O realejo do dia…

quinta-feira, 27 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 Deixe um comentário Go to comments

Será que é preciso mudar alguns paradigmas de Educação?

Algumas perguntas:

  • “O que o vídeo acima implica sobre a ‘logística escolar’ (como comparar a ‘linha de montagem escolar’ com a ‘linha de montagem da Toyota’)?”
  • “O que o vídeo implica para esforços de Open- e Free-Access?”
  • “O que o vídeo implica para estudos multi- e inter-disciplinares?”
  • “O que o vídeo implica sobre Science2.0 e 3.0?”
  • “O que o vídeo implica sobre as ‘propriedades de escala’ dos nossos sistemas de administração (educação, saúde, segurança, etc)?”

Muitos (senão todos) dos métodos que temos hoje sobre governança e administração evoluíram dos originais criados para administrar nações de cerca de alguns [poucos] milhões de pessoas — o que fazer, então, quando as nossas nações têm centenas de milhões de pessoas?! Será que esses mecanismos escalam de modo apropriado?

P.S.: Só pra apimentar: Why Our Best Officers Are Leaving — Será que estamos escolhendo e mantendo nossos melhores cientistas? Será que há problemas em comum com os relacionados neste artigo? Como este artigo se relaciona com o vídeo acima?

  1. sexta-feira, 28 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 às 09:55:43 EST

    Eu volto aqui mais tarde para fomentar mais discussão e principalmente responder às perguntas propostas. Mas eu gostaria de propôr aos leitores que vissem os dois vídeos do Ken Robinson no site do TED Talk:

    Bring on the revolution

    e

    School kills creativity

    Eles versam sobre o mesmo assunto do vídeo do post. Ele tem pontos muito bons, e é um excepcional palestrante (inveja!), mas em alguns momentos exagera. O ensino “acadêmico”, so to say, não tem apenas como objetivo formar acadêmicos ou industriais. A maneira objetiva e técnica de observar o mundo trás clareza às escolhas individuais e isso é excepcional. Não é porque o aluno é inclinado a dançar, que se deve ignorar a educação “acadêmica” (de novo, na definição do vídeo). Acho que o ponto mais importante que ele faz é que o oposto também é verdade e que, principalmente, não se deve menosprezar os talentos individuais.

    Contudo, voltando ao meu ponto, talentos individuais são ótimos e realmente fazer aquilo em que somos bom é essencial para uma vida feliz. Mas tirar o aluno da escola “acadêmica” e colocar ele numa aula de sapateado não é o certo. Funcionou no caso da Gillian Lynne, mas não sei se funcionaria para qualquer outra pessoa. Eu não quero ser quadrado, o modelo escolar é mesmo falido, eu concordo com quase tudo que ele disse no vídeo, mas estou deixando apenas clara a leitura que faço do que ele diz.

    Agora, como que alguém pode dar thumbs down para esse vídeo, hein? Coisa de louco… haters gonna hate, always!

  2. sexta-feira, 28 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 às 15:09:22 EST

    People start losing interest in Okhaloma, can hardly think straight in Arkansas and by the time they arrive in Washington [DC], they’ve lost it completely.

    hahahahahahhaha

    • sábado, 29 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 às 08:43:52 EST

      @Rafa: de fato, é bem comédia mesmo!😎

      Essa coisa de ‘desconstruir’ (ou ‘interpretar’) o significado desse tipo de informação é sempre uma fonte de piada…😉

  3. domingo, 30 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 às 09:56:03 EST

    Ok, deixa eu tentar continuar respondendo as perguntas:

    (1) “O que o vídeo acima implica sobre a ‘logística escolar’ (como comparar a ‘linha de montagem escolar’ com a ‘linha de montagem da Toyota’)?”

    Bem, isso é o que o vídeo responde em 10 minutos de resposta, não vale a pena repetir.

    (2) “O que o vídeo implica para esforços de Open- e Free-Access?”

    Essa pergunta é interessante. Mas eu acho que a pergunta está errada. Deixa eu fazer a pergunta certa então. hahahahahahha “O que o vídeo implica para o uso da internet na educação?” A internet nasceu dentro do espírito do Open-Access e, apesar de bobagens como o Facebook, ela continua mais ou menos no caminho certo. A internet abriu espaço para que as expressões individuais não ficassem tão marginalizadas e de alguma forma responde às perguntas do vídeo. Sabe, quando eu comecei a fazer física eu mal conhecia meia dúzia de físicos que trabalhavam no CBPF. Hoje, eu vejo piás conversando com físico ao redor do mundo usando a internet. E isso é só um exemplo, mas acho que é tão óbvio que chego a me sentir mal tentando explicar. O uso da internet tem que ser fundido de vez com o ensino e muito das reclamações do vídeo vão ser naturalmente atenuadas.

    (3) “O que o vídeo implica para estudos multi- e inter-disciplinares?”

    Deixa eu adivinhar, você está pensando em algo como o ciências moleculares né? É óbvio que a proposta do vídeo é que a mesma filosofia fosse generalizada no ensino. No entanto, tem uma coisa aqui que me preocupa. Veja, standardized tests são bullshit né? No entanto, os melhores países nesses testes (China, Coréia do Sul, …) são aqueles que são apontados como próximos líderes mundiais (adendo: recomendo esse TED talk – Understanding the rise of China http://bit.ly/dEYljN). Será que estamos passando por outra “revolução industrial” onde tudo que o Robinson criticou voltou a ser verdade? Será que aquele intelectual model of the mind está voltando a ser útil? Eu torço que não… mas seria expeculação demais tentar adivinhar o futuro.

    (4) “O que o vídeo implica sobre Science2.0 e 3.0?”

    Não faço a menor idéia o que esses termos querem dizer.

    (5) “O que o vídeo implica sobre as ‘propriedades de escala’?

    E aí que está a ferida da proposta e você já foi lá tacar sal em cima. Como se faz o que ele está propondo numa cidade com mais de 20 milhões de habitantes e com déficit de professores? (Você viu o SOTU? Fique arrepiado com o Obama dizendo: If you want to make a difference in the life of our nation; if you want to make a difference in the life of a child—become a teacher.) De novo, os países asiáticos em poucos anos vão ser basicamente compostos de cidades com > 20 milhões de habitantes. Como o Robinson diz, se você quer atacar os dois problemas ao mesmo tempo, você não precisa reformar a educação. Você precisa destruir o que existe e construir algo novo. Bring on the revolution, my friend! Só que revolutions só se faz com massa crítica (claro, é necessário pensadores, mas sem a linha de batalha, nada de revolução). Enquanto não tiver professor e professor bom no mercado, não vai ter revolução nenhuma.

    Então, senta e chora. E aí, o que você acha?

    • terça-feira, 1 fev 2011; \05\UTC\UTC\k 05 às 11:47:54 EST

      @Rafael: numerei as respostas pra ficar mais fácil da gente dar seqüência nessa discussão.

      (1) De fato, essa é a motivação do vídeo. Mas, o sentido que eu tinha em mente quando propus esta pergunta era um pouco mais pragmático; eu explico: a Toyota revolucionou em Logística, ie, sua “linha de montagem” deixou de ser à la Ford (aquela imagem duma linha reta, onde entram os insumos dum lado e saem os produtos do outro) e passou a ser algo inovador e diferente, onde a ‘geometria’ não é mais a duma ‘linha reta’.

      Ou seja, nas plantas (fábricas?) da Toyota vc pode produzir qualquer modelo de carro na mesma linha [de montagem]! Ou seja, eles quebraram o paradigma de que é preciso linhas diferentes pra produtos (ie, carros) diferentes. É a chamada “linha inteligente”.

      A minha idéia quando fiz essa pergunta era exatamente essa: Tudo bem, é claro que vamos precisar melhorar nossa “linha de montagem educacional”, mas será que não é possível se construir algo que seja flexível o suficiente para satisfazer uma grande diversidade de casos?

      Não é preciso se abandonar o ‘conceito’ de ‘linha de montagem’… apenas atualizá-lo!😉

      (2) Olha só os bois na frente da carruagem: foram os movimentos de Open- e Free-Access que nasceram inspirados na Internet (nos ideais dos criadores da Internet). Bem ou mal, certo ou errado, os protocolos que deram origem ao que hoje a gente chama de Internet nasceram no MIT (entre os labs de Inteligência Artificial e o de ferromodelismo❗ ) e foram baseados naquilo que o MIT tem de bom: valores científicos. Aliás, enquanto tais protocolos eram criados, concomitantemente vinha o Projeto GNU — então, a filosofia por detrás da Internet ainda é a GNU Philosophy. Eu não estou dizendo que é preciso ‘gostar’ nem ‘advogar’ pelos princípios GNU, nem coisa do gênero. Mas, eu estou dizendo sim que esses valores refletem em gênero, número e grau o modus operandi da Ciência — principalmente o modo da colaboração científica.

      Aliás, é esse o “grande truque”: a Internet nasceu dentro dos valores de cooperação acadêmica, e é por isso que movimentos como Free Software, Open Software, Free Access, Open Access, Free Science, Open Science, Science 2.0, etc, e afins tiveram oportunidade de nascer e frutificar. E é nesse ‘valor’ que tanto esta questão, (2), quanto as seguintes, estão ancoradas.

      Então, vc está coberto de razão, Rafa: é preciso se incluir o uso da Internet na educação: isso vai democratizar o conhecimento (e o acesso a este conhecimento) de modos nunca vistos anteriormente.

      Mas a coisa não para simplesmente aí. Ou seja, a bola que eu quis levantar foi a da abertura dos produtos científicos, no melhor estilo à la arXivs, SciElo, PLoS, e assim por diante.

      Se essa linha de montagem da educação vai ter que mudar — e ela tem que mudar! —, então é melhor a gente identificar o que é de fato importante. E, dentre esses ingredientes, certamente está o Acesso Aberto ao Conhecimento!

      Eu sei, claro, que este é um tópico delicado. Por outro lado, é um que vai ter que ser atacado caso se pretende reformular o ensino de modo flexível o suficiente pra atender as necessidades do futuro. Sem Acesso Livre ao conhecimento não é possível se ter Colaborações e Cooperações genuínas entre cientistas de diferentes cantos do mundo e áreas do saber!

      E isso já me abre espaço pra próxima pergunta…😉

      (3) Eu até confesso que tinha o Ciências Moleculares em mente. Mas não era só isso: eu também tinha essa “linha de montagem da Toyota” em mente.😉

      Ou seja, se vamos flexibilizar nossa ‘linha de montagem da educação’, então é claro (pelo menos pra mim😛 ) que o passo essencial é na direção de inter- e multi-disciplinaridades! Afinal, é só assim que vamos conseguir imitar a linha de montagem da Toyota, que pode montar qualquer carro. Na educação não pode ser diferente: temos que poder “montar” a educação de qualquer tipo de pessoa. E, pra atender a essa diversidade, somente via inter- e multi-disciplinaridade.

      Agora, quanto ao seu exemplo da China e de testes padronizados… eu penso o seguinte (correndo o risco de estar errado): esses países que vc citou estão se industrializando agora. Então, as necessidades deles ainda são aquelas antigas, que refletem um período de industrialização. O mesmo vale pro Brasil (e, provavelmente, para os BRICs dum modo geral). A questão, então, se torna a seguinte: que tipo de industrialização esses países estão construindo? Claro que não vai ser à la Inglaterra de dois séculos atrás… mas, também não vai ser algo super-moderno, na ‘fronteira’ do que existe hoje em dia.

      Então, esses testes e afins têm que ser ajustados pra medir exatamente isso: eles estão certamente atrelados ao tipo de industrialização que esses países estão fomentando.

      (4)🙂 Esses são os conceitos modernos de “Open Notebook”, “Open Lab”, dados disponíveis online de forma ‘decente’ pra que possam ser acessados ao redor do globo, e assim por diante. Num certo sentido, significa a disponibilidade de ‘dados’ e ‘meta-dados’, no espírito que eu descrevi acima, da criação da Internet (ie, à la GNU😉 ).

      Quando a gente pensa em termos de Física, isso quase não tem significado: veja os projetos SETI, Einstein at Home, a distribuição de dados que o LHC pretende fazer (para facilitar a análise dos mesmos), e assim por diante. Mas, nas outras áreas do saber a coisa não funciona nem perto disso… Biologia (neurociência, genética), Química, etc: é raríssimo vc encontrar algo nesses moldes que eu citei. Algumas coisas vêm mudando… mas é preciso mudar muito mais, numa escala muito maior e mais profunda.

      Os arXivs, por exemplo, são uma verdadeira revolução no modus operandi da publicação científica! Não só porque são ‘livres’ — Free Access —, mas também porque, hoje, qualquer revista publica seu paper usando o seu arXiv-id, ie, nem é preciso vc mandar seu artigo pra revista: eles ‘farm’ o danado direto dos arXivs.

      Nesse sentido, esforços sobre os arXivs são algo que agregam muito valor: usando os arXivs como ‘dados’, brincar com os meta-dados é algo potencialmente revolucionador. Os extintos AcademicReader e SciRate foram esforços muito bacanas nesse sentido. Hoje em dia, esse tipo de tecnologia já é, de certa forma, ultrapassado: vc pode usar qualquer leitor de RSS com sistema de votos e agregar esses dados diretamente! E por que não tornar isso um sistema de peer-review?!

      (5) Pois é… minha idéia é a seguinte: todas as nossas formas atuais de “administração” (seja do Estado, da Saúde, da Segurança, ou da Educação) são antiquadas e, efetivamente, já não servem mais. TODOS esses modelos são ainda resquícios de “Cidades-Estado” com, no máximo, dezenas (talvez centenas) de milhares de habitantes. É claro que há uma ‘transição de fase’ entre uma cidade com 300.000 habitantes e outra com 20 milhões! Assim como também é claro que um país com ~70 milhões de habitantes é bem diferente de um com ~300 milhões! Então, nossas ferramentas administrativas precisam mudar pra refletir essa nova realidade.

      O moto deveria ser “descentralizar pra flexiblizar” (you name it, you own it😉 ): não dá pra gente continuar administrando como se fazia na Idade Média…😛

      É preciso se descentralizar e se melhorar os canais de comunicação entre todos os diversos níveis dessa nova estrutura. É isso que vai dar agilidade e flexibilidade ao sistema. (E não o famigerado “aparelhamento da máquina do Estado”.😛 )

      Então, precisamos de 2 ingredientes fundamentais: melhores professores, e uma nova estrutura administrativa (da educação).

      Eu não sei bem o que deve vir primeiro, se o ovo (os professores) ou a galinha (o novo sistema administrativo). Mas, historicamente, é a galinha pré-histórica que bota o ovo geneticamente mutado (melhor adaptado ao ‘novo mundo’)… Então, a gente precisa de massa crítica de bons professores sim, mas também precisamos de mudanças estruturais que possam ‘escalar’ para as nossas necessidades.

      E isso nos traz a outra ‘massa crítica’: aquela de pessoas que realmente querem mudar e fazer mudanças — ao contrário daqueles que só querem mamar nas tetas do Estado…

      Ou seja, é preciso uma mudança cultural também, de ‘filosofia de vida’, de ‘empreendedorismo’, de ‘fazer e acontecer’… e esta massa crítica pode levar muUuito tempo ainda.

      []’s!

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