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Archive for the ‘Educação’ Category

Notícias da Semana…

sábado, 7 abr 2012; \14\America/New_York\America/New_York\k 14 Deixe um comentário

Nos últimos 7–10 dias, muitas notícias interessantíssimas apareceram. E vale a pena dar uma olhada no que está circulando pelo mundo afora.

  1. Brazil a Great Place to do Physics … and Other Things“: Esse primeiro link é sobre programa de intercâmbio da APS, e o caso da reportagem conta sobre um aluno que saiu da Columbia University, em NY, e foi para o CBPF, no RJ. Como diz o rapaz que fez o intercâmbio, “Given that Rio was one of Richard Feynman’s favorite places, I was sure the experience would be very interesting, and I quickly became excited about it.”. 🙂
  2. Brown University forges research partnership in Brazil“: Esse segundo link é sobre a parceria que a Brown University assinou nessa semana com o IMPA (RJ). A parceria, promovida pela doação de um pai dum aluno da Brown, vai promover a colaboração em pesquisas, conferências e intercâmbios entre a Brown e o IMPA pelos próximos três anos.
  3. Open grad program allows students to pursue two fields“: Esse terceiro link é sobra um programa piloto que a Brown abriu esse ano e que poderia ser resumido como “Ciências Moleculares para a pós-graduação”. A Brown tem um currículo de graduação aberto, como o do Ciências Moleculares, desde os anos 70. E, agora, eles decidiram aplicar o mesmo princípio para a pós-graduação. A idéia é de que os alunos selecionados para participar desse experimento irão cursar seus respectivos doutoramentos, que será complementado com um mestrado em alguma outra disciplina. (A Brown permitia que seus alunos tirassem um ‘double-masters’, i.e., um duplo-mestrado até alguns anos atrás, quando essa opção foi cancelada em favor dessa nova empreitada multi- e inter-disciplinar.) E é disso que trata a reportagem, desse experimento em se ter um currículo multi- e inter-disciplinar na pós-graduação. Até onde eu conheço, essa é uma atitude completamente pioneira e que não existe em nenhuma outra escola. 😈
  4. How the Modern Physics was invented in the 17th century, part 1: The Needham Question“: Essa é a primeira parte (de um total de 3) de um blog convidado da SciAm, contando a história da Física moderna. Muito interessante.
  5. How Much Is a Professor Worth?“: Essa matéria do NYT trata do tópico de um novo livro que tenta comparar o salário de professores em diferentes países. Vale a pena ler pra ver em qual posição o Brasil se encontra, e como os diferentes países se comparam. Há muitos detalhes a serem analisados nessa questão todo… mas, de qualquer maneira, é um bom começo.
  6. Sociedade Brasileira de Física — Cortes no orçamento de ciência ameaçam futuro do Brasil“: o governo decidiu cortar o orçamento em cerca de 33% (comparado ao orçamento de 2010), entrando em rota de colisão com diversas conquistas recentes da política científica federal.
  7. Carnaval Is Over“: Seria esse o fim do milagre brasileiro? A FP faz uma lista dos vários fatores que influenciam essa questão.

Parcerias científicas internacionais, flexibilização do currículo da pós-graduação, história da Física, cortes do orçamento de ciência e tecnologia, e futuro econômico do país. Todas notícias relevantes e contemporâneas.

“E agora, José?”

As Raízes da Metafísica…

segunda-feira, 22 ago 2011; \34\America/New_York\America/New_York\k 34 1 comentário

Acabei de ler o post The Roots of Metaphysics que trata do Paradoxo de Russell — que tem a mesma natureza do Argumento Diagonal (o fato de que os Reais são incontáveis).

Entretanto, no sentido exposto no texto — “(…) no set of existential statements can entail a universal statement” —, a primeira coisa que veio a minha mente foi o Teorema do Limite Central (e suas “variações sobre o tema”). Ou seja, apesar dos pesares, minha crítica ao texto, ao modo como o problema foi exposto no texto, é que eu não achei que a noção de recursividade ficou exposta de modo claro o suficiente (de modo que se note que ela é o ‘pilar’ por detrás do problema sendo tratado). A analogia feita no texto é a de que enquanto a afirmação “todos os morcegos estão na pia” é universal, a afirmação “há um morcego na pia” é existencial. O problema dessa analogia é que nós já sabemos, a priori, que o número de morcegos é finito (assumindo, claro, que só existem morcegos no nosso planeta), o que faz uma diferença enorme em toda essa brincadeira. Num certo sentido, o problema dessa analogia está no Paradoxo de Banach–Tarski: se fosse possível, através dum corte ao meio, se obter dois morcegos idênticos entre si, a partir dum morcego original, aí sim, essa seria uma analogia bona fide, uma vez que a recursividade estaria então implementada no problema. Aliás, é por essas, e outras, que existem diferentes formulações da Teoria de Conjuntos, como, e.g., Teoria de Conjuntos de Zermelo–Fraenkel (e suas respectivas objeções), assim como Teoria de Topos e Teoria de Conjuntos de Tarski–Grothendieck.

Acho interessante ver que o Paradoxo de Russell é de ~1925… e que, por exemplo, os Teoremas de Incompletude de Gödel são de 1931: quando postos em contexto, acho que as implicações são bem interessantes. :wicked:

No final das contas, esse assunto tem um nome: Meta-Matemática — leia mais sobre isso em Meta Math! The Quest for Omega e Omega and why maths has no TOEs. Ou seja, como devemos usar a matemática pra avaliar a própria matemática?

Num certo sentido, isso me leva a pensar diretamente sobre o conceito de Grupo de Renormalização, Teorias Efetivas e Espaço de Teorias (em física teórica) (ver também Grupo de Renormalização Funcional). Ou seja, em Física existem teorias que são fundamentalmente desconexas (como, por exemplo, a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica); entretanto, existe todo um outro conjunto de teorias que estão conectadas via o Grupo de Renormalização: ou seja, existe uma teoria pra explicar cada conjunto de graus-de-liberdade (ie, as variáveis que descrevem uma determinada teoria); entretanto, é possível se rearranjar um conjunto de graus-de-liberdade de modo a se obter as variáveis relevantes para se explicar outra teoria — esse fenômeno leva o nome de Transição de Fase.

Nesse sentido, existem várias escalas relevantes para a Física, que efetivamente formam “ilhas de teorias”, ou “ilhas de verdade” (à la Gödel). Dessa forma, acabamos com um sistema multi-fractal: a auto-similaridade consiste no fato de que toda a estrutura Física se repete nas diversas escalas: Lagrangianos, [quantização via] Integral de Trajetória de Feynman, Renormalização, etc, etc, etc — exceto, claro, por pontos-fixos não-triviais no Fluxo de Renormalização. 😉

Conferência da Divisão de Partículas e Campos de APS…

segunda-feira, 8 ago 2011; \32\America/New_York\America/New_York\k 32 Deixe um comentário

Hoje (segunda-feira, 08-Ago-2011) começa a edição de 2011 da Conferência da Divisão de Partículas e Campos da American Physical Society.

O programa da Conferência pode ser encontrado no link de ‘Schedule’ da mesma.

Mais ainda, os “proceedings” da Conferência serão publicados através do eConf.

Há também uma página para a Conferência no Indico do CERN, DPF2011 @ Indico/CERN. (A razão pra essa duplicação de esforços está fora da minha alçada (coisas da dicotomia de se passar o tempo dividido entre duas insituições) — quando me chamaram pra ajudar na organização da DPF2011 esse tipo de decisão já havia sido tomada. :razz:)

De qualquer maneira, essa página no Indico contém links para os Resumos das palestras e posteres, índice dos autores e palestrantes. Em particular, nestas listagens e índices é possível se encontrar os PDF que já foram carregados para o servidor.

Eu e o Rafael estamos atendendo a DPF2011. Então, vcs podem esperar por twittadas, fotos, posts, etc, etc, etc… provavelmente não no estilo “cobertura ao vivo”, uma vez que tudo vai ser meio corrido, mas fica aí aberto o canal pra quem quiser fazer perguntas ou participar de alguma outra maneira. 😉

O Brasil no Chronicle of Higher Education…

sábado, 9 jul 2011; \27\America/New_York\America/New_York\k 27 7 comentários

O jornal The Chronicle of Higher Education é uma das referência no mundo da Educação Superior — assim como o Times Higher Education.

No começo da semana, o Chronicle publicou a seguinte matéria sobre o Brasil: Brazil Reaches Out. Essa reportagem também apareceu no Physics Today: Brazil reaches out (Physics Today).

Pra quem está com preguiça de clicar no link da Physics Today, aqui vai o comentário deles (em sua integridade):

Chronicle of Higher Education: The Brazilian government has announced that it will fund 75,000 studentships to study abroad, worth $30,000 each. Brazil’s university system is successful, but that success is not unqualified; scientific research is highly variable in quality, and there is a shortage of researchers. Student bodies of elite universities tend to be economically homogenous. The Brazilian government recognizes that the country’s higher education system will need to expand rapidly while improving in quality if it is to support the country’s economic growth: 7.5% last year, with another 4% predicted for 2011 despite the global slowdown.

O ponto principal da reportagem é o seguinte: o governo brasileiro anunciou 75.000 bolsas-de-estudos (para estudo no exterior) no valor de US$30.000 cada. (Posso estar enganado, eu até gostaria de ter mais informações a esse respeito, mas meu entendimento é que essas bolsas são para áreas onde não há possibilidade de se fazer a pesquisa no Brasil.)

Eu, confesso, tenho algumas dúvidas. Por exemplo, como esse valor de US$30.000 é calculado e aplicado para uma bolsa de doutoramento? A tuition (custo anual) das escolas pode variar muito: nos USA, para a pós-graduação, uma escola pública (e.g., UCLA ou UCSD, SUNY-SB, Rutgers, etc) pode cobrar cerca de ~US$20.000 para alunos estrangeiros (que claramente têm origem fora do estado onde essas escolas se localizam — a anuidade para residentes do estado é consideravelmente mais baixa: cerca de 25% do valor cobrado para quem vem de fora do estado), assim como uma escola privada (Harvard, MIT, Princeton, Brown, Chicago) pode cobrar até US$40.000 por ano! E isso não inclui o salário para o doutorando, que gira em torno de US$2.000/mês (i.e., cerca de ~US$21.000–US$24.000 por ano), dando um total de até ~US$65.000 por ano. Portanto, mesmo uma média simples entre os dois tipos possíveis de anuidades já dá o valor anunciado para as bolsas, cerca de ~US$30.000.

Claro, a situação na Europa é bem diferente e varia bastante de país pra país (e.g., Reino Unido, França, Alemanha). Então, eu imagino que os valores europeus vão ser um pouco mais baixos quando comparados aos valores americanos. Por outro lado, a conta européia vem em Euros, o que torna tudo cerca de 43% mais caro que a conta americana. Então, um custo de ~€21.000 se torna algo como ~US$30.000.

Mais ainda, quem conhece gente que foi pro exterior pago pelo CNPq, sabe o quão comum é o atraso do pagamento dessas pessoas…: muito mais comum do que deveria — às vezes vc recebe por 3 meses atrasados. De qualquer modo, essa já é outra questão, apesar de relevante pra pessoa que está do outro lado do oceano.

Fora isso, também é importante se colocar esses números em comparação com os dados do post Como a Ciência escapou da Foice do Orçamento — até agora. Em particular, os seguintes artigos são de extrema relevância: Brazil cuts its science budget e Brazil’s budget cut dismays scientists . Esses cortes não precisam, necessariamente, afetar as bolsas mencionadas acima. Entretanto, as pessoas formadas por este programa de bolsas vão necessariamente (por causa do contrato da bolsa) voltar para o Brasil — o que imediatamente traz a seguinte pergunta à tona: “Com esses cortes, será que haverá empregos para esses bolsistas? Ou será que eles simplesmente vão ficar desempregados depois de voltarem? Há planos para a absorção desses bolsistas?” E por aí afora…

Portanto, a notícia soa boa, mas sem os devidos detalhes fica difícil de se saber o quão realista isso tudo é.

Reproduzo aqui o artigo do Chronicle em sua integridade.

Brazil Reaches Out

July 5, 2011, 12:14 pm, By Nigel Thrift.

In Brazil on a delegation with the Deputy Prime Minister and the Minister of State for Universities and Science. As usual with these delegations, they tend to be a mixture of frenzied last-minute reorganizations and moments of formal ceremony. They certainly require serious stamina occasioned by crammed programmes and non-stop travel.

But this delegation was buoyed by the Brazilian government’s announcement of 75,000 studentships to study abroad over the next four years, each worth $30,000, of which the UK looks set to obtain a good number.

What is striking about Brazilian higher education its range and variety. There are numerous private institutions, some of which are of good quality. There are state universities. There are federal universities. There are a number of federal science and technology institutions like CAPES, along with many national institutes of science and technology. There are a number of companies (most notably Petrobras and Embraer) which have close associations with universities. I was able to visit the University of Sao Paulo, an august institution boosted by the fact that a proportion of the State of Sao Paulo’s sales tax goes to universities (other countries take note).

What became clear to me was that Brazilian higher education is now in a state of take-off. Brazilian research is often world class. It is the 13th biggest knowledge producer as measured by numbers of papers. In particular, Brazilian research in is paramount in fields like engineering and aspects of the biological sciences.

In a meeting with luminaries from the world of Brazilian higher education, what was clear was that they are bullish about the future and that the scholarship scheme is a tangible expression of that optimism, as well as a desire to diversify the locations in which students study (which are currently led by the United Sates and France).

What is very different from many other countries which are now in economic take-off is that Brazil already has a thriving university system which has achieved many successes. It needs to expand its higher education system rapidly but the goal that has been set for participation rates seems entirely possible. In fact, it is about the same rate of expansion as the UK has achieved over the last 30 years.

There are clearly still problems. For example, the elite universities tend to be populated by students from well-off backgrounds. But Brazil is hardly the only country that can be accused of that. Again, there is very considerable variation in quality. Again, Brazil is hardly the only country that can be accused of that. It has a shortage of researchers to match its ambitions. Once more, Brazil is hardly the only country that can be accused of that.

In other words, this cannot be seen as a situation in which a country needs “help.” Rather, it requires a partnership of equals in which the non-Brazilian partner realizes that the Brazilian partner has much more to offer than the prospect of studentships abroad. Those studentships are a sign off greater engagement but an engagement that will be a two-way process right from the very start.

Testando o Prezi…

quinta-feira, 3 mar 2011; \09\America/New_York\America/New_York\k 09 1 comentário

Quem ainda não conhece, está marcando touca: o Prezi é uma ferramenta de apresentações bastante inovadora, chamada de zooming presentation, que tenta mudar radicalmente o fluxo duma apresentação arroz-com-feijão. 😎

Pra quem tem emails acadêmicos (estudantes e professores), é possível se registrar no Prezi com algumas vantagens. Para maiores informações, dêm uma olhada em Contas Educacionais.

E, finalmente, quem quiser inserir uma apresentação do Prezi no WordPress… 😈

Diversão garantida!

Café científicos levando ciência para o público leigo…

terça-feira, 8 fev 2011; \06\America/New_York\America/New_York\k 06 3 comentários

Está aí uma iniciativa excelente que está demorando para go viral:

Os Cafés Científicos são uma idéia que, pessoalmente, eu considero brilhante: um cenário informal, relaxado, onde as pessoas podem ouvir algum palestrante falar sobre Ciência — e, melhor ainda, depois da palestra, debater sobre o que foi dito. Aliás, de fato, o foco é maior no debate do que na palestra propriamente dita: a idéia é passar a informação de modo bem objetivo e, depois, deixar a platéia guiar a discussão.

Quem faz Ciência sabe: deixar a curiosidade ( ❗ ) guiar o debate científico é uma das formas mais entusiasmantes de se fomentar a criatividade. Essas digressões tangenciais que aparecem a todo momento nesse tipo de discussão são fundamentais pra se ‘mapear’ o ‘espaço’ do assunto sendo atacado. Quem não conhece, pode achar esse approach meio caótico… mas, é um método excelente pra se obter uma ‘imagem’ do objeto em questão.

Questão da Fuvest sobre o LHC

quarta-feira, 6 jan 2010; \01\America/New_York\America/New_York\k 01 4 comentários

Nesse final de semana, dos dias 3 a 5, aconteceu a segunda fase do vestibular da Fuvest, o maior do país. Através desse tópico do Orkut fiquei sabendo de uma questão multidisciplinar de Física. A Fuvest ainda não divulgou a prova oficialmente, mas o site da Uol, através do curso pré-vestibular Objetivo, tem a questão e um modelo de resposta em seu site.

O ítem ao qual me refiro é o c, cujo enunciado diz:

Além do desenvolvimento científico, cite outros dois interesses que as nações envolvidas nesse consórcio teriam nas experiências realizadas no LHC.

Antes de qualquer comentário, vou repetir aqui o modelo errado de resposta que aparece no site hoje (06-jan-2010):

Além dos interesses científicos, os países envolvidos no projeto LHC possuem interesses geoestratégicos. Tais pesquisas poderão servir à indústria bélica, por exemplo, no desenvolvimentos de novas armas. Não se pode descartar ainda os interesses econômicos, como na dinamização de processos produtivos, ligados a setores civis, destacando-se o setor energético e o desenvolvimentos de novos produtos, materiais e processos que podem permitir uma provável redução de custos na produção.

(os grifos são meus)

Antes de mais nada, queria frisar que acho a questão fenomenal, embora não seja exatamente uma questão de física, mas sim de geopolítica e história. Contudo, essa é uma grande questão no desenvolvimento científico de um país: como justificar o investimento de dinheiro em ciência básica, que muitas vezes parece, para as pessoas ingênuas, ser um fundo morto?

Investir em ciência não é jogar dinheiro fora e já tivemos outros posts aqui no blog falando sobre isso, inclusive mostrando números. O importante nesse caso é esse questionamento ter aparecido numa prova de vestibular, o que certamente força e forçará que essa questão tão importante para um plano de desenvolvimento nacional seja discutida ainda quando os cidadãos estão se formando.

Por outro lado, a resposta dada pelo profissional que montou o gabarito e divulgada pelo curso pré-vestibular Objetivo, é um grande atraso. Mostra justamente o tipo de pré-concepção que resulta numa percepção pública errada e possivelmente danosa para ciência básica.

O LHC é um experimento de ciência básica. Ele não tem qualquer tipo de serviço, mesmo que secundário, à indústria bélica ou de geração de energia, como diz o modelo de resposta divulgado. É verdade que há interesse econômico no LHC, mas isso não é a resposta e sim a pergunta. A resposta correta para essa pergunta, que não é raza, envolve a maneira não trivial como o dinheiro envolvido em ciência retorna ao país: principalmente através da formação de profissionais de altíssima capacidade para resolver problemas, sejam eles de física básica ou de outras questões tecnólogicas.

Eu não estou dizendo que qualquer profissional que trabalhe no LHC seja um exímio especialista em qualquer área de tecnologia. Muito pelo contrário, eu diria: o perfil das pessoas que trabalham nesses experimentos é por muitas vezes de uma pessoa hiper-especialista e muito limitada. São poucos os que realmente se destacam pela sua colaboração (a questão é que em física experimental é mais difícil de ver isso que em física teórica). Mas o importante, nesses grandes experimentos, é o esforço coletivo. É a expertise do grupo e não de um indivíduo apenas.

Claro que a questão não quer uma resposta longa na forma de uma dissertação discutindo esses aspectos não-triviais. Experimentos de Física de Altas Energias, como o do CERN, forçam o desenvolvimento de várias tecnologias associadas como de eletrônica muito rápida em ambientes com muita radiação, computação, criogenia, entre outras coisas… No caso dos experimentos do LHC há um esforço particular para o desenvolvimento da chamada GRID de computação e a estrutura de redes com velocidade e qualidade de serviço para que ela funcione. A resposta correta à pergunta certamente vai nessa direção.

Claro que tudo isso – GRID e afins – é bem secundário, cientificamente falando. Mas é necessário para as questões discutidas aqui: a correta percepção pública da ciência. Afinal, foram 10 bilhões de dólares investidos e não foi a toa. Não é tanto dinheiro assim1, mas em qualquer jornal da mídia, quando essa quantia é citada, o que mais se vê é gente dizendo que esse dinheiro não deveria ser investido em ciência. Esse esperneio despropositado começa em sala de aula, quando os professores, que são os primeiros formadores de opinião, dão esse tipo de resposta absurda à questão.

1. Claro que 10 bilhões de dólares é, em termos abolutos, muito dinheiro. Mas um experimento desse envolve em torno de 10 mil pessoas e dura em torno de 20 anos. Então, é algo como um investimento de 50 mil dólares para um experimento por ano, por pesquisador. O que não é tanto assim para o padrão de qualquer ciência.

O realejo do dia…

sábado, 29 ago 2009; \35\America/New_York\America/New_York\k 35 Deixe um comentário

Internet e ciência

sábado, 2 maio 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 4 comentários

Um tópico recorrente no nosso blog é o livre acesso a informação e como a Internet tem o potencial de mudar a forma como se faz ciência — em geral fica a cargo do Tom, Daniel e Rafael Calsaverini, nossos três mosqueteiros do livre acesso 😉

Na edição do mês de maio da Physics World, Michael Nielsen (o mesmo do livro Quantum computation) faz um apanhado histórico da evolução do sistema de publicação na ciência e a dificuldade de se aceitar novos paradigmas (Doing science in the open, Phys World maio 2009). No momento eu só tenho a acrescentar um ponto que o Nielsen não incluiu na sua lista de razões para a dificuldade da ciência atingir o mesmo patamar de colaboração que existe na comunidade de software livre: fama. A ciência é uma carreira profissional como outras e uma parte relevante do comportamento dos indivíduos não é diferente do que você encontra no setor de entretenimento. Orgulho e fama é um componente importante que motiva vários cientistas, eles sempre querem ver seus nomes cravados ao lado de uma equação ou experimento. Plena colaboração e abertura de idéias é entendido como algo comprometedor em um cenário onde as pessoas acham que estão competindo entre si por prioridade de descoberta e não colaborando para entender o universo. Não é incomum quando um grupo de cientistas fez um avanço e tornou-o público, o trabalho publicado contém deliberadamente omissões de detalhes importantes. Isso faz com que os autores do resultado estejam naturalmente a frente dos demais pesquisadores interessados, que terão que resolver pequenos problemas que podem durar semanas. É verdade que a desculpa antes da Internet era espaço nas publicações em vista do volume de material que era produzido. Mas essa desculpa não se aplica mais em um mundo onde você tem 1 gigabyte de email de graça. Eu acredito que a disputa por prioridade é uma das razões pela qual sistemas com open notebooks estão longe de serem adotados pelas principais colaborações científicas do mundo. Se você tem uma idéia de realizar um experimento e surge uma dificuldade no caminho, por incrível que pareça, é comum que as colaborações podem simplesmente desistir ao invés de procurar ajuda externa. Ou quando um grupo de cientistas anuncia um programa de pesquisa e outros indivíduos consideram-no interessante, o segundo grupo ao invés de juntar forças decide realizar o mesmo trabalho de forma independente para competir por prioridade. Eu considero como exemplos os casos da descoberta da energia escura (Dark Energy, Robert P. Crease, Physics World Dec 2007) e o Projeto Genoma Humano (NIH e Celera Corp.), e em bem menor grau as disputas CDF-D0 e CMS-ATLAS. Não é uma questão de apenas reproduzir o resultado para dar maior base científica, muito pelo contrário, dificilmente projetos experimentais são considerados interessantes quando o exclusivo objetivo é reproduzir algo já conhecido. Há uma declarada competição e interesse de prioridade. E podemos ver como os ânimos ficam agitados observando o comentário no artigo do Robert Crease sobre a descoberta da energia escura ou como as pessoas se sentem ofendidas se você chamar o teorema fundamental do cálculo de teorema de Stokes ao invés de teorema de Leibnitz-Newton-Gauss-Green-Ostrogradskii-Stokes-Poincaré! É mais fácil demonstrar o teorema que lembrar todos os nomes associados a ele…

Será que um dia a ciência vai se livrar dessa disputa de ego e prioridade, e se concentrar nos resultados? Isso vai requerer uma verdadeira mudança de paradigma cultural. Na comunidade de software livre, muito diferente do que acontece na ciência, nós realmente não associamos nomes de programadores aos programas: eu uso o gnuplot e pdflatex no Terminal sem saber os nomes por de trás de cada programa. Será que um dia a ciência vai adotar esse formato?

Sobre meu afastamento do Stoa por causa de uma brincadeira de 1º de abril até a exclusão da minha conta

quarta-feira, 29 abr 2009; \18\America/New_York\America/New_York\k 18 11 comentários

Logo do Stoa invertidoToda história do meu – Tom falando – afastamento do projeto Stoa, assim como a exclusão de minha conta do Stoa e todos meus textos, começou com a publicação no Stoa de uma brincadeira no contexto de primeiro de abril, que vocês podem checar aqui, Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora.

Publiquei esse texto no final da tarde do dia 1º de abril, por volta das 18h, e logo na madrugada do dia 2 coloquei um aviso de que tratava-se de uma brincadeira, aviso que parece não ter sido suficiente para as pessoas que sentiram-se incomodadas com a brincadeira.

No dia 14 de abril fico sabendo que a consultoria jurídica da USP entra em contato com o diretor do CTI USP, Gil da Costa Marques,  e que haveria um possível processo contra ele por parte da reitoria, por causa dessa brincadeira minha. Vale lembrar que o Stoa é um projeto do CTI.

Poucos dias depois fico sabendo que as medidas tomadas serão: 1. meu desligamento do projeto Stoa e 2. um pedido de desculpas de minha parte e do coordenador do projeto Stoa, o professor Ewout ter Haar, por causa do ocorrido.

O pedido de desculpas foi publicado por mim dia 23 de abril, que pode ser lido aqui, Esclarecimento sobre inoportuno texto que simulava desestatização da USP (não está mais disponível no link original, pois todos meus textos foram apagados do Stoa). Pedi desculpas por algo que não achei errado e até agora não entendo todo estardalhaço criado e nem imaginava as dimensões que isso resultaria, pois não queria também prejudicar meus amigos colaboradores do projeto Stoa, nem que o projeto fosse por água a baixo por minha causa. Antes eu do que todo o projeto, pois sei que continuaria em boas mãos.

Os ânimos das pessoas incomodadas com o ocorrido pareciam ter acalmados após meu pedido de desculpas e as coisas ficariam assim. Entretanto, dia 27 de abril, foi publicada uma matéria no UOL sobre um bolão para acertar o dia que a greve na USP começaria, que fiz há meses usando meu blog no Stoa, veja Ex-aluno da USP faz bolão e premia quem acerta dia de início da greve na universidade. A jornalista Simone Harnik entrou em contato comigo na tarde do dia 24 de abril, uma sexta-feira, pois queria entender melhor sobre o bolão. Deixei claro para ela que eu não tinha mais nenhum vínculo com a USP, muito menos com o Stoa, apesar de eu ter ajudado a criar o projeto.

A publicação dessa matéria no UOL Educação parece ter sido a gota d’água para a reitora da USP, Suely  Vilela, pois, segundo fui informado por email na noite do dia 27 de abril, ela ligou para o diretor do CTI dizendo algo do tipo “Como é que vocês afastaram o Everton do projeto e aparece essa matéria com ele na capa do UOL?”. Pressões da reitoria sobre Gil da Costa Marques surgiram, que entrou em contato com o coordenador do projeto Stoa, que entrou em contato comigo.

Fui informado que minha conta seria excluída, a pedido do diretor do CTI (pressionado pela reitora ou alguém da reitoria, imagino), o que foi feito ontem, dia 28 de abril. Eles deram um tempo para eu fazer backup dos meus textos do meu blog e fóruns de discussão, que eu já fazia assinando os feeds RSS no Google Reader (depois vou ter que publicar um a um nesse novo blog e infelizmente perdi todos comentários).

O pedido de desculpas acabou sendo publicado pela equipe Stoa na noite do dia 28 de abril, veja Sobre uma falsa notícia veiculada no Stoa, o que acabou repercutindo muito mal de imediato e gerou protestos por parte de usuários do Stoa (atualização: os textos publicados no Stoa foram alterados para ficarem visíveis apenas para usuários online, portanto coloquei links para locais externos onde foram publicados):

Após terrível repercusão, o Stoa foi colocado em estado de manutenção, me parece que a pedido do diretor do CTI, de modo que ninguém pode ver textos na página principal, nem logar-se no sistema.

Salvei os textos acima no meu computador, pois temo que o sistema Stoa será desligado da tomada, assim, sem mais nem menos, pois parece que o sistema hierárquico da Universidade de São Paulo funciona assim: alguém com mais poder político pode fazer e desfazer o que quiser, sem precisar dar satisfação ou justificativas racionais alguma a todos envolvidos (afinal, são quase 9 mil usuários cadastrados no Stoa!).

Nesse texto quis apenas relatar o que ocorreu e a cronologia dos fatos, tentando ser o mais imparcial possível. Depois escrevo mais sobre o ocorrido e a sucessão dos fatos, iniciados por uma fatídica brincadeira de 1º de abril.

Posts relacionados

Esse texto foi originalmente publicado num novo blog que criei (http://blogdotom.wordpress.com), após meu blog do Stoa ter sido apagado:  Sobre meu afastamento do Stoa por causa de uma brincadeira de 1º de abril até a exclusão da minha conta

Os melhores livros de divulgação

domingo, 29 mar 2009; \13\America/New_York\America/New_York\k 13 29 comentários

Que tal uma lista de utilidade pública com alguns dos melhores livros de divulgação? 🙂

Bom, naturalmente que a lista será parcial. Vai ser baseada na experiência pessoal dos editores do blog, mas a vantagem é que você pode usá-la como ponto de partida se quer algumas sugestões de leitura leve para as férias, ou então se você gostou de alguns dos livros da lista, há potencial de gostar dos demais. 🙂 Volte sempre para checar atualizações na lista! 😉

Não vamos tentar fazer uma resenha de cada livro que ficaria muito longo, você pode ver essas resenhas por ai na Internet, no site das editoras e livrarias. Ah, e a lista não tem nenhuma ordem em especial, certo?

Vamos lá:

Disponível em português:

  • A Dança do Universo, Marcelo Gleiser
  • DNA: O Segredo da Vida, James D. Watson
  • Uma breve história do tempo, Stephen W. Hawking
  • Como a mente funciona, Steven Pinker
  • A falsa medida do homem, Stephen Jay Gould
  • O mundo assombrado pelos demônios, Carl Sagan
  • QED: A Estranha Teoria da Luz e da Matéria, Richard P. Feynman
  • O que é uma lei física?, Richard P. Feynman
  • Einstein para principiantes, Joseph Schwartz, Michael McGuinness
  • Os Três Primeiros Minutos, Steven Weinberg
  • O Universo Inflacionário, Alan H. Guth
  • Será que Deus joga dados?, Ian Stewart
  • O Quark e o Jaguar, Murray Gell-Mann
  • As aventuras e descobertas de Darwin a bordo do Beagle, Richard Darwin Keynes
  • O que é Matemática?, Richard Courant e Herbert Robbins
  • O último teorema de Fermat, Simon Singh
  • História da Matemática, Carl Boyer, Uta C. Merzbacher. Não é divulgação, mas é excelente e acessível.
  • História química de uma vela, Michael Faraday
  • Cronologia das ciências e das descobertas, Isaac Asimov
  • A Filha de Galileu, Dave Sobel

Apenas em inglês:
Estes você pode comprar na Amazon.com, ou na Barnes & Noble. Você só pagará o livro, frete e a taxa de câmbio. Não há imposto cobrado de importação para livros.

  • Huygens & Barrow, Newton & Hooke, Vladimir I. Arnold
  • From Galileo to Einstein (aka Biography of Physics), George Gamow
  • Longing for the Harmonies, Frank Wilczek e Betsy Devine
  • Black Holes and Time Warps, Kip Thorne
  • Men of Mathematics, E. T. Bell
  • Einstein’s Legacy, Julian Schwinger
  • Gravity, George Gamow
  • Cosmology: The Science of the Universe, E. Harrison

A Próxima Campanha…

domingo, 15 mar 2009; \11\America/New_York\America/New_York\k 11 Deixe um comentário

Enquanto eu estou aqui, entre esperar minha roupa secar e me preparar pra levar o lixo pra fora, decidi dar uma lidinha (um pouco atrasada, é verdade) na última edição da Science que eu tenho aqui, em particular, no editorial,

Deixem-me traduzir esse editorial.

A eleição presidencial dos USA acabou, o presidente já tomou posse. Agora vem o desafio de governar. O Presidente Obama, seu time de liderança, e o 111º Congresso enfrentam problemas atordoantes. Entre os [problemas] mais teimosos dos USA estão aqueles relacionados a prover uma educação de primeiro nível a todas as crianças, atualizando os conhecimentos e habilidades dos pais [dessas crianças], e preparando todos para enfrentar as ameaças e oportunidades do século 21. A comunidade científica precisa tirar vantagem da crescente insatisfação pública com o sistema educacional atual e perguntar como o ensino e aprendizado de ciência pode ser transformado. Resumindo, os cientistas precisam montar a próxima campanha.

Em primeiro lugar, os cientistas precisam ajudar o público adulto a desenvolver um entendimento claro do que é ciência e o que deveria ser educação científica: um modo de descobrir o mundo baseado em evidências e análises lógicas. Um consenso está se formando nas comunidades científica, filantrópica e poĺitica sobre quais devem ser nossos objetivos. Pesquisas feita pela organização sem fins lucrativos “Public Agenda” indicam que os adultos se dão conta de que alguma coisa está faltando na instrução científica, apesar que não necessariamente para seus filhos. Essa tensão pode providenciar o espaço necessário para se introduzir um núcleo comum  de padrões para educação científica através dos USA; investir, enquanto nação, em procedimentos que mensuram o entendimento e habilidade científica que cada criança precisa para ter sucesso na economia global de hoje; e construir esforços vigorosos para recrutar, treinar, e reter os professores de ciências mais efetivos.

Se é para os USA atacar seus vários desafios — incluindo o desenvolvimento duma “economia verde” e fontes alternativas de energia que diminuem o impacto climático e atacam o aquecimento global como, talvez, a maior ameaça que enfrentamos como um planeta — a educação científica tem que ir para o palco e ter o foco principal. O Presidente Obama já reconheceu os desafios de recrutar e recompensar professores de ciência e matemática e de fazer da ciência, como nos anos pós-Sputnik, uma parte mais integral e inspiracional da nossa cultura. Agora nós precisamos tornar esse tipo de visão nacional de longo prazo em realidade orgânica.

Apesar da necessidade de se criar uma base de talentos para carreiras e cidadãos com base científica para o século 21 ser nacional (na verdade, global), a maioria das atividades pra se conseguir tal objetivo é local. Comunicação é necessária para se explicar as contribuições passadas da ciência para o crescimento econômico e o papel tradicional da ciência como um motor de mudança. Os trabalhadores para essa campanha devem ser recrutados, treinados, e postos para trabalhar, desde cientistas acadêmicos, indústrias e negócios, grupos da sociedade cívica, e sindicatos. Fontes devem ser extraídas a partir de filantropistas locais, entendendo a necessidade de se construir a consciência pública e apoio para uma agenda de mudanças. Apoio deve ser alistado da mídia, mas também de grupos comunitários, associações de pais e professores, e aposentados de todas as vertentes políticas. A comunidade científica tem muito a oferecer. Imaginem expandir por ordens de magnitude o número de cientistas e engenheiros aposentados trabalhando com professores e alunos em escolas ou em museus e centros de ciência como docentes; cientistas servindo em comissões educacionais estaduais e conselhos sendo reunidos por vários governadores; e em comunidades locais, cientistas advogando pela educação científica para prefeitos, comissões escolares, e superintendentes e apoiando a implementação com diretores, professores e alunos.

Nessa campanha, os cientistas vão precisar medir “ativos” (“espólios”) nacionais e locais, notando o que já deu resultado em outros lugares, como nos países Nórdicos onde a alfabetização científica é alta. Diferentemente de alguns países, os USA não têm um ministério da educação. Ao invés disso, uma estratégia para transformar a educação científica precisa unir os interesses e ações de 50 estados, 15.000 distritos locais, 3.500 faculdades e universidades, e incontáveis organizações científicas informais que constituem o sistema educacional dos USA. Incentivos federais devem fomentar a colaboração em agregar e compartilhar evidência de experimentos informados por pesquisas, guiados por um núcleo sólido de padrões nacionais para a educação científica. Os estados poderiam começar com lições de décadas de idade aprendidas pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) e plas Academias Nacionais, e por estados como Massachusetts ou países como Singapura, ambos os quais tiveram performances boas nos testes internacionais.

Apesar de cientistas geralmente ficarem mais confortáveis com a apresentação de fatos do que com a divulgação pública [dos mesmos], a próxima campanha pede que eles façam ambos.

Esse é um “Plano de Nação”, baseado em sólidos e robustos princípios científicos, visando melhorar todo o país: uma idéia simples (usar princípios científicos par melhorar o país, elevando seus padrões científicos e educacionais, trazendo consigo uma multiplicação econômica) com uma implementaçnao estrategicamente planejada.

Pra finalizar, só pra dar uma relaxada, eu preparo vcs pro que está por vir amanhá… Duas Culturas. 😎

Diversão garantida… 😈

Falando em fuga de cérebros…

terça-feira, 10 mar 2009; \11\America/New_York\America/New_York\k 11 Deixe um comentário

Pra quem sabe da importância desse assunto, os links abaixo são bastante interessantes e relevantes para essa discussão — vale a pena comparar o que ambos os textos dizem, e notar a diferença em política científica das partes envolvidas. Alguns trechos de ambos os artigos…

O trabalho que apresentei está disponível abaixo, e inclui alguns gráficos mostrando a forte tendência da CAPES e do CNPq de reduzir o apoio a estudos de brasileiros no exterior, e também de substituir as bolsas de doutorado por bolsas “sandwitch” de curta duração. Acho que estas políticas merecem uma discussão mais aprofundada.

A conclusão do artigo é que “es posible resumir esta discusión, remitiéndola a los riesgos y oportunidades que existen en la cooperación internacional. No se trata de optar por dos extremos, el de la internacionalización absoluta, que de hecho jamás va a existir, y el del nacionalismo cultural, científico y tecnológico, que tiene también obvios limites. Una política adecuada debería tomar en cuenta los beneficios del diálogo, oportunidades de aprendizaje y cooperación que existen cuando los caminos del intercambio y del flujo de personas e ideas están abiertos; asimismo, debería considerar los posibles límites de políticas educativas y de desarrollo científico y tecnológico que no invierten en la creación de instituciones de calidad en sus propios países, para que sea posible combinar de forma efectiva la investigación científica de calidad y actividades educativas, tecnológicas e científicas de interés y relevancia para sus propias sociedades. Esta no es, creo, una cuestión de recursos, sino que, principalmente, de orientación y actitud.

What should have been a short visit with her family in Belarus punctuated by a routine trip to an American consulate turned into a three-month nightmare of bureaucratic snafus, lost documents and frustrating encounters with embassy employees. “If you write an e-mail, there is no one replying to you,” she said. “Unfortunately, this is very common.”

Dr. Shkumatava, who ended up traveling to Moscow for a visa, is among the several hundred thousand students who need a visa to study in the United States. People at universities and scientific organizations who study the issue say they have heard increasing complaints of visa delays since last fall, particularly for students in science engineering and other technical fields.

(…)

The issue matters because American universities rely on foreign students to fill slots in graduate and postdoctoral science and engineering programs. Foreign talent also fuels scientific and technical innovation in American labs. And the United States can no longer assume that this country is everyone’s first choice for undergraduate, graduate or postgraduate work.

[]’s.

Como medir a massa de um astronauta?

segunda-feira, 2 mar 2009; \10\America/New_York\America/New_York\k 10 3 comentários

O corpo do ser humano evoluiu em um ambiente no qual a aceleração da gravidade possui um valor de g = 10\, \mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}. Em condições de microgravidade o organismo e o corpo do ser humano sofre bastante perda de massa, e é por isso que a NASA monitora periodicamente essa perda de massa de seus astronautas.

Eles usam um dispositivo conhecido como Body Mass Measuring Device (BMMD), traduzido para o português seria Aparelho que Mede Massa do Corpo. Ok, não é um nome muito criativo, mas a idéia física por trás do funcionamento do aparelho é bastante engenhosa.

É bom senso que para medirmos nossa massa em uma balança é preciso exercer uma força (ficamos em pé na balança) que comprime uma mola e pela deformação da mola medimos um valor que é calibrado e nos fornece uma medida absoluta de nossa massa. Mas como fazer isso em um ambiente onde a gravidade é praticamente nula? Simples, usando o BMMD:

Body Mass Measuring Device (BMMD), o Aparelho de Medida de Massa Corpórea (AMMC) projetado pela NASA para monitorar a perda de massa de seus astronautas em microgravidade. Foto retirada do site da NASA.

Body Mass Measuring Device (BMMD), o Aparelho de Medida de Massa Corpórea (AMMC) projetado pela NASA para monitorar a perda de massa de seus astronautas em microgravidade. Foto retirada do site da NASA.

Como podemos ver pela figura acima o BMMD é uma cadeira montada com molas. O astronauta senta na cadeira e esta é posta a oscilar. O astronauta mede o período de oscilação na cadeira, e a partir das Leis de Newton ele obtém uma relação matemática que relaciona a massa com outras grandezas experimentais conhecidas. Calculando então sua massa.

Encontrar essa relação matemática entre a massa do astronauta e dados conhecidos é uma tarefa simples que envolve mecânica clássica que aprendemos no colegial.

O sistema formado pelo astronauta e pelo BMMD é um simples sistema massa-mola. Seja M a massa desconhecida do astronauta, e m a massa da mola que oscila no BMMD, k é a constante elástica da mola, e T o período que será a grandeza obtida no experimento.

Nós sabemos dos livros didáticos de física que para um Movimento Harmônico Simples (MHS) também conhecido como (OH). A relação entre a massa do sistema, a constante elástica e a frequência angular (\omega) do MHS é dado pela seguinte relação matemática:

m\omega ^2 =k

A massa na relação acima é a massa total do sistema, que para o caso do sistema BMMD + Astronauta seria M + m. Dessa maneira temos que

(M + m)\omega^2=k

Foto retirada do site da NASA. Mostra uma astronauta no BMMD executando as oscilações. O sistema astronauta + BMMD é o já conhecido sistema massa mola também conhecido como Oscilador Harmônico. O movimento realizado pelo sistema é um movimento harmônico simples (MHS).
Foto retirada do site da NASA. Mostra uma astronauta no BMMD executando as oscilações. O sistema astronauta + BMMD é o já conhecido sistema massa mola também conhecido como Oscilador Harmônico. O movimento realizado pelo sistema é um movimento harmônico simples (MHS).

Lembrando que a relação entre frequência angular (\omega) e período (T) é dado pela seguinte relação matemática:

\omega=\frac{2\pi}{T}

Dessa maneira temos que:

M+m= k\left(\frac{T}{2\pi}\right)^2

Isolando a massa do astronauta (M) do lado esquerdo da relação acima:

M= \frac{k}{4\pi^2}T^2 -m

Usando a relação acima é possível então que a NASA monitore as possíveis perdas de massa de seus astronautas em microgravidade, usando apenas a engenhosidade e conceitos físicos já conhecidos por estudantes do colegial.

Referências

Matemática na era da Web2.0…

quarta-feira, 25 fev 2009; \09\America/New_York\America/New_York\k 09 3 comentários

A WWW daria uma lousa e tanto… se a gente conseguisse rabiscar uma equação

A WWW foi concebida no CERN e, desde então, o patamar em que chegamos atualmente (chamado de Web 2.0) é bem diferente daquilo que se imaginava na época da criação da Web. Hoje em dia já se fala em Web 3.0, que é uma espécie de codinome para Cloud Computing. Porém, o sonho original para a WWW é a chamada Semantic Web. Eis o próprio T.B. Lee falando sobre esse assunto,

De fato, a tal “Web 3.0” deve incluir toda essa parte “semântica” (veja mais em W3C Semantic Web Activity, The Semantic Web e The Semantic Web Revisited (PDF)), chamada tecnicamente de Metadata — apesar de que a incorporação de todos esses “metadados” em bancos-de-dados e aplicações (“cloud”) afins ainda vai levar algum tempo. 😉

De qualquer maneira… essa “simples” idéia — de assimilar os “metadados” de forma fundamental e intrínseca nas entranhas da Web — tem um enorme potencial quando o assunto é Publicação Científica. Um exemplo claro disso é o Scientific Publishing Task Force: Mindswap: Science and the Semantic Web, Science and the Semantic Web (PDF), Semantic web in science: how to build it, how to use it, ScienceOnline09: The Semantic Web in Science.

Então, como se pode ver com clareza, essa idéia de se associar “semântica” aos elementos já pertencentes da WWW, realmente será algo revolucionário.

A razão pra essa longa introdução é o paradigma adotado pelo MathML, que é a linguagem que permitirá a introdução de linguagem Matemática na WWW. Existem dois modos de se “descrever” uma informação em MathML, Presentation MathML e Content MathML — enquanto o pMathML foca na apresentação e aparência das equações e elementos matemáticos, o cMathML foca no significado semântico das expressões (num esquema bem parecido com Cálculo λ 😎 ).

Então, fica claro que o objetivo de MathML não é apenas o de “apresentar” uma informação, mas também de dar significado semântico a ela, o que fará com que a comunicação matemática seja muito superior do que a comunicação atual, feita em HTML!

O paradigma atual: \TeX

Hoje em dia, efetivamente, quem tem necessidade de publicar muitas equações usa \TeX, mais especificamente, usa-se \LaTeX — esse é o de facto padrão.

Essa linguagem é extremamente poderosa, versátil e flexível, podendo ser extendida de várias maneiras diferentes. E isso facilita muito sua aplicação em várias áreas diferentes: desde símbolos matemáticos, gráficos vetoriais, …, até símbolos musicais, de xadrez e tipografia em línguas gráficas, como árabe, hindu, chinês e afins!

Por essas e por outras, atualmente é muito mais comum de se encontrar programas que convertem de \TeX para MathML do que programas que nativamente facilitam a edição nativa [em MathML]. Tanto que existe um livro unicamente dedicado a esse assunto: The LaTex Web Companion. Aliás, nessa linha, eu recomendo o uso do formato DocBook, cuja saída pode ser HTML, PDF, \TeX (via o uso de XSLT), etc.

Portanto, o que acabou acontecendo é que quando alguém precisa publicar fórmulas e afins, ou se cria um documento em PDF, ou se usa de “algum desvio” para colocar a informação na Rede — em geral, esse desvio consiste em se converter o conteúdo desejado em alguma imagem, e inserí-la no HTML em questão.

A saída: habilitar os navegadores

A alternativa pra tornar tudo isso integrado (Web 3.0, MathML, etc) e unificado é prepararmos os navegadores para essa nova jornada, nova etapa, da WWW. Por exemplo, o Firefox tem toda uma infra-estrutura dedicada para MathML: MathML in Mozilla. Porém, pra isso, é preciso que os desenvolvedores de navegadores sigam os padrões já definidos para MathML. Essa é uma lista dos navegadores que suportam MathML. Além disso, pra quem usa Firefox, esse é um ‘add-on’ bem interessante, Firemath (eu não tenho uma conta com o Mozilla, então, se alguém que tiver uma conta quiser me mandar o add-on, eu agradeço 😉 ).

Portanto, o caminho ainda se encontra aberto… e as possibilidades são infinitas! 😈

Referências…

Forca Tarefa para Tool Kit sobre Recursos Educacionais Abertos

quinta-feira, 29 jan 2009; \05\America/New_York\America/New_York\k 05 Deixe um comentário

Já divulguei aqui o workshop sobre Recursos Educacionais Abertos, ocorrido na USP no final do ano passado. Estou repassando aqui para o Ars Physica esse email da Carolina Rossini sobre Recursos Educacionais Abertos (REA) no Brasil.

A Carolina organizou o primeiro workshop sobre REA na USP
<http://wiki.stoa.usp.br/OER-Workshop>, junto com o professor Ewout ter Haar, do IFUSP. Ela também estuda questões sobre propriedade intelectual e tem bastante contato com o pessoal da Creative Commons.

Quem quiser entrar na lista de emails de lá, visite

http://groups.google.com/group/rea-lista

ou mande um email direto para rea-lista-subscribe@googlegroups.com.

Também os convido a assinar a  Declaração de Cidade do Cabo para a Educação Aberta:

http://www.capetowndeclaration.org/translations/portuguese-translation

e visitar a página (em inglês) sobre Open Educational Resources:

http://oerwiki.iiep-unesco.org/

Abraços!

Tom

———- Forwarded message ———-
From: Carolina Rossini
Date: 2009/1/26
Subject: Forca Tarefa para Tool Kit sobre Recursos Educacionais Abertos
Estimados colegas,

Vocês encontram-se copiados neste e-mail por terem, de uma forma ou de outra, expressado interesse sobre a discussão relativa a recursos educacionais abertos no Brasil.

Estas discussões iniciaram-se em dezembro de 2008 por meio de uma série de reuniões e workshop com o Open Society Institute – um dos lideres do movimento internacionalmente e co-autor da Declaração sobre Educação Aberta de Cape Town. (ver aqui:
http://www.capetowndeclaration.org/translations/portuguese-translation)
Um dos workshops realizados foi na USP e seus resultados podem ser vistos aqui, inclusive apresentações:

http://wiki.stoa.usp.br/OER-Workshop

Uma força tarefa internacional esta sendo organizada ao redor das discussões para o desenvolvimento de um Tool-Kit sobre recursos educacionais abertos a ser elaborado colaborativamente para posterior distribuição em escolas e universidades Brasileiras e pelo mundo.

O trabalho aproveitará trabalhos já realizados, mas tem como intenção melhorá-los e adaptá-los as necessidades Brasileiras. Além de tornar a linguagem mais acessível e apelativa a professores, educadores, e alunos.

Alguns trabalhos internacionais de referência de base são OER Handbook (produzido pelo COSL) – http://www.wikieducator.org/OER_Handbook –  e o rascunho produzido pela comunidade OER coordenada pela UNESCO – http://oerwiki.iiep-unesco.org/index.php?title=UNESCO_OER_Toolkit.

O objetivo deste Tool-Kit é aproximar a população brasileira,
principalmente políticos, professores, educadores, acadêmicos e
estudantes das discussões relativas a recursos educacionais abertos e seus benefícios, como acesso ao conhecimento e a uma ampla gama de materiais e metodologias de ensino que podem ser compartilhadas e desenvolvidas de forma colaborativa. O Tool-Kit trabalhará com conceitos básicos, estratégias de desenvolvimento de Recursos Educacionais Abertos, questões sobre propriedade intelectual a serem enfrentadas, além de trazer exemplos de REA que podem ser utilizados, no intento de divulgar o que já existe no Brazil e exterior.

Desta forma, venho, por meio deste email, perguntar-lhes se querem fazer parte desta força tarefa contribuindo com sugestões, duvidas e conteúdo. Por favor, responder em e-mail individual para Carolina Rossini.  Peço também, que enviem este email a colegas, alunos e instituições possivelmente interessadas em participar desta discussão.

Uma lista de debate será organizada e acesso a plataforma wiki para trabalho no Tool-Kit será autorizado.

Abraço e obrigada,

Carolina Rossini
Coordenadora
Projeto Recursos Educacionais Abertos Brasil: Perspectivas e Desafios
Apoio: Open Society Institute e Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas e
Fellow – Cooperation Project
Berkman Center for Internet and Society
Harvard University

e

Mônica Steffen Guise Rosina
Coordenadora Regional
Pesquisadora – Escola de Direito de São Paulo
Fundação Getulio Vargas
e
Pesquisadora – A2K Project
Yale University

Open Source Physics (other sciences too) Lab

terça-feira, 16 dez 2008; \51\America/New_York\America/New_York\k 51 6 comentários

Hoje, enquanto matutava sobre uma idéia antiga que eu tenho desde os tempos da minha graduação em física (não faz tanto tempo assim na verdade :P) ocorreu-me a seguinte coisa: há algum projeto de laboratórios didáticos de física de conteúdo aberto?

Me explico. Eu sempre gostei da idéia de criar experimentos didáticos para alunos de colegial e faculdades de física e sempre achei os que já existem tremendamente chatos e desinteressantes. E eu sempre fiquei muito empolgado ao ver projetos de ciência na internet e pessoas que construiram diversos aparatos bastante complicados e que fizeram parte de experimentos chave na história da física apenas com componentes comprados no Radio Shack. A quantidade de experimentos bacanas de verdade que se pode fazer em casa é grande. Eu já vi lasers, pequenos aceleradores de partículas, bombas de vácuo, telescópios, … uma infidade de coisas feitas em casa. Há projetos na internet como o Open Source EEG – um aparato de eletroencéfalografia de projeto totalmente aberto na web.

Então me ocorreu a idéia: porque não abrir um Open Source Lab, um projeto de desenvolvimento de experimentos didáticos de física sérios, com projetos detalhados abertos na internet com licença copyleft – totalmente aberta ao uso e modificação por qualquer pessoa – focado em recriar experimentos interessantes da história da física.

Há diversas coisas que, estou certo, são possíveis de serem feitas por pessoas que tem um jeito para por a mão na massa e poderiam ser usadas por escolas, universidades em países de terceiro mundo e até empresas que queiram produzir esses materiais para vender a escolas particulares e etc (o que não é proibido por uma licença copyleft).

A idéia é recriar experimentos famosos através de projetos de experimentos didáticos usando a tecnologia moderna, a moderna acessibilidade a recursos que até poucas décadas atrás eram caros e tornar isso um projeto colaborativo através da web de conteúdo totalmente aberto e de acesso gratuito.

A única coisa que me impede de fazer isso tudo é o maldito lado prático da vida. Eu, como legítimo acadêmico, não sei fazer as coisas andarem e não tenho idéia de quem ou o que financiaria um projeto desse tipo e como se viabilizaria uma coisa dessas sem capital próprio (que no meu caso é bem escasso). Universidades teriam interesse? Empresas teriam interesse? Agencias governamentais teriam interesse? Você que está lendo teria interesse?

Ao leitor que estiver interessado e souber lidar com esse tipo de coisa, souber onde se busca patrocínio para esse tipo de projeto e tiver jeito para por a mão na massa em desenvolver projetos desse tipo:  o que estamos esperando?!!

Pensando o quê…?!

terça-feira, 18 nov 2008; \47\America/New_York\America/New_York\k 47 3 comentários

A edição de novembro/dezembro (2008) da Seed Magazine está fantástica! :mrgreen: Eu sei que alguns acham que meu estilo de fala ou de escrita é meio hiperbólico, talvez uma herança italiana, de falar com as mãos, alto, festivamente (deixando tudo isso bem claro através do uso de diversos pontos-de-exclamação, “!”)… mas, no caso em questão, essa é realmente uma observação concreta de fato: A Seed está completando seu primeiro ano de existência com o moto Ciência é Cultura, ❗ , e não poderia ter escolhido fazê-lo de modo melhor:

Eu recomendo a todos que quiserem e puderem, que comprem a revista: vale a pena (até o papel em que a revista foi impressa é especial — realmente, está uma edição excelente)! E, quem não puder, espere um pouco, porque o conteúdo da revista deve ficar disponível na rede em breve. 😉

Em particular, na seção Emergent Science City 2008, apareceu o IINN. A reportagem é de Maywa Montenegro e traduzo-a abaixo.

Natal, Brasil

Natal é a capital do estado nordestino do Rio Grande do Norte, um dos mais pobres do Brasil. O estado contribui com menos de 1% para o PIB do país, e a taxa de analfabetismo é quase o dobro do resto da média nacional.

Mas essa cidade acabou de se tornar o local dum novo e robusto experimento que vai testar a possibilidade de se usar a Ciência para alavancar transformações econômicas e sociais para a região. O Instituto Internacional de Neurociência de Natal (IINN), construído numa fazenda montanhosa a 20 quilômetros da cidade, incorpora um prédio de pesquisa com 25 laboratórios, uma clínica de saúde gratuita e uma escola para crianças entre 11 e 15 anos. O chamado “campus do cérebro” é visto como o primeiro duma série de institutos (análogo aos Max Planck) espalhados pelo Brasil, o começo duma Renascença para a pesquisa científica do país.

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Duke University, concebeu os primeiros planos do IINN em 2003 como uma forma de reverter o vazamento de cérebros da sua terra natal. Em 2007, Nicolelis juntamente com mais dois cientistas brasileiros da Duke, haviam levantado US$ 25 milhões para o projeto, quantia essa que foi equiparada pelo presidente Inácio Lula da Silva depois de visitar o campus em agosto passado. (O presidente “Lula” ficou tão impressionado com os esforços de Nicolelis que recentemente ele incumbiu o neurocientista a criar um currículo de ciência para quase 354 novos colégios técnicos.)

Planos para escalar o IINN para uma escola de 5.000 alunos e construção de mais laboratórios, uma clínica maior, um complexo desportivo, e um parque ecológico sublinham uma dimensão importante do desenvolvimento de Natal: a idéia de que ciência avança somente através do fomento do envolvimento social, extendendo-se da torre de marfim para dentro da comunidade. Esses planos também seguem a tendência de “parques científicos”: em última instância, o IINN formará o cerne dum parque biotecnológico de 1.000 a 2.000 hectares para energia, TI, e negócios farmacêuticos. Como Nicolélis e Lula disseram num editorial de fevereiro, “O gigante dos trópicos finalmente acordou”.

N.B.: os links/URLs não estão no original; eu os coloquei para melhor contextualizar o texto praqueles que não conhecem o MPI nem o editorial de fevereiro/08 da SciAm.

A comparação com os MPI me deixou, honestamente, de queixo caído: faço muito gosto que isso seja a mais pura verdade! 😎

Minha pergunta, claro, é a seguinte: “Quando é que vem o bloco da Física?!” 😈

Ainda nessa mesma de reportagens de qualidade excelente, a revista The Atlantic lançou um projeto novo, que merece uma visita:

É isso aí: a diversão está garantidíssima! 😎

Atualizado (2008-Nov-25 @ 09:57h): Aqui vai o link oficial:

[]’s.

Tecnologia de Educação em Física…

quarta-feira, 12 nov 2008; \46\America/New_York\America/New_York\k 46 Deixe um comentário

Pra quem gosta de “experimentar” com a educação e aprendizado em Física, esse artigo é bastante interessante:

A sigla PhET significa “Physics Education Technology”, que é um projeto onde o resultado de pesquisas que mostram que alunos aprendem melhor quando eles constroem o próprio entendimento de idéias científicas [dentro do arcaboço do conhecimento que eles possuem], é posto em ação via o uso de simulações interativas, possibilitando que os alunos tenham um engajamento ativo com o conteúdo.

O webite oficial do PhET é,

Outra que vai no mesmo espírito é a seguinte:

(Em particular, eu recomendo também o artigo Meta Math! The Quest for Omega; foi nele que li, pela primeira vez, o termo Matemática Experimental, direto da boca do G. Chaitin — esse aqui é pro Fábio: Epistemology as Information Theory: From Leibniz to Omega.)

Essas idéias não são particularmente novas (no meu primeiro ano do CCM eu tive aulas de matemática com o Prof. Jacob Z. Sobrinho, que dava laboratórios semanais na sala de computação, fazendo a gente “testar” o que aprendeu em sala de aula — o mesmo aconteceu com o nosso curso de computação, que sempre resolvia problemas que a gente estava aprendendo em outras matérias, como química, biologia e física), mas ainda continuam sendo inovadoras (por razões que me fogem).

Nesse mesmo espírito, quero aproveitar e citar a palestra sobre educação que assisti recentemente, ministrada por Ed Redish. Ele faz parte do Physics Education Research Group (PERG), e a maioria dos trabalhos dele podem ser encontrados em Papers and Talks by E. Redish — vale muito a pena dar uma olhada no que tem por aí… muita coisa interessantíssima! (Infelizmente, a palestra que ele deu aqui em Syracuse (ainda?) não me parece estar disponível online. 😛 )

É isso aí… agora é hora de começar a pensar na janta… 😉

[]’s.

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