Início > Ars Physica > Uma obra de arte como poucas

Uma obra de arte como poucas

segunda-feira, 14 mar 2011; \11\UTC\UTC\k 11 Deixe um comentário Go to comments

Uma obra de arte forte constrói-se em nós com uma multitude de aspectos, a criatividade do tema, da concepção, a estética, o esforço e técnica envolvidos, e, como não, o seu significado. Por esse olhar, a série de fotografias do artista plástico brasileiro Vik Muniz são uma das formas de arte mais sublimes. Muniz foi a um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho no Rio de Janeiro, e transformou lixo em arte durante quase todo o ano de 2008, e com seu trabalho mudou a vida das pessoas dentro de uma das comunidades mais pobres do Brasil, e possivelmente, do mundo. Um grupo de catadores de lixo brasileiros de repente encontra um artista plástico mundialmente reconhecido que mora a 25 anos nos Estados Unidos, que os convida para participar ativamente de sua próxima obra. Eles não serão apenas os sujeitos das peças; eles serão os artistas que as pintarão dentro do ateliê. Como fica o universo de uma pessoa que antes vivia em uma das mais degradantes condições de trabalho imagináveis após ela se transformar em um criador de uma obra de arte que vai a leilão em Londres e transcorre o mundo em galerias? Só alguém que viveu tal experiência pode saber. “Eu nunca esperava ter uma foto minha em um museu. A gente se põe muito pequena, e as pessoas lá fora acham a gente tão grande, tão bonito”, descreveu emocionada a Irmã em uma entrevista a TV brasileira dentro do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Ela vendia almoço para os catadores dentro do aterro. Aos demais, como eu, resta assistir o papel transformativo da arte em Lixo Extraordinário (Waste Land), um filme inspirador e de levantar a alma. A película de Muniz ganhou o prêmio de melhor documentário de 2010 escolhido pela audiência do Festival de Sundance, o prêmio Panorama de melhor filme no Festival de Berlim, e Prêmio Direitos Humanos da Anistia Internacional. Ele deve chegar as lojas em DVD essa semana (já disponível nos EUA para download). De uma indústria cinematográfica que evidenciou a corrupção e violência do país em Carandiru, Cidade de Deus e Tropa de Elite, é formidável ver um filme que pinta uma comunidade de forma tão bela.

Irmã, 2008. Clique para ampliar. Direitos reservados do artista, imagem exibida com autorização.
 

Mãe e filhos (Suellen), 2008. Clique para ampliar. Direitos reservados do artista, imagem exibida com autorização.

Veja como as obras foram confeccionadas:

 

Mais sobre o filme e Vik Muniz você pode ler aqui (em inglês).

O trailer do filme pode ser visto no site oficial. O site também aceita doações para a Associação de Catadores de Material Reciclável de Jardim Gramacho do Rio.

Categorias:Ars Physica Tags:,
  1. terça-feira, 15 mar 2011; \11\UTC\UTC\k 11 às 21:15:44 EST

    A arte em seu papel,servindo a história e divulgando seu tempo.

    Parabéns Vik Muniz pela sua percepção e capacidade.

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: