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Arquivo para a categoria ‘Scientific Politics’

Notícias da Semana…

sábado, 7 abr 2012; \14\UTC\UTC\k 14 Deixe um comentário

Nos últimos 7–10 dias, muitas notícias interessantíssimas apareceram. E vale a pena dar uma olhada no que está circulando pelo mundo afora.

  1. Brazil a Great Place to do Physics … and Other Things“: Esse primeiro link é sobre programa de intercâmbio da APS, e o caso da reportagem conta sobre um aluno que saiu da Columbia University, em NY, e foi para o CBPF, no RJ. Como diz o rapaz que fez o intercâmbio, “Given that Rio was one of Richard Feynman’s favorite places, I was sure the experience would be very interesting, and I quickly became excited about it.”. :-)
  2. Brown University forges research partnership in Brazil“: Esse segundo link é sobre a parceria que a Brown University assinou nessa semana com o IMPA (RJ). A parceria, promovida pela doação de um pai dum aluno da Brown, vai promover a colaboração em pesquisas, conferências e intercâmbios entre a Brown e o IMPA pelos próximos três anos.
  3. Open grad program allows students to pursue two fields“: Esse terceiro link é sobra um programa piloto que a Brown abriu esse ano e que poderia ser resumido como “Ciências Moleculares para a pós-graduação”. A Brown tem um currículo de graduação aberto, como o do Ciências Moleculares, desde os anos 70. E, agora, eles decidiram aplicar o mesmo princípio para a pós-graduação. A idéia é de que os alunos selecionados para participar desse experimento irão cursar seus respectivos doutoramentos, que será complementado com um mestrado em alguma outra disciplina. (A Brown permitia que seus alunos tirassem um ‘double-masters’, i.e., um duplo-mestrado até alguns anos atrás, quando essa opção foi cancelada em favor dessa nova empreitada multi- e inter-disciplinar.) E é disso que trata a reportagem, desse experimento em se ter um currículo multi- e inter-disciplinar na pós-graduação. Até onde eu conheço, essa é uma atitude completamente pioneira e que não existe em nenhuma outra escola. :twisted:
  4. How the Modern Physics was invented in the 17th century, part 1: The Needham Question“: Essa é a primeira parte (de um total de 3) de um blog convidado da SciAm, contando a história da Física moderna. Muito interessante.
  5. How Much Is a Professor Worth?“: Essa matéria do NYT trata do tópico de um novo livro que tenta comparar o salário de professores em diferentes países. Vale a pena ler pra ver em qual posição o Brasil se encontra, e como os diferentes países se comparam. Há muitos detalhes a serem analisados nessa questão todo… mas, de qualquer maneira, é um bom começo.
  6. Sociedade Brasileira de Física — Cortes no orçamento de ciência ameaçam futuro do Brasil“: o governo decidiu cortar o orçamento em cerca de 33% (comparado ao orçamento de 2010), entrando em rota de colisão com diversas conquistas recentes da política científica federal.
  7. Carnaval Is Over“: Seria esse o fim do milagre brasileiro? A FP faz uma lista dos vários fatores que influenciam essa questão.

Parcerias científicas internacionais, flexibilização do currículo da pós-graduação, história da Física, cortes do orçamento de ciência e tecnologia, e futuro econômico do país. Todas notícias relevantes e contemporâneas.

“E agora, José?”

O Lamento dum Matemático…

domingo, 21 ago 2011; \33\UTC\UTC\k 33 1 comentário

Acabei de encontrar esse artigo (PDF), escrito por Keith Devlin, onde a seguinte citação aparece:

“… The first thing to understand is that mathematics is an art. The difference between math and the other arts, such as music and painting, is that our culture does not recognize it as such. Everyone understands that poets, painters, and musicians create works of art, and are expressing themselves in word, image, and sound. In fact, our society is rather generous when it comes to creative expression; architects, chefs, and even television directors are considered to be working artists. So why not mathematicians?”

(Tradução livre: “… A primeira coisa a entender é que a matemática é uma arte. A diferença entre a matemática e as outras artes, como música e pintura, é que nossa cultura não a reconhece [como arte]. Todo mundo entende que poetas, pintores, e músicos criam trabalhos de arte, e se expressam em palavras, imagens e sons. De fato, nossa sociedade é meio generosa quando o assunto é expressão criativa; arquitetos, chefs [de cozinha], e até mesmo diretores de TV são considerados artistas. Então, por que não os matemáticos?”)

Taí uma desses “perguntinhas capiciosas” que têm a capacidade de mudar muita coisa… “Por que não os matemáticos?”

Conferência da Divisão de Partículas e Campos de APS…

segunda-feira, 8 ago 2011; \32\UTC\UTC\k 32 Deixe um comentário

Hoje (segunda-feira, 08-Ago-2011) começa a edição de 2011 da Conferência da Divisão de Partículas e Campos da American Physical Society.

O programa da Conferência pode ser encontrado no link de ‘Schedule’ da mesma.

Mais ainda, os “proceedings” da Conferência serão publicados através do eConf.

Há também uma página para a Conferência no Indico do CERN, DPF2011 @ Indico/CERN. (A razão pra essa duplicação de esforços está fora da minha alçada (coisas da dicotomia de se passar o tempo dividido entre duas insituições) — quando me chamaram pra ajudar na organização da DPF2011 esse tipo de decisão já havia sido tomada. :razz:)

De qualquer maneira, essa página no Indico contém links para os Resumos das palestras e posteres, índice dos autores e palestrantes. Em particular, nestas listagens e índices é possível se encontrar os PDF que já foram carregados para o servidor.

Eu e o Rafael estamos atendendo a DPF2011. Então, vcs podem esperar por twittadas, fotos, posts, etc, etc, etc… provavelmente não no estilo “cobertura ao vivo”, uma vez que tudo vai ser meio corrido, mas fica aí aberto o canal pra quem quiser fazer perguntas ou participar de alguma outra maneira. :wink:

O Brasil no Chronicle of Higher Education…

sábado, 9 jul 2011; \27\UTC\UTC\k 27 7 comentários

O jornal The Chronicle of Higher Education é uma das referência no mundo da Educação Superior — assim como o Times Higher Education.

No começo da semana, o Chronicle publicou a seguinte matéria sobre o Brasil: Brazil Reaches Out. Essa reportagem também apareceu no Physics Today: Brazil reaches out (Physics Today).

Pra quem está com preguiça de clicar no link da Physics Today, aqui vai o comentário deles (em sua integridade):

Chronicle of Higher Education: The Brazilian government has announced that it will fund 75,000 studentships to study abroad, worth $30,000 each. Brazil’s university system is successful, but that success is not unqualified; scientific research is highly variable in quality, and there is a shortage of researchers. Student bodies of elite universities tend to be economically homogenous. The Brazilian government recognizes that the country’s higher education system will need to expand rapidly while improving in quality if it is to support the country’s economic growth: 7.5% last year, with another 4% predicted for 2011 despite the global slowdown.

O ponto principal da reportagem é o seguinte: o governo brasileiro anunciou 75.000 bolsas-de-estudos (para estudo no exterior) no valor de US$30.000 cada. (Posso estar enganado, eu até gostaria de ter mais informações a esse respeito, mas meu entendimento é que essas bolsas são para áreas onde não há possibilidade de se fazer a pesquisa no Brasil.)

Eu, confesso, tenho algumas dúvidas. Por exemplo, como esse valor de US$30.000 é calculado e aplicado para uma bolsa de doutoramento? A tuition (custo anual) das escolas pode variar muito: nos USA, para a pós-graduação, uma escola pública (e.g., UCLA ou UCSD, SUNY-SB, Rutgers, etc) pode cobrar cerca de ~US$20.000 para alunos estrangeiros (que claramente têm origem fora do estado onde essas escolas se localizam — a anuidade para residentes do estado é consideravelmente mais baixa: cerca de 25% do valor cobrado para quem vem de fora do estado), assim como uma escola privada (Harvard, MIT, Princeton, Brown, Chicago) pode cobrar até US$40.000 por ano! E isso não inclui o salário para o doutorando, que gira em torno de US$2.000/mês (i.e., cerca de ~US$21.000–US$24.000 por ano), dando um total de até ~US$65.000 por ano. Portanto, mesmo uma média simples entre os dois tipos possíveis de anuidades já dá o valor anunciado para as bolsas, cerca de ~US$30.000.

Claro, a situação na Europa é bem diferente e varia bastante de país pra país (e.g., Reino Unido, França, Alemanha). Então, eu imagino que os valores europeus vão ser um pouco mais baixos quando comparados aos valores americanos. Por outro lado, a conta européia vem em Euros, o que torna tudo cerca de 43% mais caro que a conta americana. Então, um custo de ~€21.000 se torna algo como ~US$30.000.

Mais ainda, quem conhece gente que foi pro exterior pago pelo CNPq, sabe o quão comum é o atraso do pagamento dessas pessoas…: muito mais comum do que deveria — às vezes vc recebe por 3 meses atrasados. De qualquer modo, essa já é outra questão, apesar de relevante pra pessoa que está do outro lado do oceano.

Fora isso, também é importante se colocar esses números em comparação com os dados do post Como a Ciência escapou da Foice do Orçamento — até agora. Em particular, os seguintes artigos são de extrema relevância: Brazil cuts its science budget e Brazil’s budget cut dismays scientists . Esses cortes não precisam, necessariamente, afetar as bolsas mencionadas acima. Entretanto, as pessoas formadas por este programa de bolsas vão necessariamente (por causa do contrato da bolsa) voltar para o Brasil — o que imediatamente traz a seguinte pergunta à tona: “Com esses cortes, será que haverá empregos para esses bolsistas? Ou será que eles simplesmente vão ficar desempregados depois de voltarem? Há planos para a absorção desses bolsistas?” E por aí afora…

Portanto, a notícia soa boa, mas sem os devidos detalhes fica difícil de se saber o quão realista isso tudo é.

Reproduzo aqui o artigo do Chronicle em sua integridade.

Brazil Reaches Out

July 5, 2011, 12:14 pm, By Nigel Thrift.

In Brazil on a delegation with the Deputy Prime Minister and the Minister of State for Universities and Science. As usual with these delegations, they tend to be a mixture of frenzied last-minute reorganizations and moments of formal ceremony. They certainly require serious stamina occasioned by crammed programmes and non-stop travel.

But this delegation was buoyed by the Brazilian government’s announcement of 75,000 studentships to study abroad over the next four years, each worth $30,000, of which the UK looks set to obtain a good number.

What is striking about Brazilian higher education its range and variety. There are numerous private institutions, some of which are of good quality. There are state universities. There are federal universities. There are a number of federal science and technology institutions like CAPES, along with many national institutes of science and technology. There are a number of companies (most notably Petrobras and Embraer) which have close associations with universities. I was able to visit the University of Sao Paulo, an august institution boosted by the fact that a proportion of the State of Sao Paulo’s sales tax goes to universities (other countries take note).

What became clear to me was that Brazilian higher education is now in a state of take-off. Brazilian research is often world class. It is the 13th biggest knowledge producer as measured by numbers of papers. In particular, Brazilian research in is paramount in fields like engineering and aspects of the biological sciences.

In a meeting with luminaries from the world of Brazilian higher education, what was clear was that they are bullish about the future and that the scholarship scheme is a tangible expression of that optimism, as well as a desire to diversify the locations in which students study (which are currently led by the United Sates and France).

What is very different from many other countries which are now in economic take-off is that Brazil already has a thriving university system which has achieved many successes. It needs to expand its higher education system rapidly but the goal that has been set for participation rates seems entirely possible. In fact, it is about the same rate of expansion as the UK has achieved over the last 30 years.

There are clearly still problems. For example, the elite universities tend to be populated by students from well-off backgrounds. But Brazil is hardly the only country that can be accused of that. Again, there is very considerable variation in quality. Again, Brazil is hardly the only country that can be accused of that. It has a shortage of researchers to match its ambitions. Once more, Brazil is hardly the only country that can be accused of that.

In other words, this cannot be seen as a situation in which a country needs “help.” Rather, it requires a partnership of equals in which the non-Brazilian partner realizes that the Brazilian partner has much more to offer than the prospect of studentships abroad. Those studentships are a sign off greater engagement but an engagement that will be a two-way process right from the very start.

Como a Ciência escapou da Foice do Orçamento — até agora…

segunda-feira, 9 mai 2011; \19\UTC\UTC\k 19 1 comentário

O original, pode ser encontrado aqui: How Science Eluded the Budget Ax — For Now (DOI: 10.1126/science.332.6028.407).

É importantíssimo de se colocar esta notícia em comparação não só com os cortes oçamentários americanos, mas também com os cortes brasileiros: Brazil cuts its science budget, Brazil’s budget cut dismays scientists. De fato, duas comparações bastante interessante são as seguintes: percentual do corte orçamentário (o Brasil cortou o orçamento de Pesquisa e Desenvolvimento em ~13%), e proporção do investimento em Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao PIB (o Brasil investe ~1.25% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento).

É dentro deste contexto que a crise econômica mundial foi apenas uma “marola” no Brasil…

When details of the 11th-hour budget compromise that kept the U.S. government running emerged last week, it became clear that science programs fared relatively well. True, most research agencies will have less to spend this year than they did in 2010 (see table), and the totals generally fall well short of what President Barack Obama had requested when he submitted his 2011 budget 14 months ago. But the legislators and Administration officials who struck the spending deal managed to slice $38.5 billion from a total discretionary budget of $1.09 trillion without crippling research activities. How did that happen?

US Research Funding Budget

First and foremost, both Republicans and Democrats were working off a quiet but powerful consensus on the importance of science to economic prosperity. Last fall, Congress authorized steady increases for three key science agencies in a renewal of the America COMPETES Act, and Obama’s recent statements on the 2011 negotiations emphasized the need to continue investing in clean energy and medical research as the overall budget is cut. Second, Senate Democratic leaders had crafted a spending plan in March that, although it failed to pass the full Senate, showed how it could be done. Finally, the so-called cardinals, who chair the 12 appropriations panels in the House of Representatives and the Senate that oversee every federal agency, found ways to protect research while trimming other programs to satisfy the deal’s bottom line.

“There was no magic to it,” explains Representative Frank Wolf (R–VA), whose panel has jurisdiction over the National Science Foundation (NSF), NASA, and the National Oceanic and Atmospheric Administration and the National Institute of Standards and Technology within the Commerce Department. “Science has been a priority for me and the other longtime members of the committee because you’re talking about jobs and about helping America maintain its economic leadership,” says the veteran legislator, who entered Congress in 1981. “There has not been any controversy about this.”

His appropriations counterpart, Senator Barbara Mikulski (D–MD), says she hopes that consensus will translate into “smart cuts that don’t cost us our future. I support science funding that can spur American discovery and ingenuity to create jobs for today and jobs for tomorrow.”

Of course, a passion for science wouldn’t have been enough to carry the day without the numbers to back it up. That’s clear from the actions of the commerce, justice, and science (CJS) panels that Wolf and Mikulski lead.

In February, the Republican-led House passed H.R. 1, which slashed $61 billion from current federal discretionary spending. For Wolf’s spending panel, that translated into $8 billion less than the committee dispensed in 2010. Divvied up among dozens of agencies, the $52.7 billion number forced Wolf to cut $360 million from NSF’s $6.87 billion budget, for example, and $600 million from NASA’s $18.7 billion budget.

In contrast, the 2011 spending plan devised by Senate Democrats gave Mikulski’s CJS panel $53.6 billion to work with. That $900 million difference allowed Mikulski to be kinder to the research agencies under her jurisdiction. It pared $75 million from NSF’s budget and even provided a slight boost to NASA.

“Nineteen billion dollars was authorized, and $19 billion is what I put in my appropriations bill,” Mikulski said at a hearing last week on NASA’s 2012 budget request, referring to both a reauthorization of NASA programs that was enacted last fall and the Senate plan for 2011. “But my [spending] bill died, so NASA won’t get $19 billion.”

The 8 April budget agreement resulted in a CJS allocation of $53.3 billion for each panel. And although that figure is a bit lower than the earlier Senate version, it was enough to turn the two chairs’ support for science into fiscal reality. The Senate bill was a “guide-post showing what could be done within that allocation level,” says a senior staffer at one federal research agency. “Having the Senate offer a road map made a huge difference.”

Wolf says he was happy to be able to deliver most of what science lobbyists had sought for agencies within his jurisdiction. “I thought science ended up pretty well,” Wolf says about the final bill, pointing out that it ranked with the FBI’s fight against global terrorism as his top priority. In contrast, federal support for local and state law enforcement assistance took a big hit, as did other Justice Department programs.

Mikulski believes she did the best she could under the circumstances. But she isn’t happy with the fate of NASA, which employs thousands at its Goddard Space Flight Center outside Washington, D.C., in suburban Maryland. “NASA won’t even get the $18.7 billion it got in 2010,” she said at last week’s hearing. “Simply put, NASA will be cut more.”

With the 2011 budget finally put to bed, Congress is turning to the budget for the 2012 fiscal year that begins on 1 October. In addition to the political bickering over how to reduce a $1.5 trillion annual deficit, legislators will have to deal with the domino effect of the 2011 cuts, as activities that needed increases this year to remain on schedule will be delayed. NSF’s final budget, for example, cuts $48 million from its request to continue building a half-dozen major research facilities, including the newly launched Ocean Observatories Initiative and the National Ecological Observatories Network. A shrunken 2011 budget also means even bigger headaches for NASA’s troubled James Webb Space Telescope.

Striking a positive note, Mikulski told NASA Administrator Charles Bolden last week that “NASA will need to work harder and smarter to accomplish its inspiring mission within a smaller budget.” Wolf was less sanguine. Asked what scientists should do to maintain support for federally funded research in these fiscally stringent times, he offers a one-word strategy: “Pray.”

O Movimento dos Jovens Acadêmicos…

terça-feira, 26 abr 2011; \17\UTC\UTC\k 17 Deixe um comentário

O original, pode ser encontrado aqui: The Young Academy Movement (DOI: 10.1126/science.1206690).

I have often argued on this page that scientists need to do more than simply advance their individual research projects. Maintaining excellence in the global scientific enterprise will require constant adjustments to policies and programs. In addition, much more outreach by scientists will be needed to make science better understood by the general public and by governments. Promising progress toward both of these goals comes from a movement that is forging new organizations of young scientists—the “young academies”—around the world. A few weeks ago, a new international organization, the Global Young Academy, held its initial meeting in Berlin to discuss spreading the idea to many more nations (www.globalyoungacademy.org). This effort deserves full support from of all of society.

In 2000, a new type of organization, Die Junge Akademie (the Young Academy), was created as a joint venture by two German academies. This Young Academy was described as “an organization intended to harness the resources of both academies in ways that would fertilize research fields with new ideas and bolster career pathways, as well as invigorate older academies by involving the young scientific community in critical policy-related work.”* In 2005, a similar Young Academy was established in the Netherlands. The success of these two experiments has recently inspired six other nations to create their own Young Academies: Egypt, Nigeria, Pakistan, Sudan, Thailand, and Uganda; all nations where the tolerance and rationality inherent to science will be invaluable.

I see this empowerment of young scientists as the next step in a process that began in 1993 in New Delhi, when the national academies of sciences from more than 60 nations came together to develop a coherent scientific position on world population issues in preparation for the major 1994 United Nations International Conference on Population and Development in Cairo. This first-ever meeting of the world’s science academies soon created the InterAcademy Panel (IAP), now a vibrant global network of more than 100 member academies (www.interacademies.net). The IAP functions as a mutual support organization for the existing science academies around the world.

But the empowerment of national science academies with distinguished, well-established members can leave a gap between these influential organizations and the young, dynamic scientists who represent the future in each nation. This is precisely the gap that has been filled by the Young Academies: each a group of fewer than 200 scientists, typically selected by their national science academies to serve in 4-year leadership roles. Through its connection to a prestigious national science academy, each Young Academy is empowered to exert national leadership in advancing science through projects that the young scientists themselves determine. These young scientists can often be more effective than their older peers in interactions with society and with politicians. They also bring new energy to these interactions, with a better gender balance due to the advances that women scientists have made in recent decades.

By bringing together outstanding scientists from many different disciplines, Young Academies catalyze the formation of multidisciplinary scientific collaborations that generate innovative new discoveries. Participation in a Young Academy also strengthens a nation’s scientific enterprise by training its next generation of leaders. The work exposes them to important policy issues while building networks of trusted personal relationships that can bridge disciplines for a lifetime. And by providing a shortcut for outstanding young scientists to exert national leadership, Young Academies can be highly effective in recruiting a nation’s most talented students to scientific careers—a critical issue for the future of every nation.

By fusing the promotion of the larger goals of science with an integration of young scientists into public service, the Young Academy movement is well positioned to drive the creation of the tolerant, rational societies that the world so badly needs.

O DOE cancela uma iniciativa massiva de treinamento…

segunda-feira, 25 abr 2011; \17\UTC\UTC\k 17 1 comentário

Quem quiser ler o original, pode encontrá-lo aqui: DOE Pulls the Plug on Massive Training Initiative (DOI: 10.1126/science.332.6026.162-a). DOE é uma abreviação, em Inglês, para “Department Of Energy”, que é o órgão americano análogo ao Ministério das Minas e Energia no Brasil. Historicamente, esse é o órgão que patrocina a pesquisa científica em Física de Partículas (pense em termos da Segunda Guerra Mundial) — no Brasil, esse papel é feito pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (através do CNPq e CAPES).

In April 2009, President Barack Obama announced an ambitious education and training initiative at the Department of Energy (DOE). Speaking to members of the U.S. National Academy of Sciences, Obama said a proposed 10-year, $1.6 billion program, dubbed “Regaining our Energy Science and Engineering Edge” (RE-ENERGYSE), would “capture the imagination of young people who can help us meet the energy challenge.”

But RE-ENERGYSE never got off the ground. Congress twice declined to fund any portion of its sprawling vision, which would have included graduate and postdoctoral fellowships, summer research projects for undergraduates, professional master’s degrees in clean energy, and associate degree programs to train a clean-energy technology workforce. In February, the White House threw in the towel, dropping the program from DOE’s 2012 budget request.

Energy Secretary Steven Chu insists that the Administration remains gung ho about attracting more students into the field of clean-energy research. But its 2012 budget request signals a major shift. Instead of RE-ENERGYSE, Chu is now touting expansion of a small graduate fellowship program that is run out of an office different from the one responsible for implementing RE-ENERGYSE.

To understand why RE-ENERGYSE never got off the ground, it helps to understand DOE’s checkered history in science education. Although some previous Administrations tried to carve out a larger role for DOE in this arena, Congress has traditionally seen education as a secondary mission for a department that already has major responsibilities for science, energy, national security, and environmental cleanup. So the broad scope of RE-ENERGYSE was a red flag for some influential legislators, who also wondered why it was under the jurisdiction of the energy undersecretary when existing education and workforce-training efforts were overseen by the science undersecretary (Science, 10 July 2009, p. 130).

Kristina Johnson, the former energy undersecretary whom Chu asked to manage RE-ENERGYSE, says that it seemed clear to her. “It’s a national imperative, and the president is strongly behind it,” she explains. “So I came in, very wide-eyed, and said we should do this. As an engineer, I like to set a goal and put in place a plan and then carry it out. It’s really pretty simple.”

Although Chu tried to explain the program to legislators when testifying on DOE’s 2010 budget, Congress eliminated his request for $115 million when it approved DOE’s overall budget. The next year’s request, for $55 million, fared no better. And last October, Johnson, a former engineering dean and successful entrepreneur who joined the Administration in May 2009, left DOE and now consults for energy companies. “When she left, RE-ENERGYSE was gone, too,” says one DOE official. The Administration made it official by removing the initiative from its 2012 budget.

“There are broad STEM workforce–development programs across the federal government,” says Carl Wieman, associate director for science at the White House Office of Science and Technology Policy, in explaining the decision. “And there are plenty of other opportunities to improve STEM education.” Wieman, a physics Nobelist and science educator who joined the Administration last fall, says that RE-ENERGYSE “may have been comprehensive, but that also makes it complex to set up and make work. So the decision was that we’ll find something that Congress is happier with and move on.”

That something, Chu says, is a request for $11 million in 2012 to more than double the number of graduate research fellows supported by DOE’s Office of Science. It’s the most direct way to beef up the nation’s clean-energy workforce, he says: “The pipeline starts early, by getting [elementary and secondary school students] interested in science. But [educating] undergraduates and those in graduate school, this is something that we feel very strongly about.” Some 150 fellows are now funded under a program begun in 2009. Last month, DOE also announced a competition this year to award 20 postdoctoral fellowships for research on clean-energy technologies.

As cidades mais científicas do mundo…

sábado, 19 mar 2011; \11\UTC\UTC\k 11 Deixe um comentário

O Physics arXiv blog publicou uma matéria interessante. Mas, antes de falar da notícia, eu tenho que avisar que não estou entre os maiores fãs desse blog — na verdade, minha opinião flutua bastante: alguns artigos são bons, outros ficam bem longe disso… mas, em todos os casos, o Physics arXiv blog é bem enviesado (a seleção dos tópicos que aparecem por lá deixa isso claro além de qualquer dúvida, isso pra não falar sobre o nível das discussões, sempre bem ‘passageiro’) — e isso sempre me incomoda muito.

De qualquer forma, e sem mais delongas… eis o artigo: Mashups Reveal World’s Top Scientific Cities. O original pode ser lido diretamente nos arXivs: Which cities produce worldwide more excellent papers than can be expected? A new mapping approach—using Google Maps—based on statistical significance testing.

A discussão no ‘Physics arXiv blog’ não passa de “mais do mesmo”: ciênci-o-metria. Infelizmente, perde-se a chance de se avaliar o artigo propriamente dito, escolhendo-se apenas notificar a “mensagem” contida no mesmo. Parece até mesmo um órgão de Relações Públicas, apenas alardeando e propagandeando.

O artigo propriamente dito é de tão baixa qualidade que a vontade que se tem é de apenas se repetir o adágio invisível, que diz que os artigos dos arXivs não escritos em [La]TeX são sempre de qualidade duvidosa — pior ainda quando são escritos em Word, ou algum editor de pior qualidade ainda; sem identação apropriada (quem ainda usa ‘identação à esquerda’, ao invés de ‘justificado’? :razz:): via de regra, a falta de atenção a esse tipo de detalhe num artigo costuma refletir a baixa qualidade do material escrito. Mas, como eu disse, esse é apenas um “adágio invisível”, uma unspoken rule, que não se vê, não se ouve, e cujo perfume não se sente. :oops: :roll:

De qualquer forma, a máquina de salsicha continua na ativa: como se mensurar o imensurável: quais trabalhos científicos têm mais qualidade, quais são mais dignos de fomento, quais têm mais impacto na comunidade?

Todas essas são questões relevantes, claro, mas uma lição que a Ciência tem que aprender com a Arte é que a medição da criatividade é algo estupidamente difícil. Aliás, nem é preciso se apelar para o lado mais humanista desta questão: basta apenas se aprender Sistemas Dinâmicos corretamente (o que, de fato, parece ser algo tão complicado quanto nos dias de hoje). A razão deste meu argumento é bem simples: como se pode avaliar algo que possui resultados de médio a longo prazo (sem esperarmos por tal prazo)?

A resposta é simples: não é possível se avaliar nada que dependa de médio a longo prazo sem esperarmos tal prazo passar e medirmos o resultado efetivo do que se deseja avaliar. Ou seja, precisamos esperar o tempo passar pra podermos sequer ter a chance de sermos justos nesta empreitada! Ou seja, falando um pouco mais rigorosamente, é preciso termos acesso a todos os dados para podermos conhecer o problema de modo completo.

Infelizmente, com a idéia de que as Universidades devem ser “profissionalizadas” (sabe-se lá o que isso significa :razz:) e, mais ainda, de que toda a empreitada científica deve ser “profissionalizada”, todo esse tipo de questão métrica se torna relevante: como se pode escolher aquilo que há de “melhor” para se fomentar? Assim como numa empresa, numa linha de montagem, é preciso haver alguma forma de “selo de garantia”, alguma forma de “controle de qualidade”. (Note que não estou falando do processo de ensino de estudantes, mas sim de pesquisa científica — falar de ensino por si só abriria outra Caixa de Pandora!)

Entretanto, ao contrário de empresas, fábricas e linhas de montagem, Universidades e Pesquisa Científica [fundamental] possuem planos de ação, missões, de longo prazo, de longuíssimo prazo: há universidades com cerca de 1000 anos de existência: quantas empresas, fábricas e linhas de montagem podem dizer o mesmo?! A própria Revolução Industrial tem apenas cerca de 250 anos!

Felizmente ou não, esta é a natureza da busca pelo conhecimento, e este é o papel da Ciência, principalmente daquela dita fundamental (que costuma dar frutos bem distante das aplicações do dia-a-dia). Por outro lado, hoje em dia, na nossa Era da Informação, é possível se converter algo tão abstrato quanto Teoria dos Grafos em compiladores e navegadores. Este é o caminho da Ciência e do Conhecimento: a menos que se tenha acesso a toda informação, só se pode ver aquilo que está no curto prazo… :wink:

Isso tudo só server pra fazer com qua a analogia posta acima — entre Sistemas Dinâmicos e Funções de Partição — fique ainda mais clara aos olhos: quando vc tem acesso à Função de Partição dum problema, vc tem em mãos toda a informação necessária pra resolver o problema completamente; no caso de Sistemas Dinâmicos, como o nome indica (dependência temporal), é muito difícil de se calcular o que vai acontecer no futuro (não-linearidades, caos, etc). E, no final das contas, tudo que se quer medir são os Fenômenos Críticos, as Transições de Fases, e as Propriedades de Escala do sistema em questão.

A mensagem é clara: sem uma visão mais global é impossível se poder qualificar e medir justamente um trabalho científico. Incontáveis exemplos, de Einstein à Wilson, todos nobelistas, jamais teriam os “índices” e os “fatores de impacto” necessários, hoje, para serem contratados em regime de ‘tenure track’ — isso é claro pra qualquer um que já tenha feito o exercício mental requerido por esta questão.

Algumas empresas e alguns nichos industriais já descobriram esse fato básico da natureza humana… aliás, no âmbito de Sistemas Dinâmicos tudo isso tem nome: Cisne Negro e Dragões Reis. :twisted:

Infelizmente, parece que esse aprendizado e essa mensagem ainda não chegaram na academia — um fato bem irônico, posto que a academia é o lugar onde tais idéias (transições de fase, cisne negros e dragões reis) nasceram! :oops: Então, por enquanto, nós ainda vamos nos debelando com índices e fatores de impacto e outras bobeiras afins. Eu gostaria que fosse feito um estudo com as revistas de maior impacto, procurando-se saber quantos dos artigos publicados nestas revistas deram origens a novos caminhos e novos ramos em seus respectivos campos da Ciência. Taí uma perguntinha bem capiciosa e que por motivos “mágicos” ainda ninguém teve a idéia de responder… :roll: (Diquinha: eu não me lembro de Einstein ter publicado na Nature nem na Science, então nem as Relatividades nem a Mecânica Quântica (ou Teoria Quântica de Campos) tiveram suas origens nas revistas ditas de alto impacto; o mesmo vale, por exemplo, para as chamadas Transições Quânticas de Fase: o Kosterlitz não publicou numa revista de alto impacto — aliás, porque ninguém pergunta pro Kosterlitz o que ele pensa disso tudo, afinal de contas ele deu origem a todo um ramo da Física, logo deve saber o que significa “alto impacto científico”, não?! :razz:)

Pra finalizar, vou apenas me resignar a dizer que a análise estatística feita no tal artigo é de baixa qualidade, não apenas porque não leva em conta os cisnes negros e os dragões reis, mas também porque não leva em conta tantos outros métodos que a tornariam bem mais robusta. É uma pena, porque os “efeitos visuais”, os “efeitos especiais”, do artigo são bem bonitinhos… [bonitinhos mas ordinários! :razz:]

[]‘s.

Atualizado (2011-Mar-19 @ 11:15h EDT): Ah… a ironia do destino. Assim que acabei de escrever o post acima, trombei no seguinte livro: Little Bets: How Breakthrough Ideas Emerge from Small Discoveries. O ponto do livro é clararamente exposto no título, mas também já foi feito por Asimov,

“The most exciting phrase to hear in science, the one that heralds new discoveries, is not ‘Eureka!’ (I’ve found it!), but ‘That’s funny…’”

Isaac Asimov.

Experimentação, passo-a-passo, erros e mais erros… é assim que se faz Ciência: a idéia de que pesquisa e progresso é feito através duma seqüência de ‘acertos’, de passos corretos, não poderia estar mais distante da realidade… c’est la vie

Zipcast e TED Conversations…

quarta-feira, 16 fev 2011; \07\UTC\UTC\k 07 3 comentários

Dois lançamentos nesta semana estão marcando um passo interessante na Web2.0:

  • Zipcast: é um programa para ‘webconference’ que roda em HTML5, i.e., é um formato nativo em qualquer navegador moderno que suporte HTML5. O serviço é provido pelo SlideShare, que é um site que provê o serviço de compartilhação de palestras e apresentações (transparências, slides) — basta vc abrir a apresentação que deseja (sua mesmo, devidamente carregada no SlideShare; ou qualquer outra apresentação disponível no site) e clicar para inicializar uma seção de Zipcast. Aí basta vc convidar seus amigos e pronto: sua webconference está em ação. ;-)
  • TED | Conversations: Essencialmente, é um fórum de discussões promovido pelo TED, onde os usuários interagem através de debates, perguntas, ou propondo idéias. Quem quiser maiores informações pode dar uma olhada em Getting started. ;-)

Vale a pena conferir ambos… como o Zipcast roda em HTML5, é bem possível que ele se torne uma plataforma robusta de webconference (competindo com o EVO e até mesmo com as versões mais modernas do Skype, que permitem ‘conference calls’ com vídeo de mais de uma pessoa). O TED todo mundo já deve conhecer, então, quem sabe a qualidade do ‘Conversations’ não é mantida em pé-de-igualdade com a das palestras. ;-)

As usual, you can use Google Translate to convert this post from pt_BR to en_US.

Would the Bard Have Survived the Web?

terça-feira, 15 fev 2011; \07\UTC\UTC\k 07 3 comentários

O New York Times tem um artigo de opinião de hoje entitulado Would the Bard Have Survived the Web? (“Teriam os menestréis sobrevivido a Internet?”, tradução livre). Vcs podem ler o artigo em Inglês seguindo o link acima, ou, se preferirem, podem ler a tradução para pt_BR via Google Translate.

Aqui vão meus comentários sobre o assunto:

  • Poor understanding of the concept of “market”, as it was done in the past and as it is done today, in our “Information Era”;
  • Poor understanding of the concept of “intellectual property” and “copyright”;
  • Pathetically dismissive argument against “[a] handful of law professors and other experts”: a 6-line paragraph? Out of which, only a single phrase address the actual point?! Seriously, this is the best these 3 people could do to ground their defense in solid and robust arguments?! They couldn’t even come up with a typical list of pros and cons? Deconstructing this 1-paragraph argument is really a silly exercise: the misunderstanding of the differences between “Science” and “Technology” is enough to make this 1-paragraph self-destructive. This is pretty shameful… :-(
  • Here are a couple of question that i would like answer: if “Science” had patented some of its *basic* and *fundamental* research outcomes, like the following, what would these same folks be saying, what would their tune be: electromagnetism (TV, radio), quantum mechanics (modern electronics, semiconductor devices, X-rays, MRIs, etc), general relativity (GPS; fluid mechanics: think missiles and torpedos)? What would happen if all of these *fundamental research* discoveries had been patented, copyrighted and “intellectual property-ed”?! Science, Physics in fact, would definitely not need any government support today, nor run the risk to have DOE’s budget completely slashed (regarding research support).
  • And, the cherry on the top of this piece, is the constant comparison with the Dark Ages, with the Medieval Times… seriously: the world really did not change since then?! Over 300 years have passed and the best these 3 gentlemen can do is propose a “market” as it was done over 3 centuries ago? This is their *very best* solution to address their “problem”? Do they even understand that the very concept of “market” has changed in these 3 centuries? Do they understand that the very core of their issue is exactly the grasping to understand what the “Web” really means and how to best use it? Do they realize that people don’t quite know what to do with this deluge of information and possibilities coming from the Web? :sigh: :-(

O futuro da revisão-por-pares…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 2 comentários

Depois da invenção dos arXivs, o problema de distribuição de publicações científicas foi efetivamente resolvido. Dessa forma, o papel dos jornais acadêmicos ficou essencialmente resumido à revisão-por-pares. Ou seja, no frigir dos ovos, o valor agregado que as jornais acadêmicos acrescentam aos artigos é apenas a revisão-por-pares, uma vez que a distribuição desses artigos não é mais problema na Era da Informação.

[N.B.: Pense em termos de uns 400 anos atrás, na época de Galileu: era preciso um manuscrito viajar de cavalo ou barco para que sua distribuição fosse efetivada. Claro que as coisas melhoraram com o correio moderno e com a invenção dos aviões... mas, no final das contas, o processo de distribuição continuava o mesmo em sua natureza: era preciso haver uma mudança física, mecânica, de um lugar para outro. Hoje em dia isso não é mais verdade: organizar, colecionar e distribuir artigos é uma tarefa essencialmente trivial: o exemplo dos arXivs sendo o mais gritante, e PLoS sendo um segundo exemplo. Infelizmente, eu não conheço nenhum esforço dessa natureza Free-Open Access nas Humanidades nem nas Ciências Sociais: seria muito interessante conhecer esforços nessas direções.]

Entretanto, atualmente há também um movimento para “aliviar” os jornais acadêmicos inclusive dessa atividade:

Felizmente (ou não :-P ), esta não é uma idéia nova: esforços nesta direção já têm sido promovidos há anos. Vejam os exemplos abaixo,

Esses esforços costumam vir sob o nome de Ciência 2.0 — apesar de que, atualmente, já está se falando em Ciência 3.0!

[N.B.: Resumidamente, o "2.0" significa a incorporação das ferramentas de Web 2.0, enquanto que o "3.0" significa que metadata é usada de modo "decente" (ie, como a coisa foi designed para funcionar ;-) ).]

Mais ainda, há movimentos em direções ainda mais ambiciosas, como os abaixo,

Tanto o MathJobs quanto o AcademicJobsOnline têm o intuito de organizar e facilitar a busca de empregos (postdocs, professores, etc) em Matemática e Ciências em geral, respectivamente. Isso tem melhorado o processo infinitamente: antigamente, era preciso se escrever cartas de aplicação para diversas (até centenas!) e instituições; hoje em dia basta vc carregar seu material nesses sites e selecionar os empregos que vc gostou — o resto acontece automaGicamante. 8-)

De fato, nossa Era Digital trouxe ferramentas absolutamente fantásticas, que conectam o mundo da pesquisa de modo nunca d’antes navegado… Claro, como toda espada, esta também tem dois gumes: o ‘lado negro’ de toda essa facilidade e conectividade é o atual campo da cienciometria, onde se acredita que é possível se mensurar “criatividade científica” através de índices que, na melhor das hipóteses, são apenas parciais (ie, são índices cujo significado estatístico é questionável).

Enfim, este é um momento bastante conturbado… mas que certamente não deixará “pedra sobre pedra”. ;-)

This post translated to English (en_US) (courtesy of Google Translate).

Café científicos levando ciência para o público leigo…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 3 comentários

Está aí uma iniciativa excelente que está demorando para go viral:

Os Cafés Científicos são uma idéia que, pessoalmente, eu considero brilhante: um cenário informal, relaxado, onde as pessoas podem ouvir algum palestrante falar sobre Ciência — e, melhor ainda, depois da palestra, debater sobre o que foi dito. Aliás, de fato, o foco é maior no debate do que na palestra propriamente dita: a idéia é passar a informação de modo bem objetivo e, depois, deixar a platéia guiar a discussão.

Quem faz Ciência sabe: deixar a curiosidade ( :!: ) guiar o debate científico é uma das formas mais entusiasmantes de se fomentar a criatividade. Essas digressões tangenciais que aparecem a todo momento nesse tipo de discussão são fundamentais pra se ‘mapear’ o ‘espaço’ do assunto sendo atacado. Quem não conhece, pode achar esse approach meio caótico… mas, é um método excelente pra se obter uma ‘imagem’ do objeto em questão.

O realejo do dia…

quinta-feira, 27 jan 2011; \04\UTC\UTC\k 04 5 comentários

Será que é preciso mudar alguns paradigmas de Educação?

Algumas perguntas:

  • “O que o vídeo acima implica sobre a ‘logística escolar’ (como comparar a ‘linha de montagem escolar’ com a ‘linha de montagem da Toyota’)?”
  • “O que o vídeo implica para esforços de Open- e Free-Access?”
  • “O que o vídeo implica para estudos multi- e inter-disciplinares?”
  • “O que o vídeo implica sobre Science2.0 e 3.0?”
  • “O que o vídeo implica sobre as ‘propriedades de escala’ dos nossos sistemas de administração (educação, saúde, segurança, etc)?”

Muitos (senão todos) dos métodos que temos hoje sobre governança e administração evoluíram dos originais criados para administrar nações de cerca de alguns [poucos] milhões de pessoas — o que fazer, então, quando as nossas nações têm centenas de milhões de pessoas?! Será que esses mecanismos escalam de modo apropriado?

P.S.: Só pra apimentar: Why Our Best Officers Are Leaving — Será que estamos escolhendo e mantendo nossos melhores cientistas? Será que há problemas em comum com os relacionados neste artigo? Como este artigo se relaciona com o vídeo acima?

Comunidades e Grupos Criativos dentro da Ciência 2.0…

sexta-feira, 30 jul 2010; \30\UTC\UTC\k 30 Deixe um comentário

Eu pretendo expandir esse post com comentários e observações pertinentes. Mas, por enquanto, vou usá-lo como um ‘cabide’ para os links abaixo, que são muito interessantes e já vêm me atiçando há tempos pra escrever esse post (eu ando sem tempo :razz: )

No intuito de tornar essa experiência criativa ainda mais interativa, não posso esquecer de mencionar o TwitCam e o TwitVid: enquanto o TwitCam é um serviço em tempo real (incluindo um campo para interação com a audiência via Twitter), o TwitVid é um serviço nos moldes do YouTube (mas com um limite maior para o tamanho do vídeo :wink: ).

Uma outra plataforma para interação em tempo real, com um bom grupo de funcionalidades, é o EVO. Aliás, aqui no AP, nós já tentamos usar o EVO para os Encontros do Ars Physica.

Bom, esse é o amontoado de idéias desconexas que eu tinha pra deixar por aqui… por enquanto… :twisted:

Atualizado (2010-Jul-31 @ 2240h EDT): O Carlos Hota escreveu um post interessante no blog dele, e eu deixei um comentário bem grande… nos moldes do que eu queria ter escrito aqui: não coloquei aqui, mas pus lá. :cool:

Relendo o texto, agora, acho que poderia tê-lo escrito melhor… mas, c’est la vie… Aí vai o link: Comentário sobre “aprendendo a voar”.

Realejo do Dia: Humanismo Científico…

quinta-feira, 25 mar 2010; \12\UTC\UTC\k 12 2 comentários

O Sam Harris deu uma palestra no TED muito provocativa, com o título de “Science can answer moral questions” (que certamente tem a ver com o novo livro dele, The Moral Landscape: How Science Will Determine Human Values):

É claro que os exemplos mais “radicais” que ele cita só servem pra ilustrar os extremos do espectro nessa problemática toda. Entretanto, algumas imprecisões no discurso dele (e de outros), já foram comentadas a exaustão, e.g.: The Mystical Ethics of the New Atheists.

O ponto que eu considero principal e relevante, entretanto, não são esses pontos mais controversos (usados para “chocar” a audiência, tornando o ponto discutido mais concreto) que me interessam, mas sim o fato de se trazer para o diálogo social a noção de Humanismo Secular e Científico. O importante é se introduzir cada vez mais racionalidade no debate social — e nada melhor pra isso do que a penetração do jornalismo científico, cada vez maior e mais robusta, de qualidade, que possa garantir que o público leigo tenha acesso as informações necessárias para poder compreender as nuances e sutilezas envolvidas nas diversas questões relevantes no debate público atual.

Então, o real valor da palestra não está implícito no choque dos exemplos, mas sim na inserção de racionalidade e de um método científico pra se decidir as questões que aparecem no nosso dia-a-dia.

Seminário de Física-Matemática de Königsberg…

sábado, 6 mar 2010; \09\UTC\UTC\k 09 2 comentários

ResearchBlogging.org

Königsberg é uma cidade na Alemanha famosa por suas sete pontes. Mas, há outra razão também: 150 anos depois dessas pontes inspirarem Euler, nos idos de 1880, a Universidade de Königsberg possuia um seminário de Física-Matemática, que ajudou a formar a carreira científica de David Hilbert e de Hermann Minkowski.

O simples fato de que esse tipo de seminário existia naqueles tempos é um tributo às reformas (Era Prussiana) no sistema educacional alemão: essas reformas começaram com as idéias de Martinho Lutero, que desejava que todas as pessoas devessem ser educadas para poderem ler e interpretar a Bíblia por si sós, independentemente. Foi esse conceito de educação obrigatória que se tornou o ideal educacional alemão da época.

No século 18, o então “Reino da Prússia” foi um dos primeiros países do mundo ( :!: ) a introduzir educação gratuita e obrigatória. Por volta de 1810, depois das “Guerras Napoleônicas“, a Prússia introduziu o conceito de “certificações estaduais” para professores, o que levantou significativamente o nível da educação naquele país.

O Seminário de Física-Matemática nasceu com Franz Neumann e Carl Jacobi — eles foram patrocinados por Friedrich Wilhelm Bessel, astrônomo e diretor do observatório. Esse foi o primeiro seminário oficial da Prússia a incorporar métodos matemáticos no ensino de Física — um passo com muitas conseqüências: a universidade se tornou o centro duma escola de física-matemática, o que moldou a formação dessa disciplina de modo substancial!

Eis algumas outras conseqüências desse Seminário:

  1. Os atendentes dos seminários, jovens pesquisadores, transferiram as idéias educacionais básicas pra outras universidades, onde elas eram adaptadas e desenvolvidas. Isso é muito análogo ao conceito moderno de pós-doutorado, onde o recém-doutor deixa sua instituição e vai exercer seu primeiro emprego, como pós-doutor, em outra instituição, levando consigo os ensinamentos e idéias adquiridas em sua alma matter;
  2. No contexto científico da Física e da Matemática, o Seminário influenciou fortemente o desenvolvimento de áreas de pesquisa e metodologias; &
  3. Devido a responsabilidade pedagógica e esforço pessoal de Franz Neumann, por mais de 4 décadas, o Seminário tem que ser visto como o começo duma nova disciplina, que pode ser chamada de Física Teórica (ou Física Matemática).

Ainda mais importante que o Seminário, foi o Colóquio semanal, em matemática, estabelecido por Lindemann (em 1884). O Colóquio oferecia um fórum para palestras e diálogos científicos no nível de pesquisa (ao contrário do Seminário, cujo objetivo era mais pedagógico, no sentido de ensinar os tópicos expostos) :!:

Para mais detalhes e maiores diversões… o artigo abaixo é muito gostoso de se ler. :twisted:

Referências

  • Schwermer, J. (2010). Minkowski in Königsberg 1884: A talk in Lindemann’s colloquium Bulletin of the American Mathematical Society, 47 (2), 355-362 DOI: 10.1090/S0273-0979-10-01291-7

O realejo do dia…

segunda-feira, 15 fev 2010; \07\UTC\UTC\k 07 Deixe um comentário

Lord Rees, Presidente da Royal Society e o Astrônomo Real da Grã-Bretanha, conversa com Matin Durrani, Editor da Physics World, sobre o porquê do papel vital da Royal Society mesmo depois de 350 anos de sua fundação — e porquê o Presidente Obama estava certo ao cancelar as missões americanas tripuladas à Lua. (Sobre esse último ponto, o Weinberg também se manifestou positivamente em relação à decisão do Obama: Obama Gets Space Funding Right. :twisted: )

Winter Workshop on Non-Perturbative QFT…

segunda-feira, 18 jan 2010; \03\UTC\UTC\k 03 Deixe um comentário

I’m live tweeting the Winter Workshop in Non-Perturbative QFT. The tweets are being tagged with #wwnpqft and can all be found at,

Have fun! :twisted:

Non-Perturbative QFT…

domingo, 17 jan 2010; \02\UTC\UTC\k 02 3 comentários

O Instituto Não-Linear de Nice vai realizar um Workshop de Inverno sobre QFT não-perturbativa — e eu fui convidado a dar uma palestra. :twisted:

O Workshop começa amanhã e eu já estou no gás todo (apesar da horrível viagem de SP pra Paris)! :wink:

Quem se interessar, minha palestra pode ser vista no seguinte link,

Se for possível, eu vou tentar fazer ou um live blogging (aqui no AP) ou um live tweeting (no meu twitter): não prometo nada mas, fiquem de olho… quem sabe não dá certo?! :wink:

Questão da Fuvest sobre o LHC

quarta-feira, 6 jan 2010; \01\UTC\UTC\k 01 4 comentários

Nesse final de semana, dos dias 3 a 5, aconteceu a segunda fase do vestibular da Fuvest, o maior do país. Através desse tópico do Orkut fiquei sabendo de uma questão multidisciplinar de Física. A Fuvest ainda não divulgou a prova oficialmente, mas o site da Uol, através do curso pré-vestibular Objetivo, tem a questão e um modelo de resposta em seu site.

O ítem ao qual me refiro é o c, cujo enunciado diz:

Além do desenvolvimento científico, cite outros dois interesses que as nações envolvidas nesse consórcio teriam nas experiências realizadas no LHC.

Antes de qualquer comentário, vou repetir aqui o modelo errado de resposta que aparece no site hoje (06-jan-2010):

Além dos interesses científicos, os países envolvidos no projeto LHC possuem interesses geoestratégicos. Tais pesquisas poderão servir à indústria bélica, por exemplo, no desenvolvimentos de novas armas. Não se pode descartar ainda os interesses econômicos, como na dinamização de processos produtivos, ligados a setores civis, destacando-se o setor energético e o desenvolvimentos de novos produtos, materiais e processos que podem permitir uma provável redução de custos na produção.

(os grifos são meus)

Antes de mais nada, queria frisar que acho a questão fenomenal, embora não seja exatamente uma questão de física, mas sim de geopolítica e história. Contudo, essa é uma grande questão no desenvolvimento científico de um país: como justificar o investimento de dinheiro em ciência básica, que muitas vezes parece, para as pessoas ingênuas, ser um fundo morto?

Investir em ciência não é jogar dinheiro fora e já tivemos outros posts aqui no blog falando sobre isso, inclusive mostrando números. O importante nesse caso é esse questionamento ter aparecido numa prova de vestibular, o que certamente força e forçará que essa questão tão importante para um plano de desenvolvimento nacional seja discutida ainda quando os cidadãos estão se formando.

Por outro lado, a resposta dada pelo profissional que montou o gabarito e divulgada pelo curso pré-vestibular Objetivo, é um grande atraso. Mostra justamente o tipo de pré-concepção que resulta numa percepção pública errada e possivelmente danosa para ciência básica.

O LHC é um experimento de ciência básica. Ele não tem qualquer tipo de serviço, mesmo que secundário, à indústria bélica ou de geração de energia, como diz o modelo de resposta divulgado. É verdade que há interesse econômico no LHC, mas isso não é a resposta e sim a pergunta. A resposta correta para essa pergunta, que não é raza, envolve a maneira não trivial como o dinheiro envolvido em ciência retorna ao país: principalmente através da formação de profissionais de altíssima capacidade para resolver problemas, sejam eles de física básica ou de outras questões tecnólogicas.

Eu não estou dizendo que qualquer profissional que trabalhe no LHC seja um exímio especialista em qualquer área de tecnologia. Muito pelo contrário, eu diria: o perfil das pessoas que trabalham nesses experimentos é por muitas vezes de uma pessoa hiper-especialista e muito limitada. São poucos os que realmente se destacam pela sua colaboração (a questão é que em física experimental é mais difícil de ver isso que em física teórica). Mas o importante, nesses grandes experimentos, é o esforço coletivo. É a expertise do grupo e não de um indivíduo apenas.

Claro que a questão não quer uma resposta longa na forma de uma dissertação discutindo esses aspectos não-triviais. Experimentos de Física de Altas Energias, como o do CERN, forçam o desenvolvimento de várias tecnologias associadas como de eletrônica muito rápida em ambientes com muita radiação, computação, criogenia, entre outras coisas… No caso dos experimentos do LHC há um esforço particular para o desenvolvimento da chamada GRID de computação e a estrutura de redes com velocidade e qualidade de serviço para que ela funcione. A resposta correta à pergunta certamente vai nessa direção.

Claro que tudo isso – GRID e afins – é bem secundário, cientificamente falando. Mas é necessário para as questões discutidas aqui: a correta percepção pública da ciência. Afinal, foram 10 bilhões de dólares investidos e não foi a toa. Não é tanto dinheiro assim1, mas em qualquer jornal da mídia, quando essa quantia é citada, o que mais se vê é gente dizendo que esse dinheiro não deveria ser investido em ciência. Esse esperneio despropositado começa em sala de aula, quando os professores, que são os primeiros formadores de opinião, dão esse tipo de resposta absurda à questão.

1. Claro que 10 bilhões de dólares é, em termos abolutos, muito dinheiro. Mas um experimento desse envolve em torno de 10 mil pessoas e dura em torno de 20 anos. Então, é algo como um investimento de 50 mil dólares para um experimento por ano, por pesquisador. O que não é tanto assim para o padrão de qualquer ciência.

Bolsas para pós-graduação em física no Brasil e nos EUA

terça-feira, 29 dez 2009; \53\UTC\UTC\k 53 Deixe um comentário

Muitos já devem ter percebido que 3/4 dos editores desse blog fazem ou fizeram seu doutoramento nos EUA. Como tal, acho que temos algo a falar sobre isso. Eu queria discutir algo que é de extrema importância para qualquer pessoa: dinheiro. Meu objetivo não é chorar mágoas, até porque não tenho nenhuma nesse aspecto, mas sim deixar clara uma realidade.

Existe diversos desafios em viver nos EUA enquanto se faz uma pós-graduação e certamente dinheiro é uma delas. A situação do aluno estrangeiro nos EUA é muito diferente, por exemplo, do aluno estrangeiro no Brasil. A primeira grande diferença é que não há bolsas (fellowships) para alunos estrangeiros nos EUA. Por exemplo, agora em novembro o DOE abriu oportunidade para sua prestigiosa bolsa. Contudo, se você ler o edital verá que apenas cidadãos americanos podem se candidatar. Para ter uma base de comparação, você pode ir no site equivalente da FAPESP que tem a bolsa de maior prestígio no Brasil e verá que no Brasil a única exigência para se ter uma bolsa de doutorado é ser um potencial bom aluno de doutorado. Ou seja, se você já não tiver uma bolsa quando chega nos EUA, por exemplo, da CAPES-Fulbright ou, mesmo bolsa da Fulbright sem ligação à CAPES, você não vai conseguir outra.

Para quem não tem bolsa, a forma de suporte é através de TA (assistência de professores), quando você é pago diretamente pela universidade para dar aula, ou RA (assistência de pesquisa), quando você é pago por um grupo de pesquisa para fazer pesquisa junto com eles. Acho que já falei sobre essas atividades aqui no blog e não quero me repetir, o objetivo desse texto é só comparar a situação financeira do aluno no Brasil e nos EUA. Vamos então falar sobre valores, onde também há grande disparidade. Um fellowship desses disponíveis apenas para americanos é de aproximadamente 30-35k dólares por ano. Uma atividade de RA paga em torno de 22-25k dólares por ano. A bolsa da CAPES é de 1.3k por mês, o que dá 15.6k dólares por ano. Para se ter uma comparação de como isso é pouco, no ano de 2008, o governo americano traçou a linha de pobreza como uma renda anual de 11.2k dólares.

Se esse dinheiro já parece pouco, aí que vem a próxima supresa que todo se lembram no mês de abril: dinheiro recebido para fazer pós-graduação nos EUA também é sujeito a imposto de renda, diferentemente do Brasil. E aí o aluno estrangeiro tem outra disparidade: ele, além de ganhar menos ainda paga mais imposto (eu colocaria links aqui, mas a documentação do IRS é tão confusa que nem vale a pena).

Last but not least, há também o programa de Summer Federal Work-Study, que garante aos americanos o dinheiro durante as férias de verão enquanto os alunos internacionais, se voltarem para casa, ficam sem receber nada durante todo esse período. Alunos internacionais terminam com reduzindo suas férias a um mínimo possível e ainda tem que convencer algum grupo de pesquisa a pagar um salário durante o verão, o que é particularmente complicado nos primeiros anos da pós-graduação (mas praticamente garantido após você ter um orientador). Lembre-se que aluguel, contas e afins continuam vencendo durante o verão, e esse dinheiro tem que vir de algum lugar.

É difícil afirmar que há xenofobia (preconceito) envolvido. Poderíamos dizer que é reserva de mercado, mas eu não consigo deixar de achar socialmente injusto, principalmente se levarmos em conta que 36% dos alunos de pós-graduação em ciências e engenharia nos EUA não são americanos (chegando a 40% em física e 42% em matemática. Essa página da NSF é a única estatística em nível nacional dos alunos de pós-graduação nos EUA, mas é muito bem feita, vale a pena a visita). Mas talvez eu só esteja sendo parcial…

A realidade é que esse cenário vem piorando muito. Desde 9/11, passando por crises econômicas mundiais e novas tentativas de sequestro de aviões a cada ano o financiamento de estudantes é pior e os primeiros a sofrerem são os estudantes internacionais. Pelo que contam colegas nas UC (Berkeley, Santa Barbara, Los Angeles…), a situação financeira daquele estado[1] é tão séria que há alguns anos que o número de alunos internacionais financiados foi reduzido a um mínimo nunca visto antes.

Mas vale a pena? Claro que vale, só podia ser mais simples…

[1] Todos os links desse post são para páginas departamentais ou grandes jornais da mídia. Esse link é para o blog Cosmic Variance e, mais que isso, a entrada em questão é tão passional quanto as minhas nesse blog. Porém, veja as sugestões propostas: além da óbvia maior taxação sobre gasolina e petróleo há essa discussão crescente sobre a legalização da maconha. Eu não quero discutir isso nesse blog, não é o lugar, mas não posso deixar de comentar a ironia do Schwarznegger poder ser o governador responsável pela legalização da maconha num estado americano. E eu que achava que ver o Flamengo campeão brasileiro já era surpresa suficiente por uma década…

Realejo do dia…

terça-feira, 8 dez 2009; \50\UTC\UTC\k 50 Deixe um comentário

y = exp(x)

y = exp(x)

Aquecimento global…

terça-feira, 8 dez 2009; \50\UTC\UTC\k 50 Deixe um comentário

Ultimamente, principalmente depois do “climategate“, muito tem se discutido sobre o aquecimento global. Então, eu achei que um infográfico mostrando os principais argumentos lado-a-lado, poderia ser útil,

THE CLIMATE DENIERS VS THE CONSENSUS

THE CLIMATE DENIERS VS THE CONSENSUS

É claro que ainda existem perguntas extremamente importantes e relevantes acerca do papel das algas, dos plânctons (produção de oxigênio), dos corais, das nuvens (reflexão dos raios solares), e do ciclo do nitrogênio e do ciclo do metano. Mas, não é por isso que aquilo que já se sabe deve ser descartado. :razz:

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