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O futuro da revisão-por-pares…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 2 comentários

Depois da invenção dos arXivs, o problema de distribuição de publicações científicas foi efetivamente resolvido. Dessa forma, o papel dos jornais acadêmicos ficou essencialmente resumido à revisão-por-pares. Ou seja, no frigir dos ovos, o valor agregado que as jornais acadêmicos acrescentam aos artigos é apenas a revisão-por-pares, uma vez que a distribuição desses artigos não é mais problema na Era da Informação.

[N.B.: Pense em termos de uns 400 anos atrás, na época de Galileu: era preciso um manuscrito viajar de cavalo ou barco para que sua distribuição fosse efetivada. Claro que as coisas melhoraram com o correio moderno e com a invenção dos aviões... mas, no final das contas, o processo de distribuição continuava o mesmo em sua natureza: era preciso haver uma mudança física, mecânica, de um lugar para outro. Hoje em dia isso não é mais verdade: organizar, colecionar e distribuir artigos é uma tarefa essencialmente trivial: o exemplo dos arXivs sendo o mais gritante, e PLoS sendo um segundo exemplo. Infelizmente, eu não conheço nenhum esforço dessa natureza Free-Open Access nas Humanidades nem nas Ciências Sociais: seria muito interessante conhecer esforços nessas direções.]

Entretanto, atualmente há também um movimento para “aliviar” os jornais acadêmicos inclusive dessa atividade:

Felizmente (ou não :-P ), esta não é uma idéia nova: esforços nesta direção já têm sido promovidos há anos. Vejam os exemplos abaixo,

Esses esforços costumam vir sob o nome de Ciência 2.0 — apesar de que, atualmente, já está se falando em Ciência 3.0!

[N.B.: Resumidamente, o "2.0" significa a incorporação das ferramentas de Web 2.0, enquanto que o "3.0" significa que metadata é usada de modo "decente" (ie, como a coisa foi designed para funcionar ;-) ).]

Mais ainda, há movimentos em direções ainda mais ambiciosas, como os abaixo,

Tanto o MathJobs quanto o AcademicJobsOnline têm o intuito de organizar e facilitar a busca de empregos (postdocs, professores, etc) em Matemática e Ciências em geral, respectivamente. Isso tem melhorado o processo infinitamente: antigamente, era preciso se escrever cartas de aplicação para diversas (até centenas!) e instituições; hoje em dia basta vc carregar seu material nesses sites e selecionar os empregos que vc gostou — o resto acontece automaGicamante. 8-)

De fato, nossa Era Digital trouxe ferramentas absolutamente fantásticas, que conectam o mundo da pesquisa de modo nunca d’antes navegado… Claro, como toda espada, esta também tem dois gumes: o ‘lado negro’ de toda essa facilidade e conectividade é o atual campo da cienciometria, onde se acredita que é possível se mensurar “criatividade científica” através de índices que, na melhor das hipóteses, são apenas parciais (ie, são índices cujo significado estatístico é questionável).

Enfim, este é um momento bastante conturbado… mas que certamente não deixará “pedra sobre pedra”. ;-)

This post translated to English (en_US) (courtesy of Google Translate).

Sonhos de outono…

sexta-feira, 9 out 2009; \41\UTC\UTC\k 41 1 comentário

Pois é… estamos longe de “noites de verão” pelas bandas de cá… aliás, pior ainda, hoje o dia está chuvoso, cinzento e frio! :evil:

Então, depois de passar uns 10 dias testando o Google Wave… eu tô é doido de vontade de ver a combinação de GWave com TinyChat — e usar ambos aqui no AP! :twisted:

Agora eu já posso adicionar mais essas duas funcionalidades ao servidor dos meus sonhos. :idea:

Quem quiser colaborar e opinar sobre um “GWave do AP” e um “TinyChat do AP”… favor por a boca no trombone nos :arrow: comentários! :cool:

P.S.: Eu já dei essa diquinha antes… mas, acho que vale a pena dizer de novo: Google Wave 101.

E, de saidêra, eu deixo a seguinte diquinha: CeeVee. É uma plataforma online (leia-se Web2.0) para criação e manutenção dum CV ou Resumé. No Brasil a gente tem a Plataforma Lattes, mas não é sempre que ela é a melhor solução (principalmente na hora de gerar uma versão impressa, ou PDF, do CV). Vale a pena manter ambos sincronizados — o CeeVee é realmente o melhorzinho entre plataformas análogas. :cool:

O Nobel de Física de 2009

terça-feira, 6 out 2009; \41\UTC\UTC\k 41 4 comentários

Saiu há algumas horas os nomes laureados com o Premio Nobel de física de 2009. O chinês Charles Kao ficou com metade do prêmio por suas contribuições à comunicação com fibras óticas. A outra metade foi dividida entre o canadense Willard Boyle e  o americano George E. Smith, pela invenção dos dispositivos CCD (Charge-coupled Device)  . Para dizer a verdade conheço pouco a respeito dos nomes, mas considero a decisão de dar o prêmio para essas duas áreas muito acertada.

As duas descobertas/invenções são extremamente técnicas e podem não aparentar tão interessantes à primeira vista. Entretanto são duas descobertas técnicas que transformaram a face da Terra. Não apenas influenciaram nossa capacidade tecnológica, mas ampliaram a nossa capacidade de descobrir mais sobre o universo, afetaram de maneira irreversível nossa cultura e, eu diria sem medo de exagerar, aumentaram o potencial da nossa civilização.

Ambas são tecnologias ubíquas. Quase todos nós as usamos diariamente.

As fibras óticas, não preciso dizer, estão em um dos pilares da nossa rede global de comunicação. Nenhuma ideologia, religião, teoria economica ou doutrina política revolucionou tanto o mundo quanto a criação dessa rede. Praticamente todas as transações bancárias, chamadas telefônicas de longa distância, a comunicação entre empresas, entre pessoas, entre governos, notícias, fofocas de celebridades, bobagens, informações valiosas, colaborações científicas, informações industriais, cartas de amor…  tudo isso hoje chega ao seu destino por fibras óticas. Os diferentes cantos do planeta se comunicam instantaneamente por causa das fibras óticas e isso transformou um planeta dividido em uma civilização global. É impossível conceber o mundo funcionando como funciona hoje sem essa tecnologia.

Os dispositivos CCD, menos conhecidos talvez, estão em todas as máquinas fotográficas digitais. Mas revolucionaram muito mais do que a arte da fotografia e os álbuns de família. Talvez seja mais difícil apreciar como a difusão de uma método extremamente barato de produzir imagens instantaneamente é capaz de mudar a maneira como pensamos, conhecemos o mundo, fazemos ciência, produzimos bens e os consumimos. A revolução da imagem é sorrateira, mas eu duvido que você que lê esse texto não tem pelo menos meia dúzia de fotos suas convertidas em bits, circulando agora pelas fibras óticas que ligam o mundo!

Talvez haja tempo para depois escrever  aqui sobre os detalhes técnicos ligadas a essas técnicas, mas para apreciar o que essas técnicas fizeram pela humanidade basta olhar em volta de você.

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Segundo lugar no Prêmio ABC!

domingo, 20 set 2009; \38\UTC\UTC\k 38 7 comentários

Estava eu aqui, a trabalhar num artigo sobre espaços-tempo 6-dimensional que decaem espontaneamente para 4-dimensões… quando resolvi dar uma olhada no meu twitter e descobri uma maravilha,

O Ars Physica ganhou o 2º Lugar no Prêmio ABC de Blogs Científicos! :twisted:

(Ver mais sobre o Prêmio ABC no link Prêmio ABC para blogs científicios (UPDATE 11/09/2009).)

Eu gostaria de agradecer a todos os blogs e blogueiros participantes, assim como os envolvidos com o prêmio e com a tabulação dos resultados, e, claro, a todos os que votaram, tanto no Ars como no geral — excelente trabalho pessoal! :smile:

Quem quiser continuar lendo, pode seguir o link abaixo… :wink:
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O realejo do dia…

terça-feira, 8 set 2009; \37\UTC\UTC\k 37 Deixe um comentário

“Life is a comedy for those who think… and a tragedy for those who feel.”Horace Walpole

(“A vida é uma comédia praqueles que pensam… e uma tragédia praqueles que sentem.”)

Pra quem gostou da citação, aí vão mais algumas: citações de Horace Walpole. :smile:

Celebração…

terça-feira, 25 ago 2009; \35\UTC\UTC\k 35 5 comentários

Hoje é um dia de celebração: 400 anos atrás, Galileo inventava o telescópio :!:

Até o Google tem um ‘doodle’ (um “desenhinho” :wink: ) pra comemorar,

Galileo doodle

Galileo doodle

Então, tomando um pouco de licensa poética, eu diria que uma das ferramentas da Ciência moderna vem em forma de Tecnologia da Informação: do armazenamento de dados (petabytes) à análise dos mesmos em ‘clouds’… até os blogs usados na divulgação científica; o modo como fazemos e entendemos a Ciência mudou um tanto dos últimos anos pra cá.

Do nosso lado, aqui no AP, nós batemos uma marca pessoal: 1001 comentários! O primeiro post do AP é de 2008-Sep-26, exatamente 11 meses atrás. Nesses ~330 dias, além dos 1001 comentários, também tivemos 249 posts! Isso nos dá uma média de aproximadamente 6 posts por semana (5.3, pra ser preciso) e 4 comentários pra cada post — nada mal, não?! :mrgreen:

Prum blog que ainda não completou um ano, termos uma média de 1 post pra cada dia útil da semana, com 4 comentários em cada um… e numa área como a Física, que não é das mais populares… com textos que nem sempre são os mais “acessíveis”… eu acho que estamos começando com o pé direito — o que vcs acham?! :twisted:

Então, pra fechar, o que vcs pensam, leitores — como vcs melhorariam nosso blog? :idea:

[]‘s.

Compilando o Chromium no Mac…

terça-feira, 2 jun 2009; \23\UTC\UTC\k 23 1 comentário

Como eu tinha pouca coisa pra ler ontem — :shock: :roll: —, decidi testar minhas habilidades ‘compiladorísticas’ e ver se conseguia compilar o Chromium no Mac.

Como vcs devem saber, ainda não há um ‘build’ do Google Chrome nem pra GNU/Linux nem pro Mac OS X. Mas, usando o código open-source do Chrome (chamado Chromium), é possível simplesmente se compilar o danado e ver no que dá. No caso do Mac, basta seguir as instruções em MacBuildInstructions. E foi exatamente o que eu fiz. O resultado vcs podem ver abaixo… :twisted:

Google Chromium no Mac OS X (10.5.7)

Google Chromium no Mac OS X (10.5.7)

P.S.: Claro, ainda há alguns problemas, como falta de suporte a UTF-8, plugins, etc. Mas, a estabilidade e velocidade do bixinho é uma surpresa agradável. :wink:

Atualizado (2009-Jun-02 @ 17:23h): Chrome For Mac “Coming Along Fine”. :wink:

Atualizado (2009-Jun-05 @ 15:52h): O time de desenvolvedores do Chromium lancou, ontem, a versao alpha do “Chrome” para Mac e GNU/Linux: Chromium Releases Official Mac, Linux Browser Alphas. Pra quem esta acompanhando esse post, isso nao faz a menor diferenca, uma vez que as versoes compiladas ‘no muque’ ja sao mais atualizadas que esse lancamento. :wink:

Carreira Científica…

sexta-feira, 29 mai 2009; \22\UTC\UTC\k 22 2 comentários

A revista Science Careers está publicando uma série de 4 reportagens sobre o estresse no trabalho, ficando, claro, no emprendimento científico. É uma leitura sossegada e leve; recomendo. ;-)

Por enquanto, apenas essas duas parcelas foram publicadas. Mas, eu vou manter esse post atualizado conforme os próximos forem sendo publicados. ;-)

E só pra aproveitar o post… deixo umas diquinhas do site acima,

[]‘s.

O Cisne Negro e a Criatividade…

quarta-feira, 15 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 9 comentários

Faz algum tempo que eu venho mastigando e ruminando sobre esse tema da criatividade, ainda mais durantes esses tempos de ‘publish or perish’ em que vivemos atualmente.

Todos os tipos de índice bibliométricos são usados numa tentativa de se “classificar” o conhecimento sendo produzido. Infelizmente, enquanto bibliometria, os índices são úteis, porém, quando se tenta usá-los pra se qualificar a pesquisa sendo feita… aí a ‘porca torce o rabo’… feio. Mas, hoje em dia, todas as agências de fomento usam esses índices — aliás, no exterior, eles são usados pra tudo, desde classificação da lista dos candidatos a contratação, …, até o salário do pesquisador!

O problema, de fato, não é a tentativa de se medir a produção dos pesquisadores e, assim, tentar se inferir a qualdiade de seus trabalhos. O problema é que esses índices bibliométricos são altamente “sociológicos” (por falta dum termo melhor): o que eles medem mesmo é a rede social dum determinado pesquisador! E, aí… aí as coisas começam a ficar complicadíssimas… porque há muito poucos estudos nas linhas do que já foi amplamente sugerido por Pierre Bourdieu no livro Homo academicus (também recomendo o livro Distinction: A Social Critique of the Judgement of Taste do mesmo autor). Aí também iria acabar sendo necessário se levar em consideração os livros Against Method e Science in a Free Society… e a coisa complicaria demais…

Ainda numa das primeiras encarnações do meu blog, eu fiz uma experiência sobre isso… e, de fato, a correlação entre “rede social” e “índice bibliométrico” é alta. Donde se pode concluir que há “nichos ecológicos” na comunidade científica, i.e., se a gente considera a comunidade científica (e.g., de Físicos, só pra fixar o exemplo de modo mais concreto) como um “organismo vivo”, então é possível se falar na ecologia da mesma (ou melhor, em termos de ecologia de sistemas, ou ecologia teórica), e, a partir daí, fica fácil de se entender o que os tais “nichos” significam (há mais detalhes… mas, vamos deixar pros comentários :wink: ).

O fato é que enquanto o sistema está num estado estacionário de equilíbrio dinâmico, tudo funciona de modo “ótimo”. Porém, quando processos irreversíveis são introduzidos no sistema… tudo muda. Em particular, processos irreversíveis podem ir se acumulando… até criar um ponto crítico, a partir do qual o sistema vai se “fracionando”, i.e., diferentes “fases” vão se formando. E, assim, nascem “cismas” na comunidade… alguns chamariam de “classes” (como em “classe social”). E assim os nichos ficam cada vez mais divididos.

Bom, agora não é preciso nenhum grande oráculo pra concluir que esse tipo de ambiente não é nada proveitoso pra nutrir a formação criativa dum indivíduo. Aliás, pelo contrário, o ambiente onde a criatividade é mais organicamente nutrida é exatamente num estado de equilíbrio, onde há todo tipo de mobilidade e possibilidades de se navegar por todos os lados (satisfazendo todos os tipos de curiosidades, além de fomentar a multi- e inter-disciplinaridade, dando uma visão mais “global”, mais “holística” e mais “orgânica” do processo todo)!

As referências abaixo aprofundam um pouco essa discussão, mostrando como, por exemplo, o quão semelhantes as grandes descobertas científicas são quando comparadas a transições de fase, algo que me soa muito como as idéias de Kuhn (expostas no livro The Structure of Scientific Revolutions) — mas isso fica pros comentários também :wink: .

O fato é que existem diferentes tipos de cientistas, como bem diz o Dyson abaixo, e existem os tais “cisnes negros”, aquelas pérolas raras, que aparecem muito de vez em quando, e mudam o caminho que todos vinham seguindo até então. (Apesar de soar meio “mártir messiânico”, a coisa não é bem assim… :razz: ) O resto cabe a sociedade, passando a entender e aceitar cada vez mais o trabalho dos Cientistas e os benefícios da Ciência — incluindo o quão diversificado e longo são os tentáculos da dita cuja.

Então, sem mais, eu recomendo que vcs se divirtam com os textos abaixo… :cool:

Referências…

Atualizado (2009-Apr-16 @ 10:18h EDT): Na ânsia de acabar o texto e postá-lo aqui no blog, acabei me esquecendo de alguns vídeos que gostaria de ter posto ao longo do texto. Ei-los aqui, porém sem os comentários que eu gostaria de ter feito (esses ficam pros comentários desse post :wink: ),

Agora sim, a diversão está ainda mais garantida!

:twisted:

Testando Google Docs…

quinta-feira, 5 mar 2009; \10\UTC\UTC\k 10 1 comentário

Esse post é só um teste do uso do Google Docs para postar no AP.

Pra quem ainda não sabia… o Google Docs pode ser usado pra se editar posts e publicá-los diretamente no AP (ou qualquer outro blog do Blogger, WordPress.com ou WordPress.org, LiveJournal, etc — ou então via as APIs do Blogger, do MovableType ou do MetaWeblog).

Para configurar tudo (para o WordPress e usando um Google Docs em inglês) vá para os settings do seu Google Docs e clique em edit info… em Blog settings. Lá vc entra a informação necessária, porém, para o WP, escolha a API do MetaWeblog e digite o seu blog no seguinte formato: http://YOURSITE.wordpress.com/xmlrpc.php.

Depois, basta criar um documento normalmente, trabalhar nele à vontade e, depois de salvá-lo, quando vc já estiver satisfeito e quiser publicá-lo no blog, basta escolher publish e clicar o botão para publicar no seu blog.

Voilà :twisted:

P.S.: Agora que as plataformas de serviços Web2.0 estão razoavelmente bem desenvolvidas, essa pode não parecer uma grande vantagem, afinal de contas vc pode exportar todos os seus posts de dentro do WP e tudo mais. Mas, quem quiser guardar cópias do que posta no blog, pode usar essa estratégia como uma forma de backup: seus posts ficam devidamente arquivados no Google Docs e são mantidos sincronizados com o blog (de forma que qualquer alteração ou edição no Google Docs implica na atualização do post no blog :wink: ). Mais ainda, também é possível se usar todas as ferramentas/técnicas de colaboração disponíveis no Google Docs para se editar um post com muitos autores, de modo colaborativo (com direito a controle de versão e tudo mais). Então, é um bixinho que vale a pena morder… só pra ver no que dá. :mrgreen:

Feliz Dia da Raiz Quadrada…!

terça-feira, 3 mar 2009; \10\UTC\UTC\k 10 4 comentários

Hoje, 2009-Mar-03, ou mais apropriadamente 03/03/09, é o Dia da Raiz Quadrada ! :cool:

Como o próximo só daqui a 7 anos… divirtam-se!

:twisted:

Impasses e trolls: maturidade social…

quarta-feira, 25 fev 2009; \09\UTC\UTC\k 09 39 comentários

Foi trazido à atenção da Moderação da Comunidade de Física do Orkut um acontecimento um tanto curioso: O blog Bule Voador — de natureza explicitamente cética — publicou uma matéria absolutamente pseudo-científica, cuja retórica tenta esconder esse pseudo-cientificismo atrás duma aparente “censura”. Eis o post em questão: Convidados – Preconceito e Censura na Comunidade de Física do Orkut.

Por uma questão de transparência e completude lógica, eis os únicos tópicos (em ordem cronológica — atentem para as datas em cada tópico) onde o autor do post acima, assim como suas reinvindicações e seu comportamento, são tratados:

Isso posto, vamos aos comentários pertinentes. Antes de tudo, porém, eu gostaria de agradecer ao Marcelo “Druyan” Esteves, autor do blog Bule Voador, por ter gentilmente trazido esse assunto a nossa atenção e por ter cedido um espaço para uma possível réplica: Obrigado Marcelo, foi realmente gentil e atencioso da sua parte ter tomado essa atitude — é realmente impossível manter-se atualizado a respeito de blogs interessantes e estimulantes numa blogosfera que pipoca milhares de novos blogs diariamente: essa é a razão pela qual nenhum de nós, membros da Moderação da Comunidade de Física do Orkut, não tomamos ciência desse fato anteriormente. Porém, duma próxima vez, eu te aconselho a usar o mecanismo de trackbacks (às vezes, também chamado de pingback) que todos os softwares de blog possuem: dessa forma (i.e., se vc tivesse feito um trackback para algum post apropriado aqui no AP, por exemplo, o post Quem somos nós?), nós teríamos sido informado desse fato dum modo mais direto e automatizado.

Agora sim, vamos ver o que está acontecendo com a tal “censura” e “preconceito” na Comunidade de Física. Porém, antes de tudo, é preciso tomarmos sabermos quais são as regras da comunidade — assim, sabendo quais são as regras (i.e., qual é o conteúdo permitido na Comunidade), podemos inferir sem maiores dificuldades quais os assuntos que não são pertinentes. Eis as regras,

Portanto, com as regras em mãos (basta seguir os links acima e lê-los), precisamos apenas de mais um ingrediente para podermos começar a tirar as devidas conclusões lógicas desses acontecimentos.

Eis esse ingrediente: Uma Comunidade no Orkut não é como um país, por exemplo. Vejam, ao passo que, no Orkut, vc escolhe as comunidades que quer participar, não é possível vc escolher o país onde nasce — essa decisão, infelizmente ou não, cabe aos seus pais. Portanto, diferentemente da discussão de “democracia” ou “liberdade de expressão” que acontece no âmbito de uma organização social chamada “país”, o mesmo não se aplica para uma organização social no Orkut, i.e., para uma Comunidade do Orkut. A razão para isso não é complicada: se há um conjunto de regras que rege uma determinada comunidade, quando alguém se afilia aquela comunidade, o mínimo que se pressupõem é que esse indivíduo esteja de acordo com as tais regras, i.e., se assume que, se o indivíduo se juntou aquela comunidade, ele tem a responsabilidade social de seguir essas regras [previamente estabelecidas].

Se essa pessoa discorda dessas regras, ela tem duas opções:

  1. Começar sua própria comunidade, onde ela pode escolher e estabelecer as regras que bem escolher ou quiser; ou
  2. Antes de se afiliar a comunidade, discutir as regras num foro apropriado; no caso, essa discussão deve acontecer na Comunidade da Moderação.

A partir de agora, temos todos os ingredientes necessários pra avaliar o ocorrido. A pessoa em questão, autor do post citado no parágrafo de abertura, violou as regras da comunidade: oras, ela se afiliou a comunidade mas não respeito as regras da mesma! E, como se isso não bastasse, ela ainda teve o displante de reclamar da atitude posteriormente tomada pela Moderação.

Portanto, essa não é uma questão de “censura” muito menos de “preconceito”, mas sim uma questão de respeito e de responsabilidade:

  • Respeito : para com os outros membros da Comunidade, assim como para com a Moderação, em se comportar de acordo com as regras já estabelecidades da comunidade (ao invés de fundar sua própria comunidade com suas regras preferidas, ou de discutir a validade e pertinências das regras em questão antes de se juntar à Comunidade de Física); &
  • Responsabilidade : em arcar com as conseqüências de seus próprios atos (que violam as regras que essa pessoa, em princípio, aceitou respeitar para ser membro da comunidade em questão).

Portanto, resumindo os fatos: existem regras numa comunidade ⇒ a pessoa se afilia a tal comunidade (o que implica em concordar em respeitar tais regras, assim como em assumir as responsabilidades quando tais regras forem violadas) ⇒ essa pessoa viola as regras ⇒ a pessoa é punida por tal transgressão (mesmo que tal punição tenha levado mais de 1 ano pra acontecer — basta checar as datas das referências já citadas acima).

Como uma seqüência lógica dessas pode ser taxada de “preconceito” ou de “censura”?! Vc escolhe pertencer a uma comunidade apenas para sabotá-la?! Desde quando isso é um comportamento cívico?! :cry:

De fato, não há palavras para descrever o tamanho do impasse lógico e da imoralidade que esse tipo de comportamento representam: respeito e responsabilidade são um conjunto mínimo de características necessárias praquilo que eu chamo de maturidade social, que é o necessário para uma vivência harmônica e solidária dentro duma determinada comunidade (quer seja dentro do Orkut ou fora dele).

Porém, dentro da cybercultura, esse tipo de comportamento ilógico e anti-cívico já é conhecido e devidamente classificado há tempos: chama-se Troll. Em particular, um comportamento típico freqüentemente associado a ‘trolls‘ é o de flame-baiting, assim como o de social gadfly.

Dessa forma, a análise feita aqui provê a desconstrução dos “argumentos” usados no post citado no primeiro parágrafo — mais especificamente, essa réplica representa o fisking e o anti-idiotarianism (aplicado aqui no sentido de lutar contra o fanatismo pseudo-científico) daqueles “argumentos”.

Por fim, quero lembrar a famigerada Lei de Godwin, e dizer que — uma vez que já estamos tendo que falar de “censura” e “preconceito”, assim como (logicamente correlata) de “liberdade de expressão” (vale lembrar também da Lei da Controvérsia de Benson) — estamos no caminho certo indicado pela Lei de Godwin: daqui a pouco, essa virará uma discussão sobre “ditadura”, “fascimo” e “nazismo”!

Como sempre, uma boa lista dos participantes no tipo de discussão que se quer estabelecer com uma retórica tão volátil e enviesada, é a seguinte:

Mas, nós aqui do AP, da Comunidade de Física e da Moderação da Comunidade de Física, já estamos vacinados contra esse tipo de comportamento — principalmente dado os longos anos que alguns de nós já têm de experiência em lidar com esse tipo de caso.

Portanto, espero que todas as possíveis dúvidas tenham ficado esclarecidas e retificadas.

Surpresas

quinta-feira, 12 fev 2009; \07\UTC\UTC\k 07 10 comentários

Uns dias atrás em um post do blog Cosmic Variance o Sean Carroll estava se perguntando sobre  grandes surpresa na ciência.  Entre perguntas sobre qual foi a coisa mais surpreendente que já descobrimos e qual seria a próxima coisa mais surpreendente que poderíamos descobrir no futuro, diversas grandes surpresas foram levantadas pelos comentadores.

Quando falamos sobre coisas chocantes a respeito do universo tendemos a falar de micro-coisas e de mecânica quântica. Coisas estranhas acontecem nessa escala de tamanho, fenômenos incompatíveis com nossa experiência cotidiana da natureza e até difíceis de descrever para pessoas não-iniciadas em física moderna e contemporânea.

Apenas uma das pessoas qeu comentou se lembrou de uma coisa que foi históricamente muito mais chocante e que levou séculos e séculos de gradual aumento da nossa compreensão das coisas para se conhecer: a ordem de grandeza do tamanho e da idade do nosso universo, a distância até as estrelas próximas, a estrutura heterogênea na escala das galáxias, a estrutura homogênea na escala cosmológica, … tudo isso levou 500 anos ou mais de pesquisa para ser estabelecido. E mais e mais fatos sobre a estrutura de larga escala do universo têm sido descobertos, em intervalos de tempo cada vez mais curtos. Que nós possamos conhecer tanto sobre essa estrutura do universo nas diversas escalas grandes de tamanho (com relação ao nosso tamanho) que compreendem a primeiro a Terra, depois  o sistema solar, as galáxias,  as estruturas cosmológicas,  …  acho que essa é a maior supresa que a ciência já revelou. Maior que a estranheza do mundo microscópico.

Não que eu esteja diminuindo a surpresa que o mundo microscópico revelou. Mas eu acho que essas descobertas sobre o nosso macrocosmo são as que mais chocariam as pessoas mais brilhantes dos séculos passados se fossem reveladas prematuramente. Dizer para Galileu que as estrelas mais próximas estão a 10^{14} quilômetros de distância e que conseguimos saber detalhes da estrutura de objetos que estão a 10^{20} ou 10^{21} quilômetros de distância e que temos evidências confiáveis de que o universo tem algo em torno de 10^{10}  anos de idade seria muito mais chocante do que tentar falar da estrutura atômica da matéria ou da inexistencia de trajetórias definidas para partículas microscópicas. E acho que o principal motivo para isso é que ele poderia entender isso. Talvez eu esteja errado e essas duas coisas, conhecimento das escalas do universo e a natureza microscópica da matéria sejam uma tão surpreendente quanto a outra. Certamente a segunda causou muito mais impacto de curto prazo na história do mundo, se isso é sinônimo de surpresa.

E as surpresas futuras? Algumas coisas foram sugeridas nos comentários, a maioria delas relacionadas à física de altas energias, algumas brincadeiras, poucas coisas que de fato me supreenderiam. Com o perdão da grande parte dos meus colegas arsphysicistas que trabalham nessa área, eu acho que  a física de altas energias e o mundo microscópio já são coisas tão estranhas  que a existência de alguma coisa ainda mais estranha ainda em escalas maiores de energia não me surpreenderia tanto.

O que realmente me surpreende? O quão rápido está evoluindo a neurosciência.

Um livro que 20 anos atrás dissesse que em 100 anos dominariamos a interface do cérebro com máquinas artificiais e que seriamos capazes de controlar, apenas com o pensamento, máquinas e computadores e até nos comunicarmos à distância usando redes sem fio ligadas aos nossos cérebros seria um livro de ficção científica. E seria daquelas ficções de mais remota realização. Hoje seria um livro de futurologia, daqueles até que bastante plausíveis.

Toda semana a Nature publica um ou dois artigos com feitos experimentais que seriam quase inacreditáveis alguns anos atrás. Pequenos circuitos neurais controlando pequenos robôs, neuronios crescendo estruturas em volta de eletrodos, pequenos sensores capazes de detectar o sinal elétrico emitido por um único neurônio in vivo  no cérebro de um ratinho, um macaco capaz de controlar máquinas complexas com sinais elétricos de seu cérebro a milhares de quilometros de distância através da internet. Daria calafrios nos mais imaginativos escritores de ficção-científica de 20 ou 30 anos atrás saber que essas coisas estavam tão perto de se realizar.

Claro que eu só estou falando de feitos tecnológicos e pouco de neurociência. A questão é que esses feitos vieram com a grande aumento compreensão rápido do funcionamento do cérebro. E ainda estamos nos princípios dessa compreensão. Por isso eu acho que as próximas grandes surpresas estarão associadas ao quanto podemos saber sobre como funcionam nossos próprios cérebros.

Imagem do dia…

quarta-feira, 3 dez 2008; \49\UTC\UTC\k 49 5 comentários

Em comemoração ao tempo/clima de hoje, aí vão algumas fotos esclarecedoras… ;-)

Coruja da Neve

Coruja da Neve

Coruja da Neve em vôo

Coruja da Neve em vôo

Coruja da Neve

Coruja da Neve

Para maiores informações, Coruja da Neve na Wikipedia, Coruja da Neve na National Geographic, Músculo e Mágica: Coruja da Neve.

Para algumas fotos mais in loco, divirtam-se em Outono 2008.

[]‘s.

Como reconstruir o Brasil…

quarta-feira, 15 out 2008; \42\UTC\UTC\k 42 3 comentários

Acabei de trombar no seguinte artigo:

Ele foi escrito por Jeffrey Sachs (mais sobre ele em Wikipedia: Jeff Sachs e Project Syndicate: Jeffrey D. Sachs) e mostra claramente um plano para lidar com os problemas atuais nos USA.

Na verdade, a minha pergunta é: Existem esforços semelhantes ou análogos no Brasil? Ou, em outras palavras, Qual é o Plano de Nação para o Brasil? Ou seja, onde queremos estar em 10, 15, 20, 30, 50 anos?! Quem são os nossos pensadores e intelectuais que vêm à público (o artigo acima apareceu não só na Internet, mas também na revista “Fortune”) se manifestar a respeito dessa quetão (assim como fez o Jeff Sachs, no artigo acima)?

Uma das poucas respostas que eu conheço para a pergunta acima é, Projetos de Brasil.

Um outro esforço que eu também conheço é: O BRASIL TEM JEITO? (ISBN: 857110932X, ISBN-13: 9788571109322) e O BRASIL TEM JEITO?, V.2 (ISBN: 853780035X, ISBN-13: 9788537800355).

Mas, fora isso, confesso, não conheço muito mais… claro, estou filtrando todo tipo de ‘crackpots’ e porcarias afins — só estou me concentrando em esforços sérios, científicos, robustos.

:???:

P.S.: Me lembro dum congresso que houve na Brown sobre o Brasil (a Brown tem um excelente conjunto de brasilianistas, incluindo o Skidmore“Coleção Skidmore” da Biblioteca da Brown) que reunia gente de vários lugares dos USA e Europa, incluindo o FHC, Skidmore e outros mais (que certamente estão sendo injustiçados pela minha falha memória). Num dado momento, eu perguntei sobre o “Projeto de Nação para o Brasil”… o silêncio e a pausa longa foram claros e notórios… seguidos de uma enxurrada de frases soltas, sem significado. Lembro também de alguns colegas, pegando no meu pé (brincando, como bons brasileiros que somos) depois da palestra, falando que aquilo não era pergunta que se fazia…

Acesso Livre…

segunda-feira, 6 out 2008; \41\UTC\UTC\k 41 Deixe um comentário

Hoje em dia, o movimento que visa o acesso livre vai de vento-em-popa e já praticamente dispensa apresentações; principalmente no Brasil, onde a CAPES já até desenvolveu o famoso Portal de Acesso Livre.

Porém, o que muitos não sabem é a história de como tudo isso começou, em meados de 1991, quando Paul Ginsparg (sim, aquele já conhecido pelos férmions de Ginsparg-Wilson) deu início aos arXivs.

A entrevista abaixo é uma das poucas que o Ginsparg já deu, e é excelente, recheadas de ‘causos’:

É importantíssimo também lembrar que sem o TeX, dado de presente e mão beijada para o mundo todo pelo Don Knuth, nada disso teria sido possível — o TeX é uma das primeiras linguagens de markup.

Outro ingrediente importante foi a criação da WWW por Tim Berners-Lee. Como o próprio Ginsparg conta na entrevista, TBL o contactou pessoalmente… e assim os arXivs foram levados dum servidor de FTP para um de WWW… e assim surgiu o primeiro, :!: , servidor da web no mundo!


N.B.: o servidor da HET Brown foi um dos primeiros também (se não me engano, foi o terceiro), logo em seguida dos arXivs: foi um dos meus predecessores (chamado Stephen Hahn) que o instalou, na sala de número 625 no prédio chamado Barus & Holley, e até pouco tempo atrás (quando eu atualizei e reconfigurei tudo pra rodar via Apache 2.0.63), tudo rodava naquele mesmo servidor original (um verdadeiro rinoceronte :smile: )! Enquanto isso, no Brasil, o DFMA teve uma das primeiras páginas da USP, assim como o Ciências Moleculares, que certamente foi a primeira página sobre um curso de bacharelado da USP (quiçá do Brasil — ainda me lembro do dia em que instalei o primeiro servidor HTTP no servidor do CM, ainda chamado lnx00, e começamos a brincar com HTML)! Foi nessa mesma época que nasceu o Projeto Sócrates, do qual tive a sorte de participar (mas essa é outra estória).


Bom, essa é a história do Acesso Livre, não só no mundo, mas no Brasil também… que, como vcs vêm, tem tido uma participação bem sólida nisso tudo. :smile:

[]‘s.

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