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Arquivo para a categoria ‘FLOSS’

Would the Bard Have Survived the Web?

terça-feira, 15 fev 2011; \07\UTC\UTC\k 07 3 comentários

O New York Times tem um artigo de opinião de hoje entitulado Would the Bard Have Survived the Web? (“Teriam os menestréis sobrevivido a Internet?”, tradução livre). Vcs podem ler o artigo em Inglês seguindo o link acima, ou, se preferirem, podem ler a tradução para pt_BR via Google Translate.

Aqui vão meus comentários sobre o assunto:

  • Poor understanding of the concept of “market”, as it was done in the past and as it is done today, in our “Information Era”;
  • Poor understanding of the concept of “intellectual property” and “copyright”;
  • Pathetically dismissive argument against “[a] handful of law professors and other experts”: a 6-line paragraph? Out of which, only a single phrase address the actual point?! Seriously, this is the best these 3 people could do to ground their defense in solid and robust arguments?! They couldn’t even come up with a typical list of pros and cons? Deconstructing this 1-paragraph argument is really a silly exercise: the misunderstanding of the differences between “Science” and “Technology” is enough to make this 1-paragraph self-destructive. This is pretty shameful… :-(
  • Here are a couple of question that i would like answer: if “Science” had patented some of its *basic* and *fundamental* research outcomes, like the following, what would these same folks be saying, what would their tune be: electromagnetism (TV, radio), quantum mechanics (modern electronics, semiconductor devices, X-rays, MRIs, etc), general relativity (GPS; fluid mechanics: think missiles and torpedos)? What would happen if all of these *fundamental research* discoveries had been patented, copyrighted and “intellectual property-ed”?! Science, Physics in fact, would definitely not need any government support today, nor run the risk to have DOE’s budget completely slashed (regarding research support).
  • And, the cherry on the top of this piece, is the constant comparison with the Dark Ages, with the Medieval Times… seriously: the world really did not change since then?! Over 300 years have passed and the best these 3 gentlemen can do is propose a “market” as it was done over 3 centuries ago? This is their *very best* solution to address their “problem”? Do they even understand that the very concept of “market” has changed in these 3 centuries? Do they understand that the very core of their issue is exactly the grasping to understand what the “Web” really means and how to best use it? Do they realize that people don’t quite know what to do with this deluge of information and possibilities coming from the Web? :sigh: :-(

O futuro da revisão-por-pares…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 2 comentários

Depois da invenção dos arXivs, o problema de distribuição de publicações científicas foi efetivamente resolvido. Dessa forma, o papel dos jornais acadêmicos ficou essencialmente resumido à revisão-por-pares. Ou seja, no frigir dos ovos, o valor agregado que as jornais acadêmicos acrescentam aos artigos é apenas a revisão-por-pares, uma vez que a distribuição desses artigos não é mais problema na Era da Informação.

[N.B.: Pense em termos de uns 400 anos atrás, na época de Galileu: era preciso um manuscrito viajar de cavalo ou barco para que sua distribuição fosse efetivada. Claro que as coisas melhoraram com o correio moderno e com a invenção dos aviões... mas, no final das contas, o processo de distribuição continuava o mesmo em sua natureza: era preciso haver uma mudança física, mecânica, de um lugar para outro. Hoje em dia isso não é mais verdade: organizar, colecionar e distribuir artigos é uma tarefa essencialmente trivial: o exemplo dos arXivs sendo o mais gritante, e PLoS sendo um segundo exemplo. Infelizmente, eu não conheço nenhum esforço dessa natureza Free-Open Access nas Humanidades nem nas Ciências Sociais: seria muito interessante conhecer esforços nessas direções.]

Entretanto, atualmente há também um movimento para “aliviar” os jornais acadêmicos inclusive dessa atividade:

Felizmente (ou não :-P ), esta não é uma idéia nova: esforços nesta direção já têm sido promovidos há anos. Vejam os exemplos abaixo,

Esses esforços costumam vir sob o nome de Ciência 2.0 — apesar de que, atualmente, já está se falando em Ciência 3.0!

[N.B.: Resumidamente, o "2.0" significa a incorporação das ferramentas de Web 2.0, enquanto que o "3.0" significa que metadata é usada de modo "decente" (ie, como a coisa foi designed para funcionar ;-) ).]

Mais ainda, há movimentos em direções ainda mais ambiciosas, como os abaixo,

Tanto o MathJobs quanto o AcademicJobsOnline têm o intuito de organizar e facilitar a busca de empregos (postdocs, professores, etc) em Matemática e Ciências em geral, respectivamente. Isso tem melhorado o processo infinitamente: antigamente, era preciso se escrever cartas de aplicação para diversas (até centenas!) e instituições; hoje em dia basta vc carregar seu material nesses sites e selecionar os empregos que vc gostou — o resto acontece automaGicamante. 8-)

De fato, nossa Era Digital trouxe ferramentas absolutamente fantásticas, que conectam o mundo da pesquisa de modo nunca d’antes navegado… Claro, como toda espada, esta também tem dois gumes: o ‘lado negro’ de toda essa facilidade e conectividade é o atual campo da cienciometria, onde se acredita que é possível se mensurar “criatividade científica” através de índices que, na melhor das hipóteses, são apenas parciais (ie, são índices cujo significado estatístico é questionável).

Enfim, este é um momento bastante conturbado… mas que certamente não deixará “pedra sobre pedra”. ;-)

This post translated to English (en_US) (courtesy of Google Translate).

Café científicos levando ciência para o público leigo…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 3 comentários

Está aí uma iniciativa excelente que está demorando para go viral:

Os Cafés Científicos são uma idéia que, pessoalmente, eu considero brilhante: um cenário informal, relaxado, onde as pessoas podem ouvir algum palestrante falar sobre Ciência — e, melhor ainda, depois da palestra, debater sobre o que foi dito. Aliás, de fato, o foco é maior no debate do que na palestra propriamente dita: a idéia é passar a informação de modo bem objetivo e, depois, deixar a platéia guiar a discussão.

Quem faz Ciência sabe: deixar a curiosidade ( :!: ) guiar o debate científico é uma das formas mais entusiasmantes de se fomentar a criatividade. Essas digressões tangenciais que aparecem a todo momento nesse tipo de discussão são fundamentais pra se ‘mapear’ o ‘espaço’ do assunto sendo atacado. Quem não conhece, pode achar esse approach meio caótico… mas, é um método excelente pra se obter uma ‘imagem’ do objeto em questão.

Reconstrução 3D via fotos…

sábado, 27 nov 2010; \47\UTC\UTC\k 47 Deixe um comentário

Só pra animar um pouco esse sábado cinzento daqui, aqui vai uma notícia bem legal: 3-D mashup of Rome from Flickr pics.

Ou seja, fizeram uma reconstrução 3D — de monumentos em cidades como Roma e Berlim — a partir de fotos disponíveis publicamente (e.g., Flickr e Google Images). Tecnologia sensacional! :twisted:

[N.B.: Versão no Twitter.]

Semantic Web: Web 3.0…

domingo, 16 mai 2010; \19\UTC\UTC\k 19 Deixe um comentário

Quem quiser ver um pouco mais sobre o assunto,

O mais incrível disso tudo é que a idéia original do TBL sempre foi essa: usar metadata pra “organizar” e “concatenar” a informação. Entretanto, infelizmente, apenas agora (quantas décadas depois da “invenção” da web? :razz: ) a idéia original está sendo apreciada como se deve.

O realejo do dia…

domingo, 18 out 2009; \42\UTC\UTC\k 42 Deixe um comentário

Acesso aberto:

James Randi:

A semana nos arXivs…

quinta-feira, 1 out 2009; \40\UTC\UTC\k 40 Deixe um comentário

Segundo lugar no Prêmio ABC!

domingo, 20 set 2009; \38\UTC\UTC\k 38 7 comentários

Estava eu aqui, a trabalhar num artigo sobre espaços-tempo 6-dimensional que decaem espontaneamente para 4-dimensões… quando resolvi dar uma olhada no meu twitter e descobri uma maravilha,

O Ars Physica ganhou o 2º Lugar no Prêmio ABC de Blogs Científicos! :twisted:

(Ver mais sobre o Prêmio ABC no link Prêmio ABC para blogs científicios (UPDATE 11/09/2009).)

Eu gostaria de agradecer a todos os blogs e blogueiros participantes, assim como os envolvidos com o prêmio e com a tabulação dos resultados, e, claro, a todos os que votaram, tanto no Ars como no geral — excelente trabalho pessoal! :smile:

Quem quiser continuar lendo, pode seguir o link abaixo… :wink:
Leia mais…

Compilando o Chromium no Mac…

terça-feira, 2 jun 2009; \23\UTC\UTC\k 23 1 comentário

Como eu tinha pouca coisa pra ler ontem — :shock: :roll: —, decidi testar minhas habilidades ‘compiladorísticas’ e ver se conseguia compilar o Chromium no Mac.

Como vcs devem saber, ainda não há um ‘build’ do Google Chrome nem pra GNU/Linux nem pro Mac OS X. Mas, usando o código open-source do Chrome (chamado Chromium), é possível simplesmente se compilar o danado e ver no que dá. No caso do Mac, basta seguir as instruções em MacBuildInstructions. E foi exatamente o que eu fiz. O resultado vcs podem ver abaixo… :twisted:

Google Chromium no Mac OS X (10.5.7)

Google Chromium no Mac OS X (10.5.7)

P.S.: Claro, ainda há alguns problemas, como falta de suporte a UTF-8, plugins, etc. Mas, a estabilidade e velocidade do bixinho é uma surpresa agradável. :wink:

Atualizado (2009-Jun-02 @ 17:23h): Chrome For Mac “Coming Along Fine”. :wink:

Atualizado (2009-Jun-05 @ 15:52h): O time de desenvolvedores do Chromium lancou, ontem, a versao alpha do “Chrome” para Mac e GNU/Linux: Chromium Releases Official Mac, Linux Browser Alphas. Pra quem esta acompanhando esse post, isso nao faz a menor diferenca, uma vez que as versoes compiladas ‘no muque’ ja sao mais atualizadas que esse lancamento. :wink:

A semana nos arXivs…

quarta-feira, 29 abr 2009; \18\UTC\UTC\k 18 1 comentário


A semana nos arXivs…

sexta-feira, 13 mar 2009; \11\UTC\UTC\k 11 Deixe um comentário

Novas estruturas sociais e o cientista hacker…

quinta-feira, 19 fev 2009; \08\UTC\UTC\k 08 Deixe um comentário

Com a crescente fusão entre ciência e tecnologia (principalmente TI), surgem novas formas de produção e distribuição do conhecimento.

Origens da divulgação científica

Em ciências (exatas, humanas ou biológicas), desde os primórdios até hoje, a forma preferida de divulgação do conhecimento é oral, por meio de palestras, congressos e conversas formais ou informais. Isso acontece porque explicar a lógica por detrás de uma idéia, de um raciocínio ou de uma metodologia, costuma requerer mais do que a comunicação escrita pode oferecer. Ao vivo, é possível interagir com o interlocutor. Perguntas e respostas são fundamentais para o entendimento.

Com o desenvolvimento histórico, porém, os modos de organização sociais mudaram, outros continentes foram descobertos, a humanidade se expandiu. A história das ciências também mudou: a cada nova escolha feita pelas sociedades, era necessária uma nova adaptação do método científico e de sua divulgação. Na Babilônia e no Egito, há registros de números Pitagóricos, incluindo o famoso teorema de Pitágoras, que datam de 1900-1600 AC, alguns ainda em escrita cuneiforme. Compare isso com as nossas mais modernas formas de escrita: TeX, XHTML, MathML.

Enquanto o mundo era pequeno (Europa/Eurásia) e com o aparecimento de “centros de excelência” para as diversas áreas do saber, a divulgação do conhecimento humano acontecia sem grandes problemas. Porém, com a entrada do “Novo Mundo”, as distâncias começaram a mudar o modo de divulgação científica, passando de oral para escrita. Só assim era possível comunicar as descobertas para os diversos cantos do mundo. Publicava-se uma enciclopédia, uma revista, e essa era levada de barco para o resto do globo. Foi basicamente por essa razão – transposição das distâncias –, num contexto de desenvolvimento da tecnologia da impressão por Gutenberg, que as revistas científicas tomaram a forma que, em alguns casos, adotam até hoje. Contudo, a revolução tecnológica desse último século, incluindo a revolução digital, começou a chacoalhar as fundações desse modelo.

Internet: agilidade na popularização do conhecimento

Flexibilidade e dinamismo na divulgação do conhecimento são peças fundamentais em ciências. Dentre outras razões, estão o simples fato de se atrair um maior interesse no trabalho dos pesquisadores (jovens cientistas, alunos) e o fato de que o resultado da pesquisa de um determinado grupo poder catapultar a pesquisa de outros grupos. Quanto mais pessoas tiverem acesso aos resultados de determinada pesquisa e quanto mais rápido esses resultados forem divulgados, maior será a chance de avançar aquela área do saber. Em alguns casos, essa dinâmica é necessária para manter vivo um campo do conhecimento.

A invenção da Internet e a popularização das tecnologias de computadores, modems, bandas-largas e redes foram um passo fundamental na direção de se agilizar a produção e divulgação do conhecimento. Hoje em dia, é rotina um pesquisador de um lado do globo comunicar seus resultados para seus colaboradores em outros cantos do planeta. Quando se adiciona a isso o fato de que o conhecimento da humanidade pode seguir um novo paradigma de “velocidade, flexibilidade e dinâmica”, esse avanço tecnológico passa a ser incomensurável.

Esse novo ”modus operandi” é fundamental para que se possa maximizar os caminhos da ciência: tanto na direção do cientista para o leitor quanto na do leitor para o cientista. Mas, para que isso se realize, é imprescindível que a divulgação seja o mais democrática possível, habilitanto qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo a ter acesso a informação. Nossa sociedade industrial transformou-se em uma sociedade que valoriza a informação. Essa é uma das razões que justifica a existência de modelos de distribuição como o usado pelo arXiv (distribuição gratuita) em lugar de modelos canônicos (revistas especializadas e seus custos).

Ciência da Computação e a revolução digital

Ciência e tecnologia são conceitos diferentes. De acordo com suas definições de dicionário:

  • ciência: conhecimento; conhecimento de princípios e causas; confirmação da verdade dos fatos;
  • tecnologia: aplicação prática da ciência para o comércio e/ou indústria [sinônimos: engenharia, ciência aplicada].

Dada essa distinção, surge a questão de como ciência e tecnologia se relacionam. Em outras palavras, “qual é a ”distância” entre um fato científico e seu correspondente tecnológico?” Para quem está familiarizado com essa questão, é fácil ver que isso é complicado. É preciso entrar nos pormenores de cada área do saber e avaliar o quão próximo do dia-a-dia cada uma delas está. “O que é que se pode fazer de prático com Gravitação Quântica?” Contraste isso com: “O que é que se pode fazer de prático com uma vacina contra a AIDS?” ou ainda “O que é que se pode fazer de prático com a nanotecnologia?” A Gravitação Quântica está bem longe de trazer resultados práticos para o nosso dia-a-dia. Em compensação, pesquisas em HIV e em nanotecnologia estão presentes e afetam a nossa vida diariamente.

Entretanto, é preciso ter cuidado com esse tipo de afirmação: avanços tecnológicos aparecem onde menos se espera. As dificuldades técnicas em se construir equipamentos para pesquisa pura, como aceleradores de partículas (por exemplo, CERN e SLAC) levaram a avanços enormes para os componentes de computadores. O volume de dados que trafega pelas redes de computadores desses experimentos chega a atingir 1 Terabyte (1024 Gigabytes) por segundo, e uma colisão típica nesses aceleradores leva alguns segundos. Um experimento para se medir alguma propriedade de uma teoria de Gravitação Quântica pode levar a avanços dessa natureza.

Para ilustrar esse argumento, vale a pena lembrar duas frases do físico inglês Michael Faraday. Enquanto Faraday explicava uma nova descoberta para o Ministro das Finanças e para o Primeiro Ministro britânicos, perguntaram-lhe ”‘Mas afinal, que uso tem isso?’”, no que Faraday respondeu, ”‘Excelência, é provável que em breve o senhor esteja cobrando impostos sobre isso’”. Em uma outra conversa, o Primeiro Ministro britânico lhe perguntou a respeito de uma nova descoberta ”‘Que valor tem isso?’”; Faraday respondeu, ”‘Que valor tem um recém-nascido?’” e prosseguiu explicando que sem os cuidados de uma boa infância, um recém-nascido não cresce e não se torna um adulto criativo e trabalhador.

Na área de Ciência da Computação, a distância entre ciência e tecnologia fica ainda mais difícil de medir. Por exemplo, Teoria dos Grafos é uma das áreas de pesquisa da matemática pura. Porém, em Ciência da Computação, o conhecimento de Teoria dos Grafos é fundamental para a construção de compiladores (programas que traduzem código escrito em uma linguagem para linguagem de máquina), ou então para o desenvolvimento das linguagens usadas na criação de páginas WWW para a Internet, como o HTML, XHTML, XML, CSS e seus interpretadores (navegadores, como Mozilla Firefox e Opera). Uma teoria abstrata como Teoria dos Grafos acabou gerando uma aplicação imediata. Sem ela, nenhum de nós estaria surfando na Internet hoje.

A Ciência da Computação introduziu um novo paradigma a respeito dessa “distância” entre teórico e prático. E esse novo paradigma trouxe consigo um novo conceito para a nossa sociedade pós-industrial: ”O conceito de Sociedade da Informação”. Uma visão corrente afirma que foi a Tecnologia da Informação que causou essa mudança. Entretanto, é preciso ter em mente que esta teve origem na Ciência da Computação. Uma nova gama de ciências apareceram por causa desse ”insight”, como Teoria da Informação e Inteligência Artificial. O momento histórico, portanto, é mais do que propício para discutirmos uma possível liberação dos meios convencionais de divulgação científica.

Propriedade intelectual

Cooperação e colaboração entre cientistas e acesso às pesquisas e seus resultados são pontos para que se caminhe em direção ao futuro. Portanto, tanto a ciência quanto seus pesquisadores são historicamente livres. No começo dos tempos científicos, a pesquisa e seus resultados tinham uma aplicação prática muito mais tímida do que hoje em dia. Atualmente, é possível ganhar um Prêmio Nobel pela descoberta da estrutura de dupla-hélice do DNA (via cristalografia de raios-X), ou pela descoberta da liberdade assintótica dos quarks, coisa que os egípcios e babilônios jamais sonharam. As aplicações da nanotecnologia vão desde tecidos inteligentes até computadores quânticos e ”spintrônica”. No campo de biotecnologia, desenvolvem-se fármacos para combater um vírus específico. Em suma, aprendemos a dar forma, cor, sabor e até cara para nossos achados científicos de tal forma que, teorias antes consideradas completamente abstratas e sem aplicação prática, são hoje os pilares de uma revolução no nosso modo de vida.

Com esses avanços, um método para a proteção do conhecimento foi desenvolvido. Trata-se da ”Propriedade Intelectual”. Esse desenvolvimento ocorreu ao mesmo tempo em que a nossa ciência ficava cada vez mais próxima da tecnologia. Isso acontece por uma razão bem simples: economicamente, é mais fácil atribuir valor à tecnologia do que à ciência. Afinal de contas, o que é mais fácil quantificar: a Teoria Quântica de Campos e seus aceleradores de partículas ou os computadores e suas tecnologias de rede e bandas-largas? O que é mais fácil de medir: 20 anos de estudo ou um novo antibiótico?

Em vista disso, a medida de ”distância” entre ciência e tecnologia passou a ser cada vez mais fundamental: com o aumento da proteção sobre o conhecimento, o custo sobre o desenvolvimento científico pode tornar-se proibitivo. O desenvolvimento científico deixaria de ser livre. Já imaginaram o que seria do mundo moderno se Maxwell tivesse “cobrado” por sua teoria, o Eletromagnetismo? Sua teoria resume-se a 5 equações. Quatro delas descrevem os fênomenos elétricos e magnéticos propriamente ditos e uma delas descreve a conservação de carga. Essas equações, chamadas Equações de Maxwell, são a base de tudo que é elétrico, eletrônico e magnético hoje em dia (lâmpadas, geladeiras, microondas, computadores). Isso ilustra a dificuldade de atribuir-se um valor econômico a descobertas científicas.

Porém, é necessário dar valor à tecnologia, afinal de contas os produtos e resultados das pesquisas científicas têm que gerar alguma coisa. E é por isso que o paradigma atual, de revolução digital e sociedade da informação, é tão crítico. Como foi mostrado acima em Ciência da Computação, essa distância entre ciência e tecnologia é algo mal definido. Um mestre em Teoria dos Grafos pode inventar um novo compilador, isto é, um teórico pode produzir tecnologia. A Ciência da Computação é a primeira a permitir esse nível de interação entre teoria e prática, entre ciência e tecnologia. Esse é o primeiro palco onde a mais abstrata das matemáticas acaba tendo aplicações práticas de uma utilidade inigualável.

Bazar do conhecimento: por uma sociedade livre e universal

É essa mistura entre ciência e tecnologia, entre teoria e prática, que foi responsável pela revolução digital, pelo nosso novo paradigma cultural (pós-industrial) de sociedade da informação. Portanto, nesse novo momento histórico nós, enquanto coletividade/sociedade, teremos que fazer uma escolha que mudará nossas vidas de forma crítica: ”como é que vamos lidar com a impossibilidade de se medir a distância entre ciência e tecnologia?”. Essa pergunta é fundamental para os futuros modelos econômicos.

Dentre os estudiosos dessa nova economia e sociedade, destacam-se Eric Raymond (The Cathedral and the Bazaar) e Richard Stallman (Free Software, Free Society). O ponto principal dessas referências é que tudo que nelas é descrito como cultura hacker sempre fez parte da cultura da ciência e dos cientistas. Segundo o dicionário dos programadores, a definição de ”hacker” é “um programador para quem a computação em si é sua própria recompensa” e “aquele que gosta do desafio intelectual de superar barreiras criativamente ou encontrar alternativas para limitações”). Ora, cientistas têm sido assim desde sempre. Cientistas são ”hackers”: hackers da matemática, da física, da química, da biologia, da ciência da computação.

Portanto, e chegamos agora ao ponto crucial: estamos vivendo o momento do ”interlace de culturas”, de permeação da cultura ”hacker” na cultura científica. Creio que esse interlace se originou na Ciência da Computação, a primeira ciência a permitir uma interação intensa entre teoria e prática. Assim, nesse momento cultural, vivemos a impossibilidade de discernir ciência de tecnologia e cultura hacker de cultura científica. Dessa forma, a escolha crítica que teremos que fazer reside no fato de que a cultura hacker/científica é fundamental e diferente do paradigma econômico em que vivemos hoje, principalmente no que diz respeito à produção de valor.

O caminho na direção de uma sociedade mais livre e universalmente inclusiva terá que lidar com essas questões, terá que formular respostas para essas questões, terá que encontrar novos paradigmas sociais e econômicos que acomodem essas questões. Um dos problemas a serem atacados é o da universalidade da ciência, principalmente no que diz respeito à sua divulgação. A meu ver, a solução mais universalmente inclusiva e livre para essa questão deve seguir os moldes do arXiv. Trata-se de uma solução que permita o acesso irrestrito ao conhecimento, às pesquisas e seus resultados. E, dado o modelo econômico atual, isso só pode ser feito através de uma forma eletrônica e gratuita de divulgação científica. Seria fantástico se o modelo do arXiv fosse adotado para todas as outras áreas do saber.

Epílogo: Uma breve história do arXiv

No começo, o arXiv era chamado “LANL preprint archive” (LANL é o Laboratório Nacional de Los Alamos – lugar onde a física das bombas atômicas da Segunda Guerra Mundial foi finalmente entendida e “dominada”). Ele é um arquivo para ”preprints” eletrônicos de artigos científicos nos campos de Física, Matemática, Ciência da Computação e Biologia Quantitativa. No passado, o servidor do arXiv ficava no LANL mas, atualmente, o arXiv é servido e operado pela Universidade de Cornell, além de ser espelhado pelo mundo afora. Sua idéia original é devida ao físico Paul Ginsparg.

O arXiv surgiu em 1991 como um arquivo de ”preprints” em física (hep-th, sigla que denota “física teórica de altas energias”) e, mais tarde, foi expandido para incluir, além de outras áreas de física, matemática, ciência da computação e, mais recentemente, biologia quantitativa. Em Março de 2004, o arXiv continha cerca de 267.000 preprints e recebia cerca de 3.000-4.000 novos preprints por mês!

O primeiro nome do arXiv foi xxx.lanl.gov, porém esse nome foi mudado quando se descobriu que programas de “censorware” (ou seja, programas de filtragem de conteúdo) estavam bloqueando seu acesso a partir de diversos sites, acreditando que as três letras X implicassem num site pornográfico. A idéia do XXX era a de que o arXiv era melhor que o WWW em todos os aspectos (já que a letra x vem depois da letra w no alfabeto).

A existência do arXiv foi um dos fatores mais importantes que levou à presente revolução em publicações científicas, conhecida como Open Access Movement (veja também Budapest Open Access Initiative e Berlin Declaration), com a possibilidade de levar ao desaparecimento das revistas científicas tradicionais (e, mais importante ainda, seus modelos de publicação).

Um método popular para se acessar a porção de matemática do arXiv é via o portal da Universidade da Califórnia em Davis chamado de Front. O portal oferece um método de busca poderoso e uma interface mais amigável para o usuário. Por essa razão, o arquivo de matemática é conhecido como ”[the] Front”.

Cientistas e matemáticos profissionais (como Grigori Perelman em 2002 e Richard Arenstorf em 2004) ”carregam” regularmente seus achados e demonstrações matemáticas no arXiv para o acesso e revisão mundial (e gratuito).

Referências

Enquete…

Diversão garantida…

:twisted:

Open Source Physics (other sciences too) Lab

terça-feira, 16 dez 2008; \51\UTC\UTC\k 51 6 comentários

Hoje, enquanto matutava sobre uma idéia antiga que eu tenho desde os tempos da minha graduação em física (não faz tanto tempo assim na verdade :P) ocorreu-me a seguinte coisa: há algum projeto de laboratórios didáticos de física de conteúdo aberto?

Me explico. Eu sempre gostei da idéia de criar experimentos didáticos para alunos de colegial e faculdades de física e sempre achei os que já existem tremendamente chatos e desinteressantes. E eu sempre fiquei muito empolgado ao ver projetos de ciência na internet e pessoas que construiram diversos aparatos bastante complicados e que fizeram parte de experimentos chave na história da física apenas com componentes comprados no Radio Shack. A quantidade de experimentos bacanas de verdade que se pode fazer em casa é grande. Eu já vi lasers, pequenos aceleradores de partículas, bombas de vácuo, telescópios, … uma infidade de coisas feitas em casa. Há projetos na internet como o Open Source EEG – um aparato de eletroencéfalografia de projeto totalmente aberto na web.

Então me ocorreu a idéia: porque não abrir um Open Source Lab, um projeto de desenvolvimento de experimentos didáticos de física sérios, com projetos detalhados abertos na internet com licença copyleft – totalmente aberta ao uso e modificação por qualquer pessoa – focado em recriar experimentos interessantes da história da física.

Há diversas coisas que, estou certo, são possíveis de serem feitas por pessoas que tem um jeito para por a mão na massa e poderiam ser usadas por escolas, universidades em países de terceiro mundo e até empresas que queiram produzir esses materiais para vender a escolas particulares e etc (o que não é proibido por uma licença copyleft).

A idéia é recriar experimentos famosos através de projetos de experimentos didáticos usando a tecnologia moderna, a moderna acessibilidade a recursos que até poucas décadas atrás eram caros e tornar isso um projeto colaborativo através da web de conteúdo totalmente aberto e de acesso gratuito.

A única coisa que me impede de fazer isso tudo é o maldito lado prático da vida. Eu, como legítimo acadêmico, não sei fazer as coisas andarem e não tenho idéia de quem ou o que financiaria um projeto desse tipo e como se viabilizaria uma coisa dessas sem capital próprio (que no meu caso é bem escasso). Universidades teriam interesse? Empresas teriam interesse? Agencias governamentais teriam interesse? Você que está lendo teria interesse?

Ao leitor que estiver interessado e souber lidar com esse tipo de coisa, souber onde se busca patrocínio para esse tipo de projeto e tiver jeito para por a mão na massa em desenvolver projetos desse tipo:  o que estamos esperando?!!

Pai da Wikipedia, Jimmy Wales, participará de debate, dia 10 de novembro, em São Paulo

segunda-feira, 20 out 2008; \43\UTC\UTC\k 43 Deixe um comentário

É notoriamente bastante comum vermos o uso da Wikipedia, em fóruns de discussão na Web, como fonte de informação, mesmo quando o artigo não é muito bom (em português a situação ainda é bem triste). Então vou divulgar aqui também.

Seguem abaixo alguns detalhes sobre o evento, extraídos da página da Wikimedia.

Os desafios e oportunidades para produções colaborativas de conhecimentos livres no Brasil é tema de debate no Centro Cultural São Paulo, às 19h30 do dia 10 de novembro de 2008 (segunda-feira). O evento, denominado WikiBrasil: Mutirão de Conhecimentos Livres, celebra também o início da atuação da Wikimedia no Brasil.

O debate também contará com a participação de Ethevaldo Siqueira, Gilberto Dimenstein, Gilson Schwartz, Karen Worcman, Ladislau Dowbor, Lala Dezeinhelin, Reinaldo Pamponet, Renato Rovai e Sérgio Amadeu.

A bilheteria do Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000) distribuirá para o público senhas gratuitas uma hora antes do início do evento. A sala Adoniran Barbosa tem capacidade para 600 pessoas (já tem mais de 160 inscritos e de ontem para hoje foram mais de 60!) e será dada prioridade aos inscritos com antecedência AQUI.

Os interessados de outras localidades poderão acompanhar o evento e enviar perguntas pela Internet. Novidades e atualização serão postadas aqui nesta wiki e enviadas por twitter (acompanhar “WikiBrasil“).

Alguns responsáveis pela implementação de ferramentas para construção de conhecimento colaborativamente na Universidade de São Paulo, o Stoa, também estarão lá.

Quem aqui nunca usou algum artigo da Wikipedia, pelo menos como fonte de referências? ;-)

Inscreva-se!

Atualização3/11/2008

Entrour no ar o Hotsite dedicado ao Evento WikiBrasil – Mutirão de Conhecimentos Livres.
Site – www.wikibr.org

Mais informações

Dia do Acesso Livre…

terça-feira, 14 out 2008; \42\UTC\UTC\k 42 1 comentário


Hoje é Dia do Acesso Livre:

É importante que, hoje em dia, em meio a toda essa revolução digital que estamos passando, nós tenhamos noção da dimensão do que conceitos como “Acesso Livre” significam.

Para maiores informações,

Feliz Dia do Acesso Livre! :twisted:

Edição colaborativa em TeX…

domingo, 12 out 2008; \41\UTC\UTC\k 41 8 comentários

Muita gente, mais cedo ou mais tarde, acaba trombando nesse problema: como editar colaborativamente um artigo científico, em geral editado em \TeX e \LaTeX?

Imagine a seguinte situação: vc numa sala, no seu depto preferido, e seu colaborador na sala ao lado! Como é que vcs podem se coordenar para escrever um artigo juntos? Agora, imaginem uma situação mais idealizada, só pra facilitar o argumento a seguir: vc e seu colaborador estão a meio planeta de distância. :twisted:

No meio científico, essa situação é razoavelmente comum: vários autores colaborando num mesmo artigo, um em cada canto desse nosso mundo redondo.

Praqueles que não têm uma necessidade tipográfica muito grande, algo como Google Docs dá conta do recado: vc simplesmente transfere sua ferramenta editorial para “the cloud“. :wink:

Agora, pra quem tem necessidades tipográficas mais agudas — e.g., TeX, LaTeX, DocBook ou HTML —, a colaboração é certamente mais complicada e delicada.

As primeiras alternativas que surgiram foram as seguintes:

Quem usa Emacs pode utilizar AUCTeX e psvn.el para integrar tudo de modo suficientemente transparente.

Uma alternativa um pouco mais moderna, que integra e faz o papel de agregar as funcionalidades de “editor de textos” e “controle de versões”, é a seguinte:

  • Gobby (roda em qualquer plataforma: Microsoft Windows, Mac OS X, GNU/Linux e *NIX afins);
  • SubEthaEdit (só para Mac OS X).

Essencialmente, ambos são equivalentes: O Gobby é uma implementação “software livre” do SubEthaEdit. Para usuários menos experientes em lidar com o controle de versões, delegar essa tarefa diretamente para o editor pode ser uma saída viável. Para maiores informações sobre esse tipo de editores, é só dar uma olhada em Collaborative real-time editor. Infelizmente, eu não sei quantos desses têm suporte para TeX ou LaTeX.

Isso tudo posto… aautgora é hora de falar no Git: o Git é um dos softwares para controle de versão mais rápidos disponível atualmente. Aliás, mais do que isso, o paradigma descentralizado e distribuído do git o torna um candidato natural para um sistema de arquivos com as mesmas propriedades: o jeito mais fácil de entender o conceito do git é imaginar que vc pode, e.g., ter uma pasta no seu computador ‘replicada’ em outros computadores (que vc explicitamente permitiu acessar a pasta original): ou seja, todos os seus colaboradores vão ter acesso à mesma pasta, de tal forma que quando qualquer arquivo (formatos ASCII ou binários, i.e., TeX, LaTeX, DOC(X), PDF, JPEG, TXT, HTML, RTF, etc) dentro dessa pasta for atualizado, todos os colaboradores recebem essa mesma atualização!

Fora isso, o git tem algumas outras propriedades bem interessantes para quem está desenvolvendo uma colaboração científica, que tende a ser um processo altamente emaranhado e não-linear: suporte para desenvolvimento não-linear (resolução de conflitos de edição), desenvolvimento distribuído, é possível usar subversion através de comandos de compatibilidade, velocidade e escalabilidade (eficiência para grandes projetos), autenticação criptografada, entre outras.

Ou seja, através do uso do git o controle de versões é extremamente mais poderoso e flexível, isso pra não falar na resolução de conflitos, i.e., quando dois ou mais dos seus colaboradores estiver trabalhando no artigo (ou gráfico, imagem, etc — qualquer tipo de arquivo), ao mesmo tempo, qual modificação tem maior prioridade? O git é excelente nesse departamento… além de permitir que vc compartilhe toda uma pasta com seus colaboradores, uma vez que qualquer tipo de arquivo é monitorado e atualizado automaticamente.

É, a meu ver, a saída mais sofisticada e robusta para o problema de colaboração e acesso de várias pessoas a um mesmo conjunto de arquivos (e tudo pode funcionar de modo encriptado, o que torna todo o processo ainda mais confortável). Porém, infelizmente, ainda não há nenhum suporte para git no Emacs nem em nenhum outro editor que eu conheço. Mas, dado que o AUCTeX é uma ferramenta tão poderosa, vale a pena se ajustar ao meio termo: “Emacs + AUCTeX” e Git no console. Pode ser meio confuso no começo, mas uma vez que se acostuma com esse arranjo… é puro zen! :cool:

O que me traz à terceira opção: Dropbox (leiam mais no link Tour).

Essencialmente, o Dropbox é uma versão mais “user-friendly”, amigável, de softwares de controle de versões: o processo de instalação cria uma pasta no seu computador que fica arquivada no cloud deles… e, dessa forma, toda vez que qualquer arquivo denro dessa pasta for modificado, as diferenças são propagadas para o cloud, onde ficam arquivadas também. E é agora que vem o pulo-do-gato: uma das sub-pastas (dentro da pasta-mãe, compartilhada via o serviço do Dropbox) é chamada Public, de modo que qualquer arquivo dentro dessa pasta pode ser acessado por quem tiver o respectivo acesso permitido.

Até aqui, tudo soa exatamente como no git, acima… a diferença crucial é que o Dropbox não usa o git como ‘backend’, i.e., o Dropbox tem seu próprio método de atualização dos arquivos — que, até agora, não é muito bem conhecido publicamente.

Portanto, nesse sentido, o Dropbox é uma espécie de git light, i.e., é uma versão mais levinha e com menos recursos do que o git — não tão robusto, mas que satisfaz as necessidades da grande maioria dos usuários.

A grande vantagem é que não é preciso que “alguém” instale um servidor rodando git, o que torna tudo muito mais acessível a qualquer nível de usuários. :wink:

Então, no final das contas, essa não é uma saída tão ruim assim… perde-se uns recursos dum lado, mas ganha-se em manutenção do outro — em geral, é um bom meio termo. E, de quebra, ainda é possível se usar TrueCrypt para se encriptar o conteúdo de toda a pasta, tornando tudo muito mais seguro (mesmo que o conteúdo da pasta esteja na ‘cloud’, ele estará encriptado :wink: ).


Pessoalmente, meu sonho de consumo seria um servidor rodando uma combinação dos seguintes:

juntamente com todo o indexamento feito pelo SPIRES! E, a essa mistura, adicionaria-se um servidor git, para que todos os usuários pudessem colaborar livremente e, de modo completamente transparente, publicar o artigo assim que acabado!

Dessa forma, numa mesma e única plataforma estariam centralizadas as melhores e mais robustas funcionalidades disponíveis no momento — seria o paraíso! :smile:

Bom… é isso aí: a diversão é mais-do-que-garantida, []‘s! :twisted:

Um pouquinho de Linux e o valor de “listas”…

sábado, 11 out 2008; \41\UTC\UTC\k 41 Deixe um comentário

Essa é rapidinha, só pra ressaltar dois links interessantes que apareceram nessa semana:

O primeiro link acima é sobre o projeto APTonCD, que faz um repositório dos pacotes duma distribuição baseada no apt (e.g., Debian ou Ubuntu) num CD ou DVD. Dessa forma é possível se carregar pra todo lugar os seus pacotes preferidos. :wink:

O segundo link é um resumão com as melhores dicas do Shell-fu colocadas dentro dum único .bashrc.

E, pra quem gosta de “listas disso” e “listas daquilo”, acho que esse artigo vem bem a calhar:

Qual é a informação que realmente tem significado em listas e rankings? Mesmo que os dados sejam estatisticamente significativos, o modo como eles são comparados relativamente (i.e., os pesos atribuídos) tende a ser arbitrário, o que afeta o resultado final — às vezes, até alterando completamente as respostas obtidas.

Diversão garantida, []‘s. :twisted:

Acesso Livre…

segunda-feira, 6 out 2008; \41\UTC\UTC\k 41 Deixe um comentário

Hoje em dia, o movimento que visa o acesso livre vai de vento-em-popa e já praticamente dispensa apresentações; principalmente no Brasil, onde a CAPES já até desenvolveu o famoso Portal de Acesso Livre.

Porém, o que muitos não sabem é a história de como tudo isso começou, em meados de 1991, quando Paul Ginsparg (sim, aquele já conhecido pelos férmions de Ginsparg-Wilson) deu início aos arXivs.

A entrevista abaixo é uma das poucas que o Ginsparg já deu, e é excelente, recheadas de ‘causos’:

É importantíssimo também lembrar que sem o TeX, dado de presente e mão beijada para o mundo todo pelo Don Knuth, nada disso teria sido possível — o TeX é uma das primeiras linguagens de markup.

Outro ingrediente importante foi a criação da WWW por Tim Berners-Lee. Como o próprio Ginsparg conta na entrevista, TBL o contactou pessoalmente… e assim os arXivs foram levados dum servidor de FTP para um de WWW… e assim surgiu o primeiro, :!: , servidor da web no mundo!


N.B.: o servidor da HET Brown foi um dos primeiros também (se não me engano, foi o terceiro), logo em seguida dos arXivs: foi um dos meus predecessores (chamado Stephen Hahn) que o instalou, na sala de número 625 no prédio chamado Barus & Holley, e até pouco tempo atrás (quando eu atualizei e reconfigurei tudo pra rodar via Apache 2.0.63), tudo rodava naquele mesmo servidor original (um verdadeiro rinoceronte :smile: )! Enquanto isso, no Brasil, o DFMA teve uma das primeiras páginas da USP, assim como o Ciências Moleculares, que certamente foi a primeira página sobre um curso de bacharelado da USP (quiçá do Brasil — ainda me lembro do dia em que instalei o primeiro servidor HTTP no servidor do CM, ainda chamado lnx00, e começamos a brincar com HTML)! Foi nessa mesma época que nasceu o Projeto Sócrates, do qual tive a sorte de participar (mas essa é outra estória).


Bom, essa é a história do Acesso Livre, não só no mundo, mas no Brasil também… que, como vcs vêm, tem tido uma participação bem sólida nisso tudo. :smile:

[]‘s.

A semana nos arXivs…

sexta-feira, 3 out 2008; \40\UTC\UTC\k 40 Deixe um comentário

Que formatos de arquivos as revistas científicas andam exigindo aos autores?

quarta-feira, 1 out 2008; \40\UTC\UTC\k 40 2 comentários

Num post recente de um estudante de pós-graduação da Faculdade de Educação da USP, foi relatado um pouco sobre suas vãs tentativas de ter seus textos lidos por outras pessoas (seus pares de periódicos, orientador etc.), o que o levou a optar a usar um sistema operacional e software pagos. Como já fui bolsista, sei que, se tivesse que lidar com os valores da bolsa para gastos além de moradia, comida, livros e outras coisas para sobrevivência, isso só aumentaria as dificuldades financeiras que um pós-graduando já possui (não que seria impossível). Como exemplo, foi mencionada a Revista da Faculdade de Educação (USP), um períodico que ele encontrou problemas para enviar seus arquivos. Consta, nas instruções aos autores, o seguinte:

1. The presentation of papers should observe the following standards:

  • works should be prepared using Word for Windows, and sent in floppy disk and two printed copies.

Como disse recentemente, está aí uma prova sobre a falta de liberdade de escolha, por causa da imposição do uso de formatos fechados, pagos e dependentes da plataforma (sistema operacional), escolhida por alguns. Não vou nem comentar sobre o floppy. Isso existe ainda? Imagino que o site deve estar desatualizado.

Vamos ver quanto custaria essa brincadeira (em prazo imediato)? Se eu, que rodo GNU/Linux, quisesse adquirir o Windows Vista, obteria pela bagatala de aproximadamente R$ 300. Já o pacote Office, que inclui o processador de textos Word exigido pela revista, sairia por aproximadamente R$ 200. Esse preço foi de uma loja das que consegui verificar o preço, sugerida na página da Microsoft, na seção de compras. Ou seja, R$ 500, mais da metade da bolsa de um estudante de mestrado (do CNPq ou CAPES). Fora as futuras atualizações que a pessoa terá que arcar.

Recentemente, o professor Jean-Claude Guédon veio à USP [1] e falou um pouco, entre outras coisas, sobre algumas modificações que estão ocorrendo na produção e comunicação científica em nossa era digital.  Entre elas, mencionou algumas iniciativas que visam tornar o acesso ao material científico cada vez mais aberto e acessível a qualquer um (veja, por exemplo, a Budapest Open Access Initiative).

Muitos elogios foram feitos a iniciativas como a SciELO (The Scientific Electronic Library Online), sistema brasileiro onde ficam várias revistas em que o acesso a todos seus artigos é aberto. Ao mesmo tempo, vemos no exemplo citado logo acima uma revista brasileira, sob o domínio do SciELO, que obriga seus autores a usarem sistemas caros e fechados (esse para mim é o principal obstáculo) para poder submeter seus artigos.

Alguém vê algum sentido e concorda com isso? Caso concorde, gostaria de saber o porquê, sendo que existem diversas formas de contornar esse problema, sem ter que obrigar autores a usar determinado sabor em seu computador. Se uma pessoa quer e pode usar um sistema operacional e programas caros e de qualidade ruins (pelo menos para mim, muitos discordarão, mas esse não é meu foco aqui), tudo bem. As pessoas devem mesmo ter sua liberdade de escolha. Mas obrigar aqueles que optam por outros sistemas (e. g., o GNU/Linux, aberto e gratuito) e softwares (e. g., editores de texto Vim e Emacs, processador de textos Open Office, que possibilita salvar em formatos abertos etc.), devem aceitar situações como essa? A comunicação, o mais importante aqui, deve ser dificultada por esses detalhes? Você já se deparou com situações como a vivida por nosso colega? Conte-nos como foi. Quais revistas ou situações lhe ofereceram esse tipo de obstáculo?

[1] Resumos do professor Ewout ter Haar das aulas do Professor Guédon: aula 1, aula 2, aula 3, aula 4, aula 5, aula 7 e aula 9.

Alguns vídeos dessas aulas podem ser vistos aqui.

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