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Twitter-AP mashup de final de ano

quinta-feira, 23 dez 2010; \51\UTC\UTC\k 51 Deixe um comentário Go to comments

Yo!

Recentemente tenho usado mais o twitter que o blog para compartilhar novidades em física e então resolvi pegar as últimas besteiras que postei por lá e fazer uma pequena lista por aqui. Talvez atinja um público maior.

  • US Lags Behind China on PISA exams : O sistema de educação dos EUA é algo muito estranho, mas enquanto eles continuarem a ser atrativos o suficiente para importar cérebro, nada vai mudar. Um sistema baseado numa eduação privada, onde um term pode passar do 30k dólares não pode dar certo mesmo.
  • Physics World reveals its top 10 breakthroughs for 2010: Dois ítens nessa lista foram dados a projetos que ainda são apostas. 10th place: CERN achieves landmark collisions e 1st place: Antihydrogen success Os dois experimentos do CERN realmente vão fazer física de primeira linha, ninguém duvida disso. Mas ainda não fizeram.
    Acho que ninguém espera que o experimento ALPHA diga algo diferente de “eh, veja só, o teorema CPT funciona mesmo”, mas é sempre interessante quantificar o quanto ele funciona. O LHC, no próximo ano, passará o Tevatron em número de eventos da maioria dos processos físicos relevantes e passará a fazer excelente física, como já discutimos muitas vezes aqui.
    Dois ítens são divertidos e curiosos: 5th place: Hail the first sound lasers e 6th place: A Bose–Einstein condensate from light. De alguma forma eles são correlacionados. Emissão estimulada de fótons é simples, mas é complicado em fônons e essa foi a grande dificuldade em se criar um laser de som. Por outro lado, fazer um gás de fótons com potencial químico não nulo, condição necessária para condensação de BE é difícil, mas muito fácil em bóson massivos (basta deixá-los livres). Esses dois trabalhos mostraram sistemas bosônicos se comportando de forma não usual e podem ter diversas aplicações interessantes. O meu ítem preferido da lista é o 9th place: Proton is smaller than we thought. Randolf Pohl e colaboradores no Insituto Max Planck de Óptica Quântica em Garching, Alemanha, mediram o deslocamento Lamb, que é a separação entre os níveis 2S1/2 e 2P1/2, num hidrogênio muônico e concluiram que o resultado está em desacordo com as contas feitas em QED. É difícil imaginar que a QED tenha algum problema nessa ordem de energia, é mais provável que a conta não tenha sido feita com precisão suficiente. Essa é uma conta particularmente difícil, pois envolve não somente estados ligados em TQC mas também traduzir quantidades relativísticas em não relativísticas, o que nem sempre é imediato. Essa conta deve estar sendo revisada, e depois disso o resultado da medida poderá nos dar novos limites de nova física, o que é realmente muito interessante.
  • Dois bons reviews sobre aspectos de teorias de gauge surgiram nos arXiv. O primeiro é um grande review sobre integrabilidade no setor planar de N=4 SYM por Beisert e colegas que já estava prometido a algum tempo: Review of AdS/CFT Integrability: An Overview e o outro é uma edição especial do Journal os Physics A sobre Scattering Amplitudes in Gauge Theories, com dois artigos já no arXiv: SUSY Ward identities, Superamplitudes, and Counterterms e Loop amplitudes in gauge theories: modern analytic approaches. Os assuntos nesses três artigos são bem interessantes. Encontrar uma QFT interagente 4 dimensional que você pode resolver exatamente (ainda que apenas no setor planar de uma teoria com uma quantidade imensa – máxima – de supersimetrias e conforme – sem parâmetros dimensionais) é bem impressionante. O terceiro artigo discute QCD, que é bem mais complicada que N=4 SYM, e novos métodos para se calcular correções quânticas de quantidades medidas nos experimentos de altas energias.
  • Nesse final de ano tivemos várias conferências interessantes sobre o LHC. É sempre muito empolgante tentar descobrir coisas novas. A realidade é que todo mundo sempre olha para quem descobriu primeiro um novo fenômeno. Mas, como um pesquisador lá do IFT, onde fiz meu mestrado (e agora é nota 7 pela CAPES, o que já era merecido há muitos anos!!!), sempre defendia à exaustão: na compreensão profunda de fenômenos conhecidos é possível fazer tantas descobertas quanto num andar bêbado por landscapes inexplorados. Esse tipo de física também será feita no LHC e essa conferência Challenges for Precision Physics at the LHC teve várias discussões muito interessantes sobre os desafios que terão que ser vencidos para isso. Um dos assuntos mais complicados é a distribuição de densidade partônica dos prótons. Há muitas medidas que estão chegando perto (ou já chegaram) de ser limitadas por nossa ignorância e incapacidade de calcular estrutura partônica dos hádrons e há uma necessidade crescente e urgente de uma melhor compreensão dessa física. Particularmente, queria chamar atenção para a apresentação do Giancarlo Ferrera mostrando os avanços do seu grupo em Florença nos calculos de precisão e um novo método de resomação de glúons de baixa energia e colineares que é muito mais limpo que o famoso método de CSS (e infintamente melhor que qualquer algorítmo de showering tradicional). Eles prometeram divulgar o programa que implementa o cálculo deles em breve. Estou aguardando ansiosamente!
  • Os experimentos do LHC continuam escrevendo papers sobre procura de nova física quando essa apresenta sessões de choque ridiculamente gigantes e assinaturas experimentais muito simplórias. Uma das mais comentadas nessas últimas semanas foi um artigo do CMS procurando por mini buracos negros num cenário ADD compacificado em S^n com raios todos iguais a M_D: Search for Microscopic Black Hole Signatures at the Large Hadron Collider. Para não perder o costume, esse artigo é muito estranho. O método que eles usaram foi procurar por modificações na distribuição de SET dos objetos com alto momento transverso (nesse caso, eles usaram um limite de 50 GeV). O principal background são eventos de multijatos em QCD mas, nesses casos, a distribuição de SET é independente da multiplicidade de objetos com alto momento transverso. Na verdade, eu não tenho muita intuição sobre o porque disso e nem até que ponto isso pode ser realmente provado, mas eles separaram um sample com N=2 objetos, fitam uma curva e testaram com um sample de N=3.🙂 Ok, ok… sem comentários… eles disseram que também testaram essa hipótese com geradores capazes de fazer essa conta (a maioria usando métodos de unitariedade discutidos no review acima). Com essa estimativa de background, eles procuram buracos negros em eventos com alta multiplicidade e não encontraram nada. Sinceramente, dada a falta de controle teórico e experimental dessa medida, eu estaria surpreso se tivessem encontrado.
    As únicas incertezas relevantes são de luminosidade e escala de energia dos jatos. Buraco negro decai em qualquer coisa: a radiação de Hawking é uma radiação térmica, então não há preocupação nenhuma com identificação de eventos/partículas. Mas ao mesmo tempo há tantas hipóteses injustificadas sobre o que está se medindo (por exemplo, eles assumem que mesmo com uma M_{Pl} efetiva pequena, nenhuma energia é carregada por grávitons. Eu não tenho a menor idéia de como justificar isso!)… bem, ignorando esses detalhes, pela primeira vez se pôs limites em (n,M_D,M_{BH}) através de procuras diretas. O CMS também publicou procuras por leptoquarks, algo tão sem controle quanto os buracos negros. São novos limites, mas nada fisicamente muito significativo. Só estou comentando porque minha vizinha de sala está trabalhando nisso com os dados do ATLAS e acho que ela não deve estar muito feliz de ter sido scooped.😛
  • A notícia realmente fantástica dessas últimas semanas vem da imunologia: Evidence for the cure of HIV infection by CCR5{Delta}32/{Delta}32 stem cell transplantation.. Isso é mesmo uma possibilidade de cura da AIDS? Eu não sou imunologista e, embora eu tenha lido o artigo, é muito difícil para mim fazer uma leitura crítica e identificar loopholes. Mas que a coisa parece fantástica, isso parece! Já pensou se no futuro terapias gênicas usando células troncos forem realmente a respostas contra a AIDS? Seria um grande “cala a boca” nesse críticos idiotas que ficam freando a ciência com leis tacanhas.

And that’s all.

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