querelantes como iguais (ou mesmo superiores) intelectualmente. Afinal qual seria o ponto em discutir com “lesser minds”? Todos temos pontos fortes a contribuir, então vamos fazer com ponderação, racionalidade e acima de tudo respeito.

      Obrigado

      Osvaldo

      • Paulo
        quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 23:31:51 EST

        Osvaldo,

        Eu peço desculpas, mas uma vez digo que não quis ser ofensivo. As vezes nossas idéias estão arrumadas de forma tão coesa e clara em nossa mente, que em minha arrogancia, acabo por achar que com as outras pessoas tambem está acontecendo o mesmo. Quando na verdade eu deveria estar “vendendo” minhas idéias, com em qualquer debate.

        Paulo.

        • quinta-feira, 16 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 05:42:30 EST

          @ Paulo,

          Não é por aí: o fato é que outras pessoas aqui nesse debate têm idéias tão coesas quanto as suas, porém apontando em direção diferente. Portanto, não tem absolutamente nada a ver com “vender” ou “marketar” suas idéias, mas sim em se explicar de modo claro e conciso, respeitando os outros debatedores. Como vc vê, é bem diferente.

          • Paulo
            quinta-feira, 16 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 12:25:38 EST

            Chamo isso de vender idéias, questão de opnião, no fundo todo debate são propagandas de idéias e não apenas exposições, até porque se assim o fosse, não seria um debate e sim um jornal ou noticiario on line.

  11. terça-feira, 14 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 às 02:30:41 EST

    Obrigado pelas respostas. Eu tenho muita vontade de responder os comentários, mas nesse momento me encontro sem concentração para isso. Estou pensando em outras coisas.

    Gostaria de deixar claro que nunca me propus a fazer uma análise completamente não parcial. Eu começo dando minha opinião, é óbvio que a análise vai ser parcial.

    Contudo, eu tentei analisar os argumentos que ouvi até o momento contrários à minha opinião, o que é um certo grau de imparcialidade. Gostei dos argumentos adicionais. Em breve darei um update no post comentando-os.

  12. segunda-feira, 3 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 12:21:37 EST

    Olá, como vão, tudo bem?

    Maio de 2005: Ano Internacional da Física e lá se vão mais de 4 anos de opiniões, de debates, de assuntos nos corredores dos IF’s, nos Seminários e Congressos espalhados pelo Brasil. Enfim, confesso que não tinha a mínima idéia de que isso fosse acontecer. Isso é muito bom e mostra que os Físicos tem muito a acrescentar à sociedade brasileira

    As duas chapas que concorreram as eleições 2009 da nova Diretoria da Sociedade Brasileira de Física apresentaram propostas que contemplavam a Regulamentação:
    http://www.sbfisica.org.br/sobre/eleicoes2009/propostas.shtml .

    A profissão de Físico mexe com muitos interesses! O assunto por si só leva a debates calorosos.

    Há um grupo na Câmera Federal, liderado pela nobre Deputada Erundina (SP), do qual participa o Prof. Dr. Adalberto Fazzio – ex-presidente SBF – que tem acompanhado muito de perto e com grande interesse o PLS159.

    O projeto tem sofrido alterações no texto base (e eu esperava que isso acontecesse), pois o que eu fiz foi apenas dar o pontapé inicial.

    Tenho certeza de que quando for aprovado, o PLS159 terá contemplado a SBF, a comunidade científica-empresarial, a sociedade como um todo e nós, simples mortais.

    Abraços e sucesso!

  13. sexta-feira, 7 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 09:25:50 EST

    Daniel, pelo que li suas postagens acho que deu pra entender um dos fatos do porque você é contra, um deles é porque você não é bacharel em física. Se não for me desculpe. Veja, concordo plenamente que uma regulamentação bagunça tudo, no sentido de que só físicos bacharéis e licenciados poderão atuar em suas respectivas áreas. Assim como só engenheiros podem se registrar no CREA, aí você pega um cara formado em física, que passou a vida toda formando engenheiros, mas ele não pode assinar projeto, porque o CREA não deixa. Isso é um grave erro. Então veja, acho que esse extremo é um erro crucial e depois de cometido, ,não há como ser consertado, todo mumndo sabe que o Brasil é campeão de burocracia.

    Mas também, ficar como está também não dá! Aí a gente sai de um extremo para ficar em outro? Não, claro que não, a gente procura um ponto comum. A SBF, de fato, era pra ser um CBF (não de futebol, mas clube brasileiro de física), a classe de físicos precisa de representação sim. As indústrias, realmente separam e muito, só mais um exemplo, a nível do que o Paulo mostrou, a OI contrata para telemarketins, universitários de vários cursos, engenharia, administração, secretariado até matemática, mas não física. Porque não? Se um matemático pode atender uma pessoa porque um físico não pode? Estou querendo dizer que alguém é melhor? Não, mas sim procurando um equilíbrio. Regulamentar, por exemplo, ,garatirina melhores salários? Claro que não! Todo mundo viu no jornal que alguns médicos de Belém ganham apenas um salário, médicos do estado, em Natal até um tempo desses era pouco mais de R$ 800. Eles passam dez anos estudando, como a gente, quem quer ser doutor pra ganhar um salário desses? Não é questão de arrogância, mas se você estuda mais é porque também procura um salário melhor, tá todo mundo gosta de estudar, mas integrais não pagam suas contas, na verdade elas não pagam nem os seus livros.

  14. sexta-feira, 7 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 09:33:54 EST

    Continuando aqui, para não ficar tão bagunçado. Então veja, médicos tem seus conselhos, veja que eles chegam a receber mal e esses conselhos aceitam até acupuntura como método legal. Imagina o mesmo na física, se os charlatões conseguem colocar esoterismo quântico como disciplina obrigatória e ainda mais, conseguem abrir áreas de pesquisa nisso? Seria um grande problema. Eu não acho que vandalismo resolva, eu penso o seguinte, já faz alguns mil anos que os homens se comunicam bem, então, uma boa comunicação sempre resolve. O que não pode é ficar no comodismo. Não conheço o projeto de Lei, sim é verdade. Mas acho que este não melhoraria a situação, até porque podemos ver exemplos de charlatões entre as profissões regulamentadas. Mas claro, essas classes são compostas de seres humanos e algumas pessoas são realmente gostam de usar de má fé, ou a gente também pode lembrar que ninguém é perfeito, todo mundo vai cometer um erro em algum dia, o problema é que o erro de um médico é muito mais perigoso do que de um físico, dependendo da área.

    Então acho que se a SBF acompanhasse mais de perto, ou se a classe dos físicos cobrem que ela acompanhe mais de perto, pode, sim, haver uma melhora. Agora também não dá pra comparar com USA, Canadá, mas principalmente com os países da Europa, aí é que não dá pra comparar mesmo. Acho que o seguinte, a profissão de físico no Brasil é nova, então a população precisa saber o que um físico faz e as pequenas empresas também, porque as grandes empresas sabem o que um físico faz, boa parte delas até tem físicos na sua lista de empregados.

    • sexta-feira, 7 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 13:26:14 EST

      @ Fernando,

      Seu post veio devidamente “compactado”, com vários “tópicos” diferentes misturados dentro dele. Então, vamos por partes, Jack, que é pra gente poder montar uma discussão racional sobre o tema.

      Em primeiro lugar, eu devo dizer que, infelizmente, uma boa parte das discussões que eu já tive sobre esse tema ficou perdida num buraco negro quando eu troquei de blogs. Talvez eu possa recuperá-las e colocá-las aqui, mas não garanto nada.

      Em segundo lugar, alguns pontos são importantes e não devem ser esquecidos: a PROFISSÃO de Física existe, basta olhar os links que o Rafael colocou no post dele. A discussão aqui não é sobre a profissão em si, mas sobre a regulamentação da mesma. Esses são temas distintos e não devem ser misturados.

      Em terceiro lugar, o fato da sociedade brasileira ser tacanha o suficiente a ponto de contratar “qualquer um menos Físico” pra fazer telemarketing (como se fosse preciso qualquer habilidade sobrenatural pra tal tarefa😛 ), não é culpa nem da profissão nem dos profissionais da Física, mas sim única e exclusivamente da ignorância dos envolvidos nesses atos. Não há absolutamente nada que se possa fazer: se um fulano não quiser contratar Físico… ele não vai contratar e ponto. A gente pode choramingar e ficar de xurumela o quanto quiser. Infelizmente, nessa questão aqui, existe todo um prerrogativo de luta contra um preconceito. Porém, tentar derrubar um preconceito através de legislação de *regulamentação*, é um erro dos mais crassos. (Até porque, a legislação pertinente *já* existe, uma vez que a *profissão* de Física *já* está definida.)

      O que me traz ao quarto ponto: essa regulamentação, nos moldes que eu vi até agora, não passa duma tentativa não-tão-velada-assim de *reserva de mercado*, quer seja no mercado da educação ou em qualquer outro. Isso me incomoda, o que me traz ao próximo ponto…

      Em quinto lugar, eu não sou contra essas propostas de regulamentação porque eu não sou Físico; eu sou contra porque elas são um afronte aquilo que eu *vejo* TODO santo dia! E eu vou comparar o Brasil com USA, Canadá, Japão, Coréia do Sul, e Europa *SIM*, porque eu não vou relegar meu país ao terceiro mundo, a ser mais uma republiqueta-das-bananas-de-5a-categoria! Eu quero o melhor, e esse certamente não é o que eu vejo nessas propostas de regulamentação.

      Um comentário pertinente: uma das coisas que mais me morde em tudo isso é a história de como tudo começou. Eu ainda não falei isso de modo alto e cristalinamente claro, porque eu acho que esse é um argumento um pouco delicado, que corre um sério risco de ser tirado de contexto e usado como alavanca pra idiotices sem fim. E eu não quis, até agora, dar a chance pro azar. Porém, como já faz alguns anos que estamos discutindo esse assunto… e esse é meu blog pessoal (assim como o dos outros editores do AP), eu acho que posso me exprimir sem grandes traumas, apesar de continuar achando que existe uma volatilidade intrínseca no que eu vou dizer. Então, se algo soar estranho, ao invés de sair atirando, me pergunte, que eu terei o maior prazer em retificar tudo.😉

      A história do nascimento dessa discussão toda começou com o tal Barçante, que decidiu ser o “Paladino dessa Causa” e se auto-entitulou o porta-voz da mesma. Pra que não restem dúvidas: *NUNCA* houve NENHUMA eleição pra se colocar esse senhor nessa posição, de “representante da classe de Físicos”. Até porque, ele NÃO CONHECE o que é “ser Físico”, ele só sabe o que é dar aula em cursinho(s). Então, de cara, eu já tenho vários problemas com essa coisa, porque ela foi feita de modo completa e absolutamente unilateral, não só por ele se colocar como porta-voz dessa “causa”, como também dele apenas ter competência pra representar uma [pequena] parte dela.

      Continuando… eu, pessoalmente, não tenho absolutamente NADA contra quem escolhe fazer licenciatura nem bacharelado, assim como também não tenho absolutamente NADA contra quem escolhe ser professor do ensino fundamental, médio, cursinhos ou superior, privado ou não. As questões de foro pessoal e íntimo de cada um não me cabem. Ponto. Porém, por “transitividade” (i.e., se x=y então y=x😛 ), o mesmo vale pro outro lado dessa moeda: assim como eu não vou me meter nas escolhas alheias, eu não quero que se intrometam na minha. Então, assim como eu não saí por aí com uma “bandeira” pra sanar a “causa” dos Físicos que fazem pesquisa profissionalmente, impondo minha vontade sobre todos os outros, eu também não quero ninguém impondo a vontade deles sobre mim.

      Resumindo, a *semente* de toda essa discussão sobre a regulamentação nasceu sob um ótica DIVISIVA, tentando atacar apenas os problemas daqueles que “ensinam em cursinho”. Então, se estão contratando engenheiros (ou qualquer outra formação) pra dar aula de Física… é porque algum “diferencial competitivo” essas pessoas devem oferecer, não?!

      Então, se é pra regulamentar qualquer coisa, que seja bem feito, e que essa regulamentação inclua *TODOS* os detalhes da profissão de Físico. Nesse caso, eu sinto muito, mas o documento da regulamentação vai ser um calhamaço. Portanto, não me venha com regulamentações de 3-5 folhas… vai ser um lixo. Ponto.

      Agora, um vez que se vê isso com clareza, fica óbvio que é completamente impraticável de se regulamentar uma profissão cujo *objetivo* é o “aprendizado”, a melhora continuada do profissional — isso *É* Física. Quem quer dar aulas de Física é um professor de física e, preferencialmente, é um licensiado. Nesse caso, a pessoa tem um conjunto de habilidades diferente daquele dum bacharel em física. Um licensiado em Física, de fato, não é um profissional cujo objetivo é o reciclamento continuado, mas sim um profissional cujo objetivo é “transferência de conhecimento”. Como um licensiado está qualificado pra atender um certo grupo da população (até o ensino médio + cursinho), ele não precisa ter seus conhecimentos de física continuamente reciclados, mas sim seus conhecimentos em Educação; esses sim devem ser cada vez mais afiados (pois esse é o objetivo final da profissão de licensiatura).

      Fora isso, eu tenho verdadeira ogeriza a coisas do tipo: “classe disso ou daquilo”, “causas”, “bandeiras” e “paladinos”. Uma COMUNIDADE, uma SOCIEDADE, NÃO é construída dessa forma. A comparação com superorganismos e organismos sociais é muito mais pertinente. Essa coisa de “luta de classes” é antiqüada e extremamente ultrapassada, e por isso me incomoda MUITO ver um problema sendo posto sob essa ótica: it’s a show stopper!

      No entanto, ferramentas como a “regulamentação” foram construídas com base nesse tipo de visão classicista; aliás, foram construídas pra lidar com esse tipo de imposição advinda do Estado. Felizmente, o mundo não é mais assim… Estados totalitários já não são mais a “moda” que um dia foram… e o Brasil já passou da hora de perder essas heranças rançosas da Ditadura.

      Infelizmente, esses “órgãos regulamentadores” (sindicatos, conselhos e afins) estão nessa posição de extinsão iminente… e isso já faz tempo! Portanto, a reação deles é clara: fazer o máximo de estardalhaço possível, espernear, pra tentar garantir seu lugar ao Sol.

      Enfim, não vai ser nenhuma dessas propostas de regulamentação que vão mudar o perfil de contratações no Brasil — assim como não foi assim que aconteceu no resto do mundo. Apelar pra esse tipo de solução “rápida e rasteira” só vai criar mais problemas. E eu acho que o meu exemplo é cristalinamente claro: fui pago pelo Estado por anos pra estudar e me aperfeiçoar, e no momento que eu posso devolver aquilo que me foi dado, aparece uma “lei” que proíbe tal fato! E, sabe o que é ainda pior?! Ainda vou ter que escutar que sou “burguesinho” e fiquei “mamando nas tetas do governo”!👿

      Não, eu sinto muito. Eu quero, sim, fazer o meu papel social. Mas, no presente momento, estou sendo impedido de fazê-lo por causa do Estado e dessas “[propostas de] leis” tacanhas e retrógradas. Depois vão choramingar do “vazamento de cérebros”… a chance está aí. Mas uma lei dessas vai proibir o conserto dessa situação.

      Então, vc “resolve” o “curtíssimo prazo”, talvez dando empregos pra um ou outro gato-pingado; e, no médio e longo prazo, vc *condena* seu país a ignorância e subdesenvolvimento científico e tecnológico, destruindo, assim, toda a educação do país: vc vai ter um monte de alunos de colegial, mas não vai ter professores pra ensinarem e formarem essa molecada na faculdade! Taí, fadado à bancarrota… a continuar sendo o “país do futuro”, num futuro que nunca chega… (e, depois, essas mesmas pessoas que são favoráveis a esse tipo de visão de curtíssimo prazo, ainda reclamam…)

      De fato, eu estou cansado dessa discussão… porque, no final das contas, não sei o quanto ela é efetiva: o Barçante já encaminho tudo de modo político, e eu não sei o quanto a SBF pode fazer pra remediar a situação. Isso pra não falar que, remediar, só causa mais problemas — o que resolve é fazer certo da primeira vez.

      Por outro lado, eu nem sei porque gasto meu latin com isso… afinal de contas, se meu país me rejeitar, pra exercer a profissão que ele me patrocinou e investiu, quem sou eu pra reclamar: não tem ninguém tomando conta desses investimentos?! Se estão me jogando fora… pode deixar, eu acho meu caminho.

  15. sexta-feira, 7 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 19:31:51 EST

    Prezados Senhores:

    “A história do nascimento dessa discussão toda começou com o tal Barçante [ PROF. DR. CAIRIA MELHOR, COM 31 ANOS DE CAREIRA NO MAGISTÉRIO FERDERAL, TÉCNICO E SUPERIOR ] que decidiu ser o “Paladino dessa Causa” e se auto-entitulou o porta-voz da mesma. Pra que não restem dúvidas: *NUNCA* houve NENHUMA eleição pra se colocar esse senhor nessa posição, de “representante da classe de Físicos”.[NÃO SOU PALADINO; E PRA QUE NÃO RESTE NENHUMA DÚVIDA: QUALQUER CIDADÃO PODE APRESENTAR QUALQUER IDÉIA A UM CONGRESSISTA E ELE LEVÁ-LA ADIANTE NO CONGRESSO NACIONAL, E QUEM MORA NOS ESTADOS UNIDOS, CONHECE ISSO MUITO BEM! ] Até porque, ele NÃO CONHECE o que é “ser Físico” [ MOÇÃO DE LOUVOR DADA PELO CONSELHO DIRETOR DO CEFET-RJ POR DESENVOLVER O PROJETO LUMINARES – CONSTRUÇÃO PELOS ALUNOS, PELOS ALUNOS DOS CURSOS TÉCNICOS, DE INSTRUMENTOS ÓTICOS DE OBSERVAÇÃO: OPS, FORAM CONSTRUÍDOS O MAIS POTENTE TELESCÓPIO AMADOR DO BRASIL, 4m x 30cm EM PARCERIA COM OMUSEU DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS; UM LASER DE NITROGÊNIO PULSADO, ENTRE OUTRAS COSITAS QUE FÍSICOS FAZEM ], ele só sabe o que é dar aula em cursinho(s)[ EU NUNCA DEI AULAS EM CURSINHOS, O QUE NÃO É NEHNHUM DEMÉRITO ]. Então, de cara, eu já tenho vários problemas com essa coisa, porque ela foi feita de modo completa e absolutamente unilateral, não só por ele se colocar como porta-voz dessa “causa”, como também dele apenas ter competência pra representar uma [pequena] parte dela. [VOLTE AO CASO DO CONGRESSO NACIONAL, EU CRIEI UM ESPAÇO PARA DEBATES, SE EU NÃO TIVESSE FEITO ISSO, VOCÊS ESTARIAM DISCUTINDO “SEXO DOS ANJOS” ].

    aBRAÇOS E SUCESSO!

    • sexta-feira, 7 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 21:32:16 EST

      @ Barcante,

      Apesar da resposta do Rafael jah ser mais-do-que-suficiente pra desconstruir essa sua retorica pobre; como hoje eh sexta-feira, de noite, e gente como eu estah trabalhando… me dou o direito de fazer uma replica mais direta.

      (1) Seus argumentos de autoridade, vc deve guardah-los pra si mesmo. Se vc eh ou nao doutor, com ou sem experiencia, isso pouco me interessa — vc tem os seus titulos e eu tenho os meus. Na dividida, eu sou mais eu. Mas, vc tem todo o direito de ser mais vc. O que vc nao tem, eh o direito de fazer argumentos de autoridade, como se eles valessem alguma coisa. Talvez “pra sua base constituinte”, esse tipo de argumento seja suficiente; aqui, e particularmente pra mim, eles nao valem nada — alias, valem menos ainda, porque soh mostram o quao pobre eh a sua linha e logica de argumentacao.

      (2) Sim, de fato, quem mora nos USA conhece esse tipo de processo muito bem. E a razao eh simples: aqui existe uma coisa chamada “Sociedade Civica”, que eh quando um certo grupo de pessoas se une e comeca a pleitear uma determinada causa. Alias, isso ateh tem nome, “grassroots movement”, movimento organico. Entao, de posse desse conhecimento, experiencia e pratica, eu me sinto suficientemente qualificado pra avaliar essa atitude como um ‘assalto’, um “coup d’etat”, uma vez que nao foi um “movimento organico”, organizado pelas pessoas que tem interesse diretamente no assunto.

      (3) Novamente, seus louvores ou falta deles, alunos ou falta deles, nao soh nao me interessam pessoalmente, como tambem nao tem absolutamente nada a ver com essa discussao. Jah disse, mas repito: numa dividida, eu prefiro as minhas credenciais; mas nem por isso vc me ve por aih afora, esfregando-as nas caras alheias. Portanto, se vc quer ser tratado com educacao, respeito e dignidade, faca o mesmo. Note, porem, que depois do modo como vc ‘assaltou’ (coup d’etat) esse projeto, sua retorica eh o que menos importa, pois seus atos jah foram ensurdecedores o suficiente em mostrar a que vc veio — pra mim, qualquer respeito, dignidade ou honra, morreram ali, abortados.

      (4) Quanto a dar aulas aqui ou acolah, eu fiz questao de explicar tudo de modo absolutamente detalhado, pra que meus argumentos fossem entendidos muito corretamente: em NENHUM lugar eu fiz juizo de valores nem disse que isso ou aquilo eh merito ou demerito. Portanto, NAO DETURPE NEM DESCONTEXTUALIZE minhas palavras — eu, pessoalmente, nao vou tolerar esse tipo de comportamento DESONESTO aqui nesse espaco. Ponto.

      (5) Quando a discussao sobre sexo dos anjos, eu te garanto o seguinte: Eu discutiria esse assunto com prazer, durante toda uma eternidade… porque NUNCA TIVE o MENOR interesse em regulamentar nada, principalmente a minha profissao. Entao, vc pode espernear com esses argumentos pobres e “red herring” e “straw man” a vontade — eu, assim como tantos outros, simplesmente nao se preocupariam em fazer um “coup d’etat”; se eh isso que vc chama de “sexo dos anjos”…

      O que eu acho mais incrivel em tudo isso eh o fato que JAH disse no meu comentario acima: esse tipo de projeto vai inviabilizar o trabalho honesto de varias pessoas — em particular, vai DESPERDICAR DINHEIRO PUBLICO, uma vez que ele jah foi investido na formacao dessas pessoas que vao ser legalmente proibidas de exercer a profissao. Essa conta, ninguem fez — alias, vc nem menciona esse problema; o que soh mostra falta de visao de medio e longo prazo.

      Nao vou me repetir, jah comentei sobre isso acima. O *fato* eh que, socialmente, isso eh um desperdicio de qualquer angulo que vc olhe. Vc nao ver e nao entender esse ponto, certamente nao lhe dah o direito de ser “porta-voz” dessa “causa”. Pelo contrario, vc deveria ter a hombridade e humildade de, no minimo, levar em consideracao o que jah vem sendo falado ha ANOS, quer seja no Orkut, nos blogs, etc. No momento em que eu me sentir respeitado, vc pode ter a mais absoluta certeza de que eu vou passar a respeitar — ateh lah, boa sorte… porque vc *vai* precisar.

  16. Rafael
    sexta-feira, 7 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 20:06:31 EST

    Olá Prof. Dr. Barçante,

    Independentemente da sua titulação (que embora eu esteja usando por uma questão de educação, não significa nada para mim), sua argumentação é falaciosa. Chegar e dizer “ah, eu apenas iniciei a discussão no Senado, que é um lugar apropriado para isso” é tão claramente manipuladora que eu não sei se você é ingênuo ou se quer fazer os leitores desse blog de ingênuos.

    A questão é que a discussão sobre a regularização da profissão de físico não depende da sociedade como um todo, mas sim daqueles que exercem a profissão (inclusive você, ao que parece). O Senado, principalmente o Brasileiro, não tem qualquer capacidade técnica ou conhecimento profissional para avaliar essa questão. Se você quer realmente usar os argumentos que você usou, eles tem que estar alinhados com a realidade do país.

    E a realidade desse país é que o Senado vai olhar para esse projeto de lei como uma oportunidade de fazer algo que tem uma roupagem nobre mas ninguém discutirá as implicações verdadeiras desse projeto. Tudo se resumirá há frases de efeito do tipo “Física é muito importante” ou ainda “Física é a mãe das ciências”. Tudo isso é muito bonitinho, mas não significa nada para discussão. No fim, será uma decisão baseada em interesse políticos completamente externos à decisão política que o projeto de lei envolve. É muito fácil algum político bravar “é um absurdo a física não ser regulamentada”, mas eu acho impossível alguém me provar porque é um absurdo.

    Essa decisão tem que ser feita dentro da comunidade de físicos no país. E acredite, não é tão difícil assim encontrá-los. É um fato que a imensa maioria dos físicos profissionais nesse país ou estão numa universidade ou mantém contato próximo com uma delas (mesmo o que estão fora da área acadêmica!). Se até hoje não houve mobilização, não é porque as pessoas preferem “discutir sexo dos anjos”, para usar o termo pejorativo que você se apossou, mas sim porque talvez essas pessoas não vejam necessidade dessa superestrutura burocrática.

    A realidade é que uma decisão política desse porte, se contrói fora do Senado e só chega nesse estágio quando amparada por uma parcela significativa dos profissionais da área. Isso é que dá credibilidade. E é exatamente pela falta de credibilidade da proposta atual e principalmente pela forma como ela está sendo construída na surdina que alguma pessoas, inclusive o Daniel, acredito, criticam-na tanto.

    Deixe-me fazer uma analogia…

    Você, nos seus trabalhos (laser, telescópio, sei lá mais o que) provavelmente publicou artigos associados a esses esforços. Você envia o artigo para uma revista sem antes ter a aprovação dos seus co-autores? Você simplesmente escreveria umas linhas mal feitas e enviaria para arbitragem de uma revista dizendo para os seus colaboradores “ah… lá é que é o lugar apropriado de avaliar a qualidade de uma trabalho”, ou ainda, “Quando o árbitro reclamar a gente escreve algo melhor”? Claro que não! É exatamente isso que está sendo feito nesse caso. Algumas pessoas estão simplesmente levando a discussão diretamente ao árbitro sem antes ter o aval de quem daria sustentabilidade à idéia. E o pior de tudo é que nesse caso o árbitro não tem menor idéia do que está fazendo.

  17. sábado, 8 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 11:38:24 EST

    Vive la différence!!

    • sábado, 8 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 12:07:37 EST

      Não, nem sempre “Viva a diferença”. Isso é outra frase manipuladora. Existe algo que é melhor e algo que é pior. O diferente nem sempre é o melhor.

      Algumas vezes, fazer algo diferente pode ser refrescante. Pode trazer boas e novas idéias.

      Mas algumas idéias diferentes são desastrosas. E devemos tentar evitá-las. A maneira de fazer isso é pensar antes de colocá-las em prática. E, como eu argumentei na minha resposta anterior, isso está sendo feito no lugar errado.

    • sábado, 8 ago 2009; \32\UTC\UTC\k 32 às 13:44:26 EST

      Esse é o respeito que vc mostra por idéias diferentes da sua — apesar do slogan demagógico, efetivamente, vc *nunca* entra no debate, só com comentários tangentes e impertinentes, sobre a sua ‘otoridade’ no assunto.

      É incrivelmente irônico e triste a meta-linguagem dessa sua colocação: enquanto ela parece abraçar as diferenças, como vc nunca escreve nada, fica claro que isso não passa de retórica vazia, populismo de 5ª categoria.

      Sinto muito em ter que te informar, mas seu lugar não é aqui. Nesse espaço aqui do AP, nós *argumentamos* sem falácias lógicas, sem demagogias, com robustez e solidez. E nós nunca fugimos de nos engajar no debate.

      Essa sua postura é histórica, sociológica e antropologicamente bem conhecida — aqui, vc não engana ninguém com esse seu discurso divisivo, que não só não tem como objetivo a união da Comunidade, como, pelo contrário, tem o objetivo claro de “dividir pra conquistar”, criar “castas”, “classes”… e te colocar como “Paladino” de uma dessas “classes”… que vc pretende representar, ser porta-voz, na regulamentação.

      Eu tenho nojo desse tipo de comportamento…😥

  18. segunda-feira, 10 ago 2009; \33\UTC\UTC\k 33 às 09:05:07 EST

    Pois é, acho que essa regulamentação não adiantará de nada. Repetindo algo que já foi muito falado, um físico não é como um advogado, quando você entra num curso de física, ou escolhe ser físico, você não está restrito a uma área, ora físicos são até ministros da ciência. Ainda existe a classe dos licenciados, mas, espera aí, já existe a classe de professores, então não faz diferença se seja geografia ou física, são professores e um é tão importante quanto o outro.

    Outro ponto importante é o que o Rafael levantou, o Senado pode aprovar só pra mostrar trabalho. Aí pronto complicou tudo, aí quero ver quem é de biofísica, ciência de materiais, nanotecnologia, pra onde é que vai. Agora imagine os físicos-matemáticos, cujo trabalho é exclusivamente acadêmico, não que os outros citados não sejam, mas eles também podem produzir para indústrias, já físicos matemáticos não! Então vai complicar tudo. O que se deve fazer é o governo reduzir seus gastos e investir mais em iniciativa privada, promover uma maior divulgação cinetífica, não criar um projeto de lei, que atrapalha mais que ajuda.

    • terça-feira, 11 ago 2009; \33\UTC\UTC\k 33 às 15:22:45 EST

      @ Fernando,

      Exato, vc tocou em vários dos pontos importantes em toda essa discussão: regulamentação dos professores, largura do espectro da profissão de Físico, etc. E esses são os problemas fundamentais: não dá pra regulamentar com um “pincel largo”, i.e., é preciso se fazer todas essas distinções, principalmente num país como o Brasil, onde o código jurídico é de origem romana (ou seja, vc tem que legislar sobre cada detalhe possível — ao contrário do chamado “direito comum”, que é resolvido via jurisprudência).

      Isso pra não falar no “mostrar serviço”, ainda mais no meio da atual crise do Senado.

  19. quarta-feira, 12 ago 2009; \33\UTC\UTC\k 33 às 16:43:28 EST

    Em 12/08/2009: 1.132 assinaturas a favor da Regulamentação da Profissão de Físico no site da
    ASSOCIAÇÃO DE PÓS-GRADUANDOS EM FÍSICA DA UNICAMP – http://www.ifi.unicamp.br/APGF/assina/lista.php

  20. quarta-feira, 12 ago 2009; \33\UTC\UTC\k 33 às 22:41:08 EST

    A quem interessar possa.

    Encontrei no Google a proposição que a Sociedade Brasileira de Física, através da Deputada Luiza Erundina, SP, apresentou no Câmera Federal e segue sem que seus autores divulgue-na adequadamente, ou seja, não é tratada nos Boletins da SBF (DEVE SER MAIS UM ATO SECRETO!).

    http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=312460

    O que é interessante, é que a proposta da SBF no
    “CAPÍTULO XI DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
    Art. 46 O primeiro Conselho Federal será composto pela diretoria/conselho (definir quantos membros, talvez 6 conselheiros indicados pela diretoria?) da SBF e por dois (?) representantes da ABFM , com mandato de oito meses, devendo convocar eleições para os Conselhos Regionais no prazo máximo de seis meses após sua posse.
    Parágrafo único: competirá à primeira gestão o agrupamento de Estados para formar os primeiros Conselhos Regionais.”

    ISSO É QUE É PODER SIGILOSO! ESSA PROPOSTA É TRATADA VELADAMENTE E EU É QUE FICO OUVINDO (LENDO) GRACINHA, PIADINHA ETC.

    ESCREVAM PARA A SBF, QUE TEVE NA ÚLTIMA ELEIÇÃO DE DIRETORIA A INCRÍVEL MARCA DE 1.220 VOTOS VÁLIDOS! O abaixo assinado da UNICAMP tem mais assinaturas!
    ( http://www.sbfisica.org.br/sobre/eleicoes2009/ )

    Hugs and success!

    • segunda-feira, 17 ago 2009; \34\UTC\UTC\k 34 às 12:04:26 EST

      @Barçante,

      Em primeiríssimo lugar, *nada*, absolutamente nada (!), do que *eu* disse é “gracinha” ou “piadinha” — mas vc sabe disso. Em segundo lugar, vc lê se quiser, não tem ninguém te obrigando a absolutamente nada.

      Isso posto, novamente, preste atenção às falácias lógicas — aliás, no seu caso, é melhor prestar atenção dobrada, porque vc comete erros lógicos demais.😥

      Veja o seguinte: toda essa “tempestade” sobre a regulamentação da *já* existente profissão de Físico só está acontecendo, hoje, porque essa bola foi levantada em algum ponto no passado. Agora, me responda: Quem foi que começou com essa estória? Quando foi que a SBF entrou nesse jogo?

      Logo, tente não violar causalidade — Físicos que se prezem costumam respeitar a ordem temporal de causas e conseqüências (relatividade tico-tico😛 ). Se vc não tivesse feito tudo, desde o começo, do modo como vc o fez, muitíssimo provavelmente nós não estaríamos tendo essas discussões hoje em dia. A SBF, como eu já disse, teve que entrar no meio dum jogo onde as regras já estavam largamente estabelecidas e tentar *remediar* essa situação deplorável que *vc* criou.

      Portanto, pelo menos tenha a *hombridade* e a *honra* de ASSUMIR a RESPONSABILIDADE dos SEUS atos. E não saia por aí culpando os outros /a posteriori/ — isso é patético, além de ser ilógico (basta seguir o link acima).

      Pra fechar, te digo mais uma coisa: 1220 votos não significam absolutamente *NADA* — vc tem certeza que se formou Físico?! O único número importante e relevante nessa discussão é a FRAÇÃO que esses 1220 representam do TOTAL de Físicos no Brasil: Qual é essa porcentagem, vc sabe?! Se vc não sabe, não tente falar daquilo que vc não conhece — essa costuma ser uma boa premisa pra se manter a coerência lógica numa argumentação racional. Se vc sabe, por favor, cite-o, eu agradeceria.

      Digo mais uma vez, agora dum jeito um pouco diferente, pra ver se vc entende duma vez por todas: essa idéia de regulamentação da profissão de Físico não é molho de tomate pra ser decidida através duma Gaussiana, i.e., via uma “votação simples e direta” sobre o assunto. A razão é absolutamente trivial (pra quem pára e *pensa* sobre esse assunto): ao contrário de atender a vários tipos diferentes de “profissões de físico”, essa regulamentação tenta passar um “pincel largo” pra “atender a todos”. Isso é absolutamente o mais distante que se pode chegar da verdade como a Física funciona enquanto Profissão. Agora, se vc falasse em termos de *múltiplas* regulamentações, uma para cada “tipo” diferente de Física… aí, aí a gente até poderia sentar pra conversar! Mas, esse não parece ser o seu intuito.😥

      • segunda-feira, 17 ago 2009; \34\UTC\UTC\k 34 às 15:18:16 EST

        Uma estimativa:
        Me formei no bacharelado em 1980 com mais 5 alunos.

        Vamos supor que o nº 5 seja a média de bacharéis que se formam por semestre nas Universidades Públicas.

        Se só ficarmos com as IF’s o nº gira em torno de 56, fora as unidades avançadas etc

        56 IF’s x 2sem x 5 alunos x (2009-1980 = 29 anos), totalizando 16.240 físicos formados, fora os licenciados, os formados nas Estaduais, municipais e privadas.

        Além disso:
        “Boletim [001/2004]
        REGULAMENTAÇAO PROFISSAO DO FISICO (pela Comissao de Regulamentaçao da Profissao de Físico)

        —————————————————–

        REGULAMENTAÇAO PROFISSAO DO FISICO

        Em matéria recente publicada na imprensa, foi destacada a presença dos físicos no comando da ciência brasileira. Em contraposiçao aos destaques apontados registra-se o numero pequeno de formados em Física em 2002, que corresponde a cerca de 0,3 % dos 466 mil alunos que concluíram cursos de graduaçao no pais naquele ano. Deve-se considerar ainda que 572 dos 1352 formados fizeram a graduaçao em cursos de formaçao de professores, cuja atuaçao, importantíssima, está focada no ensino médio e fundamental. Uma pergunta que surge refere-se ao destino profissional dos outros 790 graduados e, como estao se formando cerca 180 doutores em Física por ano, verifica-se que há uma parcela considerável de físicos que direciona sua atuaçao para fora do âmbito dos magistérios básico e superior. Uma pista para a resposta a essa pergunta está nas reformulaçoes curriculares processadas por vários cursos de Física e nas novas propostas de cursos que, baseados nas Diretrizes Curriculares do MEC, deslocam o eixo formador centrado em perfil acadêmico tradicional, para modalidades com fortes componentes aplicadas e de interaçao com outras áreas, como Física de Materiais, Física Medica, Instrumentaçao, etc.”

        OBS>
        Do lado hacker/geek da coisa… como Voltaire disse:

        “Posso discordar do que vc diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo!”

        Por outro lado, propus um Projeto para ser debatido, e não ditei uma Lei.

        No âmbito do Senado ele tem sido debatido e alterado. Fora do Senado também, caso contrário, não estaríamos aqui.

        NUNCA DISSE QUE TINHA AS RESPOSTAS PARA TUDO. NUNCA DISSE QUE EU ESTOU CERTO E OUTROS ERRADOS. SÓ NÃO GOSTO DE SER OFENDIDO – É COISA DE SANGUE ITALIANO!

        E SÓ O TEMPO, O ENVOLVIMENTO DOS IF’S, O RECONHECIMENTO DA SOCIEDADE ETC É QUE GARANTIRÁ OU NÃO A ABSOEÇÃO DOS FÍSICOS PELO MERCADO DE TRABALHO, COMO FÍSICOS E NÃO COMO ANALISTAS DE ALGUMA COISA.

        NO QUE DIZ RESPEITO À VIDA ACADÊMICA, TUDO COTINUARÁ COMO DANTES NOS QUARTÉS DE ABRANTES.

        • segunda-feira, 17 ago 2009; \34\UTC\UTC\k 34 às 17:48:27 EST

          @Barçante,

          Usando os números que vc citou acima, eu vou fazer uma estimativa conservadora e dizer que, de 1970 pra cá, existem cerca de 20.000 Físicos no Brasil. Assim, as tais 1220 assinaturas não passam de 6% dos Físicos Brasileiros (segundo seus próprios números)! E isso que eu nem subdividi em Licensiados ou Físicos Médicos, que têm sido os mais interessados nessa regulamentação — porque, aí, essa percentagem seria ainda *menor*.

          Dessa forma, o que não me cabe na cabeça, é como é possível vc querer afetar todos os outros 94% (ou mais!) de modo negativo, com esse “pincel grosso” que vc usou pra pintar essa regulamentação no Senado. Vc há de concordar comigo (porque, agora, temos *números*) que isso é completamente descabido. Ou seja, isso só vem a reforçar o que eu disse acima: seria necessário, primeiro, se *subdividir* a Profissão de Físico em suas várias distintas categorias, pra só então se regulamentar aquela correspondente a esses <6% dos Físicos formados desde 1970.

          Continuando… como vc vê, essa citação de Voltaire que vc "cut'n paste" do meu perfil, eu nunca fui contra vc se expor e dizer o que pensa — pelo contrário, vc nunca foi barrado de se expressar em nenhum dos meus blogs ou comunidades, nem está sendo aqui no AP. Portanto, como vc vê, todos nós temos exercitado o máximo de civilidade cabível. Porém, "sangüe quente" por "sangüe quente", eu também tenho o meu [italiano]… e vc, pessoalmente, *nunca* foi ofendido — o que *eu* sempre fiz foi o chamado 'fisking‘ de tudo que vc diz. E eu faço isso *sempre*, não só com vc, mas comigo mesmo também — aliás, é *exatamente* assim que a Ciência funciona; em particular, é assim que um editor, um ‘referee’ (“árbitro”), avalia todo e qualquer trabalho submetido pra publicação. Portanto, tudo que eu tenho feito é aplicar a mesma “navalha científica” de forma equalitária, quer sejam argumentos lógicos, científicos, racionais… ou projetos de leis ou regulamentações. Então, eu sinto muito se vc se sente ofendido com esse comportamento, onde se faz a desconstrução dos seus textos, mas vc nunca é ofendido pessoal ou moralmente, apenas os seus argumentos: basta vc reler tudo que nós trocamos e vc *não* vai encontrar nada do tipo “[o Barçante] é “A” ou “B” ou…”; eu sempre digo que seus argumentos “X” e “Y” levam às conclusões “Z” e “W” e, partir delas, pode se concluir “C” e “D”. Isso é essencial e fundamentalmente diferente de “difamação [de caráter]” ou “ofensas pessoais”.

          No mais, eu já disse anteriormente, mas me repito: meu problema com tudo isso não é a coisa propriamente dita, i.e., a regulamentação /per se/; mas sim o *modo* como isso tudo aconteceu. SE, ao invés de “sair metendo as caras”, vc tivesse contactado a SBF (que é o mais próximo duma “organização” que a Física tem — logo, é o órgão natural pra se criar um palco pra esse tipo de discussão), discutido as suas idéias, recebido um feedback, etc, etc, etc… muito provavelmente nós nunca iríamos nos encontrar nessa situação de hoje, pois tudo teria decorrido dum modo muito mais sólido e robusto, além de ter evoluído pelos canais apropriados. Veja, basta olhar pro exemplo desse post aqui e seus comentários: acima eu propus algo que, IMHO, pode ser um “game changer” nessa discussão: a regulamentação de apenas algumas áreas específicas da Física — i.e., usando um argumento estatístico, nós teríamos tornado essa ferramenta da regulamentação algo muito mais “afiado” do que é hoje. E, certamente, todos estariam mais felizes.

          Agora, no que diz respeito à vida acadêmica, não é verdade que as coisas vão continuar “a toque de caixa”… porque, e.g., gente como eu será *proíbida* de exercer a profissão, assim como gente como o Mário Schönberg, ou o José Leite Lopes… expoentes internacionais da Física brasielria! Portanto, muito cuidado quando vc for falar daquilo que não sabe — mais ainda agora, sob a luz dos números que eu pus acima.

          • segunda-feira, 17 ago 2009; \34\UTC\UTC\k 34 às 21:01:04 EST

            Daniel.

            O Pingueli é Físico e foi diretor da COPPE/UFRJ. Eu conheço Psicólogos que são professores da COPPE. Conheço engenheiros que são professores da COPPEAD. Mario Henrique Simonsen (patrono da FGV) era engenheiro! Conheço engenheiros que são professores da FEA/USP!

            Eu sou bacharel e licenciado em Física e sou professor dos Departamentos de Administração Industrial e de Engenharia de Produção do CEFET-RJ (MSc e Dsc em Eng. de Produção). Em geral nas IF’s temos professores com formação básica diferente daquela do curso de graduação.

            Sem querer me enaltecer, publiquei 4 livros sobre modelos de gestão, utilizando modelos que aprendi na Física – a Física trabalha com modelos o tempo todo.

            O máximo que um Conselho Profissional pode fazer é pressionar, sugerir etc, mas as universidades têm autonomia administrativa e financeira. O que vale é o que está escrito no Edital dos Concursos Públicos. A BANCA É SOBERANA!!

            Por outro lado, você soube da minha existência a partir de 2005, mas desde 1977, quando ingressei no bacharelado na UERJ (em plena ditadura) eu luto por uma regulamentação e, desde aquela época só ouço “não é hora”, “fulano não apóia”, “siclano é contra”, “o CREA não vai deixar”, “a Sociedade XPTO tem um Projeto” etc.

            Então decidi agir! “Quem espera nunca alcança….”

            • terça-feira, 18 ago 2009; \34\UTC\UTC\k 34 às 09:19:47 EST

              @Barçante,

              Pessoalmente, eu prefiro “(…) quem sabe faz a hora/ não espera acontecer (…)”😉

              Veja, eu entendo a sua frustração… aliás, no seu lugar, depois de quase 30 anos, eu provavelmente estaria tão frustrado quanto, quiçá até mais. Então, eu simpatizo com os seus sentimentos, que te motivaram a agir.

              O que eu discordo é o modo como vc decidiu agir… em inglês o termo é “shoot [yourself] in the foot”, em português a gente diz “meter os pés pelas mãos”. Como eu disse acima, pessoalmente eu teria escolhido outro caminho, propondo várias tipificações da profissão de Físico, mirando a regulamentação apenas naquelas sub-classificações que, de fato, demandassem algo do gênero, e assim por diante — e entregaria esse meu “plano” para a SBF (que é o único ógão que “organiza” as atividades dos Físicos do país — portanto, o mais próximo daquilo que seria o apropriado numa situação como essa).

              Então, veja, nos moldes das *atuais* propostas, eu realmente me oponho à regulamentação. Porém, se a proposta tivesse sido feita próxima aos moldes que eu descrevi acima, certamente minha posição perante a regulamentação seria *significativamente* diferente — pra mim, o “fazer a hora” teria sido exatamente isso.

              Infelizmente, uma atitude assim, mais robusta, teria sido infinitamente mais difícil de se atingir… eu sei disso. Assim como também estou ciente de que, no meio de tamanha frustração, decidir degladiar com um monstro tão maior não costuma ser a escolha mais popular. Eu realmente entendo isso.

              Entretanto, no presente momento, a situação passa a ser uma de “contingência”, na tentativa de evitar que “maiores maus” aconteçam… e essa coisa de “correr atrás do prejuízo” nunca dá certo… a gente sempre acaba com uma colcha-de-retalhos — o que só contribui para desgastar ainda mais as tênues relações sócio-econômico-culturais que já existem no nosso país.

              Mas, por outro lado, eu fico feliz de estarmos começando a nos entender — isso, por si só, já é um belo progresso.

  21. Lucas de Berredo
    quinta-feira, 13 ago 2009; \33\UTC\UTC\k 33 às 10:19:01 EST

    Projeto da Deputada Erundina / SBF solicitando ao Presidente da República que o primeiro Conselho Federal de Física seja formado pela Diretoria da SBF.
    http://www.camara.gov.br/sileg/integras/566680.pdf

  22. quarta-feira, 19 ago 2009; \34\UTC\UTC\k 34 às 09:10:50 EST

    Posso estar redondamente enganado, mas o que parece que a SBF quer com o projeto, é se tornar um sindicato de físicos, bem não sou muito a favor de sindicatos, claro que o trabalhador precisa ser representado, mas as formas que os sindicatos tomaram aqui no Brasil, são diferentes do que entendo por defender os direitos dos trbalhadores.

  23. quinta-feira, 20 ago 2009; \34\UTC\UTC\k 34 às 06:11:05 EST

    É parece que somos tutti fratelli!

  24. Adriano Batista Prieto
    domingo, 17 abr 2011; \15\UTC\UTC\k 15 às 20:05:43 EST

    Lindo post. Também sou contra a regulamentação. Esse texto conseguiu reunir a maioria dos argumentos pró e contra a regulamentação e, obviamente, os argumentos contrários, na minha opinião, venceram. Dei uma palestra no CBPF em novembro de 2010, “O Físico no Mercado de Trabalho”. Lá complemento a argumentação mostrando que não há uma Indústria Física, como a Indústria Química ou a Automobilística e, por isso, não faz muito sentido regulamentar a profissão de físico. O link dos vídeos está em “http://152.84.199.71/apg/projetovideoaulas/modulo2/2010/02_semestre/Seminarios/brutos/”. Parabéns pelo texto.

  25. Eduardo Mascarenhas
    quinta-feira, 18 jul 2013; \29\UTC\UTC\k 29 às 23:29:21 EST

    parece um cara que foi humilhado pelo conhecimento em ciência de um físico,kkk você deve ser engenheiro ,concerteza

  26. centrodecriadoresdecanarios - 3C
    terça-feira, 27 ago 2013; \35\UTC\UTC\k 35 às 19:55:24 EST

    O SISTEMA CONFEA/CREA SE MOBILIZA PARA QUE A PROFISSÃO DE FÍSICO FAÇA PARTE DO SISTEMA CONFEA/CREA E NÃO SEJA CRIADO UM NOVO CONSELHO:
    ACESSE:
    1) Grupo 7 – PL 1025/2011 – regulamentação da profissões de físico: http://www.confea.org.br/media/apresentacao_Grupo07.pdf
    2) http://www.youtube.com/watch?v=LPh8fJTPo5g

  1. sábado, 3 jul 2010; \26\UTC\UTC\k 26 às 13:28:47 EST

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: