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O Cisne Negro e a Criatividade…

quarta-feira, 15 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 9 comentários

Faz algum tempo que eu venho mastigando e ruminando sobre esse tema da criatividade, ainda mais durantes esses tempos de ‘publish or perish’ em que vivemos atualmente.

Todos os tipos de índice bibliométricos são usados numa tentativa de se “classificar” o conhecimento sendo produzido. Infelizmente, enquanto bibliometria, os índices são úteis, porém, quando se tenta usá-los pra se qualificar a pesquisa sendo feita… aí a ‘porca torce o rabo’… feio. Mas, hoje em dia, todas as agências de fomento usam esses índices — aliás, no exterior, eles são usados pra tudo, desde classificação da lista dos candidatos a contratação, …, até o salário do pesquisador!

O problema, de fato, não é a tentativa de se medir a produção dos pesquisadores e, assim, tentar se inferir a qualdiade de seus trabalhos. O problema é que esses índices bibliométricos são altamente “sociológicos” (por falta dum termo melhor): o que eles medem mesmo é a rede social dum determinado pesquisador! E, aí… aí as coisas começam a ficar complicadíssimas… porque há muito poucos estudos nas linhas do que já foi amplamente sugerido por Pierre Bourdieu no livro Homo academicus (também recomendo o livro Distinction: A Social Critique of the Judgement of Taste do mesmo autor). Aí também iria acabar sendo necessário se levar em consideração os livros Against Method e Science in a Free Society… e a coisa complicaria demais…

Ainda numa das primeiras encarnações do meu blog, eu fiz uma experiência sobre isso… e, de fato, a correlação entre “rede social” e “índice bibliométrico” é alta. Donde se pode concluir que há “nichos ecológicos” na comunidade científica, i.e., se a gente considera a comunidade científica (e.g., de Físicos, só pra fixar o exemplo de modo mais concreto) como um “organismo vivo”, então é possível se falar na ecologia da mesma (ou melhor, em termos de ecologia de sistemas, ou ecologia teórica), e, a partir daí, fica fácil de se entender o que os tais “nichos” significam (há mais detalhes… mas, vamos deixar pros comentários 😉 ).

O fato é que enquanto o sistema está num estado estacionário de equilíbrio dinâmico, tudo funciona de modo “ótimo”. Porém, quando processos irreversíveis são introduzidos no sistema… tudo muda. Em particular, processos irreversíveis podem ir se acumulando… até criar um ponto crítico, a partir do qual o sistema vai se “fracionando”, i.e., diferentes “fases” vão se formando. E, assim, nascem “cismas” na comunidade… alguns chamariam de “classes” (como em “classe social”). E assim os nichos ficam cada vez mais divididos.

Bom, agora não é preciso nenhum grande oráculo pra concluir que esse tipo de ambiente não é nada proveitoso pra nutrir a formação criativa dum indivíduo. Aliás, pelo contrário, o ambiente onde a criatividade é mais organicamente nutrida é exatamente num estado de equilíbrio, onde há todo tipo de mobilidade e possibilidades de se navegar por todos os lados (satisfazendo todos os tipos de curiosidades, além de fomentar a multi- e inter-disciplinaridade, dando uma visão mais “global”, mais “holística” e mais “orgânica” do processo todo)!

As referências abaixo aprofundam um pouco essa discussão, mostrando como, por exemplo, o quão semelhantes as grandes descobertas científicas são quando comparadas a transições de fase, algo que me soa muito como as idéias de Kuhn (expostas no livro The Structure of Scientific Revolutions) — mas isso fica pros comentários também 😉 .

O fato é que existem diferentes tipos de cientistas, como bem diz o Dyson abaixo, e existem os tais “cisnes negros”, aquelas pérolas raras, que aparecem muito de vez em quando, e mudam o caminho que todos vinham seguindo até então. (Apesar de soar meio “mártir messiânico”, a coisa não é bem assim… 😛 ) O resto cabe a sociedade, passando a entender e aceitar cada vez mais o trabalho dos Cientistas e os benefícios da Ciência — incluindo o quão diversificado e longo são os tentáculos da dita cuja.

Então, sem mais, eu recomendo que vcs se divirtam com os textos abaixo… 😎

Referências…

Atualizado (2009-Apr-16 @ 10:18h EDT): Na ânsia de acabar o texto e postá-lo aqui no blog, acabei me esquecendo de alguns vídeos que gostaria de ter posto ao longo do texto. Ei-los aqui, porém sem os comentários que eu gostaria de ter feito (esses ficam pros comentários desse post 😉 ),

Agora sim, a diversão está ainda mais garantida!

😈

John Maddox (1925-2009)

quarta-feira, 15 abr 2009; \16\America/New_York\America/New_York\k 16 2 comentários

Sir John Maddox

Sir John Maddox


Embora possa ser notícia um pouco atrasada, eu só fiquei sabendo agora. John Maddox faleceu em 12 de abril. Ele foi editor-chefe da Nature durante décadas. Talvez você o conheça pelo notório caso da homeopatia em 1988, quando Maddox e James Randi organizaram uma investigação que derrubou declarações de um médico, após este publicar na Nature supostas evidências de que água possuia memória, o que seria a base química da homeopatia. O relatório da Nature de Maddox e Randi concluiu que as alegações eram falsas e erros no procedimento científico foram cometidos, mas até hoje a idéia de “memória da água” persiste como um meme.

Esta semana a Nature publicou um edital especial em memória a Sir John Maddox e semana que vem publicará outros ensaios em sua homenagem.

Maddox estudou química e física na Universidade de Oxford e no King’s College de Londres, e após breve período como professor de física na Universidade de Manchester, seguiu sua brilhante carreira no jornalismo científico, até tornar-se editor da Nature em 1966.

Ele foi autor do livro O que falta descobrir, escrito em resposta ao sucesso de O Fim da ciência do jornalista John Horgan.

Outras fontes: The Times, Scientific American.

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