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Os carros elétricos estão chegando (mais uma vez)

segunda-feira, 31 maio 2010; \22\UTC\UTC\k 22 3 comentários

Tesla Roadster Sport, potencialmente o primeiro carro esporte elétrico. A venda desde final de 2009 em Los Angeles.

Você talvez já sabia que carros 100% elétricos, sem uso de gasolina, já existem, depois das notícias recentes do Tesla Roadster, do Chevy Volt e do REVAi. Talvez você não sabia que eles existem pelo menos desde os anos 90. Devido a razões difíceis de entender, eles nunca foram consolidados no mercado. Porém, parece estar acontecendo uma confluência de situações que vão potencialmente colocar nos próximos dois anos ou menos os carros elétricos em produção e venda em massa, além de toda a infra-estrutura de reabastecimento elétrico.

Os carros, até agora, já incluem o Nissan Leaf, Renault Fluence ZE, Chevrolet Volt e os modelos Tesla. Os carros devem começar a serem vendidos e circular em 2011 e 2012, por enquanto com distribuição limitada a Califórnia ou alguns países da Europa e Israel. Neste último, uma empresa fornecerá a infraestrutura de postos de reabastecimento e troca de baterias. E no Brasil, esta semana o governo pretende lançar um programa de incentivo fiscal a produção e comercialização de carros elétricos. A Toyota possui um carro similar, mas ainda não fez nenhum anúncio oficial de disponibilizá-lo no mercado.

De todas as montadoras, Nissan e a Tesla parecem ser as únicas que irão vender os carros (a Tesla já distribui o Roadster desde dezembro de 2009). As demais, de início, apenas prestarão um contrato temporário de aluguel para os usuários. Todas as vendas ou alugueis serão limitados. A Nissan planeja vender o Leaf por US$37 mil nos Estados Unidos (depois de um certo desconto no imposto de renda, o preço pode chegar a US$ 25 mil) — isso é um pouco mais que o dobro do preço de um carro equivalente a gasolina, todavia mais barato que a SUV média, que é o carro mais popular nos EUA e no Japão hoje em dia.

Quem matou o carro elétrico?

Um fato que eu desconhecia, que aprendi no documentário Quem matou o carro elétrico? este fim de semana, é que essa tecnologia comercialmente viável já existe pelo menos desde os anos 90, quando o estado da Califórnia estabeleceu uma lei (California Zero Emission Act) que obrigava até 1998 que pelo menos 2% de todos os carros vendidos no estado deveriam ser de emissão zero (ZEVs). As montadoras imediatamente passaram a produzir carros elétricos, como o GM EV1, o Honda EV Plus, Toyota RAV4 EV (uma SUV!) e o Nissan Altra. Um fato curioso é que todos esses carros foram apenas alugados pelas empresas. Eles foram fabricados por cerca de quatro anos. Ocorreu uma batalha judicial nos EUA, em que as fabricantes e a Casa Branca (então sob presidência de George W. Bush) entraram com um processo contra o Estado da Califórnia em outrubro de 2002, e a lei foi derrubada em abril de 2003 pela secretaria responsável do estado antes de ir a julgamento (cf aqui para mais info). As companhias então retiraram todos os carros elétricos das ruas — elas não permitiram que nenhuma das pessoas que estavam dirigindo esses carros pudesse comprá-los. Os carros foram quase todos destruídos em ferro-velhos. Alguns EV1s foram doados a museus automobilísticos e a universidades, desativados pela GM, e com a imposição legal de nunca serem reutilizados em público. Outro fato curioso, é que os donos do GM EV1 gostavam muito de seus veículos: eram silenciosos, confortáveis de dirigir, não poluíam; ao ponto que um grupo de 80 chegou a oferecer um cheque de mais de 1 milhão de dólares para a GM para ficar com os carros (isso depois de já terem pago o aluguel por cerca de três anos). A GM não negociou a oferta — ela ignorou os interessados, e prosseguiu com a reapropriação e destruição dos automóveis em 2003.

Agora é aguardar para ver se esta nova reabilitação dos carros elétricos não vai terminar como o que ocorreu na Califórnia…

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Pompéo: triciclo elétrico brasileiro?

sábado, 14 nov 2009; \46\UTC\UTC\k 46 33 comentários

Parece que um grupo de engenheiros brasileiros deu início a um interessante projeto de construir e mercantilizar um triciclo elétrico, que mais parece um carro compacto de dois lugares. Eis o Pompéo:

De acordo com a reportagem original do Yahoo, Pompéu só existe por enquanto como desenho, O triciclo é projeto inicial dos engenheiros Renato César Pompeu da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Carlos Eduardo Momblanch da Motta.Uma pergunta que tenho é: já foi construído um protótipo do motor com sucesso? Um protótipo do triciclo já está em parte construído com sucesso [veja o comentário do engenheiro Carlos E. M. da Motta]. A versão comercial do motor será construída pela empresa brasileira WEG. Segundo seus criadores, Pompéu chegaria até a 90 km/h e consumiria hoje cerca de 4 centavos da sua conta de eletricidade para rodar 1 km. Uma versão de motor a álcool também foi projetada, mas o que mais me interessou foi a versão elétrica. Além de ter potencial para uso empresarial como carro de prestação de serviços que não exigem transporte de carga pesada, o automóvel pode atrair consumidores que usam diariamente um carro para viagem até o trabalho. O triciclo ocuparia pouco espaço no trânsito e poluiria menos (ou nada). Mas eu vejo esse projeto como um embrião para o desenvolvimento de outros automóveis elétricos brasileiros para competir na nova indústria do Chevy Volt e do Tesla Roadster, que você talvez já tenha ouvido falar.

O Volt da Chevrolet está programado para entrar no mercado norte-americano no ano que vem. O carro é equipado com um motor elétrico que utiliza uma bateria para percorrer até aproximadamente 65 km sem recarga. Todavia, o carro é bivalente e o motor do Volt pode usar combustão quando a bateria acaba. Um parênteses: O projeto do Volt é um exemplo de como as empresas são desprovidas de ideologia que não seja ganhar muito dinheiro, pois o presidente atual da GM Chevrolet é um desses sujeitos que não acredita em aquecimento global e que acha que a poluição causada por humanos é irrelevante ao planeta, não obstante, ele pessoalmente através de entrevistas fez a promoção do Volt na mídia estadunidense.

Volt, apresentado pela GM, começa a ser vendido em 2010 nos EUA.

O Tesla Roadster já é vendido nos EUA a partir de $100 mil dólares, em um país onde o Honda Civic custa US$15 mil. Não sei qual o preço estimado do GM Volt, mas espero que não seja muito mais caro que um carro compacto da GM, que não sai por mais de US$ 15 mil. O Pompéu está previsto para vender no Brasil só a partir de 2012, por talvez cerca de R$30 mil — que hoje talvez seja um preço um pouco salgado para um triciclo simples. Você pode receber atualizações do projeto inscrevendo-se na lista de emails do site oficial.



Tesla Roadster

Para saber mais: leia o comentário do engenheiro Carlos Eduardo Momblanch da Motta, a quem agradeço muito as informações, e o site oficial do projeto:

http://www.triciclopompeo.com.br/

e também uma notícia no Yahoo.

O Nobel de Física de 2009

terça-feira, 6 out 2009; \41\UTC\UTC\k 41 4 comentários

Saiu há algumas horas os nomes laureados com o Premio Nobel de física de 2009. O chinês Charles Kao ficou com metade do prêmio por suas contribuições à comunicação com fibras óticas. A outra metade foi dividida entre o canadense Willard Boyle e  o americano George E. Smith, pela invenção dos dispositivos CCD (Charge-coupled Device)  . Para dizer a verdade conheço pouco a respeito dos nomes, mas considero a decisão de dar o prêmio para essas duas áreas muito acertada.

As duas descobertas/invenções são extremamente técnicas e podem não aparentar tão interessantes à primeira vista. Entretanto são duas descobertas técnicas que transformaram a face da Terra. Não apenas influenciaram nossa capacidade tecnológica, mas ampliaram a nossa capacidade de descobrir mais sobre o universo, afetaram de maneira irreversível nossa cultura e, eu diria sem medo de exagerar, aumentaram o potencial da nossa civilização.

Ambas são tecnologias ubíquas. Quase todos nós as usamos diariamente.

As fibras óticas, não preciso dizer, estão em um dos pilares da nossa rede global de comunicação. Nenhuma ideologia, religião, teoria economica ou doutrina política revolucionou tanto o mundo quanto a criação dessa rede. Praticamente todas as transações bancárias, chamadas telefônicas de longa distância, a comunicação entre empresas, entre pessoas, entre governos, notícias, fofocas de celebridades, bobagens, informações valiosas, colaborações científicas, informações industriais, cartas de amor…  tudo isso hoje chega ao seu destino por fibras óticas. Os diferentes cantos do planeta se comunicam instantaneamente por causa das fibras óticas e isso transformou um planeta dividido em uma civilização global. É impossível conceber o mundo funcionando como funciona hoje sem essa tecnologia.

Os dispositivos CCD, menos conhecidos talvez, estão em todas as máquinas fotográficas digitais. Mas revolucionaram muito mais do que a arte da fotografia e os álbuns de família. Talvez seja mais difícil apreciar como a difusão de uma método extremamente barato de produzir imagens instantaneamente é capaz de mudar a maneira como pensamos, conhecemos o mundo, fazemos ciência, produzimos bens e os consumimos. A revolução da imagem é sorrateira, mas eu duvido que você que lê esse texto não tem pelo menos meia dúzia de fotos suas convertidas em bits, circulando agora pelas fibras óticas que ligam o mundo!

Talvez haja tempo para depois escrever  aqui sobre os detalhes técnicos ligadas a essas técnicas, mas para apreciar o que essas técnicas fizeram pela humanidade basta olhar em volta de você.

Leia mais…

Tecnologia de Educação em Física…

quarta-feira, 12 nov 2008; \46\UTC\UTC\k 46 Deixe um comentário

Pra quem gosta de “experimentar” com a educação e aprendizado em Física, esse artigo é bastante interessante:

A sigla PhET significa “Physics Education Technology”, que é um projeto onde o resultado de pesquisas que mostram que alunos aprendem melhor quando eles constroem o próprio entendimento de idéias científicas [dentro do arcaboço do conhecimento que eles possuem], é posto em ação via o uso de simulações interativas, possibilitando que os alunos tenham um engajamento ativo com o conteúdo.

O webite oficial do PhET é,

Outra que vai no mesmo espírito é a seguinte:

(Em particular, eu recomendo também o artigo Meta Math! The Quest for Omega; foi nele que li, pela primeira vez, o termo Matemática Experimental, direto da boca do G. Chaitin — esse aqui é pro Fábio: Epistemology as Information Theory: From Leibniz to Omega.)

Essas idéias não são particularmente novas (no meu primeiro ano do CCM eu tive aulas de matemática com o Prof. Jacob Z. Sobrinho, que dava laboratórios semanais na sala de computação, fazendo a gente “testar” o que aprendeu em sala de aula — o mesmo aconteceu com o nosso curso de computação, que sempre resolvia problemas que a gente estava aprendendo em outras matérias, como química, biologia e física), mas ainda continuam sendo inovadoras (por razões que me fogem).

Nesse mesmo espírito, quero aproveitar e citar a palestra sobre educação que assisti recentemente, ministrada por Ed Redish. Ele faz parte do Physics Education Research Group (PERG), e a maioria dos trabalhos dele podem ser encontrados em Papers and Talks by E. Redish — vale muito a pena dar uma olhada no que tem por aí… muita coisa interessantíssima! (Infelizmente, a palestra que ele deu aqui em Syracuse (ainda?) não me parece estar disponível online. 😛 )

É isso aí… agora é hora de começar a pensar na janta… 😉

[]’s.

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