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Arquivo para a categoria ‘Open Source Science’

Fofoca do CDMS…

quinta-feira, 3 dez 2009; \49\UTC\UTC\k 49 11 comentários

Fofoca de Física é punk… :cool:

Mas, anda correndo na boca miúda… que o CDMS está prestes a fazer um “anúncio público” no dia 18 de Dezembro (exatos 15 dias de hoje)! Inclusive, continua a fufuca, com direito a artigo publicado na Nature e tudo mais. :twisted:

Não dá pra contar a fonte, claro (senão, não seria fufuca :wink: ), … mas, dá pra dizer que a notícia veio desde o “alto escalão“, do “alto clero“, direto pros mortais…

:twisted:

Fiquem ligados!

Contribuindo para o FQXi…

quinta-feira, 12 nov 2009; \46\UTC\UTC\k 46 Deixe um comentário

O FQXi, Foundational Questions Institute, tem como objetivo disseminar a pesquisa em áreas fundacionais da Física e da Cosmologia.

Em Agosto/09, eu fui convidado a integrar os blogueiros do FQXi :twisted: . E minha primeira participação acabou de ser posta online (sim, a coisa demorou pra acontecer porque existe todo um processo de editoração e revisão por pares :cool: ):

Na verdade, o artigo que eu escrevi ficou “grande demais”… então, ele foi dividido em 3 partes, e esse link é pra primeira parte, que foi ao ar ontem. As outras partes vão se seguir… mas eu ainda não sei quando serão postas online. De qualquer forma, fiquem ligados, eu ponho os links aqui conforme eles forem aparecendo. :wink:

Espero que vcs gostem… e, apesar de estar em Inglês, o Google Translate é seu amigo. :mrgreen:

Diversão garantida… ou sua Física de volta! :twisted:

Feliz dia do Carl Sagan…!

sábado, 7 nov 2009; \45\UTC\UTC\k 45 Deixe um comentário

Pra quem ainda estiver nos ouvindo…

Feliz Dia do Carl Sagan! :cool:

:twisted:

Continuação analítica da função de partição…

sexta-feira, 6 nov 2009; \45\UTC\UTC\k 45 Deixe um comentário

Continuando no espírito dos posts Teorias Topológicas de Campo e suas Continuações Analíticas e Grothendieck, Sistemas Dinâmicos, Dualidade de Langlands e Higgs Bundles, mais um ingrediente pra temperar essa mistura, dessa vez vindo de Materia Condensada,

Essencialmente, nos dois primeiros artigos, Lee e Yang demonstram o chamado Teorema de Lee-Yang — essencialmente, o teorema mostra que, sob “certas condições” (é muito importante que essas condições sejam satisfeitas), os zeros da função de partição são imaginários; esses são os chamados zeros de Lee-Yang.

Por outro lado, os chamados zeros de Fisher têm origem numa construção muito semelhante a anterior, a diferença relevante entre ambas as construções sendo que, no caso de Fisher, a temperatura é continuada analiticamente [para os Complexos].

Nesse sentido, a construção de Fisher pode ser considerada a continuação analítica dos resultados de Lee-Yang.

A pergunta que se põem sozinha é: “Será que é possível fazer o mesmo em QFT e em Teorias de Gauge?” :idea:

A resposta está longe de ser trivial ou conhecida, vide os dois primeiros posts linkados acima. Mas, agora, com um caso mais concreto pra se comparar… quem sabe não é possível se aprender alguma coisa…?! :wink:

Realejo do dia…

terça-feira, 20 out 2009; \43\UTC\UTC\k 43 2 comentários

Pra quem não sabe, a Fundação Nobel acaba de lançar uma proposta excelente no YouTube: Pergunte a um Nobelista.

O primeiro vídeo já está disponível,

:twisted:

Sensacional, não?

O que vcs acham de um “Pergunte ao AP?” :wink:

Votem e deixem comentários e sugestões abaixo. :cool:

Colaboração e Ciência: tudo a ver…

segunda-feira, 19 out 2009; \43\UTC\UTC\k 43 1 comentário

Semana passada saíram algumas notícias que são, IMHO, extraordinárias no sentido de mostrar o quão valiosa é a cooperação e a colaboração num ambiente criativo.

A Nature fez duas reportagens, uma sobre o Google Wave e outra sobre o Polymath Project,

Por outro lado, um pessoal do Secret Blogging Seminar lançou um site muito interessante, chamado MathOverflow,

Semana passada, eu entrei em contato com o Anton Geraschenko perguntando mais detalhes sobre o projeto do MathOverflow e tudo mais. E o primeiro link acima é, essencialmente, uma resposta às minhas perguntas.

No final das contas, eles estão sendo patrocinados por um professor em Stanford que está arcando com os custos duma solução ‘hosted’ de StackExchange — que é o software por detrás do StackOverflow, ServerFault, SuperUser, DocType, e HowTo Geek.

Então, eu acho que seria uma idéia genial a de se mandar uma proposta de divulgação científica pro CNPq. Quem sabe não sai, assim, um PhysicsOverflow?! :idea: :twisted:

Esse é você + Ciência

Esse é você + Ciência

O realejo do dia…

domingo, 18 out 2009; \42\UTC\UTC\k 42 Deixe um comentário

Acesso aberto:

James Randi:

O realejo do dia…

quinta-feira, 8 out 2009; \41\UTC\UTC\k 41 Deixe um comentário

Pra quem ainda não conhece, o Google Flu trends (“Google Gripe”) acabou de ser expandido de 4 para 22 países. Nos EUA, os dados do Google Flu têm 92% de correlação com os dados do Governo (estes últimos podem demorar até 2 semanas pra serem disponibilizados ao público; ao passo que o GFlu é mais “tempo real”).

Aí vai um videozinho explicando como o GFlu funciona,

Pronto… agora todo mundo pode relaxar e comprar seu terno anti-gripe suína (H1N1) predileto! :roll: :razz:

Enquanto isso, há “boatos” (i.e., artigos ainda não publicados) se propagando dizendo que a vacina contra a gripe “normal” pode aumentar os riscos de se contrair a gripe suína — dêm uma olhada em Flu Roundup.

Flame war garantidíssimo! :twisted:

A semana nos arXivs…

quinta-feira, 1 out 2009; \40\UTC\UTC\k 40 Deixe um comentário

A semana nos arXivs…

sexta-feira, 25 set 2009; \39\UTC\UTC\k 39 Deixe um comentário


Segundo lugar no Prêmio ABC!

domingo, 20 set 2009; \38\UTC\UTC\k 38 7 comentários

Estava eu aqui, a trabalhar num artigo sobre espaços-tempo 6-dimensional que decaem espontaneamente para 4-dimensões… quando resolvi dar uma olhada no meu twitter e descobri uma maravilha,

O Ars Physica ganhou o 2º Lugar no Prêmio ABC de Blogs Científicos! :twisted:

(Ver mais sobre o Prêmio ABC no link Prêmio ABC para blogs científicios (UPDATE 11/09/2009).)

Eu gostaria de agradecer a todos os blogs e blogueiros participantes, assim como os envolvidos com o prêmio e com a tabulação dos resultados, e, claro, a todos os que votaram, tanto no Ars como no geral — excelente trabalho pessoal! :smile:

Quem quiser continuar lendo, pode seguir o link abaixo… :wink:
Leia mais…

A semana nos arXivs…

quarta-feira, 1 jul 2009; \27\UTC\UTC\k 27 2 comentários


P.S.: No Brasil, eu sempre soube que “cappuccino” era café com leite e chocolate. Infelizmente, o resto do mundo todo chama esse danado de “caffé mocha” — enquanto que cappuccino é o nome dado pra café com leite e espuma [de leite]. Vai saber… mas, pelo menos, agora eu tenho uma tabelinha pra me lembrar, Coffee Drinks Recipes (Graphic). :cool:

Gödel, Escher, Bach…

sábado, 20 jun 2009; \25\UTC\UTC\k 25 1 comentário

Quem nunca ouviu falar do excelente livro Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid (ver também Gödel, Escher, Bach; By Douglas R. Hofstadter)?

Pois bem, o MIT OCW tem um curso inteiro baseado no livro, MIT OCW: GEB. E os vídeos podem ser encontrados aqui, GEB: Video Lectures.

Diversão garantida! :twisted:

O Realejo do Dia…

sexta-feira, 19 jun 2009; \25\UTC\UTC\k 25 Deixe um comentário

A National Academy of Sciences lançou, há algum tempo, o programa The Science and Entertainment Exchange — vale a pena conferir: eu faço parte, desde Novembro 2008 — diversão garantida! :twisted:

Mistérios do Universo Escuro: a palestra Buhl de 2009…

sexta-feira, 12 jun 2009; \24\UTC\UTC\k 24 Deixe um comentário

Internet e ciência

sábado, 2 mai 2009; \18\UTC\UTC\k 18 4 comentários

Um tópico recorrente no nosso blog é o livre acesso a informação e como a Internet tem o potencial de mudar a forma como se faz ciência — em geral fica a cargo do Tom, Daniel e Rafael Calsaverini, nossos três mosqueteiros do livre acesso ;)

Na edição do mês de maio da Physics World, Michael Nielsen (o mesmo do livro Quantum computation) faz um apanhado histórico da evolução do sistema de publicação na ciência e a dificuldade de se aceitar novos paradigmas (Doing science in the open, Phys World maio 2009). No momento eu só tenho a acrescentar um ponto que o Nielsen não incluiu na sua lista de razões para a dificuldade da ciência atingir o mesmo patamar de colaboração que existe na comunidade de software livre: fama. A ciência é uma carreira profissional como outras e uma parte relevante do comportamento dos indivíduos não é diferente do que você encontra no setor de entretenimento. Orgulho e fama é um componente importante que motiva vários cientistas, eles sempre querem ver seus nomes cravados ao lado de uma equação ou experimento. Plena colaboração e abertura de idéias é entendido como algo comprometedor em um cenário onde as pessoas acham que estão competindo entre si por prioridade de descoberta e não colaborando para entender o universo. Não é incomum quando um grupo de cientistas fez um avanço e tornou-o público, o trabalho publicado contém deliberadamente omissões de detalhes importantes. Isso faz com que os autores do resultado estejam naturalmente a frente dos demais pesquisadores interessados, que terão que resolver pequenos problemas que podem durar semanas. É verdade que a desculpa antes da Internet era espaço nas publicações em vista do volume de material que era produzido. Mas essa desculpa não se aplica mais em um mundo onde você tem 1 gigabyte de email de graça. Eu acredito que a disputa por prioridade é uma das razões pela qual sistemas com open notebooks estão longe de serem adotados pelas principais colaborações científicas do mundo. Se você tem uma idéia de realizar um experimento e surge uma dificuldade no caminho, por incrível que pareça, é comum que as colaborações podem simplesmente desistir ao invés de procurar ajuda externa. Ou quando um grupo de cientistas anuncia um programa de pesquisa e outros indivíduos consideram-no interessante, o segundo grupo ao invés de juntar forças decide realizar o mesmo trabalho de forma independente para competir por prioridade. Eu considero como exemplos os casos da descoberta da energia escura (Dark Energy, Robert P. Crease, Physics World Dec 2007) e o Projeto Genoma Humano (NIH e Celera Corp.), e em bem menor grau as disputas CDF-D0 e CMS-ATLAS. Não é uma questão de apenas reproduzir o resultado para dar maior base científica, muito pelo contrário, dificilmente projetos experimentais são considerados interessantes quando o exclusivo objetivo é reproduzir algo já conhecido. Há uma declarada competição e interesse de prioridade. E podemos ver como os ânimos ficam agitados observando o comentário no artigo do Robert Crease sobre a descoberta da energia escura ou como as pessoas se sentem ofendidas se você chamar o teorema fundamental do cálculo de teorema de Stokes ao invés de teorema de Leibnitz-Newton-Gauss-Green-Ostrogradskii-Stokes-Poincaré! É mais fácil demonstrar o teorema que lembrar todos os nomes associados a ele…

Será que um dia a ciência vai se livrar dessa disputa de ego e prioridade, e se concentrar nos resultados? Isso vai requerer uma verdadeira mudança de paradigma cultural. Na comunidade de software livre, muito diferente do que acontece na ciência, nós realmente não associamos nomes de programadores aos programas: eu uso o gnuplot e pdflatex no Terminal sem saber os nomes por de trás de cada programa. Será que um dia a ciência vai adotar esse formato?

Biblioteca digital da Unesco abre nesta terça

segunda-feira, 20 abr 2009; \17\UTC\UTC\k 17 1 comentário

Pensei em compartilhar com vocês esta notícia: Unesco lança biblioteca digital mundial nesta terça. O site da biblioteca é www.wdl.org.

Na redação da Folha, também menciona-se a Europeana, um portal que eu já havia esquecido faz tempo! Há obras em texto, vídeo e imagem.

De iniciativa muito parecida, é o site Domínio Público do governo brasileiro, que disponibiliza obras que não são mais protegidas por direitos autorais, a maioria literatura brasileira com mais de cem anos da morte do autor. Este site me foi muito útil quando fiz vestibular :)

O Cisne Negro e a Criatividade…

quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 9 comentários

Faz algum tempo que eu venho mastigando e ruminando sobre esse tema da criatividade, ainda mais durantes esses tempos de ‘publish or perish’ em que vivemos atualmente.

Todos os tipos de índice bibliométricos são usados numa tentativa de se “classificar” o conhecimento sendo produzido. Infelizmente, enquanto bibliometria, os índices são úteis, porém, quando se tenta usá-los pra se qualificar a pesquisa sendo feita… aí a ‘porca torce o rabo’… feio. Mas, hoje em dia, todas as agências de fomento usam esses índices — aliás, no exterior, eles são usados pra tudo, desde classificação da lista dos candidatos a contratação, …, até o salário do pesquisador!

O problema, de fato, não é a tentativa de se medir a produção dos pesquisadores e, assim, tentar se inferir a qualdiade de seus trabalhos. O problema é que esses índices bibliométricos são altamente “sociológicos” (por falta dum termo melhor): o que eles medem mesmo é a rede social dum determinado pesquisador! E, aí… aí as coisas começam a ficar complicadíssimas… porque há muito poucos estudos nas linhas do que já foi amplamente sugerido por Pierre Bourdieu no livro Homo academicus (também recomendo o livro Distinction: A Social Critique of the Judgement of Taste do mesmo autor). Aí também iria acabar sendo necessário se levar em consideração os livros Against Method e Science in a Free Society… e a coisa complicaria demais…

Ainda numa das primeiras encarnações do meu blog, eu fiz uma experiência sobre isso… e, de fato, a correlação entre “rede social” e “índice bibliométrico” é alta. Donde se pode concluir que há “nichos ecológicos” na comunidade científica, i.e., se a gente considera a comunidade científica (e.g., de Físicos, só pra fixar o exemplo de modo mais concreto) como um “organismo vivo”, então é possível se falar na ecologia da mesma (ou melhor, em termos de ecologia de sistemas, ou ecologia teórica), e, a partir daí, fica fácil de se entender o que os tais “nichos” significam (há mais detalhes… mas, vamos deixar pros comentários :wink: ).

O fato é que enquanto o sistema está num estado estacionário de equilíbrio dinâmico, tudo funciona de modo “ótimo”. Porém, quando processos irreversíveis são introduzidos no sistema… tudo muda. Em particular, processos irreversíveis podem ir se acumulando… até criar um ponto crítico, a partir do qual o sistema vai se “fracionando”, i.e., diferentes “fases” vão se formando. E, assim, nascem “cismas” na comunidade… alguns chamariam de “classes” (como em “classe social”). E assim os nichos ficam cada vez mais divididos.

Bom, agora não é preciso nenhum grande oráculo pra concluir que esse tipo de ambiente não é nada proveitoso pra nutrir a formação criativa dum indivíduo. Aliás, pelo contrário, o ambiente onde a criatividade é mais organicamente nutrida é exatamente num estado de equilíbrio, onde há todo tipo de mobilidade e possibilidades de se navegar por todos os lados (satisfazendo todos os tipos de curiosidades, além de fomentar a multi- e inter-disciplinaridade, dando uma visão mais “global”, mais “holística” e mais “orgânica” do processo todo)!

As referências abaixo aprofundam um pouco essa discussão, mostrando como, por exemplo, o quão semelhantes as grandes descobertas científicas são quando comparadas a transições de fase, algo que me soa muito como as idéias de Kuhn (expostas no livro The Structure of Scientific Revolutions) — mas isso fica pros comentários também :wink: .

O fato é que existem diferentes tipos de cientistas, como bem diz o Dyson abaixo, e existem os tais “cisnes negros”, aquelas pérolas raras, que aparecem muito de vez em quando, e mudam o caminho que todos vinham seguindo até então. (Apesar de soar meio “mártir messiânico”, a coisa não é bem assim… :razz: ) O resto cabe a sociedade, passando a entender e aceitar cada vez mais o trabalho dos Cientistas e os benefícios da Ciência — incluindo o quão diversificado e longo são os tentáculos da dita cuja.

Então, sem mais, eu recomendo que vcs se divirtam com os textos abaixo… :cool:

Referências…

Atualizado (2009-Apr-16 @ 10:18h EDT): Na ânsia de acabar o texto e postá-lo aqui no blog, acabei me esquecendo de alguns vídeos que gostaria de ter posto ao longo do texto. Ei-los aqui, porém sem os comentários que eu gostaria de ter feito (esses ficam pros comentários desse post :wink: ),

Agora sim, a diversão está ainda mais garantida!

:twisted:

A semana nos arXivs…

sexta-feira, 13 mar 2009; \11\UTC\UTC\k 11 Deixe um comentário

Matemática na era da Web2.0…

quarta-feira, 25 fev 2009; \09\UTC\UTC\k 09 3 comentários

A WWW daria uma lousa e tanto… se a gente conseguisse rabiscar uma equação

A WWW foi concebida no CERN e, desde então, o patamar em que chegamos atualmente (chamado de Web 2.0) é bem diferente daquilo que se imaginava na época da criação da Web. Hoje em dia já se fala em Web 3.0, que é uma espécie de codinome para Cloud Computing. Porém, o sonho original para a WWW é a chamada Semantic Web. Eis o próprio T.B. Lee falando sobre esse assunto,

De fato, a tal “Web 3.0″ deve incluir toda essa parte “semântica” (veja mais em W3C Semantic Web Activity, The Semantic Web e The Semantic Web Revisited (PDF)), chamada tecnicamente de Metadata — apesar de que a incorporação de todos esses “metadados” em bancos-de-dados e aplicações (“cloud”) afins ainda vai levar algum tempo. :wink:

De qualquer maneira… essa “simples” idéia — de assimilar os “metadados” de forma fundamental e intrínseca nas entranhas da Web — tem um enorme potencial quando o assunto é Publicação Científica. Um exemplo claro disso é o Scientific Publishing Task Force: Mindswap: Science and the Semantic Web, Science and the Semantic Web (PDF), Semantic web in science: how to build it, how to use it, ScienceOnline09: The Semantic Web in Science.

Então, como se pode ver com clareza, essa idéia de se associar “semântica” aos elementos já pertencentes da WWW, realmente será algo revolucionário.

A razão pra essa longa introdução é o paradigma adotado pelo MathML, que é a linguagem que permitirá a introdução de linguagem Matemática na WWW. Existem dois modos de se “descrever” uma informação em MathML, Presentation MathML e Content MathML — enquanto o pMathML foca na apresentação e aparência das equações e elementos matemáticos, o cMathML foca no significado semântico das expressões (num esquema bem parecido com Cálculo λ :cool: ).

Então, fica claro que o objetivo de MathML não é apenas o de “apresentar” uma informação, mas também de dar significado semântico a ela, o que fará com que a comunicação matemática seja muito superior do que a comunicação atual, feita em HTML!

O paradigma atual: \TeX

Hoje em dia, efetivamente, quem tem necessidade de publicar muitas equações usa \TeX, mais especificamente, usa-se \LaTeX — esse é o de facto padrão.

Essa linguagem é extremamente poderosa, versátil e flexível, podendo ser extendida de várias maneiras diferentes. E isso facilita muito sua aplicação em várias áreas diferentes: desde símbolos matemáticos, gráficos vetoriais, …, até símbolos musicais, de xadrez e tipografia em línguas gráficas, como árabe, hindu, chinês e afins!

Por essas e por outras, atualmente é muito mais comum de se encontrar programas que convertem de \TeX para MathML do que programas que nativamente facilitam a edição nativa [em MathML]. Tanto que existe um livro unicamente dedicado a esse assunto: The LaTex Web Companion. Aliás, nessa linha, eu recomendo o uso do formato DocBook, cuja saída pode ser HTML, PDF, \TeX (via o uso de XSLT), etc.

Portanto, o que acabou acontecendo é que quando alguém precisa publicar fórmulas e afins, ou se cria um documento em PDF, ou se usa de “algum desvio” para colocar a informação na Rede — em geral, esse desvio consiste em se converter o conteúdo desejado em alguma imagem, e inserí-la no HTML em questão.

A saída: habilitar os navegadores

A alternativa pra tornar tudo isso integrado (Web 3.0, MathML, etc) e unificado é prepararmos os navegadores para essa nova jornada, nova etapa, da WWW. Por exemplo, o Firefox tem toda uma infra-estrutura dedicada para MathML: MathML in Mozilla. Porém, pra isso, é preciso que os desenvolvedores de navegadores sigam os padrões já definidos para MathML. Essa é uma lista dos navegadores que suportam MathML. Além disso, pra quem usa Firefox, esse é um ‘add-on’ bem interessante, Firemath (eu não tenho uma conta com o Mozilla, então, se alguém que tiver uma conta quiser me mandar o add-on, eu agradeço :wink: ).

Portanto, o caminho ainda se encontra aberto… e as possibilidades são infinitas! :twisted:

Referências…

Cursos online que valem a pena.

domingo, 18 jan 2009; \03\UTC\UTC\k 03 2 comentários

Uma tendência já estabelecidade entre as universidades americanas é a disponibilização online de vídeos das aulas dos seus cursos, ou de alguns de seus cursos. A qualidade das interfaces varia, a qualidade dos vídeos varia, mas em geral vale muito a pena gastar um tempinho com isso. Nesse post eu vou  fazer um reviewzinho do que tem disponível por aí, comentando alguns cursos que eu assisti.

Open Yale Courses  – http://oyc.yale.edu/

A Yale University disponibiliza cursos no seu site Open Yale Courses. São 15 cursos divididos em departamentos, a maioria nas áreas de humanidades.Além dos vídeos alguns cursos trazem leituras e todas as aulas estão transcritas em inglês, inclusive as perguntas feitas pelos alunos. Isso facilita muito para quem não tem compreensão oral de inglês mas consegue ler. As aulas estão disponíveis online, em um player de vídeo em flash (similar ao do youtube) ou para download em formato quicktime em baixa ou alta resolução. Eu prefiro assistir online, apesar da inconveniência de ter que esperar o vídeo carregar sem poder avançar, o que torna mais difícil assistir apenas parte de uma aula e continuar mais tarde.

Frontiers and Controversies in Astrophysics

http://oyc.yale.edu/astronomy/frontiers-and-controversies-in-astrophysics/

É um curso sobre achados e questões modernas da astrofísica dedicado a estudantes fora das áreas de ciências (non-science majors). O conceito é um pouco estranho para os universitários brasileiros, acostumados com seus departamentos estanque que não oferecem esse tipo de interação com outras áreas. Mas é muito interessante de fato e um curso que certamente ajudaria alunos de colegial e aficcionados por astronomia a entender os temas modernos de pesquisa em astronomia e astrofísica. O professor é Charles Bailyn, um cientista muito produtivo nessa área.

Introduction to Ancient Greek History

http://oyc.yale.edu/classics/introduction-to-ancient-greek-history

Esse curso eu assisti inteiro. É a história dos povos gregos desde a civilização de Micenas até a ascensão de Filipe da Macedônia e o fim da autonomia das cidades gregas. O professor é ilustre, Donald Kagan, famoso autor de livros importantes sobre a grécia antiga e conhecido pensador e scholar americano. As aulas são fascinantes. O professor demonstra o quanto conhecer esses caras ajuda a entender o homem e a história. Recomendadíssimo o curso.

Financial Markets

http://oyc.yale.edu/economics/financial-markets

Um curso introdutório sobre o funcionamento do mercado financeiro. Inclui algumas palestras de oradores ilustres na área, incluindo David Swensen, o cara dito responsável por multiplicar em muitas vezes o endowment da universidade de Yale usando técnicas modernas de portfolio management.

Esse é um curso que eu recomendo fortemente, especialmente as primeiras aulas, para que as pessoas percam o preconceito com relação aos mercados financeiros, entendam qual é o seu importante papel na organização da sociedade, e percebam como essa tecnologia funciona. A crise atual é bem discutida em algumas aulas. O professor é o  Bob Schiller, um famoso economista e pesquisador, autor de diversos livros, tanto técnicos quanto para leigos.

Death

http://oyc.yale.edu/philosophy/death

Um curso introdutório de metafísica. O professor é Shelly Kagan. Um curso muito interessante para quem é completamente leigo no assunto como eu. A pretexto de discutir sobre a morte e sobre os efeitos dela, o professor introduz diversos assuntos como metafisica platonica, teoria da identidade pessoal, filosofia da mente e até uma discussão filosófica sobre o suicídio.

Modern Poetry

http://oyc.yale.edu/english/modern-poetry

O tímido professor Langdon Hammer fala sobre os difíceis poetas americanos do período moderno. Frost, Ezra Pound, T. S. Elliot, Yeats… todos esses caras que eu nunca consegui entender direito mas sempre fico fascinado com seus textos são explicados. Claro que eu não entendo muita coisa mesmo assim [:p]. Mas ajuda a entender o gênio desses caras. Recomendado a todos os leitores amadores de poesia como eu.

Fundamentals of Physics

http://oyc.yale.edu/physics/fundamentals-of-physics

Um curso introdutório de física superior. Os temas abordados são muito amplos na minha opinião, vão desde o básico de mecanica e chegam até relatividade, passando por gravitação, ondulatória e termodinâmica. Mas é interessante para alunos adiantados de colegial e até pessoas que simplesmente gostam de física. O professor é Ramamurti Shankar.

Introduction to the Old Testament

http://oyc.yale.edu/religious-studies/introduction-to-the-old-testament-hebrew-bible

Esse é o melhor curso disponível no site. A professora Christine Hayes discorre em 24 aulas sobre os textos que compõe a bíblia judaica, o antigo testamento das bíblias modernas. As origens dos textos, suas motivações, o uso dos textos por parte dos povos semitas, a semelhanças, e principalmente as diferenças, com relação a outros textos do antigo oriente próximo, tudo isso é discutido. Mas sabe quando você percebe que o professor não apenas conhece o assunto completamente, mas é também apaixonado pelo tópico? A profa. Hayes é assim. Excepcionalmente clara, com uma oratória absorvente. Eu assisti cada aula desse curso com muita empolgação e planejo assistir novamente. Vale a pena.

Stanford Engineering Everywhere – http://see.stanford.edu/see/courses.aspx

Aulas dos cursos de engenharia de Stanford. O site tem os vídeos disponíveis em várias plataformas: direto no youtube (o que é excelente), no iTunes, em um player próprio feito usando o silverlight, em um site da própria Stanford chamado Vyew, e para download em wmv ou mp4. A melhor plataforma na minha opinião é o youtube. O Vyew é interessante mas não funciona direito no meu computadora. O player em silverlight é bom, tem até opções de compartilhamento no Facebook, lugar para anotações e marcações de trechos do vídeo feitas pelo próprio professo, mas o esquema de buffering é ruim e o vídeo fica parando de tempos em tempos (ou meu clone do silverlight para linux não é muito bom). De qualquer forma, a qualidade dos vídeos é excelente, inclusive havendo versões de alta resolução no youtube.Também tem as aulas transcritas para facilitar o acesso para quem não ouve bem inglês.

Machine Learning

http://see.stanford.edu/see/courseinfo.aspx?coll=348ca38a-3a6d-4052-937d-cb017338d7b1

Um curso do professor Andrew Ng (um doce para quem souber pronunciar o sobrenome dele), um pesquisador  jovem e já muito importante nessa área de Machine Learning. Aliás, para quem não sabe, machine learning é uma abordagem de inteligencia artificial que envolve tentar fazer que o computador aprenda por si mesmo ao invés de ficar tentando dizer a ele o que fazer. São algoritmos de aprendizagem computacional que estão por trás de sistemas de navegação de robôs, algoritmos de análise inteligente de imagens, sistemas de busca sofisticados (como o Google), e outras maravilhas da ciência da computação moderna. Como diz o professor na primeira aula do curso, Machine Learning é o campo mais empolgante da ciência da computação hoje, e talvez um dos maiores feitos da humanidade. Não é preciso muita matemática,  nem  é preciso saber programar muito bem para acompanhar o curso. Tudo pode ser feito no Matlab ou no Octave e basta saber o básico de algebra de matrizes e cálculo.

Programming Abstractions

http://see.stanford.edu/see/courseinfo.aspx?coll=11f4f422-5670-4b4c-889c-008262e09e4e

Parece ser um apanhadão de programação avançada, estruturas de dados, orientação ao objeto e outras coisinhas. Parece interessante para maus programadores como eu finalmente aprenderem essas coisas interessantes, pelo menos verbalmente. Ainda não vi nenhuma aula, entretanto.

Programming Paradigms

http://see.stanford.edu/see/courseinfo.aspx?coll=2d712634-2bf1-4b55-9a3a-ca9d470755ee

As diferenças entre programação imperativa, orientada ao objeto, funcional e programação concorrente. Outro que eu pretendo ver no futuro, mas dá uma preguicinha.

UC@Berkeley no Youtube – http://www.youtube.com/user/ucberkeley

Há vários cursos da Universidada da Califórnia em Berkeley no youtube. Um deles eu comecei a assistir  e achei interessante: The Structure and Interpretation of Computer Science, que apesar do nome pomposo, é um curso de programação funcional (é interessante que lá eles estudem programação funcional antes de estudar qualquer outro paradigma de computação).

MIT – Open Course Ware – http://ocw.mit.edu/OcwWeb/web/home/home/index.htm

Um dos primeiros projetos do tipo, iniciou-se no MIT e agora tem dezenas de universidades aderindo ao redor do globo. Há conteúdo em vídeo para download ou visualização no youtube para uma pequena fração de todo o material disponível, o que já é uma grande quantidade de videos, e alguns são muito bons. O único que eu me meti a assistir um maior número de aulas foi o curso de introdução à biologia (http://www.youtube.com/watch?v=lm8ywGl9AIQ) bem legalzinho. Para encontrar os cursos com material audio/video disponível ver aqui: http://ocw.mit.edu/OcwWeb/web/courses/av/index.htm .

Outros sites e recursos:

http://videolectures.net/ -

Videos galore. Centenas de aulas em vídeo, palestras e etc. sobre os mais variados assuntos. Tem alguma concentração em computação, mas tem muita coisa em outros assuntos também. O site é bem confuso e mal organizado, mas dá pra se divertir.

TED Talks – http://www.ted.com/index.php/talks

Um site fantástico com palestras muito boas sobre os mais variados assuntos, desde ciência e tecnologia a política e meio ambiente, passando por arte, computação e quadrinhos. Vale a pena ver quase todas as palestras.

Kavli Institute for Theoretical Physics – http://www.kitp.ucsb.edu/talks/

Palestras do KITP gravadas e disponibilizadas online. Palestras técnicas sobre todo tipo de assunto em física teórica.

Videoteca do IF/USP – http://video.if.usp.br/

O Instituto de Física da USP grava todas as palestras que acontecem lá e disponibilizam o vídeo no site acima. Tem de tudo, inclusive as aulas do último curso de verão.

Princeton Webmedia – http://www.princeton.edu/WebMedia/lectures/

Palestras e etc. Ainda não tem as aulas, mas parece que terá em breve.

Podcast da UC@San Diego – http://podcast.ucsd.edu/

Podcast da Universidade da California em San Diego.

Cern Summer School Lectures – http://indico.cern.ch/tools/SSLPdisplay.py?stdate=2008-06-30&nbweeks=6

Aulas da escola de verão do CERN.

ICTP.tv – http://www.ictp.tv/

Aulas do programa de cursos do International Centre for Theoretical Physics ‘Abdus Salam’.

Enfim… como diz um amigo nosso, é diversão garantida.

Open Source Physics (other sciences too) Lab

terça-feira, 16 dez 2008; \51\UTC\UTC\k 51 6 comentários

Hoje, enquanto matutava sobre uma idéia antiga que eu tenho desde os tempos da minha graduação em física (não faz tanto tempo assim na verdade :P) ocorreu-me a seguinte coisa: há algum projeto de laboratórios didáticos de física de conteúdo aberto?

Me explico. Eu sempre gostei da idéia de criar experimentos didáticos para alunos de colegial e faculdades de física e sempre achei os que já existem tremendamente chatos e desinteressantes. E eu sempre fiquei muito empolgado ao ver projetos de ciência na internet e pessoas que construiram diversos aparatos bastante complicados e que fizeram parte de experimentos chave na história da física apenas com componentes comprados no Radio Shack. A quantidade de experimentos bacanas de verdade que se pode fazer em casa é grande. Eu já vi lasers, pequenos aceleradores de partículas, bombas de vácuo, telescópios, … uma infidade de coisas feitas em casa. Há projetos na internet como o Open Source EEG – um aparato de eletroencéfalografia de projeto totalmente aberto na web.

Então me ocorreu a idéia: porque não abrir um Open Source Lab, um projeto de desenvolvimento de experimentos didáticos de física sérios, com projetos detalhados abertos na internet com licença copyleft – totalmente aberta ao uso e modificação por qualquer pessoa – focado em recriar experimentos interessantes da história da física.

Há diversas coisas que, estou certo, são possíveis de serem feitas por pessoas que tem um jeito para por a mão na massa e poderiam ser usadas por escolas, universidades em países de terceiro mundo e até empresas que queiram produzir esses materiais para vender a escolas particulares e etc (o que não é proibido por uma licença copyleft).

A idéia é recriar experimentos famosos através de projetos de experimentos didáticos usando a tecnologia moderna, a moderna acessibilidade a recursos que até poucas décadas atrás eram caros e tornar isso um projeto colaborativo através da web de conteúdo totalmente aberto e de acesso gratuito.

A única coisa que me impede de fazer isso tudo é o maldito lado prático da vida. Eu, como legítimo acadêmico, não sei fazer as coisas andarem e não tenho idéia de quem ou o que financiaria um projeto desse tipo e como se viabilizaria uma coisa dessas sem capital próprio (que no meu caso é bem escasso). Universidades teriam interesse? Empresas teriam interesse? Agencias governamentais teriam interesse? Você que está lendo teria interesse?

Ao leitor que estiver interessado e souber lidar com esse tipo de coisa, souber onde se busca patrocínio para esse tipo de projeto e tiver jeito para por a mão na massa em desenvolver projetos desse tipo:  o que estamos esperando?!!

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