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Uma apologia a educação científica

sábado, 9 maio 2009; \19\America/New_York\America/New_York\k 19 6 comentários

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Categorias:Ars Physica

Como os hippies salvaram a Física

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Nem sempre a pseudociência é charlatanismo. As vezes ela é autêntica exploração de idéias, embora ingênuas e com métodos muito aquém do rigor científico. David Kaiser é um professor do centro de Ciência, Tecnologia e Sociedade do MIT que está preparando um livro, Como os hippies salvaram a Física, onde ele fará um apanhado histórico de como alguns físicos desempregados na Califórnia no pós segunda guerra financiados por diversas fontes curiosas, e.g. certos empresários excêntricos e a CIA, exploravam explicações dentro da mecânica quântica para percepção extra sensorial (ESP). Kaiser segue um grupo de hippies, auto intitulados “The Fundamental Fysiks Group”, que marcava regulares debates sobre o teorema de Bell em um auditório no Lawrence Berkeley Lab, que não apenas tiveram participação no clima e ambiente para o sucesso e o material de O Tao da Física de Frijot Capra como também motivaram alguns dos avanços básicos da teoria da informação quântica e da computação quântica — nesse caso, ciência muito séria. Por exemplo, o teorema da não-clonagem aparentemente foi demonstrado a primeira vez como uma resposta a um artigo de um desses hippies, Nick Herbert. O objetivo de Herbert era mostrar a existência de comunicação acima da velocidade da luz usando a mecânica quântica. O que não está no artigo original de Herbert, mas fica evidente através da história contada por Kaiser, é que a linha de chegada para essa pesquisa consistia em explicar fenômenos paranormais como os alegados por Uri Geller! E não pense que essas pesquisas eram feitas em casa em momentos de ociosidade: um outro grupo de físicos que fazia o mesmo tipo de pesquisa era sediado em um laboratório da Universidade de Stanford. Eventualmente, vários dos interessados se organizaram para alugar um espaço na Califórnia que serviu de encontros anuais de debate do teorema de Bell, o verdadeiro Instituto de Estudos Avançados de quântica-hippie! Entre os freqüentadores, incluía-se renomados físicos de posições prestigiadas acadêmicas na Europa, que no final dos anos 70 só podiam encontrar ali um espaço de de debate sobre o teorema de Bell. O próprio John S. Bell, Bernard d’Espagnat e John Wheeler faziam parte da mala direta de publicações dessas pessoas, embora a participação presencial desses acadêmicos mais respeitáveis parece que não existiu.



Da esq. p/ dir.: Jack Sarfatti, Saul Paul Sirag, Nick Herbert, e Fred Alan Wolf em 1974, auto-intitulado Grupo de Pesquisa Física da Consciência. Eles buscavam dar base a paranormalidade usando mecânica quântica.

Ao mesmo tempo que toda essa história estava se desdobrando um pouco fora do meio acadêmico formal, Carl Sagan e James Randi debatiam na mídia e em livros contra essas idéias. Um relato, com alguns elementos históricos da situação dos anos 70 e 80 com relação a ESP nos Estados Unidos, encontra-se no livro de Sagan O Mundo Assombrado pelos Demônios — que foi escrito como uma resposta a esse movimento, chamado genericamente de Nova Era.

Isso que escrevi é só para dar um gostinho. 🙂 Você pode ver a história completa do que vai ser o livro em uma excelente palestra do David Kaiser (Download da palestra, 814 MB, 1h, formato QuickTime).

Kaiser escreveu outro livro interessante, Drawing Theories Apart, sobre a história dos diagramas de Feynman.


Como auxílio no pano de fundo da história, você talvez queira ver esse vídeo onde James Randi fala sobre Uri Geller:

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