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Engenharia na USP abre o primeiro “Endowment” nacional

sexta-feira, 17 jun 2011; \24\America/New_York\America/New_York\k 24 3 comentários

Vista aerea da Politécnica da USP

Segundo reportagem da Folha de hoje, a Escola Politécnica da USP (a unidade de engenharia do campus da capital) abriu seu “endowment”, coisa inédita no cenário das universidades nacionais. Trata-se de uma coleção de fundos originários da soma de doações de indivíduos, empresas, organizações civis, etc. A iniciativa foi dos próprios alunos que abriram o fundo com R$ 100 mil. O objetivo é utilizar o retorno do fundo aplicado no mercado financeiro para fomentar pesquisas de professores e alunos da Politécnica.

O endowment, que aqui uso a palavra estrangeira por falta de vernáculo brasileiro para designar um fundo de investimento de uma universidade para suas operações*, é uma das fontes de renda que as universidades norte-americanas utilizam. Não é a maior fonte, mas figura entre as mais expressivas. Vejamos o exemplo de Dartmouth: a universidade opera com um gasto anual de aproximadamente US$ 730 milhões atualmente, com um endowment de US$ 2.8 bilhões. De 20-30% de todos os gastos são pagos com o retorno financeiro do endowment, enquanto que até 50% pode vir do pagamento da mensalidade dos alunos, mais precisamente a tuition. Os números naturalmente variam entre universidades e também entre anos, porém é seguro dizer que o endowment paga entre 14% a 30% de todos os gastos das universidades norte-americanas privadas. Paga salário de funcionários, professores, custos operacionais, materiais, aquisições de novos prédios e investimentos de expansão do campus, mas não equipamentos e construção de laboratórios de pesquisa ou salário de alunos de pós-graduação a partir do terceiro ano. Para isto, a universidade usa de recursos externos como bolsas do governo ou de instituições privadas, como Sloan Foundation, Google, Microsoft, etc. Mas no caso da Politécnica da USP, os salários dos professores e despesas operacionais já estão segurados pelo orçamento público, então o papel do endowment seria pagar investimentos em laboratórios de pesquisa, professores e bolsas para alunos, uma forma de dinheiro suplementar as fontes FAPESP, CNPq e CAPES. Um conselho de professores da Politécnica decidirá como os recursos do endowment serão distribuídos para pesquisas na escola, e a unidade vai pagar uma instituição privada para administrar o fundo, espero eu que com o ganho do próprio endowment.

Quem ficou curioso sobre o orçamento universitário nos EUA pode fazer uma pesquisa no Google por “[instituição] budget”, a maioria das instituições publica esses dados nas suas páginas da Internet.

* Atualização 23/06/2011: a palavra em português é dotação. Obrigado ao Robson pelo esclarecimento. Mais informação e como doar a dotação da Politécnica na página oficial.

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