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Archive for the ‘Educação’ Category

Notícias da Semana…

sábado, 7 abr 2012; \14\UTC\UTC\k 14 Deixe um comentário

Nos últimos 7–10 dias, muitas notícias interessantíssimas apareceram. E vale a pena dar uma olhada no que está circulando pelo mundo afora.

  1. Brazil a Great Place to do Physics … and Other Things“: Esse primeiro link é sobre programa de intercâmbio da APS, e o caso da reportagem conta sobre um aluno que saiu da Columbia University, em NY, e foi para o CBPF, no RJ. Como diz o rapaz que fez o intercâmbio, “Given that Rio was one of Richard Feynman’s favorite places, I was sure the experience would be very interesting, and I quickly became excited about it.”. 🙂
  2. Brown University forges research partnership in Brazil“: Esse segundo link é sobre a parceria que a Brown University assinou nessa semana com o IMPA (RJ). A parceria, promovida pela doação de um pai dum aluno da Brown, vai promover a colaboração em pesquisas, conferências e intercâmbios entre a Brown e o IMPA pelos próximos três anos.
  3. Open grad program allows students to pursue two fields“: Esse terceiro link é sobra um programa piloto que a Brown abriu esse ano e que poderia ser resumido como “Ciências Moleculares para a pós-graduação”. A Brown tem um currículo de graduação aberto, como o do Ciências Moleculares, desde os anos 70. E, agora, eles decidiram aplicar o mesmo princípio para a pós-graduação. A idéia é de que os alunos selecionados para participar desse experimento irão cursar seus respectivos doutoramentos, que será complementado com um mestrado em alguma outra disciplina. (A Brown permitia que seus alunos tirassem um ‘double-masters’, i.e., um duplo-mestrado até alguns anos atrás, quando essa opção foi cancelada em favor dessa nova empreitada multi- e inter-disciplinar.) E é disso que trata a reportagem, desse experimento em se ter um currículo multi- e inter-disciplinar na pós-graduação. Até onde eu conheço, essa é uma atitude completamente pioneira e que não existe em nenhuma outra escola. 😈
  4. How the Modern Physics was invented in the 17th century, part 1: The Needham Question“: Essa é a primeira parte (de um total de 3) de um blog convidado da SciAm, contando a história da Física moderna. Muito interessante.
  5. How Much Is a Professor Worth?“: Essa matéria do NYT trata do tópico de um novo livro que tenta comparar o salário de professores em diferentes países. Vale a pena ler pra ver em qual posição o Brasil se encontra, e como os diferentes países se comparam. Há muitos detalhes a serem analisados nessa questão todo… mas, de qualquer maneira, é um bom começo.
  6. Sociedade Brasileira de Física — Cortes no orçamento de ciência ameaçam futuro do Brasil“: o governo decidiu cortar o orçamento em cerca de 33% (comparado ao orçamento de 2010), entrando em rota de colisão com diversas conquistas recentes da política científica federal.
  7. Carnaval Is Over“: Seria esse o fim do milagre brasileiro? A FP faz uma lista dos vários fatores que influenciam essa questão.

Parcerias científicas internacionais, flexibilização do currículo da pós-graduação, história da Física, cortes do orçamento de ciência e tecnologia, e futuro econômico do país. Todas notícias relevantes e contemporâneas.

“E agora, José?”

As Raízes da Metafísica…

segunda-feira, 22 ago 2011; \34\UTC\UTC\k 34 1 comentário

Acabei de ler o post The Roots of Metaphysics que trata do Paradoxo de Russell — que tem a mesma natureza do Argumento Diagonal (o fato de que os Reais são incontáveis).

Entretanto, no sentido exposto no texto — “(…) no set of existential statements can entail a universal statement” —, a primeira coisa que veio a minha mente foi o Teorema do Limite Central (e suas “variações sobre o tema”). Ou seja, apesar dos pesares, minha crítica ao texto, ao modo como o problema foi exposto no texto, é que eu não achei que a noção de recursividade ficou exposta de modo claro o suficiente (de modo que se note que ela é o ‘pilar’ por detrás do problema sendo tratado). A analogia feita no texto é a de que enquanto a afirmação “todos os morcegos estão na pia” é universal, a afirmação “há um morcego na pia” é existencial. O problema dessa analogia é que nós já sabemos, a priori, que o número de morcegos é finito (assumindo, claro, que só existem morcegos no nosso planeta), o que faz uma diferença enorme em toda essa brincadeira. Num certo sentido, o problema dessa analogia está no Paradoxo de Banach–Tarski: se fosse possível, através dum corte ao meio, se obter dois morcegos idênticos entre si, a partir dum morcego original, aí sim, essa seria uma analogia bona fide, uma vez que a recursividade estaria então implementada no problema. Aliás, é por essas, e outras, que existem diferentes formulações da Teoria de Conjuntos, como, e.g., Teoria de Conjuntos de Zermelo–Fraenkel (e suas respectivas objeções), assim como Teoria de Topos e Teoria de Conjuntos de Tarski–Grothendieck.

Acho interessante ver que o Paradoxo de Russell é de ~1925… e que, por exemplo, os Teoremas de Incompletude de Gödel são de 1931: quando postos em contexto, acho que as implicações são bem interessantes. :wicked:

No final das contas, esse assunto tem um nome: Meta-Matemática — leia mais sobre isso em Meta Math! The Quest for Omega e Omega and why maths has no TOEs. Ou seja, como devemos usar a matemática pra avaliar a própria matemática?

Num certo sentido, isso me leva a pensar diretamente sobre o conceito de Grupo de Renormalização, Teorias Efetivas e Espaço de Teorias (em física teórica) (ver também Grupo de Renormalização Funcional). Ou seja, em Física existem teorias que são fundamentalmente desconexas (como, por exemplo, a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica); entretanto, existe todo um outro conjunto de teorias que estão conectadas via o Grupo de Renormalização: ou seja, existe uma teoria pra explicar cada conjunto de graus-de-liberdade (ie, as variáveis que descrevem uma determinada teoria); entretanto, é possível se rearranjar um conjunto de graus-de-liberdade de modo a se obter as variáveis relevantes para se explicar outra teoria — esse fenômeno leva o nome de Transição de Fase.

Nesse sentido, existem várias escalas relevantes para a Física, que efetivamente formam “ilhas de teorias”, ou “ilhas de verdade” (à la Gödel). Dessa forma, acabamos com um sistema multi-fractal: a auto-similaridade consiste no fato de que toda a estrutura Física se repete nas diversas escalas: Lagrangianos, [quantização via] Integral de Trajetória de Feynman, Renormalização, etc, etc, etc — exceto, claro, por pontos-fixos não-triviais no Fluxo de Renormalização. 😉

Conferência da Divisão de Partículas e Campos de APS…

segunda-feira, 8 ago 2011; \32\UTC\UTC\k 32 Deixe um comentário

Hoje (segunda-feira, 08-Ago-2011) começa a edição de 2011 da Conferência da Divisão de Partículas e Campos da American Physical Society.

O programa da Conferência pode ser encontrado no link de ‘Schedule’ da mesma.

Mais ainda, os “proceedings” da Conferência serão publicados através do eConf.

Há também uma página para a Conferência no Indico do CERN, DPF2011 @ Indico/CERN. (A razão pra essa duplicação de esforços está fora da minha alçada (coisas da dicotomia de se passar o tempo dividido entre duas insituições) — quando me chamaram pra ajudar na organização da DPF2011 esse tipo de decisão já havia sido tomada. :razz:)

De qualquer maneira, essa página no Indico contém links para os Resumos das palestras e posteres, índice dos autores e palestrantes. Em particular, nestas listagens e índices é possível se encontrar os PDF que já foram carregados para o servidor.

Eu e o Rafael estamos atendendo a DPF2011. Então, vcs podem esperar por twittadas, fotos, posts, etc, etc, etc… provavelmente não no estilo “cobertura ao vivo”, uma vez que tudo vai ser meio corrido, mas fica aí aberto o canal pra quem quiser fazer perguntas ou participar de alguma outra maneira. 😉

O Brasil no Chronicle of Higher Education…

sábado, 9 jul 2011; \27\UTC\UTC\k 27 7 comentários

O jornal The Chronicle of Higher Education é uma das referência no mundo da Educação Superior — assim como o Times Higher Education.

No começo da semana, o Chronicle publicou a seguinte matéria sobre o Brasil: Brazil Reaches Out. Essa reportagem também apareceu no Physics Today: Brazil reaches out (Physics Today).

Pra quem está com preguiça de clicar no link da Physics Today, aqui vai o comentário deles (em sua integridade):

Chronicle of Higher Education: The Brazilian government has announced that it will fund 75,000 studentships to study abroad, worth $30,000 each. Brazil’s university system is successful, but that success is not unqualified; scientific research is highly variable in quality, and there is a shortage of researchers. Student bodies of elite universities tend to be economically homogenous. The Brazilian government recognizes that the country’s higher education system will need to expand rapidly while improving in quality if it is to support the country’s economic growth: 7.5% last year, with another 4% predicted for 2011 despite the global slowdown.

O ponto principal da reportagem é o seguinte: o governo brasileiro anunciou 75.000 bolsas-de-estudos (para estudo no exterior) no valor de US$30.000 cada. (Posso estar enganado, eu até gostaria de ter mais informações a esse respeito, mas meu entendimento é que essas bolsas são para áreas onde não há possibilidade de se fazer a pesquisa no Brasil.)

Eu, confesso, tenho algumas dúvidas. Por exemplo, como esse valor de US$30.000 é calculado e aplicado para uma bolsa de doutoramento? A tuition (custo anual) das escolas pode variar muito: nos USA, para a pós-graduação, uma escola pública (e.g., UCLA ou UCSD, SUNY-SB, Rutgers, etc) pode cobrar cerca de ~US$20.000 para alunos estrangeiros (que claramente têm origem fora do estado onde essas escolas se localizam — a anuidade para residentes do estado é consideravelmente mais baixa: cerca de 25% do valor cobrado para quem vem de fora do estado), assim como uma escola privada (Harvard, MIT, Princeton, Brown, Chicago) pode cobrar até US$40.000 por ano! E isso não inclui o salário para o doutorando, que gira em torno de US$2.000/mês (i.e., cerca de ~US$21.000–US$24.000 por ano), dando um total de até ~US$65.000 por ano. Portanto, mesmo uma média simples entre os dois tipos possíveis de anuidades já dá o valor anunciado para as bolsas, cerca de ~US$30.000.

Claro, a situação na Europa é bem diferente e varia bastante de país pra país (e.g., Reino Unido, França, Alemanha). Então, eu imagino que os valores europeus vão ser um pouco mais baixos quando comparados aos valores americanos. Por outro lado, a conta européia vem em Euros, o que torna tudo cerca de 43% mais caro que a conta americana. Então, um custo de ~€21.000 se torna algo como ~US$30.000.

Mais ainda, quem conhece gente que foi pro exterior pago pelo CNPq, sabe o quão comum é o atraso do pagamento dessas pessoas…: muito mais comum do que deveria — às vezes vc recebe por 3 meses atrasados. De qualquer modo, essa já é outra questão, apesar de relevante pra pessoa que está do outro lado do oceano.

Fora isso, também é importante se colocar esses números em comparação com os dados do post Como a Ciência escapou da Foice do Orçamento — até agora. Em particular, os seguintes artigos são de extrema relevância: Brazil cuts its science budget e Brazil’s budget cut dismays scientists . Esses cortes não precisam, necessariamente, afetar as bolsas mencionadas acima. Entretanto, as pessoas formadas por este programa de bolsas vão necessariamente (por causa do contrato da bolsa) voltar para o Brasil — o que imediatamente traz a seguinte pergunta à tona: “Com esses cortes, será que haverá empregos para esses bolsistas? Ou será que eles simplesmente vão ficar desempregados depois de voltarem? Há planos para a absorção desses bolsistas?” E por aí afora…

Portanto, a notícia soa boa, mas sem os devidos detalhes fica difícil de se saber o quão realista isso tudo é.

Reproduzo aqui o artigo do Chronicle em sua integridade.

Brazil Reaches Out

July 5, 2011, 12:14 pm, By Nigel Thrift.

In Brazil on a delegation with the Deputy Prime Minister and the Minister of State for Universities and Science. As usual with these delegations, they tend to be a mixture of frenzied last-minute reorganizations and moments of formal ceremony. They certainly require serious stamina occasioned by crammed programmes and non-stop travel.

But this delegation was buoyed by the Brazilian government’s announcement of 75,000 studentships to study abroad over the next four years, each worth $30,000, of which the UK looks set to obtain a good number.

What is striking about Brazilian higher education its range and variety. There are numerous private institutions, some of which are of good quality. There are state universities. There are federal universities. There are a number of federal science and technology institutions like CAPES, along with many national institutes of science and technology. There are a number of companies (most notably Petrobras and Embraer) which have close associations with universities. I was able to visit the University of Sao Paulo, an august institution boosted by the fact that a proportion of the State of Sao Paulo’s sales tax goes to universities (other countries take note).

What became clear to me was that Brazilian higher education is now in a state of take-off. Brazilian research is often world class. It is the 13th biggest knowledge producer as measured by numbers of papers. In particular, Brazilian research in is paramount in fields like engineering and aspects of the biological sciences.

In a meeting with luminaries from the world of Brazilian higher education, what was clear was that they are bullish about the future and that the scholarship scheme is a tangible expression of that optimism, as well as a desire to diversify the locations in which students study (which are currently led by the United Sates and France).

What is very different from many other countries which are now in economic take-off is that Brazil already has a thriving university system which has achieved many successes. It needs to expand its higher education system rapidly but the goal that has been set for participation rates seems entirely possible. In fact, it is about the same rate of expansion as the UK has achieved over the last 30 years.

There are clearly still problems. For example, the elite universities tend to be populated by students from well-off backgrounds. But Brazil is hardly the only country that can be accused of that. Again, there is very considerable variation in quality. Again, Brazil is hardly the only country that can be accused of that. It has a shortage of researchers to match its ambitions. Once more, Brazil is hardly the only country that can be accused of that.

In other words, this cannot be seen as a situation in which a country needs “help.” Rather, it requires a partnership of equals in which the non-Brazilian partner realizes that the Brazilian partner has much more to offer than the prospect of studentships abroad. Those studentships are a sign off greater engagement but an engagement that will be a two-way process right from the very start.

Testando o Prezi…

quinta-feira, 3 mar 2011; \09\UTC\UTC\k 09 1 comentário

Quem ainda não conhece, está marcando touca: o Prezi é uma ferramenta de apresentações bastante inovadora, chamada de zooming presentation, que tenta mudar radicalmente o fluxo duma apresentação arroz-com-feijão. 😎

Pra quem tem emails acadêmicos (estudantes e professores), é possível se registrar no Prezi com algumas vantagens. Para maiores informações, dêm uma olhada em Contas Educacionais.

E, finalmente, quem quiser inserir uma apresentação do Prezi no WordPress… 😈

Diversão garantida!

Café científicos levando ciência para o público leigo…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\UTC\UTC\k 06 3 comentários

Está aí uma iniciativa excelente que está demorando para go viral:

Os Cafés Científicos são uma idéia que, pessoalmente, eu considero brilhante: um cenário informal, relaxado, onde as pessoas podem ouvir algum palestrante falar sobre Ciência — e, melhor ainda, depois da palestra, debater sobre o que foi dito. Aliás, de fato, o foco é maior no debate do que na palestra propriamente dita: a idéia é passar a informação de modo bem objetivo e, depois, deixar a platéia guiar a discussão.

Quem faz Ciência sabe: deixar a curiosidade ( ❗ ) guiar o debate científico é uma das formas mais entusiasmantes de se fomentar a criatividade. Essas digressões tangenciais que aparecem a todo momento nesse tipo de discussão são fundamentais pra se ‘mapear’ o ‘espaço’ do assunto sendo atacado. Quem não conhece, pode achar esse approach meio caótico… mas, é um método excelente pra se obter uma ‘imagem’ do objeto em questão.

Questão da Fuvest sobre o LHC

quarta-feira, 6 jan 2010; \01\UTC\UTC\k 01 4 comentários

Nesse final de semana, dos dias 3 a 5, aconteceu a segunda fase do vestibular da Fuvest, o maior do país. Através desse tópico do Orkut fiquei sabendo de uma questão multidisciplinar de Física. A Fuvest ainda não divulgou a prova oficialmente, mas o site da Uol, através do curso pré-vestibular Objetivo, tem a questão e um modelo de resposta em seu site.

O ítem ao qual me refiro é o c, cujo enunciado diz:

Além do desenvolvimento científico, cite outros dois interesses que as nações envolvidas nesse consórcio teriam nas experiências realizadas no LHC.

Antes de qualquer comentário, vou repetir aqui o modelo errado de resposta que aparece no site hoje (06-jan-2010):

Além dos interesses científicos, os países envolvidos no projeto LHC possuem interesses geoestratégicos. Tais pesquisas poderão servir à indústria bélica, por exemplo, no desenvolvimentos de novas armas. Não se pode descartar ainda os interesses econômicos, como na dinamização de processos produtivos, ligados a setores civis, destacando-se o setor energético e o desenvolvimentos de novos produtos, materiais e processos que podem permitir uma provável redução de custos na produção.

(os grifos são meus)

Antes de mais nada, queria frisar que acho a questão fenomenal, embora não seja exatamente uma questão de física, mas sim de geopolítica e história. Contudo, essa é uma grande questão no desenvolvimento científico de um país: como justificar o investimento de dinheiro em ciência básica, que muitas vezes parece, para as pessoas ingênuas, ser um fundo morto?

Investir em ciência não é jogar dinheiro fora e já tivemos outros posts aqui no blog falando sobre isso, inclusive mostrando números. O importante nesse caso é esse questionamento ter aparecido numa prova de vestibular, o que certamente força e forçará que essa questão tão importante para um plano de desenvolvimento nacional seja discutida ainda quando os cidadãos estão se formando.

Por outro lado, a resposta dada pelo profissional que montou o gabarito e divulgada pelo curso pré-vestibular Objetivo, é um grande atraso. Mostra justamente o tipo de pré-concepção que resulta numa percepção pública errada e possivelmente danosa para ciência básica.

O LHC é um experimento de ciência básica. Ele não tem qualquer tipo de serviço, mesmo que secundário, à indústria bélica ou de geração de energia, como diz o modelo de resposta divulgado. É verdade que há interesse econômico no LHC, mas isso não é a resposta e sim a pergunta. A resposta correta para essa pergunta, que não é raza, envolve a maneira não trivial como o dinheiro envolvido em ciência retorna ao país: principalmente através da formação de profissionais de altíssima capacidade para resolver problemas, sejam eles de física básica ou de outras questões tecnólogicas.

Eu não estou dizendo que qualquer profissional que trabalhe no LHC seja um exímio especialista em qualquer área de tecnologia. Muito pelo contrário, eu diria: o perfil das pessoas que trabalham nesses experimentos é por muitas vezes de uma pessoa hiper-especialista e muito limitada. São poucos os que realmente se destacam pela sua colaboração (a questão é que em física experimental é mais difícil de ver isso que em física teórica). Mas o importante, nesses grandes experimentos, é o esforço coletivo. É a expertise do grupo e não de um indivíduo apenas.

Claro que a questão não quer uma resposta longa na forma de uma dissertação discutindo esses aspectos não-triviais. Experimentos de Física de Altas Energias, como o do CERN, forçam o desenvolvimento de várias tecnologias associadas como de eletrônica muito rápida em ambientes com muita radiação, computação, criogenia, entre outras coisas… No caso dos experimentos do LHC há um esforço particular para o desenvolvimento da chamada GRID de computação e a estrutura de redes com velocidade e qualidade de serviço para que ela funcione. A resposta correta à pergunta certamente vai nessa direção.

Claro que tudo isso – GRID e afins – é bem secundário, cientificamente falando. Mas é necessário para as questões discutidas aqui: a correta percepção pública da ciência. Afinal, foram 10 bilhões de dólares investidos e não foi a toa. Não é tanto dinheiro assim1, mas em qualquer jornal da mídia, quando essa quantia é citada, o que mais se vê é gente dizendo que esse dinheiro não deveria ser investido em ciência. Esse esperneio despropositado começa em sala de aula, quando os professores, que são os primeiros formadores de opinião, dão esse tipo de resposta absurda à questão.

1. Claro que 10 bilhões de dólares é, em termos abolutos, muito dinheiro. Mas um experimento desse envolve em torno de 10 mil pessoas e dura em torno de 20 anos. Então, é algo como um investimento de 50 mil dólares para um experimento por ano, por pesquisador. O que não é tanto assim para o padrão de qualquer ciência.

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