Arquivo

Archive for the ‘Science Writers’ Category

Notícias da Semana…

sábado, 7 abr 2012; \14\UTC\UTC\k 14 Deixe um comentário

Nos últimos 7–10 dias, muitas notícias interessantíssimas apareceram. E vale a pena dar uma olhada no que está circulando pelo mundo afora.

  1. Brazil a Great Place to do Physics … and Other Things“: Esse primeiro link é sobre programa de intercâmbio da APS, e o caso da reportagem conta sobre um aluno que saiu da Columbia University, em NY, e foi para o CBPF, no RJ. Como diz o rapaz que fez o intercâmbio, “Given that Rio was one of Richard Feynman’s favorite places, I was sure the experience would be very interesting, and I quickly became excited about it.”. 🙂
  2. Brown University forges research partnership in Brazil“: Esse segundo link é sobre a parceria que a Brown University assinou nessa semana com o IMPA (RJ). A parceria, promovida pela doação de um pai dum aluno da Brown, vai promover a colaboração em pesquisas, conferências e intercâmbios entre a Brown e o IMPA pelos próximos três anos.
  3. Open grad program allows students to pursue two fields“: Esse terceiro link é sobra um programa piloto que a Brown abriu esse ano e que poderia ser resumido como “Ciências Moleculares para a pós-graduação”. A Brown tem um currículo de graduação aberto, como o do Ciências Moleculares, desde os anos 70. E, agora, eles decidiram aplicar o mesmo princípio para a pós-graduação. A idéia é de que os alunos selecionados para participar desse experimento irão cursar seus respectivos doutoramentos, que será complementado com um mestrado em alguma outra disciplina. (A Brown permitia que seus alunos tirassem um ‘double-masters’, i.e., um duplo-mestrado até alguns anos atrás, quando essa opção foi cancelada em favor dessa nova empreitada multi- e inter-disciplinar.) E é disso que trata a reportagem, desse experimento em se ter um currículo multi- e inter-disciplinar na pós-graduação. Até onde eu conheço, essa é uma atitude completamente pioneira e que não existe em nenhuma outra escola. 😈
  4. How the Modern Physics was invented in the 17th century, part 1: The Needham Question“: Essa é a primeira parte (de um total de 3) de um blog convidado da SciAm, contando a história da Física moderna. Muito interessante.
  5. How Much Is a Professor Worth?“: Essa matéria do NYT trata do tópico de um novo livro que tenta comparar o salário de professores em diferentes países. Vale a pena ler pra ver em qual posição o Brasil se encontra, e como os diferentes países se comparam. Há muitos detalhes a serem analisados nessa questão todo… mas, de qualquer maneira, é um bom começo.
  6. Sociedade Brasileira de Física — Cortes no orçamento de ciência ameaçam futuro do Brasil“: o governo decidiu cortar o orçamento em cerca de 33% (comparado ao orçamento de 2010), entrando em rota de colisão com diversas conquistas recentes da política científica federal.
  7. Carnaval Is Over“: Seria esse o fim do milagre brasileiro? A FP faz uma lista dos vários fatores que influenciam essa questão.

Parcerias científicas internacionais, flexibilização do currículo da pós-graduação, história da Física, cortes do orçamento de ciência e tecnologia, e futuro econômico do país. Todas notícias relevantes e contemporâneas.

“E agora, José?”

Anúncios

As Raízes da Metafísica…

segunda-feira, 22 ago 2011; \34\UTC\UTC\k 34 1 comentário

Acabei de ler o post The Roots of Metaphysics que trata do Paradoxo de Russell — que tem a mesma natureza do Argumento Diagonal (o fato de que os Reais são incontáveis).

Entretanto, no sentido exposto no texto — “(…) no set of existential statements can entail a universal statement” —, a primeira coisa que veio a minha mente foi o Teorema do Limite Central (e suas “variações sobre o tema”). Ou seja, apesar dos pesares, minha crítica ao texto, ao modo como o problema foi exposto no texto, é que eu não achei que a noção de recursividade ficou exposta de modo claro o suficiente (de modo que se note que ela é o ‘pilar’ por detrás do problema sendo tratado). A analogia feita no texto é a de que enquanto a afirmação “todos os morcegos estão na pia” é universal, a afirmação “há um morcego na pia” é existencial. O problema dessa analogia é que nós já sabemos, a priori, que o número de morcegos é finito (assumindo, claro, que só existem morcegos no nosso planeta), o que faz uma diferença enorme em toda essa brincadeira. Num certo sentido, o problema dessa analogia está no Paradoxo de Banach–Tarski: se fosse possível, através dum corte ao meio, se obter dois morcegos idênticos entre si, a partir dum morcego original, aí sim, essa seria uma analogia bona fide, uma vez que a recursividade estaria então implementada no problema. Aliás, é por essas, e outras, que existem diferentes formulações da Teoria de Conjuntos, como, e.g., Teoria de Conjuntos de Zermelo–Fraenkel (e suas respectivas objeções), assim como Teoria de Topos e Teoria de Conjuntos de Tarski–Grothendieck.

Acho interessante ver que o Paradoxo de Russell é de ~1925… e que, por exemplo, os Teoremas de Incompletude de Gödel são de 1931: quando postos em contexto, acho que as implicações são bem interessantes. :wicked:

No final das contas, esse assunto tem um nome: Meta-Matemática — leia mais sobre isso em Meta Math! The Quest for Omega e Omega and why maths has no TOEs. Ou seja, como devemos usar a matemática pra avaliar a própria matemática?

Num certo sentido, isso me leva a pensar diretamente sobre o conceito de Grupo de Renormalização, Teorias Efetivas e Espaço de Teorias (em física teórica) (ver também Grupo de Renormalização Funcional). Ou seja, em Física existem teorias que são fundamentalmente desconexas (como, por exemplo, a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica); entretanto, existe todo um outro conjunto de teorias que estão conectadas via o Grupo de Renormalização: ou seja, existe uma teoria pra explicar cada conjunto de graus-de-liberdade (ie, as variáveis que descrevem uma determinada teoria); entretanto, é possível se rearranjar um conjunto de graus-de-liberdade de modo a se obter as variáveis relevantes para se explicar outra teoria — esse fenômeno leva o nome de Transição de Fase.

Nesse sentido, existem várias escalas relevantes para a Física, que efetivamente formam “ilhas de teorias”, ou “ilhas de verdade” (à la Gödel). Dessa forma, acabamos com um sistema multi-fractal: a auto-similaridade consiste no fato de que toda a estrutura Física se repete nas diversas escalas: Lagrangianos, [quantização via] Integral de Trajetória de Feynman, Renormalização, etc, etc, etc — exceto, claro, por pontos-fixos não-triviais no Fluxo de Renormalização. 😉

Conferência da Divisão de Partículas e Campos de APS…

segunda-feira, 8 ago 2011; \32\UTC\UTC\k 32 Deixe um comentário

Hoje (segunda-feira, 08-Ago-2011) começa a edição de 2011 da Conferência da Divisão de Partículas e Campos da American Physical Society.

O programa da Conferência pode ser encontrado no link de ‘Schedule’ da mesma.

Mais ainda, os “proceedings” da Conferência serão publicados através do eConf.

Há também uma página para a Conferência no Indico do CERN, DPF2011 @ Indico/CERN. (A razão pra essa duplicação de esforços está fora da minha alçada (coisas da dicotomia de se passar o tempo dividido entre duas insituições) — quando me chamaram pra ajudar na organização da DPF2011 esse tipo de decisão já havia sido tomada. :razz:)

De qualquer maneira, essa página no Indico contém links para os Resumos das palestras e posteres, índice dos autores e palestrantes. Em particular, nestas listagens e índices é possível se encontrar os PDF que já foram carregados para o servidor.

Eu e o Rafael estamos atendendo a DPF2011. Então, vcs podem esperar por twittadas, fotos, posts, etc, etc, etc… provavelmente não no estilo “cobertura ao vivo”, uma vez que tudo vai ser meio corrido, mas fica aí aberto o canal pra quem quiser fazer perguntas ou participar de alguma outra maneira. 😉

O Brasil no Chronicle of Higher Education…

sábado, 9 jul 2011; \27\UTC\UTC\k 27 7 comentários

O jornal The Chronicle of Higher Education é uma das referência no mundo da Educação Superior — assim como o Times Higher Education.

No começo da semana, o Chronicle publicou a seguinte matéria sobre o Brasil: Brazil Reaches Out. Essa reportagem também apareceu no Physics Today: Brazil reaches out (Physics Today).

Pra quem está com preguiça de clicar no link da Physics Today, aqui vai o comentário deles (em sua integridade):

Chronicle of Higher Education: The Brazilian government has announced that it will fund 75,000 studentships to study abroad, worth $30,000 each. Brazil’s university system is successful, but that success is not unqualified; scientific research is highly variable in quality, and there is a shortage of researchers. Student bodies of elite universities tend to be economically homogenous. The Brazilian government recognizes that the country’s higher education system will need to expand rapidly while improving in quality if it is to support the country’s economic growth: 7.5% last year, with another 4% predicted for 2011 despite the global slowdown.

O ponto principal da reportagem é o seguinte: o governo brasileiro anunciou 75.000 bolsas-de-estudos (para estudo no exterior) no valor de US$30.000 cada. (Posso estar enganado, eu até gostaria de ter mais informações a esse respeito, mas meu entendimento é que essas bolsas são para áreas onde não há possibilidade de se fazer a pesquisa no Brasil.)

Eu, confesso, tenho algumas dúvidas. Por exemplo, como esse valor de US$30.000 é calculado e aplicado para uma bolsa de doutoramento? A tuition (custo anual) das escolas pode variar muito: nos USA, para a pós-graduação, uma escola pública (e.g., UCLA ou UCSD, SUNY-SB, Rutgers, etc) pode cobrar cerca de ~US$20.000 para alunos estrangeiros (que claramente têm origem fora do estado onde essas escolas se localizam — a anuidade para residentes do estado é consideravelmente mais baixa: cerca de 25% do valor cobrado para quem vem de fora do estado), assim como uma escola privada (Harvard, MIT, Princeton, Brown, Chicago) pode cobrar até US$40.000 por ano! E isso não inclui o salário para o doutorando, que gira em torno de US$2.000/mês (i.e., cerca de ~US$21.000–US$24.000 por ano), dando um total de até ~US$65.000 por ano. Portanto, mesmo uma média simples entre os dois tipos possíveis de anuidades já dá o valor anunciado para as bolsas, cerca de ~US$30.000.

Claro, a situação na Europa é bem diferente e varia bastante de país pra país (e.g., Reino Unido, França, Alemanha). Então, eu imagino que os valores europeus vão ser um pouco mais baixos quando comparados aos valores americanos. Por outro lado, a conta européia vem em Euros, o que torna tudo cerca de 43% mais caro que a conta americana. Então, um custo de ~€21.000 se torna algo como ~US$30.000.

Mais ainda, quem conhece gente que foi pro exterior pago pelo CNPq, sabe o quão comum é o atraso do pagamento dessas pessoas…: muito mais comum do que deveria — às vezes vc recebe por 3 meses atrasados. De qualquer modo, essa já é outra questão, apesar de relevante pra pessoa que está do outro lado do oceano.

Fora isso, também é importante se colocar esses números em comparação com os dados do post Como a Ciência escapou da Foice do Orçamento — até agora. Em particular, os seguintes artigos são de extrema relevância: Brazil cuts its science budget e Brazil’s budget cut dismays scientists . Esses cortes não precisam, necessariamente, afetar as bolsas mencionadas acima. Entretanto, as pessoas formadas por este programa de bolsas vão necessariamente (por causa do contrato da bolsa) voltar para o Brasil — o que imediatamente traz a seguinte pergunta à tona: “Com esses cortes, será que haverá empregos para esses bolsistas? Ou será que eles simplesmente vão ficar desempregados depois de voltarem? Há planos para a absorção desses bolsistas?” E por aí afora…

Portanto, a notícia soa boa, mas sem os devidos detalhes fica difícil de se saber o quão realista isso tudo é.

Reproduzo aqui o artigo do Chronicle em sua integridade.

Brazil Reaches Out

July 5, 2011, 12:14 pm, By Nigel Thrift.

In Brazil on a delegation with the Deputy Prime Minister and the Minister of State for Universities and Science. As usual with these delegations, they tend to be a mixture of frenzied last-minute reorganizations and moments of formal ceremony. They certainly require serious stamina occasioned by crammed programmes and non-stop travel.

But this delegation was buoyed by the Brazilian government’s announcement of 75,000 studentships to study abroad over the next four years, each worth $30,000, of which the UK looks set to obtain a good number.

What is striking about Brazilian higher education its range and variety. There are numerous private institutions, some of which are of good quality. There are state universities. There are federal universities. There are a number of federal science and technology institutions like CAPES, along with many national institutes of science and technology. There are a number of companies (most notably Petrobras and Embraer) which have close associations with universities. I was able to visit the University of Sao Paulo, an august institution boosted by the fact that a proportion of the State of Sao Paulo’s sales tax goes to universities (other countries take note).

What became clear to me was that Brazilian higher education is now in a state of take-off. Brazilian research is often world class. It is the 13th biggest knowledge producer as measured by numbers of papers. In particular, Brazilian research in is paramount in fields like engineering and aspects of the biological sciences.

In a meeting with luminaries from the world of Brazilian higher education, what was clear was that they are bullish about the future and that the scholarship scheme is a tangible expression of that optimism, as well as a desire to diversify the locations in which students study (which are currently led by the United Sates and France).

What is very different from many other countries which are now in economic take-off is that Brazil already has a thriving university system which has achieved many successes. It needs to expand its higher education system rapidly but the goal that has been set for participation rates seems entirely possible. In fact, it is about the same rate of expansion as the UK has achieved over the last 30 years.

There are clearly still problems. For example, the elite universities tend to be populated by students from well-off backgrounds. But Brazil is hardly the only country that can be accused of that. Again, there is very considerable variation in quality. Again, Brazil is hardly the only country that can be accused of that. It has a shortage of researchers to match its ambitions. Once more, Brazil is hardly the only country that can be accused of that.

In other words, this cannot be seen as a situation in which a country needs “help.” Rather, it requires a partnership of equals in which the non-Brazilian partner realizes that the Brazilian partner has much more to offer than the prospect of studentships abroad. Those studentships are a sign off greater engagement but an engagement that will be a two-way process right from the very start.

Como a Ciência escapou da Foice do Orçamento — até agora…

segunda-feira, 9 maio 2011; \19\UTC\UTC\k 19 1 comentário

O original, pode ser encontrado aqui: How Science Eluded the Budget Ax — For Now (DOI: 10.1126/science.332.6028.407).

É importantíssimo de se colocar esta notícia em comparação não só com os cortes oçamentários americanos, mas também com os cortes brasileiros: Brazil cuts its science budget, Brazil’s budget cut dismays scientists. De fato, duas comparações bastante interessante são as seguintes: percentual do corte orçamentário (o Brasil cortou o orçamento de Pesquisa e Desenvolvimento em ~13%), e proporção do investimento em Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao PIB (o Brasil investe ~1.25% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento).

É dentro deste contexto que a crise econômica mundial foi apenas uma “marola” no Brasil…

When details of the 11th-hour budget compromise that kept the U.S. government running emerged last week, it became clear that science programs fared relatively well. True, most research agencies will have less to spend this year than they did in 2010 (see table), and the totals generally fall well short of what President Barack Obama had requested when he submitted his 2011 budget 14 months ago. But the legislators and Administration officials who struck the spending deal managed to slice $38.5 billion from a total discretionary budget of $1.09 trillion without crippling research activities. How did that happen?

US Research Funding Budget

First and foremost, both Republicans and Democrats were working off a quiet but powerful consensus on the importance of science to economic prosperity. Last fall, Congress authorized steady increases for three key science agencies in a renewal of the America COMPETES Act, and Obama’s recent statements on the 2011 negotiations emphasized the need to continue investing in clean energy and medical research as the overall budget is cut. Second, Senate Democratic leaders had crafted a spending plan in March that, although it failed to pass the full Senate, showed how it could be done. Finally, the so-called cardinals, who chair the 12 appropriations panels in the House of Representatives and the Senate that oversee every federal agency, found ways to protect research while trimming other programs to satisfy the deal’s bottom line.

“There was no magic to it,” explains Representative Frank Wolf (R–VA), whose panel has jurisdiction over the National Science Foundation (NSF), NASA, and the National Oceanic and Atmospheric Administration and the National Institute of Standards and Technology within the Commerce Department. “Science has been a priority for me and the other longtime members of the committee because you’re talking about jobs and about helping America maintain its economic leadership,” says the veteran legislator, who entered Congress in 1981. “There has not been any controversy about this.”

His appropriations counterpart, Senator Barbara Mikulski (D–MD), says she hopes that consensus will translate into “smart cuts that don’t cost us our future. I support science funding that can spur American discovery and ingenuity to create jobs for today and jobs for tomorrow.”

Of course, a passion for science wouldn’t have been enough to carry the day without the numbers to back it up. That’s clear from the actions of the commerce, justice, and science (CJS) panels that Wolf and Mikulski lead.

In February, the Republican-led House passed H.R. 1, which slashed $61 billion from current federal discretionary spending. For Wolf’s spending panel, that translated into $8 billion less than the committee dispensed in 2010. Divvied up among dozens of agencies, the $52.7 billion number forced Wolf to cut $360 million from NSF’s $6.87 billion budget, for example, and $600 million from NASA’s $18.7 billion budget.

In contrast, the 2011 spending plan devised by Senate Democrats gave Mikulski’s CJS panel $53.6 billion to work with. That $900 million difference allowed Mikulski to be kinder to the research agencies under her jurisdiction. It pared $75 million from NSF’s budget and even provided a slight boost to NASA.

“Nineteen billion dollars was authorized, and $19 billion is what I put in my appropriations bill,” Mikulski said at a hearing last week on NASA’s 2012 budget request, referring to both a reauthorization of NASA programs that was enacted last fall and the Senate plan for 2011. “But my [spending] bill died, so NASA won’t get $19 billion.”

The 8 April budget agreement resulted in a CJS allocation of $53.3 billion for each panel. And although that figure is a bit lower than the earlier Senate version, it was enough to turn the two chairs’ support for science into fiscal reality. The Senate bill was a “guide-post showing what could be done within that allocation level,” says a senior staffer at one federal research agency. “Having the Senate offer a road map made a huge difference.”

Wolf says he was happy to be able to deliver most of what science lobbyists had sought for agencies within his jurisdiction. “I thought science ended up pretty well,” Wolf says about the final bill, pointing out that it ranked with the FBI’s fight against global terrorism as his top priority. In contrast, federal support for local and state law enforcement assistance took a big hit, as did other Justice Department programs.

Mikulski believes she did the best she could under the circumstances. But she isn’t happy with the fate of NASA, which employs thousands at its Goddard Space Flight Center outside Washington, D.C., in suburban Maryland. “NASA won’t even get the $18.7 billion it got in 2010,” she said at last week’s hearing. “Simply put, NASA will be cut more.”

With the 2011 budget finally put to bed, Congress is turning to the budget for the 2012 fiscal year that begins on 1 October. In addition to the political bickering over how to reduce a $1.5 trillion annual deficit, legislators will have to deal with the domino effect of the 2011 cuts, as activities that needed increases this year to remain on schedule will be delayed. NSF’s final budget, for example, cuts $48 million from its request to continue building a half-dozen major research facilities, including the newly launched Ocean Observatories Initiative and the National Ecological Observatories Network. A shrunken 2011 budget also means even bigger headaches for NASA’s troubled James Webb Space Telescope.

Striking a positive note, Mikulski told NASA Administrator Charles Bolden last week that “NASA will need to work harder and smarter to accomplish its inspiring mission within a smaller budget.” Wolf was less sanguine. Asked what scientists should do to maintain support for federally funded research in these fiscally stringent times, he offers a one-word strategy: “Pray.”

O Movimento dos Jovens Acadêmicos…

terça-feira, 26 abr 2011; \17\UTC\UTC\k 17 Deixe um comentário

O original, pode ser encontrado aqui: The Young Academy Movement (DOI: 10.1126/science.1206690).

I have often argued on this page that scientists need to do more than simply advance their individual research projects. Maintaining excellence in the global scientific enterprise will require constant adjustments to policies and programs. In addition, much more outreach by scientists will be needed to make science better understood by the general public and by governments. Promising progress toward both of these goals comes from a movement that is forging new organizations of young scientists—the “young academies”—around the world. A few weeks ago, a new international organization, the Global Young Academy, held its initial meeting in Berlin to discuss spreading the idea to many more nations (www.globalyoungacademy.org). This effort deserves full support from of all of society.

In 2000, a new type of organization, Die Junge Akademie (the Young Academy), was created as a joint venture by two German academies. This Young Academy was described as “an organization intended to harness the resources of both academies in ways that would fertilize research fields with new ideas and bolster career pathways, as well as invigorate older academies by involving the young scientific community in critical policy-related work.”* In 2005, a similar Young Academy was established in the Netherlands. The success of these two experiments has recently inspired six other nations to create their own Young Academies: Egypt, Nigeria, Pakistan, Sudan, Thailand, and Uganda; all nations where the tolerance and rationality inherent to science will be invaluable.

I see this empowerment of young scientists as the next step in a process that began in 1993 in New Delhi, when the national academies of sciences from more than 60 nations came together to develop a coherent scientific position on world population issues in preparation for the major 1994 United Nations International Conference on Population and Development in Cairo. This first-ever meeting of the world’s science academies soon created the InterAcademy Panel (IAP), now a vibrant global network of more than 100 member academies (www.interacademies.net). The IAP functions as a mutual support organization for the existing science academies around the world.

But the empowerment of national science academies with distinguished, well-established members can leave a gap between these influential organizations and the young, dynamic scientists who represent the future in each nation. This is precisely the gap that has been filled by the Young Academies: each a group of fewer than 200 scientists, typically selected by their national science academies to serve in 4-year leadership roles. Through its connection to a prestigious national science academy, each Young Academy is empowered to exert national leadership in advancing science through projects that the young scientists themselves determine. These young scientists can often be more effective than their older peers in interactions with society and with politicians. They also bring new energy to these interactions, with a better gender balance due to the advances that women scientists have made in recent decades.

By bringing together outstanding scientists from many different disciplines, Young Academies catalyze the formation of multidisciplinary scientific collaborations that generate innovative new discoveries. Participation in a Young Academy also strengthens a nation’s scientific enterprise by training its next generation of leaders. The work exposes them to important policy issues while building networks of trusted personal relationships that can bridge disciplines for a lifetime. And by providing a shortcut for outstanding young scientists to exert national leadership, Young Academies can be highly effective in recruiting a nation’s most talented students to scientific careers—a critical issue for the future of every nation.

By fusing the promotion of the larger goals of science with an integration of young scientists into public service, the Young Academy movement is well positioned to drive the creation of the tolerant, rational societies that the world so badly needs.

As cidades mais científicas do mundo…

sábado, 19 mar 2011; \11\UTC\UTC\k 11 Deixe um comentário

O Physics arXiv blog publicou uma matéria interessante. Mas, antes de falar da notícia, eu tenho que avisar que não estou entre os maiores fãs desse blog — na verdade, minha opinião flutua bastante: alguns artigos são bons, outros ficam bem longe disso… mas, em todos os casos, o Physics arXiv blog é bem enviesado (a seleção dos tópicos que aparecem por lá deixa isso claro além de qualquer dúvida, isso pra não falar sobre o nível das discussões, sempre bem ‘passageiro’) — e isso sempre me incomoda muito.

De qualquer forma, e sem mais delongas… eis o artigo: Mashups Reveal World’s Top Scientific Cities. O original pode ser lido diretamente nos arXivs: Which cities produce worldwide more excellent papers than can be expected? A new mapping approach—using Google Maps—based on statistical significance testing.

A discussão no ‘Physics arXiv blog’ não passa de “mais do mesmo”: ciênci-o-metria. Infelizmente, perde-se a chance de se avaliar o artigo propriamente dito, escolhendo-se apenas notificar a “mensagem” contida no mesmo. Parece até mesmo um órgão de Relações Públicas, apenas alardeando e propagandeando.

O artigo propriamente dito é de tão baixa qualidade que a vontade que se tem é de apenas se repetir o adágio invisível, que diz que os artigos dos arXivs não escritos em [La]TeX são sempre de qualidade duvidosa — pior ainda quando são escritos em Word, ou algum editor de pior qualidade ainda; sem identação apropriada (quem ainda usa ‘identação à esquerda’, ao invés de ‘justificado’? :razz:): via de regra, a falta de atenção a esse tipo de detalhe num artigo costuma refletir a baixa qualidade do material escrito. Mas, como eu disse, esse é apenas um “adágio invisível”, uma unspoken rule, que não se vê, não se ouve, e cujo perfume não se sente. 😳 🙄

De qualquer forma, a máquina de salsicha continua na ativa: como se mensurar o imensurável: quais trabalhos científicos têm mais qualidade, quais são mais dignos de fomento, quais têm mais impacto na comunidade?

Todas essas são questões relevantes, claro, mas uma lição que a Ciência tem que aprender com a Arte é que a medição da criatividade é algo estupidamente difícil. Aliás, nem é preciso se apelar para o lado mais humanista desta questão: basta apenas se aprender Sistemas Dinâmicos corretamente (o que, de fato, parece ser algo tão complicado quanto nos dias de hoje). A razão deste meu argumento é bem simples: como se pode avaliar algo que possui resultados de médio a longo prazo (sem esperarmos por tal prazo)?

A resposta é simples: não é possível se avaliar nada que dependa de médio a longo prazo sem esperarmos tal prazo passar e medirmos o resultado efetivo do que se deseja avaliar. Ou seja, precisamos esperar o tempo passar pra podermos sequer ter a chance de sermos justos nesta empreitada! Ou seja, falando um pouco mais rigorosamente, é preciso termos acesso a todos os dados para podermos conhecer o problema de modo completo.

Infelizmente, com a idéia de que as Universidades devem ser “profissionalizadas” (sabe-se lá o que isso significa :razz:) e, mais ainda, de que toda a empreitada científica deve ser “profissionalizada”, todo esse tipo de questão métrica se torna relevante: como se pode escolher aquilo que há de “melhor” para se fomentar? Assim como numa empresa, numa linha de montagem, é preciso haver alguma forma de “selo de garantia”, alguma forma de “controle de qualidade”. (Note que não estou falando do processo de ensino de estudantes, mas sim de pesquisa científica — falar de ensino por si só abriria outra Caixa de Pandora!)

Entretanto, ao contrário de empresas, fábricas e linhas de montagem, Universidades e Pesquisa Científica [fundamental] possuem planos de ação, missões, de longo prazo, de longuíssimo prazo: há universidades com cerca de 1000 anos de existência: quantas empresas, fábricas e linhas de montagem podem dizer o mesmo?! A própria Revolução Industrial tem apenas cerca de 250 anos!

Felizmente ou não, esta é a natureza da busca pelo conhecimento, e este é o papel da Ciência, principalmente daquela dita fundamental (que costuma dar frutos bem distante das aplicações do dia-a-dia). Por outro lado, hoje em dia, na nossa Era da Informação, é possível se converter algo tão abstrato quanto Teoria dos Grafos em compiladores e navegadores. Este é o caminho da Ciência e do Conhecimento: a menos que se tenha acesso a toda informação, só se pode ver aquilo que está no curto prazo… 😉

Isso tudo só server pra fazer com qua a analogia posta acima — entre Sistemas Dinâmicos e Funções de Partição — fique ainda mais clara aos olhos: quando vc tem acesso à Função de Partição dum problema, vc tem em mãos toda a informação necessária pra resolver o problema completamente; no caso de Sistemas Dinâmicos, como o nome indica (dependência temporal), é muito difícil de se calcular o que vai acontecer no futuro (não-linearidades, caos, etc). E, no final das contas, tudo que se quer medir são os Fenômenos Críticos, as Transições de Fases, e as Propriedades de Escala do sistema em questão.

A mensagem é clara: sem uma visão mais global é impossível se poder qualificar e medir justamente um trabalho científico. Incontáveis exemplos, de Einstein à Wilson, todos nobelistas, jamais teriam os “índices” e os “fatores de impacto” necessários, hoje, para serem contratados em regime de ‘tenure track’ — isso é claro pra qualquer um que já tenha feito o exercício mental requerido por esta questão.

Algumas empresas e alguns nichos industriais já descobriram esse fato básico da natureza humana… aliás, no âmbito de Sistemas Dinâmicos tudo isso tem nome: Cisne Negro e Dragões Reis. 😈

Infelizmente, parece que esse aprendizado e essa mensagem ainda não chegaram na academia — um fato bem irônico, posto que a academia é o lugar onde tais idéias (transições de fase, cisne negros e dragões reis) nasceram! 😳 Então, por enquanto, nós ainda vamos nos debelando com índices e fatores de impacto e outras bobeiras afins. Eu gostaria que fosse feito um estudo com as revistas de maior impacto, procurando-se saber quantos dos artigos publicados nestas revistas deram origens a novos caminhos e novos ramos em seus respectivos campos da Ciência. Taí uma perguntinha bem capiciosa e que por motivos “mágicos” ainda ninguém teve a idéia de responder… 🙄 (Diquinha: eu não me lembro de Einstein ter publicado na Nature nem na Science, então nem as Relatividades nem a Mecânica Quântica (ou Teoria Quântica de Campos) tiveram suas origens nas revistas ditas de alto impacto; o mesmo vale, por exemplo, para as chamadas Transições Quânticas de Fase: o Kosterlitz não publicou numa revista de alto impacto — aliás, porque ninguém pergunta pro Kosterlitz o que ele pensa disso tudo, afinal de contas ele deu origem a todo um ramo da Física, logo deve saber o que significa “alto impacto científico”, não?! :razz:)

Pra finalizar, vou apenas me resignar a dizer que a análise estatística feita no tal artigo é de baixa qualidade, não apenas porque não leva em conta os cisnes negros e os dragões reis, mas também porque não leva em conta tantos outros métodos que a tornariam bem mais robusta. É uma pena, porque os “efeitos visuais”, os “efeitos especiais”, do artigo são bem bonitinhos… [bonitinhos mas ordinários! :razz:]

[]’s.

Atualizado (2011-Mar-19 @ 11:15h EDT): Ah… a ironia do destino. Assim que acabei de escrever o post acima, trombei no seguinte livro: Little Bets: How Breakthrough Ideas Emerge from Small Discoveries. O ponto do livro é clararamente exposto no título, mas também já foi feito por Asimov,

“The most exciting phrase to hear in science, the one that heralds new discoveries, is not ‘Eureka!’ (I’ve found it!), but ‘That’s funny…'”

Isaac Asimov.

Experimentação, passo-a-passo, erros e mais erros… é assim que se faz Ciência: a idéia de que pesquisa e progresso é feito através duma seqüência de ‘acertos’, de passos corretos, não poderia estar mais distante da realidade… c’est la vie

%d blogueiros gostam disto: