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Manifesto contra corte de recursos para Ciência e Tecnologia

segunda-feira, 2 fev 2009; \06\America/New_York\America/New_York\k 06 7 comentários

Acabo de ler num post do Antônio Guimarães, pós-doc do IAG USP, que criaram um manifesto contra o corte de verbas para a Ciência no brasil, divulgado recentemente aqui no Ars Physica.

Reproduzo aqui o texto do manifesto. Para assiná-lo, acesse http://www.edm.org.br/edm/manifesto.aspx

A possibilidade de corte de recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, se consumado,
irá interromper o ciclo virtuoso de progresso científico, iniciado há mais de duas décadas.

Um sólido desenvolvimento científico e tecnológico é, nos dias de hoje, o caminho mais consistente para a riqueza e a soberania das nações. Os países que apresentaram maior desenvolvimento social e econômico no período que se seguiu à Segunda Grande Guerra foram aqueles que, independentemente do seu modelo político, implementaram uma política consistente e de longo prazo para o aprimoramento de suas pesquisas. O Brasil nas últimas três décadas vem exercendo uma política consistente na área de Ciência, cujo resultado é hoje medido pelos índices expressivos de sua produtividade científica. Mais importante, o aumento da qualificação do parque brasileiro de pesquisa e a inovação tecnológica dela decorrente vêm gerando riquezas ao país. Temas estratégicos para o desenvolvimento nacional, tais como o aumento da produtividade agrícola, a descoberta de novos campos de petróleo e gás, o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, o aprimoramento da tecnologia aeronáutica, as estratégias inteligentes de conservação ambiental, as pesquisas em genética e os novos procedimentos de tratamento de moléstias de nosso povo (incluindo a utilização de células-tronco, a produção de novos medicamentos e a instrumentação médica) possuem, todos eles, a “impressão digital” dos pesquisadores brasileiros.

Nesse cenário, vemos com grande preocupação a possibilidade de corte de recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, que, se consumado, irá interromper o ciclo virtuoso de progresso científico, iniciado há mais de duas décadas. Um retrocesso nesse momento resultará em conseqüências negativas em médio e longo prazo. Oportunidades de pesquisa serão perdidas, pesquisadores jovens e experientes migrarão para países que lhes ofereçam melhores oportunidades, e um grande número de estudantes perderá a oportunidade de ingressar em atividades de pesquisa. O atual governo dos Estados Unidos da América do Norte isentou de cortes a área de Ciência e Tecnologia, mesmo estando no centro da grave crise econômica. Com isso, os EUA elegem o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia como um instrumento poderoso para vencer as vicissitudes da atual conjuntura e promover o bem estar social.

Temos convicção de que o Congresso Nacional, fórum maior das decisões dos destinos da Nação, será sensível a esta questão e assegurará as condições para o contínuo progresso científico e tecnológico de nosso País, recompondo as previsões orçamentárias para o ano de 2009, que foram elaboradas com sobriedade e alinhadas com as metas do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional. Somente com investimentos em ciência e tecnologia sairemos fortalecidos dessa crise.

Prof. Dr. Colombo Celso Gaeta Tassinari
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Técnicas Analíticas para Exploração de Petróleo e Gás

Prof. Dr. Euripedes Constantino Miguel
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Psiquiatria do Desenvolvimento para crianças e adolescentes

Prof. Dr. Glaucius Oliva
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biotecnologia Estrutural e Química Medicinal em Doenças Infecciosas

Prof. Dr. João Evangelista Steiner
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Astrofísica

Prof. Dr. Jorge Elias Kalil Filho
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia

Prof. Dr. José Antonio Frizzone
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Pesquisa e Inovação em Engenharia da Irrigação

Prof. Dr. José Carlos Maldonado
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos

Prof. Dr. José Roberto Postali Parra
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Semioquímicos na Agricultura

Prof. Dr. Marcos Silveira Buckeridge
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol

Profa. Dra. Mayana Zatz
Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Células-Tronco em Doenças Genéticas Humanas

Profa. Dra. Nadya Araújo Guimarães
Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos da Metrópole

Profa. Dra. Ohara Augusto
Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência Tecnologia de Processos Redox em Biomedicina-Redoxoma

Prof. Dr. Paulo Hilário Nascimento Saldiva
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Análise Integrada do Risco Ambiental

Prof. Dr. Roberto Mendonça Faria
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Eletrônica Orgânica

Prof. Dr. Roberto Passetto Falcão
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Células-Tronco e Terapia Celular

Prof. Dr. Sérgio França Adorno de Abreu
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Violência, Democracia e Segurança Cidadã

Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Óptica e Fotônica

Enquanto isso, no brasil… Corte de verbas para Ciência

quinta-feira, 22 jan 2009; \04\America/New_York\America/New_York\k 04 14 comentários

Enquanto o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, está a caminho de um maior estímulo a pesquisas científicas em seu país, tendência mundial, como na Índia, Coréia do Sul, China (alguém acha um link?) e possivelmente muitos outros países, o Brasil está cortando 18% das verbas destinadas para ciência e tecnologia.

Aqui você é o palhaçoO ministro da ciência e tecnologia, Sérgio Resende, considera o corte de R$ 1,1 bilhão como irresponsável. Segundo a matéria da Folha, o responsável pelo corte é o deputado senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Me pergunto, o que o minstro fez para evitar esse corte absurdo?  O que podemos fazer na prática como forma de protesto? Não sei se é reversível, mas os responsáveis devem pagar. Que tal algum leitor daqui adotar o deputado senador Delcídio? (Melhor estender mais ainda a campanha Adote um Vereador, como já sugerido pelo Névio.)

Atualizando (22/01/08 às 14h):

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