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Archive for the ‘Economia Brasileira’ Category

Notícias da Semana…

sábado, 7 abr 2012; \14\America/New_York\America/New_York\k 14 Deixe um comentário

Nos últimos 7–10 dias, muitas notícias interessantíssimas apareceram. E vale a pena dar uma olhada no que está circulando pelo mundo afora.

  1. Brazil a Great Place to do Physics … and Other Things“: Esse primeiro link é sobre programa de intercâmbio da APS, e o caso da reportagem conta sobre um aluno que saiu da Columbia University, em NY, e foi para o CBPF, no RJ. Como diz o rapaz que fez o intercâmbio, “Given that Rio was one of Richard Feynman’s favorite places, I was sure the experience would be very interesting, and I quickly became excited about it.”. 🙂
  2. Brown University forges research partnership in Brazil“: Esse segundo link é sobre a parceria que a Brown University assinou nessa semana com o IMPA (RJ). A parceria, promovida pela doação de um pai dum aluno da Brown, vai promover a colaboração em pesquisas, conferências e intercâmbios entre a Brown e o IMPA pelos próximos três anos.
  3. Open grad program allows students to pursue two fields“: Esse terceiro link é sobra um programa piloto que a Brown abriu esse ano e que poderia ser resumido como “Ciências Moleculares para a pós-graduação”. A Brown tem um currículo de graduação aberto, como o do Ciências Moleculares, desde os anos 70. E, agora, eles decidiram aplicar o mesmo princípio para a pós-graduação. A idéia é de que os alunos selecionados para participar desse experimento irão cursar seus respectivos doutoramentos, que será complementado com um mestrado em alguma outra disciplina. (A Brown permitia que seus alunos tirassem um ‘double-masters’, i.e., um duplo-mestrado até alguns anos atrás, quando essa opção foi cancelada em favor dessa nova empreitada multi- e inter-disciplinar.) E é disso que trata a reportagem, desse experimento em se ter um currículo multi- e inter-disciplinar na pós-graduação. Até onde eu conheço, essa é uma atitude completamente pioneira e que não existe em nenhuma outra escola. 😈
  4. How the Modern Physics was invented in the 17th century, part 1: The Needham Question“: Essa é a primeira parte (de um total de 3) de um blog convidado da SciAm, contando a história da Física moderna. Muito interessante.
  5. How Much Is a Professor Worth?“: Essa matéria do NYT trata do tópico de um novo livro que tenta comparar o salário de professores em diferentes países. Vale a pena ler pra ver em qual posição o Brasil se encontra, e como os diferentes países se comparam. Há muitos detalhes a serem analisados nessa questão todo… mas, de qualquer maneira, é um bom começo.
  6. Sociedade Brasileira de Física — Cortes no orçamento de ciência ameaçam futuro do Brasil“: o governo decidiu cortar o orçamento em cerca de 33% (comparado ao orçamento de 2010), entrando em rota de colisão com diversas conquistas recentes da política científica federal.
  7. Carnaval Is Over“: Seria esse o fim do milagre brasileiro? A FP faz uma lista dos vários fatores que influenciam essa questão.

Parcerias científicas internacionais, flexibilização do currículo da pós-graduação, história da Física, cortes do orçamento de ciência e tecnologia, e futuro econômico do país. Todas notícias relevantes e contemporâneas.

“E agora, José?”

Economia de Subsistência…

domingo, 21 ago 2011; \33\America/New_York\America/New_York\k 33 4 comentários

O blog Daily Infographic publicou um infográfico bastante interessante (que pode ser lido no seguinte link: What You Need to Live Off the Land): pra se manter uma economia de subsistência, vivendo-se sustentavelmente da terra, é preciso um pedaço de terra de aproximadamente 90 4.046,85642 8.093,71284 m2 (i.e., 2 acres: algo como um terreno quadrado com 89,9650646 m de lado).

Ou seja, estimando-se em 25 milhões de pessoas o número da fome de terra, estamos falando em cerca de 202.500 Km2 — isto é, aproximadamente 37% da área da França, ou cerca de 57% da área da Alemanha.

vivendo da terra

Vivendo da terra

Real e ficção na economia brasileira

quinta-feira, 2 jun 2011; \22\America/New_York\America/New_York\k 22 9 comentários

Este post apresenta opiniões sobre política econômica do autor e não necessariamente refletem as opiniões de todos os editores do blog.

Não foi com muita surpresa que eu vi essa sequência de notícias que você pode receber o fato mais importante diretamente dos títulos:

  1. DVD [no Brasil] custa mais que o triplo dos EUA
  2. iPad brasileiro é o mais caro do mundo
  3. Artigo no Financial Times vê bolha em formação no Brasil

fatos que estão também relacionados ao que eu postei sobre o fictício PIB brasileiro (comentários os quais parece que os brasileiros discordam…).

Parece vitrola quebrada, mas o elo de ligação é a tributação e a estrutura do serviço público no Brasil. A situação é tão grave que é assim: se o produto é importado, no Brasil ele é um dos mais caros do mundo por causa do excesso de tributos a importados; se o produto é nacional, ele também fica entre os mais caros do mundo, por causa do excesso de tributos internos. Eu considero a política brasileira com respeito a importações um atraso, eu vou me explicar abaixo. A tributação exagerada faz tudo ser mais caro no Brasil, onde os salários também são baixos, e o resultado vai desde um PIB surrealista — porque os serviços públicos e privados somados estão acima do preço real comparado a outros países — a anulação do poder de compra do brasileiro. No meu ver, a razão disto é que o serviço público brasileiro é muito caro, requerendo impostos que somam mais da metade de um produto no mercado. E a minha birra com isto é que o Brasil cobra para mais de 35% de imposto do PIB, acima da maioria dos países ricos, todavia oferece um serviço público de péssima qualidade.

Por quê? E qual a solução? Eu acredito que é porque o investimento do governo brasileiro não é no serviço final, é no sistema político. Por exemplo, o orçamento do Congresso Nacional e do Senado é maior que o orçamento total do MCT. Dado o orçamento total do MCT, que parte deste realmente vai para as mãos dos pesquisadores, e quanto se perde nas mãos dos diversos acessores, auxiliares, suplentes dentro do MCT e dentro das diversas secretarias e subsecretariais do serviço público? Como é possível que o Brasil tenha um investimento em educação pública (digo o número oficial do orçamento do MEC) superior ao do Canadá, mas os professores das escolas brasileiras ganham miséria? Estes últimos ganham pouco, mas ninguém do gabinete de educação das prefeituras e dos governos estaduais recebe três salários mínimos. No Brasil, os grandes salários públicos estão concentrados em certos cargos políticos e burocráticos enquanto que os serviços propriamente ditos recebem pouco investimento. Segundo os dados do IBGE deste ano, o funcionário público brasileiro em média recebe mais que o da área privada (sem incluir benefícios do setor público). Ou seja, não é que o orçamento do MEC é baixo e sim que há uma espécie de atrito financeiro no Estado brasileiro que faz com que a parcela do orçamento que é realmente investido no serviço ser baixa. E a corrupção faz parte natural disto porque o excesso de atravessadores a favorece.

A solução que ninguém gostaria de ver acontecer é começar a enxugar o estado brasileiro, diminuindo duas coisas: primeiro, acabando com o excesso de burocratas, secretários, auxiliares e tudo mais (incluindo os serviços de corregedoria e procuradoria dos próprios regularadores), e segundo, deixando serviços importantes como hospitais, planos de saúde, escolas, universidades públicas, policia e bombeiros, forças armadas, etc., mas acabando com certos excessos da participação do estado na economia, como o controle estatal de bancos e empresas (como a Petrobras e a Embraer) e acabando com leis de monopólio (como de extração de base energética). Antes que você pule da cadeira e brande de raiva “Absurdo!”, pense por que o estado brasileiro tem participação no setor privado, em primeiro lugar? Que benefício para a sociedade isso tras? Agora eu vou dar a razão de porque eu acredito que a privatização do Banco do Brasil e termino do monopólio energético iria ajudar o país: o Estado ficaria mais barato, e poderia diminuir impostos e criaria maior competição no mercado. Maior competição não vai automaticamente gerar melhor serviço mas é melhor a chance disto do que nenhuma chance. E com menos impostos, a economia cresce, os preços dos produtos ficam mais realista e o poder de compra do brasileiro aumenta. Com maior produção econonomica privada, a arrecadação do Estado não fica comprometida: você pode derrubar de 35% para 25% do PIB em imposto, mas se o PIB privado cresce, esses 25% podem representar algo mais significativo que 35% de uma economia engessada. E principalmente, com a diminuição dos burocratas, pode-se injetar o dinheiro do imposto no serviço, ao invés de deixá-lo com os secretários. Legislação que incentiva o setor privado a agir no lugar do publico localmente é outro elemento importante: leis como a Lei de Incentivo a Cultura deveriam ser emuladas para áreas como saúde, educação e ciência. Críticas de que esse sistema é ruim porque incentiva a Maria Bethânia, uma grande artista, é tolice. É como argumentar que é ruim a iniciativa privada descontar 15% de imposto de renda financiando um grande centro privado para o Miguel Nicolelis baseado no fato de que este já é um cientista bem estabelecido e com pesquisas de impacto e que no lugar disso o investimento deveria ir exclusivamente para um Centro de Estudo de Besouros da Amazônia. O incentivo privado a pesquisa reflete a própria realidade do que é ciência de interesse da sociedade ao invés do interesse de um grupo pequeno de burocratas.

OKay, chega. Por último eu quero comentar sobre a política de importação do Brasil, que eu acho absurda. A lógica parece ter sido estabelecida em algum momento da antiguidade brasileira quando alguém conseguiu convencer as pessoas que a entrada de produtos importados indiscriminada no país prejudica o mercado interno. Por que isso seria verdade? Alguém pode dizer: “porque importar diminui postos de trabalho interno”. Se uma câmera digital importada de Taiwan no Brasil custasse o mesmo que ela custa nos EUA (onde a câmera também é importada), haveria mais movimentação para a economia interna: criação de postos de trabalhos em transportadoras para levar dos portos as cidades, de gerentes de vendas e de vendedores, de técnicos da assistência técnica, de vendedores de peças, da indústria nacional fabricando acessórios, e por ai vai. Onde se criaria o emprego de assistência técnica no Brasil de novos postos de câmeras e lentes Nikon? Quem vai transportar os automóveis japoneses do porto até as concessionárias? Se o MacBook era inacessível ao brasileiro porque custava R$ 8 mil e passou ao preço norte-americano de R$1,6 mil, que mercado vai se beneficiar com a criação de novas lojas de pontos de venda de produtos da Apple, agora mais popular? A patente prova de que importação não atrapalha o mercado interno é os EUA, onde muitos produtos comercializados internamente (com excessão de alimentos, mas incluso bebidas alcóolicas) são importados. Grandes empresas estrangeiras tem hoje nos EUA o seu maior mercado (a começar pela população grande), e criam muitos postos de trabalho no país. Os únicos reais beneficiados da política tributária brasileira são alguns funcionários públicos, e exclusivamente estes.

A sétima ou a septuagésima economia do mundo?

quinta-feira, 3 mar 2011; \09\America/New_York\America/New_York\k 09 4 comentários

A esquerda: subúrbio pobre de Chantilly, França, economia que, segundo o Ministro Dr. Mantega, a economia do subúrbio a direita superou em poder de compra em 2010.

Mentiras, vergonhosas mentiras e estatísticas, já diz o provérbio. Então o Mantega grita para todo mundo ouvir, o Brasil fechou 2010 com uma economia maior que a França. Isso se você olhar o PIB. Essas frases, “maior economia”, é o tipo de manipulação política de frase vaga que não diz nada. O que ele quis dizer foi que o PIB do Brasil é alto. Só isso. Mas dai para dizer que o poder de compra do brasileiro está em sétimo no mundo, não é apenas um salto quântico, é falso.

Está faltando algo ai nessa conta, Dr. Mantega. Por que enquanto o Brasil supera a França no PIB, eu não estou vendo o poder de compra do brasileiro médio superar o do francês (onde a renda per capita é três vezes maior que o Brasil… é isso mesmo, 3x). Se qualquer coisa, o que eu vi durante 2010 é que o poder de compra do brasileiro caiu em comparação com o norte-americano, e olha que o EUA entrou em uma das maiores depressões econômicas dos últimos 30 anos.

Ah, é que o Mantega esqueceu do seguinte: desse PIB ai, R$1,27 trilhões foi pago de imposto, isto é, 34,6%. Em comparação, carga tributária de outros países é: Japão (17,6%), Estados Unidos (26,9%), Suíça (26,9%), Irlanda (28,3%), Turquia (23,5%), México (20,4%). Só na escandinávia, na França e no Canadá que se paga (quase) tanto imposto como no Brasil. Eu não reclamaria de deixar 40% da renda no imposto como o dinamarquês faz, o tanto que o serviço público resultante fosse igual o da Dinamarca. No Canadá, se deixa 32,3% da renda em imposto, ligeiramente menos que o Brasil, mas eu tenho a leve impressão que o resultado do investimento público canadense, que inclui ai pensão, hospitais e escolas, é levemente de maior valor real do que o a contribuição do estado brasileiro para o PIB. Você não acha? Existe isso ai também. Olha, o PIB inclui o gasto oficial dito pelo governo. Então é mais ou menos assim: o governo do Brasil inclui no cálculo do IBGE do PIB um gasto com educação que é maior que o gasto do governo do Canadá… mas você vê os indicadores de educação do Canadá estarem comparáveis ao do Brasil? Anda pela a Universidade British Columbia (UBC) e me diz se a verba da sua faculdade federal, que na conta do governo é maior que a UBC, reflete a realidade. Como é possível o PIB brasileiro indicar maior gasto com educação que o canadense, se em um ranking de produção científica o Canadá fica entre os 5 primeiros do mundo e o Brasil fica depois do centésimo (100) lugar? Faltou incluir um estimador novo: um coeficiente de atrito do setor público. Para onde será que realmente vai o dinheiro da nota fiscal oficial do MEC, se o MEC diz que gasta mais com educação que o Canadá mas o professor de escola pública canadense ganha 60 mil dólares por ano? E tem mais: eu estimo grosseiramente que acima da metade do PIB do Brasil é do governo, de uma forma ou outra, porque não apenas o setor público representa um investimento de gasto no PIB no Brasil, como o privado real quase não existe: grande parte das maiores empresas do país e dos maiores bancos são do governo e controlados por pessoas indicadas pelo poder público, e não estão na mão de uma iniciativa privada autêntica. É o Banco do Brasil, a Caixa, Petrobrás, o maior acionário da Embraer, mais da metade da Vale e por ai vai. O mesmo não é verdade para os países verdadeiramente mais ricos do mundo, como a França.

Se a conta fosse feita corretamente, isto é, subtraindo o imposto e levando em conta o superfaturamento do serviço publico brasileiro, a economia útil do Brasil não ia ficar tão boa no ranking, ficando atrás de todas as demais economias ditas primeiro mundo e atrás de muitas outras em desenvolvimento. E se levar em conta a renda per capita, o Brasil fica em 70 lugar, abaixo de todos os países chamados de primeiro mundo e abaixo de muitos em desenvolvimento como Coréia do Sul, Cingapura, China e Hong Kong, Argentina, Chile e Urugay e até do México.

Que a economia brasileira tem um PIB maior que a da Islândia isso é óbvio. O problema é dizer que o poder de compra do brasileiro é maior que o do islandês; isso é patentemente falso. A renda per capita de lá é 4 vezes a do Brasil, o islandês paga menos da sua renda em imposto e obtém um serviço público de saúde e escolas muito mais eficiente, com exatos 0% de analfabetismo e 0 pessoas abaixo do nível da pobreza.

Então, Dr. Ministro, seja mais comedido nos comentários sobre o desempenho da economia nacional. Não vale absolutamente nada o Brasil ter o sétimo maior PIB do mundo, quando a real posição de produção da economia privada e do valor do setor público nos coloca lá pelo septuagésimo lugar, ou ainda mais embaixo.

História do Mundo, em menos de 5 minutos…

quarta-feira, 1 dez 2010; \48\America/New_York\America/New_York\k 48 1 comentário

Hans Rosling ataca mais uma vez! 😈

A semana nos arXivs…

sexta-feira, 10 abr 2009; \15\America/New_York\America/New_York\k 15 Deixe um comentário

Falando em fuga de cérebros…

terça-feira, 10 mar 2009; \11\America/New_York\America/New_York\k 11 Deixe um comentário

Pra quem sabe da importância desse assunto, os links abaixo são bastante interessantes e relevantes para essa discussão — vale a pena comparar o que ambos os textos dizem, e notar a diferença em política científica das partes envolvidas. Alguns trechos de ambos os artigos…

O trabalho que apresentei está disponível abaixo, e inclui alguns gráficos mostrando a forte tendência da CAPES e do CNPq de reduzir o apoio a estudos de brasileiros no exterior, e também de substituir as bolsas de doutorado por bolsas “sandwitch” de curta duração. Acho que estas políticas merecem uma discussão mais aprofundada.

A conclusão do artigo é que “es posible resumir esta discusión, remitiéndola a los riesgos y oportunidades que existen en la cooperación internacional. No se trata de optar por dos extremos, el de la internacionalización absoluta, que de hecho jamás va a existir, y el del nacionalismo cultural, científico y tecnológico, que tiene también obvios limites. Una política adecuada debería tomar en cuenta los beneficios del diálogo, oportunidades de aprendizaje y cooperación que existen cuando los caminos del intercambio y del flujo de personas e ideas están abiertos; asimismo, debería considerar los posibles límites de políticas educativas y de desarrollo científico y tecnológico que no invierten en la creación de instituciones de calidad en sus propios países, para que sea posible combinar de forma efectiva la investigación científica de calidad y actividades educativas, tecnológicas e científicas de interés y relevancia para sus propias sociedades. Esta no es, creo, una cuestión de recursos, sino que, principalmente, de orientación y actitud.

What should have been a short visit with her family in Belarus punctuated by a routine trip to an American consulate turned into a three-month nightmare of bureaucratic snafus, lost documents and frustrating encounters with embassy employees. “If you write an e-mail, there is no one replying to you,” she said. “Unfortunately, this is very common.”

Dr. Shkumatava, who ended up traveling to Moscow for a visa, is among the several hundred thousand students who need a visa to study in the United States. People at universities and scientific organizations who study the issue say they have heard increasing complaints of visa delays since last fall, particularly for students in science engineering and other technical fields.

(…)

The issue matters because American universities rely on foreign students to fill slots in graduate and postdoctoral science and engineering programs. Foreign talent also fuels scientific and technical innovation in American labs. And the United States can no longer assume that this country is everyone’s first choice for undergraduate, graduate or postgraduate work.

[]’s.

Esperteza no Mercado Financeiro…

terça-feira, 10 mar 2009; \11\America/New_York\America/New_York\k 11 9 comentários

Já não é de hoje que eu ando ouvindo as trombetas do apocalipse culpando os “analistas quantitativos” (chamados de “quants”) pela infâme crise financeira atual: segundo voz corrente em Wall Street, “a culpa de tudo é desses PhDs”,

“Quants occupy a revealing niche in modern capitalism. They make a lot of money but not as much as the traders who tease them and treat them like geeks. Until recently they rarely made partner at places like Goldman Sachs. In some quarters they get blamed for the current breakdown — “All I can say is, beware of geeks bearing formulas,” Warren Buffett said on “The Charlie Rose Show” last fall. Even the quants tend to agree that what they do is not quite science.”

Ou seja, no final das contas, eis o que está em jogo: Quanto mais “racionalização” (i.e., o trabalho dos quants) se tenta introduzir no tal “mercado financeiro”, pior fica a situação! 😥

Efetivamente, isso até faz sentido (nem acredito que falei isso — se protejam dos raios! 👿 ), uma vez que o tal “mercado financeiro” foi construído, historicamente, por forças que só viam uma maximização selvagem dos lucros, sem racionalidade nenhuma, quiçá ser passível de modelagem matemática. De fato, é como tentar se domar uma besta selvagem… com sete cabeças! 😯

Muita ingenuidade é acreditar que se pode simplesmente colocar um bando de gente modelando algo que, ainda hoje, contém forças intensas que não querem se submeter a nenhum tipo de racionalização (uma vez que, mais cedo ou mais tarde, isso acaba implicando numa racionalização dos lucros, i.e., vc não ganha tão selvagemente mas também não perde tanto dinheiro a ponto de causar uma epopéia mundial, como essa que estamos vivendo ❗ ).

O que é mais triste de tudo isso — absolutamente triste 😥 — é a idéia de que todo esse impasse não passa duma reinvenção da famigerada Guerra das Ciências (leia mais em Phony Science Wars, The Two Cultures, Making Social Science Matter, Social Text Affair, Edge Foundation, The Third Culture). Pior ainda, como o fato é que estamos numa crise financeira (recessão a caminho duma depressão!) de proporções mundiais, envolvendo as maiores potências econômicas atuais, fica cabalmente demonstrado que irracionalidade não leva a lugar nenhum, i.e., enquanto os cães ladravam (tentando avisar que a selvageria não iria levar a lugar nenhum), a caravana ia passando incólume (sem nunca perceber o tamanho do buraco negro que estava a sua frente).

Triste é ter que notar que essa é a essência da natureza humana: a completa e total falta de comunicação, um cabo-de-guerra onde todo mundo perde… 😥 Por que é tão difícil assim de finalmente darmos um passo a frente, largarmos essa irracionalidade “macho alpha” (que é a bússola guia dos “stock traders”) de lado, e partirmos em direção duma maior inclusão de razão na nossa vida como um todo, das “hard sciences” até o mercado financeiro?!

Esse é o objetivo final da chamada Terceira Cultura, que tenta construir uma ponte entre o antigo cabo-de-guerra representado pela “Guerra das Ciências”, e mover a humanidade adiante. E é isso que eu honestamente espero que deixemos como legado para as próximas gerações.

😈

Manifesto contra corte de recursos para Ciência e Tecnologia

segunda-feira, 2 fev 2009; \06\America/New_York\America/New_York\k 06 7 comentários

Acabo de ler num post do Antônio Guimarães, pós-doc do IAG USP, que criaram um manifesto contra o corte de verbas para a Ciência no brasil, divulgado recentemente aqui no Ars Physica.

Reproduzo aqui o texto do manifesto. Para assiná-lo, acesse http://www.edm.org.br/edm/manifesto.aspx

A possibilidade de corte de recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, se consumado,
irá interromper o ciclo virtuoso de progresso científico, iniciado há mais de duas décadas.

Um sólido desenvolvimento científico e tecnológico é, nos dias de hoje, o caminho mais consistente para a riqueza e a soberania das nações. Os países que apresentaram maior desenvolvimento social e econômico no período que se seguiu à Segunda Grande Guerra foram aqueles que, independentemente do seu modelo político, implementaram uma política consistente e de longo prazo para o aprimoramento de suas pesquisas. O Brasil nas últimas três décadas vem exercendo uma política consistente na área de Ciência, cujo resultado é hoje medido pelos índices expressivos de sua produtividade científica. Mais importante, o aumento da qualificação do parque brasileiro de pesquisa e a inovação tecnológica dela decorrente vêm gerando riquezas ao país. Temas estratégicos para o desenvolvimento nacional, tais como o aumento da produtividade agrícola, a descoberta de novos campos de petróleo e gás, o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, o aprimoramento da tecnologia aeronáutica, as estratégias inteligentes de conservação ambiental, as pesquisas em genética e os novos procedimentos de tratamento de moléstias de nosso povo (incluindo a utilização de células-tronco, a produção de novos medicamentos e a instrumentação médica) possuem, todos eles, a “impressão digital” dos pesquisadores brasileiros.

Nesse cenário, vemos com grande preocupação a possibilidade de corte de recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, que, se consumado, irá interromper o ciclo virtuoso de progresso científico, iniciado há mais de duas décadas. Um retrocesso nesse momento resultará em conseqüências negativas em médio e longo prazo. Oportunidades de pesquisa serão perdidas, pesquisadores jovens e experientes migrarão para países que lhes ofereçam melhores oportunidades, e um grande número de estudantes perderá a oportunidade de ingressar em atividades de pesquisa. O atual governo dos Estados Unidos da América do Norte isentou de cortes a área de Ciência e Tecnologia, mesmo estando no centro da grave crise econômica. Com isso, os EUA elegem o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia como um instrumento poderoso para vencer as vicissitudes da atual conjuntura e promover o bem estar social.

Temos convicção de que o Congresso Nacional, fórum maior das decisões dos destinos da Nação, será sensível a esta questão e assegurará as condições para o contínuo progresso científico e tecnológico de nosso País, recompondo as previsões orçamentárias para o ano de 2009, que foram elaboradas com sobriedade e alinhadas com as metas do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional. Somente com investimentos em ciência e tecnologia sairemos fortalecidos dessa crise.

Prof. Dr. Colombo Celso Gaeta Tassinari
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Técnicas Analíticas para Exploração de Petróleo e Gás

Prof. Dr. Euripedes Constantino Miguel
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Psiquiatria do Desenvolvimento para crianças e adolescentes

Prof. Dr. Glaucius Oliva
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biotecnologia Estrutural e Química Medicinal em Doenças Infecciosas

Prof. Dr. João Evangelista Steiner
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Astrofísica

Prof. Dr. Jorge Elias Kalil Filho
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia

Prof. Dr. José Antonio Frizzone
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Pesquisa e Inovação em Engenharia da Irrigação

Prof. Dr. José Carlos Maldonado
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos

Prof. Dr. José Roberto Postali Parra
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Semioquímicos na Agricultura

Prof. Dr. Marcos Silveira Buckeridge
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol

Profa. Dra. Mayana Zatz
Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Células-Tronco em Doenças Genéticas Humanas

Profa. Dra. Nadya Araújo Guimarães
Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos da Metrópole

Profa. Dra. Ohara Augusto
Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência Tecnologia de Processos Redox em Biomedicina-Redoxoma

Prof. Dr. Paulo Hilário Nascimento Saldiva
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Análise Integrada do Risco Ambiental

Prof. Dr. Roberto Mendonça Faria
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Eletrônica Orgânica

Prof. Dr. Roberto Passetto Falcão
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Células-Tronco e Terapia Celular

Prof. Dr. Sérgio França Adorno de Abreu
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Violência, Democracia e Segurança Cidadã

Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Óptica e Fotônica

Enquanto isso, no brasil… Corte de verbas para Ciência

quinta-feira, 22 jan 2009; \04\America/New_York\America/New_York\k 04 14 comentários

Enquanto o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, está a caminho de um maior estímulo a pesquisas científicas em seu país, tendência mundial, como na Índia, Coréia do Sul, China (alguém acha um link?) e possivelmente muitos outros países, o Brasil está cortando 18% das verbas destinadas para ciência e tecnologia.

Aqui você é o palhaçoO ministro da ciência e tecnologia, Sérgio Resende, considera o corte de R$ 1,1 bilhão como irresponsável. Segundo a matéria da Folha, o responsável pelo corte é o deputado senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Me pergunto, o que o minstro fez para evitar esse corte absurdo?  O que podemos fazer na prática como forma de protesto? Não sei se é reversível, mas os responsáveis devem pagar. Que tal algum leitor daqui adotar o deputado senador Delcídio? (Melhor estender mais ainda a campanha Adote um Vereador, como já sugerido pelo Névio.)

Atualizando (22/01/08 às 14h):

Notícias relacionadas (entendendo a crise):

Veja também

Plano de Nação…

sexta-feira, 14 nov 2008; \46\America/New_York\America/New_York\k 46 2 comentários

No post O Obama brasileiro, fizemos alguns comentários sobre a matéria homônima no CSM — e como bem observaram o Rafael e o Tom, algumas diferenças entre Lula e Obama são mais do que simplesmente “marcantes”.

Pra citar um exemplo do ponto que foi levantado pelos dois, eu cito o exemplo abaixo: uma matéria ainda da época que o Obama era apenas candidato à presidência (e não “presidente eleito”, como agora),

É isso mesmo que vcs viram: uma matéria de sete páginas pra revista Foreign Affairs! 😯

Pra quem não conhece, a revista Foreign Affairs é, essencialmente, um repositório para os diversos ângulos que compõem um “Plano de Nação”.

Na época em que o FHC ainda era “professor-at-large” no Watson Institute da Brown, eu me lembro duma reunião que tivemos e eu perguntei pra ele quando (no passado) o Brasil havia tido um “Plano de Nação” e qual era o atual. Um amigo meu da Ciência Política me deu um cutucão na hora… e, por muito tempo, isso foi matéria de chacota, quer dizer, a minha ingenuidade [em fazer a pergunta].

Aparentemente, a resposta é óbvia pra muitos… mas, não o era pra mim — até porque, sendo o FHC um renomado sociólogo, eu achei que nada mais natural do que ele, que conhece o tema, ter um Plano de Nação, uma visão para o futuro do Brasil. Bom, a resposta que ele (FHC) me deu foi bem ‘lisa’, daquelas que cada vez que vc “aperta” tentando entendê-la, ela escorrega cada vez mais: essencialmente, a “mensagem” da resposta era que a política brasileira ainda era muito “caótica” (pra não dizer “primitiva”) pra comportar soluções proporcionalmente tão “rígidas” quanto um plano de longo (10, 15, 25, 50 anos!) prazo.

É aí que entra a diferença não só marcante mas também gritante do longo artigo acima, publicado numa revista renomada internacionalmente: essa é a visão dum candidato à presidência [do país dele], mostrando claramente qual é o jogo dele.

As perguntas que ficam, pra mim, são as de sempre: “Por que é que nossos intelectuais das Ciências Sociais (sociologia, política, economia, direito) não têm um mecanismo análogo no nosso país?” Ainda mais hoje em dia, não é preciso que seja uma publicação em papel, com custo elevado e tudo mais… não, hoje em dia, depois da revolução digital, qualquer website dá conta de exprimir de modo completamente democrático e transparente o que pensam nossos intelectuais sobre o futuro de longo prazo da nossa Nação.

Nesse sentido, eu acho que estudos como o abaixo, são absolutamente fundamentais:

Aqui vai um resuminho mínimo desse artigo:

Estudo da Anprotec propõe a estruturação de um Sistema Nacional de Parques Tecnológicos a partir de investimentos da ordem de R$ 10,2 bilhões em 20 parques nos próximos cinco anos.

Bom, nesse tom… agora podemos começar o final-de-semana! 🙂

[]’s!

Atualizado (2008-Nov-15 @ 09:42h): Ainda em tempo:

[]’s.

Algumas notícias sobre o Brasil…

quinta-feira, 13 nov 2008; \46\America/New_York\America/New_York\k 46 Deixe um comentário

O CSM continua sua série sobre o Brasil (parte 2/3 — a terceira e última parte vem amanhã, e também será colocada aqui no AP 😉 ), também com repercurssões pela BBC; e um novo livro lida com a idéia duma nova governança global:

Como se isso já não fosse suficiente pra garantir a diversão, deixo uma saidêra impagável:

[]’s!

Atualizado (2008-Nov-13 @ 17:15h): A terceira parte da reportagem saiu,

A Crise e os fundos no Brasil

domingo, 26 out 2008; \43\America/New_York\America/New_York\k 43 2 comentários

Em um post recente do Daniel sobre a crise, ele comentou sobre como os fundos quantitativos (chamados por ai de quants) americanos estão se saindo na crise atual.

Estes fundos existem no Brasil, apesar de serem muito recentes e em baixa quantidade. Na contagem atual existem sete fundos quantitativos no Brasil, e a maioria deles ainda são muito pequenos (ou seja, a maior parte ainda está com menos de 100 milhões em administração). Mas vale a pena dar uma olhada como as coisas tem saído para eles, e como elas poderão ficar no futuro.

No mes de outubro, a média dos maiores fundos nacionais foi de -256% do CDI (mensal), deixando a média pouco acima do CDI no ano (só 0,42%). Isso mostra como a situação está crítica ao longo dos últimos meses, com uma volatilidade média de 7%.

Podemos então observar como os fundos quantitativos tem se saído: Escolhendo três fundos quantitativos nacionais, a média de rendimento está em 130 % do CDI, com uma volatilidade de 3%a 4 %.  E diferentemente dos fundos tradicionais, não tiveram uma mudança de regime ao longo das ultimas semanas, que causou grandes perdas nos fundos tradicionais.

O grande problema dos fundos quantitativos nacionais é que, por serem muito novos, não administram uma grande quantidade de recursos. Com esse resultado, é de se esperar que atraiam mais atenção do público, mas ainda sofrem um preconceito de serem fundos comandados por ‘maquinas’.

Glossário

CDI: Certificado de Depósito Interbancário. Títulos emitidos por bancos como forma de captação o aplicação de recursos. É a taxa utilizada como referencia por operações financeiras. Por esse motivo fundos medem seu desempenho como uma porcentagem em relação ao CDI do periodo.

Fundo Quantitativo: Fundo de Investimento que utiliza estratégias de maior complexidade matematica para decisões de como aplicar na bolsa. 

Volatilidade: Desvio Padrão da série de retornos do fundo.

Como reconstruir o Brasil…

quarta-feira, 15 out 2008; \42\America/New_York\America/New_York\k 42 3 comentários

Acabei de trombar no seguinte artigo:

Ele foi escrito por Jeffrey Sachs (mais sobre ele em Wikipedia: Jeff Sachs e Project Syndicate: Jeffrey D. Sachs) e mostra claramente um plano para lidar com os problemas atuais nos USA.

Na verdade, a minha pergunta é: Existem esforços semelhantes ou análogos no Brasil? Ou, em outras palavras, Qual é o Plano de Nação para o Brasil? Ou seja, onde queremos estar em 10, 15, 20, 30, 50 anos?! Quem são os nossos pensadores e intelectuais que vêm à público (o artigo acima apareceu não só na Internet, mas também na revista “Fortune”) se manifestar a respeito dessa quetão (assim como fez o Jeff Sachs, no artigo acima)?

Uma das poucas respostas que eu conheço para a pergunta acima é, Projetos de Brasil.

Um outro esforço que eu também conheço é: O BRASIL TEM JEITO? (ISBN: 857110932X, ISBN-13: 9788571109322) e O BRASIL TEM JEITO?, V.2 (ISBN: 853780035X, ISBN-13: 9788537800355).

Mas, fora isso, confesso, não conheço muito mais… claro, estou filtrando todo tipo de ‘crackpots’ e porcarias afins — só estou me concentrando em esforços sérios, científicos, robustos.

😕

P.S.: Me lembro dum congresso que houve na Brown sobre o Brasil (a Brown tem um excelente conjunto de brasilianistas, incluindo o Skidmore“Coleção Skidmore” da Biblioteca da Brown) que reunia gente de vários lugares dos USA e Europa, incluindo o FHC, Skidmore e outros mais (que certamente estão sendo injustiçados pela minha falha memória). Num dado momento, eu perguntei sobre o “Projeto de Nação para o Brasil”… o silêncio e a pausa longa foram claros e notórios… seguidos de uma enxurrada de frases soltas, sem significado. Lembro também de alguns colegas, pegando no meu pé (brincando, como bons brasileiros que somos) depois da palestra, falando que aquilo não era pergunta que se fazia…

A Crise Financeira…

sábado, 11 out 2008; \41\America/New_York\America/New_York\k 41 8 comentários

A crise econômica que atualmente afeta o mundo inteiro, tem sido o foco de mutias notícias ultimamente. Em particular, para um resumão do que está em jogo, vcs podem dar uma lida em Understand the Financial Crisis — esse é um Wiki feito pelo pessoal da Wired; é só rolar a página e se divertir.

Porém, duas reportagens me deixaram oficialmente estressado:

  1. Paulson Warns Of “Fragile” Economy;
  2. A Look At Wall Street’s Shadow Market.

Ambas foram feitas pelo programa 60 minutes, que é um dos programas mais bem sucedidos da televisão norte-americana, sendo o jornal televisivo mais assistido, e celebrou seu aniversário de 40 anos em Setembro de 2008.

Como vcs podem ver (tanto no vídeo quanto na transcrição), nos dois programas que foram ao ar em finais-de-semana consecutivos, houve uma menção em cada um do seguinte fato: os Físicos e Matemáticos, os “PhDs de Wall Street”, como seus modelos numéricos, não-humanos, frios, nunca viram a crise chegando.

Uma das primeiras coisas que me deixa nervoso com esse tipo de insinuação é a retórica de que “modelos matemáticos”, por alguma razão, não são “humanos” o suficiente pra lidar com todas as variáveis que modelam o “mercado”. Como se modelos matemáticos precisassem ter alguma característica fundamental para poder modelor correta e precisamente qualquer fenômeno da Natureza. Depois da Mecânica Quântica, da Relatividade Geral, de irmos pra Lua, dos Computadores, da Internet, e tudo o mais que a Ciência criou… inclusive as estatísticas usadas ao longo de ambos os programas em questão para justificar a lógica sendo explicada e desenvolvida ao longo da reportagem… ainda assim, os repórteres/editores se viram na necessidade de usar uma retórica reminiscente das “Science Wars” — vcs podem ler mais sobre as “science wars” na seguinte resenha: Phony Science Wars.

É um absurdo acreditar que a mesma ciência que, de um lado corrobora a lógica sendo usada (através de dados estatísticos, gráficos e inferências), por outro lado não é suficientemente robusta para modelar o famigerado “mercado”.

O que me leva diretamente ao segundo ponto que me deixa tenso: A mesma “ciência” que errou tão profusamente de um lado, faturou bilhões de dólares do outro — basta seguir o faturamento de duas firmas pra se perceber tal fato:

Durante o mesmo período em que essas duas empresas (hedge funds) tiveram seus maiores faturamentos (2007–2008), bancos como o Citigroup e Merrill Lynch tiveram suas maiores perdas! Ou seja, a mesma razão pela qual uns tiveram seus maiores faturamento, outros tiveram suas maiores perdas.

Simplesmente não é possível que essa “ciência”, que já está soando como “magia negra”, só funcione de um lado dessa cerca, só funcione para algumas empresas mas não para todas.

É claro que essa não é a resposta… a resposta só pode ser uma: existe gente competente e gente incompetente — é simples assim. Pra se arrumar um emprego na Renaissance Tech ou na D.E. Shaw, o processo de seleção é árduo e duro: é preciso se saber muito mais que “matemática financeira”… é preciso realmente se conhecer o que está em jogo: até aplicações de Cadeias de Monte Carlo, Finanças Quânticas, Teoria dos Jogos e Teoria de Jogos Quânticos!

Portanto, o simples fato de que esses dois exemplos conseguiram não só se safar, mas mais ainda, conseguiram faturar alto, pelas mesmas razões que levaram outros bancos à falência, mostra claramente que não é problema da Ciência, nem de ser fria, nem de ser não-humana… mas sim das pessoas contratadas pra fazer algo que não conhecem bem.

Mais ainda, qualquer um que tenha um amigo(a) trabalhando em bancos de investimento, os famosos Analistas Quantitativos, sabe muito bem como essa dinâmica funciona: em geral, quants são vistos como não sendo tão capazes quanto os brokers, aquela galera que fica no chão da bolsa, gritando furiosamente pra comprar ou vender ações… seguindo os modelos desenvolvidos pelos quants. É ainda aquele resquício primitivo da natureza humana… 😥

Pior do que tudo isso é o fato de que o mercado de Hedge Funds é completamente desregulamentado — i.e., a mesma razão que está sendo dada para toda essa quebralheira que está havendo, é a que permitiu que Hedge Funds como os exemplificados acima faturassem alto.

Portanto, a palavra de ordem não é que Físicos ou Matemáticos e seus modelos não sabiam o que estavam fazendo… mas sim que havia muita incompetência sendo distribuída por Wall Street afora. Engraçado, não: ao invés de se mistificar o mundo, dizendo que a Ciência só funciona de um lado da cerca, mas não do outro (retomando as “Science Wars”), tudo parece que faz sentido quando se nota a obviedade em questão: gente mal preparada causou danos incríveis.

Infelizmente, para se poder olhar a realidade na cara e enfrentá-la com dignidade, é preciso coragem… coragem para poder admitir que crimes foram cometidos… tanto que o FBI já está investigando toda essa bagunça

É isso aí… agora deixo vcs com alguns links para maiores diversões:

[]’s.

Atualizado: Isso tudo me fez lembrar do filme Wall Street. Vem bem a calhar, não?!

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