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Archive for the ‘Open Source Science’ Category

O futuro da revisão-por-pares…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 2 comentários

Depois da invenção dos arXivs, o problema de distribuição de publicações científicas foi efetivamente resolvido. Dessa forma, o papel dos jornais acadêmicos ficou essencialmente resumido à revisão-por-pares. Ou seja, no frigir dos ovos, o valor agregado que as jornais acadêmicos acrescentam aos artigos é apenas a revisão-por-pares, uma vez que a distribuição desses artigos não é mais problema na Era da Informação.

[N.B.: Pense em termos de uns 400 anos atrás, na época de Galileu: era preciso um manuscrito viajar de cavalo ou barco para que sua distribuição fosse efetivada. Claro que as coisas melhoraram com o correio moderno e com a invenção dos aviões… mas, no final das contas, o processo de distribuição continuava o mesmo em sua natureza: era preciso haver uma mudança física, mecânica, de um lugar para outro. Hoje em dia isso não é mais verdade: organizar, colecionar e distribuir artigos é uma tarefa essencialmente trivial: o exemplo dos arXivs sendo o mais gritante, e PLoS sendo um segundo exemplo. Infelizmente, eu não conheço nenhum esforço dessa natureza Free-Open Access nas Humanidades nem nas Ciências Sociais: seria muito interessante conhecer esforços nessas direções.]

Entretanto, atualmente há também um movimento para “aliviar” os jornais acadêmicos inclusive dessa atividade:

Felizmente (ou não :-P ), esta não é uma idéia nova: esforços nesta direção já têm sido promovidos há anos. Vejam os exemplos abaixo,

Esses esforços costumam vir sob o nome de Ciência 2.0 — apesar de que, atualmente, já está se falando em Ciência 3.0!

[N.B.: Resumidamente, o “2.0” significa a incorporação das ferramentas de Web 2.0, enquanto que o “3.0” significa que metadata é usada de modo “decente” (ie, como a coisa foi designed para funcionar ;-) ).]

Mais ainda, há movimentos em direções ainda mais ambiciosas, como os abaixo,

Tanto o MathJobs quanto o AcademicJobsOnline têm o intuito de organizar e facilitar a busca de empregos (postdocs, professores, etc) em Matemática e Ciências em geral, respectivamente. Isso tem melhorado o processo infinitamente: antigamente, era preciso se escrever cartas de aplicação para diversas (até centenas!) e instituições; hoje em dia basta vc carregar seu material nesses sites e selecionar os empregos que vc gostou — o resto acontece automaGicamante. 8-)

De fato, nossa Era Digital trouxe ferramentas absolutamente fantásticas, que conectam o mundo da pesquisa de modo nunca d’antes navegado… Claro, como toda espada, esta também tem dois gumes: o ‘lado negro’ de toda essa facilidade e conectividade é o atual campo da cienciometria, onde se acredita que é possível se mensurar “criatividade científica” através de índices que, na melhor das hipóteses, são apenas parciais (ie, são índices cujo significado estatístico é questionável).

Enfim, este é um momento bastante conturbado… mas que certamente não deixará “pedra sobre pedra”. ;-)

This post translated to English (en_US) (courtesy of Google Translate).

Café científicos levando ciência para o público leigo…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 3 comentários

Está aí uma iniciativa excelente que está demorando para go viral:

Os Cafés Científicos são uma idéia que, pessoalmente, eu considero brilhante: um cenário informal, relaxado, onde as pessoas podem ouvir algum palestrante falar sobre Ciência — e, melhor ainda, depois da palestra, debater sobre o que foi dito. Aliás, de fato, o foco é maior no debate do que na palestra propriamente dita: a idéia é passar a informação de modo bem objetivo e, depois, deixar a platéia guiar a discussão.

Quem faz Ciência sabe: deixar a curiosidade ( :!: ) guiar o debate científico é uma das formas mais entusiasmantes de se fomentar a criatividade. Essas digressões tangenciais que aparecem a todo momento nesse tipo de discussão são fundamentais pra se ‘mapear’ o ‘espaço’ do assunto sendo atacado. Quem não conhece, pode achar esse approach meio caótico… mas, é um método excelente pra se obter uma ‘imagem’ do objeto em questão.

Robust Discretization Schemes…

quarta-feira, 26 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 3 comentários

ResearchBlogging.org

Today, the following article came up on the arXivs:

This is all fine and dandy… but my question is: “How does this paper (above) compare to the following”:

That is, GR is naturally written in terms of [pseudo-]differential forms (aka tensor densities), so the methods described above should be very appropriate to attack the problem of discretizing the path integral in such a way as to retain its symmetries.

» Robert Oeckl (2005). DISCRETE GAUGE THEORY: From Lattices to TQFT World Scientific eBooks, 1-216 DOI: 10.1142/9781860947377

Miami 2010…

domingo, 12 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 1 comentário

This week I will be at the Miami 2010, so I will try and “live tweet” the conference, with some comments and pictures — the hashtag will be #miami2010.

If anyone is interested, here’s the talk I am giving on tuesday (2010-Dec-14, right after lunch :wink: ),

:twisted:

Updated (2010-Dec-15): Here are the notes to my talk, mostly of stuff that was said and is not in the PDF above,

Neurociência e o Projeto Ersätz-Brain…

quarta-feira, 8 dez 2010; \49\UTC\UTC\k 49 Deixe um comentário

ResearchBlogging.org

Bom pessoal, como anunciado anteriormente, vamos falar um pouco sobre um certo aspecto da Neurociência: o da modelagem de redes neurais via sistemas dinâmicos, modelo de Potts e, por que não, teorias de gauge (cf. What is a gauge?, Gauge theories (scholarpedia), Preparation for Gauge Theory e Gauge Theory (José Figueroa-O’Farrill)).

O nome-do-jogo, aqui, é Projeto Ersätz-Brain, e a idéia é a de se construir uma “arquitetura” análoga a de um cérebro para aplicações cognitivas. A base dessa arquitetura são as estruturas de audição e de visão do cérebro: ao contrário do que ingenuamente se imagina, ambas essas estruturas são altamente hierarquizadas e distribuídas. Ou seja, grupos diferentes (e espacialmente distribuídos) de neurônios lidam com ‘pedaços’ diferentes da informação sendo recebida, enquanto que um outro grupo de neurônios “integra” essas informações, numa camada hierárquica superior as anteriores.

Então, a motivação é a de se construir uma arquitetura distribuída e hierárquica — ou, no jargão que nós usamos, uma “rede [neural] de redes [neurais]”: ou seja, estamos dando um passo na direção da “recursividade” da arquitetura usual de redes neurais. Alguns chamariam tal passo de meta redes neurais” e outros de rede neurall Gödeliana, ambos os nomes aludindo à natureza auto-referencial da arquitetura: “redes de redes”.

Pra dar um exemplo concreto dum problema que estamos atacando atualmente, vamos pensar em termos do Código Morse: imagine que o nosso EB é como uma criança que ainda não aprendeu a falar e se pergunte: “Como é que uma criança aprende um idioma?” Agora vamos fazer de conta que o idioma não é uma das línguas faladas ao redor do globo, mas sim Código Morse… e, ao invés de termos uma criança, temos uma arquitetura de redes neurais, um EB. :wink:

O que a gente pretende fazer é colocar um sinal de código Morse como dado de entrada para o EB e, do outro lado dessa “caixa preta”, tirar a mensagem descodificada. O EB tem que aprender código Morse e identificá-lo com os símbolos usuais do alfabeto, pra assim poder dar como saída a mensagem apropriada.

Quem está acostumado com o paradigma usual de redes neurais e Teoria de Hebb já deve ter percebido que esse tipo de approach não vai funcionar no caso do EB. A pergunta, então, se põe sozinha: “E agora, José?” :wink:

O insight é não pensar em termos de “memória”, mas sim em termos de “dinâmica de informação”. Ou seja, ao invés de tentarmos ficar memorizando padrões em cima de padrões, pra depois associar a outros padrões, e assim por diante… a idéia é se notar que, assim como em Teorias de Gauge, há muita informação repetida e muito ruído nesse problema. Então, se Teorias de Gauge funcionam tão bem na Física… por que não tentar implementar um pouco delas em Redes Neurais?! :twisted:

É exatamente isso que estamos fazendo atualmente, criando um modelo para o EB em termos de Teorias de Gauge. Ou seja, há dois tipos de “dinâmicas” em jogo, uma “interna” e outra “externa” (por falta de nomes melhores). A “interna” é como a simetria de gauge em Física, e fornece a dinâmica dos graus-de-liberdade das partículas de gauge, enquanto que a “externa” é a dinâmica dos campos propriamente ditos. Dessa forma a gente estabelece dum modo bem claro uma relação de ‘recursividade': a dinâmica “interna” determina o estado “externo” e vice-versa (num sistema de feedback).

Então, a gente pode pensar num Modelo de Potts com 3 estados: ponto, espaço, e ‘espaço branco’ (entre palavras). Esses 3 estados estão sujeitos a uma certa “dinâmica interna” — à la BSB, cf. Learning and Forgetting in Generalized Brain-State-in-a-Box (BSB) Neural Associative Memories — que é descrita por um sistema dinâmico (BSB), e o resultado dessa dinâmica “interna” seleciona um determinado estado para a dinâmica “externa”, que é guiada, por exemplo, por uma dinâmica do tipo BSB também (mas pode ser algum outro tipo, isso não é muito relevante no momento).

Pra apimentar ainda mais esse paradigma, nós estamos implementando ‘operadores de nós’ (knot operators), que são estados topológicos e robustos perante uma gama de “perturbações” do EB. Como esses estados são robustos, é fácil transportá-los hierarquicamente, de um nível hierárquico para outro. O que leva a algumas especulações bastante não-triviais sobre o “aprendizado” do EB — ao contrário do que é normalmente feito em “Teoria Habbiana”.

Bom, por enquanto é só… quem quiser ler um pouco mais sobre o trabalho, pode dar uma olhada num artigo (um pouco antigo, é verdade — o novo vai sair quando eu acabar de escrever :wink: ) disponível no livro abaixo:

Żak, S., Lillo, W., & Hui, S. (1996). Learning and Forgetting in Generalized Brain-state-in-a-box (BSB) Neural Associative Memories Neural Networks, 9 (5), 845-854 DOI: 10.1016/0893-6080(95)00101-8

História do Mundo, em menos de 5 minutos…

quarta-feira, 1 dez 2010; \48\UTC\UTC\k 48 1 comentário

Hans Rosling ataca mais uma vez! :twisted:

Reconstrução 3D via fotos…

sábado, 27 nov 2010; \47\UTC\UTC\k 47 Deixe um comentário

Só pra animar um pouco esse sábado cinzento daqui, aqui vai uma notícia bem legal: 3-D mashup of Rome from Flickr pics.

Ou seja, fizeram uma reconstrução 3D — de monumentos em cidades como Roma e Berlim — a partir de fotos disponíveis publicamente (e.g., Flickr e Google Images). Tecnologia sensacional! :twisted:

[N.B.: Versão no Twitter.]

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