Archive

Posts Tagged ‘TI’

Vivendo nas nuvens…

quinta-feira, 11 jun 2009; \24\UTC\UTC\k 24 Deixe um comentário

Pra quem ‘telecomuta’, ou vive, de alguma outra forma, nas “nuvens”… eu acho que a diquinha abaixo pode vir bem a calhar:

Ou seja, vc pode isntalar o LiberKey (que é um conjunto bastante completo de programas) ou no seu pendrive ou numa conta no DropBox. Se vc instalar o LiberKey no DropBox… não só vc vai ter acesso a todos os aplicativos contidos no LiberKey, mas também terá a vantagem de que o DropBox vai manter tudo sincronizado e bonitinho! 😈

A diversão é garantida! 😉

Opera 10 beta passa no Acid3…

quarta-feira, 3 jun 2009; \23\UTC\UTC\k 23 Deixe um comentário

Como eu falei do chromium num post anterior, nada mais justo do que falar do novo Opera 10 (beta): Além de melhoras significativas na velocidade e suporte aos padrões do W3C, o novo ‘engine’ passa nos testes Acid3 (olha só a fotinha abaixo)! 😈

Acid3 no Opera 10 (beta) — MacOS X (10.5.7)

Acid3 no Opera 10 (beta) — MacOS X (10.5.7)

Diversão garantida! 😈

Google Wave…

sexta-feira, 29 maio 2009; \22\UTC\UTC\k 22 4 comentários

Como eu ainda não vi essa notícia sendo divulgada em nenhuma mídia brasileira… decidi quebrar o silêncio e informar, em primeiríssma mão, o próximo lançamento do Google: Google Wave! (Veja detalhes mais técnicos em Wave Protocol.)

Segundo quem já assistiu ao vídeo abaixo, Google Wave é tudo aquilo que o email seria se tivesse sido inventado atualmente — ou seja, a coisa promete! 🙂 Em poucas palavras, o GWave é uma plataforma colaborativa onde se pode compartilhar documentos e “conversas”, i.e., as pessoas podem se comunicar compartilhando arquivos (rich text format), fotos, mapas, vídeos, etc. Isso sem falar que a “wave” (‘onda’) é algo completamente compartilhado e em tempo real!

De fato, a coisa promete… Diversão garantidíssima! 😈

Atualizado (2009-May-29 @ 18:37h EDT): O T. Tao também pegou essa notícia, e ficou tão ansioso quanto esse que vos fala: Google Wave.

Diquinha tecnológica…

quarta-feira, 1 abr 2009; \14\UTC\UTC\k 14 4 comentários

Tirando o fato de que hoje é “1º de Abril” e que ter um “piloto automático no GMail” — 😆 — seria certamente fantástico… o Google anunciou outra coisa ainda melhor: a liberação da função “labs” do GMail para todos os idiomas que o Google suporta.

Isso é sensacional: havia alguns empecilhos técnicos pra liberar o “Labs”, mas agora a coisa tá liberada. Pra quem usa o GMail, então, aí vai uma listinha das funções do “Labs” que eu curto (os nomes estão em inglês porque eu ainda não vi a versão em pt_BR): Offline; Tasks; YouTube, Picasa, Flickr, Yelp Previews; Superstars; Pictures in Chat; Fixed Width Font; Custom date Formats; Advanced IMAP controls; Canned responses; Default “Reply to All”; Quote Selected Text; Navbar Drag’n Drop; Forgotten Attachment Detector; Custom Label Colors; Mark as Read Button; Go to Label; Create a Document; Filter import/export; Text messaging (SMS) in chat; Send & Archive; Undo Send; Location in Signature; Title Tweaks, Add a gadget by URL.

Pra quem curte a interface do GMail e gosta de trabalhar nesse esquema “Web2.0” — e usa o Firefox 😛 —, eu recomendo os seguintes “complementos” (essa é a tradução oficial de “add-ons”; fazer o quê 😛 ): BetterGMail2, Remember the Milk (GMail gadget, GCalendar gadget e Offilne Access) e GTDInbox… e Xoopit também! 🙂

E pra quem quer dar um passo adiante e tentar algo ainda mais sexy… Install Linux In Your Dropbox Account Using VirtualBox.

Diversão garantidíssima!

😈

Matemática na era da Web2.0…

quarta-feira, 25 fev 2009; \09\UTC\UTC\k 09 3 comentários

A WWW daria uma lousa e tanto… se a gente conseguisse rabiscar uma equação

A WWW foi concebida no CERN e, desde então, o patamar em que chegamos atualmente (chamado de Web 2.0) é bem diferente daquilo que se imaginava na época da criação da Web. Hoje em dia já se fala em Web 3.0, que é uma espécie de codinome para Cloud Computing. Porém, o sonho original para a WWW é a chamada Semantic Web. Eis o próprio T.B. Lee falando sobre esse assunto,

De fato, a tal “Web 3.0” deve incluir toda essa parte “semântica” (veja mais em W3C Semantic Web Activity, The Semantic Web e The Semantic Web Revisited (PDF)), chamada tecnicamente de Metadata — apesar de que a incorporação de todos esses “metadados” em bancos-de-dados e aplicações (“cloud”) afins ainda vai levar algum tempo. 😉

De qualquer maneira… essa “simples” idéia — de assimilar os “metadados” de forma fundamental e intrínseca nas entranhas da Web — tem um enorme potencial quando o assunto é Publicação Científica. Um exemplo claro disso é o Scientific Publishing Task Force: Mindswap: Science and the Semantic Web, Science and the Semantic Web (PDF), Semantic web in science: how to build it, how to use it, ScienceOnline09: The Semantic Web in Science.

Então, como se pode ver com clareza, essa idéia de se associar “semântica” aos elementos já pertencentes da WWW, realmente será algo revolucionário.

A razão pra essa longa introdução é o paradigma adotado pelo MathML, que é a linguagem que permitirá a introdução de linguagem Matemática na WWW. Existem dois modos de se “descrever” uma informação em MathML, Presentation MathML e Content MathML — enquanto o pMathML foca na apresentação e aparência das equações e elementos matemáticos, o cMathML foca no significado semântico das expressões (num esquema bem parecido com Cálculo λ 😎 ).

Então, fica claro que o objetivo de MathML não é apenas o de “apresentar” uma informação, mas também de dar significado semântico a ela, o que fará com que a comunicação matemática seja muito superior do que a comunicação atual, feita em HTML!

O paradigma atual: \TeX

Hoje em dia, efetivamente, quem tem necessidade de publicar muitas equações usa \TeX, mais especificamente, usa-se \LaTeX — esse é o de facto padrão.

Essa linguagem é extremamente poderosa, versátil e flexível, podendo ser extendida de várias maneiras diferentes. E isso facilita muito sua aplicação em várias áreas diferentes: desde símbolos matemáticos, gráficos vetoriais, …, até símbolos musicais, de xadrez e tipografia em línguas gráficas, como árabe, hindu, chinês e afins!

Por essas e por outras, atualmente é muito mais comum de se encontrar programas que convertem de \TeX para MathML do que programas que nativamente facilitam a edição nativa [em MathML]. Tanto que existe um livro unicamente dedicado a esse assunto: The LaTex Web Companion. Aliás, nessa linha, eu recomendo o uso do formato DocBook, cuja saída pode ser HTML, PDF, \TeX (via o uso de XSLT), etc.

Portanto, o que acabou acontecendo é que quando alguém precisa publicar fórmulas e afins, ou se cria um documento em PDF, ou se usa de “algum desvio” para colocar a informação na Rede — em geral, esse desvio consiste em se converter o conteúdo desejado em alguma imagem, e inserí-la no HTML em questão.

A saída: habilitar os navegadores

A alternativa pra tornar tudo isso integrado (Web 3.0, MathML, etc) e unificado é prepararmos os navegadores para essa nova jornada, nova etapa, da WWW. Por exemplo, o Firefox tem toda uma infra-estrutura dedicada para MathML: MathML in Mozilla. Porém, pra isso, é preciso que os desenvolvedores de navegadores sigam os padrões já definidos para MathML. Essa é uma lista dos navegadores que suportam MathML. Além disso, pra quem usa Firefox, esse é um ‘add-on’ bem interessante, Firemath (eu não tenho uma conta com o Mozilla, então, se alguém que tiver uma conta quiser me mandar o add-on, eu agradeço 😉 ).

Portanto, o caminho ainda se encontra aberto… e as possibilidades são infinitas! 😈

Referências…

Novas estruturas sociais e o cientista hacker…

quinta-feira, 19 fev 2009; \08\UTC\UTC\k 08 Deixe um comentário

Com a crescente fusão entre ciência e tecnologia (principalmente TI), surgem novas formas de produção e distribuição do conhecimento.

Origens da divulgação científica

Em ciências (exatas, humanas ou biológicas), desde os primórdios até hoje, a forma preferida de divulgação do conhecimento é oral, por meio de palestras, congressos e conversas formais ou informais. Isso acontece porque explicar a lógica por detrás de uma idéia, de um raciocínio ou de uma metodologia, costuma requerer mais do que a comunicação escrita pode oferecer. Ao vivo, é possível interagir com o interlocutor. Perguntas e respostas são fundamentais para o entendimento.

Com o desenvolvimento histórico, porém, os modos de organização sociais mudaram, outros continentes foram descobertos, a humanidade se expandiu. A história das ciências também mudou: a cada nova escolha feita pelas sociedades, era necessária uma nova adaptação do método científico e de sua divulgação. Na Babilônia e no Egito, há registros de números Pitagóricos, incluindo o famoso teorema de Pitágoras, que datam de 1900-1600 AC, alguns ainda em escrita cuneiforme. Compare isso com as nossas mais modernas formas de escrita: TeX, XHTML, MathML.

Enquanto o mundo era pequeno (Europa/Eurásia) e com o aparecimento de “centros de excelência” para as diversas áreas do saber, a divulgação do conhecimento humano acontecia sem grandes problemas. Porém, com a entrada do “Novo Mundo”, as distâncias começaram a mudar o modo de divulgação científica, passando de oral para escrita. Só assim era possível comunicar as descobertas para os diversos cantos do mundo. Publicava-se uma enciclopédia, uma revista, e essa era levada de barco para o resto do globo. Foi basicamente por essa razão – transposição das distâncias –, num contexto de desenvolvimento da tecnologia da impressão por Gutenberg, que as revistas científicas tomaram a forma que, em alguns casos, adotam até hoje. Contudo, a revolução tecnológica desse último século, incluindo a revolução digital, começou a chacoalhar as fundações desse modelo.

Internet: agilidade na popularização do conhecimento

Flexibilidade e dinamismo na divulgação do conhecimento são peças fundamentais em ciências. Dentre outras razões, estão o simples fato de se atrair um maior interesse no trabalho dos pesquisadores (jovens cientistas, alunos) e o fato de que o resultado da pesquisa de um determinado grupo poder catapultar a pesquisa de outros grupos. Quanto mais pessoas tiverem acesso aos resultados de determinada pesquisa e quanto mais rápido esses resultados forem divulgados, maior será a chance de avançar aquela área do saber. Em alguns casos, essa dinâmica é necessária para manter vivo um campo do conhecimento.

A invenção da Internet e a popularização das tecnologias de computadores, modems, bandas-largas e redes foram um passo fundamental na direção de se agilizar a produção e divulgação do conhecimento. Hoje em dia, é rotina um pesquisador de um lado do globo comunicar seus resultados para seus colaboradores em outros cantos do planeta. Quando se adiciona a isso o fato de que o conhecimento da humanidade pode seguir um novo paradigma de “velocidade, flexibilidade e dinâmica”, esse avanço tecnológico passa a ser incomensurável.

Esse novo ”modus operandi” é fundamental para que se possa maximizar os caminhos da ciência: tanto na direção do cientista para o leitor quanto na do leitor para o cientista. Mas, para que isso se realize, é imprescindível que a divulgação seja o mais democrática possível, habilitanto qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo a ter acesso a informação. Nossa sociedade industrial transformou-se em uma sociedade que valoriza a informação. Essa é uma das razões que justifica a existência de modelos de distribuição como o usado pelo arXiv (distribuição gratuita) em lugar de modelos canônicos (revistas especializadas e seus custos).

Ciência da Computação e a revolução digital

Ciência e tecnologia são conceitos diferentes. De acordo com suas definições de dicionário:

  • ciência: conhecimento; conhecimento de princípios e causas; confirmação da verdade dos fatos;
  • tecnologia: aplicação prática da ciência para o comércio e/ou indústria [sinônimos: engenharia, ciência aplicada].

Dada essa distinção, surge a questão de como ciência e tecnologia se relacionam. Em outras palavras, “qual é a ”distância” entre um fato científico e seu correspondente tecnológico?” Para quem está familiarizado com essa questão, é fácil ver que isso é complicado. É preciso entrar nos pormenores de cada área do saber e avaliar o quão próximo do dia-a-dia cada uma delas está. “O que é que se pode fazer de prático com Gravitação Quântica?” Contraste isso com: “O que é que se pode fazer de prático com uma vacina contra a AIDS?” ou ainda “O que é que se pode fazer de prático com a nanotecnologia?” A Gravitação Quântica está bem longe de trazer resultados práticos para o nosso dia-a-dia. Em compensação, pesquisas em HIV e em nanotecnologia estão presentes e afetam a nossa vida diariamente.

Entretanto, é preciso ter cuidado com esse tipo de afirmação: avanços tecnológicos aparecem onde menos se espera. As dificuldades técnicas em se construir equipamentos para pesquisa pura, como aceleradores de partículas (por exemplo, CERN e SLAC) levaram a avanços enormes para os componentes de computadores. O volume de dados que trafega pelas redes de computadores desses experimentos chega a atingir 1 Terabyte (1024 Gigabytes) por segundo, e uma colisão típica nesses aceleradores leva alguns segundos. Um experimento para se medir alguma propriedade de uma teoria de Gravitação Quântica pode levar a avanços dessa natureza.

Para ilustrar esse argumento, vale a pena lembrar duas frases do físico inglês Michael Faraday. Enquanto Faraday explicava uma nova descoberta para o Ministro das Finanças e para o Primeiro Ministro britânicos, perguntaram-lhe ”‘Mas afinal, que uso tem isso?’”, no que Faraday respondeu, ”‘Excelência, é provável que em breve o senhor esteja cobrando impostos sobre isso’”. Em uma outra conversa, o Primeiro Ministro britânico lhe perguntou a respeito de uma nova descoberta ”‘Que valor tem isso?’”; Faraday respondeu, ”‘Que valor tem um recém-nascido?’” e prosseguiu explicando que sem os cuidados de uma boa infância, um recém-nascido não cresce e não se torna um adulto criativo e trabalhador.

Na área de Ciência da Computação, a distância entre ciência e tecnologia fica ainda mais difícil de medir. Por exemplo, Teoria dos Grafos é uma das áreas de pesquisa da matemática pura. Porém, em Ciência da Computação, o conhecimento de Teoria dos Grafos é fundamental para a construção de compiladores (programas que traduzem código escrito em uma linguagem para linguagem de máquina), ou então para o desenvolvimento das linguagens usadas na criação de páginas WWW para a Internet, como o HTML, XHTML, XML, CSS e seus interpretadores (navegadores, como Mozilla Firefox e Opera). Uma teoria abstrata como Teoria dos Grafos acabou gerando uma aplicação imediata. Sem ela, nenhum de nós estaria surfando na Internet hoje.

A Ciência da Computação introduziu um novo paradigma a respeito dessa “distância” entre teórico e prático. E esse novo paradigma trouxe consigo um novo conceito para a nossa sociedade pós-industrial: ”O conceito de Sociedade da Informação”. Uma visão corrente afirma que foi a Tecnologia da Informação que causou essa mudança. Entretanto, é preciso ter em mente que esta teve origem na Ciência da Computação. Uma nova gama de ciências apareceram por causa desse ”insight”, como Teoria da Informação e Inteligência Artificial. O momento histórico, portanto, é mais do que propício para discutirmos uma possível liberação dos meios convencionais de divulgação científica.

Propriedade intelectual

Cooperação e colaboração entre cientistas e acesso às pesquisas e seus resultados são pontos para que se caminhe em direção ao futuro. Portanto, tanto a ciência quanto seus pesquisadores são historicamente livres. No começo dos tempos científicos, a pesquisa e seus resultados tinham uma aplicação prática muito mais tímida do que hoje em dia. Atualmente, é possível ganhar um Prêmio Nobel pela descoberta da estrutura de dupla-hélice do DNA (via cristalografia de raios-X), ou pela descoberta da liberdade assintótica dos quarks, coisa que os egípcios e babilônios jamais sonharam. As aplicações da nanotecnologia vão desde tecidos inteligentes até computadores quânticos e ”spintrônica”. No campo de biotecnologia, desenvolvem-se fármacos para combater um vírus específico. Em suma, aprendemos a dar forma, cor, sabor e até cara para nossos achados científicos de tal forma que, teorias antes consideradas completamente abstratas e sem aplicação prática, são hoje os pilares de uma revolução no nosso modo de vida.

Com esses avanços, um método para a proteção do conhecimento foi desenvolvido. Trata-se da ”Propriedade Intelectual”. Esse desenvolvimento ocorreu ao mesmo tempo em que a nossa ciência ficava cada vez mais próxima da tecnologia. Isso acontece por uma razão bem simples: economicamente, é mais fácil atribuir valor à tecnologia do que à ciência. Afinal de contas, o que é mais fácil quantificar: a Teoria Quântica de Campos e seus aceleradores de partículas ou os computadores e suas tecnologias de rede e bandas-largas? O que é mais fácil de medir: 20 anos de estudo ou um novo antibiótico?

Em vista disso, a medida de ”distância” entre ciência e tecnologia passou a ser cada vez mais fundamental: com o aumento da proteção sobre o conhecimento, o custo sobre o desenvolvimento científico pode tornar-se proibitivo. O desenvolvimento científico deixaria de ser livre. Já imaginaram o que seria do mundo moderno se Maxwell tivesse “cobrado” por sua teoria, o Eletromagnetismo? Sua teoria resume-se a 5 equações. Quatro delas descrevem os fênomenos elétricos e magnéticos propriamente ditos e uma delas descreve a conservação de carga. Essas equações, chamadas Equações de Maxwell, são a base de tudo que é elétrico, eletrônico e magnético hoje em dia (lâmpadas, geladeiras, microondas, computadores). Isso ilustra a dificuldade de atribuir-se um valor econômico a descobertas científicas.

Porém, é necessário dar valor à tecnologia, afinal de contas os produtos e resultados das pesquisas científicas têm que gerar alguma coisa. E é por isso que o paradigma atual, de revolução digital e sociedade da informação, é tão crítico. Como foi mostrado acima em Ciência da Computação, essa distância entre ciência e tecnologia é algo mal definido. Um mestre em Teoria dos Grafos pode inventar um novo compilador, isto é, um teórico pode produzir tecnologia. A Ciência da Computação é a primeira a permitir esse nível de interação entre teoria e prática, entre ciência e tecnologia. Esse é o primeiro palco onde a mais abstrata das matemáticas acaba tendo aplicações práticas de uma utilidade inigualável.

Bazar do conhecimento: por uma sociedade livre e universal

É essa mistura entre ciência e tecnologia, entre teoria e prática, que foi responsável pela revolução digital, pelo nosso novo paradigma cultural (pós-industrial) de sociedade da informação. Portanto, nesse novo momento histórico nós, enquanto coletividade/sociedade, teremos que fazer uma escolha que mudará nossas vidas de forma crítica: ”como é que vamos lidar com a impossibilidade de se medir a distância entre ciência e tecnologia?”. Essa pergunta é fundamental para os futuros modelos econômicos.

Dentre os estudiosos dessa nova economia e sociedade, destacam-se Eric Raymond (The Cathedral and the Bazaar) e Richard Stallman (Free Software, Free Society). O ponto principal dessas referências é que tudo que nelas é descrito como cultura hacker sempre fez parte da cultura da ciência e dos cientistas. Segundo o dicionário dos programadores, a definição de ”hacker” é “um programador para quem a computação em si é sua própria recompensa” e “aquele que gosta do desafio intelectual de superar barreiras criativamente ou encontrar alternativas para limitações”). Ora, cientistas têm sido assim desde sempre. Cientistas são ”hackers”: hackers da matemática, da física, da química, da biologia, da ciência da computação.

Portanto, e chegamos agora ao ponto crucial: estamos vivendo o momento do ”interlace de culturas”, de permeação da cultura ”hacker” na cultura científica. Creio que esse interlace se originou na Ciência da Computação, a primeira ciência a permitir uma interação intensa entre teoria e prática. Assim, nesse momento cultural, vivemos a impossibilidade de discernir ciência de tecnologia e cultura hacker de cultura científica. Dessa forma, a escolha crítica que teremos que fazer reside no fato de que a cultura hacker/científica é fundamental e diferente do paradigma econômico em que vivemos hoje, principalmente no que diz respeito à produção de valor.

O caminho na direção de uma sociedade mais livre e universalmente inclusiva terá que lidar com essas questões, terá que formular respostas para essas questões, terá que encontrar novos paradigmas sociais e econômicos que acomodem essas questões. Um dos problemas a serem atacados é o da universalidade da ciência, principalmente no que diz respeito à sua divulgação. A meu ver, a solução mais universalmente inclusiva e livre para essa questão deve seguir os moldes do arXiv. Trata-se de uma solução que permita o acesso irrestrito ao conhecimento, às pesquisas e seus resultados. E, dado o modelo econômico atual, isso só pode ser feito através de uma forma eletrônica e gratuita de divulgação científica. Seria fantástico se o modelo do arXiv fosse adotado para todas as outras áreas do saber.

Epílogo: Uma breve história do arXiv

No começo, o arXiv era chamado “LANL preprint archive” (LANL é o Laboratório Nacional de Los Alamos – lugar onde a física das bombas atômicas da Segunda Guerra Mundial foi finalmente entendida e “dominada”). Ele é um arquivo para ”preprints” eletrônicos de artigos científicos nos campos de Física, Matemática, Ciência da Computação e Biologia Quantitativa. No passado, o servidor do arXiv ficava no LANL mas, atualmente, o arXiv é servido e operado pela Universidade de Cornell, além de ser espelhado pelo mundo afora. Sua idéia original é devida ao físico Paul Ginsparg.

O arXiv surgiu em 1991 como um arquivo de ”preprints” em física (hep-th, sigla que denota “física teórica de altas energias”) e, mais tarde, foi expandido para incluir, além de outras áreas de física, matemática, ciência da computação e, mais recentemente, biologia quantitativa. Em Março de 2004, o arXiv continha cerca de 267.000 preprints e recebia cerca de 3.000-4.000 novos preprints por mês!

O primeiro nome do arXiv foi xxx.lanl.gov, porém esse nome foi mudado quando se descobriu que programas de “censorware” (ou seja, programas de filtragem de conteúdo) estavam bloqueando seu acesso a partir de diversos sites, acreditando que as três letras X implicassem num site pornográfico. A idéia do XXX era a de que o arXiv era melhor que o WWW em todos os aspectos (já que a letra x vem depois da letra w no alfabeto).

A existência do arXiv foi um dos fatores mais importantes que levou à presente revolução em publicações científicas, conhecida como Open Access Movement (veja também Budapest Open Access Initiative e Berlin Declaration), com a possibilidade de levar ao desaparecimento das revistas científicas tradicionais (e, mais importante ainda, seus modelos de publicação).

Um método popular para se acessar a porção de matemática do arXiv é via o portal da Universidade da Califórnia em Davis chamado de Front. O portal oferece um método de busca poderoso e uma interface mais amigável para o usuário. Por essa razão, o arquivo de matemática é conhecido como ”[the] Front”.

Cientistas e matemáticos profissionais (como Grigori Perelman em 2002 e Richard Arenstorf em 2004) ”carregam” regularmente seus achados e demonstrações matemáticas no arXiv para o acesso e revisão mundial (e gratuito).

Referências

Enquete…

Diversão garantida…

😈

A semana nos arXivs…

domingo, 15 fev 2009; \07\UTC\UTC\k 07 Deixe um comentário
%d blogueiros gostam disto: