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Impasses e trolls: maturidade social…

quarta-feira, 25 fev 2009; \09\UTC\UTC\k 09 39 comentários

Foi trazido à atenção da Moderação da Comunidade de Física do Orkut um acontecimento um tanto curioso: O blog Bule Voador — de natureza explicitamente cética — publicou uma matéria absolutamente pseudo-científica, cuja retórica tenta esconder esse pseudo-cientificismo atrás duma aparente “censura”. Eis o post em questão: Convidados – Preconceito e Censura na Comunidade de Física do Orkut.

Por uma questão de transparência e completude lógica, eis os únicos tópicos (em ordem cronológica — atentem para as datas em cada tópico) onde o autor do post acima, assim como suas reinvindicações e seu comportamento, são tratados:

Isso posto, vamos aos comentários pertinentes. Antes de tudo, porém, eu gostaria de agradecer ao Marcelo “Druyan” Esteves, autor do blog Bule Voador, por ter gentilmente trazido esse assunto a nossa atenção e por ter cedido um espaço para uma possível réplica: Obrigado Marcelo, foi realmente gentil e atencioso da sua parte ter tomado essa atitude — é realmente impossível manter-se atualizado a respeito de blogs interessantes e estimulantes numa blogosfera que pipoca milhares de novos blogs diariamente: essa é a razão pela qual nenhum de nós, membros da Moderação da Comunidade de Física do Orkut, não tomamos ciência desse fato anteriormente. Porém, duma próxima vez, eu te aconselho a usar o mecanismo de trackbacks (às vezes, também chamado de pingback) que todos os softwares de blog possuem: dessa forma (i.e., se vc tivesse feito um trackback para algum post apropriado aqui no AP, por exemplo, o post Quem somos nós?), nós teríamos sido informado desse fato dum modo mais direto e automatizado.

Agora sim, vamos ver o que está acontecendo com a tal “censura” e “preconceito” na Comunidade de Física. Porém, antes de tudo, é preciso tomarmos sabermos quais são as regras da comunidade — assim, sabendo quais são as regras (i.e., qual é o conteúdo permitido na Comunidade), podemos inferir sem maiores dificuldades quais os assuntos que não são pertinentes. Eis as regras,

Portanto, com as regras em mãos (basta seguir os links acima e lê-los), precisamos apenas de mais um ingrediente para podermos começar a tirar as devidas conclusões lógicas desses acontecimentos.

Eis esse ingrediente: Uma Comunidade no Orkut não é como um país, por exemplo. Vejam, ao passo que, no Orkut, vc escolhe as comunidades que quer participar, não é possível vc escolher o país onde nasce — essa decisão, infelizmente ou não, cabe aos seus pais. Portanto, diferentemente da discussão de “democracia” ou “liberdade de expressão” que acontece no âmbito de uma organização social chamada “país”, o mesmo não se aplica para uma organização social no Orkut, i.e., para uma Comunidade do Orkut. A razão para isso não é complicada: se há um conjunto de regras que rege uma determinada comunidade, quando alguém se afilia aquela comunidade, o mínimo que se pressupõem é que esse indivíduo esteja de acordo com as tais regras, i.e., se assume que, se o indivíduo se juntou aquela comunidade, ele tem a responsabilidade social de seguir essas regras [previamente estabelecidas].

Se essa pessoa discorda dessas regras, ela tem duas opções:

  1. Começar sua própria comunidade, onde ela pode escolher e estabelecer as regras que bem escolher ou quiser; ou
  2. Antes de se afiliar a comunidade, discutir as regras num foro apropriado; no caso, essa discussão deve acontecer na Comunidade da Moderação.

A partir de agora, temos todos os ingredientes necessários pra avaliar o ocorrido. A pessoa em questão, autor do post citado no parágrafo de abertura, violou as regras da comunidade: oras, ela se afiliou a comunidade mas não respeito as regras da mesma! E, como se isso não bastasse, ela ainda teve o displante de reclamar da atitude posteriormente tomada pela Moderação.

Portanto, essa não é uma questão de “censura” muito menos de “preconceito”, mas sim uma questão de respeito e de responsabilidade:

  • Respeito : para com os outros membros da Comunidade, assim como para com a Moderação, em se comportar de acordo com as regras já estabelecidades da comunidade (ao invés de fundar sua própria comunidade com suas regras preferidas, ou de discutir a validade e pertinências das regras em questão antes de se juntar à Comunidade de Física); &
  • Responsabilidade : em arcar com as conseqüências de seus próprios atos (que violam as regras que essa pessoa, em princípio, aceitou respeitar para ser membro da comunidade em questão).

Portanto, resumindo os fatos: existem regras numa comunidade ⇒ a pessoa se afilia a tal comunidade (o que implica em concordar em respeitar tais regras, assim como em assumir as responsabilidades quando tais regras forem violadas) ⇒ essa pessoa viola as regras ⇒ a pessoa é punida por tal transgressão (mesmo que tal punição tenha levado mais de 1 ano pra acontecer — basta checar as datas das referências já citadas acima).

Como uma seqüência lógica dessas pode ser taxada de “preconceito” ou de “censura”?! Vc escolhe pertencer a uma comunidade apenas para sabotá-la?! Desde quando isso é um comportamento cívico?! 😥

De fato, não há palavras para descrever o tamanho do impasse lógico e da imoralidade que esse tipo de comportamento representam: respeito e responsabilidade são um conjunto mínimo de características necessárias praquilo que eu chamo de maturidade social, que é o necessário para uma vivência harmônica e solidária dentro duma determinada comunidade (quer seja dentro do Orkut ou fora dele).

Porém, dentro da cybercultura, esse tipo de comportamento ilógico e anti-cívico já é conhecido e devidamente classificado há tempos: chama-se Troll. Em particular, um comportamento típico freqüentemente associado a ‘trolls‘ é o de flame-baiting, assim como o de social gadfly.

Dessa forma, a análise feita aqui provê a desconstrução dos “argumentos” usados no post citado no primeiro parágrafo — mais especificamente, essa réplica representa o fisking e o anti-idiotarianism (aplicado aqui no sentido de lutar contra o fanatismo pseudo-científico) daqueles “argumentos”.

Por fim, quero lembrar a famigerada Lei de Godwin, e dizer que — uma vez que já estamos tendo que falar de “censura” e “preconceito”, assim como (logicamente correlata) de “liberdade de expressão” (vale lembrar também da Lei da Controvérsia de Benson) — estamos no caminho certo indicado pela Lei de Godwin: daqui a pouco, essa virará uma discussão sobre “ditadura”, “fascimo” e “nazismo”!

Como sempre, uma boa lista dos participantes no tipo de discussão que se quer estabelecer com uma retórica tão volátil e enviesada, é a seguinte:

Mas, nós aqui do AP, da Comunidade de Física e da Moderação da Comunidade de Física, já estamos vacinados contra esse tipo de comportamento — principalmente dado os longos anos que alguns de nós já têm de experiência em lidar com esse tipo de caso.

Portanto, espero que todas as possíveis dúvidas tenham ficado esclarecidas e retificadas.

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Massa e Energia em Relatividade

segunda-feira, 1 dez 2008; \49\UTC\UTC\k 49 1 comentário

O orkut é uma fonte infindável de discussões repetidas sobre relatividade restrita. Um dos fenômenos que parece causar mais confusão é a relação entre massa e energia. Em particular a diferença entre massa relativística e massa invariante (de repouso). Existe muita discussão se o conceito de massa relativística deve ser abandonado. Não há nada de intrinsicamente ruim no conceito de massa relativística, é só um outro nome para energia. E aí que mora o perigo, a energia depende do observador e isso causa uma miríade de confusão. Ainda mais quando se envolve gravidade.

Então, para não dizerem que eu abandonei o blog, vou fazer um texto rápido onde, através de um exemplo, espero elucidar essas diferenças e definir conceitos. O caso que eu vou estudar é de uma partícula que está orbitando um “planeta” sendo observado por alguém que está sentado na superfície do planeta. Inicialmente eu vou considerar o “planeta” sem gravidade, e depois eu coloco a gravidade onde é o seu lugar.

A relatividade é uma teoria onde a gravidade é descrita pela métrica do espaço-tempo. Uma métrica com curvatura não-nula indica a presença de gravidade. Por exemplo, num ambiente sem gravidade, vamos considerar a seguinte métrica sem curvatura em coordenadas esféricas:

d\tau^2 = - dt^2 + dr^2 + r^2 d\theta^2 + r^2\sin^2\theta d\phi^2

Uma partícula, na ausência de qualquer outra força seguirá uma geodésica do espaço-tempo. Vamos considerar que a partícula em questão está orbitando no equador, o que não é uma geodésica. Precisamos então de um agente externo, mas vamos apenas supor que ele existe. Como o balanço energético, que é o importante para essa discussão, não é alterado, acho que não vai me prejudicar muito:

1= -\left(\frac{dt}{d\tau}\right)^2+r^2\left(\frac{d\theta}{d\tau}\right)^2

Para definir massa é necessário definir o que é momento. A maneira mais intuitiva de fazer isso é procurar qual a ação que resulta no movimento geodésico. Praticamente pela definição de geodésica, a ação é o próprio intervalo de espaço-tempo. Massa é então definida como o módulo do momento, que é considerada uma propriedade intrísinca e constante da partícula:

S=\int d\tau \left[p_mx^m-e(p^mp_m+M^2)\right]

onde e é um multiplicador de lagrange que assegura nossa definição. Se você resolver as equações de movimento de e, você pode descobrir que as equação canônica de Hamilton nos ensina que:

p^m=M\frac{dx^m}{d\tau}=Mu^m

É fácil mostrar que se \xi^m é um vetor de Killing da métrica então g_{mn}\xi^mu^n é uma quantidade conservada na direção da geodésica (novamente: aqui não temos uma geodésica, mas é fácil provar que para o movimento considerado, as conclusões continuam valendo). u^n é chamado de quadrivelocidade da partícula. Na métrica acima temos um vetor de Killing imediato \partial / \partial t, então, eu vou definir a energia como a quantidade que é justamente invariante por essa simetria:

E=-Mg_{mn}\left(\frac{\partial}{\partial t}\right)^mu^n=M\left(\frac{dt}{d\tau}\right)

Para o nosso movimento orbital, ainda preciso de mais uma definição. Na métrica acima, \partial / \partial \theta também é um vetor de Killing que dá origem à momento angular (conservado):

L=Mg_{mn}\left(\frac{\partial}{\partial \theta}\right)^mu^n=Mr^2\left(\frac{d\theta}{d\tau}\right)

A definição de massa invariante é então -M^2=-E^2+L^2/r^2. Essa é a famosa relação de Einstein, que vale para qualquer partícula até mesmo quando a massa é zero! Mas o que essas quantidades tem a ver com as quantidades medidas por um observador? A energia que um observador mede depende da quadrivelocidade s^m do observador. Vamos supor que o observador esteja parado vendo a partícula orbitar sobre sua cabeça, isto é s^m=\partial / \partial t. A energia que esse observador mede será:

E_{local}=-g_{mn}s^mp^n=E

perceba que nesse caso é exatamente a energia E que tínhamos definido antes. A massa relativística nada mais é então que a energia e a razão entre a massa invariante e a massa relativística, chamado fator de Lorentz, pode ser calculado:

\frac{M_{rel}}{M}=\frac{E}{M}=\gamma=\frac{1}{\sqrt{1-v^2}}

onde definimos a quantidade v=L^2/E^2r^2 que coincide com a velocidade Newtoniana. Mas é muito ruim ter que introduzir quantidades não covariantes. A melhor idéia para trabalhar com relatividade é manter tudo covariante, independente do observador e independente do referencial.

Mantendo isso em mente, vamos agora introduzir a gravidade. A solução esfericamente simétrica das equações de Einstein, parecida com nossa gravidade na Terra, é:

d\tau^2=-(1-2m/r)dt^2+dr^2/(1-2m/r)+r^2d\theta^2+r^2\sin^2\theta d\phi^2

Agora o movimento orbital é inclusive geodésico:

1=-(1-2m/r)\left(\frac{dt}{d\tau}\right)^2+r^2\left(\frac{d\theta}{d\tau}\right)^2

E temos os mesmos vetores de Killing:

E=M(1-2m/r)\left(\frac{dt}{d\tau}\right) e L=Mr^2\left(\frac{d\theta}{d\tau}\right)

No entanto todo o resto muda. Primeiro muda a relação de dispersão:

-M^2=-E^2/(1-2m/r)+L^2/r^2

E muda também a energia medida pelo observador que tínhamos considerado s^m=(1/\sqrt{1-2\frac{m}{r}})\left(\partial / \partial t\right):

E_{local}=E/\sqrt{1-2m/r}

Note que E_{local}, num movimento em que a coordenada r varia, não é conservado. Isso dá origem ao redshift gravitacional. Agora que começa a confusão verdadeira: como vamos definir a massa relativística, ou o “fator de Lorentz”, nesse caso?

1) \frac{M_{rel}}{M}=\frac{E}{M}\Rightarrow \frac{1}{\gamma^2}=\frac{1}{1-2m/r}+v^2

2) \frac{M_{rel}}{M}=\frac{E_{local}}{M}\Rightarrow \frac{1}{\gamma^2}=1+(1-2m/r)v^2

Note que as definições são equivalentes quando r\rightarrow \infty. Eu tendo a preferir a segunda, pois você pode interpretar o último termo como uma velocidade medida localmente. Acho que é a escolha da maioria das pessoas também, mas o problema é tem um tanto outro de pessoas que não nota essa diferença e isso causa várias confusões. Essas mesmas pessoas que preferem a segunda forma escrevem a relação de dispersão como -M^2=-E^2_{local}+L^2/r^2, que tem a mesma estrutura do caso sem gravidade.

Claro que não é de se espantar que haja modificação no caso da gravidade, afinal, a gravidade realiza trabalho e é fácil identificar o potencial 1/r na relação de dispersão (mas note que há um termo extra, que não existe na gravitação Newtoniana!). Se considerássemos o agente externo no caso sem gravidade ele também teria um potencial. Mas isso não quer dizer que seja totalmente equivalente. A energia da gravidade depende da estrutura geométrica do espaço-tempo, e somente em casos muito especiais conseguimos uma definição consistente.

Is energy conserved in General Relativity (por Michael Weiss e John Baez)

Agora que eu dei o exemplo, deixa eu dar a opinião. Eu não gosto de massa relativística. Acho, no mínimo, supérfluo. Mas essa é uma discussão longa. Veja aqui:

Relativistic Mass (por Philip Gibbs e Jim Carr)

As duas últimas semanas do orkut…

sábado, 15 nov 2008; \46\UTC\UTC\k 46 Deixe um comentário

Semana passada eu não publiquei aqui no ArsPhysica o que temos visto de bom na comunidade de Física do orkut, essa semana vou mostrar o que apareceu de bom lá durante essas duas semanas.

Alguns tópicos legais que apareceram por lá foram:

😉

Além disso, apareceram outras discussões boas na comunidade, esses tópicos são apenas uma pequena amostra do que a comunidade Física do orkut tem de bom. 😀

Essa semana no orkut…

sábado, 1 nov 2008; \44\UTC\UTC\k 44 7 comentários

Dois tópicos dessa última semana valem a pena ser comentados aqui no Ars Physica: o primeiro é Efeito Fotoelétrico, em que os professores Arrigo de Flandres e Carlos dissertam sobre como podemos obter resultados do efeito fotoelétrico e da emissão espontânea usando uma teoria semi-clássica (mecânica quântica e eletrodinâmica clássica); no fim do tópico o Caio passa um link para um trabalho feito por ele sobre este efeito.

Outro tópico que vale ser mencionado aqui é o Economia criado pelo Prof. Vitor Lemes. Na segunda metade do tópico, o Rafael Calsaverini faz uma boa discussão sobre “econofísica”, discussão que acaba envolvendo o post Micromotivos e Macrocomportamentos daqui do Ars Physica.

Vale a pena ler esses dois tópicos, são um dos belos posts que temos a oportunidade de presenciar na comunidade Física. 😉

Vamos ver se daqui até o próximo sábado sai mais coisas interessantes na comunidade Física do orkut, espero contar com indicações de tópicos de leitores e editores deste blog. Até lá! 🙂

Quem somos nós?

terça-feira, 30 set 2008; \40\UTC\UTC\k 40 7 comentários

(Não, esse não é um post “new age” sobre mecânica quântica 😆 )

Antes de mais nada, alguns avisos:

1) Me desculpem qualquer imprecisão na história, estou contando do que me lembro e a memória sempre falha.
2) Os links desse post exigem que se tenha um conta no Orkut para que possam ser acessados.

Eu acho que é interessante contar como as pessoas que são os editores desse blog se conheceram. Em 2004, para ser mais exato em 12 de abril daquele ano, um estudante de física chamado Wellington Nogueira criou a comunidade Física no então recém criado Orkut. Wellington era então estudante de física na Unesp, mas há muito tempo não sei que fim levou.

O Orkut cresceu muito, principalmente no Brasil. O próprio Orkut tem uma estimativa (subavaliada) que aproximadamente 51% dos seus usuários são brasileiro. Em outros países, outras ferramentas de rede social cresceram mais (MySpace, Facebook), mas tenho certeza que, pelo menos nos grandes centros brasileiros, o Orkut é hoje uma das principais ferramentas de comunicação. Junto com o Orkut cresceu a comunidade de física. Chegou a um ponto onde apenas uma pessoa não conseguia dar conta da sua administração e a comunidade, tal como muitas outras do orkut, ficou tão caótica e bagunçada que era difícil extrair informação de qualidade.

Nesse ponto, algumas pessoas resolveram auxiliar o Wellington nessa tarefa. Me lembro que o Tom e o Daniel foram essenciais nesse ponto. Ambos pareciam já ter vasta experiência com usenets/fóruns de internet e esse know-how foi muito positivas à comunidade. Por sinal, a frase de Gene Spafford sobre usenets pode ser facilmente adaptada ao Orkut:

“Usenet is like a herd of performing elephants with diarrhea — massive, difficult to redirect, awe-inspiring, entertaining, and a source of mind-boggling amounts of excrement when you least expect it.”

Outras pessoas de inestimável valor foram se juntando à administração da comunidade, muitas delas que não estão aqui como editores, infelizmente: Caio, Danilo, Leonardo, Adriano, Rafael Calsaverini, entre outros; todos alunos de pós-graduação em física. Só me juntei a esse grupo mais tarde quando a comunidade já tinha então sofrido um significativo avanço em qualidade e tamanho (e mais recentemente se juntou à administração outro membro que já participava da comunidade há bastante tempo: Leandro Seixas). Nesse período, esse comunidade não era a única sobre física no Orkut com a ordem de grandeza de participantes que temos. Havia uma outra, gerenciada por um professor de física chamado Alberto Prass. Sua comunidade sofreu um ataque de hackers em 2006 e nunca conseguiu se recuperar. Também sofremos com algo parecido no mesmo ano, e apesar do episódio ter sido muito triste, nossa sorte foi melhor: conseguimos recuperar todos os dados apagados da comunidade.

O trabalho de administrar a comunidade é grande. Oficialmente a comunidade tem por volta de 38000 membros. Nem todos são ativos, claro. Uma pesquisa que fiz recentemente mostra que temos algo como 200 usuários realmente ativos, o que é um número considerável, levando em conta a qualidade das discussões. Presar pela continuidade dessa qualidade tendo que lidar com eventuais comportamentos inapropriados toma um tempo considerável. Mais ainda se você considerar como as agendas de alunos de pós-graduação são apertadas. Mas fazemos isso com prazer. Tenho certeza que, para muitas pessoas, essa comunidade é um dos meios mais procurados para divulgação científica de física, troca de informações sobre física, ou simplesmente para uma conversa sobre ciência. Mais detalhes aqui. Há participantes de todas as idades e nível de instrução formal – de alunos de ensino médio a pesquisadores em universidades, o que só torna o ambiente mais agradável.

Os resultados nos fazem acreditar nessa idéia improvável. Nesses quatro anos já vi tópicos em que adolescentes disseram ter adentrado na carreira de física inspirados pela comunidade, em que professores disseram utilizar exemplos discutidos na comunidade em sala de aula, já vi pessoas trocarem informações sobre artigos de pesquisa, pessoas procurando colaboradores para pesquisa, anunciando vagas para iniciação científica e até para pós-doutorado. Tivemos uma curta série de ótimas entrevistas com os professores Marcelo Gleiser, Jérémy Argyriades e Henrique Fleming. Este último, por sinal, um colaborador inestimável da nossa comunidade. Além de uma entrevista com o Daniel que também escreve aqui.

Educação científica é algo de extrema importância para qualquer povo. E essa comunidade é parte da nossa responsabilidade social. Com certeza não é tudo que podemos fazer e com certeza nem tudo que as pessoas sonham fazer: alguns tem grandes sonhos. Mas é um começo do qual nos orgulhamos muito.

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