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Fim dos experimentos de colisão do Tevatron

segunda-feira, 10 jan 2011; \02\UTC\UTC\k 02 Deixe um comentário Go to comments

Em caso vocês não tenham ouvido falar, os experimentos de colisão do Tevatron não serão estendidos, conforme anunciado hoje por Bill Brinkman, chefe do Escritório de Ciência do DOE. O caso científico foi julgado como bom, mas não há fundos disponível.

Letter from W. Brinkman to M. Shochet

Isso quer dizer que o D0 e o CDF terminarão suas vidas no fim desse ano fiscal, em setembro. Agora é só com o CMS e o Atlas no LHC.

Comentando: Essa é uma notícia muito triste. Como a gente frisou muitas vezes aqui, tem ainda muito campo para fazer física com os dados do Tevatron. Claro que nenhuma procura por novas partículas poderia ser feita, mas há campo para diversas boas medidas: melhorando as técnicas de detecção e diminuido as incertezas sistemáticas.

O que é realmente triste é terminar um programa de colisão nos EUA sem ter outro em vista. É verdade que tanto um colisor linear como o ILC ou o CLIC quanto um colisor de múons apresentam desafios tecnológicos que ainda não somos capazes de solucionar, mas seria fantástico se o futuro de pelo menos um desses projetos fosse mais certo nos EUA quando o Tevatron desligasse.

Pelo menos em curto prazo, o programa de altas energias americano vai se concentrar em física de neutrinos (fora, claro, o LHC onde os EUA são o maior participante). Mas física de neutrinos não vai manter esse país na vanguarda da área. E a realidade é que não existe outro país no mundo tão disposto a investir em ciência básica quanto os EUA.

😦

Categorias:Ars Physica
  1. Leandro Seixas Rocha
    segunda-feira, 10 jan 2011; \02\UTC\UTC\k 02 às 17:00:53 EST

    Então, repetindo a pergunta…

    Rafael, como é que anda as conversas sobre o ILC, o VLHC e outras propostas de aceleradores no EUA?

    Lembro que em 2009 as conversas não eram nada otimistas. O que mudou desde então?

    • segunda-feira, 10 jan 2011; \02\UTC\UTC\k 02 às 18:03:29 EST

      Oi Leandro,

      O ILC perdeu muita força nos últimos anos. Ainda tem gente muito boa trabalhando paralelamente em R&D para o ILC, mas a verba está cada vez mais magra. A última boa notícia foi que pessoal no Jefferson Lab conseguiu produzir cavidades com aceleração suficiente para o funcionamento do ILC. Um pequeno passo, mas relevante.

      O VLHC ninguém realmente fala.

      Há uma certa atividade em direção a um colisor de múons. Mas tanto o ILC quanto um colisor de múons tem desafios tecnológicos fantásticos. Campos magnéticos ridiculamente grandes, feixes muito intensos, problemas para resfriar feixes, problemas de radiação no laboratório, … ninguém sabe como resolver esse tipo de problema… ainda… e enquanto não houver soluções práticas, não vai ter dinheiro.

      Na verdade, nem com a tecnologia desenvolvida eu acho que vai ter dinheiro. Os EUA definitivamente decidiram concentrar os investimentos no LHC. Só que isso é furada, pq os centros europeus tem muita vantagem por estarem geograficamente próximos. Os EUA nunca vão ter um papel de liderança no LHC.

      Talvez eles voltem a investir em Teoria de Supercordas, quem sabe? 😉 … Mas eu duvido que alguém nos EUA volte a investir maciçamente em teoria de supercordas como fizeram no passado. Pessoal aqui ficou muito traumatizado. Mas é uma pena, porque vai chegar a época em que teoria de supercordas vai ser a linguagem da física de altas energias. Praticamente todas as extensões concebíveis do Modelo Padrão foram modeladas com teoria de supercordas e muitas delas inclusive receberam inputs desse modelamento. Não importa o que for descoberto no LHC, alguma “explicação” em teoria de supercordas vai aparecer e vai ser chamada de “natural”. Minha maior expectativa é em fenômenos que dependem do regime de acoplamento forte das interações, como a física difrativa. Nunca se aprendeu muito de QCD com física difrativa. O programa do Tevatron foi muito pobre… Mas o programa do LHC para essa região fortemente acoplada das interações fortes promete ser bem melhor e é possível que teoria de supercordas tenha um papel importante para descrever corretamente esses fenômenos, inclusive usando idéias como a dualidade gauge/gravity.

      Eu acho que a história vai se repetir: os novos férmions são descobertos na América, os novos bósons na Europa🙂 E os EUA estão dando mole.

  2. Leandro Seixas Rocha
    terça-feira, 11 jan 2011; \02\UTC\UTC\k 02 às 02:19:34 EST

    Que trauma foi esse da Teoria de Supercordas que você mencionou?

    Outra pergunta: É possível fazer previsões com Teoria de cordas em Física da “baixas energias”? Se sim, esta “nova Física” só pode ser prevista a partir da teoria de cordas, outras teorias não poderiam fazer a mesma previsão?

    • terça-feira, 11 jan 2011; \02\UTC\UTC\k 02 às 04:28:09 EST

      O trauma é que se investiu muito dinheiro e muito tempo e, segundo muita gente, o retorno foi abaixo do esperado. Isso fez com que surgisse muito preconceito e muito crackpotismo.

      Sim, é possível modelar virtualmente qualquer extensão do modelo padrão usando teoria de supercordas. Agora, a teoria de supercordas tem a vantagem de permitir fazer previsões da região de acoplamento forte para a limitada classe de modelos que conhecemos o dual gravitacional. Ou pelo menos uma versão aproximada dele, como é o caso da QCD. Isso não é possível com a formulação usual de teorias de gauge (ou melhor, a forma de fazer a conta) que conhecemos.

      Outro exemplo de regime de acoplamento forte é o QGP, que o LHC faz experimentos quando colide Pb+Pb. Esse, diferente de física difrativa (onde toda proposta que eu leio continua falando de física muito velha), já tem modelamentos realísticos de teoria de supercordas.

  1. domingo, 25 dez 2011; \51\UTC\UTC\k 51 às 10:42:01 EST

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