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Archive for setembro \28\UTC 2011

Bits and pieces de Física e assuntos relacionados

quarta-feira, 28 set 2011; \39\UTC\UTC\k 39 3 comentários

Esse é um post com links, muitos links. Então, se prepare!

OPERA e neutrinos superluminares

A não ser que você esteve de férias em Marte na última semana, você deve ter ouvido falar que a colaboração OPERA mediu a velocidades de neutrinos produzidos no acelerador SpS do CERN e detectados no laboratório subterrâneo de Gran Sasso, a 730km de distância, e encontraram uma velocidade um pouco acima da velocidade da luz.

Não é necessário dizer que a maior parte dos físicos vê esse resultado com um prior muito, muito (eu já disse muito?) baixo. E já há no mercado uma infinidade de razões para que o resultado esteja errado. A maioria dos links abaixo tem uma ou outra dessas razões e, para ser honesto, maioria delas existe porque o OPERA nunca foi pensado para fazer essa medida. Originalmente a idéia era medir a oscilação de neutrinos do muon para neutrinos dos táon, mas eles demoraram muito para construir o detector e quando ficou pronto, além de já estar obsoleto, as medidas feitas por outros experimentos na diferença de massa “atmosférica” fez com que o número de eventos esperados para toda vida do experimento sejam singelos 2.

Bem, esse não é o primeiro experimento com erros de projeto e nem vai ser o último. Poucos de vocês devem ter ouvido falar do experimento AMY, no acelerador TRISTAN (que precedeu o KEKB). Esse experimento estudava colisões e^+ e^- a 60 GeV, onde é bem o ponto em que a interferência entre o fóton e o bóson Z faz com que nada de interessante seja produzido (e é por isso que poucos de vocês já ouviram falar dele :P)

Anyway, chega de papo e vamos a alguns links:

Fim da vida do Tevatron

É colegas, essa sexta-feira vai ser o fim da vida do Tevatron. Muita coisa está sendo escrita e falada sobre o acelerador e os dois experimentos que tomaram dados por 20 anos! Se você quiser acompanhar o Tevatron sendo desligado, pode acompanhar pela web:

Transmissão ao vivo do desligamento do Tevatron Sexta-feira, 30 de setembro, a partir das 16h00 (horário de Brasília)

Celebrando o Tevatron Site muito legal do Fermilab com uma linha do tempo mostrando as principais descobertas físicas e desenvolvimentos tecnológicos do Tevatron, D0 e CDF.

Tevatron – Três décadas de descobertas Outra linha do tempo, dessa vez da Scientific American.

Um epitáfio para o Tevatron Artigo da Science, por Adrian Cho

Vida longa ao Tevatron Artigo do CERN Courier, por Chris Quigg

Lembrando do Tevatron: A máquina Artigos da conferência DPF 2011 sobre o Tevatron, por Stephen Holmes.

Vai ser engraçada essa transmissão do Tevatron sendo desligado, eu acho. Aparentemente vai ser tudo orquestrado pelo diretor do laboratório entre as salas de controle do Tevatron, do D0 e do CDF. Quer dizer, vai ser a mesma coisa que se faz 2 ou 3 vezes por dia, todo dia, só que anunciado para o mundo?

“E agora eu estou desligando a alta tensão…”

Coisa mais boba. LOL.

Princeton quebrando paradigmas de publicação de artigos

Um assunto sobre o qual eu também já escrevi um par de vezes aqui no blog é sobre a dinâmica de publicações científicas e o papel nocivo das editoras no “mercado” acadêmico e científico. Hoje saiu uma notícia muito interessante relacionada ao assunto. E não vem de um lugar desconhecido no meio do nada. A Universidade de Princeton, vista por muitos como a melhor universidade de ciência do mundo, decretou que nenhum de seus empregados poderá publicar em revistas nas quais o copyright tenha que ser passado à editora.

Claro que, de fora, é muito difícil saber a razão exata do porquê dessa decisão. Consigo imaginar coisas não tão nobres, mas a notícia em si é um grande passo em direção a uma dinâmica mais saudável de trabalho.

Princeton bans academics from handing all copyright to journal publishers

Pronto, agora você pode procrastinar o resto do dia lendo esses vários links e links dentro de links.

Categorias:Ars Physica

Aplicando para um Doutorado em Física nos EUA – Parte 4

quarta-feira, 28 set 2011; \39\UTC\UTC\k 39 Deixe um comentário

Vamos voltar ao assunto sobre o qual já escrevi bastante aqui e que foi certamente o que mais rendeu comentários, no blog e pessoalmente. Para mim é muito gratificante poder ajudar alunos que estão aplicando para cá e não deixem de escrever, mesmo que às vezes minhas obrigações profissionais e pessoais façam com que eu demore um pouco para responder. Se eu demoro, é porque quero responder com cuidado.

Já falei de várias vantagens em se fazer o doutorado em física nos EUA. Mas claro que nem tudo é fácil e existem alguns problemas que todos os alunos enfrentam. Talvez o principal problema acadêmico de se fazer um doutorado nos EUA é que isso significa recomeçar a pós-graduação. Se você está saindo da graduação agora, tudo bem. Mas, como a maioria das pessoas deixa para aplicar depois do mestrado, há um angustiante período de pesquisa perdido na transição, sem contar os 6 meses de diferença entre os períodos acadêmicos.

Nos dois primeiros anos, o aluno é suposto de fazer uma série de cursos básicos, cursos experimentais, cursos avançados na sua área de pesquisa e cursos avançados fora de sua área de pesquisa. Além disso, o aluno tem que passar pelo processo de qualificação, que é composto de várias provas orais e escritas. Essas são provas longas, em geral de vários dias, que avaliam o aluno no seu conhecimento de assuntos básicos, avançados e sobre sua área de pesquisa.

Por assuntos básicos eu não quero dizer assuntos tratados superficialmente. Básico aqui quer dizer que todos eles são necessários para entender qualquer campo de pesquisa. Especificamente, estou me referindo à Mecânica Quântica, Mecânica Estatística, Mecânica Clássica e Eletromagnetismo

Claro que quando se faz cursos sobre assuntos que já se conhece é mais simples tirar uma boa nota. Essa é essencialmente a razão pela qual grande parte dos alunos brasileiros tem um excelente desempenho nos cursos de doutorado nos EUA – nossa formação de graduação e mestrado naturalmente inclui o conteúdo que aqui é deixado para o doutorado. Contudo, não é porque é mais simples que deixa de tomar menos tempo. E é por isso que os dois primeiros anos tendem a ser mortos para pesquisa.

Quando o aluno passa por todas essas obrigações, ele deixa de ser chamado de aluno e passa a ser considerado um Ph.D. candidate. Os requerimentos exatos dependem de universidade para universidade e, se você não quiser ter vários anos de desistímulo por não conseguir fazer pesquisa, é importante pesquisar bem o quanto a universidade vai te prender em obrigações antes de aplicar ou decidir ir. Essa informação sempre está na página da pós-graduação dos institutos de física das universidades. Contudo, para se ter uma idéia da diferença, eu decidi fazer uma pequena compilação de cursos obrigatórios na tabela abaixo.

Eu vou usar as abreviações:

  • CC: Cursos básicos (core courses)
  • GL: Cursos experimentais (graduate laboratory)
  • AC: Cursos avançados na área de pesquisa (advanced courses)
  • BC: Cursos avançados fora da área de pesquisa (breadth courses)

Note que o fato deles não serem obrigatórios não quer dizer que eles não existam. Toda boa universidade tem todos os cursos básicos e avançados para te ensinar aquilo que vai ser a tua profissão. Tampouco isso quer dizer que você não vai ter que provar que sabe o conteúdo. Por exemplo, na maioria das universidades que não exigem os cursos básicos, os alunos têm que fazer uma prova de qualificação sobre o conteúdo desses cursos que pode ser tão trabalhosa quanto fazer o curso (mas certamente exige menos tempo). Por isso que, além de ver qual a exigência dos cursos, é importante também ver quais os requerimentos para qualificação.

A tabela abaixo repete, mais ou menos, as universidades da minha tabela anterior sobre salários de alunos de primeiro ano e os números são os números de cursos exigidos para advance to candidacy. Isso deve dar uma idéia de quanto tempo você terá que investir antes de começar a fazer pesquisa. Em geral, o aluno tem o máximo 2 anos para completar todos os requerimentos de cursos, qualificação e para achar um orientador. Se não conseguir, é chutado do programa mesmo. Algumas universidades são famosas por cortar quase metade dos alunos nesse processo (me lembro de ter visto um fração grande em Stanford e de ter ouvido falar de UC Berkeley, mas não tenho os números aqui comigo).

Universidade CC GL AC BC
Cornell 0 1 0 0
UIUC 0 0 0 2
UC Boulder 6 0 0 0
U Maryland * 0 0 2
Princeton 0 ** 3 0
Rutgers 4 0 2 2
John Hopkins 5 1 0 0
UT Austin 4 1 *** 0
MIT 0 0 2 2
Duke 4 1 0 2
Northwestern 0 0 6 0
UC San Diego 0 0 5 0
UC Sta Barbara 4 0 2 1
Stony Brook 0 1 0 2
U Chicago 0 1 4 0

* Mecânica Quântica 1 e 2 só é obrigatório para alunos de teoria. Acho isso quase ofensivo.
** Exige que cada aluno seja assistente num laboratório de pesquisa durante 100 horas e apresente um relatório.
*** O número de cursos exigidos varia com a área de pesquisa.

Você podem perceber que os requesitos variam muito! Além disso, você pode terminar fazendo cursos que não são obrigatórios, seja para não precisar fazer parte da qualificação, seja para aprender algo necessário para passar pela qualificação, ou mesmo para aprender a tua área de pesquisa. Como exemplo, vou falar de Stony Brook.

Aqui há 6 cursos básicos, que não precisam ser feitos se você passar em provas de qualificação sobre cada um dos assuntos. São dois dias de provas e elas são bem difíceis. Por outro lado, não há nenhum curso avançado necessário, mas você vai precisar passar numa outra prova de qualificação que cobra o conteúdo desses cursos e por isso vários alunos terminam fazendo os cursos de qualquer forma.

Categorias:Ars Physica

O Realejo do Dia…

terça-feira, 6 set 2011; \36\UTC\UTC\k 36 Deixe um comentário

Animações de massinha, claymation, são sempre divertidas… 😎

Essa daqui é o claymation da partida de xadrez entre Roesch e Willi Schlage (Hamburgo, 1910). Esse jogo foi usado por Stanley Kubrick no filme “2001: A Space Odyssey” (na partida entre Frank Poole e HAL-9000).

Pra quem curte, aí vai o jogo: 1. e4 e5 2. Nf3 Nc6 3. Bb5 a6 4. Ba4 Nf6 5. Qe2 b5 6. Bb3 Be7 7. c3 O-O 8. O-O d5 9. exd5 Nxd5 10. Nxe5 Nf4 11. Qe4 Nxe5 12. Qxa8 Qd3 13. Bd1 Bh3 14. Qxa6 Bxg2 15. Re1 Qf3 16. Bxf3 Nxf3#

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