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Posts Tagged ‘política’

Verdades, mentiras e estatisticas na campanha eleitoral

quarta-feira, 13 out 2010; \41\UTC\UTC\k 41 3 comentários

Peço licença aos meus co-blogueiros para falar sobre as eleições presidenciais. Uma vez que eu não vou emitir nenhum juízo sobre nenhum dos candidatos, nem explicitar preferência alguma, creio que não há problema. Na verdade o tema eleitoral é só uma desculpa para falar sobre estatística :P. Caso haja problema, por favor me avisem.

Nessa campanha presidencial – como, aliás, deve ser em qualquer campanha eleitoral – tem acontecido uma fenômeno interessante nas propagandas e discursos de aliados de cada um dos candidatos do segundo turno. Ambas as campanhas tentam comparar os governos de Lula e FHC apresentando todo tipo de números e estatísticas. O interessante é que o cenário parece estranhamente ambíguo: para cada estatística que mostra Lula melhor que FHC existe outra que mostra o exato contrário. Para dois exemplos interessantes desse tipo de campanha, veja esses dois links:

Esse fenômeno pode parecer estranho para os espectadores da campanha menos acostumados aos números. Afinal, quem foi melhor para o ensino superior, FHC que aumentou o número de matrículas ou Lula que criou mais universidades? Quem diminuiu mais a pobreza, FHC que aumentou 4 vezes mais o IDH ou Lula que criou 3 vezes mais empregos?

Não há nada de estranho aí. O que está por trás dessa estranheza é uma falácia estatística que pode ser chamada “falácia do atirador”. Imagine um homem que quer demonstrar que é um excelente atirador e te mostra um alvo pintado em um campo de tiro, com 10 tiros certeiros na mosca. Você pode achar que ele é um grande atirador mesmo, mas sabe como ele produziu esse resultado?

O atirador ergueu uma enorme parede de madeira, de 10 metros de largura e 5 de altura, colocou-se na posição de tiro e descarregou 500 tiros contra a parede, sem tentar mirar particularmente em nenhuma posição. Claro que depois disso a parede estará cravejada de buracos e em alguns lugares haverá buracos de tiro mais próximos um dos outros. O atirador escolhe convenientemente 10 buracos que, ao acaso, ficaram bastante próximos entre si e desenha e pinta o alvo em torno deles. Então ele corta o resto da madeira e recoloca o alvo em sua posição original, com 10 tiros “certeiros” na mosca.

O homem não é um excelente atirador. Ele apenas escolheu o alvo depois de ter os resultados. Ele selecionou os “bons” resultados e descartou os ruins. Ele transformou uma distribuição bastante larga em uma distribuição mais estreita apenas descartando certos resultados e mostrando outros.

Como isso se aplica à campanha eleitoral?

Para cada aspecto de um governo que você queira avaliar, existe um sem número de estatísticas que podem ser usadas. Se, por exemplo, eu quero avaliar a evolução da renda, posso mostrar o crescimento do PIB per capita, ou de algum índice de salários, ou da fração do PIB correspondente aos salários, ou quanto subiram os salários em comparação com a taxa básica de juros, ou comparar com taxas “reais” praticadas no mercado. Posso comparar esses números em dólares ou reais, posso comparar o poder aquisitivo real, ou quanto essa renda compra de uma certa cesta de produtos essenciais. Posso focar apenas no crescimento da renda da classe C, ou em quanto cresceu (ou caiu) a razão da renda da classe C pela renda da classe A. Posso comparar quantos bens de consumo essenciais as pessoas conseguem comprar, ou posso comparar quanto o crescimento de suas rendas se compara com o rendimento de um certo investimento padronizado. Todas essas são formas de comparar quanto a renda cresceu.

Deu para perceber que existe um grande número de estatísticas para comparar dois governos, mesmo que fiquemos apenas no restrito conjunto de estatísticas referentes ao aumento da renda. Se eu comparar todos esses números entre o governo A e o governo B, alguns resultados serão pró-A e outros serão pró-B. É natural que seja assim por uma razão simples: há uma flutuação incrível nesses números. Flutuações temporais, flutuações causadas por diferentes metodologias ou mesmo flutuação que resulta do processo de amostragem. A incerteza nesses números as vezes é muito grande, e medidas em semanas diferentes podem causar flutuações de vários pontos percentuais. Não temos um valor determinado para esses números, temos uma distribuição de probabilidades que representa o quanto sabemos sobre eles. E essa distribuição é relativamente larga.

Então existe uma probabilidade de que cada estatística seja pró-A ou pró-B, ainda que os governos A e B tenham sido mais ou menos parecidos. E mesmo que o governo A tenha sido muito melhor que o governo B em certo sentido, ainda assim teremos uma certa probabilidade de ter um certo número de estatísticas pró-B. Mas eu sempre posso escolher que fração das estatísticas que eu pretendo mostrar será pró-A ou pró-B. Eu posso apenas mostrar 100% de estatísticas pró-A e argumentar assim que o governo A foi incrível. Isso é bem ilustrado pela famosa propaganda da Folha de São Paulo de alguns anos atrás, em que se apresenta diversas estatísticas positivas do governo de Adolf Hitler na Alemanha, que certamente foi um governo desastroso!!!

Então é impossível comparar dois governos com estatísticas? Claro que não. É perfeitamente possível. Apenas é necessário fazê-lo de forma sistemática, com métodos claros, com padrões e referências bem definidos. Existem procedimentos para se evitar a falácia do atirador em estudos estatísticos. Por exemplo, pode-se escolher que estatísticas serão calculadas de antemão, antes da colheita de dados, de acordo com um método bem definido. Isso evita que se “desenhe o alvo” em torno do resultado desejado. Pode-se fazer uma análise de sensitividade, mostrando que ainda que a metodologia fosse diferente, o resultado não seria tão diferente assim. Enfim, existem técnicas para isso.

Mas isso é algo que campanhas eleitorais nunca serão capazes de fazer. Elas são enviesadas por princípio, a cesta de índices que escolhem para mostrar é viciada e sua interpretação errônea e vazia. E isso vale para qualquer campanha, independente da orientação ideológica do candidato. É inevitável. Não chega nem a ser desonestidade, é da natureza da propaganda. O ideal seria que, ao invés de usar os números de forma leviana, fossem contratados estatísticos profissionais e neutros para criar essas análises. Mas isso nunca vai acontecer. 😉

O melhor é que o eleitor esteja atento às formas com que os números podem ser usados contra ele. Números adequadamente escolhidos podem defender qualquer estória que se deseje contar. Mas não fique achando que toda estatística é resultado de manipulação. Há métodos adequados para se evitar a manipulação, mesmo a manipulação involuntária.

Há uma citação de natureza ética difundida entre os estatísticos adequada para fechar essa discussão. Infelizmente não me lembro o autor ou a exata fraseologia, mas a essência é: é sempre possível mentir usando a estatística, mas é impossível dizer a verdade sem ela.

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Sobre meu afastamento do Stoa por causa de uma brincadeira de 1º de abril até a exclusão da minha conta

quarta-feira, 29 abr 2009; \18\UTC\UTC\k 18 11 comentários

Logo do Stoa invertidoToda história do meu – Tom falando – afastamento do projeto Stoa, assim como a exclusão de minha conta do Stoa e todos meus textos, começou com a publicação no Stoa de uma brincadeira no contexto de primeiro de abril, que vocês podem checar aqui, Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora.

Publiquei esse texto no final da tarde do dia 1º de abril, por volta das 18h, e logo na madrugada do dia 2 coloquei um aviso de que tratava-se de uma brincadeira, aviso que parece não ter sido suficiente para as pessoas que sentiram-se incomodadas com a brincadeira.

No dia 14 de abril fico sabendo que a consultoria jurídica da USP entra em contato com o diretor do CTI USP, Gil da Costa Marques,  e que haveria um possível processo contra ele por parte da reitoria, por causa dessa brincadeira minha. Vale lembrar que o Stoa é um projeto do CTI.

Poucos dias depois fico sabendo que as medidas tomadas serão: 1. meu desligamento do projeto Stoa e 2. um pedido de desculpas de minha parte e do coordenador do projeto Stoa, o professor Ewout ter Haar, por causa do ocorrido.

O pedido de desculpas foi publicado por mim dia 23 de abril, que pode ser lido aqui, Esclarecimento sobre inoportuno texto que simulava desestatização da USP (não está mais disponível no link original, pois todos meus textos foram apagados do Stoa). Pedi desculpas por algo que não achei errado e até agora não entendo todo estardalhaço criado e nem imaginava as dimensões que isso resultaria, pois não queria também prejudicar meus amigos colaboradores do projeto Stoa, nem que o projeto fosse por água a baixo por minha causa. Antes eu do que todo o projeto, pois sei que continuaria em boas mãos.

Os ânimos das pessoas incomodadas com o ocorrido pareciam ter acalmados após meu pedido de desculpas e as coisas ficariam assim. Entretanto, dia 27 de abril, foi publicada uma matéria no UOL sobre um bolão para acertar o dia que a greve na USP começaria, que fiz há meses usando meu blog no Stoa, veja Ex-aluno da USP faz bolão e premia quem acerta dia de início da greve na universidade. A jornalista Simone Harnik entrou em contato comigo na tarde do dia 24 de abril, uma sexta-feira, pois queria entender melhor sobre o bolão. Deixei claro para ela que eu não tinha mais nenhum vínculo com a USP, muito menos com o Stoa, apesar de eu ter ajudado a criar o projeto.

A publicação dessa matéria no UOL Educação parece ter sido a gota d’água para a reitora da USP, Suely  Vilela, pois, segundo fui informado por email na noite do dia 27 de abril, ela ligou para o diretor do CTI dizendo algo do tipo “Como é que vocês afastaram o Everton do projeto e aparece essa matéria com ele na capa do UOL?”. Pressões da reitoria sobre Gil da Costa Marques surgiram, que entrou em contato com o coordenador do projeto Stoa, que entrou em contato comigo.

Fui informado que minha conta seria excluída, a pedido do diretor do CTI (pressionado pela reitora ou alguém da reitoria, imagino), o que foi feito ontem, dia 28 de abril. Eles deram um tempo para eu fazer backup dos meus textos do meu blog e fóruns de discussão, que eu já fazia assinando os feeds RSS no Google Reader (depois vou ter que publicar um a um nesse novo blog e infelizmente perdi todos comentários).

O pedido de desculpas acabou sendo publicado pela equipe Stoa na noite do dia 28 de abril, veja Sobre uma falsa notícia veiculada no Stoa, o que acabou repercutindo muito mal de imediato e gerou protestos por parte de usuários do Stoa (atualização: os textos publicados no Stoa foram alterados para ficarem visíveis apenas para usuários online, portanto coloquei links para locais externos onde foram publicados):

Após terrível repercusão, o Stoa foi colocado em estado de manutenção, me parece que a pedido do diretor do CTI, de modo que ninguém pode ver textos na página principal, nem logar-se no sistema.

Salvei os textos acima no meu computador, pois temo que o sistema Stoa será desligado da tomada, assim, sem mais nem menos, pois parece que o sistema hierárquico da Universidade de São Paulo funciona assim: alguém com mais poder político pode fazer e desfazer o que quiser, sem precisar dar satisfação ou justificativas racionais alguma a todos envolvidos (afinal, são quase 9 mil usuários cadastrados no Stoa!).

Nesse texto quis apenas relatar o que ocorreu e a cronologia dos fatos, tentando ser o mais imparcial possível. Depois escrevo mais sobre o ocorrido e a sucessão dos fatos, iniciados por uma fatídica brincadeira de 1º de abril.

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Esse texto foi originalmente publicado num novo blog que criei (http://blogdotom.wordpress.com), após meu blog do Stoa ter sido apagado:  Sobre meu afastamento do Stoa por causa de uma brincadeira de 1º de abril até a exclusão da minha conta

Ginástica lógica

domingo, 19 abr 2009; \16\UTC\UTC\k 16 3 comentários

Neste momento várias pessoas já estão a par do novo escândalo político do Brasil, a farra das passagens aéreas. Permitam-me usar esse episódio só como um pretexto para uma pergunta meio alerta sobre a forma como pensamos politicamente, e quero ouvir suas idéias.

Eu tenho a impressão que a maioria das pessoas trata a política como se fosse futebol. É assim: a pessoa nasce e descobre que é a favor do político Fulano — no Brasil tem sido assim por muito tempo, embora mais recentemente o debate está se tornando torcida por um partido. Daí elege-se Fulano, e mantém-se uma paixão inesgotável, mesmo em face de novas informações que demonstram cabalmente que Fulano não passava de um interesseiro sem real ideologia política. A pessoa insiste em como as políticas do Fulano estão corretas, ou porque se deve votar no Fulano, até chegar o ponto do ridículo em que é necessária toda uma ginástica lógica para defender a política que se sustentava inicialmente.

A ginástica lógica tem algumas características básicas. Duas delas são i) omitir deliberadamente fatos que contradigam a sua conclusão, isso inclui não apresentar nenhuma racionalidade de como a conclusão pode ser válida em face a pontos contraditórios que são amplamente conhecidos; e ii) ter que buscar uma racionalização obscura para conectar fatos que podem ser mais naturalmente explicados por uma idéia que contradiga a sua conclusão, muitas vezes apelando para elementos não observáveis, p.ex. como o que Fulano pensava ou idéias não declaradas por nenhum dos indivíduos envolvidos todavia que, supostamente, era o que eles tinham em mente.

Vê-se como nem mesmo escândalos de proporção nacional como os que envolveram Collor, Barbalho e ACM, impediram que estes se reinserissem na política. A revelação de que verba do Congresso foi legalmente desviada para comprar passagens de avião para parentes não irá abalar a imagem dos políticos envolvidos. Alguns dos envolvidos eram pessoas que eu tinha uma boa imagem, mas eu não tenho mais, porque eu adapto minha opinião política em face a novas informações, e não tenho absolutamente nenhum amor ou paixão secreta por nenhum político, ideologia política e economica, ou o que for. Se a idéia não dá certo, não corresponde a realidade, eu jogo-a fora.

Então, pensemos nisso: a política é um debate entre torcidas de nossos times do coração, que defendemos mesmo sabendo que estão sendo derrotados e rebaixados, ou é assunto em que é salutar admitir equívocos e mudar de idéia?

Isso transcende a política do Congresso ou do gabinete do governador: se aplica a política dentro da universidade, algo mais próximo talvez da maioria dos leitores deste blog.

Como a ciência não é importante para a sociedade

quinta-feira, 2 abr 2009; \14\UTC\UTC\k 14 1 comentário

Hmm..

Uma das revistas mais populares dos Estados Unidos, a Rolling Stones, publica anualmente uma lista das 100 pessoas que estão mudando os EUA. O que me chamou atenção na lista: cientistas figuram nela, mas não necessariamente na ordem que você esperaria. Explico-me. Em 58 lugar, vem Anna Barker, do Instituto Nacional do Câncer, que lidera um projeto “genoma de câncer”, catalogando o genótipo e todas as suas variações de cânceres para dar informação que pode ser útil no combate a doença. Em 55 lugar, vem um executivo que colocou uma estação de rádio na internet. Lisa Randall, que você deve conhecer já, aparece em 43, por causa do modelo Randall-Sundrum. Okay, eu vou dar um desconto, porque eu consideraria mais correto colocar o Raman Sundrum como o ícone da idéia de dimensões extras, ou talvez os três Dvali, Dimopoulos e Arkani-Hamed. A idéia se provada correta no LHC vai mudar profundamente nossa visão de espaço e tempo e das forças fundamentais, e fácil seria a maior e mais impactante descoberta do LHC, e uma das maiores da física deste século. Em 8 lugar, bem a frente de Lisa, vem Tina Fey, que ficou famosa no programa de comédia Saturday Night Live, uma espécie de Zorra Total da TV americana, só que talvez ligeiramente mais inteligente (bom, pelo menos SNL é engraçado embora totalmente brainless…). Em 76, Wafaa El-Sadr, diretora do Centro Internacional para AIDS da Universidade de Columbia, que segundo a revista trabalha no controle e prevenção da AIDS em 600 lugares diferentes na África. Logo acima dela, 75, um estilista da Raulph Lauren. Ah, as roupas da RL são bonitas, vai, vou dar essa para a revista. Afinal, AIDS é doença dos anos 80, já saiu de moda. O Steve Chu também está na lista, n. 24.

Eu vou dar um outro desconto para a revista por ter colocado os que eu considero os únicos seres humanos inteligentes da mídia norte-americana, Jon Stewart e Steve Colbert, em 5, só fico indignado que em 4 colocaram o Bono. Sério, o Bono???

A época em que Albert Einstein era capa da Times já passou…

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Bill Moyers entrevista Robert Johnson…

sábado, 28 fev 2009; \09\UTC\UTC\k 09 Deixe um comentário

Pra quem não conhece os personagens em questão: Bill Moyers e Robert A. Johnson.

Novas estruturas sociais e o cientista hacker…

quinta-feira, 19 fev 2009; \08\UTC\UTC\k 08 Deixe um comentário

Com a crescente fusão entre ciência e tecnologia (principalmente TI), surgem novas formas de produção e distribuição do conhecimento.

Origens da divulgação científica

Em ciências (exatas, humanas ou biológicas), desde os primórdios até hoje, a forma preferida de divulgação do conhecimento é oral, por meio de palestras, congressos e conversas formais ou informais. Isso acontece porque explicar a lógica por detrás de uma idéia, de um raciocínio ou de uma metodologia, costuma requerer mais do que a comunicação escrita pode oferecer. Ao vivo, é possível interagir com o interlocutor. Perguntas e respostas são fundamentais para o entendimento.

Com o desenvolvimento histórico, porém, os modos de organização sociais mudaram, outros continentes foram descobertos, a humanidade se expandiu. A história das ciências também mudou: a cada nova escolha feita pelas sociedades, era necessária uma nova adaptação do método científico e de sua divulgação. Na Babilônia e no Egito, há registros de números Pitagóricos, incluindo o famoso teorema de Pitágoras, que datam de 1900-1600 AC, alguns ainda em escrita cuneiforme. Compare isso com as nossas mais modernas formas de escrita: TeX, XHTML, MathML.

Enquanto o mundo era pequeno (Europa/Eurásia) e com o aparecimento de “centros de excelência” para as diversas áreas do saber, a divulgação do conhecimento humano acontecia sem grandes problemas. Porém, com a entrada do “Novo Mundo”, as distâncias começaram a mudar o modo de divulgação científica, passando de oral para escrita. Só assim era possível comunicar as descobertas para os diversos cantos do mundo. Publicava-se uma enciclopédia, uma revista, e essa era levada de barco para o resto do globo. Foi basicamente por essa razão – transposição das distâncias –, num contexto de desenvolvimento da tecnologia da impressão por Gutenberg, que as revistas científicas tomaram a forma que, em alguns casos, adotam até hoje. Contudo, a revolução tecnológica desse último século, incluindo a revolução digital, começou a chacoalhar as fundações desse modelo.

Internet: agilidade na popularização do conhecimento

Flexibilidade e dinamismo na divulgação do conhecimento são peças fundamentais em ciências. Dentre outras razões, estão o simples fato de se atrair um maior interesse no trabalho dos pesquisadores (jovens cientistas, alunos) e o fato de que o resultado da pesquisa de um determinado grupo poder catapultar a pesquisa de outros grupos. Quanto mais pessoas tiverem acesso aos resultados de determinada pesquisa e quanto mais rápido esses resultados forem divulgados, maior será a chance de avançar aquela área do saber. Em alguns casos, essa dinâmica é necessária para manter vivo um campo do conhecimento.

A invenção da Internet e a popularização das tecnologias de computadores, modems, bandas-largas e redes foram um passo fundamental na direção de se agilizar a produção e divulgação do conhecimento. Hoje em dia, é rotina um pesquisador de um lado do globo comunicar seus resultados para seus colaboradores em outros cantos do planeta. Quando se adiciona a isso o fato de que o conhecimento da humanidade pode seguir um novo paradigma de “velocidade, flexibilidade e dinâmica”, esse avanço tecnológico passa a ser incomensurável.

Esse novo ”modus operandi” é fundamental para que se possa maximizar os caminhos da ciência: tanto na direção do cientista para o leitor quanto na do leitor para o cientista. Mas, para que isso se realize, é imprescindível que a divulgação seja o mais democrática possível, habilitanto qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo a ter acesso a informação. Nossa sociedade industrial transformou-se em uma sociedade que valoriza a informação. Essa é uma das razões que justifica a existência de modelos de distribuição como o usado pelo arXiv (distribuição gratuita) em lugar de modelos canônicos (revistas especializadas e seus custos).

Ciência da Computação e a revolução digital

Ciência e tecnologia são conceitos diferentes. De acordo com suas definições de dicionário:

  • ciência: conhecimento; conhecimento de princípios e causas; confirmação da verdade dos fatos;
  • tecnologia: aplicação prática da ciência para o comércio e/ou indústria [sinônimos: engenharia, ciência aplicada].

Dada essa distinção, surge a questão de como ciência e tecnologia se relacionam. Em outras palavras, “qual é a ”distância” entre um fato científico e seu correspondente tecnológico?” Para quem está familiarizado com essa questão, é fácil ver que isso é complicado. É preciso entrar nos pormenores de cada área do saber e avaliar o quão próximo do dia-a-dia cada uma delas está. “O que é que se pode fazer de prático com Gravitação Quântica?” Contraste isso com: “O que é que se pode fazer de prático com uma vacina contra a AIDS?” ou ainda “O que é que se pode fazer de prático com a nanotecnologia?” A Gravitação Quântica está bem longe de trazer resultados práticos para o nosso dia-a-dia. Em compensação, pesquisas em HIV e em nanotecnologia estão presentes e afetam a nossa vida diariamente.

Entretanto, é preciso ter cuidado com esse tipo de afirmação: avanços tecnológicos aparecem onde menos se espera. As dificuldades técnicas em se construir equipamentos para pesquisa pura, como aceleradores de partículas (por exemplo, CERN e SLAC) levaram a avanços enormes para os componentes de computadores. O volume de dados que trafega pelas redes de computadores desses experimentos chega a atingir 1 Terabyte (1024 Gigabytes) por segundo, e uma colisão típica nesses aceleradores leva alguns segundos. Um experimento para se medir alguma propriedade de uma teoria de Gravitação Quântica pode levar a avanços dessa natureza.

Para ilustrar esse argumento, vale a pena lembrar duas frases do físico inglês Michael Faraday. Enquanto Faraday explicava uma nova descoberta para o Ministro das Finanças e para o Primeiro Ministro britânicos, perguntaram-lhe ”‘Mas afinal, que uso tem isso?’”, no que Faraday respondeu, ”‘Excelência, é provável que em breve o senhor esteja cobrando impostos sobre isso’”. Em uma outra conversa, o Primeiro Ministro britânico lhe perguntou a respeito de uma nova descoberta ”‘Que valor tem isso?’”; Faraday respondeu, ”‘Que valor tem um recém-nascido?’” e prosseguiu explicando que sem os cuidados de uma boa infância, um recém-nascido não cresce e não se torna um adulto criativo e trabalhador.

Na área de Ciência da Computação, a distância entre ciência e tecnologia fica ainda mais difícil de medir. Por exemplo, Teoria dos Grafos é uma das áreas de pesquisa da matemática pura. Porém, em Ciência da Computação, o conhecimento de Teoria dos Grafos é fundamental para a construção de compiladores (programas que traduzem código escrito em uma linguagem para linguagem de máquina), ou então para o desenvolvimento das linguagens usadas na criação de páginas WWW para a Internet, como o HTML, XHTML, XML, CSS e seus interpretadores (navegadores, como Mozilla Firefox e Opera). Uma teoria abstrata como Teoria dos Grafos acabou gerando uma aplicação imediata. Sem ela, nenhum de nós estaria surfando na Internet hoje.

A Ciência da Computação introduziu um novo paradigma a respeito dessa “distância” entre teórico e prático. E esse novo paradigma trouxe consigo um novo conceito para a nossa sociedade pós-industrial: ”O conceito de Sociedade da Informação”. Uma visão corrente afirma que foi a Tecnologia da Informação que causou essa mudança. Entretanto, é preciso ter em mente que esta teve origem na Ciência da Computação. Uma nova gama de ciências apareceram por causa desse ”insight”, como Teoria da Informação e Inteligência Artificial. O momento histórico, portanto, é mais do que propício para discutirmos uma possível liberação dos meios convencionais de divulgação científica.

Propriedade intelectual

Cooperação e colaboração entre cientistas e acesso às pesquisas e seus resultados são pontos para que se caminhe em direção ao futuro. Portanto, tanto a ciência quanto seus pesquisadores são historicamente livres. No começo dos tempos científicos, a pesquisa e seus resultados tinham uma aplicação prática muito mais tímida do que hoje em dia. Atualmente, é possível ganhar um Prêmio Nobel pela descoberta da estrutura de dupla-hélice do DNA (via cristalografia de raios-X), ou pela descoberta da liberdade assintótica dos quarks, coisa que os egípcios e babilônios jamais sonharam. As aplicações da nanotecnologia vão desde tecidos inteligentes até computadores quânticos e ”spintrônica”. No campo de biotecnologia, desenvolvem-se fármacos para combater um vírus específico. Em suma, aprendemos a dar forma, cor, sabor e até cara para nossos achados científicos de tal forma que, teorias antes consideradas completamente abstratas e sem aplicação prática, são hoje os pilares de uma revolução no nosso modo de vida.

Com esses avanços, um método para a proteção do conhecimento foi desenvolvido. Trata-se da ”Propriedade Intelectual”. Esse desenvolvimento ocorreu ao mesmo tempo em que a nossa ciência ficava cada vez mais próxima da tecnologia. Isso acontece por uma razão bem simples: economicamente, é mais fácil atribuir valor à tecnologia do que à ciência. Afinal de contas, o que é mais fácil quantificar: a Teoria Quântica de Campos e seus aceleradores de partículas ou os computadores e suas tecnologias de rede e bandas-largas? O que é mais fácil de medir: 20 anos de estudo ou um novo antibiótico?

Em vista disso, a medida de ”distância” entre ciência e tecnologia passou a ser cada vez mais fundamental: com o aumento da proteção sobre o conhecimento, o custo sobre o desenvolvimento científico pode tornar-se proibitivo. O desenvolvimento científico deixaria de ser livre. Já imaginaram o que seria do mundo moderno se Maxwell tivesse “cobrado” por sua teoria, o Eletromagnetismo? Sua teoria resume-se a 5 equações. Quatro delas descrevem os fênomenos elétricos e magnéticos propriamente ditos e uma delas descreve a conservação de carga. Essas equações, chamadas Equações de Maxwell, são a base de tudo que é elétrico, eletrônico e magnético hoje em dia (lâmpadas, geladeiras, microondas, computadores). Isso ilustra a dificuldade de atribuir-se um valor econômico a descobertas científicas.

Porém, é necessário dar valor à tecnologia, afinal de contas os produtos e resultados das pesquisas científicas têm que gerar alguma coisa. E é por isso que o paradigma atual, de revolução digital e sociedade da informação, é tão crítico. Como foi mostrado acima em Ciência da Computação, essa distância entre ciência e tecnologia é algo mal definido. Um mestre em Teoria dos Grafos pode inventar um novo compilador, isto é, um teórico pode produzir tecnologia. A Ciência da Computação é a primeira a permitir esse nível de interação entre teoria e prática, entre ciência e tecnologia. Esse é o primeiro palco onde a mais abstrata das matemáticas acaba tendo aplicações práticas de uma utilidade inigualável.

Bazar do conhecimento: por uma sociedade livre e universal

É essa mistura entre ciência e tecnologia, entre teoria e prática, que foi responsável pela revolução digital, pelo nosso novo paradigma cultural (pós-industrial) de sociedade da informação. Portanto, nesse novo momento histórico nós, enquanto coletividade/sociedade, teremos que fazer uma escolha que mudará nossas vidas de forma crítica: ”como é que vamos lidar com a impossibilidade de se medir a distância entre ciência e tecnologia?”. Essa pergunta é fundamental para os futuros modelos econômicos.

Dentre os estudiosos dessa nova economia e sociedade, destacam-se Eric Raymond (The Cathedral and the Bazaar) e Richard Stallman (Free Software, Free Society). O ponto principal dessas referências é que tudo que nelas é descrito como cultura hacker sempre fez parte da cultura da ciência e dos cientistas. Segundo o dicionário dos programadores, a definição de ”hacker” é “um programador para quem a computação em si é sua própria recompensa” e “aquele que gosta do desafio intelectual de superar barreiras criativamente ou encontrar alternativas para limitações”). Ora, cientistas têm sido assim desde sempre. Cientistas são ”hackers”: hackers da matemática, da física, da química, da biologia, da ciência da computação.

Portanto, e chegamos agora ao ponto crucial: estamos vivendo o momento do ”interlace de culturas”, de permeação da cultura ”hacker” na cultura científica. Creio que esse interlace se originou na Ciência da Computação, a primeira ciência a permitir uma interação intensa entre teoria e prática. Assim, nesse momento cultural, vivemos a impossibilidade de discernir ciência de tecnologia e cultura hacker de cultura científica. Dessa forma, a escolha crítica que teremos que fazer reside no fato de que a cultura hacker/científica é fundamental e diferente do paradigma econômico em que vivemos hoje, principalmente no que diz respeito à produção de valor.

O caminho na direção de uma sociedade mais livre e universalmente inclusiva terá que lidar com essas questões, terá que formular respostas para essas questões, terá que encontrar novos paradigmas sociais e econômicos que acomodem essas questões. Um dos problemas a serem atacados é o da universalidade da ciência, principalmente no que diz respeito à sua divulgação. A meu ver, a solução mais universalmente inclusiva e livre para essa questão deve seguir os moldes do arXiv. Trata-se de uma solução que permita o acesso irrestrito ao conhecimento, às pesquisas e seus resultados. E, dado o modelo econômico atual, isso só pode ser feito através de uma forma eletrônica e gratuita de divulgação científica. Seria fantástico se o modelo do arXiv fosse adotado para todas as outras áreas do saber.

Epílogo: Uma breve história do arXiv

No começo, o arXiv era chamado “LANL preprint archive” (LANL é o Laboratório Nacional de Los Alamos – lugar onde a física das bombas atômicas da Segunda Guerra Mundial foi finalmente entendida e “dominada”). Ele é um arquivo para ”preprints” eletrônicos de artigos científicos nos campos de Física, Matemática, Ciência da Computação e Biologia Quantitativa. No passado, o servidor do arXiv ficava no LANL mas, atualmente, o arXiv é servido e operado pela Universidade de Cornell, além de ser espelhado pelo mundo afora. Sua idéia original é devida ao físico Paul Ginsparg.

O arXiv surgiu em 1991 como um arquivo de ”preprints” em física (hep-th, sigla que denota “física teórica de altas energias”) e, mais tarde, foi expandido para incluir, além de outras áreas de física, matemática, ciência da computação e, mais recentemente, biologia quantitativa. Em Março de 2004, o arXiv continha cerca de 267.000 preprints e recebia cerca de 3.000-4.000 novos preprints por mês!

O primeiro nome do arXiv foi xxx.lanl.gov, porém esse nome foi mudado quando se descobriu que programas de “censorware” (ou seja, programas de filtragem de conteúdo) estavam bloqueando seu acesso a partir de diversos sites, acreditando que as três letras X implicassem num site pornográfico. A idéia do XXX era a de que o arXiv era melhor que o WWW em todos os aspectos (já que a letra x vem depois da letra w no alfabeto).

A existência do arXiv foi um dos fatores mais importantes que levou à presente revolução em publicações científicas, conhecida como Open Access Movement (veja também Budapest Open Access Initiative e Berlin Declaration), com a possibilidade de levar ao desaparecimento das revistas científicas tradicionais (e, mais importante ainda, seus modelos de publicação).

Um método popular para se acessar a porção de matemática do arXiv é via o portal da Universidade da Califórnia em Davis chamado de Front. O portal oferece um método de busca poderoso e uma interface mais amigável para o usuário. Por essa razão, o arquivo de matemática é conhecido como ”[the] Front”.

Cientistas e matemáticos profissionais (como Grigori Perelman em 2002 e Richard Arenstorf em 2004) ”carregam” regularmente seus achados e demonstrações matemáticas no arXiv para o acesso e revisão mundial (e gratuito).

Referências

Enquete…

Diversão garantida…

😈

Educação em física

quinta-feira, 4 dez 2008; \49\UTC\UTC\k 49 15 comentários

Antes de mais nada, um disclaimer: Como opiniões sobre futebol, sexo, rock and roll e política são controversas, deixo bem claro que o que vou escrever aqui é de pura responsabilidade minha e pode não representar as opiniões, igualmente válidas para debate, dos colegas editores desse blog.

Dito isso, vamos começar. Tendo conhecido alguns institutos de física no Brasil, posso dar uma opinião representativa que o nível médio dos alunos nos cursos de licenciatura em física é sensivelmente pior que dos alunos no bacharelado. Posso também dizer, e agora com as grades curriculares para respaldar minha opinião, que os cursos de licenciatura em física são bem mais limitados que os cursos de bacharelado no que tange ao conhecimento de física que é necessário para obter o diploma. Há um pensamento, errado, de que apenas um conhecimento básico de física é necessário para ensinar física básica. Se você já teve que falar em público, você sabe que quanto mais perto do limite do seu conhecimento você chega, mais desestruturada é sua exposição. É natural, contudo. É necessário saber mais do que aquilo que você se propõe a falar para ter esse conhecimento em perspectiva. Isso acontece em todos os níveis. Eu conheço uma pessoa que diz que se você não consegue ver a incompleteza de uma exposição, você não a entendeu (ele também costuma dizer que se você não consegue generalizar um artigo, você também não o entendeu, o que tem como corolário que ninguém entendeu seu artigo mais recente). Algumas pessoas dizem que há uma supervalorização do método sobre o conteúdo nos cursos de licenciatura de física. Eu não chegaria a esse ponto. Nos cursos de licenciatura que eu fiz não achei que supervalorizavam o método, simplesmente ignoravam o conteúdo!

Mudando um pouco de assunto, vou contar uma história sobre um amigo meu (se o Tom tem um primo, eu posso ter um amigo), que é assistente de professor numa universidade americana e que, com o fim do semestre, estava conversando com um de seus alunos que mostrava uma certa preocupação com a nota que ele iria receber no curso. Esse amigo perguntou se ele estaria preocupado por causa das aplicações para a pós-graduação, mas ele, para surpresa desse meu amigo, disse que estava preocupado porque queria ser professor de física no ensino médio! Muito interessado, esse amigo perguntou como era o processo de licenciatura aqui em Nova York. Bem, do que ele aprendeu nessa conversa, reporto. Primeiro, para você ser professor de física, você tem que ser físico. Então tem que fazer as mesmas matérias obrigatórias que todo mundo. Depois, você tem que ser aceito no departamento de educação da universidade, que só aceita alunos com boa média (algo que poderia ser traduzido para o Brasil como uma média maior que 7,0!), para fazer as matérias relacionadas à pedagogia. Tendo concluído esse processo, o pretendente tem que fazer uma prova de competência, aplicada independentemente da faculdade, para ter uma licença de professor. Mas essa licença não é definitiva. Após cinco anos de experiência no magistério, esse aluno tem que voltar a uma insitutição de ensino superior para fazer um mestrado em educação em física. Só aí então ele é um professor de física pleno. (NB: Isso pode mudar muito de universidade para universidade e, principalmente, de estado para estado nos EUA.)

Eu fiquei pasmo com a história, principalmente com o cenário que contei antes. Foi de me deixar quase envergonhado. Porque, pode ser verdade que o Brasil precisa de mais pesquisadores em física, mas é mais verdade ainda que o Brasil precisa desesperadamente de muitos mais bons professores de física para o ensino médio e fundamental. Mas como se faz isso? Na nossa sociedade, não tem muito segredo: dinheiro. Em vez de ter gente brigando por uma regulamentação inútil da profissão de físico, devia é ter gente brigando por um salário inicial mínimo decente para professores de física previsto em lei, e pela implementação de uma prova de proficiência para que seja emitida uma licença para lecionar física. Algo no estilo do que a OAB faz com os advogados, ou o que parece que é feito por aqui. Ao mesmo tempo, em vez dos diretores de institutos de física estarem fazendo vista grossa para falta de qualidade na licenciatura, talvez por medo de falta de alunos, eles deviam é estar se preocupando em aumentar, em muito, o nível dos formandos.

Isso é um bom ponto de partida para a melhora da educação. Bons salários atraem bons alunos, bons alunos se tornam bom profissionais bem remunerados, bons profissionais bem remunerados não se sujeitam a trabalhar sem infraestrutura, bons professores com boa infraestrutura fazem um povo cientificamente educado. E se tem algo que podemos fazer para melhorar o Brasil é educar cientificamente nossas crianças.

Mas, como não sou eu (ainda) que movo os pauzinhos da política, isso é apenas um sonho.


Notas (5-dez-2008):

  • Visto que esse post, que foi baseado apenas em conversas com alunos e não exatamente numa verificação aprofundada da situação legal, gerou uma certa controvérsia, adiciono links para quem quiser ler mais e talvez ter informações mais sólidas:

    Becoming a physics teacher (Stony Brook University)
    Teaching in New York

  • Além disso, quero deixar claro que meu objetivo não foi, de forma alguma, ofender qualquer aluno de licenciatura em física ou professor de física. Eu só quis dividir minha surpresa com a diferença de seriedade com que a formação de professores é tomada. Se você considerar que a Stony Brook University é uma universidade pública e nem de longe é uma Ivy League ou coisa parecida, acho que a descrição é bem representativa.
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