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Posts Tagged ‘emprego’

Procurando emprego…

segunda-feira, 13 out 2008; \42\America/New_York\America/New_York\k 42 7 comentários

O Ben Webster do Secret Blogging Seminar fez um post bem interessante hoje:

Nesse espírito, posto que também estamos na fase de empregos em Física também, resolvi não só atender ao chamado do Ben, mas também seguir o exemplo:

É preciso notar que os PDFs acima foram feitos em Novembro de 2007. Fora isso, é sempre bom se colocar uma Cover Letter no meio do material que será enviado — a que eu usei está logo abaixo.

Pra quem não sabe direito como começar, uma boa dica é SPIRES Jobs: notem que é possível se fazer várias combinações com as opções dadas pelo SPIRES, e.g., Theory/Math Postdocs em qualquer lugar do mundo. Atualmente, existem grandes vantagens, como acompanhar o link anterior via RSS. Fora isso, a grande maioria das aplicações podem ser feitas online, ou via formulários eletrônicos (onde vc põem todos os seus dados e uploads os documentos necessários), ou via email (onde vc manda tudo anexado, PDFs preferencialmente). De resto, o negócio é fazer o dever-de-casa mesmo: ir pros websites dos lugares pra onde vc quer ir, pesquisar sobre os professores e suas áreas de estudo, contactar (email) aqueles que vc mais gostou, e assim por diante.

Alguns exemplos bem práticos:

Em ambos os casos, o processo é todo eletrônico. É importantíssimo se lembrar que, acima do equador, o ano letivo é transladado de 6 meses (Setembro—Junho; ao invés de Fevereiro—Novembro, como no Brasil). Portanto, não se esqueçam que os deadlines são por volta de dezembro—janeiro (para começar a trabalhar em setembro do ano seguinte). Entretanto, alguns lugares têm adiantado os deadlines; via de regra, é bom manter as seguintes datas em mente: 01, 05 e 15 de novembro; 01, 15 e 31 de dezembro; e 31 de janeiro.

Então, apesar da grande maioria das universidades mundiais anunciarem no SPIRES (link acima), sempre há excessões. Portanto, é importante prestar atenção e ficar ligadão mesmo: esse é um processo meio longo e extremamente estressante e chato — ninguém sai ileso dele. Mas, se vc prestar atenção e não deixar a peteca cair, dá pra levar tudo na boa, sem grandes traumas nem nada. (Por isso que poder fazer RSS das ofertas é essencial! 😉 )

Bom, acho que esse é o ‘grosso’ da coisa… mais detalhes (incluindo as possíveis dúvidas e perguntas) ficam pros comentários. Quem quiser colaborar nesse esforço, é só deixar os links (CV, Proposta de Pesquisa, etc) nos comentários. Pra quem quer fazer o CV em LaTeX, aí vai a dica:

É isso aí… divirtam-se! 😈


Minha Cover Letter de 2007:

Dear Mr./Ms./Dr.,

I am presently a graduate student at Brown University, in the group of Professor G. Guralnik. I am writing in order to apply for a postdoctoral position in your group.

My thesis work focused on deepening the understanding of non-perturbative QFT: its Solution Sets (configuration space); Symmetry Breaking and Phase Transitions; Topology Change. I was able to show that the Solution Sets of QFTs can be studied via topological methods, namely Morse Theory, where the classical solution has one given topology and its quantum corrections are “handles” attached to it. Therefore, the quantum corrections are a sequence of surgeries between the initial and final cobordisms — given by the classical and quantum configuration spaces, respectively. Moreover, using this construction I was able to see more clearly the role played by a polynomial constructed from the potential energy: the ramifications of its discriminant, at the roots of this polynomial, are related to the singularities of the Higgs Bundle built from this theory, making a connection with the Geometric Langlands Conjecture. In fact, each branch [of this ramification] is related to a different solution of the QFT in question having its own topology, distinct from the other ones. Furthermore, I was able to apply such results to Quantum Gravity problems, such as the Bottomless Potential in String Theory (2+1)-dimensional Gravity and the Chern-Simons ansatz in String Field Theory. In addition to these results, I was also able to devise a numerical scheme to handle simulations of Lorentzian QFT, avoiding the so-called “sign problem”. However, although successful in some cases, this method encountered some difficulties that we expect to surpass with the availability of better hardware.

During the course of my studies, I have become interested in Solutions Sets of QFTs, Symmetry Breaking and Phase Transitions, Topology Change, Noncommutative Geometry, Twistor Methods, Quantum Gravity and Structure Formation in Cosmology.

In addition to this letter you will find my Curriculum Vitae and a short research statement. Also, I have arranged for 4 recommendation letters to be sent to you by:

Professor G. S. Guralnik, Brown University, Providence, RI. USA.
Phone: +1 401-863-???? or +1 401-863-????
Email: ?????@het.brown.edu

Professor M. Spradlin, Brown University, Providence, RI. USA.
Phone: +1 401-863-????
Email: ????????@het.brown.edu

Professor A. Jevicki, Brown University, Providence, RI. USA.
Phone: +1 401-863-????
Email: ?????@het.brown.edu

Professor I. Dell’Antonio, Brown University, Providence, RI. USA.
Phone: +1 401-863-????
Email: ???@het.brown.edu

Please do not hesitate to contact me should any questions arise. I look
forward to hearing from you.

Sincerely,

Enquanto isso no Brasil…

domingo, 28 set 2008; \39\America/New_York\America/New_York\k 39 1 comentário

Em vista da situação americana descrita no post do Daniel, talvez valha a pena comparar a situação no Brasil. Ano passado e no anterior, a quantidade de vagas abertas para docentes foi grande. Inclusive em grandes centros como São Paulo, onde a UFABC deu uma desafogada no mercado. Nesses últimos anos também houve uma quantidade considerável de oportunidades em universidades no interior e, embora eu não esteja mais acompanhando de perto a sitauação tupiniquim, uma rápida olhada nos anúncios da SBF mostra que a situação continua razoavelmente favorável em termos de vagas.

Mas então, por que não temos uma visibilidade maior em termos de pesquisa em física de altas energias?

Sobre as universidades no interior, há pouca estrutura de pesquisa e as pessoas que são contratadas nesses centros ou ficam sobrecarregadas com a quantidade de aulas ou trabalham arduamente para criar uma infraestrutura de pesquisa, o que, em geral, sacrifica sua própria carreira acadêmica. Sem, claro, menosprezar essas iniciativas, devo concordar que é uma escolha dura ficar isolado.

Por outro lado, nos grandes centros onde esse problema, em princípio, poderia parecer não existir, algo curioso acontece. Recentemente estive conversando com um físico que foi contratado pela UFABC na área de física de altas energias e o que ele me relatou é que a maioria dos candidatos não conseguiu passar sequer na prova escrita. Ou seja, a impressão que se tem é que mesmo que se abra vagas, não há pessoas de qualidade para preenchê-las (espero que ninguém fique ofendido).

Me lembro que quando tive chance de acompanhar de perto um desses processos de seleção, uma das grandes questões era sobre os detalhes de edital, justamente porque a impressão dos pesquisadores desse instituto era que se o campo de pesquisa fosse muito limitado poderia não aparecer ninguém de qualidade. E estavam justamente se referindo à área de física de altas energias. Como alguém que está ainda entrando nesse campo, me pergunto: onde estão todas as pessoas que terminam seus doutorados? Aqui nos EUA, quando uma universidade se propõe a abrir uma vaga, as pessoas vão atrás de potencial candidatos, convidam essas pessoas para dar seminários onde o pretendente é devidamente apresentado ao faculty da universidade e então há dados concretos para se fazer uma avaliação. Mas e no Brasil? Nesse caso específico, isso simplesmente não conseguiu ser feito! Parte em nome da “democracia” dos concursos. E isso é um outro problema, se você quiser atrair um grande nome de uma área para que essa pessoa seja um aglutinador, não há meios de fazê-lo oferecendo, por exemplo, melhores salários.

Tudo bem, mas ainda assim há algumas poucas pessoas muito boas em física de altas energias teórica no Brasil e é de se imaginar que eventualmente um ou outro aluno dessas pessoas se torne um bom pesquisador. Onde estão essas pessoas? Espalhadas, algumas indo para esses outros mercados emergentes, e algumas em institutos de matemática (onde, curiosamente, sobram vagas). E isso é outro problema no Brasil. Falta uma política central de desenvolvimento de ciência. Isso é um termo perigoso no ouvido de algumas pessoas. Rapidamente alguém vem e grita: “O governo não pode querer determinar o que os cientistas tem que pesquisar!”. Falácia das grandes. Você ter um norte, um plano central de desenvolvimento não é equivalente a determinar o que se vai pesquisar. É justamente tentar evitar todos esses problemas. Foi isso que funcionou nos exemplos do Chile e do México que o Daniel citou.

Até porque ciência é um investimento de altíssimo risco. Se você não organiza a casa, aí é que só vai se perder mesmo. E o governo tem o poder de fazer essa organização, pois é ele que distribui o dinheiro. Não que eu acredite em um governo totalitário, não me entendam mal. Mas isso que está aí também não vai dar em nada. Quantas vezes eu já vi grupos de física experimental de altas energias terem seu parco financiamento cortado no meio de um projeto (e terem que responder à colaboração completamente envergonhados)! Nesse sentido, ciência é um mercado como outro qualquer: com 10 reais você compra um chocolate, com 5 reais você não compra meio! E o que se está fazendo é jogar os 5 reais fora.

Será que a situação está melhorando? Será que podemos ser otimistas? Acho que não. Até porque tudo que falei sobre infraestrutura de ciência existe um paralelo imediato na infraestrutura educional (que fica para outro post). E estamos falhando nesse campo também. A qualidade das pessoas que estão chegando nas universidades é cada vez pior. E isso é uma realimentação positiva péssima.

O que me ainda me dá alguma esperança são iniciativas isoladas como o Instituto de Neurociências de Natal. A idéia é algo que realmente pode funcionar, embora não sei até que ponto está funcionando. Ciência de qualidade, investimento público e privado em massa, com um objetivo claro e bem determinado, e servindo ao mesmo tempo como mecanismo de desenvolvimento social. Será que é possível fazer algo análogo em física de altas energias (principalmente as áreas mais teóricas como Teoria de Supercordas, LQG, Teoria Quântica de Campos, …)? Eu acredito que sim. Mas isso é apenas uma esperança, um sonho talvez.

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