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Você escolhe: ou reclama da corrupção, ou reclama da Maria Bethânia.

segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 Deixe um comentário Go to comments

Mas não pode reclamar dos dois.

Quando o Estado cobra imposto e o dinheiro vai para pagar o salário de um dos legislativos mais caros do planeta, muita gente, eu inclusive, reclama. Afinal, o gasto salarial da Câmara dos Deputados Federais é maior que todo o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, que também inclui o pagamento de salários dos funcionários do MCT, além do repasse para os órgãos de pesquisa federais como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros.

Agora, quando se há uma lei sensata que permite descontar uma parcela do imposto de renda — apesar de miserável, acredite, apenas 4% a 6% de uma das tarifas mais altas do mundo! — trocando o poder de decisão do Estado para onde investir o dinheiro da economia privada para a sociedade, deixando de repassar dinheiro para burocratas e finalmente aplicando-o direto na mão de algo produtivo a sociedade, surgem todas essas pessoas criticando o mecanismo. Críticas que, por sinal, partem de premissas falsas. Primeiro, a Lei Rouanet não permite a Maria Bethânia ganhar R$ 1 milhão dos cofres públicos. Essa é a definição da lei: ela permite a iniciativa privada — portanto, por definição, dinheiro que não é do governo! — investir no blog da Maria Bethânia. É uma coisa tão boa, que eu fico estupefato com todo esse cri-cri-cri em cima de Bethânia. Quer dizer então que seria melhor os 4% do imposto de renda ir para o governo do que ir direito para a produção de arte? Será mesmo que é melhor deixar esse dinheiro para essa instituição, o governo brasileiro, onde todo o dinheiro do maior projeto social do Ministério do Esporte é um esquema de desvio de verbas públicas do PC do B? Onde há mensalões do PT, do DEM e do PSDB? Onde quase a totalidade da arrecadação do imposto vai para sustentar um pequeno grupo de indivíduos, e muito pouco dele de fato vai para serviços públicos? As pessoas estão reclamando do abatimento do imposto de renda de 4% da Lei Rouanet como se esse dinheiro, uma vez no governo, fosse revertido em políticas públicas. Não é. Talvez no mundo de fantasia em que o governo brasileiro gasta mais com Ciência e Tecnologia do que pagando salário de acessor de deputado, mas no mundo real, não é.

Vale lembrar que essa lei foi o que permitiu a criação do cinema brasileiro, e colocou o país no mapa: Central do Brasil, Carandiru, Cidade de Deus, Tropa de Elite, e mais recentemente, Lixo Extraordinário; todos foram possíveis graças a iniciativa privada, e não ao governo. E ainda assim, a iniciativa privada muitas vezes tem prejuízo, digamos assim, ao incentivar a cultura, pois 4% a 6% do imposto para esse fim pode ser facilmente menos do que a empresa esteja interessada em investir no projeto.

Se o projeto de Bethânia é descabido, ainda bem que existe a Lei Rouanet, porque é graças a ela que quem vai decidir é a sociedade civil. Se não fosse por essa lei, e os artistas dependessem de verba pública do MinC, a decisão seria exclusiva dos burocratas da situação. Que provavelmente aprovariam o projeto, e depois desviariam o dinheiro. Como o dinheiro do projeto não é nem um centavo do MinC, vamos frisar isso aqui, vai da iniciativa privada decidir se vai ou não financia-lo.

Eu aplaudo a lei Rouanet. E vaias para quem está reclamando de Bethânia. O ideal seria essa lei existir para outros setores também, como pesquisa científica. Assim pesquisadores brasileiros poderiam captar recursos sem depender da miséria do repasse do governo brasileiro para isso.

  1. ...
    segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 12:22:11 EST

    Perfeito… sem mais, meretíssimo.

  2. segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 12:53:30 EST

    Discordo de quase tudo.

    1) O dinheiro é via renúncia fiscal (ao menos uma boa parte dele). Não é dinheiro da iniciativa privada, mas um que deixa de ser recolhido aos cofres públicos.
    2) Reclamar da corrupção não quer dizer que:
    2a) A iniciativa privada seja melhor;
    2b) Não se defenda o *combate* à corrupção com o bom uso do dinheiro público;
    2c) Tem mais detalhes, mas deixemos isso pra depois.
    3) Há uma discussão sobre o fim da lei Rouanet: é pra incentivar a cultura, mas por meio de artistas desconhecidos. Grandes artistas não precisam do mecanismo para financiarem seus projetos – há vários artistas conhecidos que *evitam* o uso da lei Rouanet e quejandos.
    3b) Como há limites de recursos, qdo um artista conhecido se vale dele, dificulta ainda mais o financiamento de obras de artistas menores.

    A lei Rouanet é, de um lado absurdo, a empresa deixa de recolher impostos pra fazer propaganda dela mesma – de outro, usa recursos que deixam de ser recolhidos aos cofres públicos para enriquecer alguns poucos (principalmente produtores).

    O mínimo que se deveria exigir em contrapartida é haver descontos proporcionais nos valores dos ingressos e da venda de produtos culturais ao públicos que se valem do mecanismo.

    Não reclamo tanto da Maria Bethânia, esperarei pelo produto – que pelo menos estará disponível gratuitamente. Mas o mecanismo em si é ruim, muito ruim.

    []s,

    Roberto Takata

    • segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 13:58:58 EST

      Bom, eu discordo.

      Existem experimentos interessantes como o experimento de Miller e o experimento da prisão de Stanford que indicam que os humanos tem comportamento escolhido pela evolução para reagir de uma certa forma ao ambiente. O psicólogo Phillip Zimbardo resume isso numa correção a uma frase feita: o problema não são umas maçãs podres na cesta, é a cesta.

      Eu não acredito que se possa combater a corrupção do Estado com a mesma eficácia que se pode terminá-la mudando a organização social. O Estado é uma organização social que incentiva a corrupção; é como a prisão de Stanford ou o experimento de Miller. É necessário re-estruturar o sistema para que haja bom investimento do dinheiro, e a Lei Rouanet vai nessa direção, na democratização do investimento social, ao invés de injetá-lo na cesta podre.

      Eu também acho que não deveria caber ao governo decidir que artista recebe o benefício e que artista não recebe. O MinC deve fazer o que faz: aprovar e deixar a iniciativa privada decidir em que projetos investir. Por pior que esse sistema possa ser, é melhor deixar o empresário lá da Paraíba escolher que artistas do estado ele vai incentivar do que um burocrata lá em Brasilia. É humanamente impossível um grupo pequeno de burocratas ter a mesma compreensão de arte que toda a sociedade brasileira.

      Mas mesmo que você discorde da minha interpretação dos experimentos, eu devo admitir que se estivessemos falando de imposto pago na Inglaterra ou na Dinamarca, eu provavelmente pensaria diferente. Como eu escrevi aqui outra vez, se eu deixasse 40% de imposto na Receita Federal que revertesse em eu poder dar entrada gratuitamente em qualquer hospital público e ser atendido imediatamente com infraestrutura da melhor que a medicina já desenvolveu, provavelmente eu acharia um problema dar desconto de imposto para empresas incentivarem o que elas bem quiserem. Mas essa não é a realidade do Brasil, sejamos pragmáticos. No Brasil, onde se paga mais imposto que na Inglaterra, a resultante do serviço público não é inglesa. Então eu devo admitir que eu sou enviesado por esse fato: eu acho melhor a iniciativa privada escolher o que ela vai investir do que deixar esse dinheiro entrar no governo brasileiro onde ele se perde. Eu acho que nós temos que trabalhar com o que nós temos; e o que nós temos no governo do Brasil, ao pagar imposto, não é dinheiro indo para serviço público.

      • segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 19:19:07 EST

        O experimento referido não fala sobre organização do estado, mas sim sobre pessoas em situação de poder.

        Vc começa dizendo que não é uma questão de “governo corrupto” vs “artista bonzinho” e depois diz que isso pesa. Há corrupção do governo, há corrupção da iniciativa privada. Ocorre apenas que a corrupção do governo é mais visível porque, ironicamente, há mais transparência nos processos governamentais (mais transparente não quer dizer que seja adequadamente transparente em todo caso).

        Qto à ineficiência do processo, há ineficiência nos dois mundos. A ineficiência do setor privado – para diversos casos – é menor em virtude da concorrência.

        No caso da lei Rouanet não há nenhum incentivo à eficiência, por ausência de concorrência.

        Além disso, está a se transferir para empresas a decisão sobre qual obra financiar ou deixar de financiar. Essa devisão refletirá um interesse privado – da empresa – e não um interesse público.

        []s,

        Roberto Takata

        • segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 20:25:13 EST

          A transferência de decisão para pessoas físicas e jurídicas é o que caracteriza o interesse público e não o contrário! É como você dizer que o voto não é o interesse público; não fez sentido. Quando as empresas e as pessoas que constituem a nação podem descontar do imposto de renda um valor para doar para um artista, fica pelo interesse da sociedade, ao invés do interesse do burocrata em Brasília. Você fala que é o interesse privado como se no Brasil existisse uma única empresa, e ela que vai decidir o destino do dinheiro. Isso não poderia ser mais fora da realidade; o destinamento do montante descontado pela Lei Rouanet é decidido por toda a população brasileira que paga imposto, seja decidindo não doar nada, ou seja decidindo doar para um projeto em particular. Se tem alguma coisa que o governo faz é sequestrar o interesse público maior para o interesse particular de um grupo pequeno de indivíduos que o constituem. Só para um exemplo, considere as nomeações para cargos com base em camaradagem ao invés de competência. Quando o governo decide quem vai ser o novo presidente dos Correios é uma decisão feita por motivos muito diferentes de quando os investidores da Apple decidem colocar o Jobs como CEO. É por isso que o Ministro de Ciência é o Mercadante.

          Pessoas sob situação de poder = Estado. O experimento de Miller foi conduzido para demonstrar que um Estado com as características adequadas leva ao Holocausto. A corrupção do setor público brasileiro é endêmica não é porque tem tanta maçã podre no país; é porque o Estado é um ambiente com regras de poder excessivo, onde pessoas podem votar o seu próprio salário e equiparar os seus rendimentos aos dos Lords da Inglaterra, onde a renda per capita é 4 vezes a brasileira. É o experimento da prisão de Stanford versão economica em larga escala.

          Eu não disse que a corrupção não pesa na decisão de não pagar o imposto e deixá-lo direto na mão do artista, é o contrário, é um fator determinante, é essa a idéia do meu post. Isso não é uma questão de artista bonzinho vs político corrupto, simplesmente, é uma questão, como eu disse, de que o dinheiro gerado pela economia privada passar pela máquina pública se perde em grande parte, enquanto que ficar na economia privada ele é muito mais eficiente pois vai direto para produção do bem social, ao invés de se perder nos salários de burrocratas. E isso é um fato; não tem o que você discutir aqui: a maior parte de toda a arrecadação do governo não se reverte no serviço final, como as escolas públicas ou os hospitais, ou os centros de pesquisa, fica para financiar a própria máquina do governo e os instrumentos de combate a corrupção. É só pegar o orçamento da União e ver o que fica nos MPs, na Câmera & Senado, no TCU, nos TCEs e TCMs, etc.; e o que efetivamente vai para o CNPq, as escolas públicas, etc. E isso é sem contar a corrupção, quando não acontece do dinheiro que deveria ter cehgado nos serviços ser desviado por Sanguessugas ou por esquemas como do PC do B.

          Discordo da sua interpretação do problema da corrupção do governo. A corrupção do governo no Brasil é mais visível porque ela é maior. O Brasil, ao contrário do que você diz, na verdade é um dos países onde mais existe regulamentação e fiscalização do setor privado, portanto deveria, pela sua lógica, ter mais corrupção visível das empresas brasileiras do que há nas empresas dos EUA, o que é patentemente falso. A corrupção do setor privado no Brasil é quase inexistente porque o dinheiro do Brasil está todo concentrado no governo. Se o governo do Brasil fosse pequeno, como é p.ex. nos EUA, e as grandes fontes de dinheiro estivessem na área privada, ai sim, ocorreria corrupção no setor privado. Mas em um país em que as maiores “empresas” são estatais, e o governo tem os melhores salários e é o sonho da maioria dos brasileiros de carreira economica bem sucedida, a corrupção acompanha. A corrupção está onde o dinheiro está.

          A diferença entre a corrupção do setor privado para o setor público é que a do primeiro se combate com regulamentação, que é o que eu acho deveria ser a função do Estado. O setor público tem uma corrupção diferente, de poder, além de economica, e o Estado tem um conflito de interesse ao ser ele próprio o corregedor de sua corrupção. E para combater essa corrupção, até hoje ninguém conseguiu descobrir a fórmula que dê certo. Os países com baixa corrupção do Estado são aqueles em que retiraram-se certas funções do governo, aquelas que são melhor administradas pela competição econômica, e deixaram no governo as funções que não podem ficar para o mercado decidir.

          É lógico que há concorrência no caso da lei Rouanet. Os projetos são analisados pela burrocracia e liberados com base em mérito; igual como há concorrência em uma licitação do governo ou pedido de bolsa do CNPq. A vantagem nesse caso é quem decide se o investimento vai ser feito ou não e quanto dele vai ser feito é o bem público, não o governo.

  3. Mr. B
    segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 13:03:23 EST

    O argumento é falho. Você afirma que se o dinheiro fosse pro governo seria provavelmente desviado. Mas indo pra MB isso não aconteceria. Você está recorrendo ao senso comum de que políticos são desonestos e artistas são íntegros.

    Além disso nada justifica o valor: R$1.3mi para um blog?
    O orçamento total de Central do Brasil foi de menos de R$5mi.
    Um exemplo mais recente: Tropa de Elite: R$11mi. Pouco mais que 8 vezes o custo do blog da MB. Para fazer um filme (não um blog que todo mundo faz hoje em dia). Um filme que apesar da pirataria ainda conseguiu uma receita de mais de R$24 milhões.

    Ninguém estaria reclamando se o valor fosse R$50mil. R$100mil vá lá. Mas R$1.3 é injustificável.

    • segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 13:48:45 EST

      Não é uma questão de “políticio é mau” vs “artista bonzinho”, e sim uma questão de eficácia governo burocrático vs iniciativa local. De cada R$1 que entra no imposto de renda, quanto deste dinheiro vai para financiar uma pesquisa científica, por exemplo? A maior parte deste dinheiro, uma vez que ele entra no governo, é para pagar salário de burocrata: do coletor de imposto até o secretário. Quando o dinheiro finalmente chega no pesquisador, ele já foi descontado de uma quantidade enorme de atravessadores. A lógica é simples: ao invés de fazer isso, por que uma empresa não pode diretamente pegar esse dinheiro e pagar o pesquisador, que é quem produz o serviço?

      Essa é a lógica da lei Rouanet. Ao invés do MinC receber o dinheiro e gastar a maior parte dele no processo interno, o dinheiro vai direto para o artista.

      E além da ineficácia do governo, admito que há a questão da corrupção, e isso pesa muito. Se você é uma empresa que tem as duas opções: pagar 100% do imposto que deve a união e ver depois os escândalos de corrupção ou pagar 96% do imposto e pegar os 4% e deixar com um artista, o que você faria? É sim, no final da contas, uma questão de não deixar o dinheiro para um sistema corrupto e ineficaz.

      Desses R$1,3 milhões, quase R$600 mil aparentemente seria o cachê da Bethânia. Eu pessoalmente não conheço nada de Bethânia. Mas se o projeto fosse do falecido Tom Jobim, ou do Carlinhos Lyra, ou do Vinícius de Moraes, eu acharia que R$600 mil é até pouco, se você comparar a uma artista como a Ivete Sangalo, ou Shakira. E se eu fosse um bilionário e R$100 mil fosse um trocado, eu doaria até os 4% do meu imposto de renda para um artista como Vinícius. Seria a minha escolha; e não do governo. É assim que se faz uma democracia.

  4. segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 21:01:50 EST

    Dinheiro de renúncia fiscal é dinheiro público. A diferença entre gastar e deixar de arrecadar é meramente em que coluna da tabela o contador vai colocar a quantia.

    • segunda-feira, 21 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 21:32:22 EST

      A ordem dos fatores altera o produto. Faz toda a diferença, porque a iniciativa privada financiar um projeto ou o Estado transferir esse dinheiro para suas contas públicas são coisas que os fatos demonstram serem distintas. É a diferença entre ter o Tropa de Elite ou o Segundo Tempo do Ministério dos Esportes. Aliás, falando em filmes, parece que um único artista com um projeto privado consegue fazer mais para uma sociedade como a dos catadores de lixo do que todos os projetos sociais do governo federal. Vamos perguntar para um dos catadores se eles acham que seria melhor o dinheiro ter ido para a União.

  5. terça-feira, 22 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 09:55:40 EST

    “A transferência de decisão para pessoas físicas e jurídicas é o que caracteriza o interesse público e não o contrário!”

    Nope. Porque não se trata de algo relacionado a direitos individuais sendo exercido pelos próprios detentores desses direitos. Está a se transferir o interesse de uma coletividade maior – no caso a população brasileira – para um grupo que não é representante legal dessa coletividade.

    “Você fala que é o interesse privado como se no Brasil existisse uma única empresa, e ela que vai decidir o destino do dinheiro.”

    Existem poucas empresas, em verdade. Basta ver a recorrência das logos delas nos produtos culturais. Mas por mais numerosas q sejam as empresas, ela é muito menos representativa do que funcionários públicos – orientados por políticas de representantes eleitos. Deve se ter em mente também que os interesses desse conjunto de empresas *não* representam a distribuição de interesses dos cidadãos.

    E há, sobretudo, a situação ridícula de X, baseando-se exclusivamente em seus interesses particulares, valer-se do dinheiro da renúncia fiscal para fazer propaganda de si mesmo.

    “Se tem alguma coisa que o governo faz é sequestrar o interesse público maior para o interesse particular de um grupo pequeno de indivíduos que o constituem.”

    Isso acaba por ocorrer infelizmente e deve ser combatido. Mas isso não é desculpa para se dar esse poder para empresas. Oras, se ambos os grupos sequestram a verba pública para interesses particulares, em que sentido isso seria um ponto a favor de se renunciar à verba em favor das empresas particulares? Governos, bem ou mal, são eleitos. Se desviam dos interesses públicos os governantes podem ser legalmente penalizados ou pelo menos não serem eleitos da próxima vez. Não há nada disso em relação a empresas.

    “Pessoas sob situação de poder = Estado.”

    Ou empresas com o poder de destinar verbas.

    “Eu não disse que a corrupção não pesa na decisão de não pagar o imposto e deixá-lo direto na mão do artista, é o contrário, é um fator determinante, é essa a idéia do meu post.”

    “Isso não é uma questão de artista bonzinho vs político corrupto, simplesmente, é uma questão, como eu disse, de que o dinheiro gerado pela economia privada passar pela máquina pública se perde em grande parte, enquanto que ficar na economia privada ele é muito mais eficiente pois vai direto para produção do bem social, ao invés de se perder nos salários de burrocratas.”

    Vc está misturando dois fatores. Ou a corrupção é um fator importante e, portanto, trata-se sim de político corrupto vs. artista bonzinho. Ou é simples questão de ineficiência, por haver gastos salariais, o que *não* é corrupção. Pode haver as duas coisas, claro. Mas então é, sim, questão de artistas bonzinhos vs. políticos corruptos.

    Por outro lado, não faz nenhum sentido imaginar que só governantes são corruptos. Ou mesmo que são mais corruptos do que pessoas da iniciativa privada (ou mesmo de empresas públicas ou de capital misto – a Petrobras é uma das principais financiadoras).

    Qto a ineficiências com intermediários. Sorry, mas há ineficiências no sistema da lei Rouanet. Só pra começo, uns 20% vão para os captadores.

    Sem falar em falsos recibos: a empresa repassa Y, mas o recibo é de Y+Z, que é o que é descontado no imposto.

    “É só pegar o orçamento da União e ver o que fica nos MPs, na Câmera; Senado, no TCU, nos TCEs e TCMs, etc.; e o que efetivamente vai para o CNPq, as escolas públicas, etc. E isso é sem contar a corrupção, quando não acontece do dinheiro que deveria ter cehgado nos serviços ser desviado por Sanguessugas ou por esquemas como do PC do B.”

    É um fato que há corrupção e há ineficiência nos governos. E que não são baixas. Só que vc está imaginando que isso ou não ocorra em relações privadas ou que o nível é baixo. Não é. Basta ver tb o quantidade de fraudes fiscais e de outra natureza em empresas privadas ou mesmo de profissionais liberais.

    “O Brasil, ao contrário do que você diz, na verdade é um dos países onde mais existe regulamentação e fiscalização do setor privado, portanto deveria, pela sua lógica, ter mais corrupção visível das empresas brasileiras do que há nas empresas dos EUA, o que é patentemente falso.”

    A regulação *não* verifica corrupação no setor privado – salvo se envolver agentes públicos (especialmente na situação de corrompido). Se o gerente de vendas recebe 10% do montante do negócio com o fornecedor A apesar do fornecedor B ter preços e produtos mais competitivos, não há fiscalização dos órgãos públicos. Qdo é pego, isso ocorre por auditorias internas e é, em grande parte, mantido internamente.

    “A corrupção do setor privado no Brasil é quase inexistente porque o dinheiro do Brasil está todo concentrado no governo.”

    Hein? De onde vc tirou isso? A carga tributária no país é alta, mas está na faixa de 35%. Nos EUA, não é tão menor, 27%. Como a economia americana é muito maior do que a brasileira, há *muito* mais dinheiro circulando no sistema governamental americano do que no brasileiro.

    “Os países com baixa corrupção do Estado são aqueles em que retiraram-se certas funções do governo, aquelas que são melhor administradas pela competição econômica, e deixaram no governo as funções que não podem ficar para o mercado decidir.”

    Eventualmente terá menor corrupção do *Estado*. Apenas transferida para corrupção privada. Basta ver o sistema prisional americano, a experiência do PAS na cidade de São Paulo, a quebra da Enron, a crise financeira atual…

    “É lógico que há concorrência no caso da lei Rouanet. Os projetos são analisados pela burrocracia e liberados com base em mérito; igual como há concorrência em uma licitação do governo ou pedido de bolsa do CNPq.”

    Não há concorrência na questão da eficiência de uso das verbas. Os projetos são analisados pela burrocracia, mas não há liberação das verbas – a captação ocorre junto ao setor empresarial (privado e público) e, em menor parte, a pessoas físicas. Entre os projetos que podem captar, não haverá análise de se o projeto é ou não eficiente no uso das verbas: apenas de dá ou não visibilidade aos financiadores.

    “A vantagem nesse caso é quem decide se o investimento vai ser feito ou não e quanto dele vai ser feito é o bem público, não o governo.”

    O bem público não tem nenhuma participação aí. São interesses privados dos financiadores.

    []s,

    Roberto Takata

  6. ericson
    terça-feira, 22 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 13:22:25 EST

    Me tirem uma dúvida: R$600.000 (50% do projeto)orçado para pagamento de uma única rubrica. Ou a informação é factóide pra gerar burburinho ou está fora da Lei, e se está fora da Lei é crime. E se é crime, foi avalizado pelo MinC que inclusive se defendeu em duas notas oficiais seguidas na semana passada. Isto é, ratificou o equivoco (ou malogro?)…

    Acho que isso muda todos os encaminhamentos.

  7. Jonathas Ruiz
    domingo, 27 mar 2011; \12\UTC\UTC\k 12 às 19:44:24 EST

    “Colunista do Brasil 247 retruca artigo do músico baiano em O Globo e o acusa de perseguir jornalistas: “Gil e Caetano comandavam demissões nas redações”, diz.”

    http://www.brasil247.com.br/pt/247/cultura/619/Tognolli-rebate-Caetano-e-inclui-Gil-na-pol%C3%AAmica.htm

  8. segunda-feira, 11 abr 2011; \15\UTC\UTC\k 15 às 18:22:25 EST

    Ola

    Pessoalmente acho um absurdo o projeto da Maria Bethania, porém os valores estão de certo modo dentro do esperado. Hospedar videos é algo caro e mesmo que vc tenha o youtube existe o custo de edição. Como a ideia são 365 videos em um ano, o custo médio não é absurdo E o dinheiro da iniciativa privada pagaria os salarios de todos os envolvidos, dinheiro que faria a economia girar de alguma forma.

    Agora imaginemos os absurdos deste país onde renunciamos a educação e a ciência em troca de roubar dinheiro de formas cavalares. Realmente, um blog de videos não é nada. Agora se a filha de algum deputado (ou presidente) quisesse fazer o mesmo com certeza teriamos uma pagina xinfrim com meia duzia de videos e um caminhão de dinheiro SEM que ninguem pudesse reclamar…

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